Marvel Universe: All Different World
33 Capítulo XXXIII: Amor e Família.
Notas iniciais
Data Terrestre: 08 de Outubro
Aquela era uma daquelas situações aonde a frase “mas que merda” cabia tão perfeitamente que a ironia era ninguém ter falado ainda.
Pelo menos não desde que Ororo e Nikolai contaram toda a história e apresentaram o casal de gêmeos, Derek e Charlie Lehnsherr.
—Mas que merda. –Emma riu descaradamente da frase de Logan.
—Não encoraje. –Scott resmungou mal-humorado.
—E alguém aqui pensou algo muito melhor do que isso? –E o comentário sincero de Hank apenas fez o diretor bufar contrariado.
Ninguém falou mais nada, embora pelo menos Logan e Emma ainda estivessem sorrindo de forma irônica diante da carranca de Ciclope.
—Alguém tem alguma ideia do que podemos fazer? –Jean tomou a frente da conversa para tentar terminar aquilo logo, especialmente porque Emma ainda não havia descansado do dia anterior.
—Acho que podemos recebê-los aqui, independente de qualquer coisa, é o que fazemos, acolhemos aqueles que pedem abrigo, especialmente crianças. –McCoy parecia mais calmo do que alguns dos outros, em especial Scott. –E se Erik mandou os dois para cá é porque não pode ficar com eles agora. –Ele olhou para as duas crianças. –Podem falar por que seu pai achou melhor virem para cá?
Os dois se olharam e concordaram em silêncio.
—Mamãe não está podendo ficar com a gente, nem a madrinha ou o padrinho, estão todos no meio de uma missão muito sigilosa. –Charlie parecia muito calma.
—Além disso, a companheira do padrinho já está cuidando do nosso irmão caçula e dos dois filhos pequenos deles, como somos mais velhos e entendemos a situação papai achou melhor ficarmos com alguém de confiança. –Derek apesar de calmo encarava todos com uma intensidade única.
—Sua mãe está bem? –A pergunta veio de Emma, que não parecia surpresa com aquilo. –Ela parecia um pouco cansada da última vez que nos falamos, quando ela estava na África do Sul a dois anos.
Um brilho de entendimento passou pelos olhos das duas crianças.
—Você é a tia que mamãe chama de Rainha Branca. –Derek parecia maravilhado.
—Nosso irmãozinho tinha acabado de nascer quando fomos para a África do Sul, ela está bem agora. –E Charlie também olhava para a mulher com admiração.
Ororo encarou Emma surpresa.
—Conhece a mãe deles?
—Conheço muitas pessoas, minha querida. –Não que a Rainha Branca fosse facilitar.
—Essa não é a questão Emma, mas sim quem é ela? –Jean tentou ser mais suave do que Scott seria se fosse ele a fazer a pergunta.
—Infelizmente, eu não tenho autorização dela para revelar tal informação; não se preocupem, ela é uma boa pessoa. –A loira encarou a ruiva. –Além disso, concordo com o Hank, podemos lidar com os dois aqui.
—Eu só tenho uma coisa que precisamos arrumar. –Logan chamou a atenção de todos. –Raven e Crow.
—Nisso eu realmente concordo. –Scott falou já irritado. –Não é porque os pais dos gêmeos Raven eram nossos amigos que eles podem continuar assim, já está além do limite, a questão é, o que podemos fazer que já não tentamos?
—Faça uma pergunta mais fácil Caolho, essa não é melhor do que perguntar como conseguir a paz mundial. –Logan estava sendo realmente sincero e tentando ser educado, para a infelicidade de Ciclope. –Vamos apenas simplificar as coisas, as crianças ficam e avisamos os Raven que se fizerem alguma coisa, por menor que seja, contra eles, as coisas não vão ficar nada boas para eles.
Emma suspirou cansada.
—Sinceramente, se não fosse por ter prometido a Vampira que cuidaria daquelas pestes, já teria jogado ambos para fora da escola.
—Você nunca falou nada além disso, então não sabemos nem mesmo se dá para encontrá-la hoje em dia. –Jean tentou com a maior delicadeza chamar a atenção de Emma.
