Marvel Universe: All Different World
48 Capítulo XLVIII: Turtleman.
Notas iniciais
Data Terrestre: 10 de Outubro
Ororo encontrou a carta de Nikolai sobre a sua mesa antes do fim da primeira aula, mas já desconfiava do conteúdo mesmo sem ler:
“Precisei ir para longe.
Volto assim que estiver melhor ou quando o surto da Alexis passar.
Cancelei minhas aulas, mas não sei se todos os alunos foram avisados.
Nikolai.”
A mutante do clima tinha sérias dúvidas de que aquilo iria realmente ser algum consolo, mas por hora teria de servir, por isso seguiu até a sala de Emma e a encontrou com Jean. Aquela era uma coisa que a alva não sabia muito bem se queria entender, apenas agradecia mentalmente todas as vezes por não ter mais que apartar brigas entre as suas duas melhores amigas.
Na verdade, uma vez brigou com Jean por considerar Emma uma amiga, na época a ruiva não entendia como aquilo poderia ser real ou ter acontecido, ainda assim Ororo respeitava a Rainha Branca mais do que muitas pessoas poderiam entender, embora não fosse algo trivial. Para Tempestade existiam poucas pessoas capazes de se superar e fazer tudo que a Frost fazia sem hesitar, e era essa força que ela admirava.
—Algum problema Ororo? –Emma não desviava o olhar do documento em mãos, assim com Jean.
—Acho que já imagina isso, mas Nikolai está fora da escola até Alexis voltar ao normal. –Ela viu Jean a encarando confusa e Emma nem ao menos se mexer. –Em todo o caso, ele disse que já cancelou as aulas que daria hoje, porém creio que devemos cancelar as aulas até o final da semana, só por precaução.
—Não se preocupe, já cuidei disso. –A Rainha Branca continuava a ler o documento sem olhar para Ororo. –Se não for pedir muito, pode cuidar daquilo para mim? –A loira indicou uma pilha de papéis sobre o arquivo. –Sei que prefere ficar com a organização da papelada do que dos problemas propriamente ditos, só que acabou acumulando devido ao final de semana.
Tempestade riu, o que chamou a atenção das duas mulheres.
—Comparado à quando aprendi a te ajudar com esse serviço isso é a parte mais tranquila do meu dia. Vai precisar que eu fique de aviso hoje?
Emma suspirou cansada, o que não passou despercebido pela mulher alva.
—Infelizmente vou. Acho que Alexis pode ter um episódio mais grave a qualquer instante e não sei se Nate vai reagir muito bem a tudo isso, então vou precisar de quase todo mundo. –A loira encarou Jean. –Sendo sincera, vou precisar que peça a cooperação da Rachel.
A ruiva suspirou desanimada.
—Bom, ela não vai gostar, mas vou dar um jeito nisso.
—Obrigada, sei que é difícil. –Emma não se estendeu, Jean sabia que era a forma dela de se proteger.
—Christine vai sair? –A ruiva acabou perguntando.
—Vai ver Andrew mais tarde. –A loira terminou o documento e levantou, indo até o arquivo e colocando a parta sobre a pilha que Ororo tentava eliminar. –Não sei se volta hoje, só pedi para me avisar. Em todo o caso, temos que lidar com o pessoal do Escritório Regional da Educação.
—Não acredito que acabamos com esse problema em mãos. –Ororo resmungou. –Nunca precisamos passar por isso, agora querem que comprovemos nossa qualidade de ensino? Acham mesmo que deixaríamos as crianças trapacearem nos testes?
—Acho que eles nos medem pelas suas próprias regras ou por aquilo que fariam se tivessem acesso as nossas habilidades, então não é de se estranhar algo assim. –Jean acabou comentando e notou o olhar surpreso de Emma. –O que foi?
—Não, é que eu penso o mesmo. –A loira voltou a sentar na sua cadeira e pegou o documento seguinte. –Em todo o caso, vamos nos concentrar no trabalho a nossa frente, porque tenho certeza que não vamos terminar isso cedo e logo algum problema vai aparecer.
Emma não diria que logo teriam que ir fazer Nathan comer algo (se é que esse seria o maior problema com o garoto naquele dia), assim como Jean não forçaria a conversa sobre o pai de Christine tão cedo. Da mesma forma Ororo não perguntaria para qualquer uma das duas como as coisas entre elas haviam se acalmado de forma quase mágica naquele mês depois de mais de dezoito anos de brigas.
Eram questões para outros momentos, se possível, cada um para uma semana diferente.
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A primeira coisa que aconteceu quando Valéria entrou na cobertura do Edifício Baxter foi uma briga.
Ou ao menos algo que deveria ter sido uma briga.
Reed Richards, como a garota costumava chamar o pai a alguns anos, começou a gritar e brigar com a filha dizendo que a colocaria no primeiro avião de volta para a Latvéria, que se Victor ajudasse em outra fuga a colocaria em colégio interno no meio do Polo Sul.
Ninguém parecia muito animado em lidar com Reed, o que era o principal foco da raiva de Valéria durante toda a sua vida, além do motivo mais importante pelo qual concordou em ficar com Victor por todos aqueles anos.
Ainda que qualquer um pudesse estranhar, Victor Von Doom era como um verdadeiro pai para a garota.
Não é como se o padrinho fosse liberal ou não desse broncas em Valéria, mas ele, com certeza, não era um imbecil hipócrita como o pai. Victor sempre pedia que a garota tivesse juízo, odiava quando ela saia para curtir um pouco e dava broncas fenomenais, dignas da ira de Deus no Velho Testamento.
