Masquerade - A Vingança Das Bruxas
1 Capítulo 1 - Um novo adeus.
Notas iniciais
Muitas coisas vão mudar, mas eu realmente espero que gostem das mudanças.
Vamos ao primeiro capítulo!
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=uSLm0JKgO6A
O céu estava sereno. As nuvens pareciam de algodão enquanto flutuavam sob o horizonte. As aves voavam livremente por cima do belo campo de flores. A grama era acompanhada de um cheiro de terra molhada. O destaque estava na trilha de seixos rolados, pedras tão brancas e bonitas que seguiam até o lago azul cristalino mais a frente. O vento corria em direção ao norte, parecia sussurrar palavras para as flores que caíam das grandes árvores próximas ao lago, flores vermelhas e delicadas.
Pela primeira vez estava tudo bem para James. Ele não via mais a escuridão ou ouvia gritos de medo enquanto corria numa estrada sem fim. Ele estava ali, perdido no paraíso. Seus pais, Helena e Joseph, eles também estavam lá. Ambos descalços e com túnicas brancas que esvoaçavam ao vento. Conversavam a beira do lado, sorrindo, felizes.
James se aproximou dos dois, estava numa nuvem de entusiasmo quando sua mãe o encarou sorrindo com aqueles olhos tão verdes como a mais rara das esmeraldas, tão doces, tão reconfortantes. Seus cachos dourados seguiam junto ao vento sob suas bochechas rosadas. Como era bom poder ver aquele sorriso, aqueles olhos. Sentir aquele amor... Aquele amor que só uma mãe é capaz de transmitir. E, agora... O frio e ferido coração de James, não estava mais nas sombras.
— Ah, meu anjo! Como cresceu. — A voz de Helena chegava aos ouvidos de James como uma canção de ninar enquanto suas mãos repousavam em seu rosto. — Agora é um homem! Tenho tanto orgulho de você, me filho!
— Mãe! — Raul a abraçou. Estava tão anestesiado que suas mãos tremiam enquanto abraçava forte sua mãe. Não queria nunca mais solta-la. — Tive tantas saudades. Está sendo tão difícil sem vocês por perto.
— Eu sei disso meu amor, mas você é forte. Durante esses anos em que estivemos ausentes você cuidou muito bem de seu irmão.
James naquele instante pode sentir suas lágrimas escorrerem quentes de seus olhos, saíam tão naturalmente, que parecia até normal. Oh, como ele desejou aquele momento.
— Vamos, venha ver seu pai. — Helena soltou James e seguiu pela trilha de eixos brancos.
Lá estava Joseph, o retrato falado de James. Tinha cabelos bem lisos e castanhos que o vento com facilidade bagunçava. Os olhos pequenos e divertidos, castanhos claros. Um queixo largo acompanhado de uma barba rala. Apenas o que dava diferença entre os dois eram as marcas da idade.
— James, meu garoto! — Joseph tinha uma voz grave de autoridade que amedrontava James em dias de broncas, mas que agora era muito boa de se ouvir. — Deu mesmo conta do recado, hein?
— Ah, pai. Porque tudo teve que ser desse jeito? — Raul derramava cada vez mais lágrimas enquanto segurava forte a mão de sua mãe.
— Escute com atenção meu filho... — Joseph pousou a mão no ombro de James. — Não somos donos do tempo. Não escolhemos o nosso fim. Porém, isso não significa que não podemos acrescentar coisas novas a ele.
— Não faz sentido.
— Acontece que nós dois, escolhemos acrescentar você e seu irmão na nossa história. Estou feliz por ter terminado assim, James. Feliz por ter feito a escolha certa entre todas as escolhas erradas que fiz.
— Mas terminou em tragédia! Não entendem?
— Não meu querido — Helena segurou seu rosto — Terminou em alegria, pois em nosso último suspiro nós estávamos com vocês dois... Amando vocês mais do que qualquer outra coisa que tenha acontecido em nossas vidas. Tivemos orgulho, ainda temos e sempre teremos.
— Sempre James. — Joseph concordou.
James limpou as lágrimas.
— Mas agora estão comigo... Isso é o que importa agora — Ele abraçou seu pai.
— Nunca deixamos você nem ao Oliver. — Sua mãe falou.
— Mas olhe só Helena! — Joseph sacudiu o filho pelos ombros sorrindo — Agora você está em uma ótima fase, garoto! Vinte e três anos! Não se esqueça disso... Sua jornada começa agora. Acrescente coisas ao seu destino e, independente do fim, você estará feliz por ter lutado e conseguido algo que um dia não fez parte de seus planos.
James permaneceu ali horas e horas, apenas olhando para aqueles dois rostos tão cativantes que fizeram parte de sua vida desde o início. Eles riam a beira do lago enquanto brincavam com as flores do campo ao redor.
