Marvel Universe: All Different World
29 Capítulo XXIX: Alexandra Barbara – Mine.
Notas iniciais
Data Terrestre: 07 de Outubro
Eu não sabia os detalhes, mas meus pais pareciam tensos.
Não era incomum esses dias eles parecerem tensos, só não era comum eles basicamente aparecerem em casa de surpresa e arrastarem a gente para outro lugar. E meu pai não parecia animado ao nos deixar na porta da Torre Stark com ordens de seguir direto para a cobertura, ainda assim foi o que ele fez com a cara azeda de quem havia levado uma surra.
Claro que o sorriso sarcástico do Bob não ajudou muito a minha intuição de que algo entre os meus pais não está bem, especialmente porque nos últimos dias os dois parecem que estão alternando os horários em casa para não se verem ou talvez para ficar de olho em nós dois.
O mais irritante foi que quando comentei isso em uma chamada com a Claire tudo que a doida falou foi “vai ver eles acham que estão dando uma de gêmeos Lannister”, como se a piada diminuísse a minha intuição de que algo não está certo.
Subimos para a cobertura e demos de cara com Pepper sentada no sofá parecendo preocupada com Daniel andando de um lado para o outro da sala.
—Bom dia tia Pepper, como está?
Ela levantou e puxou Daniel pela mão o fazendo sentar enquanto olhava para nós com cara de quem não sabia o nível de problemas do seu dia.
—Vai ficar melhor assim que a Ur e os garotos voltarem da casa dos Strange. –Ela sentou ao lado de Daniel e segurou a mão dele. –Respira e fica calmo, se algo realmente der errado vamos ser avisados.
Vi o garoto se mexer ansioso, sem levantar.
—Eu só... Eles saíram a quase oito horas e nenhum contato, nem mesmo do Jason para dizer que não tem nenhuma novidade. –Ele levantou irritado e gritou na direção da janela, o que me assustou porque a sua boca mudou para algo monstruoso. –Eu nem sei nada. –Outro grito e pude ver os dentes afiados. –Não posso nem impedir aquele maldito casamento porque ela não me deixa chegar perto.
O novo grito foi assustador e vi tia Papper fazendo sinal para que eu e Bob ficássemos à vontade enquanto ela lidava com aquela crise. Nem pensei em discutir, apenas puxei meu irmão na direção do quarto de Tristan tentando ficar longe daquele problema, porque qualquer coisa que envolva os filhos do Loki e o nome Strange só pode significar problema.
Não achamos Tristan no quarto dele, então decidimos descer para a oficina. Regra número um sobre os homens Stark: se não achá-los na oficina estão dormindo, se não estão dormindo estão na oficina. Palavras da tia Pepper.
Assim que conseguimos ver o suficiente da oficina também pudemos identificar Tristan debruçado sobre algum tipo de máquina ou parte dela. Lembrava vagamente algum tipo de revestimento corporal, como os que o tio Tony usa na armadura dele, então eu realmente fiquei curiosa com que tipo de coisa proibida meu amigo estava brincando.
—Uma réplica da armadura do seu pai? –Eu nem esperei para perguntar, o que fez Tristan dar um pulo da cadeira.
Ele me olhava irritado enquanto Bob ria de tudo.
—Se quer me matar tem formas mais simples de fazer isso.
—Eu sei Ed.
Ele fez uma careta.
—Não me chame de Ed ou vou começar a te chamar de Bobbi, Barbara. –Ouvi o grunhido que dei diante daquela ideia.
—Só uma pessoa nesse mundo pode me chamar de Bobbi e você não é Bobbi Morse para isso.
—Então não me chame de Ed ou Edward, meu nome é Tristan. –Bob riu e nós o encaramos. –Qual a graça?
—Você se chama Tristan Edward e... –Ele apontou para mim. –Você se chama Alexandra Barbara, assim como eu me chamo Robert Steve. Não importa que alguém aqui não goste muito do segundo nome que os pais deram, continua sendo o nosso nome.
