Marvel Universe: All Different World
43 Capítulo XLIII:Sendo Justa, Isso Até Que Demorou Para Acontecer.
Notas iniciais
Data Terrestre: 09 de Outubro
Teddy Jones estava louco para sair correndo da cobertura Stark, enquanto que Pepper pediu que Everhart tomasse um café com ela na cozinha; Nathy ficou desconfiada, mas concordou mesmo assim.
Os poucos minutos entre ela acompanhar a senhora Stark e voltar para a sala onde a reunião havia acontecido foram o suficiente para que Teddy partisse com sua equipe, o colega de Nathy descesse com o equipamento e Sharon já estivesse sentada ao lado de Hill, o que causou uma pequena onda de medo na repórter ao reconhecer a loira.
—Então foi ela que entendeu sobre a minha família? –Sharon não se incomodou com a cara de medo da jovem ao lado de Pepper.
—Até onde pudemos observar durante a entrevista sim, então achamos melhor esperar e conversar sobre isso depois que o outro repórter fosse embora. –Tony confessou sem parecer preocupado, o que foi o suficiente para que Everhart tomasse uma atitude.
—Olha, eu não ligo para o que vocês estão escondendo ou o que quer que seja, só quero poder preservar a minha vida e se possível sair ilesa dessa confusão em que me meti sem querer. –Ela parecia mais corajosa que antes. –E de mais a mais, não me interessa mesmo que a Claire seja filha do próprio Capitão América e de uma das Comandantes da Shield, estou nessa porque preciso, mas não sou uma pessoa sem princípios.
—O que significa que poderia estar em outra emissora ou até na mesma, talvez em uma atração própria ou sendo uma das queridinhas caso tivesse mais foco, embora essa não seja a questão. –Ela encarou Pepper surpresa e preocupada.
—Então o que vocês querem de mim aqui? –Nathy encarou todos um pouco assustada.
—Queremos perguntar se pretende usar a informação que tem em vantagem própria ou para ajudar sua emissora. –E MJ sabia ser direta.
A repórter suspirou cansada.
—Não pretendo, infelizmente também dependo dos resultados de Gareth Grimm na Shield para poder me dar ao luxo de ocultar esse tipo de informação. Então se aquele fóssil idiota não conseguir fazer um trabalho decente posso ter que usar isso para ajudar. –Todos assentiram como se a entendessem e Nathy sentou se sentindo mais cansada do que poderia imaginar.
—Gareth Grimm abandonou sua função mais cedo e deixou apenas o cameraman na Shield. –Pela cara da garota diante das palavras de Hill aquilo não era bom. –Recebi uma informação de que sua colega de trabalho, Rose Brant, tomou o lugar dele para o restante das filmagens, entrevista das garotas, também é ela que deve trabalhar na edição e apresentação do material depois do que Grimm fez e falou. E parece que Tom Harry gostou dela o suficiente para se dispor a dividir algumas notas.
Ninguém precisou ser muito esperto para notar a respiração aliviada da garota diante daquelas palavras.
—Graças a Deus mandaram a Brant. –Foi o que ouviram a jovem comentar e ela então notou que todos a encaravam. –Desculpe. –Ela respirou fundo. –Na emissora, o Grimm tem muitos privilégios e por isso pode pegar o serviço que quiser, só que quem realmente trabalha nesses casos é a Brant ou eu, então sei que ela é não apenas competente como responsável. Não vai fazer joguinhos igual nosso superior.
—Fico feliz de ouvir isso. –Todos encararam Sharon. –Vamos fazer assim, você mantêm a informação confidencial por hora e quando chegar o momento da Claire contar quem é o pai dela, vamos pedir especificamente por você e pela Brant na sua emissora e o Harrelson na outra.
—Sim, por favor. Se eu tiver que imaginar a cara do imbecil do Teddy Jones novamente, vou matar alguém. –Emma deixou escapar.
—Peçam pela Liv Colton. –Nathy sugeriu.
—Quem?
—É uma repórter da emissora do Tom Harry, ela não é do jornalismo investigativo, lida mais com cotidiano e turismo, se bem que ela começou como aprendiz dele. Foi o Tom que incentivou ela a largar o investigativo que o pai tanto venerava por algo que a Liv gostasse de verdade, e acho que ela ainda ajuda o mentor em algumas matérias.
Emma e Hill sorriram.
—Posso aguentar alguém assim e que seja uma pessoa decente. –Foi tudo que a Comandante disse.
—Temos um acordo Everhart? –O olhar de Pepper era intenso.
