Masks & Mayhem
1 When Heroes Collide
i.
Uma noite fria se desenrolava. A lua cheia iluminava Nova York com uma luz pálida e desoladora, enquanto Peter Parker se encontrava no topo de um dos prédios mais altos da cidade, o SkyFall, olhando para baixo, para as ruas que pareciam tão pequenas e distantes. A respiração dele estava pesada, o peito apertado.
Ele estava vestindo o traje do Homem-Aranha, mas naquele momento, tudo o que ele sentia era o peso da promessa que fez a si mesmo: seria a última vez. A última vez que colocaria aquela máscara. Ele não podia mais continuar. Salvar vidas era o que o Homem-Aranha fazia, mas perder as pessoas que amava era o preço que Peter Parker pagava. E ele não podia mais pagar esse preço.
Ele fechou os olhos por um instante, sentindo o vento forte bater contra seu corpo. Respirou fundo, tentando reunir a coragem para fazer o que precisava ser feito. Lentamente, ele deu um passo à frente, deixando o prédio para trás e indo para o vazio.
A queda, tão interminável, o vento assobiando em seus ouvidos... Por um momento, a quem pudesse vê-lo, parecia até que estava disposto a se deixar finalizar a queda.
Mas, em um último reflexo, seus sentidos o puxaram de volta. Sua mão se moveu, e uma teia foi disparada. Ela se prendeu a um edifício próximo, e o impulso o puxou de volta para cima.
Peter girou no ar, executando uma cambalhota com perfeição. Quase que poético, se não fosse jus a queda e o pulo de uma aranha.
Ele chegou perto do chão, a centímetros do asfalto, porém sua teia o ergueu de novo, atravessando pelo meio do caos da cidade.
Ele balançou pelos céus, voltando à altura dos prédios, sem perceber que, de longe, alguém o observava atentamente.
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Horas depois, naquela mesma madrugada...
Uma presença sinistra envolvia essas mortes, como se uma sombra invisível tecesse o fio da tragédia.
Muitos recuariam diante da crueldade da cena, porém por um segundo Wade parecia imune à morbidez que permeava o ar. Diante dos corpos mutilados, suas orbes assumiram um olhar distante por baixo da máscara.
O ar pesado com a essência da morte, Wade quase se viu na pele das vítimas, seus sentidos capturados pelos detalhes grotescos e viscerais.
“Você conseguiu matar todos eles” Sua voz carregava peso, de forma que ele próprio pudesse estar entrelaçado com os instintos sombrios do culpado. "Agora sou eu quem vai te matar, palhaço."
A arma do crime em mãos, a mesma que disparava um projétil interno que aguardava silenciosamente sua explosão letal. Apelidado de Palhaço Assassino ou mesmo John Gacy por conta de seus crimes hediondos, o homem pairava acima dos corpos das crianças que estuprou e matou em meses. O palhaço engasgava com lágrimas e sangue, pendurado no alto através das vigas enfiadas em cada braço e não conseguia respirar com o próprio pênis mutilado enfiado na própria boca — cortesia de Deadpool, com mais o tiro no meio da bunda — ele morreria logo, mas não tãao rápido assim.
“Isso me tira as dúvidas.” Com uma precisão firme, Wade prosseguiu, empunhando a arma mais acima, até que estivesse perfeitamente com a mira na cabeça do alvo.
Com um toque frio, ele pressiona o gatilho. O projétil se aloja e explode ao atingir o cérebro profundamente, de dentro pra fora, desencadeando o caos interno que se transformava em uma chuva de violência externa. O mesmo ele fez com o coração ao mirar de novo, lançando o banho de sangue. Urgh, nojento. "Bye, bye, bye. Geralmente, deixo meus sentimentos de lado, mas foi um prazer matar você" Seu tom era cortante, refletindo a dualidade de suas próprias emoções. Uma explosão sem som ou ruído que transformou o palhaço em um teatro grotesco de destruição.
Finalmente, Wade concluiu tudo com uma última afirmação, assim que checou sua conta bancária. “Missão cumprida, Deadypool.”
Ele tirou todas as granadas que tinha do traje e as espalhou pelo cômodo e só assim Wade se retirou do local, deixando tudo para quem tivesse escutado a bagunça dentro, mas, infelizmente, os vizinhos fofoqueiros já haviam chamado a polícia.
Lá fora, o céu estava uma mistura de cores, com fogos de artifício estourando e estrelas cadentes riscando o firmamento. As luzes de néon piscavam nas ruas abaixo, refletindo uma paleta de roxos e azuis. Uma linda noite para se matar. "Thick, thick,....BOOOOM...!" Wade cantarolou, a explosão destruindo tudo graças as granadas, como ovos crus dentro de um micro-ondas, só melhorando a bela atmosfera noturna. Foi lindo!
Em seguida ele encostou em uma parede do último prédio, a máscara um pouco rasgada e o vermelho vivo de seu traje manchado com sangue que escorria de um corte na lateral. Ele estava tentando aparar o sangramento com uma das mãos, enquanto a outra segurava sua pistola. O pedófilo balofo tinha brinquedos cortantes envenenados bem problemáticos nas armadilhas do apartamento bizarro.
De repente, ele percebeu um movimento nas sombras. Entre os prédios iluminados, uma figura ágil saltou de um telhado para o outro com a graça e a destreza de um acrobata.
