Notas iniciais
Gente, primeiramente, gostaria de dizer, que estou postando mais tarde porque o site ficou off. Oi minhas pequenas almas perdidas o/ desculpa a demora, fiquei sem inspiração, mas aí vai. Esse capítulo possivelmente ficará pequeno, e vai ter mais relações com o passado da nossa ice queen ^^ bom, aproveitem, e não se esqueçam de ler as notas do autor e notas finais, é importante caso eu precise avisar algo e tudo mais. Beijinhos de estrelas

"Lamentar uma dor passada, no presente,
é criar outra dor e sofrer novamente."

William Shakespeare.

Neste momento, encontro-me deitada sobre o divã. Ele é de um veludo vermelho, e macio. Olho para o homem que está a me desenhar. Está vestido agora, sentado em um banco alto, de frente a uma tela, outrora branca, que vai ganhando vida, em toda a sorte de traços e linhas, dando formas magníficas e curvas acentuadas. Seus olhos azul gelo alternam entre o desenho e a mim. Sinto que estou um pouco corada de vergonha, afinal estou completamente despida frente à ele. Apesar de tudo, ele me estuda como se fosse uma coisa bela e rara, que precisa ser transformada em arte.

Ele sorri para mim sempre que nossos olhares se cruzam. Neste momento, eu queria levantar e beijá-lo novamente. Tudo o que ansiava era por estar em seus braços, sentir suas mãos, e a temperatura incrivelmente fria e deliciosa sobre o calor da minha. Queria seu corpo, seus toques, dando-me prazer. Queria ser sua mais uma vez. Aquela noite, havia sido um experiência, que deveria ser repetida muitas vezes. Poderia dizer, que isto era um pecado. Mas então por que isto me faz tão bem? Por que, ao lado dele, "pecando" eu me sinto tão realizada e completa? Realidade difícil de compreender. Mas não estou aberta a discussões. Ele é o centro de toda minha vontade.

Olho para a janela, ainda está escuro. Parece longe de amanhecer. Provavelmente, Anna está a me procurar, e deve estar preocupada. Mas agora, isto não me importa. Fecho os olhos e apenas ouço o delicado som do lápis arranhando a tela. É como uma música suave, em um ritmo doce, agradável. Percebo que neste momento, o sono está a me tomar. Aos poucos, minhas pálpebras ficam pesadas. Fecho os olhos, e com relutância, adormeço. Porém, com sonhos.

"Agora, estou em minha idade atual. Encontro-me de pé, em um lugar quase deserto, onde há névoa cobrindo o chão. É um vilarejo, pessoas caminham monotonamente, algumas conversando baixo, passando de mãos dadas com suas crianças. Não parece ser mais do que cinco da tarde, mas todos vão aos poucos para suas casas. Noto que o sol já se punha, e começava a escurecer. O lugar era muito frio, por isso, puxava a capa que vestia para perto de meu corpo.

Uma menina que não aparentava ter mais que 16 anos, passou por mim.

– Ei! — Chamei. — Você!

Ela porém, não parecia me ouvir. Corri até ela, berrando às suas costas, sem respostas. Ela nem ao menos virava o rosto. Quando esta parou à frente de um poço, comecei a gesticular para ela. Mexia os braços freneticamente, como uma louca, mas ela me ignorava completamente. Ela puxou a corda, e o balde subiu, transbordando água.

– Não quer me ouvir? Vamos, me diga onde estou! — Gritei, próxima a seu rosto.

Quando ela pousou o balde na borda do poço e começou a limpar o suor da testa, resolvi agir. Com toda a força, impulsionei o pé para a frente, chutando o balde, de modo que este caísse no poço. Mas apenas senti minha perna cortar o ar. Não senti o balde na ponta de meu pé, ou sequer ouvi o barulho do objeto cair no fundo do poço. A menina nem se mexeu. Frustrada, grunhi e tentei dar um soco no balde. Horrorizada, percebi que este atravessava minha mão. Era como se eu fosse um vácuo, se fosse feita de poeira, ou vento. Olhei para minhas mãos, pareciam normais. Cheguei perto da menina, tentando tocá-la. Foi em vão. Eu era um fantasma. Derrotada, me sentei no chão, e observei a apática moça deixar-me sozinha, sem se despedir. Passou um tempo, e a rua estava deserta. Imaginei quanto tempo demoraria até sair dali. Aquilo só poderia ser um sonho. Dobrei os joelhos voltados para cima, e passei os braços em volta deles, abraçando-os. Enterrei então a cabeça em meus braços e esperei.

– Não! Pare! Espere! — Ouvi a voz de uma mulher gritar.