Mas Nathy sorriu
—Temos. –Ela olhou ao redor. –Agora eu posso ir? –Os presentes riram. –É sério, ficar sozinha na presença de vocês é bem intimidante.
Outra onda de gargalhadas e Sharon levantou indo até a jovem repórter e estendendo a mão que foi apertada sem grandes problemas.
—Pode ir sim. E não se preocupe, não é a primeira vez que ouvimos isso.
E todos puderam ver que Nathalie Everhart sabia que aquilo era verdade.
Pepper levou a jovem até o elevador.
Assim que a repórter saiu da sala o clima passou de leve para mais tenso, o que todos entendiam.
—Bom, agora que já passamos pela entrevista que, diga-se de passagem, foi irritante por causa daquele idiota e interessante pela Everhart, podemos tratar do assunto que você falou Stark? –Hill parecia realmente com pressa.
—Claro. –Tony concordou, porque também estava cansado daquele dia.
Todos voltaram a sentar, mas dessa vez Sharon estava entre Hill e Emma.
Eles esperaram Pepper voltar e sentar ao lado de Tonny que respirou fundo.
—É sobre os nossos novos agregados.
—Não vai me dizer que descobriu só agora que a Ur é apaixonada pelo Daniel e marcou uma reunião por isso. –Hill estava realmente cansada.
—Isso eu sei a dias e desconfiei que vocês também, embora esteja relacionado.
—E o que poderia ser tão importante a ponto de precisarmos nos reunir para você nos contar? –E mesmo Sharon parecia ter pressa em terminar.
—Bom, acho que podemos começar com o fato de que, mesmo contra a vontade de ambos, Drake e Ur estão noivos em Asgard. –Tony notou que todos o olhavam descrentes, menos Emma, o que o bilionário estranhou, porém decidiu ignorar naquele momento ou as coisas podiam ficar mais complicadas do que já estavam.
—Você está brincando comigo? –Hill estava mesmo brava agora. –Como eles podem estar noivos se os dois claramente tem uma relação tão ruim quanto a Claire e a Jocelyn?
—Vamos resumir ao dizer que Odin não é exatamente tão inteligente quanto quer parecer e mais ganancioso que o Loki quando o conhecemos. –O Stark suspirou. –Tristan conversou com Daniel, que contou que Drake tentou matar a Ur quando soube disso e ela descobriu isso enquanto ainda se recuperava, o que Odin não sabe. Por isso a garota se afastou de Daniel, mesmo sem saber que ele usou o simbionte para recuperar a audição destruída dela, o que deu ao garoto algum acesso as coisas que ela escuta.
O Homem de Ferro sentiu a mão de Pepper em seu ombro.
—Para Tony. –Pepper respirou fundo e encarou os demais. –Se tivermos filmagens disso vocês concordam em assistirmos?
—Acho que é melhor. –A voz lenta e olhar chocado de Sharon dizia muito sobre como todos se sentiam. –Acho que essa reunião deveria ter acontecido assim que você descobriu isso Tony, mas como estamos no mesmo dia por algumas horas isso é menos perigoso.
O Stark fez uma careta.
—Isso porque não foi você que teve que ouvir a conversa do Daniel com o Tristan e depois lidar com a Ur meio desesperada. Acreditem, eu não teria pedido essa reunião se não achasse que isso pode virar um problema caso Ur decida seguir meu conselho.
—Você deu conselhos amorosos para a garota? –E Emma não parecia acreditar.
—Eu posso dar bons conselhos, sabia? –O Stark parecia ofendido.
—Vamos tentar acreditar nas suas boas intenções Tony, não significa que elas realmente são práticas. –A Rainha Branca sorria irônica.
E enquanto ativava as gravações de segurança do que havia acontecido mais cedo naquele dia Tony mantinha a cara emburrada para Emma enquanto resmungava.
—Às vezes eu realmente te odeio.
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Data Terrestre: 10 de Outubro
A madrugada já estava alta quando Sharon voltou para a Shield.
Ela havia pedido para que Tony e Pepper ficassem com James pelos dias que se seguiriam, já que nem ela ou o marido e Claire estariam na casa da família.
A agente sabia que isso não era um problema, veria o filho com Maria pela Shield, já que ambos foram colocados para estudar em período integral sob supervisão dos outros agentes, mas não era a mesma coisa que poder ter um jantar em família.
Ela suspirou e abriu a porta do alojamento, sem se surpreender ao encontrar o marido dormindo profundamente na cama.
—Você demorou. –Steve abriu os olhos e sentou na cama mais acordado do que a mulher previa. –Jemma me fez dormir tanto durante o dia que estou tendo dificuldade de fazer isso agora.