Foi por causa do padrinho que ela aprendeu magia mesmo sendo uma cientista e foi por admirar tanto Victor que a garota frequentou a igreja, chegando a fazer parte dos trabalhos de caridade e estudos da Bíblia.
A garota encarou o relógio em seu pulso.
Fazia quase uma hora desde que chegou e Reed ainda estava gritando suas loucuras de controle e histeria, talvez fosse hora de terminar aquele circo e colocar algumas coisas em seus devidos lugares.
Valéria encarou o teto e bocejou, deixando sua raiva com toda aquela situação escapar em algo que pareceu um rugido e causou uma sobrecarga no sistema elétrico do prédio.
Ben Grimm parou de comer seu cereal na mesma hora para encarar a garota, enquanto Reed olhava para a filha assustado.
Sue era a única que não parecia surpresa.
—O que você acabou de fazer?! –E Reed ainda estava histérico.
—Acabei de sobrecarregar seus geradores, então é bom ir dar uma olhada na capacidade deles, porque usei uma descarga de energia que pode realmente fazer alguns deles explodirem. –Não que a garota estivesse preocupada.
—Como fez isso? Seus poderes não deveriam ser tão grandes assim. –Não era bem uma novidade para Valéria que o pai não lesse os relatórios que Victor fazia sobre seu desenvolvimento, mas doía ver aquilo em primeira mão.
—Magia é uma forma de manipular energia, se eu posso entender os fundamentos da manipulação mágica, posso usar o mesmo princípio para aumentar a quantidade de eletricidade que posso canalizar. Afinal, tudo no universo é energia e a única diferença é que para certos usos você precisa usar diferentes princípios de aplicação, claro que se você domina mais de um pode encontrar um jeito de usá-los de forma conjunta. –Valéria levantou do sofá sem olhar para Reed. –Vou para o meu quarto ver o que ainda posso usar de lá, mesmo não acreditando que tenha alguma coisa, então depois vou sair para umas compras mais tarde. –Ela encarou o Senhor Fantástico. –Caso não me queira na cidade, tudo bem, peço um alojamento para a Hill. Tenho certeza que a Comandante vai me dar uma recepção muito mais calorosa que a de qualquer um aqui, além de um quarto muito mais bem arrumado.
—Você vai para a Latvéria! Isso é uma ordem.
A garota encarou o homem que era seu pai curiosa.
—O que te leva a pensar que vai conseguir me fazer te obedecer quando não pode conter meu poder e que em dois meses serei oficialmente maior de idade? –Valéria deixou a mala em suas mãos no chão e se aproximou de Reed. –Burn! –E na mesma hora uma corrente de fogo envolveu o homem que não conseguia se afastar.
Valéria se afastou lançando um olhar duro para Franklin, que observava tudo do canto de cabeça baixa, ela seguiu para o quarto e viu que tudo que existia ali eram suas coisas de criança, coisas de quando ela tinha três para quatro anos. Não havia nada ali para ser levado, nem mesmo de lembrança, afinal, seu pai garantiu que não houvesse nada para se apegar.
Seu corpo se moveu por vontade própria levanto a garota de volta para a sala, o que fez a corrente de fogo desaparecer do Senhor Fantástico na mesma hora.
Ela pegou a mala e jogou nas costas seguindo para a saída.
—Onde pensa que vai?! –E mesmo ofegante e parecendo meio derretido, Reed a olhava furioso.
O olhar do homem não a assustou, ela apenas voltou alguns passos e encarou o líder do Quarteto sem sentimento algum.
—Cold! –No mesmo instante o corpo de Reed ficou congelado. –Eu não me mexeria se fosse você. Borracha não se dá bem nem com calor ou frio. –Valéria ignorou a fúria silenciosa do pai e encarou os demais. –Vou ficar na Shield. –Ela voltou a andar até a porta. –Pensar que eu teria um lugar nessa casa foi uma ilusão bem idiota da minha parte. Minha casa e minha família sempre estiveram na Latvéria e sempre estarão, não importa onde eu esteja. –Ela encarou o pai de dentro do elevador. –Agradeço o senhor por isso. Passar quase quatorze anos com tio Victor certamente me deu um bom pai e Damian definitivamente foi um irmão melhor do que eu podia pedir. –A porta começou a fechar. –Nos vemos por aí.
De algum modo, um que nem ela poderia explicar mais tarde, Valéria se sentiu aliviada de não ter que ficar no Edificio Baxter, de não ter que fingir gostar do pai, ignorar todas as pessoas que a abandonaram a tantos anos. Se sentiu livre de qualquer amarra com sua família de sangue, afinal, aquela ideia de que talvez eles demonstrassem qualquer preocupação real com ela não havia passado disso, uma ideia.
Recebeu uma mensagem no celular e se surpreendeu.
“Use o carro que comprei para seu aniversário de dezesseis anos e vá para a Shield.
Seu pai não vai te seguir ou ir te buscar.
Desculpe.
Mamãe”
Valéria seguiu para a garagem e entrou no carro que havia sido programado para seu uso a alguns anos, quando pensou que o pai a deixaria voltar. Sentou atrás do volante e sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
A verdade é que aquilo doía mais do que qualquer outra coisa que já tinha passado.
Era pior do que levar um tiro no pulmão durante a guerra com o país vizinho, mais doloroso do que ter a mão esmagada e dilacerada por um experimento que deu errado ou qualquer uma das vezes em que se queimou com ácido. Doía mais do que se queimar nas chamas do inferno.
Nunca havia levado muito a sério quando seu tio Victor dizia que a maior dor que alguém pode sentir é a decepção causada por aqueles que amamos, porque a traição dessa pessoa é pior do que a sua morte. Poderia até tentar negar para si mesma, mas amava sua família e saber que eles não estavam dispostos a defendê-la ou a querer por perto... Era algo que não conseguia segurar.
