Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

Data Terrestre: 10 de Outubro

O celular de James começou a apitar muito antes do que esperava.

Todas eram notificações sobre o cancelamento de aulas e os professores em questão o preocupavam um pouco.

Tália estaria longe do Instituto até segunda ordem.

As turmas normais de Alexis estavam suspensas, assim como as turmas especiais de Nathan, em ambos os casos sem previsão de retorno.

Todos os avisos chegaram antes das sete da manhã.

O Howlett suspirou um pouco cansado.

Já imaginava que a qualquer momento as aulas de Nikolai também seriam suspensas, o que o fazia ficar preocupado, porque se Alexis estava tendo um momento difícil aquele ponto, as coisas não melhorariam tão cedo sem uma intervenção mágica.

Olhou para a turma a sua frente e passou a sequência de exercícios de combate para o pós aquecimento, voltando sua atenção para as duas crianças ao seu lado. Ele se abaixou um pouco para ficar da altura dos gêmeos Lehnsherr.

—Bom, eu admito que vocês fizeram um aquecimento muito melhor que os outros alunos com o dobro da sua idade e tia Ororo comentou que seu pai os treinou, certo? –Os dois assentiram. –Eu não sou um professor muito convencional, então quero que os dois me ataquem para que possa ver o nível de ambos. É um treino sem poderes, como devem saber, então não vou precisar dar outras instruções a respeito, vou?

Charlie se adiantou.

—Nosso ataque vai ser de treino ou pra valer?

—Pra valer. –Os pequenos se olharam preocupados. –Independente de quem vai se machucar, eu prefiro sempre medir a força dos meus alunos de forma completa, por isso não pego leve na avaliação e não quero que peguem leve comigo. –James pareceu pensar e riu. –Os poderes que não podem usar não incluem questões sobre força ou velocidade, já que eu trabalho isso depois.

—Só coisas como suas garras e nosso magnetismo? –Derek parecia mais animado.

—Isso. –O Howlett levantou e ficou em posição de luta. –Podem começar.

Os pequenos avançaram juntos contra o professor e se separaram no meio do primeiro golpe.

Derek atacou as pernas de James, tentando derrubá-lo, enquanto Charlie usou o braço do mais velho como apoio para acertar uma chave de perna na garganta do mesmo. O Howlett gostou da iniciativa, porém não aliviou, jogando seu corpo para trás e fazendo a menina gritar de dor com o impacto. Por outro lado ele acertou um chute no meio de um giro no menino que agora tentava pular sobre seu corpo.

—Mais sério, ainda estão pegando leve e se continuarem assim eu vou matar os dois antes de começarmos.

Os gêmeos se contorciam de dor, mas também sorriam, como se de alguma forma aquela cena fosse um pouco familiar.

O movimento seguinte foi muito mais rápido do que James esperava e os dois se moveram em conjunto, dessa vez sem se dividir.

Acertaram um chute com toda a força na parte de trás dos joelhos do professor que caiu, sentindo os ossos quebrados, o chute seguinte foi no meio das costas e a coluna do mais velho se partiu enquanto os joelhos ainda se curavam. O terceiro golpe foi uma joelhada entre a coluna e os ombros, causando mais ossos quebrados.

James sorriu diante da sequência de golpes e decidiu levar tudo mais a sério, usou o joelho curado para ganhar distância para a outra perna e a coluna, o que confundiu os gêmeos e deu dois segundos a mais para que o professor investisse com um chute direto contra os menores, que foram lançados para longe com o impacto.

O som de ossos estalando foi ouvido e o Howlett mostrou que já estava quase inteiro novamente no mesmo instante que Derek avançou contra o professor em uma linha reta sem hesitar, só que James entendeu o plano antes mesmo de ver Charlie levantar e correr pela lateral da classe para as suas costas.

Ele agarrou os dois pelas blusas e os arremessou em direções opostas, fazendo ambos baterem com força contra as paredes acolchoadas do salão.

As duas crianças ofegavam e ambos pareciam ter algum osso quebrado.

—Quais quebraram? –A pergunta pegou os gêmeos de surpresa.

—Pulso. –Charlie não parecia propensa a chorar.

—Cotovelo. –Assim como Derek.

—Então continuem.

Os pequenos se encararam e partiram para outro ataque rente ao chão, mas no último segundo tentaram acertar o quadril de James, na intenção de quebrar o osso e o derrubar. Infelizmente para os dois, o professor aparou o golpe duplo e com um movimento extremamente ágil deslocou o joelho de ambos.

O resto da turma observava aquela avaliação de força surpresos.

Não pela impiedade de James, que era conhecido por ser extremamente violento e duro nas avaliações dos alunos, e sim pelo fato de que as duas crianças, mesmo estando com muito mais dor do que imaginavam ser possível, continuavam encarando o mais velho com uma firmeza que nenhum deles podia dizer que tinha. Isso e o fato que ninguém durou tanto tempo contra o Howlett.

—Eu imagino que além do seu pai, o Creed também treinou os dois, correto? –As duas crianças assentiram. –E a Mistica deve ter tido algo a ver com os golpes de artes marciais, não é? –Outra confirmação. –Eles fizeram um bom trabalho de modo geral, já que vocês devem ter começado a treinar a uns três anos pelos seus movimentos, o que acredito que também incluiu um pouco de controle de dor. –O mais velho suspirou e se abaixou perto das duas crianças. –Vocês se saíram bem. –James segurou a perna de Charlie. –Vai doer. –E no segundo seguinte realocou a perna da garota que soltou um grito pelo susto, então o rapaz se virou para o garoto e sem avisar arrumou a perna dele que também gritou. –Quanto a seu cotovelo e pulso, tem uma mutante na enfermaria que consegue deixá-los inteiros até o final da manhã.

Os outros observaram que as duas crianças pareciam prestes a chorar, mesmo que segurassem aquilo muito bem.

—Nós perdemos, não é? –Derek parecia chateado.

—Contra mim, sim. Mesmo assim são melhores do que os alunos das minhas turmas como essa, o que não é pouca coisa.