—Exceto se você for a Claire. –Comentei e os dois tiveram que concordar. –Eu nunca vou esquecer do quão longe ela me arremessou no dia que a chamei de Peggy só de brincadeira.
—Se fosse só você. –Bob parecia arrependido, ele caiu de mau jeito.
—Sorte que nesse sentido sou mais inteligente que os dois gênios. –E antes que pudéssemos falar qualquer coisa Tristan voltou para o que fazia.
Sentei em uma das poltronas que tinha na oficina antes de falar com ele, meu irmão fez o mesmo.
—O que está acontecendo com o Daniel? E onde estão os filhos do Loki?
Tristan parou o que fazia e me encarou antes de trocar um olhar com Robert, depois ele voltou ao que fazia.
—Ur teve um surto mágico ou seja lá o que for que era aquilo e precisamos pedir ajuda para Helena Strange. –Tentei novamente não pensar no tamanho da confusão para envolver Helena naquilo, o que era difícil. –Eles saíram daqui arrastados por magia lá pelas duas da manhã e desde então não tivemos notícia de ninguém. –E tudo que ele falou foi mexendo naquela peça sobre o balcão.
—E por que o Daniel está surtando? –Eu me perguntei se meu irmão era idiota.
—Sério que você ainda não percebeu que o garoto é completamente apaixonado pela Ur?
Meu irmão me encarou descrente, como se eu falasse algum absurdo.
—Mamãe comentou algo sobre isso comigo essa madrugada. –Na mesma hora Robert olhou surpreso para Tristan que finalmente levantou o rosto da lupa e pegou a peça que mexia. –Ela não entrou em detalhes sobre o pouco que conversou com Ur, mas parece que ela está tentando ficar distante do Daniel para protegê-lo de algo. Acho que tem algo a ver com um casamento arranjado por Odin e ela ser apaixonada pelo Daniel ser um perigo para ele mesmo.
Tristan arrumou a peça no próprio braço e ela se fechou em torno dele formando uma luva metálica do cotovelo até a ponta dos dedos.
—Ficou bom. –Comentei.
—Ainda não é funcional por longos períodos de tempo. –Ele desativou e voltou a mexer nos circuitos. –Papai disse que vai me ajudar com isso e depois minha armadura estará pronta.
—Tia Pepper concordou? –Robert sabia que a tia não aprovava a ideia de ter o filho por ai em uma armadura, embora muita coisa tenha mudado desde a confusão no colégio e nossos pais parecem dispostos a abrir suas mentes.
—De alguma forma sim. Ela disse que depois de tudo que andou acontecendo já passou da hora. –Ele me olhou. –Ela disse que teve uma intuição de mãe de que é melhor eu me preparar muito bem para o que quer que esteja por vir.
Robert bufou frustrado, levantou de onde estava sentado e subiu as escadas.
Não me preocupei porque sempre que ficava em uma situação como aquela com problemas que o irritavam e os quais ele não podia fazer nada a respeito Robert saia para andar. Era sua forma de pensar. Felizmente ou não ele era bom com situações imediatas como a que aconteceu no colégio e o treinamento da Shield ajudou no pensamento lógico natural do meu irmão.
Respirei fundo e me aproximei da bancada de trabalho de Tristan.
—Quer falar?
—Sobre?
—Nossa última conversa.
—Hoje não.
—Não conseguiu falar com a Claire ou a Rasputin? –Embora odiasse a ideia de precisar que Tristan falasse com Alexis não haviam muitas opções melhores.
—No meio dessa confusão toda? Eu teria que ter mais do que sorte pra isso.
—Por que não fala com a sua mãe?
—Por que ela falaria com a Claire e a Alexis.
Tentei não forçar a barra com ele naquele momento.
—Vou fazer só mais uma pergunta e depois paro. Fora o mau momento, está tudo bem sobre isso?
