Marvel Universe: All Different World
22 Capítulo XXII: Conner. – Problemas Que Não Mudam.
Notas iniciais
Data Terrestre: 03 de Outubro
“Acorda.”
E com isso abri meus olhos na mesma hora.
O Sol entrando pela janela não estava forte porque lembrei de fechar as cortinas ontem.
—Podia ter esperado. –Comentei vendo a hora. –Mais quinze minutos não fariam mal.
“Estou com fome.” E ele sempre age como quer.
—Tudo bem, vamos comer então.
O rugido satisfeito em minha mente ecoou pela minha garganta, o que me fez rir. Então levantei colocando a camiseta e desci para a cozinha, não me surpreendi em encontrar meu pai e minha mãe conversando.
—Então a Sharon está de folga com o Steve por dois dias e como a Claire vai com os dois o Fury já disse que não quer confusão nesse dia. –Meu pai parecia preocupado, o que não é muito legal quando ele é o Hulk.
“Tradução: mantenha a dona encrenca longe.”
Acabei rindo antes de começar a comer, o que chamou a atenção dos meus pais, que pareciam curiosos.
—Tudo bem, qual foi a graça Conner? –E minha mãe apesar a voz de anjo pode ser bem intimidadora.
—Nada na verdade. Só que o Skaar falou “dona encrenca” quando comentaram o pedido do Fury sobre confusão.
Os dois acabaram rindo.
“Eles estão bem calmos apesar de o que essa confusão pode virar.”
Verdade.
Skaar tinha razão, mas depois de tudo que já aconteceu, inclusive a confusão de quatro anos atrás que a Jocelyn gerou ao provocar a Claire (na qual eu felizmente não estava presente ou teria que ir contra a minha irmã) acho que eles merecem pelo menos fingir que tudo vai terminar bem.
—O que vocês vão fazer hoje? –Senti Skaar se agitar dentro de mim, ele não gostou da pergunta e meus pais muito menos.
—Nós pensamos em ir visitar a sua irmã na universidade e pensamos que já que seu dia começa mais tarde hoje poderíamos aproveitar para uma rápida reunião familiar.
“Que merda.”
E dessa vez eu sabia que Skaar tinha razão, só que eu tinha que lidar com a Jocelyn de vez em quando, essa era uma dessas ocasiões. Ainda mais quando me importo com a Claire e sei que a raiva da minha irmã não é culpa dela, mas da Joicy.
“Pensar no apelido da mala não vai melhorar o que tem que fazer.”
Verdade, mesmo assim tenho que tentar.
Skaar pareceu mais aborrecido e ficou grunhindo no fundo da minha mente.
—Tudo bem, eu vou com vocês, preciso mesmo esclarecer algumas coisas com ela.
E dessa vez Skaar não foi o único que pareceu não gostar muito da ideia de colocar eu e minha irmã na mesma sala.
==========X==========
Eu não estava realmente olhando pela janela do carro.
Moramos em um ponto de Manhathan que não é perto da Torre Stark, na verdade é bem mais próximo do prédio da Shield do que a casa da maioria dos Vingadores ou da Daisy ou Fittz-Simmons. Os únicos que moram apenas na Shield são o Fury e a Hill, mesmo assim a área residencial dos dois é isolada do acesso de outras pessoas.
Jocelyn não mora com a gente, o que quer dizer que ela não mora perto de quase ninguém.
“Sua irmã é uma encrenqueira antissocial que gosta de irritar pessoas que normalmente são calmas. Nunca vi alguém além dela irritar a Claire só de pisar no mesmo ambiente ou fazer Nate parecer que vai virar um dos nossos pela idiotice da Jocelyn.” E por incrível que pareça Skaar tinha razão. “Claro que tenho.”
Eu só queria que minha irmã parasse de tentar ser o que não é, mas ela não parece ser esse tipo de pessoa.
“Ela poderia ser, mas é orgulhosa demais para isso.” Outra verdade. “Não existe ninguém mais teimosa quanto ela quanto a esse ponto, sobre outros assuntos talvez existam.”
