Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

Data Terrestre: 11 de Outubro

Depois do longo dia com advogados, juízes, psicólogos e assistentes sociais, Hill queria um dia calmo na Shield para que ela e as outras Comandantes pudessem colocar tudo no lugar com calma.

De algum modo isso meio que aconteceu.

Claro que não da forma como ela esperava.

Alexa e Wolf chegaram cedo com Tristan e Robert, o grupo se separou assim que passaram pela sala de Comando. O jovem casal pegou uma das salas de treino para que o asgardiano pudesse ensinar a ruiva um pouco sobre as habilidades que a garota havia recebido desde que começaram a namorar. Já os dois amigos resolveram ir para os setores de engenharia e desenvolvimento de equipamentos, especialmente depois de verem os planos de Tony para os trajes do filho e sobrinhos.

Com as notícias que chegaram para a comandante no correr do dia do Instituto era bom manter Tália por ali por mais tempo. Erick e Alison avisaram que guiariam Valéria pelo prédio em uma visita (o que a deixava mais tranquila com a questão da Richards caso Reed aparecesse). Conner estava de folga, só que resolveu passar o dia perambulando pelo lugar, o que não era a coisa mais reconfortante do dia, mesmo assim não era ruim. Andrew já estava à disposição e, pelos recados de May, isso não era bem uma coisa boa sob muitos aspectos.

A Comandante repassou todas as informações aos outros chefes e ao diretor, depois rezou um pouco para que aquilo não virasse um problema.

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Tristan encarou Gregory Fittz por cinco minutos antes de reagir.

—Como assim eu não posso ter acesso a informação do meu traje?

O garoto o encarou como se ele fosse um idiota.

—Vou precisar repetir? –O Stark hesitou. –De verdade, até onde sei você é bem inteligente, não tanto quanto eu, mas é, então se quer acesso vá brigar com seu pai.

Uma veia pulsou com força na cabeça de Tristan que se controlou para não arrebentar a cara do rapaz, o mais jovem e qualificado engenheiro de equipamentos da Shield em anos. Infelizmente, para a maioria das pessoas, Gregory não tinha herdado as características dos pais e das irmãs, sendo muito mais comunicativo e arrogante do que todos os membros da família em seus melhores dias.

—Certo, só me explique porque o Robert pode ter acesso aos equipamentos dele.

Greg encarou o outro garoto que não apenas via os projetos, como começava a experimentar alguns protótipos para possíveis ajustes.

—Pedido da tia Natasha. –O Fittz-Simmons encarou o Stark com um sorriso vencedor. –Eu poderia ter negado, é claro, mas até parece que sou idiota de negar algo a ela. Gosto muito da minha bunda intacta e sem chutes que matam pessoas.

Um xingamento nada elogioso passou pela mente de Tristan, que logo se controlou, afinal sua tia Jemma não tinha culpa do filho ser um idiota de marca maior.

Ele bufou irritado e vencido.

—Robert! –O amigo o encarou. –Vou dar uma volta por ai, nos vemos mais tarde.

O Romanoff acenou e voltou a observar os protótipos e esquemas.

O Stark saiu ignorando Gregory e seguiu sem rumo pelos corredores da Shield.

Haviam poucas coisas ou pessoas que poderiam irritá-lo naquele lugar, Gregory Fittz-Simmons era uma dessas pessoas. Não que tivesse algo contra o garoto em si, só não conseguia lidar com a personalidade arrogante do garoto que, segundo ouviu dizer, lembrava muito a do próprio pai quando mais novo.

Tristan parou por um momento e olhou ao redor se dando conta de que estava no mezanino, ao lado de uma das salas de reunião para VIP’s. Era um dos lugares favoritos de quem queria tirar uma soneca rápida ou ser facilmente localizado por outra pessoa durante os horários livres que apareciam.

Não era a ideia mais criativa do dia, só não seria ruim usar o sofá para cochilar até ter o que fazer.

O Stark abriu a porta e entrou distraído sem acender a luz, seguindo até o sofá antes de se dar conta de que alguém já estava ali. Para piorar era a única pessoa com quem ele não queria ter que lidar.

—Olha só, não achei que te veria tão cedo.

E ver Conner sorrindo de forma tão relaxada não era algo que deixava Tristan confortável.

—Não sabia que já estava aqui, eu vou...

Mas o Banner segurou seu pulso.

—Relaxa Stark, já dividimos mais do que o mesmo cômodo para dormir. –Tristan grunhiu irritado. –E não precisa ficar assim, não gosto que qualquer um fique sabendo do que faço ou não da minha vida. –Conner apontou para a própria cabeça. –Esse cara já sabe mais do que gostaria de contar.

—Mesmo assim... –Tristan soltou a mão do Banner. –Não acho que é divertido atrapalhar o momento de paz de uma pessoa. –Ele tentava soar o mais frio e calculista possível, o que era um pouco difícil quando sua mão não parava de tremer.

Conner gargalhou, o que chamou a atenção do Stark.

—Sério Ed, isso é infantil da sua parte.

—Qual parte? –Não que Tristan realmente gostasse de ter um apelido com o nome do meio, mas aquele definitivamente não era o foco da sua atenção.

—Você ficar todo ofendido depois de transarmos é bem irritante.

—Não estou ofendido com nada disso.

—Sei.

—Não estou. –E Tristan não tinha mesmo nenhum problema com sexo casual. –Só não gosto quando as pessoas dizem o que querem sem ligar que estão sendo cruéis.

—Só por que disse que apesar de gostar de você as coisas não parecem certas quando estamos juntos? –Conner observou o olhar gélido do outro rapaz. –Sabe, isso não foi algo contra você ou a fazermos sexo e alguém ficar sabendo; diferente da minha irmã, eu sou muito bem resolvido quanto à minha sexualidade ou ao que gosto de ter na cama.

—Não é problema meu...

—Calma aí Stark. –Conner interrompeu e levantou evidenciando a pequena diferença de altura entre os dois. –O que quero dizer quando falei que algo não parecia certo é que algo parecia fora de lugar, como um quebra cabeças com uma peça faltando. Gosto de nós dois juntos, gosto de transar com você, mas sinto que falta algo mesmo quando estamos juntos.