—Você não estava concentrado. –Charlie reclamou.

James riu.

—Por que acha isso?

—Porque estava controlando sua mutação secundária, acho que ela reage ao seu movimento, não é? –Charlie realmente não estava feliz com aquilo.

Todos os alunos ficaram confusos com aquilo.

—Bom, como não a uso ela acaba reagindo a quase tudo que faço, mas sim, eu não estava concentrado só na nossa luta.

—E como vamos ficar se nem conseguimos bater em um cara que não consegue manter a cabeça focada em uma luta? Somos fracos. –Já Derek parecia com raiva de si mesmo.

James sentiu que aquilo poderia ser um problema, mesmo entendendo.

—Por que querem ficar fortes?

—Para proteger a mamãe, o papai e nosso irmãozinho. –Os dois disseram juntos.

—Se esse é o caso, admitir que são fracos é o começo. –Os gêmeos pareciam confusos. –Nascer forte não é sinal de que pode proteger algo, apanhar em uma luta não é sinal de fraqueza. Às vezes, o mais forte se dobra para proteger o mais fraco e se machuca por isso, se torna incapaz de desferir um golpe para não deixar alguém vulnerável. Ter força não significa nunca apanhar e nunca perder, mas ser capaz de proteger aquilo que é importante para vocês, entenderam?

Os dois assentiram e James afagou a cabeça de ambos que sentiram dor.

O mais velho riu da cena e chamou o aluno mais velho.

—Cuide da turma e coloque todos para voltarem a praticar ou vou fazer uma avaliação igual à dos pequenos com todos. –O rapaz nem precisou falar nada e a turma toda voltou as atividades. –Vou levá-los para o McCoy. –James pegou os pequenos nos braços e saiu pela porta da sala. –Vocês sabem que podem chorar depois que a luta acaba, não sabem? –Os dois assentiram. –Não está doendo?

—Muito. –Charlie confessou fazendo força para não chorar.

—Vamos esperar chegar na enfermaria. –Derek também parecia prestes a desabar.

—Se preferem assim.

O Howlett não diria nada, nem sobre a capacidade das crianças de notar que ele estava se contendo para manter sua mutação secundária sob controle ou sobre as habilidades de lutas deles, mas imaginava que seria bom pedir para seu pai e Natasha ajudarem com aquilo, talvez até Alexis, que era muito mais gentil do que ele.

Suspirou com um pouco de peso na consciência.

Talvez tivesse exagerado com os pequenos.

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E o aviso de que as aulas de Nikolai estavam canceladas não surpreendeu James, nem mesmo o aviso sobre a enxaqueca do diretor e o mal-estar de Alexis foram algo que o fez ficar preocupado, por isso foi até a enfermaria ver como os gêmeos Lehnsherr estavam.

Se surpreendeu ao encontrar Rachel e Christine ali.

—Sério Kitty, não precisava ter esmagado parte do estômago de um e do externo do outro, já não me basta o trabalho que o James trouxe com os pequenos para uma avaliação de habilidades e você me apronta essa? –McCoy não parecia realmente bravo e a loira não parecia sentir nenhuma culpa.

—Eu até poderia ajudar na bronca hoje tio Hank, só que infelizmente eles fizeram por merecer. –E ouvir Rachel defender Christine era o ápice do absurdo para qualquer um que conhecesse bem as duas.

—Eu vou fingir que não ouvi isso e só perguntar como os pequenos estão. –James se adiantou antes que algum outro comentário fosse feito sobre o aparente tratado de paz entre Ray e Chris. –E ai Hank?

—Tanto Derek quanto Charlie estão muito bem, aproveitei para fazer mais alguns exames sobre o estado físico deles e parece que você não foi a primeira pessoa a quebrar ossos deles até hoje. –Não que McCoy ficasse mais feliz com aquilo. –Devo imaginar que muitas das lesões foram causadas pelo padrinho deles, Victor Creed, durante os treinos que ministrou, embora eles tenham sido muito bem-curados. Acredito que Erik tenha um mutante com habilidades de cura até melhores que os de Sussan, porque os resultados são realmente incríveis, ou a pessoa é mais velha e tem maior controle do que faz.

—Isso é bom então, significa que eles não tem nenhum impedimento para os treinos. –James observou os raio-X das crianças e sorriu. –Já defini alguns detalhes para a rotina de treinos deles e assim que a Alexis estiver melhor vou colocar eles em um treino misto entre ela e meu pai.

—Tem certeza que seu pai é uma boa opção? –Christine comentou.

—Melhor do que eu, com certeza. –O garoto não hesitou.

—Verdade. –Todos os outros concordaram.

—Depois que eles já tiverem pego o ritmo com os dois vou pedir para aumentar o nível e quando achar que estão prontos vou mandá-los para tia Natasha e a Claire, talvez para a Laura também. –James olhou para Rebecca e Oliver desmaiados. –Só depois vou voltar a treiná-los pessoalmente, o que posso fazer com esses dois caso precisem de punição.

—Espere pelo menos eu curá-los para começar a pensar em fazer algo que os mande de volta para as macas. –A mutante de pele branca como papel e marcas negras pelo corpo, Sussan, reclamou e todos riram.

—Bom, eu acho que vou indo, com a Tália fora vou precisar ir de carro para a Shield e isso pode demorar um pouco. –Christine comentou sem ligar muito.

—Certo, eu fico de olho para tentar evitar problemas no corredor. –Rachel parecia fazer um esforço sobre humano para ser educada com a Frost, o exato oposto da loira.

James imaginava o que fez Rachel mudar tanto em relação a sua irmã de criação e, embora preferisse não se meter naquele problema, sabia que para Christine as ações da ruiva não eram importantes e ela não ligava.

A Frost saiu da enfermaria e a telepata bufou irritada.

—Se não queria fazer dupla com ela era só ter avisado a sua mãe. –James alfinetou.