Agora podia dizer que entendia ao menos um pouco a dor que via nos olhos de seu padrinho quando dizia aquilo, porque ela nunca se sentiu tão triste e com tanta raiva quanto naquele momento.
Ela respirou fundo, pegou o celular e mandou uma mensagem para Hill.
Vou precisar de um alojamento, pode me arrumar um junto com credenciais?
As coisas não deram muito certo em casa.
Desculpe pela confusão.
Enviou a mensagem e ligou o carro.
Recebeu a resposta quando parou no primeiro semáforo.
Hill está ocupada, estou cuidando de tudo,
mas pode vir que já comecei a providenciar o que precisa.
Andrew.
Ela riu de como o garoto assinou a mensagem.
Hill devia ter deixado o celular clone com Andrew para que ele respondesse o mais simples, o que significava que as coisas estavam complicadas para a Comandante.
Valéria continuou dirigindo pela cidade até parar em um shopping.
Mandou uma mensagem para Andy dizendo que queria algumas fotos e dimensões do seu alojamento para comprar algumas coisas simples. Recebeu tudo cinco minutos depois de um homem chamado Alphonso Mackenzie, além de uma lista dos itens que poderiam ser trocados para personalizar o espaço.
Ela sorriu.
Entrou em uma loja e comprou algumas canecas, passou em outra onde comprou dois cobertores, na terceira comprou uma mochila e na última um enfeite para o quarto.
Voltou para o carro e no caminho para a Shield parou no único lugar onde tinha alguma recordação com a família: uma lanchonete. Comprou um lanche e seguiu para a agência sem paradas.
Encontrou um homem negro alto parado na entrada, o tipo que de vista parecia ter um senso de humor difícil de agradar.
—Valéria Richards? –Ela concordou. –Mack, engenheiro chefe. Eu estava de folga, mas o Andy me pediu uma ajudinha rápida, então decidi te acompanhar.
—Não precisava.
—Que é isso. O garoto nunca pede nada, é o mínimo que posso fazer por ele e pela Daisy. Além disso, ele me repassou a sua mensagem.
—Desculpe por isso.
—Por ter um pai como Reed? Não precisa. –Mack riu da cara da garota. –Atlante. Ela é minha filha.
—Você também é inumano?
Mack gargalhou.
—Nem de longe, minha esposa é. Enfim, sempre achei seu pai idiota com a coisa toda sobre você, e olha que eu sou um pai superprotetor.
—Ser superprotetor não é o problema. –Valéria olhou para o corredor em que seguiam. –Mesmo assim, obrigada por me ajudar na sua folga.
—Não tem problema, gosto de ser útil. Além disso, eu menti sobre o seu alojamento. –Mack tocou o painel e a porta se abriu. –Andrew recebeu ordens de te colocar em um desses, então ainda vamos terminar os detalhes, mas não é algo ruim.
Valéria olhou espaço e ficou surpresa.
Ela largou a mala e as sacolas que Mack não pode carregar e andou pelo lugar.
Havia uma sala pequena com uma janela com vista para o lago integrada a uma cozinha com um balcão.
Não tinha quase nada além de eletrodomésticos e uma televisão no espaço
—Se for para o corredor vai encontrar dois quartos e um banheiro, como você é uma cientista pode usar o quarto extra como escritório e biblioteca. Ali também tem um lavabo e a despensa fica daquele lado.
—Isso é... –A garota engoliu em seco sem conseguir falar.
—Um apartamento funcional para solteiros, apesar dos dois quartos. Foi pensado visando nossos cientistas e médicos que não tem família. Como eu falei, podemos providenciar qualquer tipo de móvel que queira, ainda assim achei que o melhor era te deixar escolher em vez de encher o espaço com coisas que talvez não fosse gostar. –Foi quando Mack viu o corpo da garota tremer. –Tudo bem? –Ela negou, mas não falou nada. –O que houve? –Ele a puxou de leve pelo ombro e viu que a loira chorava, foi por puro instinto que Mackenzie abraçou Valéria e afagou sua cabeça enquanto o choro dela virava um soluço cheio de dor. –Tudo bem, pode chorar. Coloca pra fora tudo isso.
E, enquanto chorava, Valéria podia sentir algo quebrar dentro do seu peito e mesmo que sua mente racional dissesse que era algo na sua psique emocional, seu emocional não queria saber de onde vinha, só que seu peito queimava e doía como o inferno.
Mack ficou ali até a garota desmaiar e, por fim, teve que levá-la até a ala médica para ser avaliada.
Ele ligou para Elena e pediu que a esposa o encontrasse no apartamento que seria de Valéria.
Assim que voltou começou a mexer nas compras da garota e quando Elena chegou pediu que ela fizesse o mesmo com a mala, mas não mexesse em nada que estivesse fechado em alguma caixa. Pararam antes mesmo de começar quando a mulher achou um álbum de fotos sobre os outros itens da bolsa.
O álbum estava cheio de fotos de Valéria com Damian e Victor na Latvéria, não apenas no castelo, em um acampamento, durante uma caçada, cozinhando, mexendo em projetos. Em todas elas garota sorria ou parecia rir, em algumas ela parecia ter acabado de ter algum acidente no laboratório em uma expressão meio culpada meio dolorida. Aquilo fez os dois adultos rirem algumas vezes.
Mack parou observando os objetos que estavam nas sacolas e ficou sério.
—Conheço essa sua cara Turtleman, acabou de encontrar um projeto do qual não vai abrir mão.