“Sabe Skaar, tenho que admitir que as coisas não poderiam estar piores para a Jocelyn quando você tem razão em tudo o que disse desde que entramos no carro.” Notei a surpresa dele ao me ouvir sendo direto mentalmente na nossa conversa.
“Resolveu me dar atenção mentalmente? Faz algum tempo que não é tão direto ou claro.”
“Combinamos que isso não era necessário uma vez que você sempre sabe o que eu penso.”
“Mesmo assim você podia conversar um pouco feito alguém civilizado comigo, temos ou não temos um acordo de paz para nossa própria sobrevivência?”
Touché.
“Tudo bem falha minha Skaar e eu sei que tudo que você falou da Jocelyn é verdade, mas posso sonhar que ela vai tomar jeito e virar gente descente uma hora.”
“Você sabe o que ela tem que fazer para que isso aconteça, só acho que uma hora vai ser tarde demais.”
“Argh! Nem me fala isso. Vejo uma nova onda de brigas se isso acontecer.”
“Não acho que se isso acontecer ela vai conseguir arrumar alguma briga.”
Estranhei ele falar aquilo.
“Por que está dizendo isso Skaar? O que você notou que ainda não percebi?”
Ele ficou em silêncio por um momento, algo raro, antes de murmurar um pensamento vago, mas, ainda assim, preocupante.
“Não sei Conner, mas estou com aquela sensação animal de que deveríamos ir embora ou vamos morrer.”
“Fala da Jocelyn?”
“Não.”
“Do país ou do continente?”
“Também não.”
“Temos que sair do planeta?” Como eu poderia sair do planeta?
“Não Conner, temos que sair desse universo.”
E eu até pensei que Skaar estivesse exagerando, como quando éramos mais novos, mas se tem uma coisa que sei que ele leva a sério é a nossa sobrevivência.
Então se existe algo que pode destruir tudo, incluindo esse universo eu confio que Skaar pode sentir o perigo disso. Mesmo que não ajude em o que é ou como poderíamos ir embora daqui.
==========X==========
Visitar Jocelyn é uma atividade de paciência, muita paciência.
“Sua irmã é uma praga.”
“Sabe, ela é sua irmã também.”
Skaar grunhiu com o que falei, mas não falou mais nada.
Assim que o carro parou notei que meus pais suspiraram, como se não gostassem daquela visita mais do que qualquer outro dos nossos amigos. O que de certa forma é verdade.
Meus pais amam minha irmã, mas tem um relacionamento complicado com ela e os motivos são tantos que nem conto mais.
Mesmo assim eles sempre sabem do que Jocelyn precisa ou quando não tem aula, nunca deixam que nada falte, só que nem por isso conseguem se entender com ela mais do que outras pessoas. E não conheço ninguém que realmente se entenda bem com minha irmã.
Na verdade, essa preocupação dos nossos pais costuma ser um dos principais motivos de briga e lembro que foi um dos motivos que fez a minha irmã sair de casa quando começou a faculdade. Meus pais decidiram não impedi-la de ir, na verdade lembro que pareciam até aliviados com isso.
“Sua irmã fazia da vida de todos um inferno e isso sempre deixava a nossa casa em pé de guerra. Não pode esquecer que ela sempre foi assim.”
Preferi não dizer nada para Skaar, não só porque ele tinha razão, mas porque precisei respirar fundo várias vezes quando as portas do elevador abriram e meu pai apertou a campainha. Não melhorou quando a porta abriu e jurei que meu pai ia virar o Hulk e pela agitação de Skaar sei que ele pensou o mesmo.
O rapaz loiro que abriu a porta estava só de cueca e no sofá Jocelyn beijava um rapaz negro, enquanto um moreno bebia algo no balcão da cozinha. Todos de cueca.
Meu pai respirou fundo, porém foi minha mãe quem tomou a frente daquele desastre iminente.
—Ok rapazes, lamento dizer que temos uma reunião de família para fazer. Se quiserem voltar mais tarde vão marcar com a Jocelyn pelo telefone dentro de duas horas.
