Marvel Universe: All Different World
63 Capítulo LXIII: After Party.
Notas iniciais
15 de Outubro
Rebecca nunca acreditou que sairia de uma festa tão tarde daquele jeito e definitivamente não pensou que Conner e Tristan dariam seus telefones para trocar mensagens com ela. Talvez estivesse na hora de rever algumas crenças antigas; deixaria para fazer isso quando estivesse sóbria, até porque ainda tinha que encarar Ollie.
Pensar em seu irmão furioso no quarto que dividiam desde que nasceram a desanimou, especialmente com a perspectiva de um Oliver totalmente irado a esperando para uma briga, algo que não teria feito diferença a dois dias, só que agora fazia. A garota sabia que parte daquele comportamento era culpa dela, não podia negar sua responsabilidade naquilo. A questão era: tomar uma atitude para melhorar as coisas para si não acabaria sendo pior para seu irmão?
Estava no meio do caminho com aquela pergunta girando em sua cabeça quando Ororo a parou no corredor do dormitório dos alunos.
—O que houve? –Ela definitivamente não precisava de um problema naquele momento.
—Venha comigo.
Ela concordou, sem saber se aquilo era bom e as duas seguiram para outro corredor dos alunos, dessa vez mais próximo do corredor onde os quartos dos professores ficavam e muito mais longe do seu quarto.
A mutante negra abriu a porta e mandou a garota entrar, fazendo Rebecca dar de cara com um quarto normal, com uma cama grande, uma escrivaninha com cadeira, uma poltrona, um guarda-roupas e um banheiro. Também havia muitos sacos pretos em torno dos pés da cama e algumas caixas mal fechadas.
—O que viemos fazer aqui?
—Esse é o seu novo quarto. –Ororo disse observando a reação confusa da garota. –Emma decidiu que você vai dormir aqui a partir de hoje, por isso já pegamos as suas coisas no quarto que dividia com Ollie e trouxemos. Amanhã, se você quiser, podemos ajudar a organizar as coisas, por hora apenas colocamos uma roupa de cama limpa no colchão.
—Isso… Espera. Por quê?
—Para te ajudar.
—Ajudar?
—Você conversou com Logan, acha que ele não contou para Emma sobre isso? Ou que ela não desconfiaria quando entreguei seu pedido para participar das aulas de literatura avançada e mecânica? O que me lembra… –Ororo sentou na cama sem se preocupar. –Por que não as aulas de introdução a magia? –Rebecca recuou um passo. –Alguma relação com a professora ser a Alexis? –A garota negou, um pouco desesperada, então a mutante do clima esperou.
Foram longos segundos em que a jovem LeBeau não conseguia olhar nos olhos da mulher mais velha e continuava a forçar o corpo contra a parede, como se aquilo pudesse de alguma forma desviar o assunto ou fazê-la escapar, talvez até conseguir que a outra esquecesse a pergunta.
Não aconteceria, Becky sabia disso.
—Não quero outra coisa esquisita na minha vida.
—Coisa esquisita? –A Monroe encarou a garota por algum tempo até compreender algo. –Ser mutante não é estranho Rebecca. –Não havia censura na voz de Ororo, que estendeu a mão para a mais nova. –Sente aqui. –Ela indicou o lugar ao seu lado e a garota obedeceu, enquanto mantinha sua mão na da professora. –Ollie sabe? –Uma negativa. –Alguém sabe? –Outra negativa. –Tudo bem, não é algo para se envergonhar.
—Todos esperam que eu faça parte, como meus pais. Eu…
—Você não é seus pais. –A frase fez a garota encarar Ororo surpresa. –Sua mãe, por algum tempo, também renegou seus poderes e desejou com todas as forças que eles sumissem. Infelizmente para muitos mutantes, não há cura para o que somos, apenas aceitação e, com alguma sorte, uma vida normal. Mesmo assim, você não é a primeira aluna do Instituto a não querer ser uma mutante e, receio dizer, não vai ser a última.
—Às vezes eu só queria ser normal. –A professora riu. –Qual a graça?
—Alexis dizia muito isso quando era mais nova, que não queria ter nenhum poder. Consegue imaginar isso? –Rebecca negou. –É verdade, especialmente os poderes demoníacos, ela sempre os odiou e disse que, comparado com aquilo, ser mutante era fácil. Teve alguns momentos que a Claire também disse isso, em seus surtos de crescimento, quando ela mal conseguia tocar em algo sem quebrar metade de uma parede.
—O meu não é apenas um momento, eu me sinto assim há anos.
—Eu sei, não acho que você esteja exatamente errada.
—Também não acha que estou certa, não é?
—O que eu acho, é que mesmo que você não goste dos seus poderes, é seu dever saber usá-los para não precisar usar.
—Eu não entendi.
—Rebecca, você vive faltando nas aulas prática e nunca participa de nenhuma atividade em que seus poderes sejam necessários a menos que seja uma ordem. Seu controle é ridículo de tão ruim e sua habilidade de uso é pior ainda, então mesmo que você diga que quer ir estudar na Shield, isso não vai acontecer enquanto não aprender a usar seus poderes.
—Mesmo se eu decidir estudar filosofia?
—Você entende que para viver fora do Instituto vai precisar controlar seus poderes para que não machuque ninguém por acidente e que só vai aprender a fazer isso se usar seus poderes nas aulas práticas?
—Eu nunca tinha pensado sobre isso.
—E o que você quer fazer? Ficar presa para sempre aos seus poderes, sem poder escolher o que quer ou ter uma chance de fazer o que quiser?
—Fazer o que eu quiser?
Ororo sorriu para a dúvida da garota.
—Então você precisa tentar, precisa usar seus poderes e se acostumar com eles, mesmo que depois nunca mais os use. Pode tentar?
—Eu acho que sim…
—Posso te ajudar com isso? –A garota assentiu. –Vai precisar confiar em mim, entendeu? –Outra confirmação. –Tudo bem. Eu vou conversar com o Logan e a Emma, então vamos pensar na melhor forma de lidar com isso, mas existe a possibilidade de a Alexis ser envolvida.