Ma num ato repentino o vento mudou seu rumo para o Sul de forma perigosa. Uma estranha sensação de tristeza tomou conta do lugar. As flores murcharam, a grama secou e o lago escureceu parecendo estar carregado de petróleo agora. Nem mesmo as árvores tinham mais flores, nem mesmo os pássaros voavam ou cantavam, eles apenas se escondiam em galhos secos, paralisados, assustados. O céu agora estava nublado, carregado de nuvens tenebrosas.
— O que houve? — James se levantou. Os cabelos bagunçados pelo forte vento.
— São elas! — Sua mãe levantou-se também, apressada para segurar o braço do filho.
Pela cara de Joseph, não era nada bom. Seus pais se olharam por um instante e em seguida correram em direção a floresta.
— Elas quem? O que está acontecendo? — James perguntou enquanto era puxado por sua mãe junto a corrida. Estavam se aprofundando entre as árvores. Vivenciando uma escuridão cada vez maior da floresta.
— Helena, não solte James! — Gritou Joseph que corria na frente afastando galhos podres que partiam ao meio e num barulho crocante esparramavam-se no chão.
James mesmo sem saber o que acontecia corria junto de sua mãe. Um pavor, um medo começava a se formar dentro dele.
De repente Joseph parou forçando Helena e James a pararem também. Joseph que se encontrava paralisado olhava para frente com suas grossas sobrancelhas unidas. Seus olhos estreitos o tornavam sombrio agora.
James soltou a mão de sua mãe e sem sair do lugar olhou na mesma direção que seu pai olhava agora. Numa distância de mais ou menos uns sete metros, por entre as árvores, se encontravam três mulheres envolvidas por mantos negros. Os capuzes escondiam seus cabelos e os rostos ocultos pelas máscaras. Porém, era impossível não notar... Era impossível olhar naquela direção e não enxergar primeiro seus olhos. Todas as três tinham olhos cintilantes que prendiam a atenção de James.
A mascarada da esquerda tinha os olhos mais azuis que James já vira. Sua máscara era sólida e branca. Mantinha curvas elegantes entre o nariz e a abertura dos olhos. No canto direito, meio escondido pelo capuz, havia um detalhe... Uma flor com pétalas brancas e negras. Debaixo das pétalas negras era bem visível o desenho de raízes repletas de espinhos que faziam uma curva entre o olho direito e paravam próximas ao nariz.
Tudo o que se podia ver do rosto dela era a ponta de seu nariz e seus lábios contraídos como alguém com raiva. Porém, a expressão que lhe dava sua máscara era de tristeza. Pois o formato dos olhos daquela máscara eram caídos e estreitos.
Não muito diferente, a da direita tinha sua máscara também branca. Porém, esta máscara continha linhas onduladas e douradas acima da abertura dos olhos, e abaixo deles sua máscara tinha detalhes como a de uma fumaça bem escura que esvoaçava até o início do seu nariz, quase tocando as linhas douradas da parte superior da máscara. Do lado esquerdo, também ofuscada pelo capuz... Havia uma pluma. Não tinha nenhum detalhe especial para ela. A sua máscara tinha uma forma reta na parte superior e curvada para a entrada do nariz na parte inferior.
O grande destaque estava em seus olhos que assim como os detalhes de sua máscara, também eram dourados, quase que um tom alaranjado com pequenos fragmentos cor de ouro que se ressaltavam de vez em quando. A abertura dos olhos da máscara eram redondos dando um aspecto neutro. Porém, um aspecto duvidoso... Perigoso.
Por último, mas nem um pouco desmerecida, a encapuzada do meio. Esta tinha uma máscara cor de bronze com detalhes clássicos em torno de toda ela. Seus olhos eram extremamente claros. Pareciam azuis no começo, mas se você olhasse bem, eles iriam se tornar brancos. O formato de sua máscara lembrava as asas de uma borboleta. Uma máscara afiada nas pontas superiores e arredondadas nas inferiores. Tinha uma aparência bem séria por conta da abertura dos olhos que eram semelhantes a de um ser humano, só que maiores, e um tanto inclinados para cima.
James quando as viu deu um passo para trás sem se esquecer de puxar sua mãe.
— Quem são elas? — Ele perguntou num sussurro que fora alto o suficiente para preencher o vazio silêncio da floresta.
— Monstros. — Respondeu seu pai que ainda estava parado dois passos a frente, imóvel.
As três deram lentos passos na direção de Joseph. Seus passos faziam barulho nas folhas secas do chão. Mas fora uma questão de segundos para que James não visse mais a mascarada da esquerda. Ela simplesmente... Desapareceu.
