Mas aí...

1 Mas aí você me beijou...


Notas iniciais
Por alguns motivos, eu acho esse texto um dos mais pessoais que já escrevi. Por essa razão, fiquei maturando ele antes de publicar. Aliás, eu nem sabia se iria mesmo publicar, mas ele não foi feito pra morrer confinado... Aproveitem a leitura!

Entenda, você sempre foi um amigo. Eu não diria que é o amigo mais próximo que já tive, nem acho que direi isso algum dia. Esse foi um dos fatores que depois, considerando tudo, me fez pensar que “tudo bem”. Você nunca se apaixonará por mim e nem eu me apaixonarei por você. Isso é o que penso.

Era brincadeira. Sempre foi. Você provoca todo mundo. Um dos teus prazeres. Não precisa nem de esforço pra conseguir tirar brincadeiras com garotas e garotos. Você simplesmente é assim. Charmoso. Babaca. Mas ainda assim, não dá pra te odiar. Eu costumo te definir como “um belo pau no cu”.

Não que você seja ruim. Não o é. E não ofende as pessoas sem ser na brincadeira. Pelo contrário, você é muito bom elogiando e reconhecendo o trabalho de quem realmente merece, e tem um brilho no olhar voltado para o mundo. Além do que, você um bom líder e eu admiro isso nas pessoas. Muito. Não deixa de ser verdade, por mais que eu quase nunca te diga tudo isso, já você não precisa que eu infle ainda mais o seu ego. Tem autoconfiança suficiente para nós dois (e ainda sobra).

Eram só brincadeiras, as mesmas de sempre. E eu respondia como sempre, uma provocação mais leve, mais contida. Não eram nem provocações mesmo... Então, de uma forma que me pegou de surpresa, se tornaram provocações, mas eu ainda estava na dúvida se era real ou não, até o dia em que eu não fui pra faculdade e você me mandou mensagem quando eu pensei que não mandaria.

O papo foi leve, afinal eu sempre acabo escapando pelas brechas, nunca sendo direta. E você sabe manter as coisas leves. Mas a dúvida permaneceu, até que nós saímos juntos ao final da tarde — um pulo no escuro de minha parte — e você me beijou. Eu antecipei o beijo, mas não o esperava, ainda sim. Foi tão surreal, até acontecer. Tão “cogitação” até ser um fato.

A gente se pegou. E a gente se pegou direito. A gente se pegou bem direitinho… Sempre gostei dessa coisa de firmeza. Eu sorri instintivamente quando você me empurrou contra a parede assim que teve a chance e segurou meu cabelo por trás. Na real, excitante. E só foi ficando cada vez mais intenso. O “você” que eu enxergava mudou. Quem é esse que está me levando tão longe?

E o detalhe mais curioso é eu me deixo ir. Até certo limite. Apesar do nível, ainda resta racionalidade na minha cabeça e eu prefiro manter algumas coisas pra mim. Sou egoísta e insegura enquanto você é narcisista, muito seguro de si.

Não sei lidar. Mas meu corpo se remexe todinho com o teu e pra o teu. Não soube lidar também com o longo final de semana durante o qual nenhum de nós dois mandamos mensagem. Um silêncio ensurdecedor no qual só minha mente falou.

Veio a semana e você me pediu algo do trabalho. Sim, porque além de tudo, nós estamos na mesma empresa. E ela nunca fica vazia, mas ficou aquela tarde, e eu fico nervosa. Sim, eu fico nervosa. Não consigo mais te encarar como antes. Você também não me encara como antes, mas lida bem melhor que eu (com tudo). Acho que você se diverte com a situação.

E eu estava toda séria lá, meio fechada, então você me abraçou por trás de surpresa e aspirou fundo o cheiro do meu cabelo, e, eu não queria mas o tempo correu como óleo, bem mais devagar, e eu parei de enrolar o fio do Notebook. Até que você me soltou e eu continuei fingindo que nada aconteceu. Eu vinha fingindo muito isso ultimamente.

Fomos andando juntos até um compromisso, e sozinhos. Como eu disse, você sabe manter o papo leve e eu sou muito boa em me esgueirar dos assuntos. Estávamos falando sobre apartamentos, e eu não conseguia me concentrar. Você sorriu, todo autoconfiante e soltou que me deixava nervosa. Claro que deixa. Mas tem muitas coisas além. Minha cabeça nunca foi exclusivamente sua. E foi por essas outras coisas e, sim, por orgulho, que eu neguei sua afirmação sorrindo. Claro que você não acreditou e eu revirei os olhos. Ficou nesse tom de brincadeira.

“Meu charme é encher o saco da pessoa até ela querer me beijar” você me diz toda vez que eu te chamo de chato. E ainda solta um sussurrado “Pelo menos, tem funcionado...” ao meu ouvido, quando as pessoas ao redor, que ocasionalmente escutassem, não deduziriam o que se passou entre nós..

Agora, adivinha só, funcionou. E eu ainda não sei lidar com isso! Agora me beija, seu babaca.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem! ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!