—Não, eu…
—Ela é a melhor pessoa para conseguir te ajudar sabendo o que você sente sem precisar perguntar ou ficar se metendo. Garanto que a Rachel vai ser bem mais invasiva.
Rebecca hesitou e, por fim, concordou.
—Se isso for ajudar.
—Não se preocupe, ela não vai te obrigar a aprender magia ou qualquer coisa do tipo. –A LeBeau assentiu e Ororo sorriu. –Agora faça um favor a si mesma e vá dormir, tenho certeza que esse dia foi muito mais longo e cansativo do que você esperava.
Becky levantou um pouco receosa e quando a mutante do clima abriu a porta, ela se virou sem jeito.
—Professora?
A Monroe encarou a garota, que parecia relutante.
—Sim.
—Obrigada.
A mulher mais velha sorriu.
—Boa noite Rebecca.
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James sentia todo o seu corpo doer, mas aquilo não era completamente tão ruim quanto seria normalmente, já que ele tinha aproveitado o dia como a muito tempo não conseguia fazer. Agora só precisaria ver o que Emma queria e ir dormir.
Abriu a porta do quarto de sua mãe de criação e se deparou com Steve, Claire, Laura, seu pai e Emma, o que foi estranho.
—Aconteceu alguma coisa? –O rapaz ficou preocupado.
—Eu disse que o presente teria duas partes. –Logan começou.
—Pai, não. Eu já aproveitei…
—Isso não está aberto a discussões James. –Foi a afirmação de Claire que o chocou. –Qualquer cansaço que eu ou o tio possamos pegar hoje, não vai aliviar a sua dor por meses que ainda vão vir, então deixe a gente pelo menos aliviar o seu fardo por agora.
—Tio Steve, por favor…
—Ela tem razão Jimmy. –O jovem Howlett engoliu em seco diante do apelido de infância. –Eu posso não gostar de saber que a Claire vai se cansar dessa forma, mas ela me explicou o que sentiu e, sinceramente, não tem nada que possa fazer por você, então vou ajudar da única forma que me é permitida. –O Capitão tomou fôlego e, por fim, se aproximou do rapaz. –Isso é uma ordem soldado, aceite o que te foi oferecido.
James hesitou por um momento antes de abaixar a cabeça.
—Sim senhor.
Todos, incluindo o rapaz, sabiam que era covardia usar aquela tática com ele, só que ninguém além do próprio James estava preocupado com aquele detalhe. Para todos eles, a dor que o jovem Howlett sentia era justificativa mais do que suficiente para que eles o fizessem aceitar aquele presente mesmo que contra a sua vontade.
Steve temia pela filha, como sempre, mesmo sabendo que ela já tinha feito aquilo mais cedo; já Laura temia pela namorada, o pai e mesmo o irmão, mas ela agora entendia algo mais sobre o pedido de Logan; Emma temia por todos, afinal eram sua família em maior ou menor grau, todos partes essenciais da sua vida, só que ver o sorriso de James naquela manhã a fez ter certeza sobre aquilo, então ela ajudaria.
James sentou na cadeira ao lado do pai e Claire tomou o lugar a frente deles, não demorou para que a mesma sensação de dor seguida por um alívio imediato atingisse seu corpo no momento em que a Rogers segurou seu braço. Era como se todas aquelas pontadas de dor nunca tivessem acontecido, como se tudo não passasse de um sonho ruim que tinha acabado.
Quando Claire soltou dele e de Logan, James pode sentir aos poucos a energia se transformando em seu corpo. Era pouco, mas ele sentia e o simples fato de todos ali tentarem dar um pouco de paz a sua mente e corpo significavam mais para o jovem Howlett do que poderia colocar em palavras.
Steve ajudou a colocar Logan na cama de Emma e depois pegou a filha nos braços.
—Me avise se precisar de mais alguma coisa. –O Capitão falou para Emma e depois o encarou. –Feliz aniversário James.
—Valeu tio. –Os Rogers saíram pela porta e Laura o observou por um momento. –Aconteceu alguma coisa?
—Por quanto tempo isso vai manter a dor menor?
James hesitou e então suspirou.
—Com sorte uns dois dias, eu já estou acostumado.
—Não é melhor manter a Helena longe nesse caso?
O rapaz riu.
—Talvez. Só que eu não vou me encontrar com ela pelo resto da semana, então…
—Vai ver sua mãe, não é? –Laura indicou Logan e James assentiu. –Nesse caso, é melhor aproveitar, seu humor fica horrível quando não passa um tempo com a Strange.
—Verdade. –Logan resmungou.
O rapaz riu.
—Vai atrás da sua namorada. –Laura não precisou de outro aviso, apenas saiu e ele olhou para Emma. –Algum aviso?
—Nenhum que seja bom por agora.
—O meu pai…
—Hank vai trazer um acesso com soro e eu vou providenciar comida para ele, fique à vontade para fazer o que tem que fazer.
—Nesse caso, boa noite para ambos.
James tomou o caminho para seu quarto ciente de que poderia encontrar Helena ou não, dependendo do humor dela. Assim que abriu a porta ele a viu deitada em sua cama, parecendo dormir, o que não era tão ruim quanto parecia, já que no relógio passava dá uma da manhã.
O Howlett estalou o pescoço e foi para o banheiro tomar um banho quente, algo que raramente fazia quando estava irritado, como quase sempre, mas gostava muito. Acabou usando a banheira e ficou ali sentado por mais tempo do que imaginava até Helena aparecer ao seu lado.
—Você parece melhor agora.
—Meu pai me deu um presente em duas partes. –Comentou desinteressado.
—Pode me contar?
—Hoje não. –Ela pareceu não gostar daquilo, afinal ele nunca negava nada. –Quer entrar?
—Eu posso?
—Eu não acabei de chamar?
Helena o encarou por longos segundos, sem reconhecer o James que normalmente ia ao seu encontro naquele que agia tão indiferente.