Os três rapazes se entre olharam e começaram a pegar as roupas largadas pelo chão, enquanto minha irmã permanecia olhando irritada para nós. Ela não se moveu para trocar a camisa de dormir por outra roupa ou mesmo para arrumar a parte da roupa que o garoto que a beijava a pouco tinha começado a tirar.
Jocelyn estava agindo como sempre agia, como se todos fossem um incomodo e estivessem atrapalhando a sua vida perfeita, o que se confirmou assim que o último dos rapazes saiu e a porta fechou.
—Não lembro de termos marcado nada para hoje. Que eu saiba essa é a minha casa e a minha vida para vocês ficarem interferindo.
Meu pai fechou a cara.
“Eles nunca se entenderam.”
“Nosso pai sempre teve mais dificuldade em lidar com a Joice do que a mãe. Por isso as brigas lá em casa eram tão complicadas.”
E quando meu pai pareceu prestes a perder a calma, minha mãe tomou a frente, mais uma vez.
—Não marcamos. E esse apartamento é meu na verdade, eu apenas disse que você podia usar, em todo o caso, não pretendemos demorar.
Jocelyn não gostou do que ouviu, apenas arrumou as roupas no corpo e sentou no sofá de forma que podia olhar para todos nós sem fazer contorcionismo.
—Então, sobre o que foi dessa vez? É por causa da boboca da Claire e o drama que transformaram a vida dela?
Tentei não ficar irritado com o cinismo da minha irmã, mas é difícil.
“Essa idiota, por que ela insiste em mentir assim?”
“Se quer saber a resposta pergunta para a Tália, porque não quero saber disso.”
“Eu precisaria que você perguntasse pra ficar sabendo.”
“Ok. Eu falo com o Nate uma hora.”
“E a Tália?”
Ignorei a ironia presente na pergunta de Skaar, especialmente porque meus pais pareciam mais irritado do que de costume com a minha irmã.
—Sabe muito bem que ela não tem culpa dos seus problemas. –Meu pai não parecia muito animado
—Ela não pode querer levar uma vida normal sendo que é o tipo de pessoa que para desastres apocalípticos. Só parece que sou a única que pensa assim. –Minha irmã não muda.
—Esse não é o seu problema com ela e você sabe disso melhor do que ninguém filha. –Já minha mãe adorava jogar a verdade na cara da minha irmã. –A Claire poderia ser uma mutante alpha qualquer ou beta ou mesmo ômega, o fato dela ser anti-omega e querer ter uma vida normal não é o que te irrita, sabe disso. –Jocelyn parecia prestes a ficar verde quando minha mãe continuou. –E como você mesma costuma dizer, isso não é da minha conta e sim da sua, assim como as decisões da Claire e dos outros são responsabilidade deles, por isso eu quero que tente não piorar as coisas para ela e para todos, as coisas já estão ruins o suficiente sem que você apareça para provocar outra briga.
—E por que eu deveria fazer isso ou respeitar as decisões de alguém que esquece que não é normal? –E isso é o que mais que irrita na minha irmã: ela quer mandar nos outros o que não deixa que mandem nela.
—Porque você não sabe nada da Claire. –Falei mais alto e firme do que de costume, o que fez Jocelyn me encarar surpresa. –Você nunca se preocupou em saber porque a Claire quer viver como vive ou porque ela não tem a pressa que você tem, então nunca vai entender.
“Ela vai perguntar, você sabe disso. Por que abriu a boca?”
“Por que mesmo que não admita ela precisa entender a Claire, mesmo que continue mentindo sobre isso ou sobre o resto.”
“Eu odeio quando você diz esse tipo de coisa.”
Jocelyn se moveu frustrada no sofá e bufou irritada.
—Tudo bem, já que eu não sei pode explicar.
Skaar grunhiu na minha mente e meus pais suspiraram, apenas tentei não encarar nenhum deles.
Eu devia algumas para a Claire, porque ela é uma ótima ouvinte e uma das poucas pessoas que parecem dispostas a realmente te ouvir ou dar cinco minutos do tempo dela para que você tenha alguém ao seu lado para qualquer momento.
Não me admira que ela tenha se apaixonado por alguém como a Laura que não quer dividir os próprios problemas com ninguém, mas também sabe ser uma boa ouvinte. Embora as duas estejam em níveis e estilos bem diferentes.