—Nem vou falar, foi meu acordo com ela quando Vampira disse que resolveria a vida dela e cuidaria de assuntos particulares. –E diante da negativa de Emma todos suspiraram cansados.
Eles sabiam que não era porque a mulher estava cansada que conseguiriam tirar algum segredo dela, ainda que nunca custasse tentar.
—Então eles ficam? –Nikolai perguntou pela primeira vez.
—Sim, por favor providencie um quarto para os dois. –Ororo olhou para as duas crianças. –Não se importam de dividir um quarto, não é?
—Não, estamos acostumados. –Derek parecia calmo novamente.
—Nossa casa não era grande, então nosso irmãozinho dormia no mesmo quarto. Até porque papai diz que isso ajudaria a reforçar nossos laços de companheirismo no treinamento. –Charlie por outro lado parecia um pouco mais animada do que antes.
Os adultos olharam para os dois um pouco surpresos.
—Vocês já treinam seus poderes? –Logan ficou em dúvida.
—Sim, papai sempre diz que é bom não deixar isso ao acaso, porque podemos nos machucar ou as pessoas que gostamos se não soubermos nos controlar. –Derek pareceu orgulhoso do que dizia.
—Ainda que nunca tenha acontecido, mas mamãe sempre concordou com ele sobre isso. –Charlie pareceu pensar em algo e então encarou Emma. –Mamãe disse que a senhora é professora e que era quem passava algumas coisas para ela sobre conteúdo didático, como a companheira do padrinho também é professora elas davam aulas pra gente. Vamos estudar como aqui?
—Não se preocupem, vamos analisar e avaliar vocês nos próximos dias e decidir tudo isso em no máximo duas semanas, incluindo uma análise envolvendo o nível de desenvolvimento dos seus poderes. –E apesar de alguma preocupação ninguém questionou Emma. –Agora se me dão licença, vou dormir porque ainda não fiz isso.
Todos concordaram e a mulher loira saiu acompanhada de Jean, algo que não passou despercebido por Scott.
—O que houve com as duas? Normalmente não se suportam.
—Acho que elas entraram em bons termos a alguns dias ou semanas. –Todos encararam Hank. –Não sei de nada, Emma apenas comentou que elas andaram conversando.
O diretor suspirou cansado e ninguém falou mais nada, aquele assunto já estava parado ali a muito tempo para qualquer um deles ter qualquer pressa ou precisar de mais algum drama no momento.
—Bom, vou levar os pequenos para o quarto e providenciar o que estiver faltando, aviso a Ororo quando estiver tudo pronto. –Nokolai não falaria nada, preferia não continuar ali.
—Tudo bem, mande os Raven entrarem. –Logan comentou sem humor.
Wolverine sabia que eles teriam que ameaçar os gêmeos, os filhos de Vampira, sua melhor amiga, mas haviam pessoas e pessoas; Oliver e Rebecca estavam no grupo dos que, assim como Jocelyn, precisam levar um susto ou dois, talvez até algumas surras, para aprender que o mundo não é seu parque de diversões particular em que tudo tem que ser como eles desejam.
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Nikolai realmente não se importou em cuidar das duas crianças, elas eram calmas e prestavam atenção em basicamente tudo que ele falava, cada mínimo detalhe que pudesse ajudá-los a se adaptar a vida no Instituto.
Era raro ver crianças tão empenhadas em aprender sobre coisas simples como os horários de refeições, lugar aonde poderiam encontrar lençóis e cobertores, onde e como lavar e passar as roupas, e tudo mais que pudessem imaginar precisar.
Mesmo assim aquilo não levou mais do que uma hora calma e tranquila para terminar e o garoto se sentiu à vontade para deixar as crianças sozinhas enquanto avisava Ororo que ela poderia cuidar deles.
Nikolai seguiu até a sala da mutante mais velha e a encontrou mexendo no arquivo.
—Professora? –A mulher o encarou um pouco cansada. –Eles já estão acomodados e instrui sobre várias coisas que eles mesmo me perguntaram. Estão esperando a senhora no quarto.
—Colocou eles em qual quarto?
—Achei por bem colocá-los perto do quarto dos mais velhos e dos professores, por todos os motivos possíveis.