Mesmo assim ela aceitou, tirando a roupa e entrando na água ainda quente.
—Pensei que não gostasse de banho quente. –A Strange parecia confusa.
—Eu gosto, só não consigo tomar com frequência porque em geral estou irritado e prestes a explodir.
—Comigo também?
James a encarou por um longo momento e então suspirou.
—Não vamos tratar disso hoje, eu estou de bom humor.
Helena hesitou.
—Eu queria conversar sobre nosso último encontro na minha casa. –Ela desviou o olhar. –Eu sinto muito por tudo. Eu…
—Tudo bem. –E para a surpresa de ambos o Howlett não precisou se esforçar para dizer aquilo.
—Não, eu…
—Tudo bem Helena, não precisa ficar se desculpando. –Ele encarou o teto e sorriu. –Eu sei perfeitamente bem como nosso “não-relacionamento” funciona, então foi besteira da minha parte pensar que algo mudaria. –James voltou a encará-la. –O que me lembra, o que você precisa?
A Strange sentiu-se triste.
Será que forçar ele a se afastar dela estava definitivamente o afastando de vez? Por que não conseguia deixar seu medo de lado e falar com ele de verdade? Seu medo de um dia ele desistir talvez estivesse se concretizando e, para piorar tudo, sabia que a culpa era apenas sua, já que James nunca negou que queria ficar ao seu lado.
—Eu realmente só venho até você quando preciso de algo? –O olhar dele ficou vago e depois pareceu se concentrar em algo, antes de dar de ombros.
—Você veio o dia que a Alexis ficou com febre. –James notou que ela parecia chocada com a informação. –Essa é nova, você nunca percebeu? –Diante do olhar dela o rapaz suspirou. –Nosso acordo é só sexo Helena, não tem porque ficar criando algum problema, lembra?
E aquilo doeu.
Não apenas em Helena, que percebeu que talvez seu erro tivesse sido muito maior do que gostaria de admitir; também doeu em James, que não gostava de admitir que o que tinham era algo tão próximo da banalidade que poderia ter o mesmo com qualquer outra garota estranha na rua. Talvez até mais, uma vez que alguma garota estranha poderia gostar dele o suficiente para aceitar fazer as coisas mais simples do mundo ao seu lado, como andar de mãos dadas.
—Não, você tem razão.
—Então, por que queria falar comigo? Era só sobre a outra vez?
Ela hesitou novamente.
Talvez devesse ser franca, mas não conseguia nem organizar seus pensamentos, muito menos seus sentimentos naquele momento.
—Sobre o seu aniversário… –Ele a olhava com atenção. –Posso passar o resto do fim de semana com você?
James acabou sorrindo.
—Pode. Vai ser um presente muito bom. –O Howlett levantou se aproximando dela. –Eu consigo pensar em diversas formas de tornar isso incrivelmente proveitoso para ambos, não acha?
Helena o encarou aliviada.
Ali estava o James com quem ela estava acostumada, o mesmo garoto levemente pervertido para quem entregou seu coração a tantos anos, mesmo sem ele saber.
—Sim.
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—Minha cabeça tá doendo. –Robert deixou uma risada escapar diante da forma lenta e levemente embolada que Valéria falava. –Não tem graxa. –Ela apertou os olhos. –Graça.
—Tem um pouco.
Ele estava andando com ela nos braços, até chegarem à porta do apartamento dela, quando precisou colocar a mão da garota na porta para abrir a fechadura. Os dois entraram e Robert guiou Valéria até o quarto dela, onde a colocou sentada na cama e se virou para sair do quarto.
—Onde você vai?
—Pegar um copo de água e um analgésico para você, ou essa ressaca vai ser pior ainda. –Ele suspirou e foi até um banco nos pés da cama dela, pegando o pijama que estava ali. –Tente trocar de roupa enquanto eu faço o que preciso.
O Barton saiu do quarto e parou na cozinha por mais de cinco minutos, enrolando o suficiente para a garota se trocar e já estar sonolenta o suficiente para ele não precisar lidar com uma bêbada alegre e espontânea. Aquele tipo de coisa podia ser complicado.
Quando voltou para o quarto com a água e o remédio, Valéria estava parcialmente trocada, com as roupas da festa no chão e a camiseta do pijama colocada, o que o fez suspirar ao se aproximar dela.
—É melhor tomar isso agora. –Disse entregando o remédio na mão dela.
—Por que você não está bêbado?
—Eu te conto quando você conseguir lembrar da nossa conversa. –Comentou acariciando o cabelo dela.
Valéria gemeu insatisfeita, mas tomou o analgésico e toda a água da garrafa.
—Você vai ficar aqui?
—Lá na sala.
—Eu quero que você fique aqui. –Ela parecia uma criança.
—Eu sei. Só que hoje não.
—Eu quero.
Robert riu e beijou a testa dela.
—Quando você estiver sóbria, meu amor.
Ele a fez deitar e puxou o cobertor sobre ela.
—É tão injusto você não estar bêbado.
O garoto riu e saiu deixando a porta aberta para ouvir caso ela passasse mal.
O Barton sentou no sofá da sala, tirou o tênis e a camisa, deitou e suspirou exausto. Era muito mais difícil ficar perto de Valéria e se controlar do que ele tinha imaginado que seria, mesmo assim o garoto sabia que esperar era o certo.
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Mack recebeu a ordem de se apresentar no escritório de Hill assim que acordasse ao chegar na Shield de madrugada, o que o surpreendeu. Havia muitas coisas que poderiam ser atribuídas a necessidade de uma reunião, a maioria não eram muito agradáveis na opinião do engenheiro chefe da agência.
Não foi como se ele tivesse passado a noite acordado, na verdade o homem grande dormiu feito uma pedra por seis horas seguidas, mesmo assim ali estava ele, parado do lado de fora do escritório da Comandante às onze da manhã e esperando que a bomba fosse pequena.
Quando a porta se abriu ele engoliu em seco, o que fez Maria rolar os olhos.