—Essa garota precisa de ajuda Yo-Yo, tanta ajuda quanto se tivesse acabado de perder os pais para a morte, talvez mais. Não posso fazer milagres, só quero pelo menos dar alguma força para ela.
—E o que vai fazer?
—Quero dar uma arrumada aqui.
—Decorar o apartamento sem a opinião dela?
—Mas nós temos a opinião dela. –Ele apontou para o álbum. –E eu vou pegar o telefone do Von Doom. –Mack encarou a esposa. –Espero que esses sorrisos sejam sinal que ele realmente se importa com a garota e vai nos ajudar em alguma coisa.
Elena sorriu para o marido.
—Você continua com esse coração gigante mesmo depois de todo esses anos, não é mesmo Turtleman?
—E você ainda me machuca com essa história de Turtleman.
—Você gosta.
Os dois riram e Mack começou com seu projeto.
Primeiro passo: ligar para Victor Von Doom.
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A primeira coisa que Maximillian percebeu ao acordar foi que não estava sozinho na cama, o que não era exatamente algo ruim, só diferente do que estava acostumado desde que parou de dividir o quarto com a irmã aos dez anos.
Talvez a maior surpresa do mutante tenha sido dar de cara com o semideus asgardiano dormindo como se fosse um anjo ao seu lado. Não que Max fosse enganado por coisas como aparências, afinal elas poderiam enganar muito e Jason podia ser muitas coisa, mas um anjo não estava entre elas.
O garoto sentou na beira da cama olhando o celular, onde a hora e as mensagens o fizeram rir.
Passava das dez da manhã e Max não lembrava a última vez que se permitiu dormir até tão tarde ou de receber aquela quantidade de mensagens da irmã, a maior parte com ela dizendo que era muito irresponsável da parte dele deixar peças de roupas jogadas pela escada “especialmente roupas de outros homens” (nessa parte ela fez questão de usar letras maiúsculas e muitos pontos de exclamação).
Maximillian riu e levantou indo até o banheiro, ligou o chuveiro e deixou a água quente escorrer por seu corpo sem se preocupar em fechar a porta.
—Eu deveria me sentir um pouco ofendido ao ser largado naquela cama como um objeto sexual. –Jason estava parado na porta com uma cara de sono digna de filmes, o que fez o Strange rir.
—Não seja dramático. –Max abriu a porta do box e voltou para baixo da água. –Objetos sexuais não dormiriam na minha cama ou teriam acesso ao meu chuveiro. –Jason riu e entrou no espaço de banho, observando o mutante. –Quer dizer alguma coisa?
—Estamos namorando?
—Não estamos?
—Você é bem simples, não é?
Max gargalhou.
—E você é muito desconfiado. –Jason deu de ombros e Max esticou o braço na direção da cabeça do asgardiano que engoliu em seco e deu um passo para trás batendo contra a parede. –Eu preciso da minha toalha.
O semideus reparou na peça as suas costas e se afastou.
—Não tinha visto.
Max enrolou a toalha na cintura e se aproximou do asgardiano beijando o canto da sua boca.
—Você ainda não viu nada Lokison. –O Strange se afastou e parou na porta do banheiro. –Tem toalhas limpas na gaveta, mas se não quiser também não vou ligar caso queira voltar para cama pelado.
Jason engoliu em seco e entrou debaixo do chuveiro sabendo que água quente era a melhor forma de um meio Jotunh se acalmar de verdade. Era novo para o rapaz se sentir daquela forma e não era exatamente como ele esperava, sempre pensou que seria uma pessoa mais relaxada e até intensa.
Bom, ele podia ser intenso, só não estava sendo como imaginava.
Talvez fosse porque Max parecia mais à vontade do que ele com aquela situação, talvez fosse porque pensava demais. Se fosse a segunda opção era sinal que apenas Wolf havia se salvado do senso de vergonha da família como um todo por ser um idiota e agora Jason entendia muito mais sobre como Ur se sentia a respeito de Daniel. Ele provavelmente devia desculpas a irmã depois dessa.
—Se você for demorar muito me avisa que vou te fazer companhia. –A voz de Max soou do quarto e causou um arrepio em Jason. –Tomei a liberdade de avisar a Pepper que você passou a noite aqui e pode demorar a voltar.
Demorar?
Por que ele demoraria muito mais para voltar?
Jason fechou a torneira, pegou uma toalha na gaveta e foi para o quarto com um frio na barriga nada bom para um semideus ligado ao gelo.
—Estou vendo que seguiu metade de todas as instruções. –No quarto Max usava uma calça de algum pijama enquanto colocava alguns itens de uma bandeja sobre a mesa de estudos. –Minha família é legal e não costuma se intrometer na minha vida, só não estou muito a fim de ouvir os questionamentos no café da manhã. Imagino que também prefere deixar as perguntas constrangedoras para mais tarde, certo?
Jason acabou rindo e, por fim, concordou com Maximillian.
Continuava se questionando porque aquilo ainda parecia tão estranho, mas estava disposto a esperar para conseguir essa resposta.
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Christine não teve trabalho em achar Claire quando chegou na Shield, na verdade essa foi a parte mais simples, já que a Rogers estava no jardim interno cercada pela equipe de filmagens, então a Frost decidiu que não atrapalharia aquele plano do Stark (que sua mãe havia feito o favor de explicar) e foi procurar o marido-namorado.
Andrew estava terminando de revisar alguns relatórios que Hill havia mandado mais cedo e confirmando o tamanho dos estragos do caso Parker em Londres quando Chris passou pela porta da sala.
—Me diga que isso não vai demorar.
O garoto sorriu.