—A Claire é, para todos os efeitos até o momento, imortal. –Jocelyn arqueou a sobrancelha. –Não sabemos a que ponto, supomos que não será muito diferente do Wollverine ou dos filhos dele.
—Então é por isso que ela tá com a Laura. –O tom de deboche da minha irmã não me afetou.
—Poderia ser, só que as duas realmente se gostam, o que é engraçado. Especialmente porque a Claire parece ter muita paciência com a Laura, já que ela ainda está se acostumando com essa coisa de namorar uma garota. –Jocelyn ficou desconfortável com o que falei, o que era esperado. –Além disso, até onde sabemos, o ritmo de envelhecimento dela está diminuindo aos poucos, ao contrário do crescimento acelerado dela desde os dez anos e como a queda é vertiginosa isso é bem óbvio nos exames. Acreditamos que quando ela fizer dezoito ou vinte e um anos seu envelhecimento vai estacionar em um nível que daqui a cem anos ela não vai aparentar ter nem trinta, algo que a Laura pode ter em comum.
Jocelyn riu e precisei encará-la.
—Cara, tanta gente matando para ser jovem e ela conseguiu de graça na genética. Chega a ser irônico.
—Não tem graça. –O meu tom fez minha irmã me encarar assustada. –Depois de tudo isso e todos os exames que a Claire faz quase que mensalmente desde que nasceu, existe uma possibilidade de setenta e cinco por cento que a Claire não possa ter filhos, nem que ela queira. –Jocelyn abriu e fechou a boca algumas vezes antes que eu continuasse. –O corpo dela não apresentou funcionamento reprodutivo desde que ela entrou na adolescência e provavelmente nunca vai apresentar; como ela está com o envelhecimento desacelerando pode ser que isso seja apenas um atraso normal, dadas as diferenças da fisiologia dela. Na melhor das hipóteses o corpo dela tem um funcionamento próprio para isso, mas não tem como sabermos. –Minha irmã cruzou os braços e desviou o olhar para o lado oposto ao dos meus pais e meu. –Ela não tem porque apressar a vida e pular etapas, a Claire não tem porque correr atrás do futuro e ser alguém grande antes da hora.
Meus pais desviram o olhar culpado para longe, porquê foram eles que ajudaram a chegar aos resultados dos exames da Claire. Os dois nunca se absolveram por dar aquelas notícias para uma criança ou, no caso, por não terem negado dar aquelas informações.
Eu sei que a Claire já imaginava muitas daquelas coisas. Ela e Christine haviam passado horas debatendo sobre a extensão dos poderes de ambas, em especial os da Claire, enquanto analisavam por conta os resultados dos exames e de algum modo sua análise com base naqueles dados não ficou devendo muito aos conhecimentos avançados dos meus pais, Fittz-Simmons, McCoy e Sue Storm.
Continuei esperando que algum deles se manifestasse até que Jocelyn levantou e foi pegar água na cozinha, quando voltou eu já sabia que ela agiria como sempre.
—Pobre Claire, que destino terrível. –O tom de deboche não passou despercebido pelos meus pais. –Se é isso que espera que eu diga, está enganado. –Não me surpreendi. –Só porque ela vai ter esse destino não acho que os outros deveriam seguir as escolhas estupidas dela. A Claire está arrastando todos em um caminho idiota e ninguém parece perceber isso.
Respirei fundo e contendo ao máximo minha vontade de dar um soco na cara da minha irmã, só para ver se o cérebro dela ligava, a avisei.
—Não foi ela que decidiu pelos outros, foi escolha deles. Já que é assim que quer fazer as coisas eu vou te dar um aviso: fique longe da Claire e não cause mais problemas a ela ou a namorada dela. Você pode não aceitar quem é ou ficar brava porque ela está tentando ter uma vida que a faça feliz, só que isso não te dá o direito de prejudicá-la. –Jocelyn pareceu propensa para brigar por aquilo e eu me levantei. –Esse é um aviso amigável do seu irmão, se quiser dificultar as coisas para a Claire eu vou lidar com você na forma do Skaar e, acredite quando digo, ele não vai ficar triste de ter que escolher a Claire e não você como lado da briga.
