Marvel Universe: All Different World
28 Capítulo XXVIII: Outros Lados de Um Longo Dia.
Notas iniciais
Data Terrestre: 07 de Outubro
Assim que desligou o celular Claire suspirou.
A ligação tinha acordado ela e Laura com um susto e a morena ainda estava com o rosto enterrado no travesseiro.
Claire achou graça naquilo.
Ela realmente achava fofo as pequenas coisas, como desmaiar de exaustão na cama ou acordar como rosto pressionado no seu peito, ainda faziam Laura ficar constrangida, embora entendesse isso.
No seu primeiro relacionamento a adaptação foi lenta, mesmo que seu namorado fosse um cara pra lá de legal e compreensivo. O segundo, com uma garota, não foi diferente do primeiro. Só no segundo se acostumou com algumas coisas, mas como nenhum dos namoros depois do primeiro foi realmente bom às vezes Claire se pegava admirando os detalhes como se fosse a primeira vez.
Ela acabou rindo antes de tocar os cabelos de Laura que levantou o rosto do travesseiro parecendo menos desconfortável que o normal.
—Ouviu tudo? –Laura concordou. –Já avisei que você só vai voltar depois que tudo tiver terminado.
—Obrigada. –Claire arqueou a sobrancelha e Laura achou graça. –Por falar com elas, eu... –Suspirou. –Não sei se conseguiria. –Sentou na cama, dessa vez sem se importar com o lençol. –Eu ainda tenho sonhos e flash’s do meu procedimento, não quero imaginar ver isso de fora. Eu lembro da dor.
Claire tocou o rosto de Laura e ela sorriu.
—A Rose vai ficar bem, ela é o resultado perfeito da teimosia dos Howlett com as Frost.
As duas riram e Laura puxou Claire para um beijo.
Quando as duas se afastaram a loira sorria.
—O que vamos fazer hoje?
Laura sorriu diante da pergunta e olhou no relógio, eram nove horas.
—Ainda é cedo e é sábado, a Shield só vai começar as aulas para vocês na segunda. –Laura enlaçou o pescoço de Claire. –Eu gosto da ideia de ficar aqui por mais algumas horas e depois arrumar outra coisa como encontrar a Chris e o Andy. –Ela beijou a loira e sorriu. –A não ser que tenha outra ideia.
Claire riu e beijou a morena ainda sorrindo.
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Andrew ficou esperando Christine reagir além da expressão de frustração intensa por, pelo menos, dois minutos.
Teria esperado mais se a namorada não tivesse acertado o punho no criado-mudo trincando a madeira, a mão dela havia se revestido automaticamente, como sempre.
Ele se moveu na direção dela e passou os braços ao redor da cintura de Christine.
—Vai me contar?
Ela suspirou frustrada.
—Rose vai passar pela infusão de adamantium hoje.
Andrew tentou não se sentir medo, sabia as histórias sobre o projeto Arma X e como isso deu origem não apenas a muitos dos inimigos do Logan, como até onde sabia deu origem a Laura.
—Vai dar tudo certo, ela é tão teimosa quanto você ou sua mãe.
Chris riu.
—Essa meio que é a minha preocupação.
Andrew se afastou um pouco dela e de forma paciente a fez ficar de frente para ele.
—A Rose foi avisada, todo mundo tentou o melhor para fazer a sua irmã mudar de ideia. Cara quase socou ela e as duas são unidas psiquicamente. Sua mãe, Logan e Laura falaram com ela sobre dor e os perigos, na verdade a Claire até socou a Rose com força e sem nenhuma piedade para ela ter uma vaga ideia da dor que seria.
—A Claire estava com o punho de diamante. –A garota comentou.
—Eu sei. –Andy suspirou. –Até eu tentei de alguma forma convencer a Rose a desistir disso e o James ficou duas semanas sem falar com ela, sabe como é difícil para ele dar uma de malvado com vocês? –Christine riu e Andrew acariciou o rosto dela encostando suas testas. –Tudo que podemos fazer agora é esperar o melhor para Rose.
Ela suspirou e se afastou esticando a mão até o criado-mudo para pegar a garrafa de água. Assim que terminou de beber Christine voltou a encarar Andrew.
—Obrigada.
Ele riu.