—Acho que sim. –Ele levantou o rosto me encarando. –Uma vez ouvi a Claire falando algo como “não é por isso que o mundo vai girar de um modo diferente” e acho que é bem isso. Tudo continua igual, só eu estou diferente e pirando um pouco.
Ele voltou a encarar a peça na mesa e mexer ali.
Suspirei vencida.
Não adiantaria tentar continuar essa conversa com Tristan, especialmente se ele não estava preocupado em falar sobre.
—Acho que vou subir um pouco.
—Aproveita que são quase dez e meia e a Maria deve estar na mesa cortando um pedaço de torta.
Aquilo me fez rir, mas a ideia realmente era boa. Subi e quando passei pela sala vi que não havia mais drama ou problemas à vista, então segui até a cozinha onde Maria realmente estava comendo um pedaço de torta de chocolate com morangos. Não me surpreendi que já tivesse vários pedaços de torta cortados sobre a mesa para todas as pessoas que pudessem estar na Torre.
—Oi meu amor, como está?
—Melhor agora que o Daniel parou de gritar. –Acabei rindo. –Foi engraçado nas primeiras vezes, mas depois ficou repetitivo.
Me dei por vencida.
Aquela garota era muito esperta pra mim e tinha o suficiente do humor do tio Tony para que fosse seguro arriscar algum comentário extra. Especialmente quanto não sou a Claire.
Ouvi passos correndo e logo vi May entrar na cozinha perseguindo James Carter em um jogo de pega cheio de risadas. Ela pegou nosso amor, como todas chamamos o pequeno Jay, e o colocou em uma cadeira ao lado de Maria, mostrando a língua para ele em seguida.
Os dois riam daquela brincadeira boba e me perguntei como May podia ser tão infantil quanto as crianças, pelo menos até lembrar que ela é a caçula de três irmãos.
—Como está Alexa? –Ela parecia bem animada para quem estava correndo quase sem folego.
—Bem, e você?
—Melhor quando tiver o que fazer, nem que seja na Shield.
—Seus pais também já estão te arrumando um traje?
—Acredita que a mamãe insistiu que eu tenha um agora?
Só consegui rir em resposta, porque as coisas realmente estavam ficando estranhas.
—Alexa! –Me virei um pouco assustada para James que sorria. –Sabia que papai disse que eu e Maria também vamos estudar na Shield?
—Não estava sabendo disso, mas pelo lado bom: vai ver a Claire com mais frequência.
—Ele falou que a Laura pode até mesmo ajudar no meu treinamento já que vai estar por lá.
Olhei para May surpresa e ela deu de ombros.
—Parece que o tio Steve realmente tomou gosto pela nora. Não que eu saiba dos detalhes, mas posso apostar que o fato dela ajudar a Claire com as crianças sem criar caso e o Jay adorá-la ajudaram um pouco mais do que o normal.
Acabei rindo enquanto James continuava falando animado, a dose de açúcar fazendo ele falar ainda mais rápido e ficar ainda mais animado. Na verdade, ver aquilo me fez ter pena da May que está de babá dele e da Maria hoje.
Terminei o meu pedaço de torta e sai andando pela cobertura dos Stark sem rumo certo, só sabia que queria pensar um pouco e evitar a piscina para não correr o risco de ter outro encontro com Wolf.
Então acabei descendo até a arena de treino que ficava no andar abaixo da piscina, talvez pudesse me distrair com algum alvo ou saco de pancadas que estivesse ali até a hora do almoço que ainda demoraria.
Acabei me surpreendendo quando a porta da arena abriu e o frio me envolveu, mais ainda quando várias adagas de gelo acertaram o centro de uma dúzia de alvos e algo como um rugido de satisfação explodiu. Era algo entre um uivo e um rosnado muito mais intenso.
Me assustei quando finalmente identifiquei Wolf no meio da arena.