Sharon riu da cara meio emburrada do marido.
—Bom, você realmente estava precisando e acordado era capaz do Capitão gerar alguma complicação para a filha dele.
—Tudo bem, eu posso concordar que teria acabado procurando a Claire no meio do dia, mas... –A loira tentava não rir do bico que o marido fez. –Eu estou morrendo de saudades da minha garotinha.
E sem medo nenhum Sharon riu daquela cena indo até Steve que parecia chateado com a reação da esposa.
—Só você e o Stark para continuarem chamando a Claire de “princesinha” ou “garotinha” ou “bonequinha”, sabia disso?
—Bom, sempre que olho para ela eu meio que ainda vejo aquela bebezinha linda e toda sorridente, muito mais esperta do que qualquer um esperava. –O Capitão deu de ombros.
—Eu sei. –A mulher deu um beijo na têmpora do marido e levantou tirando o uniforme e vestindo uma camiseta velha. –Não se preocupe, depois que os repórteres forem embora amanhã, você vai poder matar saudade das garotas e do James.
—Acho que eu não sou o único que quer ir até lá e abraçar as crianças, não é?
—Tem razão, só que até que a Claire e os outros decidirem o que querem fazer é melhor os adultos tomarem alguma distância ou a privacidade e identidade real deles vai se tornar mais pública do que já é quando relacionarem cada um com seus pais. Na verdade, é um milagre que meio mundo ainda não tenha feito isso.
—Não é milagre, é ignorância e arrogância. As pessoas esperam que a filha do Capitão América seja idêntica a ele até nas roupas, que a filha da Viúva Negra seja fria e séria como a mãe. É o motivo de ninguém descobrir que o Clark Kent é o Superman, eles esperam que o herói seja sempre o herói e não apenas uma pessoa que pode querer viver uma vida comum enquanto tenta fazer o melhor para ajudar os outros.
—Eu realmente tenho que ficar surpresa quando você cita histórias em quadrinhos para explicar algo.
Steve riu.
—Agradeça ao James e a Maria, eles me fazer ler toneladas disso.
—E a Claire te fez ler quase todos os livros da Jane Austen quando tinha treze anos.
—E os do Harry Potter aos nove. Foi uma época onde todas as canetas e lápis de casa viraram varinhas mágicas.
—Nosso filhos são realmente terríveis quando querem. –Sharon bocejou e encarou o marido. –Eu sei que você pode não estar com sono, mas eu preciso dormir um pouco.
—Eu te faço companhia.
Ela sorriu e Steve deitou a chamando para o seu lado a envolvendo em um abraço confortável.
—Eu também senti a sua falta Shay.
Ela sorriu.
—Eu sei, você me fez falta aqui.
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Data Terrestre: 10 de Outubro
Nathan acordou assustado.
Sabia perfeitamente onde estava e com quem, porém a forte energia demoníaca que desprendia do corpo de Alexandra era um dos seus alertas mentais sempre ativos. Ele notou que a garota tremia mesmo encolhida contra seu corpo e com o quarto abafado, haviam coisas que ninguém entendia sobre a condição demoníaca dos irmãos Rasputin, para Nate a pior parte era não poder ajudar quem amava.
Ele se afastou o mínimo que podia e usando da sua telecinese acendeu as luzes do quarto, não havia nenhum indicativo de alteração na cor da pele de Alexis, então o garoto sabia que ela não estava mudando de forma. Abriu os olhos dela e conseguiu confirmar que eles ainda estavam azuis, então não era sede de sangue. Pensou que poderia ser a necessidade de matar alguém, ainda que tivesse certeza que a resistência dela a isso era de mais ou menos seis semanas e fazia menos de quinze dias desde a última vez que providenciaram um alvo.
Nathan não queria admitir, o mais provável era que aquela fosse uma manifestação da Festa do Limbo, já que se fosse fome Alexis teria apenas ido para a cozinha como sempre.
Ele suspirou preocupado.
Primeiro porque aquilo estava ficando mais frequente naquele um ano e meio que nos anteriores. Desde que Alexandra fez quinze anos a Festa se manifestou de duas a quatro vezes por ano, mas naquele último ano já haviam acontecido mais de doze episódios e aquele era o décimo quarto, menos de um mês depois do último, o que nunca tinha acontecido antes.
E depois ainda tinha a possibilidade levantada por Jean mais cedo.
