Masquerade - Little Lost Soul
2 Give me a Chance
Notas iniciais
11 anos se passaram...
– Você precisa se concentrar mais, Elsa... — Disse Anna ao meu lado.
Assenti. Estávamos ensaiando balé, como sempre. Sorri para ela. Mas minha mente, estava longe. Uma mecha de cabelo louro cai em meu rosto. Tiro-o de minha face. Enxugo a testa banhada de suor. Anos de treinamento como bailarina, me deram flexibilidade o suficiente para que pudesse movimentar-me como o ordenado.
Trajava uma roupa simples de ensaio, para garantir movimentos mais eficazes e suaves. Prendia meus cabelos em um coque apertado para impedir que caíssem sobre meu rosto, embora uma mecha rebelde sempre teimasse a voltar a frente de meus olhos. Meus pés doíam um pouco, mas já estava acostumada. "Beleza exige sacrifício." Dissera Madame Russeau, uma senhora de idade, mas que dançava sobre sapatilhas como ninguém, já que fora bailarina por quarenta anos. Agora, ensinava novas aprendizes a seguirem seus elegantes passos. Alguns de meus membros doem, mas não ligo. penso em minha roupa de figurino. É sempre um esforço ter de dançar com uma roupa apertada, delicada e brilhante, mas já tinha me acostumado. Dou um suspiro cansado e imito os passos de Russeau.
– Anime-se, — Disse Anna, sorridente. — Hoje, o Sr.Legrand vai escolher os novos cantores.
– Hum... É verdade. — sorrio, me lembrando deste detalhe.
Temos para os espetáculos, os seguintes para voz masculina: Tenor, Barítono e Baixo, que são respectivamente, o senhores Achille Champoudry, Gastão Tissou e Burnier Chevalier. Para cantores femininos, temos somente Mezzo-Soprano e Contralto, que são respectivamente: Adoriabelle Duchamps e Charlotte Leclerc. Depois que a Sra.Gareth Bouvié saiu, Legrand está a procura de um novo Soprano, e eu, desde pequena sempre quis este cargo.
– Como você acha que vai ser, Anna? — Pergunto.
– Não sei... — Ela franziu a testa. — Bouvié sempre foi o Soprano desde que me entendo por gente.
Assenti. Na verdade, Gareth, como a mesma preferia ser chamada, foi a inspiração para que eu quisesse ocupar meu espaço. Já me deu aulas escondidas, ensinando-me como me portar perante as pessoas e exercitando a voz. Sempre disse que eu tenho muito talento, e que a substituiria quando esta saísse. Nossa relação sempre fora muito boa, ela sempre fora humilde, e não se achava superior aos demais. Eu admirava. Não é preciso dizer que me senti arrasada com sua partida.
– Mas mamãe me contou como elas são selecionadas. — Anna me cutucou nas costas, tirando-me de meus devaneios. — Ela disse que Legrand e a diretoria fazem uma audição com quem quiser tentar o cargo. Eles a ouvem, observam seus modos e o figurino. Que deve ser feito pela própria pessoa que vai participar. Ao fim das apresentações, eles se reúnem, o que pode durar de quinze minutos a um ou dois dias.
– E você vai tentar o cargo? — Perguntei, na esperança de que ela negasse. Sim, era egoísta, mas quanto menos concorrentes melhor. E não queria brigar com minha irmã de consideração por isso.
– Não. — Ela respondeu com uma careta. — Primeiro, porque sei que é o seu sonho desde criança. Segundo, é um cargo muito disputado e não quero entrar em brigas. Terceiro, exige demais da pessoa. Não, não. Prefiro que fique como está.
Não pude deixar de sentir um alívio, que substituiu o lugar da terrível sensação na boca do estômago. Olhei com carinho para a garota em minha frente. Anna, sempre fora menor, e mais delicada que eu. Era três anos mais nova, muito linda e romântica. Era toda pequena e seus olhos verdes ficavam perfeitos em contraste com os cabelos castanhos. sorri para ela.
– Não me olhe assim, — Ela retrucou. — Vamos, sorria, Eu sei que você ficou aliviada em saber que não vou tentar.
Só então percebi que estava me segurando para não sorrir. Arqueei os lábios, e com o apoio de Anna, sorri, abraçando-a.
– Você é a melhor! — Exclamei.
– É, já me disseram isso. — Disse ela, calmamente.
– Todos vocês. Almoço! — Chamou a Sra. Russeau.
– Bom, tenho que ir. — Anna me soltou. Disfarçadamente, ela indicou-me com o polegar, um loiro, bailarino, que a observava do outro lado do salão. — Quer falar comigo. Te vejo no almoço, talvez.
– Okay — Disse, dando um tapa discreto em sua bunda.
– Hey! — Ela exclamou, mas já estava longe.