—Pare com isso Al, não é o fim do mundo.
Ele entrou cautelosamente no escritório e sentou na cadeira ainda tenso.
—Desculpe se não estou tão certo sobre isso.
A mulher deu de ombros e sentou atrás da sua mesa, antes de encarar o amigo de longa data.
—Há quantos anos você trabalha para a Shield, Al?
—Pelo menos vinte e cinco, eu acho.
—E a quanto tempo é engenheiro chefe da agência?
—Uns dez anos. –Ele encarou a amiga de tantos anos. –Sobre o que é isso Maria? Você pode ter todas essas informações apenas olhando meus arquivos.
—Posso mesmo. –Ela ativou o registro dele na forma de holograma na mesa. –Alphonso Mackenzie, formado em mecânica e física aos dezesseis, admitido na Shield no mesmo ano. Cursou a Academia de Ciências e concluiu simultaneamente os cursos de engenharia avançada e mecatrônica aos vinte, se tornando engenheiro responsável por uma das nossas bases dois anos depois. Chefe regional aos vinte e seis, depois foi a Engenheiro Chefe de Recursos da Costa Leste aos trinta e, por fim, Engenheiro Chefe aos trinta e cinco. –Maria encarou o amigo. –Isso sem falar que concluiu o curso da Academia de Operações, se tornou perito em armas e seu desenvolvimento, fez os cursos na Academia de Comunicações para Linguagens e nunca pediu uma única promoção. Sabe por que estou te falando todas essas coisas que você já sabe?
—Por que eu vou me meter em algum problema muito grande para ajudar a agência?
—Não tá errado.
Mack praguejou, o que fez Maria rir.
—Não tem graça.
—Tem sim. –Hill entregou uma pasta para ele. –Leia.
O homem pegou o documento e começou a ficar confuso.
—Promoção? –Ele encarou a mulher à sua frente. –Vocês querem me promover a Comandante?
—Basicamente.
—Isso não faz sentido, eu sou só um engenheiro e… –Hill indicou todas as informações sobre a carreira dele na mesa. –Eu não quero esse tipo de responsabilidade.
—Nem a May, mas ela só aceita o cargo se você estiver junto e estou tentada a te obrigar a pegar a função por bem ou por mal.
—Eu ouvi sobre o programa para Subcomandantes, não posso ficar com essa parte?
—Poderia, infelizmente estamos sem tempo para encontrar outro candidato e, sendo sincera, o programa é para os jovens. Queremos treiná-los para tomarem as posições de Comandantes no futuro, o que significa que…
—Vocês continuam desfalcados. –Mack largou o documento sobre a mesa. –Tem certeza que sou a melhor opção?
—É. Não duvide disso.
—Tem o Capitão, o Barton, o Stark e o Parker, qualquer um deles deve ser uma opção mais apropriada, eles são grandes heróis, combatentes de renome. Receberam medalhas por grandes conquistas.
—E ainda assim eles não são você. –O engenheiro encarou Maria. –Você representa a alma da Shield e todos os não combatentes que empregamos, aqueles que são, sem nenhuma dúvida, o pilar principal de sustentação de toda a agência. Além disso, você já foi a campo, várias vezes, e lutou, então mesmo sem receber uma medalha ou ser homenageado por governos, sei que já fez muito mais do que “colar cabos”, como alguns dizem por aí.
Mack voltou a encarar a pasta com o documento de indicação para o cargo.
Hill não estava mentindo ou sendo boazinha com ele, havia verdade em suas palavras, uma que o homem não gostava de lembrar, afinal ir a campo significa muitas vezes fazer o que não quer. Matar pessoas, perder amigos e nunca conseguir aceitar aquilo completamente, mas sempre ter que repetir tudo novamente. Não era algo que ele se orgulhava e agradecia não ter uma medalha para lembrá-lo daquilo.
Mesmo assim, Al parou por um momento e pegou o celular, abrindo a foto dos jovens tirada no dia anterior durante a festa no Instituto.
—Então a ideia é deixar as crianças como aprendizes ou ajudantes, certo?
—Correto.
—E a May realmente vai aceitar se eu estiver junto?
—Ela disse que era a única condição dela.
—Nesse caso, eu aceito. Mas por Deus Hill, é bom aquela mulher cumprir a palavra dela.
—Ela vai, você sabe disso.
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O domingo de Emma começou tranquilo, os relatórios estavam sobre a mesa e tudo estava em paz ou, pelo menos, ela esperava isso.
Hill enviou as informações preliminares sobre as garotas na costa oeste e, para alívio geral, todas pareciam bem e tranquilas, com exceção de uma que não parava de ir à igreja (o que a inteligência da Shield atribuiu ao fato dela ser extremamente religiosa). A loira acrescentou uma nota no documento dizendo que aquela deveria ser a garota virgem que entrou na história acidentalmente e resolveu não contar aquele detalhe a Nikolai, ou o garoto iria realmente entrar em parafuso.
Andrew havia voltado para a Shield e Christine estava no Instituto, arrumando a biblioteca principal como uma terapia, então Scott foi instruído a passar o dia no jardim (ideia de Jean). James estava trancado no quarto com Helena e as energias mentais que vinham de lá não eram agradáveis para Emma, o que provavelmente era bom para o rapaz. Caso parecido com o de Nathan e Alexis no quarto dele, motivo pelo qual Jean estava lendo relatórios de forma obsessiva para se distrair.
Nikolai estava com Aisha, monitorando e ensinando aos mais novos alguns truques, brincadeiras e movimentos para os treinos, o que era bom já que ambos não estavam autorizados a fazer nada até o dia seguinte, embora por motivos diferentes. Logan permaneceria em seu quarto, dormindo e sendo monitorado por Hank, já que os efeitos da transferência estavam fortes. Ororo seria responsável por monitorar todos fora do escritório e apenas envolveria Emma e Jean se algo grande acontecesse, Rachel iria ajudá-la.