Não era algo que gostava de pensar ou de discutir com ninguém e ele sabia que Alexandra gostava menos ainda disso. Na verdade, na única vez em que ele pensou em conversar sobre isso com ela foi um desastre, a garota disse que não queria nem cogitar aquela possibilidade bizarra e que “era demais classificar os instintos sexuais demoníacos exagerados dela como uma desculpa biológica”.
Nate sentou na cama e usou seus poderes para pegar uma toalha e umedecê-la na pia do banheiro antes de colocar a peça sobre o pescoço de Alexis que pareceu se sentir melhor por um breve momento antes de abrir os olhos assustada.
—O que...? –Ela encarou o rapaz assustada e seus olhos brilhavam de uma forma intensa.
—Calma, são seus poderes, estão reagindo. –Ela ainda o encarava como se não entendesse. –Lembra que a gente conversou sobre os meus dramas pessoais e familiares? –Ela parecia observá-lo com fascinação. –Depois você me pediu para dormir aqui, não queria que eu ficasse sozinho e decidiu me fazer companhia. Você lembra disso?
Alexis não respondeu, apenas continuou a admirá-lo como se Nate fosse o ser mais belo do mundo antes de se aproximar dele e o beijar.
Nathan pensou mesmo em se afastar, em dar algum espaço para a garota se acalmar ou quem sabe tentar recobrar um pouco o quase inexistente autocontrole que tinha sempre que a Festa do Limbo se manifestava, mesmo que ele nunca fizesse aquilo.
Nas palavras de algumas pessoas ele estava se aproveitando dela quando deixava isso acontecer, só que não era isso; mesmo que às vezes esse sentimento de culpa surgisse nele havia sempre as palavras de James e da própria Alexis.
Ele sempre lembrava de uma vez que James explicou que quando os desejos de Helena de o verem superavam a sua razão, seus poderes agiam de acordo com o que ela não queria admitir que precisava a levando até o amigo. Como se de alguma forma os poderes da garota fossem uma manifestação mais sincera dos sentimentos dela do que qualquer outra palavra que pudesse ser dita.
E as palavras de Alexis não eram tão diferentes.
“Eu fico apenas com quem eu quero e me sinto à vontade quando a Festa do Limbo acontece, não importa o quão fora da razão eu esteja. Não sei porque ou como isso pode ser tão preciso, mas acho que é por isso que te procuro mais vezes que a Tália. Confio em você e sei que não preciso me esconder quando fico assim, não de você.”
Então, Nate apenas deixou Alexis vir sobre ele e o beijar, deixou que o desejo de ambos se misturasse em uma espiral indomável e sem rumo. Permitiu que seu desejo contido que não podia transparecer para ela em outros momentos a alcançasse e fosse correspondido pelo desejo que ela mesma guardava.
Nathan nunca pensava nas consequências que deixar aquilo acontecer poderiam ter e sabia que Alexis preferia não pensar naquilo, eles apenas deixavam acontecer, porque era quando podiam tirar o máximo do que sentiam um do outro.
Mesmo que o resto do mundo achasse loucura.
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Data Terrestre: 10 de Outubro
Quando Victor disse que ela deveria pegar o primeiro voo para fora da Latvéria e fazer um pequeno e rápido tour por alguns países, Valéria pensou que o padrinho estava com algum problema de insanidade temporário, mas depois aceitou.
Fosse para o bem ou para o mal, aquela seria sua primeira viagem não supervisionada pelas medidas de segurança absurdas de seu pai e seu tio exigiu apenas que ela levasse dois seguranças. A garota queria dizer que achava um exagero, porém como quase nunca teve a oportunidade de sair sozinha aquele foi um ponto que aceitou sem reclamar.
Então ela aceitou quando o jatinho especial de Victor parou para uma visita de um dia a Itália, especificamente em Verona, conhecendo lugares que remetiam ou reencenavam trechos de Romeu e Julieta e locais próximos. A parada seguinte, outro turno de um dia, foi na França, onde ela ignorou Paris e o Luvre (porque já havia visitado a cidade e o museu três vezes quando criança) seguindo para algumas províncias ao sul, onde pode degustar algumas das bebidas da região usando sua permissão especial de consultora da Shield.
Dois dias cheios de coisas para se lembrar como um presente de despedida e de boa sorte de seu tio, afinal pelo menos Victor e Damian pareciam felizes por Valéria estar voltando para casa e lutando para ter uma vida com liberdade de escolha. Não queria admitir, mas se ressentia da mãe que sempre se calava diante do pai e dos tios que não a apoiavam ou mesmo do irmão que sempre fugia de ter que participar das conversas quando eram sobre ela, mesmo assim tinha seu padrinho e seu primo para a apoiarem, mesmo que escondido de Reed.