—Por te ajudar a manter a sanidade quando alguém que você ama resolve fazer algo idiota? –Andrew a abraçou. –Achei que fosse por detalhes como esse junto do fato de que nos amamos que fizeram a gente se casar.
Christine sorriu e beijou Andrew.
Ele não precisava ser muito inteligente depois daquilo para saber que voltariam exatamente ao mesmo ponto que algumas horas antes. Já namoravam a muito tempo para saber que sexo não era apenas prazer com a namorada.
Para as Frost, e a própria Emma disse isso para ele, sexo era uma forma de expressão de todos os sentimentos e Andrew aprendeu a identificar muitos ao mesmo tempo.
Ele sabia que Christine sentia gratidão e alívio por ele estar ali, frustração pela irmã e ansiedade pelo que viria.
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Assim que recebeu a notícia James saiu da arena de treino irritado.
Queria descer no laboratório do McCoy, arrancar Rose do tanque, jogá-la na traseira da caminhonete e levar a irmã para o mais longe possível de qualquer pessoa que pudesse realizar a infusão de adamantium como ela queria.
Claro que mais de meia hora depois do aviso isso não teria muito efeito, então o garoto apenas abandonou a sala cheia de alunos sob os protestos de alguns deles e foi até a sala de Scott ainda meio possuído de raiva. Ele abriu a porta sem bater, o que assustou o diretor.
—Pode cancelar todas as minhas turmas até amanhã.
Scott ficou confuso por alguns minutos antes de finalmente reagir.
—Não pode fazer isso James, os alunos...
—Que se fodam os alunos. Não ligo pra porra nenhuma agora e não ligo para o que você ou eles querem. Eu tô é puto da vida e quero ficar em paz. –O garoto respirou fundo. –Mentira, eu quero que aquela desmiolada me ligue ou me procure pra eu poder transar com ela até desmaiar.
—De quem diabos...
—Esquece. –James tentou se acalmar, mas era difícil fazer isso naquele momento.
—Como assim “esquece”? Você está muito transtornado e ainda fala de alguém com quem quer transar de uma forma que é perigosa como se não fosse nada. Claro que eu não vou esquecer.
James bagunçou os cabelos, irritado.
—Olha, só cancela as minhas turmas e esquece sobre ela, é só complicado e me deixa frustrado pensar nisso. O que só piora com a ideia da Rose.
Scott suspirou.
—Tudo bem, faça como preferir.
Ele se virou pronto para sair da sala do diretor quando lembrou de algo.
—Christine e Laura não devem voltar até amanhã, o que significa que a Claire não vem hoje.
O diretor suspirou vencido.
—Tudo bem James, eu dou um jeito. –O homem suspirou. –Só preciso que alguém apareça, porque todos vocês resolveram sumir hoje e sábado é dia de atividades extracurriculares.
James riu.
—Quanto a isso não posso ajudar, mas sugiro que dê o dia de folga para os outros alunos.
E com isso o garoto saiu da sala de uma vez.
Ele ainda andava como se possuído de raiva quando Olivier LeBeau trombou com ele sendo seguido por Rebecca LeBeau, as duas pestes do Instituto.
—Presta atenção Howlett. –Os dois gritaram parecendo irritados.
Para o azar deles não era o dia de paciência de James que puxou os dois e ergueu ambos pela gola das camisetas como se fossem dois fantoches de pano.
—Prestem atenção vocês seus imbecis. Eu tô puto da vida hoje e não gosto de vocês quando estou de bom humor, hoje menos ainda. Então não torrem a minha paciência e façam o favor de agirem feito os humanos decentes que sei que vocês não são ou realmente sou capaz de quebrar os dois dessa vez. –Ele soltou os gêmeos que caíram desajeitados no chão e saíram correndo assustados.
—Preciso me preocupar? –James virou dando de cara com Nikolai Rasputin que parecia preocupado.
—Você não é um idiota para eu perder a calma com tanta rapidez.
O garoto loiro riu.
—Tudo bem, vou me oferecer para ajudar o diretor. Parece que os monitores e professores estão ocupados e isso desfalcou o quadro.
Nikolai parecia esperar alguma resposta de James, mas o Howlett apenas assentiu.
—Bom, talvez não precise, ainda que o Scott vá agradecer a oferta.