Os Rogers e Laura haviam passado a noite no Instituto, para que Claire pudesse descansar pela noite, depois partiram antes do almoço, levando Franklin junto. Como eles foram os únicos a passarem a noite, isso reduziu muitos os possíveis contratempos que a vice-diretora poderia ter, restando apenas a questão mais primordial de todas: Oliver.
Tudo estava na mais santa calma depois do almoço, quando o irmão gêmeo de Rebecca apareceu na porta do escritório assim que Emma entrou e começou a gritar como um condenado do lado de fora sobre como ela estava tentando separá-lo de sua amada irmã. Aparentemente, a notícia sobre a mudança de quartos foi algo que desagradou fortemente Ollie, que não teve tempo de reclamar na noite anterior. A situação se tornou ainda mais extrema quando Becky encontrou o irmão no corredor, o que desencadeou uma briga grande e violenta o bastante para envolver Nate, Alexis e James, que tiveram que apartar a confusão e depois voltar para seus quartos.
Os resultados daquela confusão nada agradável foi a internação de Oliver depois de receber um soco nada contido de James, enquanto Rebecca foi acolhida por Alexis, que a levou para seu quarto e cuidou dos machucados que a garota conseguiu. E foi nessa situação que Emma encontrou a jovem LeBeau.
—Agora, pare de se mexer sempre que eu coloco a pomada. –Alexis riu da cara da mais nova. –Meu Deus, você parece ter cinco anos.
—Eu vou me curar em algumas horas.
—Vai mesmo. –As duas garotas encararam Emma, parada na porta. –O que não impede que cuidemos dos seus machucados. Oliver exagerou.
—Bom, eu concordo. –A Rasputin notou o olhar surpreso de Rebecca. –Não gosto de ver ninguém machucado por bobagens. –Ela tocou a lateral do rosto da mais nova com os nós das mãos. –Eu sei que me deu motivos, mas estou realmente feliz por você tentar e isso é o mais importante. –A garota respirou fundo e voltou a encarar o machucado, se apressando em passar a pomada e enfaixar o mais rápido possível. –Agora não reclame, seu ferimento vai levar horas e não minutos para curar, então precisamos cuidar da sua saúde.
—Eu… Hum… Isso…
—Diga lentamente: obrigada. –A voz de Emma era calma.
—É, obrigada. –Becky desviou o olhar visivelmente desconfortável. –Isso é tão estranho.
—Você se acostuma. –Alexis comentou e levantou da cama. –Creio que terminei de colocar todos os curativos e garantir que ela não fique sangrando a tarde inteira, até lá tudo deve ficar inteiro novamente. –Ela encarou a LeBeau. –Descanse.
E sem dizer mais nada a Rasputin saiu do quarto deixando a vice-diretora com Rebecca.
—Ela é… –A garota hesitou. –Diferente do que eu imaginava.
—Ela é extremamente tímida na verdade. –Emma sentou ao lado da garota, chamando sua atenção. –Ouso dizer que se não fosse por mim ela não conseguiria sair do próprio quarto de tão tímida que seria.
—Ela sempre parece tão relaxada quando está fazendo esse tipo de coisa, não consigo imaginar essa pessoa que você descreve.
—Por que acha que até hoje ela não aceitou as investidas constantes do Nate? Ela morre de medo de machucar os outros e para piorar não sabe se expressar direito. É o caos.
—Ela não é parte demônio?
—E você acha que isso ajuda em algo?
—Não sei.
—Bom, sendo justa, nem ela sabe muito sobre os detalhes também. –Emma suspirou e olhou para os curativos. –Ororo me contou sobre sua conversa, então vou tentar te ajudar como puder, mas vai precisar aceitar o envolvimento da Alexis com os treinos.
—Não tem outro jeito?
—A outra opção é o James, o que garanto que não vai ser tão agradável. –Um choro baixo escapou da garota. –Ele tem uma mutação secundária bem irritante em alguns momentos, então é ela ou ele. Você decide.
—Alexis é mais gentil? –Becky ainda estava em dúvida.
—Igualmente rígida, mas muito menos brutal. Não que ela não vá te bater com força, só que vai te dar descanso depois de quebrar seu braço.
—É melhor do que o James, que me faria correr com uma perna quebrada.
—Nesse caso, vou conversar com ela amanhã. –Emma levantou da beira da cama. –Depois vocês podem conversar para ver o que fazer e o Logan vai supervisionar tudo. –Comentou já na porta.
—Tudo bem e… Hum… Valeu.
—Continue praticando.
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Valéria acordou confusa e com a cabeça girando, felizmente, para ela, não havia dor para aumentar seu desconforto. Depois de meia hora deitada na própria cama, a garota levantou lentamente e seguiu para o banheiro tomar um longo banho para aliviar a tontura e o leve enjoo que a bebida ainda causava em seu estômago.
Levou mais meia hora para que a loira se sentisse melhor e voltasse para o quarto se vestir, o que lhe trouxe lembranças da madrugada, quando Robert lhe rejeitou de forma educada o suficiente para Victor torná-lo um duque na Latvéria se ficar sabendo o que houve. Só Deus sabe como seu padrinho amaria saber que seu namorado era realmente um cavalheiro e não apenas um bom partido.
Esse pensamento fez Valéria sorrir involuntariamente.
Ela terminou de se vestir e seguiu para a cozinha, onde encontrou Robert preparando o café da manhã, ainda que já passasse do meio dia a algum tempo, o que a surpreendeu um pouco.
—Você ainda está aqui.
O garoto deu um sorriso iluminado.
—E onde mais eu deveria estar?
—Com seus pais?
—Eu falei que dormiria no sofá.
—Isso… Eu achei que já teria partido.
—Meu objetivo é ir embora só quando você me expulsar, nem um minuto antes.
Valéria observou o namorado por um longo momento antes de sentar no balcão para comer, o que fez Robert ficar curioso.
—Eu acho que bebi demais ontem. –Ela comentou depois de algum tempo. –Não que nunca tenha bebido antes, meu tio é um grande apreciador de vinhos e licores.
—Então ele deixava vocês beberem.