—Isso não faz sentido algum. –Tristan precisou olhar um pouco para cima, já que os olhos de Conner estavam três centímetros acima dos seus. –E o que estaria faltando?

—Não faço ideia. –O Banner encurralou o Stark contra a mesa. –Só garanto que não sou contra tentarmos ver se isso dá certo enquanto procuramos o que parece fora do lugar. –Ele sorriu de forma maliciosa para o garoto mais velho. –Quer tentar?

—Eu vim acompanhando o Robert e a sala...

Conner beijou o canto da boca de Tristan e se afastou indo até a porta, a fechando.

—O Romanoff sabe se cuidar sozinho. –Ele tirou a própria camiseta sorrindo. –Então sugiro que se preocupe um pouco mais com você mesmo.

Tristan suspirou vencido.

Discutir não faria sentido e, depois de tudo, ele sabia que Conner tinha razão.

O que era bem irritante.

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—Então ele tem uma namorada? –Valéria encarou Erick e depois voltou a sua atenção para Alison. –Quem consegue namorar alguém tão sério desse jeito?

—Uma garota tão séria quanto. –Ally riu da cara do irmão. –Brincadeiras à parte, ela é nossa amiga de infância e eu até achei que seria estranho, mas a Elizabeth é um amor e o Henrique é uma das poucas pessoas que consegue diferenciá-la da irmã gêmea sem problemas.

—Ela tem uma irmã gêmea? –E para alguém que viveu isolada do mundo e dos amigos da família, Val era curiosa sobre tudo e todos, inclusive as fofocas.

—Sim. Elas não são idênticas, mas as diferenças são muito pequenas e você só decora convivendo com ambas, embora algumas pessoas ainda não tenham conseguido isso. A Claire quando era nova usava o olfato para diferenciá-las e a Laura ainda faz isso, elas dizem que mesmo os gêmeos idênticos têm cheiros diferentes. –A inumana não parecia ver problema com aquilo. –Eu já vi pessoas distraídas confundirem as duas, mas o Erick nunca.

—Não entendo a graça de falarem da minha vida amorosa. –O garoto resmungou.

—A graça é a tia Hill e a mamãe terem pego você e a Liz naquela sala de reuniões. –Ally tinha um sorriso cínico enquanto provocava o irmão mais novo. –Foi o dia mais divertido do meu ano.

—Você é a pior irmã do ano, isso sim. –Erick resmungou. –Além disso, ao invés de cuidar da minha vida, devia era se preocupar com a sua falta de vida amorosa. Tenho certeza que mesmo sem nunca ter namorado a Valéria tem um histórico melhor que o seu.

A loira encarou a garota morena que deu de ombros.

—Sabe que não ligo para isso. –E pelo olhar sereno de Ally, Valéria não tinha dúvidas que era verdade. –Nunca senti necessidade de estar com alguém ou me interessei por outra pessoa.

—E você nunca se sentiu excitada ou algo do tipo?

Alison encarou Val um pouco surpresa.

—Bom, já, mas é diferente.

A loira hesitou.

—Como?

Dessa vez a inumana não olhou para a Richards ou para o irmão.

—É diferente quando tem o estímulo mental ou visual sobre sexo, não sei se entende o que quero dizer. –Val assentiu. –Mesmo assim nunca conheci ninguém com que tivesse alguma conexão para poder querer ou desejar passar de uma conversa, não que eu me sinta menos ou ache que estou perdendo algo. Pode ser que isso mude no futuro, pode ser que continue assim, pode até acontecer de eu encontrar alguém que me faça querer descobrir mais sobre isso, mas por hora estou bem.

—Parece bom ter esse tipo de compreensão sobre si mesma. –Valéria sorria de forma gentil para Alison que retribuiu com outro sorriso gentil. –Tenho certeza que não faço a menor ideia de como é me sentir tão bem sobre ser eu mesma ou como algo assim poderia me afetar.

Erick deu um tapinha leve no ombro de Val, o que chamou a atenção da garota.

—Não se preocupe com esse tipo de coisa. –Ele sorriu animado para a nova amiga. –Pense apenas que a partir de agora as coisas vão mudar e que você pode escolher seu caminho, descobrir mais sobre si mesma e, a melhor parte, decidir o que fazer com cada nova descoberta.

A loira sorriu.

—Acho que vocês têm razão. –Ela olhou ao redor. –Já que estamos na área médica, será que eu aproveito para fazer aquele check-up que a Hill pediu?

—É uma boa ideia. –Ally se adiantou. –Preciso fazer um também.

—Já vi que vou ficar esperando... –Mas Erick parou no meio da frase e sorriu. –Bom, talvez isso tenha alguma vantagem. –E saiu na frente das duas indo até outra garota.

Valéria encarou a cena curiosa, enquanto Alison ria.

—Conhece ela?

—É a Elizabeth. –Ally apontou para outra garota quase idêntica à primeira. –Aquela é a irmã dela, Leonora.

—Leonora?

—Marie Leonora, mas ela prefere Leonora ou Lya.

A Richards assentiu e seguiu até onde as gêmeas estavam, se preparando para uma (possível) longa bateria de exames.

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Alexa ofegou sentindo o peito queimar e então cuspiu sangue; Wolf correu na direção dela, a expressão culpada no rosto e a preocupação no olhar.

—Eu avisei que isso é problemático de controlar. –Wolf se aproximou da namorada e esticou a palma da mão na direção do peito dela. –Acessar a força de um Berserk é o equivalente a acessar o poder de umas dez mil bombas atômicas. –A luz fraca que brilhava em sua mão parecia fazer a ruiva respirar com mais facilidade. –Só que isso não vai te impedir de ser golpeada.

A garota assentiu.

—É um poder incontrolável. –Ela viu o garoto rir. –Qual a graça?

—Não é incontrolável, é temperamental.

—Qual a diferença? Você precisou socar o meu peito com força suficiente para colapsar meu pulmão para me fazer parar.

—E eu sinto muito por isso. –Wolf hesitou. –Não gosto de ter que fazer isso, mas agora que você é minha companheira esses poderes vão começar a aparecer e, quer eu goste ou não, te ensinar a controlar isso vai fazer com que você esteja mais segura.

