O nó na garganta pareciam milhões de facas girando e atravessando-a compulsivamente. A primeira lágrima que saiu, queimou. A outra era pior que ácido. A terceira se recusou a sair. O olhar se desviou e, oh, que semblante dissimulado. Revirou os olhos para o céu a procura da liberdade que sua garganta não tinha. Porém, ao ver aquele azul tão esbelto, tão claro, tão radiante, coberto por nuvens lépidas e desorganizadas, formando desenhos límpidos... desabou. Algo tinha ali. Algo que nenhum homem podia desvendar. Era algo forte, glorioso. Era como se o seu espírito subisse até o firmamento e voltasse em paz, coberto por risos e serenidade plena. Ela respirou fundo e mais lágrimas desenharam-se em seu rosto. Pensou como seria se existisse apenas ela e o céu. Apenas ela e o perfume das rosas. Apenas ela e as declarações de amor que o vento fazia para o Sol. E então, congelou.

Ela, afogada em seu subconsciente, foi abordada por um sensação gélida que lhe apertou o coração e lhe deixou sem fôlego. Uma lágrima que não era sua correu por sua testa, seguindo a linha do nariz, passando pela boca e desaparecendo em seu pescoço. Era uma lágrima quase congelada, repleta de história. Ergueu a cabeça e, no mesmo instante, muitas outras lágrimas banhavam ela."Então este é o choro de Março"concluiu, bebendo a mistura de suas lágrimas com as tristezas do céu. E sem ter certeza do porquê, sorriu. E a chuva a limpou. A chuva a guiou. A chuva a abraçou. E a chuva a ouviu. E era só isso que precisava, uma constante energia que a fizesse flutuar e esquecer-se da matéria. Da vulgar matéria que a faz chorar como Março.

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