—Aprendi a apreciar essas coisas, mas acho que nunca tinha bebido como ontem.
—Acho que todos tem uma primeira vez para esse tipo de coisa.
Os dois riram.
—Você tomou banho?
—Ah, antes de você acordar. Peguei minha mochila de emergência no carro quando voltamos. Não que o apartamento da minha família fique longe.
Eles passaram as horas seguintes comentando sobre os detalhes da festa enquanto lavavam a louça e jogavam algumas partidas de damas, sem se importarem com qualquer outra coisa.
Não havia como negar que, para Valéria, estar com Robert era, antes de mais nada, muito mais do que divertido, era natural e por isso ela queria que o tempo com ele nunca acabasse.
—Você não vai fazer sua jogada? –Ela ficou confusa. –É sua vez
A garota encarou as peças e notou que eles estavam novamente no jogo de gato e rato em que um sacrificava uma peça para poder encurralar o outro, algo que ambos eram bons naquele jogo; uma coisa que ela não queria levar para o relacionamento deles e sabia que não precisava.
—Você falou sério ontem? –Ela entregou a peça para a jogada seguinte.
—Sobre? –Ele analisava como diminuir os danos do plano dela.
—Sobre quando eu estivesse sóbria.
Robert parou o movimento na metade.
—Valéria, eu…
—Eu gosto de você.
Ele sorriu.
—Eu também gosto de você.
—Então…
O Barton deixou uma risada feliz escapar, deixou a peça onde estava antes e levantou, estendendo a mão para ela e a puxando do chão. Quando Valéria já estava de pé na sua frente, ele a olhou nos olhos e tocou seu rosto com cuidado.
—Então, eu vou fazer o meu melhor para você não se arrepender nem por um segundo. –Ela engoliu em seco diante da intensidade do olhar dele. –Confia em mim?
Ela assentiu e depois o beijou.
—Muito. –O Barton sorriu e a pegou no colo. –Eu posso andar até o meu quarto.
—Eu sei. Só que da mesma forma como posso garantir que não tenho nenhum interesse em te machucar, também posso dizer que não abro mão de fazer algumas coisas do meu jeito.
—Como me levar para o quarto nos braços.
—Para começar.
E Valéria não pode deixar de sorrir diante das palavras de Robert.
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Conforme a tarde foi avançando, Rebecca recebeu uma mensagem de Tristan, perguntando se ela estava bem, o que a fez contar sobre o que tinha acontecido com seu irmão.
Tristan: Desculpe a sinceridade,
mas seu irmão é um idiota.
Rebecca: …
T: Não me diga que vai defendê-lo.
R: Não, mas…
É estranho ouvir isso e não fazer nada.
Ele ainda é minha família.
T: Bom, é verdade.
Mas ainda acho ele um idiota.
R: Acho que é compreensível.
T:Não é?
Kkkkkk
E então, quarto novo?
Rebecca parou por um momento, não sabendo bem como reagir sobre aquilo. Estava se tornando íntima de alguém, alguém que não era um professor ou seu irmão, e gostava de saber que existia quem se importasse com ela fora daquele círculo quase diário.
R: É legal, nunca tive um só pra mim.
Tem uma cama de casal ao invés das duas de solteiro.
Não é maior que o outro, mas eu gosto.
T: Olha só, tá toda independente.
R: Não seja chato.
T: Não estou sendo chato,
só pegando um pouco no seu pé.
R: Você pode achar besteira,
já que os Stark sempre dormem em camas grandes,
mas eu gostei da mudança.
T: Ei!
Quem disse que sempre dormi em camas grandes?
Já dormi em uma cama pequena.
R: Seu berço não conta Tristan.
T: Urgh…
Golpe baixo.
R: Golpe sincero.
Você não desmentiu.
T: Droga, me pegou.
…
Mudando de assunto…
O que vai fazer essa semana?
R: Vou começar alguns cursos.
Também vou ter aulas especiais com a Alexis.
T: Vocês se dão bem?
R: Não sei, nunca conversamos de verdade.
T: Fazer essas aulas é algo bom?
R: Ororo acha que é essencial para o meu futuro.
T: Quer me contar?
Rebecca parou diante da pergunta.
Ela fechou a tela do celular e o deixou sobre a mesa de cabeceira, encarando o teto por algum tempo, o que fez o aparelho vibrar algumas vezes com o aviso das mensagens chegando. Mesmo assim, levou quase uma hora até que a garota pegasse o aparelho novamente.
T: Becky, tá aí?
Olha, desculpa se a pergunta não é…
Esquece que perguntei, certo?
Oi?
Tá recebendo as mensagens?
R: Desculpa, não conseguia pensar.
Isso é difícil.
Eu…
…
Eu não gosto de ser mutante.
Ela encarou a tela por algum tempo, até a mesma apagar e depois suspirou, acreditando ter feito algo idiota ao ignorar as mensagens do Stark. Pelo menos até o celular vibrar.
T: Então foi isso.
Ah.
Bom, acho que não é incomum.
Por falar nisso, qual é o seu poder?
Além do fator de cura, é claro.
R: Voo, super força, Super vigor.
E o já citado fator de cura.
T: Herdou isso da sua mãe?
R: Sim.
T: Não herdou nada do seu pai?
R: Eles dizem que teria que ser uma mutação secundária.
Embora o que herdei não seja bem da minha mãe.
São poderes que ficaram com ela,
como o fator de cura veio do Logan.
Já que ela sempre pegava um pouco.
T: Isso é interessante.
R: Não é.
Ollie também tem voo e fator de cura.
Teria sido melhor herdar a mutação do meu pai.
T: Por que?
R: Esses poderes são como uma colcha de retalhos.
Um monte de estranhos jogaram um pedaço
e depois me deram.
Como um prêmio de consolação.
T: É uma pena que veja isso assim.
Apesar de tudo, sua força e vigor são seus,
assim como seu voo.
Seu irmão pode voar,
mas nunca vai ter uma força própria.