—Eu falei com ela e a resposta da minha mãe foi “se eu superei minhas desavenças com a Emma, você pode se dar bem com a Christine”. Quem ela acha que me falou a vida inteira para não olhar nem na cara das Frost? –A ruiva se jogou em uma cadeira. –Eu não consigo entender o que aconteceu entre as duas, só sei que é frustrante.

—Imagina como o Nathan se sente então. –Não que o Howlett não entendesse o que Rachel dizia, só tinha mais pena do amigo. –Ele sempre viu Emma como uma mãe e quando Jean voltou seu irmão ficou no meio do fogo cruzado, porque tinha a mulher que o amou de todo o coração e a mãe de sangue no meio de uma briga. Bom, uma briga que sua mãe queria, Emma só ficou na dela e protegeu os filhos dos problemas que surgiam dessa confusão.

A ruiva não respondeu nada.

—Eu acho que você deveria ficar aliviada. –Todos olharam para Hank. –Não ter Emma e Jean brigando é o melhor para todos os alunos e até mesmo para você, significa que o Instituto será mais forte e os X-Men mais unidos, já que se ambas estão do mesmo lado não tem porquê qualquer outra pessoa escolher lados.

—Eu sei que isso tem seu lado bom, mas... –Rachel suspirou. –É tão injusto.

—Posso concordar. –James sentou ao lado dela. –Só que você não é a primeira e nem a única vítima dessa injustiça sobre elas se tornarem amigas só agora.

Rachel não falou mais nada e James aproveitou a deixa para voltar para os andares superiores do Instituto e andar um pouco pelo corredor dos quartos dos professores

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Todos estavam exaustos.

Não era fácil lidar com um meio demônio parcialmente fora de controle em um surto que ninguém consegue entender como aconteceu e agora estavam todos ali na sala de Emma encarando os responsáveis pela dor de cabeça que tiveram que lidar.

Rachel havia ficado de guarda no corredor, afastando os alunos na base da força se necessário, mas estava ligada psiquicamente com Jean, que estava ao lado da Rainha Branca.

—As garotas estão descansando. –Ororo avisou quando entrou na sala. –Hank vai ficar de olho nelas e fazer as duas comerem, assim como ele mesmo. –Ela encarou os dois Howlett. –Não deviam fazer o mesmo?

—Vamos, só conseguimos esperar sem nenhum problema. –Logan respondeu. –Isso aqui é mais importante no momento.

—Por que estamos aqui? Não fizemos nada de errado. –Rebecca assumiu sua postura mais arrogante e esnobe.

Uma sobrancelha de Emma arqueou e todos sabiam o que ela pensava: tinha ensinado seus protegidos a serem arrogantes e esnobes quando necessário, só que os protegidos não incluíam os LeBeau.

—Oh, você acredita que não fez nada de errado? –Todos na sala tremeram diante da imensa energia mental que a Rainha Branca liberou. –Talvez eu deva deixar que o Oliver vá tentar a sorte absorvendo os poderes da Alexis, afinal será divertido ver o corpo dele se partir em milhares de pedaços quando a energia demoníaca dela circular pelo corpo inútil do seu irmão. –O garoto engoliu em seco diante da ideia. –Ou quem sabe, da próxima vez que Nathan tentar te matar com uma onda de poder tão condensada, eu deva deixar que ele vaporize a sua existência do Universo. –Rebecca sentiu tanto medo que quase se urinou. –Ou melhor, e ligo para a sua mãe, conto a sua última aventura preconceituosa e ela vem aqui para dar um tapa na cara dos dois e mandá-los para fora do Instituto. Por que acreditem, Vampira sabe de cada atitude vergonhosa que tomam aqui dentro.

—Mamãe sabe? –Oliver conseguiu dizer.

—Sabe. –Emma respirou fundo e a imensa pressão sobre a sala desapareceu. –Um minuto de descanso é bom de vez em quando. –Todos a olharam surpresos. –Só liberei o meu cansaço sobre vocês, não era nenhum poder sobrenatural. Na verdade, a Alexis suporta algo umas cem vezes pior que isso em dias normais com o lado demoníaco dela.

—Eu imagino que no seu caso seja cansaço de anos acumulado. –Jean comentou um pouco surpresa.

—Ela está sempre cansada por causa do trabalho e das outras responsabilidades desde que comecei a ajudá-la, isso foi a uns vinte e um anos atrás. –Ororo comentou tomando lugar do outro lado de Emma. –Então, qual será a punição.

—Eu acho justo que eles façam o treino especial meu e do James. –Logan tinha um sorriso predatório. –Sem poderes.

—Esse não é aquele circuito que só a Alexis, a Claire e o Andrew completaram “inteiros”? –Emma não parecia exatamente preocupada.

—O mesmo. –James sorria de forma divertida. –Se bem que eu também terminei “inteiro”.

—“Inteiro”? –Jean não diria, mas estava curiosa.

—Quebraram todos os ossos do corpo, ainda que os poderes tenham colocado tudo no lugar. –Emma explicou. –Andrew perdeu pelo menos um braço, só que ele é meio que imortal e a lava da qual o corpo dele é feito regenerou o membro, assim como os poderes dos demais.

—Caso isso não seja o suficiente eu posso cuidar dos treinos deles pessoalmente pelo próximo mês. –James sorria de forma simpática e segurava o ombro dos gêmeos LeBeau. –Nada de poderes especiais, só força e velocidade. Será divertido quebrar todos os ossos dos seus corpos miseráveis e inúteis. –E o sorriso do garoto era radiante ao dizer aquilo.

Emma pareceu refletir.

—Prometi para Vampira que não os mataria... Mutilação não está fora de questão, mesmo assim... –A Rainha Branca observou alguns papéis sobre a sua mesa com uma careta. –Tenho muito trabalho para ter que acrescentar mantê-los vivos durante o treino especial a minha lista. –A mulher suspirou. –Inclua um mês de treinamentos puxados com Logan e James na rotina dos dois, o uso de poderes além dos físicos está proibido dentro da propriedade ou vou deixar Nathan usar um dos “Jogos” dele até que ambos não consigam mais dormir por um ano. Como bônus no seu castigo, vão ajudar lavando os utensílios da cozinha para todas as refeições durante o próximo mês.

