Notas iniciais
Hey hey hey
O nome desse capítulo é Tequila Sunrise. Essa música é da banda Emblem3, eis the link: http://www.youtube.com/watch?v=JjqRTsFjWbs
novo capítulo saído do forno.
Esse capítulo é até meio romântico, o que significa que vou colocar uma dose extra de "KJDJSKKJFK NÃO QUERO FICAR SOZINHA EM CASA" no próximo capítulo.
N sei vcs mas to sentindo cheiro de lendas urbanas vindo por aí.
Um beijo.
E não fiquem acordados durante a hora morta.
hihi :3

Deito sobre o colchão, mais macio do que aparenta. Minha roupa molhada está sobre a mesa, junto com as toalhas que usei.

O moletom é grosso o suficiente para que possa sentir apenas o resquício de uma brisa azul de inverno.

O cheiro de álcool ricocheteia pelas paredes desbotadas do cômodo. Ninguém se preocupou em enxugar a trilha de bebida no chão.

Apoio minha cabeça no travesseiro fino e posso escutar os garotos ainda fazendo perguntas á tal entidade.

Perguntas muito complexas sob as quais eu nunca seria capaz responder, visando o fato de que não consigo lembrar-me de nada que me leve até quem eu realmente sou, minha vida ou minha identidade.

Não sei a razão pela qual eles insistem em achar uma resposta.

Olho para além dos meus pés sobre o colchão e vejo mais algumas garrafas de Tequila Sunrise.

- Eles não estão procurando uma resposta – Dave diz, recostando sua cabeça em algumas almofadas e encolhendo as pernas. – Na verdade, procuram a pergunta.

Não me lembro de ter dito algo. Devo estar pensando alto.

- Como assim estão a procura de uma pergunta?

- Há alguma razão em especial pela qual as entidades clamam. Talvez justiça, vingança ou amor. Eles precisam encontrar a pergunta certa, para fazer com que essa tal entidade consiga livrar-se do meio que a prende a terra, para enfim conseguirem sair do jogo. Não só os garotos, mas o espírito também está preso ao tabuleiro.

- E o que há de tão perigoso?

- A alma que eles uniram ao tabuleiro. Não é somente uma entidade. É algo mais poderoso que isso. Talvez não tenha um nome ou definição específica, mas existe e está entre nós.

- Eles não podem sair do jogo até encontrarem a pergunta?

- Na verdade, podem normalmente tirar os dedos do fundo do copo, contanto que durante a hora morta eles voltem e tentem encontrar o meio de livrá-los. É melhor irmos dormir logo. Não acho que queira ver o que acontece no jogo nesse período.

Ele vira-se, entregando-me um edredom com estampa floral, rasgado em diversas partes.

O sofá onde o Dave está deitado é ao lado do meu colchão. Apoiando o lado direito do rosto no travesseiro, consigo ver seu cabelo cacheado cair sobre as almofadas nas quais ele descansa a cabeça.

Cameron apaga uma das luzes, deixando apenas uma fraca lamparina acesa no centro da sala, onde está o tabuleiro.

- Dave ... – sibilo – Só mais uma coisa...

- Pode falar – ele vira seu corpo em minha direção, puxando o edredom azul no qual ele está submerso.

- O que é hora morta?

Ele respira fundo e nesse momento me sinto uma completa inútil por estar fazendo tantas perguntas.

Ele escolhe cuidadosamente cada palavra, antes destas escorregarem de seus lábios em direção aos meus ouvidos.

- Ocorre entre três e três e cinquenta e nove da madrugada. É o período no qual toda e qualquer entidade espectral pode se manifestar e fazer contato até o quarto grau. É o momento de inquietude. Bebês choram, cachorros latem sem parar. Nosso sexto sentido é aguçado e às vezes despertamos nesses momentos por razões que acreditamos ser obsoletas. Muitas vezes escutamos passos ou vozes.

Seus olhos são tão escuros que não consigo diferenciá-los de sua pupila.

- Você sabe bastante sobre esse tipo de coisa – minha voz sai tão fraca que estou sussurrando.

- É uma cidade pequena e muito religiosa. Todos por aqui ouvem boatos e histórias desse tipo. Agora vá dormir e – ele pousa a mão sobre o meu ombro – chega de interrogatório por hoje.

Notas finais
N sei vcs mas eu shippo