O loiro suspirou vencido.
—Sabe da minha irmã?
James não estranhou a pergunta, sabia que o garoto não ficava usando os poderes como bem entendia e que preferia perguntar do que espionar.
—Nathan.
O mais novo riu entendendo o que o moreno queria dizer, então apenas deu um tapinha amigável no ombro do mais velho indo embora.
Depois da pequena confusão com os LeBeau e o encontro com Nikolai, James conseguiu chegar até o próprio quarto e se trancou para evitar matar algum idiota. Na verdade queria que tudo mais fosse a merda.
Pensar naquilo fez ele perceber que seu humor não estava melhorando nada.
Tirou a roupa e se enfiou debaixo do chuveiro por cinco minutos esperando que a água gelada o acalmasse, não pareceu ter o resultado que ele esperava. Isso acabou irritando James um pouco, mas ele sabia que não conseguiria nada com aquilo.
Vestiu a cueca, voltou para o quarto e se jogou na cama, enfiou um travesseiro sobre a cabeça e desejou com toda a sua vontade que Helena estivesse ao eu lado naquele momento.
Sabia que com ela por perto ficaria pelo menos mais calmo, mas não podia fazer nada no momento a não ser esperar.
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Quando finalmente Ur se sentiu aliviada da pressão dos próprios poderes sobre seu corpo, Helena disse que estavam prontos para sair.
A asgardiana e o irmão logo voltaram a forma mais humana que possuíam e Helena a sua aparência humana antes de abrir a porta, o que foi um alívio para os três.
Wolf havia dormido um pouco enquanto esteve ali enquanto as duas garotas ficaram preocupadas com o que poderia ter acontecido caso Jason e Max tivessem se encontrado.
Assim que saíram Helena olhou no relógio mágico e fez uma careta.
—Más notícias? –Ur estava realmente preocupada.
—Não sei, ficamos umas oito horas lá dentro. –Dessa vez a asgardiana também fez uma careta. –Podemos apenas tentar não pensar em algo muito absurdo sobre os dois antes de encontrá-los. –Ur concordou ainda tensa. –Sendo meu irmão eu não sei se posso confiar no Max no que diz respeito a sexo. Eu não sou uma pessoa confiável sobre isso quando estou com... –Helena parou de falar e Wolf riu.
—Vamos achar os dois.
Ele tomou a frente e saiu farejando o ar pelos corredores até a cozinha e depois até a biblioteca onde encontraram dois rapazes dormindo em sofás separados com vários livros sobre a mesa de centro.
—Isso é bom? –Wolf parecia um pouco decepcionado com a falta de confusão.
—Ainda não tenho certeza. –Ur ainda parecia preocupada.
Helena estalou os dedos fazendo Max e Jason acordarem um pouco assustados. Eles olharam ao redor e sorriram quando se viram.
—Bom dia. –Max parecia animado.
—Bom dia. –Já Jason estava ansioso.
Helena e os dois asgardianos se entreolharam.
Max riu e encarou os outros três na sala.
—Como foi a noite de vocês?
—Longa e cansativa. –Helena preferiu não entrar em detalhes. –E vocês?
—Ficamos lendo e discutindo alguns livros, além de outros assuntos, até que realmente precisamos dormir. –Jason levantou esticando o corpo tentando aliviar alguma tensão. –Não que o sofá seja uma boa escolha de modo geral.
—Nisso eu concordo. –Max massageava o pescoço que parecia dolorido.
Ur suspirou aliviada.
—Tudo bem, mas eu realmente preciso dormir. Podemos ir?
—Tudo bem. –Jason olhou para Maximillian e sorriu. –Te ligo pra gente marcar uma saída essa semana.
Max sorriu parecendo realmente animado.
—Ou que te ligo.
Wolf riu enquanto as duas garotas trocavam um olhar de quem esperava que aquela história não terminasse em problemas.
Os três asgardianos aparataram e Helena encarou Max que ainda sorria.
—Gostou dele?
O garoto riu.
—Bastante.
—E?
—Nada. Vamos sair e ver no que dá. –Helena fez um careta. –O que foi? Pensei que queria que eu arrumasse um namorado.
—Ainda quero. –Suspirou. –Não é nada, só espero que dê tudo certo. –Ela sentiu o peso do próprio corpo. –Vou para o meu quarto descansar.