Oliver engoliu em seco enquanto Rebecca olhava para Emma com um ódio profundo.

—O que fazemos com eles por agora? –Logan parecia um pouco preocupado.

—Pode dar uma introdução de como será o próximo mês de treinamento deles. –Ororo decidiu. –Até porque, não quero ver eles com tempo livre pelo resto do dia.

Wolverine sorriu pegando os gêmeos e saiu da sala em direção a área de treinamento mais próxima.

James fechou a porta e encarou as três mulheres a sua frente.

—O que quer falar? –Não que Emma fosse desviar sua atenção do relatório em suas mãos naquele momento.

—Nikolai mandou notícias? –O garoto encarava Ororo.

—Ainda não, o que me preocupa, já que ele pode ter sido afetado pelo que aconteceu com Alexis e o demônio dele pode ter saído de controle. –A mulher alva suspirou. –Nikolai tem o demônio mais problemático de todos.

—Quer que eu o procure? –James também estava preocupado.

—Por enquanto não. Hank está monitorando o GPS do celular dele e não temos nenhuma notícia de algo perigoso acontecendo lá. –Tempestade pegou outro relatório sobre a mesa de Emma e começou a ler. –O que não é bem um consolo, mas... Qualquer coisa eu te aviso.

Ele concordou e encarou Jean.

—Você precisa conversar com Rachel. –A ruiva ficou surpresa. –Não me interessa como ou porque você e Emma começaram a se dar bem agora, mas sua filha está bem mais frustrada e irritada com isso do que acho que podemos ignorar. Claro, eu poderia incluir Nate na lista de pessoas que merecem uma explicação, só que meu amigo tem suas próprias prioridades e meios de fundir a cabeça para esquecer o assunto.

—Eu vou ver o que posso fazer. –Jean pegou outra pasta e passou pelo Howlett. –Só que ela não perece muito disposta a me escutar sobre isso.

—Então a faça escutar. –A pequena elevação no tom de voz de James chamou a atenção de todas. –Você foi boa em encurralar o Nate quando queria que ele ficasse do seu lado contra a Emma, agora faça por onde. Ela é sua filha e é sua obrigação resolver isso.

—James! –Emma recriminou o rapaz.

O rapaz indicou que a mãe não o interrompesse e olhou para Jean com uma ferocidade e recriminação que a fez engolir em seco.

—Eu não ligo para os detalhes, de verdade. Prefiro vocês se dando bem do que brigando, só não venha me dizer que não consegue fazer Rachel calar a boca, sentar no seu escritório e te ouvir do começo ao fim. Você não é uma garotinha inútil e destreinada de quatorze anos para ficar inventando desculpas e já passou a muito tempo da fase de insegurança que mantêm Alexis e Helena presas a seus medos. –Ele se virou para Emma um pouco constrangido. –Desculpe mãe.

A loira suspirou e concordou.

—Precisa de mais alguma coisa?

Ele hesitou.

—Falou com ela?

—Sim, sua mãe disse que vem para cá semana que vem ou na outra, só precisa arrumar alguns detalhes e logo que tiver uma data certa vai me enviar. Aviso na hora que receber.

James assentiu e saiu da sala sem olhar para as três mulheres que ficaram em silêncio por alguns minutos.

—Ele é sempre assim? –Jean arriscou.

—Irritado e exagerado? Um pouco. –Ororo não parou de ler o documento em suas mãos.

—Extremamente protetor e intenso. –Jean comentou.

—Tem piorado com os anos. –Emma levantou pegar uma xícara de chá. –Nada que não fosse esperado com seis irmãs mais novas. –A loira notou o olhar confuso da ruiva. –Sou a mãe adotiva dele, da Alexis, Nikolai e Tália, além disso ele tem mais duas irmãs por parte do Logan que juntando com a Cara e a Christine somam seis mulheres e dois homens.

—Isso sem falar da Claire. –Ororo aceitou a xícara de chá que recebeu.

Jean pegou a xicara com café.

—Eu nunca tinha reparado, mas de alguma forma, a Emma tem mais filhos entre biológicos e adotados que todas as outras pessoas que eu conheço. –A ruiva olhou para a Rainha Branca. –Como isso aconteceu?

—Não fico pensando sobre isso, só continuo com a minha vida. –Ela encarou Jean. –Dá menos trabalho na maior parte do tempo.

—Você realmente consegue ignorar isso? –Não que a ruiva conseguisse acreditar.

Emma apenas deu de ombros e voltou toda a sua atenção ao relatório que lia.

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Claire não podia dizer que estava surpresa com as notícias sobre Valéria, especialmente quando Reed era uma pessoa tão absurdamente imbecil com relação ao tratamento dos filhos. Não era como se a garota ficasse procurando as informações, só acontecia de tudo acabar nos ouvidos dela e isso era bem complicado quando tudo que ela queria era ficar longe de problemas ou, pelo menos, de mais problemas do que já tinha.

Claro que a equipe de reportagem podia ser discreta, mas Claire preferia não arriscar sobre certos assuntos que poderiam vir à tona naquele momento.

—Pelo menos a Hill concordou em dar abrigo para ela e o Mack resolveu ajudar da forma que podia. –Laura comentou um pouco distraída. –Seria bem triste se no final ela tivesse que voltar para a Latvéria só porque o pai não a quer por perto.

—Eu sempre achei que o Reed tinha problemas de controle sabe? –Christine terminou de beber o suco e encarou o copo do namorado, ainda cheio, antes de pegar. –Não no sentido de conseguir se controlar, porque se fosse o caso ele depois pediria desculpa pelos excessos.

—Controle no sentido de manter tudo onde ele acha que deve ficar. –Claire comentou um pouco distraída.

—É. Um pouco parecido com a mania do tio Tony de construir armaduras para tudo ou do tio Clint com o lance entre a Alexa e o Wolf, mas no final, diferente do Reed, eles surtam só um pouquinho por conta desse tipo de coisa. –Christine devolveu o copo, pela metade, para a frente de Andrew. –Não é como se querer ter um pouco de controle sobre as coisas fosse algo ruim, muito pelo contrário, é só que ele regula tanto o que a Val pode fazer e não parece ligar para nada sobre o Franklin que chega a ser idiota.

