Marvel Universe: All Different World
20 Capítulo XX: Helena. – O Que A Magia Esconde.
Notas iniciais
Data Terrestre: 02 de Outubro
Quando o telefone tocou eu já sabia que algo não estava certo.
Nós não tínhamos televisão e eu não precisava saber o que era, mas desde a chegada da filha do Loki, Ur, esperava que o primeiro dado rolasse no jogo.
E ele rolou.
Olhei para Max no sofá me encarando com um entendimento que supera até mesmo a nossa ligação de gêmeos, ainda que o medo no olhar do meu irmão fosse claro.
A partir de agora tudo pode acontecer.
E quando meu pai desligou o telefone parecia cansado, não que Stephen Strange tenha uma cara muito animada nos outros dias.
—O que aconteceu tio? –Havia quase me esquecido da presença de Billy na sala de tão silencioso que ele é.
—Todos sabem da Claire no colégio e agora nem mesmo a intervenção do Stark com o Parker consegue acalmar os ânimos dos pais ou da imprensa. –E meu pai foi bem direto sobre o problema.
O que sempre me lembra que ele sabe mais do que a maioria sobre nosso problema, ainda que menos do que qualquer um de nós gostaria.
Troquei um olhar com Max que engoliu em seco diante da vaga possibilidade de alguém como nosso pai entender o que sabíamos daquilo, ainda que entendêssemos quase nada, mas tudo que Stephen fez foi continuar a mexer na estante.
Já Billy, bom, ele entende bem a Claire.
—Já não bastava os problemas com os colegas e pais de alunos não aceitarem a bissexualidade da Claire, agora que sabem que ela é mutante as coisas não vão poder continuar como estavam. –E entende mesmo, já que também não morriam de amores por ele no colégio já que Billy é, e sempre foi, homossexual.
Felizmente, para ele, ninguém nunca soube da sua mutação na época.
—Bom, não é como se essa não fosse uma possibilidade desde o começo. –E apesar de ter dito isso, eu sabia que não era uma questão de possibilidade, e sim algo que mais cedo ou mais tarde teria acontecido; era o começo do que esperávamos, fosse o que fosse. –Em todo o caso, agora é com a loira.
Outra mentira.
A situação já havia saído do nosso controle individual a muito tempo.
Billy concordou, enquanto Max me olhava sabendo que eu havia mentido.
Quando Billy levantou, muito mais calmo do que a maioria das pessoas que estão preocupadas, Max o imitou.
—Acho melhor eu ir falar com o Tommy antes do meu encontro com o Teddy, porque se ele ainda não sabe da Claire é melhor fazer isso rápido antes que meu irmão banque o idiota.
Billy e Max trocaram um abraço apertado.
—Manda um “oi” para todos, incluindo a Wanda. E juízo com o namorado.
Billy ficou vermelho de vergonha e Max riu, mas os dois são melhores amigos o suficiente para conversarem sobre tudo.
Levantei do sofá e dei um abraço apertado em Billy, algo que sempre o deixa confuso e o faz sorrir.
—Diz para a sua mãe passar aqui uma hora. –Comentei quando nos afastamos.
—Pode deixar Lena.
Billy murmurou um feitiço e desapareceu da nossa sala em meio a fumaça mágica.
—Não acha que está abusando da sorte? –Me virei na direção do meu irmão. –Billy pode ser ingênuo, só que nem tanto assim Lena.
Estalei meus dedos fazendo o livro que lia a alguns minutos desaparecer do sofá, enquanto meu irmão ainda esperava uma reação real, deixei nosso pai sair da sala antes de falar qualquer coisa.
—Eu também não sou burra Maximillian. Sei perfeitamente bem onde estou pisando quando falo essas coisas para o Willian. Ou já se esqueceu que somos gêmeos e muito parecidos nesse sentido? –Provoquei-o um pouco.
—É justamente por sermos gêmeos e te conhecer tão bem que essa sua mania me preocupa Helena. –Infelizmente, em alguns momentos como esse, Max realmente me conhece melhor do que eu gostaria e isso é irritante.
—Vai arrumar um namorado e não me irrita.
Ele riu.
—Acredite Lena, quando eu arrumar um namorado vou te contar, só acho que já passou da hora de se resolver com o seu.
E antes que eu pudesse falar alguma coisa, Max aparatou usando magia.
—Idiota.
—Mas você adora ele.
Virei assustada ao ouvir a voz do meu pai.
Desde quando ele estava ali?
—Ele precisa de um namorado, isso sim.
—Não posso discordar, quem sabe agora não acontece.