O avião havia parado em Londres, sua última parada antes de seguir para Nova York, quando notou uma aviso no seu contato de emergência fornecido por Victor.
Contate sua mãe quando pousar em Londres e tentem não brigar.
Ela está resolvendo uma crise com Sarah Parker.
Tio Victor.
A garota se sentiu confusa.
Afinal, desde quando Sarah Parker, a garota que fugiu de ser uma heroína para ser fotografa profissional tinha crises que precisavam da presença da Mulher Invisível? E mais importante para Valéria, porque seu tio havia mandado aquela mensagem sendo que ela mesma não poderia fazer nada a respeito de qualquer tópico da tal crise?
Mesmo assim Val decidiu que se seu padrinho havia tido todo o trabalho de lhe avisar aquilo poderia mesmo ser importante.
Ela pegou a bolsa em que levava coisas que poderiam ser importantes e encarou os dois seguranças.
—Acho que vocês sabem para onde eu devo ir para encontrá-los, certo?
Os dois homens se encararam e assentiram para a garota que sorriu com uma estranha sensação de satisfação em saber que poderia aceitar ou recusar o pedido do tio, mas feliz de estar indo justamente para lá.
—Então vamos, pelo horário nesse e-mail que meu tio acaba de mandar eu já estou atrasada.
Os dois seguranças concordaram e seguiram para o carro que a Embaixada da Latvéria disponibilizou para encontrar a mãe e Sarah na faculdade da garota.
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Victor havia mandado uma mensagem para Sue Storm assim que ela chegou em Londres confirmando que Valéria estaria na cidade conforme o combinado.
Há cinco dias, quando o monarca deu o aviso da viagem da sua filha, a Mulher Invisível não gostou muito de saber que teria uma confusão em casa quando a garota chegasse e o marido questionasse o que Valéria fazia ali, mas depois de ter passado a noite inteira em uma conversa mais que necessária com Sarah, aquele assunto não parecia mais tão importante. Especialmente porque agora tinha um uso muito bom para a presença da garota e poderia usar isso para deixar Reed no escuro, por um tempo.
O grupo passou a noite conversando sobre o que fazer, como e se valia a pena, embora a verdade era que eles precisavam pelo menos fazer algo, mesmo que não fosse o que queriam.
Sue já tinha acessado informações sobre as denúncias e quem as tinha feito, bem como o motivo e o que mais tinha por trás daquela movimentação, não era como se aquilo fosse ajudar a resolver tudo naquele dia. Se tivessem sorte ganhariam apenas uma parte da briga logo de cara e isso seria o melhor, porque quem estava por trás daquilo tinha influência para fazer pior, assim como eles.
A Mulher Invisível viu Sarah encarando o espelho do banheiro em que estavam como se algo no seu reflexo a assustasse, ela entendia o que era: a garota estava vendo seu reflexo e a imagem da mãe, algo que deveria ser muito perturbador para qualquer um.
—Pronta?
—Sim.
—Tem certeza que quer fazer isso dessa forma?
Sarah sorriu e tocou bochecha do seu reflexo, como se fosse o de outra pessoa.
—Me deseje sorte. –Mas Sue ouviu o sussurro, depois viu a garota respirar fundo e ainda encarando o espelho ficar séria. –Eu não ligo, apenas me decidi e vou chutar a bunda desses idiotas se quiserem colocar a culpa em mim.
Sue sorriu quando a garota virou determinada e seguiu para a porta, não disse nada, apenas seguiu Sarah enquanto algumas pessoas desviavam do caminho delas ao verem as duas. A Mulher Invisível sabia que eles se afastavam dela por usar seu uniforme do Quarteto Fantástico, enquanto Sarah, que usava por cima do uniforme que havia aberto no dia anterior um sobretudo, estava afastando os outros alunos com muito mais eficiência do que ela ou os agentes que os esperavam na porta do auditório.
A Mulher Invisível confirmou no relógio que eram dez e dez, ela não ligava para a pontualidade britânica, não naquele dia. Eles entraram no auditório em um estrondo que fez todos os presentes e principalmente o reitor se assustarem.
Sarah seguiu na frente com Sue dois passos atrás e parou a poucos metros do palco, eles esperavam que Danielle Cage já estivesse a caminho com Valéria, porém não poderiam continuar esperado. Leo e Greg Fittz assentiram e todos sabiam que todos os sistemas da escola já estavam nas mãos da Shield e do Quarteto.
—Estou vendo que a Caça às Bruxas já começou. –E todos se assustaram quando a voz de Sarah saiu pelos alto-falantes. –Ah, ignorem isso. A Shield tomou a liberdade de tomar seus sistemas de som e imagem, além dos dados gerais de todos dentro do terreno da universidade.