—Fez bem. –A mulher fechou a gaveta aberta e seguiu até o garoto na porta. –Obrigada Nik, pode ir para o seu dia.
Ele assentiu e seguiu rumo a cozinha.
Estava nervoso e ansioso com tudo que aconteceu desde a manhã e isso normalmente mexia com seu lado demoníaco mais do que gostaria. Felizmente, na opinião dele, parecia que apenas sua necessidade por comida havia despertado, então ele iria se empanturrar com tudo que achasse nos armários até se sentir saciado.
E foi exatamente o que fez.
Assim evitaria também os pensamentos sobre May Parker que pareciam querer romper a sua sanidade.
Iria se concentrar na sua fome e não no desejo contido de tocar o corpo da garota que amava de formas que fariam o pai dela se tornar o seu pior inimigo caso desconfiasse que tais pensamentos se quer existiam.
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Quando Cassie pediu para conhecer o Instituto Tália ficou realmente animada, era o tipo de coisa boba que ela sentia um prazer imenso de fazer e que a fazia ter certeza de que dar uma chance a elas não era uma completa maluquice.
—E então, o que está achando? –Elas estavam em um balcão do telhado ao lado de uma das chaminés, observando o terreno antes do almoço.
—Acho que aqui é bem mais legal que a Shield.
—Acho que só tem mais jardins, só acho o pessoal da Shield é até mais legal em alguns sentidos. –Ela não precisava se esconder em nenhum dos lugares, mas se sentia mais à vontade na sua forma azul dentro da agência de segurança.
—A Claire me contou sobre isso uma vez.
Tália encarou Cassie preocupada.
—Por que ela fez isso?
—Porque eu estava preocupada com você se escondendo atrás do holo. –A garota tocou de leve o aparelho no pulso da mais velha. –Pelo menos agora, enquanto está comigo e em um lugar seguro, posso te ver de verdade e não aquela máscara infeliz. –Cassandra tocou o rosto de Tália que ainda estava surpresa demais para conseguir falar.
A morena ainda tinha dificuldades de assimilar aqueles elogios tão diretos e sinceros sobre a sua aparência natural.
Desde que se lembrava seu pai a olhava estranho e murmurava em palavras confusas e cheias de mágoa que apenas depois de muito tempo Tália aprendeu a discernir. Ele perguntava por que ela era daquele jeito, com a aparência que tinha, porque tudo parecia tão errado na própria filha.
Ela nunca perguntou ao pai o que ele queria dizer.
Lhe faltava coragem.
Depois que Tália conheceu Emma, a mulher a pegou para criar.
Nunca perguntou porquê ou entendeu a ação da madrinha, apenas ficou feliz com aquilo e a distância que teria do pai, mesmo que isso os afastasse mais ainda.
Quando contou a Kurt que gostava de garotos e garotas ele não disse nada, apenas virou as costas e foi embora; seu pai voltou apenas dois anos depois, mas quase não a olhava, falava com ela olhando para os lados.
Além de tudo isso, Tália ainda lembrava de todos os jovens que chegavam ao Instituto para estudar e davam as costas para ela nas conversas, nas brincadeiras, na mesa do almoço.
Sabia que eles eram tolos e ignorantes.
Ela tinha amigos.
Nate sempre esteve ao seu lado, assim como James e Christine. Ou Alexis com seu comportamento fechado e Nikolai com seu sorriso gentil e cheio de amor. Também tinha Claire com a personalidade entusiasmada ou Andrew e seu coração que abraçava todos. Mesmo Rachel e sua personalidade autoritária a aceitavam. Rose e Cara a abraçavam como família desde o dia em que nasceram. Tristan era um grande amigo, mesmo que às vezes brigassem pelos sumiços eventuais da garota, normalmente culpa do pai dela, e ficassem sem se falar. Como agora.
Até a indiferença de Drake Thorson a sua aparência ou a sua existência não era algo ruim, especialmente se considerasse que ele normalmente era uma pessoa horrível com todos.
Mesmo assim sempre havia alguém.
Os Raven e seus comentários cruéis.
Estudantes ocasionais.
Seu pai que não conseguia olhar para seu rosto.