Fiquei olhando meu pai pegar o livro de Max e colocar na estante enquanto tentava entender o significado das palavras dele sem sucesso.
—Tudo bem, você ganhou. Me explica isso.
Para a minha surpresa ele sorriu como se aquilo fosse realmente divertido.
—Não sei direito Helena, acho que logo você vai descobrir. –E antes que eu pudesse dar alguma resposta ou perguntar novamente o que ele queria dizer. –E seu irmão tem razão, precisa se acertar com o seu namorado.
—Eu não tenho namorado.
—Se você diz.
Rolei os olhos cansada.
—Certo. Vou para o quarto.
—Divirta-se.
Aquele comentário irônico me deixou um pouco preocupada, mesmo assim preferi ignorar o humor suspeito do meu pai.
Subi as escadas do Sanctum Sanctorum sem ver Wong, o que considerei um milagre.
Atravessei a porta encantada do meu quarto e levei um susto quando o vi deitado na minha cama.
—James?! –Ele me olhou como se não houvesse nada errado. –O que você está pensando?
James me deu aquele maldito sorriso irônico, cretino e sexy que eu odeio.
—Eu? –Ele levantou da cama e notei a camisa xadrez, o cinto e o zíper da calça, todos abertos.
Deus, como eu odeio essa mania de provocação dele, mas tudo que James fez foi dar outro maldito sorriso enquanto mexia no cabelo tentando parecer inocente.
Algo que definitivamente James Howlett não é.
—Bem, eu pensei que... Você sabe, nós poderíamos aproveitar e fazer um sexo incrível agora.
Olhei para ele tentando encontrar algo que dissesse que era brincadeira, ainda que tudo dissesse o contrário.
—Você ficou louco? –E tudo que ele fez foi dar de ombros. –Meu pai está na sala agora mesmo e você invadiu o meu quarto.
James se aproximou mais de mim.
—Stephen disse que vai para sala de estudos e ele sabe.
O quê?
—Espera, o que o meu pai sabe?
—Sobre nós dois. Que a gente transa e que você não quer um relacionamento.
Eu queria gritar, surtar com o que James havia falado, mas é difícil me concentrar na raiva com a aproximação perigosa dele.
—Desde quando ele sabe?
Aquela era a pergunta certa na verdade.
—Algum tempo. –Ele percebeu que não gostei daquela resposta. –Desde que minha irmã e a Claire começaram a namorar, eu acho. –Era mentira.
—Isso faz meses e eu não acredito que ele ficou tranquilo com isso.
—O que eu posso dizer? Os Strange gostam de mim.
Tentei ficar irritada com ele, só que James fez o que melhor sabe fazer: me deixar sem ação e em dois segundos tirou a camisa e a calça, junto com a cueca.
—Podemos deixar esses detalhes de lado e focar em algo mais divertido?
Eu queria poder xingá-lo, mas nem o arrepio que percorreu meu corpo ou o calor sob a minha pele eram sinais que eu poderia ignorar o que sinto por James.
—Eu te odeio. –Eu o amo.
—Adoro quando você me odeia.
Andei até ele usando magia para minhas roupas sumirem enquanto os olhos famintos e ferozes dele brilhavam de uma forma atraente.
Quando já estava no alcance do seu braço, ele me puxou contra o seu corpo e me beijou até que ficássemos sem ar, o que foi incrível como sempre.
Ainda estava ofegante quando as palavras me escaparam.
—Você é horrível.
—Só porque você me ama.
E dessa vez eu o beijei.
==========X==========
Eu realmente gosto de olhar para James quando ele fica assim deitado, tranquilo, parecendo alguém quase inofensivo.
Não que alguém com um corpo como o dele pareça ser inofensivo de verdade.
James é um pouco mais alto que eu, mas como não sei nada sobre a sua mãe ou as pessoas da família dela acho que pode ser um dos motivos, o que é uma das coisas que posso imaginar sobre a mãe dele. Não que ele saiba muito sobre a minha mãe por mim.
Ignorei aquele pensamento e resolvi deixar nossos segredos aonde eles normalmente ficam, do lado de fora da porta do meu quarto, ou do dele, e me concentrar em observá-lo.
Essa é uma das coisas que mais gosto e fazer.
Observar os detalhes do corpo dele, porque desde sempre me lembro James sendo treinado pelo pai e isso resultou em um corpo que várias alunas do Instituto admiram e desejam. Mais precisamente o corpo dele e do Nathan; embora goste muito de saber que posso ter James assim comigo com frequência e as admiradoras dele não.