—Ele age igual com a tia Sue. –Andy comentou ainda lendo os documentos no tablete. –Lembro que minha mãe comentou que a Sue é um gênio quase tão ou mais inteligente quando o Reed, o Tony, o Hank, o Fittz e a Simmons. Parece que em termos de formação ela, a Simmons e o McCoy estão bem empatados, só que em especializações um pouco diferentes. Isso considerando que todos atuam na mesma área de forma geral.

—E mesmo assim quase ninguém conhece os trabalhos revolucionários que a tia Sue faz porque o tio Reed nunca apoia nada do que ela faz. –Claire não gostava muito de falar daquilo, já que no final não podiam fazer nada.

E ter a equipe de filmagens ali não ajudava.

—Lembra quando o Hank Pym pirou e bateu na Janet? –E Christine puxou a pior história para mesa.

—Tá falando de quando ele entrou em um surto psicótico ferrado, bateu nela no meio de um delírio e depois tentou se matar enforcado? –Claire não gostava de lembrar daquela história que repercutia até hoje.

—Exatamente. –Christine suspirou. –Sabe, não acho que justifica uma agressão, mas o cara tinha literalmente perdido a razão e entrado em um delírio insanamente pesado; ele passou um ano a base dos remédios mais controlados que se tem notícia e mais seis meses de terapia quando conseguiram diminuir as dosagens, além de um acompanhamento médico semanal que dura até hoje depois de ter se aposentado. –A Frost comeu algumas bolachas antes de continuar. –A Janet não prestou queixa por saber que o marido estava doente, mesmo assim o depoimento vazou e todo mundo crucificou o Hank como se ele tivesse feito tudo de propósito. Ninguém falou sobre ele estar doente ou de como a vida dele com a Janet ficou uma merda depois, afinal ela acabou pedindo o divórcio quando ele estava mais estável e o Hank concordou até pelos filhos. Mesmo assim nunca achei que foram realmente justos nesse sentido.

—E eu não estou entendendo aonde você quer chegar com isso. –Laura confessou.

—Eu já ouvi uma história de que o Reed já bateu na Sue mais de uma vez. –Todos, menos Claire e Andrew, olharam surpresos para Christine. –Claro, nunca foi provado. A coisa que mais me intriga é que essa história surgiu a mais ou menos quatorze anos.

—Eu lembro disso. –Andy levantou a cabeça olhando para o teto. –Parece que a Valéria estava junto e foi a primeira vez que os poderes elétricos dela se manifestaram, duas semanas depois o Reed a mandou para a Latvéria para as férias mais longas da história dos Vingadores. –O garoto voltou a encarar o tablete. –Também teve uma vez que o Franklin deixou escapar que a mãe não podia sair de casa por que tinha se machucado no laboratório do pai ou a vez que a tia Sue apareceu mancando dizendo que tinha caído na cozinha. Um clássico da violência doméstica.

—Vocês sabem que não podemos provar nada disso e a tia Sue nunca admitiria que algo assim possa acontecer no Edifício Baxter. –Claire encarou todos com uma expressão séria. –Além disso, me pergunto se o Coisa deixaria as coisas chegarem tão longe assim com tanta facilidade.

—Acho que o Ben Grimm até pode interferir, só me pergunto se ele realmente iria contra o Reed. Aquele cara venera demais o amigo para realmente tomar uma medida mais enérgica contra o que quer que possa acontecer naquele lugar. Até o Johnny acabou se mudando há alguns anos depois de algumas brigas com o cunhado que terminaram com ele saindo no braço com o Ben, porque o Coisa nunca deixaria que o Tocha batesse no Reed. –Christine suspirou e levantou da mesa encarando a melhor amiga. –Eu sei que não podemos provar nada, mas também não é como se não soubéssemos porque o Johnny preferiu ir morar fora do Edifício Baxter ou o que realmente acontece naquele lugar. E você sabe que eu estou certa.

E sem dizer uma palavra a Frost foi pegar mais comida para a mesa.

—Ela está certa? –Claire encarou Brant e suspirou.

—Vamos dizer que ela não está errada, infelizmente existem limites para o que a segurança da Shield pode fazer. –A garota suspirou um pouco cansada. –Não é muito diferente do caso da Cassandra se formos analisar.

—E não tem como fazer alguma coisa para que a Shield possa interferir com alguma prova? –A lembrança sobre as filmagens de segurança que Maines e o grupo de monitoramento fizeram a ideia surgir na mente da repórter.

—Sem que a própria Sue, Ben, Johnny ou Franklin tomem a iniciativa, é difícil. Nem a Valéria pode fazer algo, porque mesmo que a história de que ela viu Reed bater na mulher seja verdade, a garota tinha quatro anos e faz quatorze anos que isso “supostamente” aconteceu. Seria difícil arrumar um juiz ou promotor disposto a arriscar fazer algo com uma base dessas, especialmente se formos considerar o relacionamento desastroso que ela tem com o pai. –Claire olhou para o teto do refeitório cansada daquela conversa, afinal, era inútil. –A menos que a própria Sue decida fazer algo, nada vai acontecer.

—Isso não é um pouco... Frustrante? –Harrelson arriscou.

—Um pouco é apelido e, como eu disse, não podemos fazer nada enquanto um deles não se mover.

Christine voltou com mais comida e todos se concentraram em comer.

A equipe de reportagem acabou indo embora menos de uma hora depois para conseguir arrumar a edição da matéria e conversar com os chefes.

==========X==========

Era pouco depois das cinco da tarde quando Fury chamou Claire e Laura para a sua sala junto com Christine e Andrew.

—Bom, eu vou ser rápido, meu serviço acabou acumulando com essa palhaçada da mãe da Cassandra. –Todos assentiram. –Vocês vão para o Instituto com a Frost e mais dois agentes, pode ser que eu precise de vocês para coisas pequenas, então fiquem de prontidão, mas no geral estão nos treinamentos até segunda ordem.

