Maré De Sentimentos

7 "Está confirmado. Hoje vamos à festa dele."


Q: Bom dia Carla.

C: Dra. Quinn. Bom dia. Como está? De volta?!

Q: Pois é. Já sei que o trabalho deve estar acumulado e vai ser comprido o meu dia, não é?!

C: Pois parece que sim Dra. A propósito, a Dra. Rachel pediu que a avisasse quando chegasse. Quer que a avise?

Q: Eu faço isso. Já chegou?

C: Sim, sim. Chegou há cerca de 10 minutos.

Q: Não lhe digas nada. Se ela reclamar que não a avisaste, dizes que foram ordens minhas.

C: Mas tem a certeza, Dra.?

Q: Tenho. Eu já lá vou.

C: Muito bem.

Q: Outra coisa, o Gaspar Villanueva faz anos hoje, vai dar uma festa no restaurante panorâmico do Hotel Ritz, liga para os Villanueva e confirma a minha presença e a da Dra. Rachel.

C: Com certeza Dra.

Q: Provavelmente a Dra. vai recusar-se a ir, mas tu dizes que eu sabia que ela … — fez uma pausa no que ia dizer e prosseguiu. – dizes para falar comigo.

C: Está bem. Mais alguma coisa?

Q: Dá-me 10 minutos e vai ao meu gabinete com a agenda do dia e o trabalho acumulado.

C: Muito bem Dra.

Quinn desapareceu para dentro do seu gabinete. Ao entrar, pousou a sua pasta no sofá que existe em frente ao mini-bar, que se situa ao lado da sua secretária. Era um lugar confortável e ela sempre fez questão que existisse no seu gabinete aquele sofá. Dirigiu-se à sua cadeira, tirou o casaco, pendurou-o nas costas da mesma e sentou-se. Ela não precisava realmente de 10 minutos, pelo menos não precisava deles fisicamente. Os 10 minutos que Quinn pediu a Carla foram o tempo que ela dispensou a pensar como iria lidar com Rachel após todas as decisões que tinha tomado durante aquela viagem. Voltar ao normal era a decisão inevitável.

Passadas duas horas e meia Rachel saiu do seu gabinete com alguma calma e dirigiu-se à secretária de Carla.

R: Preciso do projecto Moscovo. Podes ligar para o departamento de arquivos e pedir para me o trazerem o mais rápido possível? É de Maio do ano passado, ou pelo menos foi quando foi arquivado.

C: Com certeza Dra. Rachel.

R: E já agora, liga para a Quinn e passa para o meu gabinete. Ainda gostava de saber se ela foi comida por algum peixe.

C: A Dra. Quinn?

R: Tens razão. O peixe tinha de ser muito burro. — Carla riu-se da ironia de Rachel.

C: Dra. Rachel, a Dra. Quinn está no gabinete dela.

R: Como? – a indignação de Rachel era evidente.

C: Eu peço muitas desculpas por não a ter avisado, mas a Dra. disse que eu não o fizesse pois ela própria lhe diria.

R: Ah claro. Fantástico. – Rachel deu meia volta e dirigiu-se à porta do gabinete de Quinn. Deu dois toques e não a deixou responder, entrou.

Q: Ah! Boa. Já sabes que cá estou. Isto realmente estava muito calmo. — Rachel esboçou um sorriso irónico ao comentário de Quinn e sem dizer uma palavra saiu do gabinete e fechou a porta.

Estupefacta, atrapalhada e curiosa eram os adjectivos mais apropriados para descrever o estado de Quinn naquele momento. Levantou-se à velocidade da luz e saiu, também ela, do seu gabinete. Não bateu à porta de Rachel, simplesmente entrou.

Q: Olá Rachel! Como estás? – ela voltou a sorrir, mas desta vez respondeu.

R: Olá. Estava melhor contigo longe, mas já que voltaste, então terei de me habituar à tua presença novamente. Já não estava habituada.

Q: Desabituaste rápido! Mas não faz mal, sabes? Hoje vais ter de passar a noite inteira comigo, vais-te habituar de novo rapidamente.

R: Ai mas que bem. Lembraste-te que moras lá em casa?

Q: Se eu não te conhecesse diria que ficaste incomodada com o facto de eu estar tanto tempo fora. Deve fazer falta o meu peso do outro lado da cama. Sempre dormes mais quente, não é?

R: Sim, acho que pode ser isso. Nunca tinha estudado essa teoria, mas aposto que sim. São saudades! – o tom sarcástico na voz de Rachel divertiu Quinn.

Q: Bom, mas quando falei em passar a noite comigo, não me referia a nenhuma noite escaldante na nossa cama. Referia-me ao aniversário do Gaspar Villanueva.

R: O quê? – a expressão dela mudou para desagrado. – Eu não vou.

Q: Claro que vais. Eu já confirmei a nossa presença, e além do mais não podemos fazer essa desfeita ao Gaspar.

R: Sim, ele vai adorar ver-me! Seguramente mais que eu a ele.

Q: Porquê?

R: Porquê, pergunto eu. Porque é que me obrigas a ir ao jantar desse senhor?!

Antes de casar com Quinn, Rachel teve um romance muito atribulado com Gaspar. Ele é o típico playboy descarado e atrevido, podia-se gabar de ter tido um leque muito vasto de mulheres, e fazia questão de mencionar o nome de Rachel como “mais uma” das suas conquistas. Era um homem atraente e muito bom orador. Convencia rapidamente as pessoas com a segurança das suas conversas. Rachel tinha gostado realmente dele, mas ele não sentia o mesmo por ela e acabou por trocá-la como já era hábito fazer. Quinn desconhecia por completo a existência desse romance, e provavelmente era essa a razão pela qual iria a esse aniversário sem questionar.

Q: Mas o que é que tem esse senhor? É o Gaspar Villanueva.

R: Precisamente! Quinn, eu não quero mesmo ir.

Q: Mas eu admirava-me era se tu quisesses. – riu ela. – Está confirmado. Hoje vamos à festa dele. – não a deixou contestar e saiu do gabinete.

Notas finais
Acreditem que este foi importante! Estamos perto de dar um passo gigante.Comentários?bjuu