Alexa acabou sorrindo.

—Essa parte eu entendi. –Ela tocou o rosto do namorado. –E eu sei que parar alguém descontrolado, mesmo alguém que você ama, às vezes significa machucar essa pessoa ou se machucar.

Wolf não falou nada, apenas desviou o olhar.

—O modo Berserk precisa de muita concentração. –Ele desviou o assunto constrangido. –Força de vontade e muito, mas muito autocontrole. –O sorriso dele foi irônico. –Não é diferente de ter que andar sobre cacos de vidro enquanto faz malabarismos.

—Eu me pergunto como você conseguiu controlar isso.

—Bom, eu nasci com esse poder, então foi bem difícil no começo. Eu sempre perdia o controle e saia quebrando tudo, machucando um monte de pessoas, causando mais problemas que qualquer um dos meus irmãos. Mesmo assim meus pais, Sif e a Ur sempre estavam lá para me parar e tentar melhorar meu controle, o limite que eu conseguia alcançar até virar uma máquina de destruição em massa. Sendo bem sincero, não é como se eu não perdesse o controle hoje em dia, apenas se tornou mais complicado de alcançar esse ponto e passei a usá-lo para questões muito específicas.

—Paladin passa por isso?

Ele afastou a mão confirmando que o pulmão dela estava novamente inteiro.

—Muito, embora um pouco menos do que eu na mesma idade, já que usamos muito do que aprendemos que funciona comigo com ela. Comigo teve muita tentativa e erro, então os problemas foram um pouco maiores do que acontece com ela e a Megara.

—Jason passou por isso?

—Ele tem uma ligação fraterna comigo, então...

—E por que não com a Ur?

Wolf encarou a namorada.

—Ela não é compatível.

—E você é? –Ele concordou. –Por que ela não é compatível com o Jason?

—Não sei. –Ele notou que Alexa não parecia acreditar. –Falo sério. Ninguém da família é compatível com o poder dela além do meu pai e mesmo assim... –Ele sentiu um calafrio percorrer sua espinha. –Não é aconselhável fazer os dois combinarem seus poderes, acredite. Coisas muito ruins podem acontecer se algo der errado.

—Porque mesmo seu pai não é completamente compatível com ela, não é mesmo? –O rapaz assentiu. –Nunca se perguntou por que o poder dela é tão diferente?

—Algumas vezes, não muitas.

—Não fica curioso? –Ele deu de ombros. –Você é muito despreocupado com coisas importantes, sabia?

Wolf uivou.

—Todo mundo diz isso, não que eu veja problema em ser o burro da família.

—Acho que essa posição é do Drake.

Ele a encarou surpreso.

—Obrigado.

Alexa ficou confusa.

—Pelo quê?

—Nunca tinha pensado que na verdade não sou o mais burro da família se considerarmos que sou parte da Família Real de Asgard.

—Bom, eu posso não ser a Claire, meu irmão ou o Tristan, mas nunca disse que não tenho meus talentos.

—Disso eu não tenho dúvidas. –Wolf levantou e estendeu a mão para a namorada. –Vamos encerrar por hoje.

—Estamos aqui a menos de uma hora, não podemos parar.

—Mas...

A ruiva segurou as mãos do namorado e o encarou.

—Eu já acessei a habilidade de Berserk uma vez, então o ideal é continuar um pouco mais. –O semideus não parecia muito convencido. –Se está preocupado em precisar me parar novamente, continue me dando as dicas de como manter a consciência pelo máximo de tempo possível. Posso não ser a Claire ou a Rasputin para aprender a fazer tudo depois de uma tentativa, ainda assim sou muito boa em aprender sobre lutas e outras coisas do tipo.

O rapaz suspirou vencido e depois a encarou sério.

—Se eu tiver que te parar mais duas vezes vamos encerrar por hoje, entendeu?

—Melhor do que parar sem tentar.

E sem dizer mais nada os dois voltaram ao centro da sala de treinamento com Wolf orientando Alexa a como acessar o seu novo poder e controlá-lo. Ficaram ali por mais três horas antes de o asgardiano ter que parar a namorada pela terceira vez depois de perder o controle.

E como a ruiva havia comentado, ela era boa quando queria.

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Andrew respirou fundo e deixou seu poder fluir de forma completa, transformando seu corpo em uma personificação de magma e fogo.

Ele encarou os alvos ao seu redor: robôs de treinamento que o atacariam para matar, mas não se preocupou. Deixou que os equipamentos o atacassem perfurando seu corpo com as mãos e as lâminas que tinham instaladas, só quando todos já tinham o acertado e um deles estava com a mão atravessada no seu rosto o inumano reagiu.

A fúria silenciosa do rapaz explodiu, literalmente, em uma onda de calor escaldante, fogo e lava, que ocupou toda a sala de treinamento, assustando algumas pessoas que olhavam através do vidro especialmente feito para suportar aquele tipo de ataque. Quando o fogo diminuiu e a lava assentou Andrew estava parado no meio de tudo sob a forma humana usando a bermuda projetada especialmente para suas habilidades.

Ele encarou o vidro e notou que sua madrinha estava ali.

Sentiu um pouco sem reação quando um robô assassino atravessou seu peito com uma lâmina e suspirou desanimado antes de derreter o metal, socando o equipamento de treino com muito mais força do necessário antes de seguir para a saída.

Entrou na sala de observação e recebeu o olhar duro da mulher mais velha.

—Não é por ser virtualmente imortal que deveria agir assim. –E May não estava mesmo feliz.

—Não queria treinar tia, só quebrar algo. –Ele suspirou para os visitantes. –Se bem que nem isso ajudou hoje.

—Você é mutante? –O homem mais velho no grupo de Clayton Booker, Carl, parecia surpreso.

—Não, na verdade sou Inumano. Existe uma mutante com poderes parecidos com os meus em vários aspectos, não que a Amara passe muito tempo por aqui, a semelhança dos nossos poderes me ajudou bastante algumas vezes.

—E você é imortal? –Clay parecia menos revoltado do que no dia anterior.