Segui para o refeitório. Tudo lá, era colorido. Pessoas se amontoavam em mesas, sentavam em escadas e entravam em filas para pegar a comida. Passei pela mesa de sobremesas. O cheiro de chocolate que vinha das maçãs do amor era delicioso. Entrei na fila para pegar algo, mas um sujeito pequeno, que trabalhava na direção junto com Legrand, entrou, anunciando em alta voz.
– Atenção! Todas as moças que forem se candidatar para a seleção de soprano. — Praticamente gritou, chamando-me a atenção. Todos pararam para olha-lo. — A audição acontecerá daqui a meia hora. — Ao terminar o anúncio, se foi.
Quando as portas se fecharam, as pessoas voltaram-se aos seus pratos e voltaram a comer e conversar. Meu coração quase parou na boca. Abandonei a fila e corri para o quarto. Para me trocar e ensaiar.
12:30
Já estava na porta do auditório. Legrand ia chamando por vez. Uma a uma, em ordem alfabética, mulheres iam entrando. Algumas reconhecia. O que me dava náuseas. Outras, eram completas desconhecidas. Do lado de fora, as que não foram chamadas, se arrumavam e ensaiavam. As que já haviam sido ouvidas, iam embora. Adeline Tardin, depois que saiu, teve um acesso de tontura e vômito pela pressão. O que me deixava mais desconfortável. A porta se abriu, e o mesmo sujeito que anunciou a hora da audição, pôs a cabeça para fora, olhou em sua lista e chamou:
– Gretel Swaroski! — Uma mulher alta, e de porte elegante, saiu de trás das sombras, seus cabelos e figurinos eram cuidados por duas pequenas bailarinas. Usava um bonito vestido e maquiagem que iam de amarelo, ao laranja e finalmente vermelho. Seu corpo inteiro parecia em chamas. Ela era nada menos que impressionante. Ele deu espaço para que ela passasse e a porta se fechou atrás de ambos. As bailarinas ficaram para trás.
Comecei a me sentir menor e impotente diante daquilo tudo. Olhei para mim mesma. Trajava um vestido preto e verde. Luvas também verdes. Uma capa roxa e meus cabelos estavam presos e uma trança embutida, que deixava meu pescoço completamente a mostra. Minutos se passaram, a porta novamente se abriu. Gretel saiu de lá com um sorriso triunfante, diferente das demais. O homem leu novamente a lista e anunciou o próximo nome:
– Elsa Arendelle! — Engoli em seco, mas o segui. Bom, penso. Já que não há mais ninguém na minha frente... E o sigo. A porta se fecha atrás de mim.
Olho para a sala. É grande, para que minha voz ecoe pelo salão, ampliada. Olho para Legrand ao lado de outros homens e mulheres, que iam ouvir-me.
– E então? — Diz um deles, impaciente.
– Ah, sim. — Disse, nervosa.
Abria a boca. Descobri que não conseguia cantar. As palavras... Simplesmente não saíam. Eles começaram a murmurar baixo. Meus olhos foram ficando marejados. Estava prestes a chorar, aterrorizada. Perder a chance de minha vida. Meu coração batia acelerado, tão forte, que sentia na garganta. Era isso, eu ia desistir. Algo desviou a atenção de meu confronto com os auditores. Uma mulher baixa, que eu quase não reconheci sem o figurino exagerado de uma Soprano. Gareth Bouvié, andou pelo salão, sendo acompanhada pelos olhos de todos os demais. Sentou-se em uma cadeira vaga e sorriu amigavelmente para mim.
– Fique calma. — Disse ela. — Não cante para eles. Indicou os homens e mulhers ao seu lado. — Cante para mim. Somente para mim. — Indicou a si mesma.
Sorri, secando minhas lágrimas. Meu coração agora batia em um ritmo normal. Me concentrei na música que havia ensaiado, olhei diretamente em seus olhos, castanhos, com pequenas rugas de expressão nos cantos, que só a deixava mais bonita. Devagar, minha boca foi se abrindo. Com esperança, cantei a canção que havia ensaiado com frequência. Se chamava "Angel of Music"
Angel of music
Guide and guardian
Grant to me your glory.
Angel of music
Hide no longer
Secret and strange angel.
Ao acabar a canção, eles me aplaudiram e liberaram-me. Olhei para Gareth, agradecida e me retirei. Corri para o dormitório, jogando-me na cama. Sorri, mas meu coração novamente batia em desespero. Aflita e aliviada, adormeci. Sonhei:
"Estava novamente em meus oito anos. Meus pais estavam vivos, e seguravam minhas mãos, um de cada lado. Sorríamos e conversávamos. Caminhávamos tranquilamente pelas ruas de Paris, sem preocuparmos com nada. O dia estava quente, e ensolarado. Crianças brincavam nas ruas, e o clima era agradável e bonito. Seguíamos, dobrando esquinas, atravessando pontes e passando por lagos.