—Vamos poder ir para minha casa em algum momento? –Claire foi direta.

—Ainda não sei, o plano inclui que sim, só não sei afirmar quando. –A garota assentiu. –Recebi alguns e-mails de várias pessoas da nossa família espalhadas pelo mundo, alguns querem voltar correndo e outros precisam de tempo para se organizar, então estou um pouco atolado gerenciando essa confusão.

—Alguém que devemos saber? –Não que Claire não estivesse preocupada.

—Gabriel Parker quer vir e Aisha falou que assim que puder confirmar quando chega me manda uma mensagem. –O diretor resmungou. –Até Joseph Van Dyne disse que está a caminho assim que conseguir se organizar. –O homem xingou. –Tem ideia do nível da catástrofe necessária para chamar a atenção desse garoto para mesma cidade em que o pai dele mora?

—Eu devo pedir desculpas por isso? –Claire foi irônica.

—Não, só estou irritado com a repercussão desnecessária que isso tomou. Não é como se você fosse culpada por isso, só te usaram como uma desculpa. –Fury respirou fundo e encarou Andrew. –Até que a Hill te dispense...

—Entendi senhor, não precisa se preocupar.

—Então só preciso que vejam isso. –O diretor ligou uma projeção.

Nas imagens Clayton Booker recebia a visita de alguns médicos que explicavam a sua situação, inclusive usando imagens do ataque e do procedimento. Eles pareciam explicar para o rapaz porque a droga foi usada e os efeitos colaterais que o transformaram em um mutante.

Clay parecia transtornado quando a porta se abriu dando passagem para Carl, Mira e Brandi. O rapaz estranhou a presença dos pais e da namorada, mas eles começaram a explicar outras coisas, como o quão grave era o estado de saúde dele para tomarem aquela decisão. Brandi precisou contar novamente que estava grávida, o que assustou Clayton.

Para ele a data era outra.

Sua mente havia perdido pouco mais de duas semanas de memórias.

Ele pediu para todos saírem, deixando-o sozinho.

Claire notou que o rapaz parecia chorar.

Fury desligou a imagem.

—A família perguntou se você pode falar com ele.

—Tudo bem, afinal não seria a primeira vez, não é mesmo?

—Eu agradeço. –O diretor sentou. –Terminando com ele pode ir para o Instituto.

—Meus pais estão no prédio?

—Ou no escritório da sua mãe ou no alojamento dela. –E assim que Fury respondeu os jovens passaram pela porta sem hesitar.

O homem sentiu o cansaço da sua impotência, infelizmente sabia que mesmo que fosse errado colocar todo aquele peso nas costas de crianças, elas podiam ser a única opção em alguns momentos.

==========X==========

Claire abriu a porta do quarto e encontrou Clayton Booker se balançando sobre o colchão que estava no chão. Era difícil imaginar o que se passava pela mente do rapaz e o que dizer para melhorar a situação, mesmo assim ela se sentia um pouco responsável por aquilo.

A garota levou a cadeira de rodas até estar perto de Clay enquanto Laura, Chris e Andy ficaram parados na porta.

—Que tipo de médica é você? –A voz dele tinha se tornado um pouco rouca em comparação com o que tinha conseguido ouvir dos áudios antigos do celular.

Uma mudança normal considerando as alterações externas e internas que seu rosto e pescoço sofreram.

—Nenhum tipo. Sou a responsável por produzir a droga que te injetaram. –Ele pareceu prestes a atacar a garota, mas parou ao realmente olhá-la. –Meu nome é Claire.

—Quantos anos você tem?

—Dezesseis.

—Você criou essa coisa que me deram?

—Eu sou a coisa que te deram. –Clayton ficou visivelmente confuso e Claire suspirou. –Não te deram os detalhes, não é mesmo? –Ele negou. –Bom, você recebeu um subproduto da minha medula espinhal, uma forma de Hormônio do Crescimento Mutante com propriedades muito especiais que só eu sou capaz de produzir. –O rapaz parecia se esforçar para acompanhar a explicação. –Em humanos é tóxico como qualquer veneno e em pessoas com o gene X pode ter várias reações, como torná-los mutantes. Foi o seu caso.

—E por que me deram isso?

—O médico te mostrou as imagens e imagino que explicou o seu quadro, não é?

—Eu realmente estava morrendo?

—Estava.

—Por que eu não lembro? Por que parece uma mentira?

Claire suspirou tentando se concentrar na explicação.

—Quando o pedaço de metal que acertou sua cabeça entrou, não foi só como fincar uma faca. A força da explosão acrescentou velocidade extra e o ângulo foi inesperadamente muito ruim para você. O que é um modo de dizer que seu azar foi grande, já que isso fez com que o metal não perdesse muita força e causasse mais estragos do que o normal, quase como se alguém tivesse dado um tiro na sua cabeça.

—Por isso eu não lembro?

—De modo geral é. –A garota o encarou. –Danos cerebrais não são tão fáceis de curar quanto braços arrancados ou troncos destroçados, mesmo com essa droga só podemos garantir o reparo dos tecidos e a possibilidade de retomar as suas funções. Dependendo do dano não seria difícil que a pessoa acordasse sem nem lembrar como falar, mas com os tecidos reparados ainda teria a possibilidade de reaprender o que esqueceu.

—E qual o meu caso? Eu vou lembrar? Essa mutação vai sumir? –Clayton parecia um tanto desesperado e era difícil definir se aquilo era algo bom ou não.

—Não posso falar com muita propriedade sobre a sua memória, pode ser apenas algo temporário e pode ser que você nunca mais recupere essas duas semanas. O especialista ainda precisa fazer alguns exames para confirmar e com isso não tenho como ajudar. –Ela notou o rapaz ficar um pouco triste e desviar o olhar dela. –Sobre a mutação, vai ficar para sempre.

Ele a olhou surpreso.

—Isso...