—Ainda não encontramos uma forma de me ferir, então, para todos os efeitos práticos, sim.

—Quando você ganhou seus poderes? –O jovem Booker realmente estava ansioso.

—Foi a uns seis anos, então acho que tem pouco tempo até. –Andrew notou o olhar dos visitantes. –Inumanos ganham seus poderes ao passar pela Terrigênese, então os poderes podem surgir no começo da infância se algum imprevisto acontecer, em qualquer momento da adolescência até os vinte e um anos com base no que as avaliações determinarem, durante a vida adulta devido a outros motivos ou na velhice, se algo der muito errado.

—E os mutantes? –Clay parecia mais ansioso que antes.

—A maioria ganha os poderes durante a adolescência, embora existam relatos de jovens adultos e adultos que despertaram os poderes de forma tardia devido a traumas e estímulos variados. Nos últimos anos casos como o da Claire de pessoas que já nascem com as mutações ativas têm se tornado mais comuns, especialmente se um dos pais já for mutante. –Não que Andy não entendesse aquilo, também não via problemas em ajudar.

—E vocês acham mesmo que podem me ajudar a ter um emprego em que não vou ser julgado pela minha aparência? Eu pareço um monstro. –Havia uma leve irritação na voz de Clayton.

Mas tudo que Andrew fez foi sorrir e encarar May.

—Ninguém mostrou uma foto do Matthew Maines antes e depois para ele? –A mulher mais velha negou e Andy encarou o novo mutante. –Se você acha que é um monstro agora, espera só até conhecer o seu futuro chefe.

—Você tá brincando comigo?! –O rapaz gritou irritado.

O inumano não ligou e foi até o servidor da sala digitando algo e colocando um vídeo na tela ao lado de uma foto de identificação de um jovem homem de cabelos escuros muito bonito e simpático.

—Conheça Matthew Maines, agente da Shield diagnosticado com um raro e agressivo tipo de câncer cerebral. –Ele encarou Clay. –A doença evoluía a uma velocidade absurda e os tratamentos não tiveram efeitos, mesmo com três cirurgias em menos de seis meses. Então ele e a família decidiram arriscar o uso do HCM que te deram. A mãe e o irmão trabalham aqui também, mas a esposa dele é civil, mesmo assim ela apoiou, independente dos efeitos ela queria que os três filhos tivessem o pai ao seu lado.

O vídeo começou a rodar e todos puderam ver o momento em que o homem debilitado e de aparência quase morta recebia a injeção no coração antes de ser deixado sozinho no quarto.

Toda a família Booker pode reconhecer o que acontecia, menos Clayton, pelo que tinham visto no dia anterior pelos monitores. A grande diferença era que as mudanças de Matthew Maines eram, de longe, muito maiores do que as que Clay havia passado.

O corpo do homem no vídeo mais do que triplicou de tamanho e ficou coberto de pelos cinza, seus braços ficaram mais longos do que o esperado, seu rosto foi deformado até adquirir uma leve semelhança com algum tipo de símio. Seus ossos pareciam quebrar e algo como chifres cresceram contornando sua cabeça, suas orelhas se tornam pequenas para o seu tamanho descomunal e partes de sua mão e pés também se deformaram de forma pouco convencional.

Os gritos de dor de Matthew ecoaram pelos alto-falantes da sala e deixaram Clayton ofegante e assustado.

Ao final da gravação todos puderam observar Matthew Maines diminuir um pouco de tamanho até ter o dobro do tamanho que tinha antes de ficar doente. Tudo em sua aparência agora lembrava a fusão de algum tipo de símio com um humano, especialmente o corpo coberto de pelos e o rosto.

—Ele ainda é casado, se você quer saber, e teve mais dois filhos depois disso, embora a vida dele tenha mudado bastante. Matthew era um agente de infiltração como poucos e teve que mudar completamente de função, fazer novas faculdades, mudar de estado e refazer toda a vida dele com a família. –Andrew suspirou um pouco cansado. –A mulher dele acabou aceitando um emprego como professora de filhos de agentes na instalação em que ele foi chefiar, mas o próprio Matthew não vai até a cidade para não causar nenhum problema com os moradores, e olha que para todos os efeitos o cara é um legítimo herói americano. Ele até aprendeu a diminuir um pouco mais o próprio tamanho, mesmo assim, tem muita consciência de que não é mais o mesmo de antes.

—Ele... Ele não ficou com raiva? –Clayton estava confuso.

—Um pouco, pela sua falta de sorte com a loteria de mutações, no resto ele ficou aliviado. –Andrew desligou as imagens.

—Aliviado? –Brandi comentou pela primeira vez.

—Bom, por ter dado tudo certo e ele estar vivo para, pelo menos, ver os filhos crescerem. –Andy encarou os visitantes. –O câncer o Matthew foi bem agressivo e quando ele estabilizou tinha perdido quase um mês de acontecimentos, incluindo os momentos antes da aplicação, mesmo estando consciente na hora. –O rapaz olhou para a madrinha. –Agora que eu terminei, vou indo. Tenho um turno para começar.

—Pode ir. –May não falou mais nada.

Quando Andrew já estava para sair, Clayton perguntou um pouco receoso.

—Você não acha que somos monstros? –O inumano o olhou curioso. –Eu e você, Matthew Maines e a tal de Claire. Sabe, todos nós.

Andy sorriu.

—Claro que somos monstros. Somos humanos depois de tudo.

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O silêncio depois da saída de Andrew foi constrangedor para todos.

—A senhora acha que ele tem razão? –Brandi encarou Melinda. –Sobre todos os humanos serem monstros.

—Provavelmente. –A mulher asiática deu de ombros. –Uma vez matei uma criança de uns dez anos cujos poderes tinham saído de controle e poderiam machucar muita gente. Acho que passei quase uma década me culpando por isso antes de entender que, no final, certas coisas tem que ser feitas, se não por quem teve que fazer por outra pessoa e, no meu caso, se não fosse eu teria sido outro a matá-la.