—Isso é um crime, quando relatarmos ao governo o MI... –O reitor gritava do púlpito.
—Não vai fazer nada, uma vez que avisamos eles e apresentamos provas para fazer isso. –Sarah riu. –Sabia que os chefes do MI5 e MI6 me conhecem desde que eu tinha cinco anos? Pois é, esse mundo de espionagem e afins é bem pequeno e curioso, um chefe conhece o outro e às vezes conhece até gente que não é da área, mas convive com quem é.
—E o que pretende fazer com isso, nos intimidar? Subornar? Não queremos você na nossa instituição nem mais um segundo. –O homem estava extremamente irritado.
—Você sabe, tão bem quanto eu, a Shield, MI5 e MI6 que não é a universidade que não me quer aqui. –O projetor ligou e uma série de e-mails e notas de conversas começou a aparecer. –Só o senhor com mais alguns membros do corpo docente e estudantil, que por acaso fazem parte de uma série de grupos de ódio e discriminação extrema, querem que eu suma. Aliás, o senhor sabe que o que vocês falam e fazem configura crime não é? Incluindo aqueles atentados, se bem que acho que a essa altura isso é com o MI5 e MI6.
—Ora sua... –O homem se moveu como se fosse avançar contra a garota e no mesmo momento Conner Banner ficou grande e cinza, urrando na direção dele e se postando protetoramente atrás de Sue e Sarah. –O que é essa coisa?
—Ah, esse é o Skaar, filho do Hulk, não se preocupe, ele é um amorzinho, não é? –O outro de Conner concordou e voltou a encarar o reitor de uma forma agressiva. –Claro, ele só é um amorzinho com quem ele gosta. –Sarah se virou para Sue. –Os meninos colocaram as roupas de gala?
—Confirmei isso antes de sairmos do apartamento.
—Obrigada. –A Parker se virou para Ally. –Atlante.
A garota sorriu e seus olhos ficaram de um azul brilhante e fluorescente, o que surpreendeu a todos, embora menos do que quando a sala pareceu começar a congelar.
—O q... O que pensa que está fazendo com a gente aberração? –O reitor conseguiu gritar.
—Nade demais, só mostrando que podemos conseguir o que queremos por bem ou destruir tudo o que seu grupo diz ser importante, não se preocupe, o prédio e as vidas serão mantidos inteiros. –Sarah se aproximou do palco e Ally diminuiu a intensidade do frio, o que permitiu a Parker lançar uma teia para o alto e prender o reitor em um puxão antes de subir e encarar a todos. –Eu sei que essa é uma reunião comprada, sabia desde ontem quando recebi a carta e só confirmei quando a Shield começou a rastrear as conversas da reitoria. Nem vou dizer que me surpreendi com a ligação de tanta gente assim com grupos que... Olha, vocês com as suas ideias fazem os nazistas parecerem anjinhos e os caras eram nojentos.
—Então o que quer de nós? –Sarah sorriu ao ver a pessoa que esperava levantar, a vice-reitora. –Porque se tudo o que disse e mostrou é verdade, podemos conseguir a sua permanência aqui.
—Eu não quero mais ficar aqui. –Todos pareceram surpresos. –Eu salvei meus colegas de um roubo na saída de uma festa há alguns anos quando espanquei os cinco ladrões usando só o capuz de uma blusa para me esconder. Agora descubro que metade deles tá no grupo de idiotas que armou tudo isso, não que isso me surpreenda na verdade. –Ela encarou a mulher. –Sabe aquele carro desgovernado que quase arrebentou três estudantes e a entrada a algum tempo? –A mulher assentiu. –Eu parei ele com as teias, não porque queria ou era certo, foi porque reagi instintivamente. É o que eu faço, o que fui criada para fazer e o que sei fazer, o que é irônico de ter acontecido porque vim para a Inglaterra para fugir de tudo isso, de mim, de quem eu sou porque eu... –A garota respirou fundo tentando se acalmar. –Porque eu sempre tive medo pela forma como minha mãe morreu.
—Então o que você quer?
—Minha transferência. –Metade do auditório parecia surpreso o bastante para tossir. –Uma transferência completa e integral para qualquer instituição que me agrade e aceite em qualquer lugar do mundo, sem nenhuma menção a qualquer uma das suas acusações no meu currículo.
—Só isso?
—Sim. E é claro que o MI5, MI6 e a Shield vão prender e processar todos os envolvidos com os grupos terroristas, isso já está sendo providenciado.