—Vou deitar na minha cama.
Os dois subiram as escadas e cada um entrou no próprio quarto.
Assim que sentou na cama Helena viu o celular sobre o criado-mudo e pegou para ver se tinha algum recado.
Era dez e meia da manhã.
Viu a mensagem de James perguntando porque havia saído sem falar com ele e outra pedindo para ela ligar assim que possível.
Achou estranho, mesmo que às vezes ele tentasse esse tipo de tática para se aproximar.
Viu a mensagem da própria mãe perguntando se estava tudo bem, mas era o contato da semana, então mandou uma resposta simples, como sempre.
Havia uma mensagem de Alexis dizendo que estaria ocupada e fora de contato, exceto emergência. O código do problema no motivo era “sangue” e “Nate”, então Helena imaginava o que tinha acontecido.
O que realmente estranhou foi o aviso da mensagem de Cara.
As duas não eram amigas ou mantinham contato além de consultoria eventual e raras missões, então ficou preocupada.
Na mensagem, um áudio, falava sobre a ideia de Rose e que aconteceria a partir das nove horas, todos os familiares foram avisados.
Helena lembrou de como James ficou quando contou a ela a ideia idiota da irmã caçula na mesma hora que a voz de Cara pedia que entrasse em contato com o rapaz assim que possível.
Tudo que ela queria era ver James, porém assim que levantou lembrou que ainda estava grudenta de suor da magia poderosa que havia passado as últimas horas emanando e correu para o banheiro. Quinze minutos de banho depois Helena vestiu a primeira camiseta e o primeiro short que encontrou e aparatou no quarto de James, sabia que para bem ou para mal era ali que ele estaria.
Encontrou o garoto largado sobre a cama com o travesseiro cobrindo seu rosto.
Ela suspirou cansada e andou até ele com medo de que o acordasse de algum sonho.
—Eu sei que está aqui Helena, se quiser pode simplesmente falar.
Helena riu daquilo e tirou o travesseiro do rosto dele sentando ao seu lado.
—Você está abatido por causa da Rose novamente.
James bufou.
—Não ficaria se fosse o Max fazendo algo idiota?
—Idiota como se apaixonar por um filho de Loki?
Ele se moveu surpreso.
—Desde quando?
—Umas sete horas atrás. –James riu daquela história e ela segurou sua mão. –Vem comigo.
—Para onde?
—Para o meu quarto, preciso dormir porque passei a noite em claro.
James pareceu considerar a ideia e logo a pegou no colo.
—Eu aceito ir, mas não acho que vamos dormir rápido como está querendo.
Helena sentiu seu corpo reagir diante do toque de James e a perspectiva do significado daquelas palavras.
Aquele tinha tudo para ser um dia longo e particularmente interessante.
Pensar naquilo a deixou mais feliz do que poderia admitir.
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Jocelyn Banner não estava muito bem, queria matar alguém e essa não era uma questão muito figurada para ela.
A garota tinha acabado de receber a mensagem de Tália dizendo que não podia ir pois tinha um “compromisso” e ela se perguntava desde quando a mutante tinha compromissos que a impediam de ir ao seu encontro quando ligava.
Não gostava dessa perspectiva mais do que a que estava sobre a sua cama.
Odiava quando os seus encontros simplesmente pareciam querer dormir até mais tarde na sua cama e nenhum do dois rapazes parecia que iriam acordar sem que ela os expulsasse, então foi o que decidiu fazer.
Acordou os dois garotos e os fez sair.
Foi educada, embora sua vontade fosse arremessar os dois pela janela gritando que não é porque era sábado que podiam ficar até as nove horas na sua cama.
Eles não pareceram decepcionados ou irritados, provavelmente porque a fama de Jocelyn fosse algo que dispensava explicações; ela não queria pensar agora na sua reputação entre os alunos do campus.
Trocou de roupa e pegou as chaves do carro na esperança de ir a algum lugar extravasar a raiva e, se possível, um lugar deserto.
Infelizmente, sair de Nova York requer tempo e calma, duas coisas que ela não tinha de sobra, mesmo assim precisou ter ou causaria um evento no meio da cidade.