—Somos todos monstros lutando para sobreviver. –Todos olharam surpresos para Carl Booker. –Meu pai disse isso uma vez, quando meu primo despertou os poderes e um dos parentes o chamou de monstro. –O homem suspirou. –Ele nunca deixou claro isso, mas parecia gostar dos mutantes e outros parecidos, talvez por ter estudado medicina e conhecido alguns mutantes muito inteligentes. Acho que ele chegou a se corresponder com um deles por alguns anos antes de ser amigo de um mutante virar tabu para muitos, embora ele tenha empregado um rapaz que foi seu assistente por anos.

—O jovem Collins. –A senhora Booker comentou. –Ele era tão amável e habilidoso com os curativos, além de nunca ter errado um ponto nas cirurgias que auxiliou seu pai.

—Depois que descobriram que ele era mutante meu pai precisou mandá-lo embora ou as pessoas teriam atacado nossa família. Minha mãe ficou brava quando descobriu que meu pai sabia sobre a condição dele e mais ainda quando soube que meu pai deu um valor grande para o Collins partir em segurança e tranquilo. –Carl Booker encarou o filho. –Acho que foram uns dez mil, o que para época era uma verdadeira fortuna, não que seu avô tenha ligado, ele preferia ter conseguido manter Collins e ajudá-lo do que ter feito o que fez. –Ele suspirou. –Meu pai é um homem muito mais sábio do que eu mesmo posso ser.

—O vovô alguma vez comentou qual era o poder do Collins? –Clayton parecia curioso.

—Não de verdade, mas uma vez ele deixou escapar que se ele pudesse ter feito mais, as habilidades médicas do Collins aliada aos seus poderes poderiam ter salvo mais vidas do que qualquer um poderia calcular. Suponho que ele tinha alguma habilidade de cura ou similar, embora pelo que ouvi de alguns conhecidos, essas habilidades sejam bem difíceis de controlar e usar. –Carl não parecia preocupado com aquilo.

—Então pode ter alguém que pudesse ter me curado? –Clay encarou May que suspirou.

—Sim e não. –Melinda colocou a foto de uma jovem de pele branca como papel com marcas pretas pelo rosto, olhos negros e careca na tela do servidor. –Sussan é a única mutante com poderes de cura que consta nos registros de recrutas da Shield e por ser muito jovem seus poderes ainda não são fortes o bastante. –Ela encarou o jovem Booker. –No momento ela é muito boa com ossos quebrados, cortes superficiais e médios.

—Quantos anos ela tem? –Clay parecia confuso ao encarar a imagem da garota.

—Ela tem dezesseis. –Outra foto de uma jovem de pele negra, com longos cabelos cacheados e um sorriso brilhante surgiu na tela. –Sua mutação surgiu a pouco mais de três anos quando ela e a mãe foram atropeladas por um motorista bêbado. –Um vídeo de trânsito surgiu na tela mostrando o evento. –Sussan foi arremessada, mas, considerando tudo, os ferimentos foram leves a primeira vista, e ela voltou até a mãe que estava em um estado crítico, sendo bem sincera a mulher ia morrer. Enquanto ela tentava ajudar a mãe, os poderes dela despertaram como um surto poderoso e a mulher estabilizou, o que deixou todos ao redor chocados, para dizer o mínimo, já que as mudanças físicas aconteceram ao mesmo tempo.

—Tá me dizendo que essa garota negra e a mutante que é literalmente mais branca que uma folha de papel são a mesma pessoa? –Melinda assentiu e Clayton pareceu mais chocado. –Como? A mutante é careca, tem marcas tribais como tatuagens pelo rosto e até a esclera dela é preta.

—A mutação alterou a aparência dela. –Carl encarou o vídeo com mais atenção. –O cabelo dela caiu ali e a pele mudou completamente, não ficou nem sombra de algo humano como característica na pele dela. Isso é… Assustador e incrível ao mesmo tempo.

—Eu não posso dizer que o senhor está errado, apenas peço que não diga algo assim próximo aos mutantes em geral, alguns são bem sensíveis com as mudanças pelas quais passaram. Especialmente a Sussan, que depois de tudo ainda foi presa, abandonada pela família e quase teve um final bem ruim. –May colocou a foto de um mutante azul com cara de animal selvagem. –O doutor McCoy foi um dos mutantes encarregados de ir com os agentes da Shield resgatar Sussan, ele é um grande geneticista e também um colaborador de longa data dos estudos e tratamentos para mutantes na medicina.

—Será que eu consigo conversar com ele? –Todos encararam Carl surpresos. –Eu não sou um grande pesquisador de questões mutantes, sou mais um curioso de ocasião, acho que já passou da hora de aprender mais sobre tudo que puder.

—Sei que diz isso pois agora a realidade mutante faz mais parte da sua família do que antes… –E Carl não negou a observação de May. –No entanto creio que o doutor McCoy não vai recusar um aliado sincero em suas pesquisas, embora eu possa garantir que ele vai ser bem severo quanto às informações liberadas e acesso a qualquer aluno do Instituto.

—Sobre o Instituto… –Brandi falou timidamente. –Será que podemos visitá-los nos próximos dias? –Ela hesitou. –Se realmente existem chances dessa criança ser mutante, talvez seja bom conhecermos a escola e os professores.

May acabou se compadecendo da jovem que vinha passando por diversas situações difíceis.

—Acho que eles não vão ter problemas com isso, então vou verificar o melhor dia para tratarmos disso e, se for possível, o doutor McCoy poderá fazer alguns exames complementares para a sua gestação, caso tenham interesse. –Ela encarou os demais membros da família Booker. –Querem saber mais sobre a oportunidade que estamos oferecendo ao Clay? –Todos assentiram. –É uma instalação relativamente isolada onde cuidamos de diversas...

E uma longa explicação se iniciou enquanto o grupo seguia para uma sala de reuniões onde Melinda May apresentou imagens da grande instalação e das atividades que deveriam ser executadas. Muitas envolviam força bruta, outras faculdades em diversas áreas e algumas toneladas de serviços administrativos. Clayton poderia se capacitar para todas as áreas, tudo dependeria da avaliação de Matthew Maines, e nenhum deles ficou particularmente incomodado com o que foi apresentado.