Ele sempre vai depender dos outros e,
me atrevo a dizer, principalmente de você, não é?
R: Como assim?
T: Ouvi dizer que o Ollie tem super força,
embora eu acho que isso é algo que ele pega de você.
Estou errado?
R: Não.
Ollie sempre suga meus poderes,
é mais fácil para ele desse jeito.
Eu também não ligo,
é uma boa desculpa para não precisar usá-los.
T: Imaginei que era isso.
O que é uma pena.
Tenho certeza de que seria lindo te ver voar de verdade.
R: Não sou boa usando meus poderes.
T: Por isso Alexis vai te dar aulas?
R: …
T: Te ensinar a usar seus poderes.
É por isso que ela vai te dar aulas especiais?
R: Já teve aulas com ela?
T: Algumas.
Há quatro anos, depois que meus pais me deram o soro.
Eu precisei reaprender muita coisa
(como não quebrar as maçanetas das portas)
Ela e Claire ajudaram muito.
Especialmente eu e os Romanoff.
R: Elas são muito rígidas?
T: São, embora a Claire seja mais.
Alexis é muito gentil para ser malvada ou cruel.
Isso é função do James, com certeza.
Ah, mas ela bate forte.
Pode não quebrar seus ossos, só que te deixa sem ar.
Ela só não gosta de corpo mole nos treinos, então…
R: Entendi.
Vou ter que levar a sério e me dedicar.
T: É a melhor forma.
Se você tentar de verdade, ela vai considerar bom,
não importa quantas vezes falhe.
R: Eu não pretendo falhar.
T: Eu sei.
Só quis dizer que a Alexis valoriza o esforço.
O resultado pode demorar para aparecer,
então ela vê o esforço como um sinal até melhor.
R: Então, se eu demorar para conseguir
ela não vai ficar brava?
T: Se você estiver fazendo o seu melhor, não.
R:Estranho.
T: Talvez, ela sempre foi assim.
Voltando a pergunta original:
já que você vai passar a semana ocupada,
posso passar aí?
R: Você precisa perguntar isso pra mim?
T: Bom, a ideia é ir te visitar, então sim.
Rebecca parou por um momento, relendo a afirmação de Tristan algumas vezes antes de continuar. Afinal, por que alguém poderia querer visitá-la?
R: Tenho certeza que tem algo mais interessante para fazer.
T: Isso é um “não”?
R: Não tem nada interessante aqui.
Seria perda de tempo.
T: Você diz nada interessante,
mas eu quero poder conversar pessoalmente.
R: Comigo?
T: É.
R: Você deve ser louco.
T: Posso ir?
R: Certo.
Faça como quiser.
T: Acho que vou fazer uma surpresa.
Aparecer sem avisar.
R: Você é estranho.
T: Até onde eu sei, isso é bom.
R: Até mais Stark.
T: Até mais Becky.
Rebecca deixou o aparelho de lado e retirou um dos curativos menores para ver como estava sua cicatrização, o que não era tão ruim, mas a fez ter certeza de que ainda levaria algum tempo naquele quarto. Ela pensou que talvez devesse dormir até umas sete horas, quando tinha certeza que poderia se livrar de todos os curativos e tomar banho em paz, pelo menos até seu celular vibrar novamente, o contato no visor chamou sua atenção.
Conner: E aí, como foi seu dia?
A LeBeau hesitou por um instante antes de contar o que havia acontecido, sem ocultar o fato de que Tristan havia mandado mensagem para ela.
C: Cara, seu irmão é um tremendo imbecil.
R: Tristan falou algo parecido,
só que ele ainda é meu irmão, então…
C: Você tá sendo boazinha.
Eu não defendo minha irmã quando ela faz merda.
R: Bom, sua irmã faz grandes merdas.
C: As pequenas do Ollie também contam.
R: É, eu sei.
C: Vamos deixar os otários dos nossos irmãos de lado.
Quer vir na Shield essa semana?
R: Eu vou ficar ocupada por alguns dias.
C: Treinamento?
R: Sim.
Alexis vai me ajudar.
C: Cê num gosta de ser mutante, não é?
R: Como?
C: Tá meio óbvio.
Você me lembra um pouco a Jocelyn, mas diferente.
R: Sua irmã não gosta de ser um Hulk?
C: Quase isso.
Enfim, ela é uma otária a esse respeito.
R: Então eu sou uma otária?
C: Você odeia outros mutantes?
R: Não.
C: Então não é otária.
R: Não entendi.
C: Jocelyn odeia pessoas que são como ela.
R: Você? Não, espera.
Eu lembrei de uma história.
C: Agora eu fiquei curioso.
R: Ela odeia a Alexis, a Claire, o Max, o Billy, a Lya e a Dani.
Tem relação com a sexualidade deles e de alguns outros.
…
Espera, ela não era amiga da Tália?
C: Tá mais pra fazer a Tália de trouxa.
R: Sua irmã é uma vadia.
Desculpe.
C: Tudo bem, eu não posso negar.
R: Então é isso que acontece com ela?
C: Ridículo, não acha?
R: Bom, minha birra com a Alexis era um ciúme besta.
C: É diferente.
No final, você tem que admitir seu erro.
Minha irmã se recusa a fazer isso e você já fez isso.
E você é bem mais nova do que ela.
R: Pode ser.
C: É verdade.
Você pode até conseguir isso por receber bons conselhos,
mas Jocelyn teve até mais ajuda do que você está tendo.
Meu avô tentou e, acredite,
Thunderbolt Ross não é um cara que dá conselhos
ou tenta conversar com imbecis.
R: Eu ouvi que seu avô é durão.
C: Muito.
Meu ponto é:
você não odeia mutantes,
só não gosta de ser uma.
Muitas pessoas não gostam de si mesmas,
é normal.
Embora não seja saudável.
R: Você é engraçado e inteligente.
Estou surpresa.
C: Você achou que eu era burro?
R: Você não parecia um Einstein ontem, seminu.
C: Admita, aquela vista vale a pena.
R: Não era ruim.