Jocelyn.
Tália segurou a mão se Cassandra e a encarou, olho no olho.
—Você... Por que me acha bonita?
—Essa pergunta é séria?
—Muito.
A garota sorriu como se aquela pergunta fosse boba e a resposta mais ainda.
—Tudo.
—Como?
Cassandra deslizou suavemente a ponta dos dedos pelo rosto de Tália enquanto falava.
—As linhas do seu rosto, a composição das cores da sua pele, cabelo e olhos. O modo como o azul do seu cabelo é tão escuro, quase preto, enquanto a sua pele tem um tom mais suave. O jeito como isso destaca a cor dos seus olhos e acentua o contorno deles e a forma do seu nariz suavemente ou mesmo a delicadeza da sua boca. Faz alguma ideia de como eu acho cada um desses seus aspectos profundamente bonitos e atraentes?
Tália engoliu em seco e, pela primeira vez em sua vida, se sentiu acuada pelo único motivo que não acreditava ser possível: estava sendo admirada pela sua aparência.
E para piorar o olhar de Cassie era tão intenso que duvidar das palavras da garota era impossível.
Cassandra se aproximou um pequeno passo e tocou os lábios de Tália suavemente com os seus, mesmo assim a morena sentiu uma onda de desejo e ansiedade incomuns a um beijo tão simples fluírem da mais nova.
Quando Cassie se afastou o suficiente para que elas não pudessem se tocar facilmente Tália finalmente conseguiu voltar a respirar, ainda que ela não tivesse notado antes que estava prendendo a respiração.
—Por que fez isso agora?
—Porque você faz perguntas bobas.
—É só que eu não entendo.
—Eu sei, só que eu não preciso de motivos para te achar bonita. –Cassandra suspirou. –Acho que é melhor eu ir para a casa.
—Por que?
—Porque estou querendo fazer algo que a Hill pediu para não fazermos.
Tália sentiu seu rosto queimar de um modo que nunca realmente havia sentido.
—Tudo bem, eu te levo.
Cassie sorriu e quando Tália a segurou pela cintura falou tranquilamente.
—Vá amanhã na audiência com a Hill.
—Ela disse para gente...
—Eu sei, mas quero você lá, independente de qualquer coisa. É importante para mim.
Tália suspirou vencida.
—Tudo bem, estarei no tribunal a tempo da audiência.
—Não esqueça, é as dez.
—Eu sei.
Tália aparatou com Cassandra para o mesmo lugar em que havia se encontrado com ela pela manhã e a garota se afastou lentamente, se virando para trás por um momento e então sorrindo.
E Tália entendeu que por algumas coisas valia a pena brigar.
E aquele sorriso valia uma briga.
Então ela brigaria.
Com Jocelyn.
Com seu pai.
Com os Raven.
Com Maggie Lang.
Com Deus e o diabo.
Ela brigaria até mesmo com Claire se fosse preciso.
Porém Tália não abriria mão de alguém como Cassie.
De alguém capaz de aquecer seu coração com um sorriso.
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Durante o almoço era normal os assuntos absurdos surgirem, especialmente quando Tália, a alma da piada, parecia não lembrar como falar.
—De verdade, o que diabos tá acontecendo aqui hoje? –Todos encararam Claire, menos Laura e Christine.
—Essa pergunta foi vaga. –Nate confessou no lugar de todos.
—Tália sai de manhã para resolver Deus sabe o que e quando volta parece em choque, Tristan ainda está em choque com a coisa mais besta do mundo para alguém do nosso grupo, Nikolai socorreu os filhos do Magneto e eu ainda não entendi como a May não tá aqui. –E mesmo diante das caras de todos Claire parecia tranquila em ignorar mais alguns pontos.
Nikolai levou um susto tão grande com a menção a May que caiu da cadeira.
—Isso foi interessante. –Tristan comentou.
—Sério, você tem que falar com ela. –Todos encararam Alexis. –O que foi?
—Esse conselho serve para você mesma. –Tália comentou com um sorriso sacana.
—Ah, ela ressuscitou. –Tália encarou Claire. –O que aconteceu?
—Cassandra.