Ele não tinha me visto e eu fiquei surpresa com o movimento seguinte dele: um mortal alto para trás no qual ele se transformou em um grande lobo cinza de uns quatro metros de altura. Seus olhos brilhavam vermelhos como rubis e seus dentes exposto pareciam lanças pontiagudas prontas para perfurar e destroçar qualquer um.
Foi quando Wolf me viu e começou a andar na minha direção, o que me assustou um pouco. Pelo menos até eu reparar que ele não ficava maior e sim menor a cada passo na minha direção, até que quando estava a dois metros ele já estava sobre as patas traseiras e quase humano.
Quando parou na minha frente eu podia ver o mesmo rosto de dias antes, o sorriso meio selvagem com os dentes ainda entre o humano e o animal, a risada baixa que ele dava era um rosnado baixo e seus olhos, mesmo de volta ao verde, ainda tinham um brilho intenso.
—Olá.
Só quando ele falou reparei que estava com a respiração presa e precisei me controlar para não respirar fundo logo de cara. Tinha que manter a calma.
—Oi.
—Precisa de alguma coisa?
Tentei não parecer em dúvida ou assustada, só que depois do nosso último encontro eu meio que não me sinto muito bem de ficar perto dele e o motivo não é Wolf.
Era difícil não pensar na quantidade de vezes que me peguei lembrando dele nos últimos dias ou das insinuações dele no dia que falamos na piscina, e ele estava perto demais.
—Não sei. –Respirei fundo endireitando minha postura. –Só estava dando uma volta e acabei por aqui. Não sabia que tinha alguém usando o espaço.
Ele sorriu convencido, como se soubesse de algo que não sei.
—Fique à vontade. –E deu um passo para trás e para o lado como se me desse passagem.
Aquilo de algum modo de irritou.
—É só isso? –Wolf me olhou surpreso. –Então seu único interesse são jogos de palavras para me perturbar?
Foi quando a postura dele mudou e senti que havia mexido com o animal errado no lugar errado e na pior hora possível para que algum juízo fizesse diferença na minha situação.
—Vocês, humanos, gostam de se sentirem no controle e vocês, mulheres, gostam de não se sentirem pressionadas. Mamãe e tia Sif me ensinaram isso, tia Verity ensinou a jogar o jogo. Insinuar palavras e ações, mas ficar na minha. –Ele estufou o peito. –Eu sou meio burro e grosso, mesmo assim fui educado por pessoas muito inteligentes que me ensinaram muito.
Me senti intimidada diante da nova postura dele.
—E o que seu pai ensinou? –E a pergunta simplesmente me escapou.
Wolf sorriu orgulhoso de alguma coisa.
—Quer mesmo saber?
Meu cérebro disparou o sinal vermelho me mandando responder que não, o problema é que eu sempre fui teimosa e meu instinto dizia que podia confiar nele.
—Quero.
O sorriso dele aumentou e Wolf caminhou na minha direção me fazendo recuar até minhas costas baterem contra a parede e o corpo dele contra o meu.
O corpo de Wolf era grande e maciço, mas também era frio e atraente.
Ele levou as mãos até o meu pescoço e prendeu um colar em torno dele, o colar tinha uma pedra azul muito bonita. Depois ele se aproximou do meu ouvido, o hálito frio contra a minha pele.
—Eu te dei o que você precisa para me afastar. –Fiquei surpresa. –Mande e eu vou embora, diga e eu fico de joelhos, deseje e eu faço. –Suas mãos deslizaram pela minha cintura de uma forma possessiva. –Mas se não falar não eu vou aceitar como um sim, se não me proibir eu vou desejar, se não mandar eu vou ficar. –O rosnado que escapou dele parecia algum tipo de satisfação pessoal pelo que acontecia. –Então você será minha e eu serei seu.
Ele se afastou e me olhou sério como quem esperava uma resposta.
Engoli em seco.
—Como?
Wolf sorriu, os dentes pontiagudos tornando seu olhar normal ainda mais predatório.