—Já?
—Vocês me deram um dia inteiro e acharam que eu era só a filha do Homem Aranha, mas fui treinada pela Shield, pela Viúva Negra, pelo Capitão América e tantos outros que nem eu mesma consigo lembrar direito. Não é como se eu fosse só uma garota sozinha no mundo esperando ser esmagada por alguém.
—Isso me lembrou tanto os boatos sobre a sua cunhada quando desafiou o pai. –Todos olharam para a porta e deram de cara com duas garotas, uma morena de olhos castanho claro ao lado de uma loira de olhos azuis. –Aliás, valeu por mandarem a Danielle me esperar no carro da embaixada e acelerar a explicação, então foi por isso que o tio Victor me avisou da confusão. Qual a minha função?
—Resumindo se eles não aceitarem meus termos você vai combinar a magia que o Von Doom te ensinou na Latvéria com seus poderes e os da Atlante para destruir tudo aqui, menos o prédio e as pessoas. –Sarah não parecia se sentir mal ao dizer aquilo.
—Você sabe que eles tem nuvem e servidores online, certo? –E Valéria também não.
—Leo e Greg vão cuidar disso.
—Tudo bem, posso fazer isso.
—Vo...Vocês pretendem mesmo fazer isso tudo se não dermos a transferência como pediu? –A vice-reitora parecia chocada.
—Não é algo tão difícil de entender, sabe? É o segundo ataque desse tipo que os nossos vêm sofrendo em menos de uma semana, então decidimos jogar pesado. –Sue Storm explicou se aproximando dois passos do palco. –Não é como se estivéssemos sendo deixados em posições confortáveis. Afinal, quando vocês, que não tem poderes, precisam de poder de fogo para se proteger nos chamam, mas quando pedimos para aceitarem nossas crianças, que querem apenas viver normalmente... Bom, já vimos com a Claire em Nova York e com a Sarah aqui qual é a resposta de vocês, não é mesmo?
—E não teremos nenhuma represália se cumprirmos os termos dados?
—Nenhuma é pedir demais, já que mais nenhum dos nossos vai querer saber da sua universidade, mas no geral sim. –Sue não estava mentindo.
—E quem seriam “os seus”? –A vice-reitora não parecia gostar daquela promessa.
—Todos da Shield, a Fundação Baxter e Fundação Futuro, também os funcionários da Frost S/A e de quebra qualquer um relacionado a Christian Frost, todos os investimentos e funcionários da Stark Inc, mais algumas empresas menores e... –Sue encarou Sarah. –Acha que o sogro do seu irmão vai fazer algo?
—Independente dos problemas que o T’Challa possa ter com o namoro do Ben com a Aisha, ele não colocaria essa questão acima da união que temos. Pelo menos eu tenho quase certeza que a Aisha e a Ororo matariam ele se Wakanda não rompesse contato com essa universidade depois disso. –Não que Sarah estivesse preocupada com aquela parte.
—Sogro? –A vice-reitora parecia prestes a morrer de medo, assim como quase todos no auditório.
—Meu irmão namora a filha caçula do Rei T’Challa de Wakanda. Na verdade, os dois são bem irritantes. –Sarah não parecia gostar nenhum pouco daquela parte da conversa.
—Não são não, a princesinha é fantástica. Deveria ter feito como ela e mandado meu pai pastar com a mania de controle dele antes em vez de ter ficado dez anos fazendo faculdades, mestrados e doutorados com o tio Victor. A única coisa boa é que o castelo da Latvéria é fantástico. –Valéria sorria ao dizer aquilo.
—Quanto a minha transferência...
—Você pode ficar. –Metade do auditório gritou.
—Acho que o que eles querem dizer é que não queremos perder tudo isso, então eles não querem mais que você saia ou seja expulsa. –A vice-reitora explicou, embora não parecesse muito certa de que a mudança de ideia daria certo.
—Eu não ligo. Agora quem não quer ficar aqui sou eu. Se não querem perder esses investimentos e apoios, além de alunos e prestígio é problema de vocês, não meu. Arrumem um jeito de recuperar o apoio dessas pessoas por si mesmos, eu não tenho nada a ver com seus erros de julgamento.
—Isso pode nos destruir. –A vice-reitora parecia mesmo desesperada. –Entre a perda de investimentos e prestígio, além do escandá-lo com a denúncia já feita, nossa universidade pode ser fechada para sempre por um erro bobo.