O cabelo estava uma verdadeira confusão, o que é minha culpa, e isso apenas deixava os fios pretos misturados com alguns castanhos se misturavam em ondas deixando aquela bagunça ainda mais bonita. A barba dele também tem um pouco dessa mistura, ainda que seja difícil notar porque ele nunca a deixa crescer muito.
Isso para não falar de todo o resto, como a sua pele com um tom de marrom claro quase parecido com o da irmã, Laura, e ainda assim completamente diferente. James podia ter o nariz e os olhos azuis de Logan, mas não havia dúvida de que a sua pele era uma mostra clara de que sua mãe estava presente nele e no incomum formato de seus olhos estreitos.
Eu poderia e passaria o resto do dia apenas olhando para James.
—Se quer um pedaço é só pegar, tenho umas partes realmente maravilhosas.
Eu quase me assustei com a voz dele, tão clara e acordada, mas o susto de verdade veio quando ele abriu os olhos azuis e sorriu.
—Minha camisa fica bem em você.
Senti meu rosto esquentar e tentei mudar de assunto.
—Acordou faz tempo?
Ele sentou na cama, ficando praticamente ao meu lado e segurou uma mecha do meu cabelo.
—Cinco minutos. –James cheirou a mecha de cabelo sorrindo. –Gosto do seu cabelo.
—Ele é escuro, só isso.
—Castanho escuro e cheiroso.
—É o shampoo. –Odeio quando ele começa com esses elogios porque depois fica difícil afastá-lo. –Não tem nada demais nisso.
James pareceu ficar bravo.
—Me deixa ser romântico. É um dos poucos momentos que posso fazer isso. –Tentei não pensar em como eu complicava a nossa relação. –Você disse que não seria oficial, mas não ficamos com outras pessoas e mesmo que você diga que não podemos fazer coisas que um casal normalmente faria eu quer pelo menos poder te elogiar, mesmo que sejam coisas que a maioria diz que é besteira.
Segurei sua mão e evitei encará-lo.
—James, é difícil. Tudo isso é muito complicado.
E tudo que ele fez foi erguer meu rosto e olhá-lo diretamente.
—Eu sei. Porque acha que quase ninguém sabe quem é a minha mãe? Ou acha que nunca notei o feitiço para esconder o cheiro que herdou da sua mãe?
—Esperava que não. –Confessei.
James riu sem humor e senti a palma da sua mão deslizar pelo meu rosto devagar, os calos dos treinos e do seu tempo nos jardins do Instituto se misturavam ali.
—Eu não sei o que aconteceu ou o que levou para que tudo isso tenha ficado assim nos últimos anos, só que nada disso muda o que sinto e já disse isso mil vezes.
Ele estava sério e seu olhar era tão intenso que não consigo pensar em nada.
Me aproximei dele mais e o beijei sem pressa alguma. Quando me afastei sua expressão ainda era a mesma, ainda que seu olhar tivesse suavizado.
—Vou entender que com isso nossa conversa acabou.
—Por favor, faça isso. –Sussurrei.
O beijei novamente desejando que o tempo parasse e sabendo que isso não aconteceria.
==========X==========
Acordei assustada mais pelo pulo que James deu com o toque do celular do que pela explosão de “Bad Reputation”.
—Mas que porra é essa? –Ele não gosta de ser acordado assim.
Fiz sinal para ele esperar e atendi a ligação.
—Fala Rasputin.
Vi James suspirar cansado e irritado antes de se jogar na cama de novo.
—Preciso usar a sala Strange.—Nenhuma novidade. —Hoje.
Opa!
—E não pode ser amanhã? –Eu realmente quero manter James aqui por mais algumas horas.
Só que também sei que Alexis liga apenas quando não pode mais esperar, o que, com certeza, deve ser o caso.
—Eu não sei, é só que...—E para variar ela está tentando não ser um incomodo.
Até pensei em mandar Alexandra para o inferno, o que seria retórico no momento.
—Tudo bem, pode vir em duas horas. –Com isso eu teria algum tempo para me acalmar e James ir embora.
—Obrigada. E desculpa atrapalhar.
Me amaldiçoei mentalmente, porque Alexis pode parecer má nas missões, só que no fundo é só uma garota que passa a maior parte do tempo com medo de si mesma.
Como eu.
Olhei para James que parecia já saber o que eu diria.
—Vai me expulsar?
Suspirei cansada e segurei a mão dele.
—Alexis está vindo e vai demorar, preciso que vá.
—Às vezes, bem de vez em quando, queria conseguir odiar aquela garota. –Achei engraçado o que ele falou enquanto levantava e pegando suas roupas no chão. –Nunca perguntei isso, mas qual o lance com a loira?
Achei a pergunta engraçada, quase com uma ponta de ciúmes.