Ele pousou suavemente no telhado próximo. Seu traje vermelho e azul brilhava sob as luzes de néon, e sua teia cintilava como uma linha prateada no ar. Alguém acionou o super-herói de plantão.
Não seria coincidência, minutos depois do espetáculo de Wade. As fofocas corriam rápido por meio da frequência da polícia.
Deadpool e ele se encararam pela primeira vez, pertinhos, os olhos de Deadpool se arregalando por um momento. O outro, por sua vez, mantinha uma postura defensiva, mas com um olhar de avaliação.
"Você é o responsável por isso?" questiona o Homem-Aranha, sua voz abafada pela máscara. Ele balançou a cabeça indicando todo o fogo e fumaça atrás de Deadpool, em seguida para o sangue no traje dele.
"Ei, o ferido aqui sou eu, deveria chegar me perguntando se estou bem! Isso não foi lá muito heroico..." Deadpool tentou um sorriso por baixo da máscara. "Olá, aranha. Você é um desses supers que têm o timing perfeito pra serem intrometidos."
"Aham, sei. E você é...? O cara que causa incêndios criminosos, provavelmente. Sorte a sua que os bombeiros chegaram, eles vão investigar isso"
"Não, sorte a minha encontrar você!" Deadpool deu um salto e aterrissou dramaticamente na frente do outro, ficando a poucos centímetros dele. "Sabe, Aranha, estava aqui pensando... seu traje me parece meio familiar. Tipo, tá na cara, você não se inspirou em mim quando fez essa roupa?" Ele apontou para o traje do Homem-Aranha. "Vermelho e preto? Máscara cheia de estilo? Puxa vida, me copia, vai, admite! Sou seu ídolo, né? Vai, pode falar. Não tem vergonha de admitir. Mas olha não tem bolso, tem que ter bolso!"
Spider suspirou, balançando a cabeça. "Eu não sei do que tá falando. Eu fiz esse traje por mim mesmo. E, honestamente, nunca ouvi falar de você."
Deadpool deu uma risada alta. "Ah, tá... claaaro. Acredito em você, claro que sim. Quer que eu finja surpresa? 'Uau, você fez esse traje sozinho?' Me poupe. Admite logo que você me viu por aí em uma das minhas aventuras e pensou: 'Ei, esse cara é incrível. Quero ser igual a ele!'"
"Nunca! Eu sou o Homem-Aranha! E só!"
"Uhum, e eu sou o Papai Noel. Mas sério, você nem tenta mais ser original? Só porque eu sou famoso, você acha que pode copiar meu estilo e sair por aí como se nada tivesse acontecido? Fica frio, eu entendo, todos nós temos nossos heróis. E pelo visto, eu sou o seu."
"Quem é você afinal?" Questionou, desconfiado. Ele já havia enfrentado vilões de todo tipo, mas aquele sujeito era diferente. Ele não tinha a postura de um inimigo, mas também não parecia um aliado. Dado que a única pessoa presente primeiramente naquele incêndio estrondoso era o cara de vermelho, pendia mais para primeira opção.
"Eu? Eu sou Deadpool!" disse, esticando os braços como se estivesse se apresentando num palco. "E você... deixa eu adivinhar... você deve ser um fã. Eu sei, eu sei, é difícil não ser, com esse meu carisma irresistível." Ele piscou, dando para ver o gesto mesmo por trás da máscara.
Enquanto conversavam, os fogos de artifício explodiam ao fundo, iluminando com uma luz intermitente que fazia as sombras dançarem sobre os prédios e as ruas. Era noite de véspera de Natal, e a cidade estava em festa.
"Cara, mas na boa, com tantos fogos por aí você acha que logo eu causei esse aqui atrás? Não é legal sair apontando o dedo."
"Olha, eu não tenho tempo pra isso, ok? Eu estou tentando..." Ele hesitou. "Eu só estou tentando terminar a noite sem mais... problemas"
"Oh, nossa, que mistério. O Aranha está emocionalmente abalado? Isso é uma mudança interessante! ... Vai me dizer que está pensando em pendurar o traje? Porque, se for isso, meu amigo, você está copiando minha vibe também! Te juro que pensei nisso há umas semanas... mas depois lembrei que sou incrível e voltei a estourar cabeças."
O Aranha ignorou o sarcasmo. "Você é inimigo?" As luzes de néon refletiam no sangue de Deadpool e nas linhas prateadas das teias do Homem-Aranha. 'Idiota, tá na cara.'
Deadpool inclinou a cabeça para trás exageradamente. "Ally? Enemy? Isso é tão... preto e branco! Depende do dia, sabe? Hoje, por exemplo, eu estou num clima de boas vibrações."
"Se você é um vilão, só me diz logo. Caso contrário, sai do meu caminho."
Deadpool deu de ombros. "Nem vilão, nem aliado, Spider-Boy. Faço o que quero, quando quero, do jeito que quero. Então, hey, acho que podemos ser amigos, se é com isso que você tá preocupado. Ou rivais. Ou... quem sabe algo mais?... Brincadeira! Ou será que não?" falou com uma risadinha sugestiva.
O Homem-Aranha suspirou novamente.
"Você é um pé no saco, sabia?"
"E você já se apaixonou por mim. Fazer o que!"
"Quer saber? Essa é a última vez que te vejo, então tanto faz"
E Wade então foi deixado sozinho.
"É meu stalker-fã e nem esconde"
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