Jocelyn levantou visivelmente perturbada.
—Você não ousaria ficar ao lado dela. –Não fiquei surpreso por ela gritar.
—Eu não sou obrigado a ficar do seu lado quando o seu motivo de brigar com ela é tão estúpido e infantil quanto todo o resto da sua vida de mentiras.
—Você é meu irmão, Conner, podia me apoiar às vezes.
—E você podia ser sincera com você mesma Jocelyn. Acha que vai chegar onde negando quem é e o que quer? Quantas pessoas você acha que consegue enganar além daquelas que não tem interesse em entender seus motivos? A Claire não tem culpa do que você sente.
—Cala a boca!
A mesa de centro voou sobre a minha cabeça e se despedaçou na parede as minhas costas, mas me concentrei em encarar minha irmã que ofegava.
—Eu não sinto nada Conner.
Me dei por vencido.
—Acho que é verdade. –Ela pareceu surpresa. –Você não sente nada, nem mesmo amor-próprio. –Jocelyn pareceu chocada demais para reagir. –Aproveite que estamos de saída e chame seus amigos para continuarem de onde pararam, acho que eles são o tipo perfeito de companhia para alguém que se rebaixa a menos do que nada.
Meus pais já estavam do lado de fora da porta quando voltei a encarar minha irmã, uma figura quase digna de pena parada no meio daquela sala.
Meu coração se quebrava ao ver Jocelyn tão desesperada e afogada em mentiras que ela mesma insistia em criar, tão imersa na lama da imagem que criava para si mesma dia após dia que muitos não conseguiriam distinguir a verdadeira Jocelyn da falsa nem com seus melhores esforços.
Só que eu sabia que não podia apoiá-la enquanto ela mentia não apenas para os outros, como para ela mesma e descontava suas frustrações pessoais em quem não tinha culpa alguma.
Respirei fundo, o que fez Jocelyn me encarar, o olhar desolado clamando por ajuda para não desistir do caminho que havia trilhado até ali me fez querer chorar, e também me deu forças para dizer o que precisava.
—Quando a minha irmã voltar a razão e quiser ajuda para ser quem ela realmente é me liga, vou vir correndo para apoiá-la. Até lá já sabe que não posso ficar ao lado da imagem que você criou para se esconder. Eu te amo Jocelyn, mas não posso te apoiar quando você luta tanto para ser infeliz.
Fechei a porta e fui até meus pais no elevador, os dois me abraçaram chorando. Deixei minhas lágrimas saírem no caminho até o carro, assim como meus pais. Não podíamos evitar.
“Eles sofrem por não conseguirem apoiá-la. Por que ela não percebe que nós não vamos julgá-la?”
E de alguma forma essa era uma pergunta a qual eu apenas podia imaginar a resposta.
“Não sei Skaar. Talvez por que ela mesma jugou muito a Claire na época. E antes ela já havia feito o mesmo com outros. Demorou para a Jocelyn entender o que sentia e porque sentia, agora ela está perdida.”
“Será que a Tália consegue chegar até a Jocelyn?”
“Não sei. Me pergunto se quando a nossa irmã se aceitar se não vai ser tarde demais para contar com a Tália. Aquela garota tem sido muito paciente, mas paciência não é uma coisa eterna e nossa família sabe disso melhor do que ninguém.”
Skaar ficou em silêncio durante a maior parte do caminho até a nossa casa e depois até a Shield, apenas com ruídos e resmungos. Quando estávamos no ginásio de treino dos cadetes, prontos para começar a nossa sessão de treinamento pesado ele resmungou algo simples.
“Se a Jocelyn fosse sincera com ela mesma, até a Claire tentaria se dar bem com ela.”
“Se ela fosse sincera não teria saído de casa para viver uma vida de mentira” Encarei os recrutas que enfrentariam eu e Skaar naquele dia. “Agora só podemos esperar.”
“Eu odeio esperar.”
E o pior é que eu também odeio esperar.
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—
Continua...
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No próximo capítulo: Tália.
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