—Infelizmente vai. –Ele indicou a cadeira vazia ao seu lado e a loira sentou. –Isso foi em Londres, quando Sue foi socorrer a Sarah sobre o caso da universidade. –A Frost concordou, já que também sabia sobre aquilo por Emma. –A Shield mesmo não vai ter grandes gastos financeiros sobre o assunto e nem nossos associados, só vamos ter que gastar um pouco com o caso do grupo de ódio dentro da universidade, já que os recursos empregados serão quase todos nossos. O que vai exigir muitas horas extras da unidade britânica, o que acho que é o menor dos males.
—E você vai precisar revisar toda a papelada que falta sobre isso para Hill depois assinar sem morrer por que...? –Não que Christine fosse levar aquele obstáculo nos seus planos de corromper o namorado como algo grave, mesmo assim...
—Resumindo, a mãe da Cassie é uma bruxa velha irritante e quando a Hill ia começar a mexer nos assuntos do dia recebeu um aviso sobre a visita de uma comitiva para avaliar a situação da agência e dos termos de guarda.
—Como diabos ela conseguiu isso em tão pouco tempo?
—Pesquisas do jurídico da Shield dão conta que o advogado da Maggie é um safado inescrupuloso muito habilidoso e extremamente filho da puta. –Andrew notou o olhar surpreso da namorada. –Eu sei, falo menos palavrão que a Claire perto do pai, mas nesse caso é a forma mais simples de explicar o quão desprezível o cara é.
—Bom, eu aceito o palavrão como explicação suficiente, não se preocupe. –A garota levantou e deitou no sofá no canto da sala. –Então até você terminar aí eu não posso te seduzir, isso é chato.
Andy engasgou e encarou a namorada incrédulo.
—Você é maluca, sabia?
Christine sorriu.
—Sempre. Agora se empenhe em terminar isso logo, tenho grandes planos para o seu tempo livre depois disso.
O garoto engoliu em seco, porém acabou focando em terminar aquilo.
Ele podia não saber lidar com a forma como a namorada agia, só não negaria que gostava dela ser exatamente como era desde o dia em que se conheceram.
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A revisão médica que Hill pediu demorou mais do que Sarah tinha imaginado e, embora os ajustes técnicos do traje tivessem ficado para outra data, a Parker acabou saindo da agência depois do meio dia. Pensou em dar uma volta pela cidade ou, quem sabe, comprar alguma coisa para os pais, mas mesmo ansiosa resolveu encontrar a família de uma vez.
Pegou um dos carros que Tony mantinha na garagem da agência para uso dos mais jovens e seguiu para a Torre Stark, parando apenas para comprar algumas porcarias em uma lanchonete no caminho. Foi uma surpresa encontrar aquela quantidade absurda de repórteres, especialmente em uma terça-feira, ainda que Sue a tivesse atualizado sobre a situação de Claire durante a viagem de volta.
Sarah parou no espaço reservado aos moradores e recebeu um olhar curioso do rapaz que pegaria as chaves.
—Sarah Georgina Stacy Parker, cobertura. –Ela entregou as chaves na mão do rapaz ainda surpreso e apoiou a mão no leitor ao lado do computador dele, o que fez a máquina apitar. –Boa tarde Jarvis, não avise meus pais que cheguei.
—A senhorita tem certeza que não quer informá-los? –A voz computadorizada ecoou pelos alto-falantes assustando até os repórteres.
—Sim, eles já sabem que estou na cidade, só quero deixar um pouco de surpresa. –Ela encarou o manobrista que a olhava surpreso. –Não se preocupe, todos os novatos vão ter que se acostumar comigo por um tempo. –Sarah ignorou os jornalistas gritando perguntas e entrou no prédio atraindo olhares sobre si.
Ainda assim a única pessoa a se aproximar foi um segurança que a guiou para o elevador.
—As medidas de segurança da Torre foram reforçadas desde ontem devido a algumas tentativas de invasão. –O homem não precisou se identificar para a garota saber que devia ser o chefe de segurança do turno. –Iremos atualizar as credenciais da senhorita até o final da tarde, quando os dispositivos de segurança também serão entregues.
—Estamos no nível de dispositivos de segurança para acesso? –Sarah se sentiu desanimada.
—Tanto seu pai como a presidente Potts e o senhor Stark acham melhor prevenir para a eventualidade. Como muitos funcionários moram na Torre, a preocupação alcança a segurança de todos os residentes. –Ele encarou Sarah. –Eu sou Urian Fisher, chefe do turno da tarde, e chefe dos chefes de segurança que reportam ao Jarvis e aos Stark.
—Sarah Parker, sua nova dor de cabeça.
O homem riu com a brincadeira e assim que a porta do elevador abriu no andar da família ele esperou que a garota saísse e voltou para a sala de segurança.
A primeira coisa que Sarah notou na grande sala foi a mudança dos móveis e a segunda o número de crianças e jovens em meio a uma guerra de travesseiros e almofadas. Ela via May, Maria e James agindo como loucos enquanto uma garota morena ria da cena a alguns metros, no meio da confusão um garoto loiro meio selvagem desviava as almofadas de Alexa enquanto a ruiva investia contra Robert como uma máquina de guerra.
Aquilo era uma bagunça completa e Sarah decidiu usar aquela zona de guerra como forma de dizer “oi”.
Pegou duas almofadas que estavam próximas a porta e atirou ambas na direção de Alexa, o garoto selvagem parou a primeira, mas a segunda acertou a ruiva em cheio.
—Quem foi o...? –A frase morreu quando a Romanoff viu a mais velha sorrindo na entrada. –Sarah!
Foi imediato.