—É um dos efeitos mais incomuns da droga, mas seus pais possuem o gene X e mesmo o seu filho tem altas chances de nascer um mutante de verdade, então eu esclareci tudo isso quando expliquei os riscos de usarem o meu HCM para te salvarem.

—Como eu vou viver com isso? –Clayton parecia calmo e ansioso ao mesmo tempo. –A maior parte das pessoas que conheço odeiam mutantes, até no meu serviço e... Com a Brandi grávida, o que eu vou fazer para sustentar essa criança sem um emprego?

—Sabe, podia ser bem pior do que isso. –Claire comentou um tanto distraída.

—Pior? –Clayton levantou agarrando a garota pelo pescoço e a tirando da cadeira. –O que é pior do que tudo que passei entre o atentado, quase morrer e virar um monstro que não tem como cuidar da mulher que ama e do filho que esperam?

E sem se desesperar ou parecer preocupada, Claire usou os dedos transformados em diamante para cortar os pontos certos da mão de Clay, que a deixou cair de volta na cadeira de rodas.

—Você podia ter morrido ou ter nascido como eu e, talvez, como seu filho deve nascer passando por isso desde sempre. –O rapaz a encarou. –Acha que vai ser descriminado? Que bom que sabe disso agora que essa é a sua realidade, porque sempre foi a minha, mesmo quando as pessoas não sabiam que eu sou mutante, elas falavam, sem se importar. –Claire desviou o olhar para o teto. –Seus pais aceitaram a possibilidade, então você tem mais sorte que a garota que achei ontem, já que os pais dela devem ter sido os primeiros a chutá-la de algum lugar. Sim, você provavelmente vai ser demitido do seu emprego e vai ter que mudar de cidade, mesmo assim ainda tem seus pais e sua namorada.

—E se ela terminar comigo?

—Então arranje alguém que te aceite assim ou fique sozinho. –A garota se virou indo para a porta. –Se quer saber, não escolhi te oferecer essa oportunidade, acho que alguém pode ter optado por fazer um favor em nome do seu avô. Você teve mais sorte do que a maior parte das pessoas, tente não jogar fora essa oportunidade.

Antes que a porta fosse fechada Clayton encarou Claire novamente.

—Acha mesmo que tive sorte? Mesmo com tudo isso que aconteceu?

—Eu já não falei? –Ele ficou confuso. –Você está vivo. Quem vai decidir se ficar vivo é ou não sorte no final é você, ainda que eu ache que o simples fato de ter recebido uma segunda chance já deveria valer como sorte, não acha?

Clay engoliu em seco e a porta fechou, o que fez Claire respirar fundo.

—Não foi tão difícil com o Matthew. –Andrew deixou escapar.

—Matt sabia o que o esperava, só ficou surpreso com a extensão da mutação que se apresentou. –A garota massageou o pescoço cansada.

—Ele te machucou? –Laura ficou tensa, mas a namorada sorriu.

—Não, eu consegui começar a transformar a parte interna a tempo. –Ela encarou Christine. –Quero ver meus pais, tudo bem?

—Sem problemas, ainda é cedo para voltarmos.

—O Capitão ainda está com a sua mãe na sala dela. –Andrew comentou. –Confirmei com ela por mensagem.

O grupo concordou e todos foram dar um “oi e tchau” para Steve e Sharon.

====================X====================

James terminou o dia bem mais cedo do que o normal, o que o fazia se sentir estranho, mesmo que não fosse reclamar. Lidar com a sede de Alexis podia não ser um problema para seu corpo, o que não significava que o resto do seu dia foi menos puxado.

Logan havia concordado em treinar os gêmeos Lehnsherr do começo, para ir fazendo os dois se adaptarem ao estilo deles, mas a meta era trazer ambos para o nível de Rose, o mesmo objetivo dos treinos de James Rogers e Maria Stark. Os dois Howlett apenas concordavam que podiam levar um ano para levar os gêmeos até onde queriam, ainda que sua maior preocupação fosse com alguma retaliação dos LeBeau contra os pequenos.

O rapaz ignorou as preocupações que ainda rondavam sua mente e pegou o celular sobre a mesa de cabeceira e observou a mensagem curta de Helena com uma reticência piscando na tela. Acabou sorrindo daquela forma tão infantil dela tentar colocar espaço entre eles e ainda assim ele não a deixaria esperando.

Estou livre.”

E sem um aviso James se sentiu puxado para outro lugar.

Olhou ao redor e confirmou que estava no quarto de Helena, mas ela não estava ali.

Ele não se importou, apenas sentou na cama dela e deixou seu corpo cair sobre o colchão, sentindo o perfume dela e fechando os olhos.

—Você parece bem para quem alimentou a Alexis. –Ele se assustou um pouco e acabou levantando por instinto.

Helena tinha uma bandeja com chá nas mãos, o que fez James ir até ela e pegando o objeto para colocar sobre a mesa próxima a porta.

—Alimentá-la não é um problema. –E sem encarar a garota ele começou a preparar espaço para que pudessem usar.

—Sabe que não fiz isso pensando especificamente em você, não é? E não precisa agir como se eu não pudesse carregar peso.

—Eu sei, sobre as duas coisas, é automático. –Não que ele ligasse.

—Às vezes acho que Emma não te criou. –O garoto parecia confuso. –Você parece um animal adestrado de vez em quando.

James gargalhou.

—Não deixa de ser verdade. –Ele suspirou cansado. –Não é como se Emma fosse rígida com muitas coisas, só que ela realmente não nos deixou fugir de nenhuma aula de etiqueta e eu sou um pouco assim no final. –Um sorriso torto curvou nos lábios dele. –Não que seja estranho se formos analisar.

—Por que diz isso? –Ele estranhou a pergunta, já que Helena sempre evitava assuntos que pudessem aprofundar mais sua relação.

—Entre a minha mãe biológica, a Emma, Nikolai e as minhas irmãs, acho que eu fiquei um pouco protetor demais.

—Nikolai? E o que Laura e Rose tem a ver com isso?

A princípio ele ficou confuso e depois riu.