—Ah. –Todos reagiram ao mesmo tempo.
—Não tem “Ah”, nós estamos conversando e hoje trouxe ela aqui.
—E não pararam na cama? –Para a surpresa geral o comentário foi de Laura.
—Eu prometi para Hill pegar leve e na verdade a Cassie é mais perigosa do que eu. –Tália suspirou cansada. –Dá para acreditar que eu, que até ontem ficava com a Alexis e o Nate, estou sendo encurralada pelas investidas de uma garota de dezesseis anos?
—Não. –Todos, menos Laura, responderam.
—Dá para imaginar. –Eles encararam a garota que apontou para a namorada. –Foi exatamente o que essa idiota fez comigo. –Todos acabaram concordando. –Mas se eu puder dizer algo, é que não tem muito que você possa fazer nesse sentido. –Novamente todos encararam a morena confusos.
—Você tá bem Laura? –Claire encostou a mão na testa da namorada.
—Acho que é o convívio com você, embora possa admitir que isso me surpreendeu um pouco. –Christine admitiu.
—Não é isso. –Laura encarou Tália. –Você se sente bem com ela e a quer por perto, ela gosta de você e a Cassie te faz bem de uma forma que a Jocelyn jamais vai fazer. –Ela olhou para o jardim. –Não é muito diferente de como as coisas aconteceram comigo e a Claire, só que você não está confusa por ser ela e sim porque nunca achou que ia gostar de outra pessoa dessa forma.
Todos olhavam a Howlett mais admirados do que admitiriam.
—Desde quando passou a falar tanto e dar conselhos amorosos? –Tália parecia realmente chocada.
—Desde que todos vocês passaram a se meter na minha maldita vida amorosa. –Laura confessou.
—Isso faz sentido. –Nate desviou o olhar da garota e sorriu para Alexis que o olhava.
A garota desviou o olhar e ele sorriu.
—Isso tá uma bagunça cada vez maior. –Eles olharam para Alexa ao lado de Wolf. –E respondendo a sua pergunta Claire, May não apareceu porque a mãe dela queria o traje pronto hoje. –A ruiva encarou o irmão e Tristan. –Sendo sincera, nem a gente devia estar aqui, mas o tio Tony disse que já tinha as medidas e estava pensando em algo e que talvez mais tarde a gente tivesse que experimentar.
—Trajes de batalha? –Wolf parecia pouco interessado no resto da conversa.
—Tipo isso.
—Posso te arrumar um.
—Vamos deixar para um caso mais mortal.
O asgardiano deu de ombros e voltou a comer a carne que havia pego usando as mãos.
—Ele sabe que existe garfo e faca? –Andrew olhou para Tristan.
—Sabe, mas sempre come assim.
—E como Alexa ainda não implicou?
—Ela implicou ontem, depois desistiu e Wolf fez um comentário no ouvido dela, o que encerrou toda a conversa dos dois.
Todos acabaram rindo, cada um pela sua versão sobre o que o asgardiano havia falado para a ruiva.
—Então, ela agora vai ter um traje. –Nikolai comentou baixinho, só que como quase todos tinha audição ampliada não passou despercebido.
—Sério, você realmente precisa falar com ela ou no próximo beijo vocês realmente vão transar onde quer que estejam. –E o comentário tranquilo veio justamente de Tristan.
—Sabia que tinha rolado alguma coisa aquele dia. –Claire.
—Sempre rola alguma coisa. –Laura.
—Isso é verdade. –Christine.
—Ela te contou? –Nikolai não parecia acreditar nas palavras de Tristan.
—Antes da viagem.
—E o que ela falou?
—Que não sabia se a interrupção foi algo bom ou ruim, afinal você provavelmente iria evitá-la quando voltasse de viagem, e que teria feito o mesmo se tivessem transado por pura vergonha. –Depois de tudo Tristan estava bem menos preocupado em conversar com os amigos.
—Bom, isso mostra que ela conhece bem a pessoa de quem gosta. –Christine. –E a garota asgardina, Ur, vai sair da Torre algum dia? –Ela olhava para Wolf.
—Sei lá, minha irmã é... Problemática. O que faria qualquer cara sair correndo, mas o Daniel ama minha irmãzinha, então tudo bem.