Levantei a cabeça, olhando para todos os lados, afim de encontrar a dona da desesperada voz. Minutos depois, um grupo dobrou a esquina. Vários homens, de faces severas caminhavam, pareciam soldados, pelo jeito que caminhavam, agiam e vestiam-se. Reconheci pelo menos uns seis. Um ia na frente, carregando um pergaminho amarelado, de aparência importante nas mãos, que presumi ser o líder do grupo. Atrás dele, quatro soldados iam, cada dupla levava uma pessoa. Imaginei ser um casal. A mulher ia na frente. Tinha cabelos castanhos, e usava um longo vestido verde escuro. Não consegui ver seu rosto, pois usava uma máscara de ferro que lhe cobria todo o rosto, só deixando aberturas para os olhos, boca e nariz. Um homem ia levado atrás, as pernas arrastando. Dois soldados seguravam-no pelos braços. Assim como ela, este também usava uma máscara. Lutavam, e se debatiam sem parar. Um soldado ia atrás levando consigo uma lança, para impedir fugas. Eles pararam em frente a uma praça, e os soldados os puseram de joelhos. Por fim, o líder abriu o pergaminho e começou a lê-lo:

– Senhor e senhora... — Ouvi um zumbido, que me impediu de ouvir os sobrenomes do casal. Curioso. — Vocês foram denunciados por um aldeão anônimo destas redondezas pelo crime de cometer feitiçaria. E como diz a lei de N° 169 do código penal... — Novamente, um zumbido, e não fui capaz de ouvir o local que me encontrava. Coincidência? Poderia até ser. — Este crime, é de pena de morte. Estão cientes? — Referiu-se a eles.

– Sim, mas... — Gaguejou o homem.

– Vocês negam, seu envolvimento com bruxaria? Responda com sinceridade. — Falou de novo, ao interromper o homem.

Nenhum deles respondeu.

– Mate-os. — Ordenou ao soldado com a lança.

– Piedade, piedade! Eu lhe imploro! — Esbravejou a mulher.

– Piedade negada. — Falou e se virou, consultando o relógio de bolso. — Mais alguns minutos e a execução começará.

– Por favor, não peço por minha vida, e sim de minha esposa. — O Homem pediu.

– Sua mulher, — Se virou. — É uma bruxa! Uma feiticeira, como você, e todos que praticam magia negra. — Falou próximo ao rosto do homem. — Foram encontrados itens de magia negra na sua residência, não negue. — Ameaçou. — Terão o que merecem, feiticeiros. Arderão no fogo do inferno.

Me levantei. Aquilo era muito perturbador. Não os conhecia, mas sabia que eles não mereciam. Era horrível ver o desespero deles. Avancei sobre o soldado, mas atravessei seu corpo. Só podia ver o que aconteceria. Olhei em volta. Todas as casas estavam fechadas. Janelas e portas, trancadas. Gritei por socorro, mas não fui ouvida. Um soldado, Fez uma fogueira, enterrando um tronco grande no chão. Levei as mãos à boca, sabia o que aconteceria. Esmurrei com força o peito do soldado, mas ele não reagia. Fechei os olhos e ouvidos, afim de não ver ou ouvir o desespero do casal, que queimava na fogueira da penitência. Por fim, o grito cessou. Os soldados fizeram uma prece ao crucifixo preso ao peito e se retiraram. Quando ousei olhar na direção da fogueira, fiquei cega pela luz. E isto me consumiu."

Acordei de um salto. Olhei em volta, assustada. Estava novamente no camarim, deitada sobre o divã, e corei ao ver que ainda estava nua. Me sentei, procurando minhas roupas. Assim que me vesti, fiquei procurando Jack, mas o quarto estava vazio. Olhei pela janela, já havia amanhecido. Calcei os sapatos, quando me deparei com o desenho na tela. Havia uma mulher, desenhada a traços perfeitos. Dormia, tranquilamente sobre um divã. Suspirei, era um lindo desenho. A mulher ali retratada, parecia muito sexy e delicada. Dormia, completamente nua, com um lençol que pouco a envolvia. "Será que sou tão linda assim, dormindo?" Pensei. Toquei o desenho com a ponta dos dedos, sentindo a textura da tela. Meus cabelos caíam lindamente sobre minha pele no desenho, e meus seios pareciam perfeitos, e quase tão grandes quanto os de Gretel. Por fim, percebi ali no canto, um bilhete parecido com o que havia recebido de Jack. Abri, percorrendo os olhos sobre a letra caprichosa com tinta prateada.

"Bom dia, minha pequena.
Espero que goste do desenho,
pois nunca encontrei uma musa
tão perfeita para minhas obras.
Você caiu no sono, por isso
resolvi não acordá-la.
Quero que saiba que esta
foi a melhor noite que passei a tempos.
Espero que seja recíproco.
De todo o coração,
Jack Frost."