Respirou aliviada assim que saiu do trânsito pesado da cidade para a estrada que a levaria até o norte do estado e esperava que em duas horas estivesse longe o bastante para extravasar sua raiva.
Tentou não pensar em nada ou em ninguém, o que era impossível para Jocelyn, especialmente depois da visita dos pais e do irmão ou todo o problema atual com os Vingadores.
Ficava pensando que deveria mesmo era ter quebrado Claire de alguma forma, assim a garota idiota não teria continuado onde estava.
Pensar em Claire apenas a deixou mais irritada.
Ela realmente odiava a loira.
Tinha esperanças de conseguiu se dar bem com a filha do Capitão América, mas as coisas foram de mal a pior logo no primeiro contato entre elas.
Ouviu falar muito da garota mais nova antes de finalmente conhecê-la e quando viu o que a loira podia fazer realmente pensou em como era fantástico que alguém tão nova pudesse ter tantos poderes. Era como ver algum novo tipo de divindade em ação e para Jocelyn, que sempre foi uma pessoa da ciência, saber que aquilo era resultado de genética combinada com ciência era mágico.
Então ela ficou frente a frente com a garota enquanto ela estava grudada com a Frost mais velha e a cadela Rasputin, depois daquilo as coisas foram um desastre.
Jocelyn queria não lembrar daquele dia como lembrava, o que era inútil.
Flashback ON
Oito Anos Antes
Assim que o treino da garota acabou Jocelyn correu para a área de descanso na qual deveria conseguir falar com a menina, Claire Rogers. Queria muito poder falar com a pequena de oito anos que simplesmente destruiu um sentinela de treino sozinha usando as mãos.
Abriu a porta da sala de descanso ainda animada até ver Alexandra Rasputin com uma tela pessoal nas mãos, seu pai disse que alguém estava chamando o aparelho de tablet, ao lado da russa estava Christine Frost e sentada no colo dela estava Claire que sorria enquanto a mais velha apertava suas bochechas.
Por algum motivo aquilo incomodou Jocelyn e ela precisou se controlar para não ficar verde.
Ela se aproximou das três garotas loiras que riam.
Christine parecia bem familiar com a garota no seu colo, como se aquilo sempre acontecesse, já Alexandra apenas ria de alguma coisa que a mais nova apontava na tela e algum comentário feito muito baixo para a sua audição humana ouvir.
Tentou ignorar o fato de que Christine parecia ignorar as palavras baixas, Jocelyn lembrava bem da habilidade quase premonitória da Frost sobre ler as pessoas e isso ficava ainda mais simples quando conhecia a outra a muito tempo.
Parou na frente delas em tempo de ver Claire apontar a foto de uma mulher bonita no tal de tablet e depois a foto de um homem igualmente atraente.
—Bom dia, sou Jocelyn Banner.
As três olharam para Jocelyn, ainda que as duas garotas mais velhas não parecessem muito animadas com a presença dela, a morena não ligava. Havia mesmo discutido com Christine e falado muitas coisas que as pessoas chamaram de grosserias para Alexandra, mesmo assim não ligava para isso.
Não mudaria de opinião sobre como achava repulsivo a russa se sentir atraída por homens e mulheres ou o fato de a Frost não apenas apoiar a outra garota como não ver problema na sua dinâmica familiar com uma mãe que tinha três filhas biológicas de três pais diferentes. Jocelyn não conseguia entender como alguém não estranharia ou surtaria com aquele tipo de família ou não enlouqueceria sendo como Alexis.
Notou que as duas mais velhas murmuraram um “olá” enquanto a mais nova a encarava curiosa antes de levantar e estender a mão.
—Olá, meu nome é Claire. Quer sentar conosco?
Ela notou as mais velhas suspirarem vencidas, como se não fosse possível discutir aquilo, e se sentiu vitoriosa porque a garota parecia ter algum poder sobre elas, por isso teriam que aceitá-la ali.
—Acho que sim. O que estão fazendo?
Claire sorriu de uma forma admirada e meio sonhadora.
—Marcando candidatos a namoro caso fossemos mais velhas uns dez anos. –Claire sentou novamente no colo de Christine, o que novamente incomodou Jocelyn. –E depois estamos comparando as listas. –Ela apontou mais duas fotos no aparelho, uma mulher e um homem. –Estou montando a minha agora, se quiser pode montar a sua depois.