Na verdade sentiram que aquilo era muito mais do que qualquer outra pessoa poderia receber no lugar de Clay.

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Valéria acabou se separando de Ally e Erick depois dos exames, principalmente porque o seu check-up foi muito longo, uma vez que Hill não queria deixar nenhum detalhe para trás antes de permitir que a garota decidisse o que queria fazer da vida. Não que ela não entendesse, sabia que seu tio Victor teria adorado aquele cuidado adicional se estivesse ali, só que foi um pouco mais cansativo e constrangedor do que a Richards esperava.

E seu nome era outra questão que ela conseguiu resolver na ala médica.

A garota ficou surpresa com várias perguntas que lhe foram feitas na hora de registrar seus dados, mas a principal, com certeza, foi sobre como queria ser registrada.

Hesitou por um momento e a jovem médica que a atendia perguntou se ela queria mais tempo para pensar.

E essa compreensão foi o que fez Valéria decidir.

Tinha escolhido um nome de heroína há muitos anos com Damian, algo bobo, mas que sempre a fazia sorrir quando seu padrinho a chamava de joia preciosa quando era criança.

Jewel.

Era algo que podia acabar nunca usando, ainda assim era só seu.

E por fim registrou seu nome de acesso a Shield, algo que a fez sorrir ao dizer em voz alta, pois sabia que era o certo.

Valéria Von Doom.

Valéria Meghan Von Doom.

Em seus registros constariam os nomes de seus pais biológicos e de seu padrinho nas devidas funções, mas agora ela não precisaria mais ouvir ninguém a chamando de Valéria Richards pelos corredores. Não quando seus registros diriam Von Doom.

Para ela aquilo era liberdade.

Sempre estaria ligada a Reed e ao passado conturbado dos dois pelo sangue que corria em suas veias, não significava que seu nome também precisaria ligá-los. Essa certeza a fez sorrir muito mais do que esperava, chamando a atenção de toda a equipe médica que a atendeu.

A garota saiu da ala médica animada e com fome.

Seus exames levaram quatro horas e o almoço já devia estar servido no refeitório.

Não era algo completamente novo para Val, ter a opção de cozinhar sua comida ou comer junto com outras pessoas, Victor Von Doom garantiu que ela e Damian soubessem o valor de se preparar uma refeição com as próprias mãos e de trabalhar em grupo para comerem durante as caçadas anuais e mesmo durante a guerra dizendo que “todos devem saber servir e serem servidos para aprenderem a valorizar o que tem”.

Seu padrinho podia ser um homem bem rígido e severo com algumas coisas, mesmo assim ela sabia que ele era um bom governante para a Latvéria. Ainda que ele não tivesse feito questão de que o resto do mundo gostasse dele, o que às vezes causava mais problemas do que o necessário; não que houvesse muito o que fazer quando todos gostavam de ter Victor como o vilão, independente do que realmente estava acontecendo.

Valéria seguiu na direção do refeitório, lembrando que sua geladeira ainda estava vazia, salvo por leite e suco. Precisaria comprar algumas coisas além dos cereais que Mack e Elena colocaram em sua despensa, e lembrar de agradecer a eles por terem feito isso.

Ela estava virando em um corredor próximo ao mezanino VIP quando bateu contra outra pessoa e ambos foram ao chão.

A garota ficou confusa.

Tinha sentido algo reagir a sua magia elétrica e poderes, como se aquela pessoa estivesse recoberta de metal.

Notou que aquela pessoa já parecia recuperada e vinha na sua direção.

—Caramba. Desculpa. Eu estava procurando o…

Ele parou a observando surpreso e ela hesitou quando seus poderes se agitaram.

O garoto tinha olhos verdes muito gentis e ainda assim atentos, que lembrava muito seu padrinho e Damian, além disso, ele era bonito. Não como Erick ou Damian, e sim de uma forma que fez o coração de Valéria acelerar perigosamente.

O rapaz se ajoelhou ao lado dela, tocou seu rosto de forma delicada e sorriu para Val que soltou a respiração que nem lembrava de ter prendido sorrindo de volta.

Ele se inclinou na direção dela e beijou o canto de sua boca.

E Valéria soube naquele momento que seu pai iria matá-la, especialmente depois que viu Franklin surgir atrás do garoto quando ele se afastou.

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Robert sabia que não era como seus amigos.

Claro, ele gostava de bancar o cara comum e, na maior parte do tempo, não era bem como se isso fosse mentira.

Gostava das coisas simples, de ir para a escola só para ver as outras pessoas e fazer de conta que estava estudando, depois ir para a Shield e realmente estudar. Adorava se divertir com os amigos e da companhia deles, mesmo com as confusões que eles costumavam arrumar (e nas quais ele sempre entrava sem reclamar, afinal eram seus amigos).

Além disso, era um romântico incorrigível.

Parte era culpa de todos os relacionamentos que via.

Não apenas seus pais, mas seus tios de modo geral, todos apaixonados e unidos, mesmo quando brigavam ou tinham problemas.

Sonhava com aquilo.

Claro que não dizia isso para quase ninguém, afinal, seria muita humilhação ouvir sua irmã fazendo pouco-caso daquele sonho. Mesmo assim, ele sabia que Nathan e James o entenderam na única vez que comentou isso, talvez porque ambos desejavam o mesmo.

Por isso ele não dava importância ao sexo e conseguia se controlar mais do que a maior parte dos amigos, queria estar com alguém de quem realmente gostasse e suas três experiências com garotas foram tão frustrantes quanto irritantes (odiava ter que ser grosseiro ao negar um segundo encontro depois do ato quando tudo já havia sido previamente acordado, mas era difícil quando a insistência beirava a ameaça).

E verdade fosse dita, Robert nem ao menos estava pensando nisso quando a viu, ou sendo mais específico, quando os dois bateram um contra o outro ao virarem no corredor que levava ao mezanino VIP; mesmo assim ele soube no momento em que realmente a viu.

Não era um idiota que acreditava em um simples amor à primeira vista, arte do cupido, amor predestinado ou almas gêmeas. Sabia muito bem sobre a compatibilidade hormonal que seu cérebro registrou muito mais rápido do que seus reflexos quando caiu, entendia que seu coração acelerou com a carga de hormônios e adrenalina liberados pelas suas glândulas e que fizeram sua pressão sanguínea subir um pouco junto com seus batimentos cardíacos.