May pulou na direção da irmã e a derrubou no chão, o que abriu espaço para Maria e James pularem sobre as duas e serem tirados logo em seguida para que Alexa e Robert se jogassem sobre a ruiva mais nova. Só então os pequenos pularam sobre os gêmeos Romanoff.
—Estão me esmagando! –Annie May gritou.
—Te esmagando? –Sarah conseguiu dizer antes de lançar uma teia na parede próxima e derrubar o grupo no chão. –Querem me matar? –Ela começou a levantar quando Maria e James pularam na sua direção. –Vocês realmente amam me derrubar no chão, não é? –A garota sentou com os pequenos e viu os adultos na porta da cozinha. –Oi pai. Oi mãe. Tio Tony. Tia Pepper.
Não foi inesperado que Peter e Mary Jane fossem até a garota e a ajudassem a levantar para depois abraçá-la, ainda assim Sarah se sentiu muito mais emocionada do que em qualquer outro momento.
—Estou tão feliz em te ver. –Peter tinha os olhos cheios de lágrimas. –Sue mandou o vídeo sobre a reunião... –Não era algo inesperado que o homem estivesse ansioso. –Vai mesmo usar o uniforme?
A garota sorriu.
—Hill me pediu para fazer algumas aulas de reciclagem, mas sim. Sendo sincera, gostaria que o senhor também me desse algumas aulas sobre como ser uma Aranha. –O Homem-Aranha concordou e Sarah olhou para Mary Jane. –Obrigada por tudo.
—Pelo quê?
—Por sempre ter me apoiado e me ajudado.
—Você não é só minha enteada, é como minha filha de sangue. E não é só por ser filha do Peter, sua mãe era minha amiga e eu jamais deixaria uma filha da Gwen desamparada, assim como não deixei você e o Ben mesmo antes de casar com seu pai. –Mary Jane se aproximou da garota e depositou um beijo na sua testa. –Seja hoje ou no dia em que fui com Peter te buscar na Inglaterra, eu nunca pensei em deixar vocês dois sozinhos.
Sarah apenas abraçou Mary Jane com força e quando se afastou sorriu para o pai e Tony.
—O pessoal da Shield disse que o traje precisa de atualizações.
—Já imaginava isso. –Tony se aproximou e depois abraçou a garota. –Vou cuidar para fazer as mudanças, então se concentre em decidir os outros detalhes do que quer fazer e nos treinos. Alguma outra mudança além das atualizações básicas?
—Nenhuma, o traje é perfeito. –Sarah foi até Pepper e a abraçou. –Senti saudades da minha tia favorita.
A CEO da Stark Inc gargalhou.
—Deixa a Natasha te ouvir falando isso. –Os mais velhos riram. –Vai ser bom te ter por perto.
Sarah olhou para todos na sala e acabou rindo.
—Alguém me explica como acabamos com a maior concentração de ruivos fora do bairro irlandês.
—Isso aconteceu por causa da missão da Claire ontem e a audiência da Cassandra. –Pepper entregou o tablete para Sarah. –A Shield também recebeu uma notificação da Secretária de Educação, então nossos planos de colocar todo mundo para estudar aqui, na Shield ou no Instituto vai ser deixado para as próximas semanas.
—Eles não querem que estudemos? –A loira parecia confusa.
—Eles tem medo que possamos trapacear em alguma máquina mágica, como se isso fosse ajudar a Alexa a passar em uma prova. –Annie May brincou se escondendo atrás da irmã quando a Romanoff tentou dar um soco nela.
—E só para saber, o Steve decidiu que quer fazer a festa da família esse fim de semana, então as mãos extras serão todas usadas. –Tony aproveitou para avisar todos sobre aquela parte.
Os mais novos olharam uns para os outros antes de gritarem alto:
—FESTA!
—Isso pode ser divertido. –Sarah sorriu para os desconhecidos. –Faz um tempo que não vejo todos, mas acho que vocês são novos. –Ela andou até a garota morena que continuava afastada e estendeu a mão. –Sarah Parker.
A morena hesitou, mas acabou retribuindo.
—Ur, filha do Loki.
—Certo, tia Sue falou de você. Então... –Ela se voltou para o garoto selvagem. –Você deve ser Wolf, acertei?
—Certinho.
—Onde está o terceiro? Jason, não é?
—Acho que ele tá com o garoto do Mago Supremo. –Wolf comentou dando de ombros.
Sarah olhou para Pepper e Mary Jane.
—Max Strange?
—Essa é uma longa história minha querida, uma para a qual todas nós vamos precisar de uma bebida para colocar em dia. –E Pepper não escondeu o quanto aquele assunto podia ser complicado, mas ela também sabia que Sarah era inteligente, além de ser uma das mais velhas depois dos gêmeos Van Dyne.
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A equipe de filmagens seguiu Claire e Laura pela Shield por vários minutos, já que a loira disse que estava atrás de uma amiga. O grupo encontrou com Tália (e um problema que outro garoto disse que resolveria) além de trombar com a Comitiva Hill e desviar o caminho até o ginásio de treinos para ajudar Cassandra (que estava realmente grata com aquilo). No fim, mesmo sem entender muito bem como, Harrelson e Brant pararam na frente de uma porta com uma letra “A” estilizada e colorida, enquanto Morrison encarava todos.
—Seus equipamentos devem ficar aqui. –Ele indicou um compartimento ao lado da porta. –A entrada de qualquer meio de gravação visual ou de voz é proibida por agentes não autorizados ou civis.