Jocelyn olhou novamente a tela manual nas mãos de Alexandra, haviam várias fotos de homens e mulheres.
—Essa é a sua lista?
Claire sorriu.
—Sim. –Ela notou a mudança na expressão e atitude de Jocelyn. –Tudo bem?
—Você é... –Ela olhou para Alexis. –Você é igual à russa.
Claire pareceu confusa e Alexandra acenou para Christine que levantou puxando Claire pela mão enquanto se mantinha como um muro entre as duas e Jocelyn.
—Não desconte nela. –Jocelyn encarou Alexis que estava irritada com a atitude da morena. –Ela não tem culpa.
A risada que escapou de Jocelyn era sarcasmo puro.
—É influência sua isso. A garota tem oito anos e já diz que é... –Sentiu a palavra presa a sua boca. –Igual a você.
—Ela é bissexual antes mesmo de saber o que é isso, assim como eu. Falei com a Claire da mesma forma que a Emma falou comigo. Não para influenciar e sim para tentar ajudar; tudo que eu fiz foi perguntar o que havia acontecido, do mesmo jeito que a Emma quando fiquei confusa.
—Isso não é normal.
—Não é para quem não entende ou não é, mas é normal para nós.
—A ciência não concorda com muitas dessas coisas.
—A ciência já comprovou que existem animais homossexuais e bissexuais, como uma pessoa da ciência você deveria saber disso.
—É errado!
—Pode ser. –Jocelyn olhou surpresa para Alexis com essa resposta. –Mas o erro é meu e dela, não seu. Quem vai ter que lidar com as consequências se você estiver certa somos nós e isso não é problema seu.
Jocelyn tentou socar Alexis, mas antes que conseguisse a garota já havia sumido.
Demorou alguns segundos antes da morena lembrar que a loira russa era muito rápida e que mesmo que ficasse verde não tinha como alcançar a mesma velocidade.
Flashback OFF
Jocelyn bufou irritada ao lembrar daquilo.
Ainda não concordava com o que acontecia entre aqueles jovens.
Todos eles e seus pais pareciam ver aquelas interações como normais, até mesmo seus pais não viam nenhum problema naquilo.
Controlou a respiração o máximo que pode ou arrancaria o volante do carro em movimento, causando um acidente. Tentou focar na estrada, só que as palavras de seu irmão pareciam que estavam explodindo na sua cabeça desde que ele saíra do apartamento.
“Você não sente nada, nem mesmo amor-próprio.”
Ela repetia para si mesma que Conner estava errado, que tinha amor-próprio de sobra, mas às vezes sua convicção falhava e Jocelyn não sabia se poderia mesmo afirmar aquilo.
Foi no meio de uma crise sobre aquilo que decidiu beber para ter uma desculpa para fazer algo idiota e terminou com dois caras na sua cama.
Acabou suspirando ao ver que talvez em algum ponto o irmão estivesse certo.
Sempre recorria ao sexo quando estava irritada ou frustrada, mesmo quando estava feliz e tentando comemorar procurava algum rapaz ou mais de um normalmente. Nunca se sentia bem com isso, o problema é que já havia se tornado sua válvula de escape para não pensar nas coisas que realmente a irritavam, especialmente quando o assunto era Claire Rogers.
Notou que estava chegando ao seu destino em meio a uma estrada de terra e suspirou aliviada.
Parou a caminhonete entre algumas árvores e puxou o celular ligando o aplicativo da Shield onde marcou o “Aviso Verde” para que soubessem que ela estaria por ali com muita raiva. Talvez fosse necessário algum controle de danos e eles tinham que estar de prontidão.
Saiu do carro deixando as roupas normais e começou a andar até estar a uma boa distância do carro e finalmente pode deixar a sua raiva contida aflorar.
Podia sentir os músculos esticarem e crescerem, sua razão estava diminuindo e seu desejo de quebrar tudo emergir junto a um urro de raiva que escapou de sua boca. Sabia que a roupa especial para quando se transformava aguentaria o processo e não tinha mais nada para se preocupar.
Sentiu sua consciência deslizando por entre as trevas até se tornar uma espectadora sonolenta da sua própria vida.