Ele entendia tudo isso e mesmo assim sabia que era ela, porque nunca tinha se sentido dessa forma ao ver outra garota em sua vida.

Robert sabia que era idiota pensar assim tanto quanto tocar o rosto dela sem autorização ou beijar o canto de sua boca e mesmo que não fosse tão impulsivo ou irresponsável quanto os amigos, também não era perfeito.

A prova disso veio quando alguém o puxou e ele foi arremessado contra a parede, levando um soco em seguida. Aquilo teria doido de verdade a quatro anos, mas naquele momento apenas o incomodou um pouco, mesmo assim ficou confuso ao ver que Franklin era seu agressor.

Felizmente o Romanoff era muito bem treinado, muito mais do que o Richards, e desviou do segundo soco para em seguida revidar.

Franklin não esperava que ele agisse tão rápido e hesitou.

—Ficou maluco Richards? Que diabos você pensa que tá fazendo atacando os outros assim?

—Você que tava beijando a minha irmã, seu canalha.

Robert olhou para a garota.

—Valéria?

—Ah, sim. Acho que a gente não teve tempo de se apresentar. –A garota parecia envergonhada.

—Você tava beijando um cara que acabou de ver e nem sabia o nome? –Franklin olhou para a irmã incrédulo. –Ficou maluca? O papai vai te matar quando souber e depois é capaz dele mandar o seu cadáver para o ártico.

—Reed não tem que mandar em nada na minha vida. Hill já avisou que a Sue vai assinar a minha emancipação e vou ser completamente livre da sua família, então ninguém lá precisa se preocupar com o que faço da minha vida. –Não que Valéria estivesse disposta a facilitar as coisas para qualquer um.

—Nós somos a sua família! E eu não entendo porque não pode ficar com a gente. –Frank estava confuso.

—Não faça drama. –O Richards olhou assustado para o tom frio da irmã. –Você nunca se importou comigo, nunca me ligou ou respondeu meus e-mails. Só tinha notícias de casa quando eu ligava e mesmo assim você sempre fugia, fiquei sabendo do seu namoro depois de um ano, então nem tenta bancar o irmão preocupado, isso não combina com você.

—Eu… –Franklin encarou Robert. –E por que estava beijando ele?

—Na verdade, eu só beijei o canto da boca dela. –O Romanoff deu de ombros. –Foi no impulso e eu nem pensei na hora, só… –Ele sentiu seu rosto esquentar e sorriu para Valéria. –Pareceu tão certo na hora, sinto muito se te ofendi ou parecia ser um maluco. Se bem que eu faria de novo se tivesse a opção de alterar alguma coisa.

Valéria acabou rindo daquilo.

—Bom, foi estranho, mas… Foi fofo e eu meio que achei você legal quando te vi. –Ela sorriu para Robert e depois foi até ele segurando sua mão. –Ally e Erick estavam me guiando em um tour por aqui, só que acabei me separando deles e estava indo para o refeitório, me acompanha?

O sorriso de Robert foi iluminado e o coração de Valéria acelerou novamente.

—Eu vou adorar.

E o entusiasmo na voz dele fez Franklin ter certeza que seu pai não ficaria nada feliz com as novidades.

Talvez fosse uma boa ideia passar o resto da semana no Instituto. Scott era muito menos problemático que Reed no final.

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Tália suspirou cansada e assustada.

Estava evitando Cassandra na maior parte do tempo, agradecendo cada horário de aulas que ela tinha que cumprir, o que era muito ruim, já que a hora depois do almoço estaria livre.

—Sério, você tem que comer. –Ela encarou Cassie e engoliu em seco, o que fez a mais nova rolar os olhos. –Vamos continuar com isso? Eu não mordo e, depois de tudo, você tem até o sol se pôr para me pedir em namoro.

A mutante ficou confusa.

—Espera, pôr do sol? Te pedir em namoro?

—Sim. –Cassie não hesitou. –Ou eu vou ter que fazer isso também? –Ela encarou Tália. –De verdade, achei que você já tinha entendido isso.

Tália sentiu seu rosto queimar.

—Eu sinto muito.

Cassandra suspirou.

—Às vezes, você é muito devagar. –A loira sorriu. –Quer fazer algo depois do almoço?

A morena hesitou e depois sorriu.

—Quer dar uma volta? –Ela viu a confusão de Cassie. –Posso pedir autorização da Hill.

—Algum lugar em especial?

—Talvez o Central Park ou alguma lanchonete, mas se tiver alguma outra ideia, podemos usar.

—Sem o holo?

A mutante azul hesitou e encarou a própria mão antes de voltar o olhar para Cassandra.

—Tem certeza?

A loira segurou o pulso da mais velha.

—Tenho.

—Então eu vou conversar com a Hill assim que terminarmos de comer.

Cassie sorriu e Tália sentiu seu peito apertar de uma forma que era aconchegante e dolorosa.

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James conseguiu deixar Daniel sob os cuidados de Rachel, o que significava que ele tinha a tarde livre até a reunião de monitores.

Ele ignorou os outros alunos, colegas e professores mais velhos no seu caminho para a estufa, parando apenas para escrever uma mensagem rápida para as três professoras que poderiam procurá-lo.

“Estou na estufa.”

O Howlett sabia que nenhuma delas o procuraria se não fosse importante, então não seria incomodado tão cedo. Deixou o celular na prateleira junto com o relógio, tirou a blusa e a camiseta pegando a regata suja que deixava ali. Precisava parar, pensar ou relaxar, talvez apenas esquecer que tinha algo para lidar, os detalhes daquilo não eram importantes.

Pegou a tesoura seguindo até as roseiras e observando as flores, algumas um pouco murchas e outras mais novas, ainda desabrochando.

Começou a cortar devagar, separando as murchas das que ainda desabrocharam e, quando terminou com aquilo, puxou uma cadeira para tirar os espinhos das rosas novas. Fez isso até terminar a última rosa e depois voltou para as murchas com um olhar calmo, como se seu plano fosse muito óbvio.