Cinco segundos de eterno pavor se passaram, isso foi o suficiente para que ela surgisse ao lado de James. Os olhos azuis luminosos espremidos por um sorriso perigoso que se encontrava em seus lábios. James sentia tanto medo que as vezes prendia a respiração sem sequer notar.
— Olhem só irmãs! — A encapuzada de olhos azuis ao lado de James falou. Tinha uma voz doce e inocente. A voz de uma pessoa bem viva e agitada. — Não sabia que os Campbell tinham mais um descendente.
— Saia de perto do meu filho agora! — Helena puxou James para mais perto o envolvendo com os braços.
As outras duas mulheres estavam paradas no mesmo lugar de antes, encarando Joseph. Mas a de olhos brancos e máscara de bronze desviou o olhar para James. Quando isso aconteceu, James sentiu um aprecio pela morte. Era estranho, mas ele queria ir em direção ao mal. Queria chorar até não ter mais lágrimas... Era muito estranho.
— Então era isso, não é? — Perguntou ela. Tinha uma voz alta e rigorosa. — Andou escondendo seu primogênito por todo esse tempo. Cada dia me impressiono ainda mais com vocês... Com a tamanha tolisse que tem!
— Vocês não podem fazer nada com ele! — Joseph gritou furioso com a mulher de olhos fantasmas.
Ela o encarou por um tempo sem dizer nada, mas era visível sua fúria já que as folhas secas no chão giravam em um redemoinho ao seu redor, caindo novamente ao chão apenas depois de um pesado suspiro.
A mulher de máscara de bronze virou as costas em silêncio, voltando pelo mesmo lugar que viera.
— Tem razão Joseph! Você tem toda a razão. Nada poderei fazer com ele agora... — Ela tornou a olhar para o pai de James. — Mas um dia ele será tão meu... Quanto já foi seu.
Um frio percorreu a espinha de James ao ouvir as palavras da mulher de olhos fantasmas. Ele estava bem confuso naquele momento. Estava com tanto medo que nem notara que sua mãe tirara os braços de seus ombros. E, apesar da mascarada de olhos azuis estar ao seu lado sem o tocar... Ele sentia arrepios apenas pela sua presença.
— Vamos irmãs! — Olhos fantasmas falou. — Já os deixamos tempo o suficiente por aqui. Agora chegou a hora de pagarem suas dividas... E por todos os seus pecados.
Ela saiu após o comando. Andava lentamente virando as costas para todos sem medo algum de qualquer ameaça.
A de máscara branca e olhos azuis ao lado de James deu mais um sorriso frio e apavorante para ele. Ela se aproximou dele... Mas não o tocou. Isto em momento algum. Parou olhando fundo em seus olhos... E num tom baixo ela disse só para ele:
— Não se preocupe meu querido. Não vamos esquecer de você nunca! Nós te amamos, e um dia ficaremos juntos... Por toda a eternidade.
Sua última palavra foi ainda mais baixa que as outras. Apesar de sua voz ser doce e bonita. Ela causava um terrível impacto sombrio naquela floresta. Mesmo falando com calma... Soava como ódio, fúria. Soava como a morte lhe chamando em um dia de tempestade.
Ela passou por James e com leveza puxou o braço de sua mãe.
— Espera! O que está fazendo? — James olhou a cena nervoso.
— Vá James! Cuide de seu irmão! — Helena insistiu apavorada.
— Vá James... Acorde — A mascarada que segurava sua mãe disse — Nos veremos muito em breve... Eu prometo.
Em seguida, tanto sua mãe quanto a mascarada viraram uma enorme fumaça negra que se dissolveu com o vento gélido que vinha entre as árvores.
— Mãe! — James gritou olhando para todos os lados a procura de sua mãe.
— Ela se foi. — Joseph falou virando-se para seu filho. Também estava preso nos braços da mulher de olhos dourados.
— Não! Vocês não podem fazer isso! Soltem eles! — James correu na direção de seu pai, tentando arranca-lo dela, mas não foi rápido o suficiente.
— Cuide de seu irmão, ele precisa de você.
James correu o máximo que pode, mas no final de tudo apenas atravessou a enorme fumaça com a imagem de seu pai que se desmanchou logo em seguida.
James caiu de joelhos no chão se misturando com as folhas ressecadas. Seus gritos foram abafados pela sensação de vazio que sentia dentro de si mesmo. Nada mais restou além de suas lágrimas que caíam de seus olhos enquanto seus punhos fincavam a terra escura trêmulos.
Sua visão se embaçava cada vez mais e ele ia se sentindo mais leve. Uma hora a claridade cegou seus olhos e ele finalmente pode por pra fora toda sua dor num só grito. Um grito que insistiu em ecoar por sua cabeça até que tudo se desfizesse.
— Não!
Fale com o autor