C: Vou te mandar uma foto depois,
para você ter essa vista sempre.
R: Não.
C: Você não pode me impedir.
R: Você é irritante.
C: Já que a sua semana vai ser cheia,
essa foto pode desestressar.
E falando nisso,
por que não vem visitar a Shield no sábado?
Ou no domingo?
R: Eu não sei como a Alexis vai fazer a rotina de treinos.
C: Mesmo assim,
não acho que treinar só no Instituto ajude.
R: Como assim?
Só no Instituto?
Dá pra treinar em outros lugares?
C: Sim.
É por isso que temos o intercâmbio.
Os alunos do Instituto vem passar o dia aqui como treino.
Claro, só aqueles com bom controle podem fazer isso.
Com o tempo, eles passam a treinar com nossos agentes,
para aumentar a habilidade de controle durante combate.
R: Eu nunca imaginei isso.
C: Até onde eu sei você não treina muito aí, não é?
R: Como você sabe disso?
C: Eu trabalho com a Hill às vezes,
então tenho alguns acessos.
Não sou o Andy, mas dá pro gasto.
R: Nesse caso, eu vou me esforçar mais ainda.
C: Assim você pode vir me ver.
Prometo que a gente pode treinar comigo sem camisa.
R: Idiota.
C: Um idiota fodidamente gostoso.
R: …
Você não acha isso um pouco arrogante?
C: Você não disse que era mentira, disse?
R: Eu te odeio.
C: Mentira.
O que me lembra,
se você não puder sair no fim de semana,
eu vou te visitar, tudo bem?
R: Qual o problema de vocês?
Tristan disse a mesma coisa.
C: Ele tem bom gosto, só isso.
Enfim, me avise se não puder sair, certo?
R: O que você pretende vindo aqui?
C: Te presentear com mais da perfeita vista do meu corpo.
R: Tá brincando comigo?
C: Não.
R: Adianta eu falar pra você não vir?
C: Você manda no Instituto?
R: Não.
C: Então você já tem sua resposta princesa.
R: Eu te odeio muito agora.
C: Pode odiar.
Dizem que a distância entre o ódio,
a loucura e o amor é muito pequena.
R: Você é maluco.
C: Então estamos perto.
R: Perto de quê?
C: Eu sou louco, você me odeia,
só falta o amor.
R: Tô indo Conner.
C: Até mais Becky.
Rebecca deixou o celular sobre a mesinha de cabeceira e suspirou, conversar com o Banner era exaustivo. Ainda assim aquilo a fazia sorrir, porque ele também era divertido e não foi cruel ou a julgou, nesse sentido Conner e Tristan eram muito parecidos, o que a deixava ainda mais confusa sobre ambos.
A LeBeau levantou e decidiu tirar os curativos para tomar banho, com alguma sorte não precisaria esperar mais uma hora.
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—Vai mesmo mandar essa foto para ela?
—Eu prometi, não prometi?
—Conner, isso pode ser visto como assédio, sabia?
O Banner encarou Tristan por um longo tempo.
—Se ela reclamar, eu peço desculpas. –Conner respirou fundo e tirou a foto em frente ao espelho sem camisa. –E enviei.
—Você ainda vai ser preso por isso.
—Ah, ela visualizou.
Os dois rapazes esperaram por uma resposta que logo apareceu.
“Idiota.”
—Viu, ela não disse nada demais.
—Você tem tanta sorte dela não reclamar disso com alguém.
—Por que? Ela vai ser nossa namorada em breve. –O Banner comentou como se fosse óbvio.
—Você está confiante demais nisso.
—Não seja chato Tristan, você também quer isso tanto ou mais do que eu.
—A questão não é essa Conner.
—A questão é não forçar nada e isso eu não pretendo fazer, sou abusado, não um estuprador.
—Você me manda selfies do seu pau. –Havia um tom de censura na voz de Tristan.
—É diferente, você gosta dele.
Os dois se encararam por um longo momento, antes do Stark suspirar.
—Prometa que não vai mandar selfies desse tipo para ela.
—Só vou mandar se ela pedir.
—Você é inacreditável.
—O que tem de errado em mandar uma se ela pedir?
—Espera ela concordar em ficar com a gente antes de mostrar o completo pervertido que você é. –Tristan estava exasperado com a falta de tato do outro garoto.
—Eu não sou o único que manda fotos indecentes aqui.
—Nós já estamos juntos, só que você mandou aquela foto dias antes da gente se entender de vez.
—Você tava demorando demais para responder minhas mensagens.
Tristan parou por um momento.
—Mandou uma foto do seu pau pra chamar a minha atenção?
—Funcionou? –O Stark corou e Conner sorriu. –Aparentemente sim.
—Só não faça isso com ela, tudo bem?
—Só se ela não demorar pra responder depois de transar com os dois.
O Stark deitou desanimado na cama.
—Eu não vou vencer essa discussão, então só não me faça uma loucura.
—Tudo bem. Aliás, você já tinha ideia que ela não gosta de ser mutante?
—Não, e você?
—Sim, ela me lembra a Jocelyn, só que menos intensa e mais autodestrutiva. –Tristan sentou na cama e encarou Conner. –O que foi?
—Ela parece que sofreu bastante sozinha. Quero dizer, ter poderes comuns é uma coisa, mas acho que ela sempre esteve perto do Ollie porque ele é a uma parte da mãe deles, pelos poderes. Becky se sente um retalho das habilidades que a Vampira acumulou e acho que o irmão é uma parte do que ela queria ser; ao menos sobre se sentir próxima dos pais.
—Nenhum deles herdou os poderes do Remy se não me engano, nem os olhos. –O Banner encarou o espelho e suspirou. –Deve ser difícil ser comparado com os pais em algo que você não herdou.
—Acho que nunca vamos saber, somos parecidos demais com nossos pais e mães para passar por isso.
—Verdade.
—
—
—
Continua...
—
—
—
No próximo capítulo: Garfield Nunca Esteve Tão Certo Sobre Segundas-Feiras.
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