Logo, chegamos em um caminho bifurcado. Um dos lados, dava continuidade ao clima ensolarado e agradável. Folhas amareladas de outono eram carregadas pelo vento fresco. Flores e plantas cresciam do chão coberto por grama verde. O sol, passava sua luz pelas brechas das árvores, pássaros cantavam e esquilos e outros animais murmuravam. Aquele com certeza, seria um bom caminho a seguir.
O outro, porém, era frio. Um névoa espessa cobria todo o vale, como uma cortina branca. A temperatura era gradativamente menor, o sol não parecia passar por lá. Suas árvores eram secas e pantanosas. O único som animal, era de um corvo grasnando ao longe. Engoli em seco. Uma borboleta passou voando ao lado de meus ouvidos. Suas asas verdes batiam, agitadas e esta foi em direção ao segundo caminho. O farfalhar de suas, acabaram ao atravessar a névoa.
Meu pai franziu a testa e tomou o segundo caminho. Minhas entranhas removiam-se dentro de mim. O lugar era muito desagradável. A névoa, era tão espessa que mais parecia fumaça de cigarro. As árvores criavam sombras fantasmagóricas e estas se projetavam no chão úmido do lugar. Comecei a tremer de frio. E meu coração quase parou quando um corvo veio voando, pousou num galho retorcido de uma árvore mais próxima. Grasnou e então tornou a levantar voo. Meus pais haviam parado. Tinha algo de diferente neles. Suas mãos estavam muito frias e o aperto, rígido. Olhei para meu pai, em choque, percebi que este estava congelado. Sua face com uma expressão imóvel de espanto. Olhei para minha mãe. O mesmo. A cada segundo, a névoa ficava mais e mais espessa. Gritei por ajuda, enquanto tentava livrar-me de suas mãos, duras. Vi um vulto azul e branco passar na minha frente. Não vi seu rosto. seu corpo parecia desfazer-se na névoa. De repente, não conseguia respirar, como se a névoa criasse uma pressão tão grande, que impedisse o oxigênio de passar. Gritei mais alto quando mãos pegaram cada lado do meu corpo e me sacudiam com violência. Tudo escureceu."
– Elsa! — gritou Anna desesperada.
Abri os olhos. Estava deitada na cama. Anna estava ajoelhada na minha, balançando meu corpo com violência. Seu rosto, assustado. Atrás dela, bailarinas olhavam-me curiosas, por cima dos ombros. Fora tudo um sonho. Ela ajudou-me a sentar. Meu complicado penteado estava muito desgrenhado, e minha testa estava empapada de suor. Esfreguei as têmporas, antes de afundar o rosto nas mãos.
– Muito bem. Circulando. Circulando! — Mandou Alicie Trend para as meninas que me presenciaram a cena. Fechou a porta, dando-nos prioridade.
– O que... — Comecei, um pouco confusa. — O que aconteceu?
– Eu vim aqui acordar você pra te dizer que o resultado da seleção ia acontecer no jantar... — Disse ela, hesitante. — Mas quando cheguei, encontrei você se debatendo. Aparentemente tendo um pesadelo. Te chamei, mas... — Ela fez um gesto de impotência com as mãos. Uma lágrima de preocupação rolou por seus olhos. — Você não acordava. — Completou.
Abracei-a. Estava prestes a tranquiliza-la, contar o sonho e dizer que tudo ficaria bem, mas a ficha finalmente caiu.
– O resultado! — Gritei, assustando-a. — Vamos!!! — Puxei-a pelo braço, descendo até o refeitório, onde as pessoas pararam para olhar-me. Alguns cochicharam. Corei até a raiz dos cabelos. Anna passou o braço a minha volta e sentamos com Alicie e uma bailarina iniciante chamada Odélia. Servi-me de um prato de mingau. Ficou assim até 8:00 quando o mesmo sujeito da tarde, entrou, acompanhado de Gareth e os demais auditores.
Legrand foi o primeiro a se pronunciar. Pigarreou e fez-se silêncio no local. O sangue bombeava com força em meus ouvidos. O mesmo começou:
– Como todos sabem, esta tarde, tivemos a audição da nova Soprano para a Ópera de Martinière. — Estufou o peito, com orgulho. — Depois de muito ouvir as damas, eu e meus colegas jurados, chegamos a uma conclusão em acordo. – Deu ênfase a última palavra, olhando disfarçadamente com desagrado para Gareth, que retribuiu. — Bom, a nova Soprano da nobre Ópera de Martinière é ninguém menos que... — Fez-se uma pausa dramática. Consultou a lista. — Senhorita Gretel Swarovski! — Anunciou.
As pessoas levantaram para aplaudi-la de pé. Olhei de relance para Gareth, que tinha um semblante triste. Meu coração parecia ter parado. Sem cerimônia nenhuma, levantei-me, deixando o salão correndo. Os vivas e aplausos morrendo atrás de mim.
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