James pegou a primeira das rosas murchas, tirando as pétalas com cuidado e separando as mais bonitas e inteiras daquelas que já mostravam desgaste ou estavam muito danificadas. Separou todas em cores e depois colocou água nas vasilhas, deixando junto a outra mesa, quando Jean e Ororo tivessem um tempo, mais tarde ou no dia seguinte, poderiam usar as pétalas para produzir corante ou a essência perfumada que era usada na limpeza com as flores de lavanda.

Pegou as pétalas murchas, os caules descartados, os espinhos e as folhas velhas colocando tudo na compostagem para item “novos”, deixou o contêiner ali e pegou o mais antigo, onde o adubo natural já estava pronto há algum tempo. Abriu o recipiente e começou a colocar em outros vasos, onde várias mudas de aloe vera haviam sido replantadas havia poucos dias por Ororo.

Não se importou com a hora quando finalmente deixou as plantas de lado e tirou uma das telas do armário de tintas depois de limpar as mãos na regata velha.

Colocou o quadro em branco no apoio e observou a tela por um longo tempo, absorvendo a imagem que tinha em sua mente enquanto a projetava contra a peça pensando em cada pincelada. James pegou as tintas e pincéis depois de algum tempo e os colocou sobre a mesa de apoio, separou a paleta para as tintas principais e começou a espalhar uma camada aparentemente desordeira de tinta nas cores vermelho, perto, rosa e cinza, deixando as cores mais escuras próximo a bordas.

No centro da tela as cores eram mais claras, deixando o branco da peça quase visível demais, a tinta ainda estava fresca demais para continuar naquele momento, mesmo que usasse um material de secagem rápida o tempo não iria diminuir. Tirou a tela nova do apoio e a colocou de lado, pegando outra peça, dessa vez no seu quarto pessoal, e voltou sua atenção para o espaço livre entre as cores escuras da noite, da cerca e o reflexo de azul da fonte de água oculta na imagem.

Trocou a paleta de cores e pegou uma com tons de rosa, bege e amarelo com algum marrom e branco. Parou observando o espaço antes de começar a trabalhar na cena que havia idealizado há alguns dias, traçando as curvas do tronco, o pescoço delgado, os seios fartos, os braços que se estendiam como se tentassem alcançar alguém que estava além da pintura.

Observou aquela cena, focando no que pintava e não na lembrança excitante em sua mente, se concentrou em pintar a forma do rosto e, deixando os detalhes para depois, acrescentou os longos fios castanhos ondulados caindo pelas costas e um pouco sobre os seios. Respirou fundo e deixou o corpo, e seus detalhes, de lado.

Pegou a tinta verde e branca começando os detalhes difusos do fundo próximo a cerca, o que seria claramente a lembrança de plantas próximo ao piso de pedra pintado de forma quase irreconhecível. Acrescentou alguns detalhes como se fossem flores mais destacadas e usou o dedo para respingar um pouco de tinta como flores menores nas cores amarelo, vermelho, laranja e branco.

James tomou um passo de distância e observou o trabalho sabendo que ainda não havia terminado. Precisaria de horas para poder acrescentar os detalhes do rosto dela, o rosto de Helena.

Fechou os olhos, lembrando dos detalhes da cena que pintava, da forma como o corpo dela se movia sobre o seu enquanto estavam a beira da piscina em Miami, da respiração acelerada dela, de como seu próprio corpo a mantinha junto de si enquanto se mantinha firmemente sentado com ela o agarrando com força o suficiente para arrancar sangue de seu pescoço.

—Eu espero que você não vá expor isso.

James se virou assustado, mostrando as garras e sendo parado por uma corrente elétrica.

Ele observou assustado Ororo e Jean.

—Muito distraído? –Jean não parecia preocupada em fazer outro comentário.

—Um pouco e, respondendo sua pergunta, meus quadros geralmente não são feitos para serem expostos.

—Imaginei algo assim. –A ruiva se aproximou um pouco do quadro. –É bem claro o que se passa pela sua cabeça com isso, embora não tenha certeza se todos compreenderiam. –Jean o encarou. –Vai terminar quando?

—Outro dia ou mais tarde. –James se virou para Ororo. –Algum problema?

—A reunião vai começar em quinze minutos. –O Howlett ficou surpreso. –Emma disse que você provavelmente desligaria o alarme e que teríamos que te lembrar. –Ele ficou envergonhado. –Guarde os quadros na sua sala e vá tomar um banho rápido.

—Valeu tia.

James pegou os dois quadros e colocou dentro da sala de pinturas, pegou sua blusa e camiseta limpos e saiu correndo até seu quarto, onde tomou um banho rápido, focando em lavar as mãos, braços e o tronco para tirar a sujeira do trabalho na estufa.

Enquanto se vestia notou uma pequena pedra de energia sobre seu criado-mudo.

Hesitou ciente de que aquilo era obra dela.

Ficou observando a peça de energia por cerca de dois minutos antes de a pegar e guardar no bolso da bermuda que usava.

Ele sabia que o fato de precisar de uma definição para sua relação com Helena não o faria deixar de amá-la da forma intensa e dolorosa que sempre o atormentou, mas precisava colocar um limite naquilo. Ainda não sabia bem qual seria, só que não poderia adiar por muito mais tempo se desejava salvar o que tinham.

Vestiu a camiseta e saiu para a reunião dos monitores.

Talvez aquilo o ajudasse a realmente não pensar em Helena por algum tempo.

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Continua...

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No próximo capítulo: Calmaria.

Notas finais
Desse ponto em diante estou desenvolvendo um pouco mais outros núcleos e personagens, além de salientar as diferenças entre esse universo, o das séries (que por algum motivo idiota estão se tornando não canônicas no MCU), o MCU, o universo regular das HQs e o universo Ultimate (o segundo mais importante da Marvel). Então não estranhem se os personagens parecerem cada vez mais diferentes em alguns momentos (os que nasceram nas HQs) ou se eu optar por mecênicas diferentes (tudo bem, estou fazendo isso desde o começo, mas vocês entenderam).