Ele não falou.
Não precisou.
Ele apenas pressionou seus lábios contra os meus em um beijo intenso que me tirou o folego e o motivo foi o toque dele. As mãos de Wolf ainda estavam apertando a minha cintura contra o seu corpo e a sua pele fria causava arrepios pelo meu corpo, mas o seu beijo era quente como fogo.
Mal conseguia respirar quando ele rompeu o nosso contato sorrindo.
—Assim parece um bom jeito?
Olhei para ele surpresa.
—Por que? –Ele pareceu confuso. –Sua boca é muito quente em comparação com sua pele.
Ele rosnou, acho que estou me acostumando com a risada estranha dele.
—São meus poderes. Eu sou um lobo e lobos são bons no frio, mas tem corpos quentes, pelo menos por dentro. Além disso, eu sou um lobo Jotunh e é normal que minha pele seja gelada, é o sangue da minha mãe que quebra o frio no meu interior. –Suas mãos deslizaram para as minhas costas. –Embora eu não esteja aqui por isso, então pode me falar.
Ouvir aquilo me fez sorrir.
Wolf não parecia gostar de rodeios e eu gosto disso.
—Eu quero. –Ele parecia pronto para iniciar outro avanço, então eu o parei. –Espera! –Ele rosnou contrariado. –Não aqui.
Ouvi um suspiro de quem tenta se controlar antes dele me encarar.
—Tudo bem.
No instante seguinte Wolf me pegou no colo e logo não estávamos mais na arena de treinamento, mas no quarto dele.
Pensei que a primeira coisa que ele faria era me jogar na cama, só que Wolf pareceu ter se acalmado muito mais do que eu e me colocou sentada na beira da cama antes de se ajoelhar na minha frente. Ele acenou e dois frascos, um laranja e outro azul-claro apareceram na minha frente.
—Beba isso.
Wolf estava sério quando o encarei.
—O que é?
—Duas poções de feitiço. Uma vai garantir que esteja protegida dos meus poderes gelados e a outra é pelo meu aspecto de lobo que pode ser temperamental.
—É violento?
Ele rosnou.
—Não no seu caso; quando estou em situações violentas posso perder o controle. –Ele pareceu um pouco triste por um momento. –Isso tem outra função, te manter segura mesmo longe de mim.
Toquei seu rosto.
—Qual primeiro?
Wolf apontou para o frasco laranja e enquanto eu tomava a poção começou a recitar palavras em uma alguma língua antiga. Não sei como, apenas senti pelas mãos dele nos meus joelhos que o frio que o corpo de Wolf emanava diminuiu muito mesmo que eu não estivesse tendo problemas com aquilo.
Quando tomei o frasco azul senti um calor estranho e uma ansiedade maior que o normal. Eu ainda não entendia o que Wolf falava e logo isso não importou mais porque ele se afastou de mim e puxou a camisa.
Assim que Wolf tirou a calça que usava, e não tinha nada por baixo dela, ele me estendeu a mão, que eu segurei e levantei da cama me aproximando dele.
Ele não falou nada enquanto me olhava diretamente nos olhos sem hesitar ou desviar a atenção, apenas puxou a minha camiseta para cima e começou a tirar cada peça de roupa que eu usava.
Nenhum de nós precisou falar mais nada.
==========X==========
Eu ainda estava um pouco desorientada quando acordei.
Lembrava vagamente de ter encontrado Wolf na arena de treinamento e as coisas terem ficado muito intensas, depois eu dormi com ele sem me importar no tamanho dos problemas que isso poderia gerar em todos os sentidos possíveis.
Para piorar a minha situação atual, ele ainda estava com os braços em torno da minha cintura de uma forma ao mesmo tempo possessiva e protetora, o que me fez lembrar de tudo que fizemos a não mais do que duas horas.
Eu estou muito ferrada se meu pai descobre isso.
Tentei levantar sem acordar o asgardiano que ainda dormia, não teve muito efeito.