—Problemática é? –Nathan suspirou. –Entendo.
—E quando é que o James volta? –Laura pareceu um pouco distraída.
—Boa pergunta, segundo o Stephen, quando liguei mais cedo, ele e a Helena não estão por lá e ninguém sentiu o cheiro dele por aqui hoje. –Christine parecia um pouco preocupada.
—Será que eles foram para algum lugar? –Tália.
—A mãe dele. –Nate comentou distraído.
—Como? –Christine.
—James pode ter ido para algum lugar relacionado a mãe dele. Talvez alguma das casas dela ou coisa do tipo, só não sei onde ela pode ter algum lugar para eles se esconderem assim. –Nathan notou todos olhando para ele. –O que foi?
—Eu sempre esqueço que você e o James, por serem os mais velhos, conhecem um monte de segredos. –Christine olhava tão intensamente para o jovem Summers que ele engoliu em seco. –Já se encontrou com a mãe do James?
—Já, a algum tempo.
—E com meu pai?
Nathan suspirou cansado daquela conversa, daquelas mentiras, só que não havia nada que pudesse fazer. Ele havia prometido não contar aquilo, não importava o quanto quisesse ou o quanto doesse mentir, especialmente para Christine, sobre aquilo.
—Já.
—Quem é ele?
Nate abaixou a cabeça.
—Desculpe.
Ele sentiu a pancada leve sobre a mesa, prova de que a garota mesmo frustrada não estava exatamente com raiva a ponto de transformar a mão em diamante.
—Por que?
—Eu prometi para a Emma, no dia em que você chegou que não tocaria nesse assunto. –O garoto encarou Christine que parecia prestes a chorar, se sentia péssimo em ter que continuar mentindo para ela. –Sua mãe cuidou de mim enquanto todos pensavam que a minha mãe estava morta, Emma foi como a minha mãe e me protegeu como um filho, eu faria qualquer coisa que ela me pedisse. –Nate desviou o olhar da garota, se sentindo pior do que antes. –Acredite, você é minha irmãzinha, mas eu não posso quebrar a promessa que fiz para Emma, não depois de todas as lágrimas que ela derramou.
—E o James, ele sabe?
—Sabe.
—E não vai me contar pelo mesmo motivo, não é?
—É.
Christine levantou da mesa, um misto de raiva e tristeza em seu rosto, e saiu do refeitório sem dizer nada. Apenas Andrew reagiu e seguiu a garota.
A mesa ficou em silêncio por alguns segundos antes de Claire suspirar.
—Cara, essa história deve ser muito complicada para vocês ficarem escondendo isso dela.
—Deve mesmo, embora eu ache que explica muita coisa do que eu sei sobre esse lugar. –Laura nem mesmo desviou o olhar do prato.
—Complicado eu sei que é. –Alexis comentou com o apoio do irmão.
—Todos vocês sabem disso? –Alexa parecia surpresa.
—Pais e filhos dividem cheiros em comum e traços de energia que os conectam. –Alexa olhou surpresa para Wolf. –Se aprender a usar os poderes que tem agora vai poder notar isso, se bem que eu é que não me meto no meio desses dramas familiares.
—Eu devo ficar preocupado com isso? –Tristan.
—Não, pelo menos não agora. –Tália levantou. –Embora eu sempre achei essa confusão inútil, algum dia ela vai ficar sabendo.
—E como diabos você sabe? –Robert.
—Esse Instituto tem muita história e eu vi o convite de casamento da Emma no meio das coisas do meu pai quando era mais nova. –Ela virou para sair. –As pessoas tem o mau habito de ignorar a curiosidade das crianças e das pessoas que elas não querem ver. –E foi embora sem dizer mais nada
—E agora o clima ficou tenso. –Nikolai comentou.
—Se prepara que com os Lehnsherr por aqui agora clima tenso vai ser o prato do dia.
O garoto fez uma careta.
—Não me lembre disso, eu ainda quero matar a Rebecca
—Entra na fila. –E o comentário de todos na mesa terminou em todos rindo da ironia.
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—
Continua...
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No próximo capítulo: Escolhas.
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