—Vocês estavam abrigando um grupo extremista pior que os nazistas e a Ku Klux Klan, acho que o único erro bobo que cometeram foi pensar que ninguém jamais descobriria isso. Se bem que eu agradeço por terem tentado me ferrar. –A vice-reitora olhou chocada para Sarah. –Graças ao esquema sujo que armaram eu abri o presente do meu pai e encontrei a carta da minha mãe que ela escreveu a mais de vinte e três anos atrás, antes de morrer. Essa carta me fez perder o medo e abraçar o caminho do qual fugi quando vim para cá. –Sarah vestiu a máscara do traje e tirou o sobretudo que usava puxando o capuz. –Eu sou filha do Homem Aranha e irmã do Aranha Sombrio. Eu sou a Aranha Fantasma e isso é maior do que meus medos.
A vice-reitora suspirou vencida.
—Vamos preparar tudo para a sua transferência completa, sem nenhuma nota a respeito desse incidente na sua ficha e com todos os créditos estudantis em ordem. Só quero saber como mesmo a distância vocês não vão destruir os sistemas da nossa universidade?
—A senhora está esquecendo o básico. –A vice-reitora pareceu confusa diante da afirmação de Sarah. –Apesar da ameaça para conseguir assegurar o que é meu por direito, nós ainda somos heróis. –A vice-reitora ficou surpresa, mas logo assentiu. –Nós vamos indo, um agente da filial Britânica da Shield vai vir retirar os documentos da transferência com uma procuração quando ficarem prontos.
—Você vai embora do país? Você nasceu aqui. –A vice-reitora realmente estava surpresa.
—Eu tenho assuntos para resolver em casa. –A garota desceu o reitor do teto e usou a teia para ir até a saída, onde parte do grupo já a esperava. –Isso não quer dizer que nunca mais vão ouvir falar de mim, ainda que eu não vá ouvir falar de vocês novamente.
O grupo saiu do auditório e seguiu para o jardim onde um quinjet os esperava.
—Os seguranças do tio Victor me avisaram que eu terminaria a viagem com vocês, então eles já trouxeram minhas coisas para cá. –Valéria comentou quando algumas pessoas pareceram surpresos com ela subindo a rampa.
Sarah deu se ombros e entrou sentando em um dos assentos. Não diria a ninguém se perguntassem, porém se sentia exausta de tudo aquilo. Tantas emoções e questões pessoais ou familiares resolvidas e enfrentadas em tão pouco tempo, fora a própria questão da universidade haviam deixado sua mente e corpo em um estado de exaustão.
—Eu vou dormir um pouco. –A Parker comunicou quando os outros se sentaram e eles concordaram.
—Acho que é uma boa ideia que todos descansem durante a viagem. –Sue encarou Valéria e sorriu. –Victor me avisou que te mandaria em uma viagem turística antes de chegar, sinto muito ter interrompido a última parte.
—A senhora sabia que eu estava voltando?
—Só não conte ao seu pai. A briga entre vocês já vai ser de matar para ele resolver brigar comigo também.
—Eu nunca entendi porque a senhora sempre se cala e deixa ele decidir tudo, a senhora é muito mais inteligente do que ele em vários assuntos. Você só não tem a mente futurista dele e do Stark, mesmo assim é mais inteligente que ele.
Sue sorriu para a filha.
—Obrigada.
No entanto Valéria sabia que aquele agradecimento não mudaria nada na sua família, então ela apenas se ajeitou no assento e tentou dormir um pouco. Pelo menos dormindo não precisaria pensar na briga que teria como pai e em como seria difícil impor a suas decisões sobre sua vida daquele momento em diante.
Ela não diria em voz alta, mas em muitos momentos desejou ser filha de seu padrinho e irmã de Damian, pois pelo menos os dois a apoiavam em suas decisões, por mais bobas que fossem. Eles permitiam que ela errasse, a corrigiam e davam broncas, depois sempre sorriam e ficavam felizes por sua independência em tomar uma decisão.
Em partes foi por eles nunca a terem recriminado sobre querer viver uma vida normal que Valéria esperou por tanto tempo e também o porquê de ter decidido que já havia passado da hora de deixar as ordens do pai de lado.
O problema é que ainda tinha apenas dezessete anos e Reed poderia mandá-la para a Latvéria ou outro lugar mais isolado ainda para tentar controlar sua vida.
Em uma hora dessas Valéria sempre se perguntava porque Sue, Frank, Johnny e Ben Grimm não podiam ficar do seu lado, ainda que ela soubesse a resposta: no final todos tinham medo da mente instável de Reed, um medo que sempre faltou nela.
A garota suspirou e fechou os olhos adormecendo mais rápido do que esperava.
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Continua...
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