Sorri, e então abri a porta. Saí do cômodo, e desci as escadas. Senti que estava a ser observada, mas andei, um pouco mais rápida que o normal. Devia ser o stress. Como suspeitei, todas já haviam se levantado, e provavelmente, estariam preocupadas com minha ausência. Finalmente, me veio a preocupação. Entrei no dormitórios, onde não havia mais ninguém, tomei banho, vesti uma roupa simples e desci. Fui para o refeitório. Muitos ainda comiam, e por sorte, não notaram quando entrei. Apenas alguns curiosos, mantinham o olhar em mim. Tentei ignorar, mas meu coração saltava. Peguei um prato, e quando me pus a colocar o café, senti mãos me puxarem pelos ombros. Uma menina mais baixa me abraçava fortemente. Era Anna.

– Elsa! Por Deus, onde esteve? — Exclamou.

– Ah, Anna. — Comecei, sem jeito. Agora muita gente me olhava, pois ela fazia estardalhaço. — Eu estou bem, só... — Precisava de uma desculpa urgente. — Passei a noite em outro lugar. Foi isso.

Ela me soltou, olhando desconfiada. Mas sem questionar mais, me puxou até a mesa, que dividia com Alicie. Sentei-me, envergonhada. Minhas maçãs do rosto arderam quando ela desferiu um tapa forte o suficiente para deixar-me tonta. Quando recobrei a compostura, Ela pegou meu queixo severamente, puxando-me para perto de si.

– Não saia pela ópera sozinha, garota. É perigoso para uma menina como você. Não quero que se repita, ouviu bem? — Fiz que sim com a cabeça.

Anna me olhava, claramente sentindo-se mal com a cena. Sabia que muitos tentavam olhar disfarçadamente. Baixei o olhar, incapaz de sustentar o de Alicie. Comemos em silêncio.

Olhei pelo refeitório um tempo depois. Muitos ainda tentavam olhar, curiosos. Alguns cochichavam. Estava morrendo de vergonha. Olhei na direção da porta, e uma senhora idosa, usando uma roupa preta, com um véu que cobria seu rosto. Apesar de tudo, sabia que olhava diretamente para mim. Virei-me para olhá-la melhor, quando alguém ficou na minha frente, bloqueando meu campo de visão. Era o Sr. Legrand.

– Srta. Arendelle. — Começou, e todos no salão fizeram silêncio. Agora, tinham uma boa razão para encarar-me. — Fui informado de que a srta. foi dada como desaparecida noite passada. — Prosseguiu. Senti meu estômago revirar de rancor. Afinal, ele foi responsável por não ter sido escolhida. — Fico feliz que tenha voltado em segurança, e espero que não aconteça mais. — Ele não aparentava nem um pouco de felicidade, como havia dito. — Espero de que esteja ciente de que não nos responsabilizamos por danos ou o que acontece neste ambiente. — Assenti, — Bom, é só. — E ele se foi.

Alicie se levantou, e foi até a sala de costura. Anna sentava-se ao meu lado, olhando para os próprios pés. Por fim, pôs a mão sobre a minha e disse o mais delicadamente que pôde:

– Elsa, — Pigarreou. — Vamos ter ensaio daqui a pouco. Você quer ir?

Assenti. Ela se levantou, e estendeu a mão para mim. Aceitei a ajuda, e me levantei. Passou a mão ao redor de mim e fomos até os palcos. Meu café da manhã parecia querer voltar. Eu só queria estar com Jack outra vez. Olhei para os lados, e a mesma idosa que havia visto no refeitório estava ali, observando-me.

– Ah, Anna... — Me livrei de seus braços. — Eu vou me trocar. Já volto, está bem?

Ela assentiu e foi embora. Caminhei até o lugar que a mulher estava. Ela era de dar arrepios, mas mesmo assim o fiz. Cheguei perto da mesma, e a agarrei pela gola do vestido. A empurrei contra a parede., seu véu caiu no chão.

– Quem é você? Por que está me seguindo? — Perguntei.

Ela abriu um horrível sorriso, exibindo dentes podres, tortos e amarelos, senão os que faltavam. Seus cabelos eram brancos, compridos e quebradiços, e seu rosto era cheio de rugas. Ela não pareceu se importar com o que fazia. Estava tranquila. Aquela sim, merecia ser chamada de bruxa.

– Olá, Elsa. Quanto tempo...

Notas finais
Aaaahhh que saudades de escrever. Bom, vou parar por aí porque tá tarde, tô com dor nas costas e quero deixar vocês curiosos. Bom, é só beijos de luz.