—Nossos poderes.
Ele fechou o zíper da calça e colocou a camisa.
—Vou entender que mais do que isso fica complicado e sinistro de explicar. –Ele parecia realmente satisfeito com a minha resposta e acabei rindo daquilo.
—Bom, não está errado.
James gargalhou uma risada alta e alegre que me fez sorrir.
Ele se aproximou já vestido e me beijou.
—Nos vemos em breve.
Segurei suas mãos e passei meus indicadores nos seus pulsos em círculos e olhei fundo nos seus olhos.
—Volte inteiro.
Ele sorriu e saiu pela porta.
==========X==========
Quando Alexis entrou na sala eu percebi o motivo da pressa dela: acumulo de energias demoníacas.
—Você tá péssima. –Provoquei.
—Eu sei. Agora, sem querer ser chata, podemos? Até porque você não me parece muito melhor se quer saber.
Não respondi. Alexandra é inteligente o suficiente para que eu desse uma desculpa idiota.
Levantei e começamos a andar em direção ao porão.
—Bom, pelo menos ambas teremos companhia hoje loira.
Alexis bufou irritada.
Ironicamente, mesmo com as nossas diferenças ocasionais e minha capacidade de irritá-la, ela gosta de mim. Não só pela vantagem da sala, como por nos entendermos no que diz respeito a nosso excesso de poder. Ou sobre os garotos.
E foi quando lembrei de algo, na verdade outra pessoa com quem Alexis se identificava.
—Você sabe da Claire?
—Se é sobre o que aconteceu sim, eu fui lá, mas ela já tinha saído quando chegamos.
—Então ninguém conversou com ela ainda?
—Até onde eu sei nem a Christine conversou com ela, só a Laura e olha lá.
Parei no meio da escada e encarei Alexandra na dúvida se devia ou não perguntar aquilo.
—Você notou algo estranho ultimamente?
Ela pareceu confusa, o que não era bom, mas estava longe de ser ruim.
—Tirando os filhos do Loki e a palhaçada que já estão fazendo sobre a Claire nas mídias eu posso dizer que não. Por quê? Algum problema?
Ainda não.
—Nenhum. É que como não saio muito achei que você soubesse se algo mais estivesse acontecendo.
Alexis pareceu acreditar no que falei e terminamos de descer as escadas.
Andamos um pouco e paramos na frente da porta de ferro bem ao fundo do porão.
Encostei a palma da mão na superfície e Alexis fez o mesmo.
—ETARBA!
E assim que falamos a porta se moveu para entrarmos na grande sala de pedra.
Alexis se apressou e tomou lugar no meio da sala enquanto a porta fechava as nossas costas.
—Posso? –Ela parecia ansiosa.
Verifiquei que a porta estava trancada, ela já havia até mesmo desaparecido pela mágica e quando voltei a olhar para Alexandra não tive dúvidas.
—A vontade.
Então os poderes de Alexis explodiram, literalmente, em uma onda de fogo, magia de fogo e energias demoníacas que causaram um pequeno tremor até mesmo na superfície do Sanctum Sanctorum.
Eu mesma teria sido vaporizada se não aproveitasse a explosão de Alexis para liberar meus próprios poderes em outra explosão.
Na verdade é muito bom ficar livre das minhas restrições e sentir o poder, meu poder capaz de destruir o mundo, circular de forma tão natural.
—Você está horrível. –Me virei para Alexandra. –Acho que fiz bem em vir te ver.
Ela estalou os dedos e um espelho surgiu na minha frente. O reflexo nele era a minha forma pura ou verdadeira, como papai e Max chamam: poder e magia em uma forma humanoide.
Voltei a olhar Alexis que agora era a versão de cabelos brancos, olhos negros, pele vermelha, chifres e caninos de si mesma.
Nada parecida com a garota loira de olhos azuis de antes.
—Você sabe que não tem muito direito de falar isso de mim, certo?
Mas ela não respondeu, apenas indicou o meio do salão.
—Podemos tentar agilizar isso?
Acabei sorrindo pela ideia que tive para provocá-la.
—Pensei em termos um papo de garotas e falar sobre você e Nate.
Só que diferente das outras vezes Alexis apenas riu.
—E depois falamos de você e James ou do feitiço de proteção que sempre joga nele?
A risada divertida de Alexis para a minha cara foi uma resposta prévia para duas coisas, sendo a primeira a minha resposta.
—Vamos logo com isso.
E a segunda que aquela seria uma sessão muito, muito longa.
Para as duas.
—
—
—
Continua...
—
—
—
No próximo capítulo: Sharon
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