Notas iniciais
Tem um pouco de romance. Unilateral, mas ainda assim, romance. Essa não é bem minha praia, mas acho que está bom n_n

Fiquem a vontade para ler e deixar reviews...

Mary POV

Você estava sorridente.

- Vai mesmo pôr a corda no pescoço e enforcar-se, não é mesmo?

- Mary! — Você me olhou com um pouco de raiva. — Não colocarei “a corda no pescoço”, como está dizendo. Eu amo Lucy, e casar-me com ela--

- É uma idiotice, estou dizendo. — Você colocou a chave na fechadura e girou o trinco, entrando em sua casa. Eu te segui, como sempre fiz. — Você vai se casar. Por que não quis casar comigo? Por que me trocou por essa zinha?

Você colocou a mochila em cima de sua cama, e foi ao banheiro, lavar as mãos.

- Jeremy! Olhe para mim!

Você me ignorou. E eu continuei a falar, a dizer que te amava, que não queria te ver sofrer. Pelo espelho, pude ver o brilho de seus olhos dourados, tentando e não tentando enxergar meu reflexo. Você deu um suspiro pesado, mas continuou a fingir que não me via.

- Jeremy, por favor...

- Saia daqui, Mary, por favor. — Você parou no corredor, assustando-me.

- O... o que disse?

- Saia da minha casa. Você nem deveria estar aqui! Por que continua a me seguir? Veja o que fez consigo mesma!

Num ímpeto, Jeremy pegou meus pulsos e praticamente esfregou-os em meu rosto. Dois cortes horizontais, quase cicatrizados, passavam pelos pulsos.

Não me lembrava de ter feito aquilo.

Mas você tinha razão... eu já estava obcecada por você, não é? Abaixei o rosto e me virei para ir embora. Queria fugir para algum lugar em que eu não pudesse mais te ver. Que não pudesse mais me lembrar de você ou do amor que eu sentia.

Simplesmente abri a porta de sua casa e corri para uma direção qualquer.

Jeremy POV

Ela estava me aguardando em frente à minha casa. Novamente. Há quanto tempo Mary fazia isso? Já perdi as contas. E ela sempre me dizia as mesmas coisas, precisava colocar um ponto final nessa situação.

Abri a porta, joguei a mochila em cima da cama e fui para o banheiro. Você continuou a me seguir, a tentar me convencer de que eu te amara. Mas isso não era verdade. Eu mal te conhecia, mas sabia que sentia algo por mim. O engraçado é que eu já tinha te esclarecido que não sentia nada além de amizade, e você insistia em apostar seus sentimentos em mim!

Olhei para o espelho. Não conseguia ver o reflexo de Mary, mas, se olhasse com o canto dos olhos, eu a enxergava; foi nessa hora que notei a marca que ela tinha no pescoço. Porém, o espelho simplesmente não te refletia, Mary...

Suspirei e tomei minha decisão. Não podia mais permitir que você se enganasse.

- Saia daqui, Mary, por favor.

- O... o que disse?

- Saia da minha casa. Você nem deveria estar aqui! Por que continua a me seguir? Veja o que fez consigo mesma!

Lhe mostrei seus pulsos, numa tentativa de te fazer “acordar”. Seus braços tremeram quando fiz isso. Você começou a andar para trás, negando a situação com a cabeça; entretanto, era impossível. Os fatos eram quase palpáveis...

Você saiu de minha casa e correu.

Querendo ou não, eu sabia para onde você se dirigia, Mary. Peguei as chaves da moto e pilotei durante alguns minutos.

Eu te encontrei deitada no gramado, protegida pela sombra das árvores e pela placa de cimento próxima de sua cabeça.

- Mary, levante... você não pode mais ficar aqui.

- Porque não? Você não me quer, Jeremy. Deixe-me ficar aqui, deixe-me apodrecer.

Me agachei ao seu lado e peguei seu braço. Passei o indicador em cima da cicatriz.

- Estas são as marcas de sua tentativa de suicídio, Mary. Foi há um mês. — Você olhou em minha direção, tentando não demonstrar interesse.

- Eu sei. Fui uma burra.

- Concordo.

- Estava obcecada por você. — Você se levantou e me fez soltar seu braço. — Mas agora... não tem mais jeito, não é mesmo? Eu te perdi, e não posso lutar contra isso. Sinto muito.

E dizendo isso, você correu em direção às árvores e desapareceu.

Olhei para a placa de cimento. Era recente. Ignorei as duas primeiras linhas e li as quatro últimas, de autoria da própria Mary:

“Sem você não há como continuar.

Não posso continuar.

Por isso, entrego-me à escuridão

Com esta corda no pescoço.”

Notas finais
Estava meio óbvio? Sim, não?
...
Bem, eu estava com vontade de escrever uma one-shot e saiu isso aí.

Até a próxima povo! ~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!