Os dois repórteres estranharam, mas quando olharam para Claire acabaram concordando, porque a garota sorria de leve para eles, como se o que veriam do outro lado não tivesse preço. Os cinegrafistas colocaram as câmeras e celulares junto com os aparelhos de Brant e Harrelson, o compartimento foi fechado e a porta foi aberta para um amplo escritório onde uma mulher loira usando um uniforme branco se encontrava sentada lendo alguns documentos, enquanto um homem grande parecia dormir no sofá.
—Pensei que ele estaria te ajudando? –Claire tomou a frente.
—O corpo dele não voltou ao normal ainda, até amanhã isso deve acontecer. –A mulher olhou para Morrison que assentiu. –Bom, creio que preciso me apresentar ao senhor Harrelson e a senhorita Brant, assim como ao senhor Zhou e o senhor Jones. –Ela levantou e ficou diante dos dois. –Meu nome é Sharon Carter, sou a mãe da Claire e... –Sharon apontou para o homem no sofá. –O dorminhoco ali é o Steve, meu marido e pai dos nossos dois tesouros.
—Resolveu aproveitar que o papai tá dormindo para usar os termos clichês dele? –A garota brincou.
—Bom, eu tenho que fazer isso quando posso, não é mesmo? –Sharon brincou.
—Meus termos não são clichês e eu não conseguiria dormir com tantas pessoas entrando na sala de uma só vez. –E logo todos encaravam um Capitão América com a cara amassada. –Acho que meu rosto ficou apoiado na costura do sofá. –Mãe e filha riram, enquanto o homem olhou para Laura. –Obrigado por cuidar da doida da minha filha ontem.
A morena corou.
—Não foi nada. –Steve levantou e bagunçou os cabelos da garota. –Senhor?
—Relaxa, eu estou de folga, igual você. –Steve encarou a filha e Laura. –Hoje não vai dar, mas amanhã a gente aproveita o dia juntos e na quinta ou sexta podemos fazer algo divertido, pode ser?
—Acho que não estamos autorizadas a sair sem uma escolta. –Laura comentou.
Steve riu daquilo.
—A diversão é meio que um trabalho. –Todos olharam para ele surpresos. –Eu quero fazer a festa esse fim de semana, então preciso de todas as mãos disponíveis.
—Elas podem não ter disponibilidade, esqueceu que uma representante do Escritório Regional da Educação pode aparecer a qualquer momento? –Apesar do aviso, Sharon sorria para a ideia do marido.
—Não esqueci. –Steve pegou um caderno e entregou para a esposa. –Sendo direto, eu mandei uma mensagem para a Emma e perguntei se poderíamos usar o jardim da escola para a festa. Apesar do tempo frio não é como se fossemos fazer algo maluco. –Todos olhavam surpresos para o Capitão. –Em todo o caso, não especifiquei o dia porque ainda temos que ver algumas coisas, mas Emma e Tony disseram que a comida e as bebidas é por conta deles.
—Claro que eles disseram. –Sharon riu. –Tudo bem, cuide da parte que você gosta e eu fico supervisionando tudo depois.
Steve encarou a equipe e sorriu.
—Se estiverem livres podem ir também. –Aquele convite assustou todo mundo. –Conversei com Fittz por e-mail por conta dessa questão de verem meu rosto em gravações, então ele me disse que vai arrumar um aparelho que vai fazer meu rosto ficar distorcido, assim facilita até para quando eu for realizar algum trabalho sem o uniforme.
—Realmente é algo bom. –Claire acabou rindo. –Seria estranho não ver o senhor em casa só por causa das câmeras do lado de fora.
Todos acabaram concordando e o Capitão sorriu para o grupo de filmagens.
—Vamos sentar e conversar, estou curioso sobre vocês. Afinal a senhorita Brant é noiva do Maines, o que já faz com que seja quase parte da família, e você é um membro honorário da família também Tom. –Harrelson se surpreendeu. –Até porque, já vi aquele seu documentário da máfia irlandesa tantas vezes que poderia narrá-lo de olhos fechados. –Claire corou e todos acabaram rindo.
O grupo de reportagem sentou nos sofás e iniciou uma longa conversa sobre diversos assuntos, incluindo detalhes de quando a reportagem começou. Ficaram ali por quase uma hora antes de Steve voltar a ficar sonolento e o grupo decidir sair para o Capitão dormir.
Assim que saíram da sala e pegaram as câmeras e celulares, Brant parou onde estava.
—Por que nos trouxe até aqui? –Ela encarava Claire que deu de ombros.
—Achei que era justo vocês conhecerem os dois, afinal não é como se eu tivesse precisado contar quem ele era para nos conectarem. Sem falar que vocês são boas pessoas.
—E se o Grimm estivesse no meu lugar, faria isso? –Não que a mulher fosse ingênua.
—Provavelmente não, mas acho que esse não é o ponto. –Todos encararam a loira. –O que interessa é que foi assim que as coisas aconteceram, não como teria sido com o Grimm, até porque se ele estivesse aqui e tivesse percebido, a emissora já teria noticiado meu parentesco, não é?
Brant não falou mais nada, porque ela, assim como Harrelson, Zhou e Jones sabiam muito bem que aquilo era verdade.
—Quer tentar achar a Christine novamente? –Laura já estava alguns metros na frente dos demais. –Acho que senti o cheiro dela na direção do refeitório.
Claire sorriu.
—Também senti.
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Mack teve uma longa e esclarecedora conversa com Victor Von Doom, algo que o fez sentir que estava falando com o pai de Valéria e não um padrinho, conseguia entender aquilo: o rei da Latvéria cuidava da menina desde antes dela ter quatro anos e Reed a exilar do mundo.
Colocou alguns agentes para ajudar naquele projeto, já que não queria deixar muitas coisas para serem feitas depois, a maioria era novatos que estavam carregando objetos pesados e alguns técnicos que cuidavam de manter o prédio arrumado e funcionando.