Agora ela poderia deixar a sua raiva agir.
Agora ela não era mais Jocelyn Banner.
Era Lyra.
E esmagaria qualquer um que se aproximasse.
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Assim que o alarme tocou no Controle de Danos e recebeu o aviso, Maria Hill ficou realmente preocupada.
Era um Aviso Verde.
O último que receberam tinha seis meses e foi um inferno.
Mandou que alguém, qualquer um, procurasse Conner Banner e o trouxesse até ali, para o ano passado se possível, nas palavras da própria Hill.
Não chamaria Fury para lidar com aquilo. Era a hora do descanso dele e não tiraria as horas de sono de uma pessoa que já perdia tantas.
Precisou ligar para Sharon, confirmar que as garotas estavam em casa, dessa vez agradeceu a resposta “estavam na cama até pouco tempo, agora estão a caminho da Shield para se encontrar com o Andrew e a Christine” que a Carter deu em meio a uma risada irônica.
Tentou ligar para Emma, ter notícias de Tália, mas a Rainha Branca estaria incomunicável o dia todo segundo Scott Summers. Ficou irritada com ele porque algo não estava certo no Instituto e o diretor tentou descontar nela, claro que não conseguiu. Na disputa de irritação por problemas ela estava ganhando.
Não queria ligar para Andrew, porém precisava tentar falar com Christine e foi o que fez, o garoto disse que não sabiam nada de Tália. Marial Hill amaldiçoou a sua falta de sorte. Odiava ligar para Tália Wagner, só que aparentemente não teria alternativa.
Já estava prestes a ligar quando Conner passou pela porta do seu escritório ofegante.
—Onde ela está?
—No extremo norte do estado, quase no Canadá, não longe o suficiente de Vermont.
Conner fez uma careta frustrado. Sua irmã resolveu surtar no meio de uma crise por que é uma idiota.
—Alguma ideia?
O garoto sentou tentando pensar.
—Nada além da Canção de Ninar. –Hill arqueou a sobrancelha. –A bomba de filhotes não funciona com a Lyra e muito menos com a Jocelyn.
—Pensei que os Outros gostavam de filhotes e de ficarem cercados de filhotes.
—Aparentemente a Lyra foi muito influenciada pelo mau humor da Jocelyn e isso não funciona mais. Ou a Jocelyn fica tão irritada que os filhotes não ajudam em nada, ainda não temos certeza e nem queremos arriscar vidas por um teste.
Hill suspirou vencida.
—Tudo bem, vou ligar para a Tália.
—Pra quê?
—Precisamos de ajuda e você tem que ir para lá agora.
Conner negou.
—Não, eu estou perguntando por que vai ligar para a Tália se ela está no prédio?
Hill olhou surpresa para Conner.
—Como assim?
Ele pareceu desconfortável.
—Parece que ela está em um encontro com Cassandra Lang. –A comandante pareceu surpresa. –É, foi a minha reação.
—Elas não pretendem usar meu prédio de motel, pretendem?
—Por hoje acho que não.
—Por hoje?
Conner pareceu constrangido.
—Quando perguntei para Tália o que estavam fazendo ela disse que estavam conversando e se conhecendo, que Cassie parecia tomar espaço na mente dela aos poucos. –Ele suspirou. –Perguntei se ela sabia da minha irmã e Tália disse que Jocelyn a chamou para sair mais cedo, ajudá-la a se vestir para um encontro. –Hill se controlou para não chamar a Banner de vadia. –Tália dispensou a minha irmã para poder conversar com a Cassandra.
Maria Hill poderia dizer que tentou conter a risada que deu, seria mentira.
—Desculpe.
Conner deu de ombros.
—Tudo bem, eu acabei rindo depois.
—Bom, vamos tentar manter Tália o mais longe o possível dessa confusão, mas ainda precisa de uma carona. –Conner concordou e Maria Hill ligou o comando de voz da base. –Tália Wagner, por favor compareça com urgência a sala da Comandante Hill.
Ela contou até três e logo Tália se teleportou para a sala na companhia de Cassandra Lang.
—Chamou Comandante?
Hill agradeceu aos céus que nenhuma das duas parecia estar saindo de um agarramento. Tudo que não precisava agora era de Maggie Lang fazendo um escândalo na sua porta porque a filha estava beijando outra garota.