—Achei que ia demorar mais tempo para acordar, você desmaiou de exaustão menos de dois minutos depois que go...
—Eu sei! –Eu não precisava dele falando aquelas coisas agora. –Eu só nunca tinha ficado com alguém assim.
—Eu sei. –Acho que Wolf percebeu que eu não entendi o que ele falou. –Garotas virgens como você e a Ur cheiram diferente de garotas que já transaram com alguém, mesmo que elas tenham ficado com apenas uma pessoa como a garota Frost. –Senti meu rosto queimar ao ouvir aquilo, nada comparado com o que veio em seguida. –Foi por isso que me esforcei para ter o máximo de calma e cuidado, mas você simplesmente não parecia querer me deixar ir devagar e no final eu realmente perdi o controle.
E ele dizia tudo isso sorrindo de forma inocente como a coisa mais comum do mundo, o que até poderia ser, mas não agora quando eu ainda estava confusa sobre metade do que estava sentindo.
Tentei levantar e Wolf me seguiu, me abraçando contra seu corpo, isso me fez lembrar de que ele me deu poder para afastá-lo e me deixou ficar por cima dele, literalmente, como se não fosse um deus e sim o cara qualquer... Ou não, porque Claire sempre me falou que caras normais não são tão legais assim e os poucos que ela diz que realmente são já estão namorando ou apaixonados por alguém ou não gostam de garotas. O único cara descente que a Claire namorou tem uma preferência por relacionamentos abertos e mesmo que ela ainda gostasse dele na época foi por isso que terminaram. Até onde sei os dois ainda são amigos.
—Eu preciso ir. Já são duas da tarde. –Consegui dizer um pouco mais confiante do que esperava.
—Fica, gosto de estar com você.
Não respondi, apenas levantei sem precisar pedir para ele me soltar e comecei a procurar minhas roupas, o que não foi um problema. Wolf deixou todas no chão, junto com as dele.
Me abaixei e comecei a separar as peças enquanto ele me olhava sentado na cama parecendo distraído.
—Hey, você me ama, certo?
Virei assustada na direção dele.
—O quê?
—Bom, nós transamos. Uma transa incrível na verdade e você, talvez, me ame como eu te amo. Ou pelo menos você ama o meu corpo, o que já é um começo.
Fiquei olhando para ele incrédula do que tinha ouvido.
—Você é um idiota?
—Provavelmente, mas sou um idiota que você acha muito gostoso.
Acabei rindo muito daquilo e Wolf aproveitou para se aproximar de mim, me beijando.
Quando dei por mim estávamos na cama, eu sentada no colo dele e minhas pernas em torno da sua cintura, os dois ofegantes do beijo que dávamos a poucos segundos.
—Não podemos ficar aqui.
Ele riu do meu comentário.
—Podemos ficar por tempo suficiente para que eu possa aproveitar algum tempo ao seu lado e então vamos lá fora enfrentar os curiosos.
—Isso não vai simplificar nada.
Ele sorriu irônico.
—Não ligo para nada que não seja eu e você, porque o resto não é nada. –Wolf pareceu pensar um instante. –Exceto pelos meus irmãos e o Dan, além do meu pai e das minhas mães.
Aquilo me fez sorrir.
—Você sabe que para mim a família é importante? –Ele concordou. –Só que a minha família tem toneladas de agregados e eles são importantes, sem falar que meu pai vai querer te matar quando souber.
Ele gargalhou da ideia, um misto de uivo e latidos.
—Tudo bem, vou fazer o seu pai gostar de mim. –Wolf deslizou as mãos pela minha cintura causando arrepios no meu corpo e fiquei com a grande dúvida se meu pai realmente gostaria dele. –Agora vamos a algo mais importante e interessante.
Me dei por vencida.
Para um cara que diz que é meio burro, Wolf tem ótimos argumentos.
—
—
—
Continua...
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No próximo capítulo: Pepper.
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