O maior problema do engenheiro foi com a orientação de Victor sobre os poderes elétricos de Valéria, o que fez com que eles precisassem abrir os painéis na parede para conseguir adequar o espaço com dez vezes mais resistência elétrica do que o setor de engenharia inteiro, além de precisarem aterrar tudo com cinco vezes mais cuidado do que o normal para os lugares mais delicados da instalação. Von Doom ainda disse que era bom usar as cargas extras de energia nos geradores, mas que ela podia sobrecarregá-los com facilidade caso não seguissem as especificações que mandaria mais tarde. Mack precisou pedir para o time de engenharia revisar todos os geradores da agência para saber se eles conseguiriam segurar a carga extra, apenas por precaução.
O trabalho técnico que Mackenzie fez deu tempo de sobra para que Elena conseguisse encontrar as peças para o apartamento junto ao time de logística que cuidava da organização das salas e escritórios, além de dar uma saída para comprar alguns itens para deixar o espaço mais acolhedor.
Foi com surpresa que Mack recebeu Andrew e Christine no começo da tarde.
Ele não demorou para explicar tudo aos dois e logo a garota disse que ajudaria, por que Andy ainda tinha mais uma tonelada de documentos para revisar. Não que o garoto tenha desmentido aquilo, ele apenas pegou um banquinho e foi sentar na despensa onde não ficaria no caminho de ninguém.
Não foi um problema para o engenheiro trabalhar com a Frost, ela não era particularmente talentosa ou tinha o conhecimento para mexer naquela parte do trabalho, mas sabia seguir instruções com uma calma quase desconcertante, o que permita que fosse apta a realizar quase qualquer função.
O time da engenharia elétrica já havia terminado todas as alterações quando o pessoal que instalaria as outras peças chegou com as bancadas de madeira tratadas com epóxi e o piso novo começou a ser colocado dos quartos para a sala.
Uma das coisas que Mack gostava naqueles apartamentos era a facilidade em instalar novas decorações, já que sempre ficavam limpos quando eram desocupados até o novo morador ser designado. A única coisa que não conseguiam trocar eram os armários de aço inoxidável da cozinha, mesmo assim não era algo muito grave. As paredes já estavam com o papel de parede colocado e tratado para ficar menos frio que o cinza do metal normalmente utilizado.
Elena já tinha conseguido todos os itens de sua lista e esperava do lado de fora para poderem começar a levar os moveis e utensílios para os outros cômodos.
Foi depois do meio da tarde que Claire e Laura apareceram com a equipe de reportagem, dessa vez Christine foi lá e explicou tudo para o grupo, também foi o momento em que a Frost e Andrew pegaram para sair. O garoto ainda teve o trabalho de dizer que qualquer outra coisa que Mack precisasse era só pedir.
A partida deles não atrapalhou os planos do engenheiro que conseguiu colocar a parte que podia fazer no lugar antes das cinco da tarde.
—Isso foi puxado. –Riu daquilo e notou o olhar da esposa. –O que foi?
—Gosto de ser lembrada do porquê casei com você. –Ele não entendeu e Elena riu. –Às vezes você é tão sério quanto chato, mas isso não muda que você tem o coração mais carinhoso e mole do mundo, se preocupa com todos, até quem não conhece.
O engenheiro ficou meio sem jeito, porém não teve tempo de responder.
—O que aconteceu aqui? –O casal se virou e deu de cara com Valéria ao lado de Daisy.
Os dois trocaram um olhar culpado e Elena deu um tapa nas costas do marido.
—Nós... Bem, eu... –Mack respirou fundo. –Depois do que aconteceu, quis fazer alguma coisa e posso ou não ter visto seu álbum de fotos, além de ter ligado para o seu padrinho. –Ele abriu espaço para a garota ver melhor o apartamento. –No geral são apenas moveis e alguns utensílios para o dia a dia, mas não mexi no escritório, sei que cientistas podem ser um pouco complicados com esse espaço.
Valéria olhou ao redor notando os toques de seu padrinho e de Damian misturados a preocupação de Mackenzie.
As bancadas de aço estavam cobertas por um tipo de madeira envernizada, algo que ela preferia. O piso de madeira era bem mais escuro que as bancadas da cozinha e o jogo de sofá parecia confortável com uma cor cinza clara e bordada de verde e dourado, assim como as duas poltronas de madeira. No canto da parede, ao lado da janela havia uma bandeira da Latvéria em um pedestal contrastando com a cortina branca. Os bancos do balcão para refeições tinham tons escuros nas pernas e um cinza escuro no estofado. Nas paredes um papel de parede branco com detalhes de flores douradas extremamente delicadas contrastava com o resto da mobília.
A garota correu para o quarto e encontrou uma grande cama de madeira escura e as paredes com um papel de parede branco com arabescos verdes, ela voltou para a sala e encarou Mack.
—O padrinho disse que eu iria querer verde no quarto e a cama escura, não é? –O engenheiro concordou e a garota riu. –Ele realmente me conhece. –Valéria foi até o homem e o abraçou com força. –Obrigada. –Ela se afastou e abraçou Elena em seguida. –De verdade, muito obrigada.
A inumana ficou sem jeito com o abraço da garota, mas acabou retribuindo e, por fim, acabou afagando os cabelos da mais nova quando ela voltou a chorar.
Mack encarou Daisy que suspirou.
Seria um processo um tanto trabalhoso, ainda assim eles sabiam que tinham que cuidar para que a garota encontrasse seu caminho a partir daquele ponto, mesmo que com pequenos gestos.
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Continua...
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No próximo capítulo: Powerless.
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