—Preciso que interrompa seu encontro por no máximo cinco minutos ou menos. –Tália concordou. –Tivemos um Aviso Verde e preciso que leve o Conner até onde a Jocelyn está.
Tália fez uma careta ao ouvir aquilo e Hill estranhou.
—Posso deixar ele onde quer que seja, mas não vou me aproximar disso hoje.
A Comandante tentou não parecer nem ofendida e nem satisfeita com a resposta.
Se por um lado queria ajuda, por outro sabia que aquela reação era a mais saudável para alguém que viveu em um relacionamento como o de Tália e Jocelyn.
—Tudo bem, deixe Conner lá e pode voltar. Se precisar buscar nós avisamos, se bem que pode ser que ele consiga sua própria carona.
Tália concordou e encarou Conner que levantou mostrando uma imagem na tela do celular com algumas coordenadas. Ela segurou o braço do garoto e teleportou.
Hill ficou encarando Cassie que parecia calma e se perguntado porque algumas situações ficavam tão complicadas por pouca coisa. No minuto seguinte Tália já estava de volta a sala suspirando cansada.
—Vamos descansar Comandante, qualquer coisa é só chamar.
—Espera. –Hill encarou Cassandra e suspirou. –Pode nos dar um minuto Cassie? –A garota sorriu concordando e saiu da sala fechando a porta. –Preciso perguntar ou você pode me explicar?
Tália suspirou um pouco constrangida.
—Ela me beijou no dia daquela reunião, depois Claire meio que me falou o porquê e por algum motivo Cassandra não desaparece mais da minha mente. –Hill arqueou a sobrancelha em uma clara pergunta de “como?” e a garota suspirou. –Estava pensando na Jocelyn hoje e de algum modo simplesmente comecei a pensar na Cassie e como ela é tudo que eu poderia não querer em problemas, mas também tudo que eu poderia querer em todos os outros aspectos.
—Como é que é? –Hill parecia chocada com o que ouvia.
—Acredite, eu ainda estou tentando entender e não passei do resumo da contracapa. –A risada de Hill pegou Tália de surpresa. –Não tem graça.
—Tem um pouco.
—Está irritada?
—Preocupada com a relação que pode acontecer entre vocês e a Jocelyn ainda está no meio dessa história, porque ela ainda não sabe que você está não apenas disposta a seguir em frente como tem alguém que se importa com você.
—Eu meio que não sei se me importo com o que a Jocelyn pensa, pelo menos não tenho certeza. –Tália notou que Hill parecia curiosa. –Desde que esclareci as coisas com a Cassie e concordamos em conversar para nos conhecermos eu não lembrei dela até você me chamar e falar o que está acontecendo.
—Isso é um avanço. –Tália sorriu e Maria suspirou. –Só pega leve com as coisas até a audiência em dois dias e por alguns dias depois que o juiz decidir.
A garota ficou surpresa.
—Como a senhora sabe disso?
Maria riu daquilo.
—Tália, eu sou Maria Hill, Comandante da Shield, e sou esposa de Nicholas Joseph Fury, o Diretor Chefe da maior agência de espionagem e informação do planeta. –Ela deu outra risada contida. –Fora que a Cassie me pediu ajuda quando mandou o pedido ao juiz e eu ajudei a escrever a carta, incluindo informações para as alegações dela.
A garota suspirou cansada.
—Não deveria me surpreender com isso.
—Agora vai. –A garota pareceu curiosa. –Tem uma garota apaixonada louca para te fazer ficar aos pés dela do outro lado da porta, então aproveite.
Tália sorriu e saiu da sala animada.
Hill sentou na sua cadeira e olhou para o monitor a sua frente. Não era nem mesmo a hora do almoço e já se sentia cansada com aquele problema.
Conner havia se transformado e agora estava tentando conter Jocelyn, impedindo que ela se aproximasse de qualquer cidade ou vila; já havia acionado as unidades de Controle de Danos. A Comandante não podia fazer mais do que isso ou pedir que Tália se sacrificasse para dar atenção a Jocelyn.
Já era hora da Banner aprender que não podia ter tudo que queria.
Como quando ela conheceu Claire.
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Continua...
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No próximo capítulo: Alexandra Barbara
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