—Não estou falando só das minhas irmãs de sangue. –Helena não parecia entender. –Emma é minha mãe desde que me adotou a uns vinte e um anos atrás.

—Sua mãe não está viva?

—Muito, mas ela não podia me criar e pediu para Emma cuidar de mim; longa história curta, eu acho. –Os dois sentaram nas cadeiras e cada um pegou uma xícara de chá. –Depois disso ela adotou a Alexis quando a Illyana a deixou no Instituto e a tia Emma pegou a guarda da Tália quando ela fez uns três anos, só foi um pouco difícil, porque no tio Kurt não queria ceder. Os mais novos são o Nikolai, que foi deixado com ela na época que saiu o processo contra o Kurt, e a Laura, que está listada como adotada, mesmo que não use isso para nada.

—Ela adotou todos vocês?

James concordou.

—E ainda tem o termo de guarda dos LeBeau, mas parece que foi feito assim a pedido da Vampira mesmo.

—E depois ainda tem as filhas biológicas dela.

—Christine, Cara e Rose. –Ele tomou um pouco do chá e sorriu para a garota. –É um pouco incomum você perguntar tanto sobre a minha vida pessoal.

Helena se assustou com aquilo, porque não era a sua intenção entrar em um espaço tão perigoso quanto fazer perguntas como aquelas.

—Só achei um pouco estranho quando você falou do Nikolai com as suas irmãs.

—Acho que tem razão. E você, alguma novidade aqui no Sanctum?

A garota hesitou.

Não queria fazer outra besteira como a de perguntar sobre ele.

Naquele relacionamento, manter distância era algo essencial, especialmente para ela.

—Max está namorando aquele semideus filho do Loki, Jason.

James riu alto.

—Dê meus parabéns para ele. –O garoto notou o olhar sério de Helena e tentou não ficar irritado ao forçar um sorriso divertido. –Vamos, não é porque não estamos em um relacionamento que não posso ser amigo do seu irmão ou ser legal com ele.

—Eu só não quero que isso fique mais complicado do que já é. –Ela tentou justificar.

—Então não complique. –Agora era ele que estava sério. –De verdade Helena, eu gosto de você e gosto de estar com você. –James respirou fundo para continuar. –Vamos ser sinceros por um minuto. Eu te amo. –A fala dele foi clara e pausada, dando ênfase a cada palavra. –Já te disse isso milhões de vezes e se dependesse apenas de mim não teria um anel de namoro no seu dedo, mas um de noivado. Você diz que não quer um relacionamento e eu aceito isso porque quero ficar ao seu lado, mesmo que seja nos seus termos e não entenda os motivos. O problema é que mesmo assim você fica brava comigo quando elogio seu cabelo, quando tento ser civilizado com sua família que sabe muito bem sobre nossa situação e... –Ele bufou irritado e levantou da cadeira pegando o celular sobre a cama. –Quer saber, esquece que eu falei alguma coisa, só me manda de volta para o Instituto.

—Espera...

—Pra quê?! –O garoto engoliu a raiva, ficando frustrado. –Olha, não quero brigar ou discutir por besteira tá legal? Se não quer que eu me envolva com a sua família, beleza. Faço de conta que nem conheço eles, só... Só me manda de volta, não quero ficar aqui com você me afastando e ficando irritada por besteira.

—Não quero que fique com raiva.

James riu.

—O pior é que eu não tô com raiva Lena. –O corpo dela se arrepiou diante do apelido. –Tô triste. –Ele limpou as lágrimas presas em seus olhos.

A garota segurou a mão livre dele, enterrando o rosto no pescoço dele.

—Fica, por favor.

A vontade de James de ir desmoronou sem nem tentar resistir.

—Você não é justa. –Reclamou ainda triste.

A resposta de Helena foi usar sua magia para tirar as roupas dos dois e beijá-lo em seguida.

Ele não falou nada, sabia que estaria mais triste depois que acordasse, porque Helena o encurralava naquela situação sempre e não havia nada que pudesse fazer que não fosse piorar tudo. James sabia que era sua culpa e que se quisesse mudar teria que fazer algo que odiava, o mesmo que fez com Jean naquela tarde ao dar um ultimato sobre a situação com Rachel.

O problema era que sua relação com Helena isso não ajudava muito.

Não era covardia.

James aprendeu a lidar com as manias da garota usando de muito bom humor e piadas, mesmo que às vezes isso o machucasse mais do que a irritava.

Helena interrompeu o beijo.

—Você vai ficar?

Ele sabia o que devia dizer.

Tinha que negar, pegar suas roupas e ir embora, nem que tivesse que ir a pé.

—Preciso voltar até as seis da manhã. –Optou por continuar como estava.

A garota pareceu um pouco decepcionada.

—Sem cancelar aulas?

—Não dessa vez. –Conseguiu ser firme quanto aquilo.

—Ainda está triste?

—Não. –Mentiu. –Já estou melhor.

Ele sabia que Helena perceberia a mentira, mas algumas mentiras, como aquela, eram para James se enganar quanto ao que realmente sentia.

Ela sorriu e entrelaçou as mãos atrás da nuca dele.

—Pode ser criativo hoje.

James sorriu em falsa animação e beijou Helena.

Quando ela dizia para ele ser criativo estava tentado compensar o fato de que havia exagerado em algo e que provavelmente ficaria um longo tempo sem procurá-lo para punir a ambos por qualquer que fosse o motivo.

Ainda assim era tudo que ele teria por, pelo menos, uma semana, então teria que aproveitar, mesmo que seu coração estivesse batendo todo errado e um pouco quebrado.

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Andrew recebeu a mensagem de Christine de que ela, Claire e Laura já estavam no Instituto pouco depois das oito da noite. O trânsito havia atrasado um pouco o percurso, mas as três estavam seguras, o que contava muito mais para ele do que os detalhes. Hill havia acabado de dispensá-lo do serviço e seu próximo turno começaria apenas ao meio dia do dia seguinte, exceto se houvesse algum problema, o que era outra história.

O garoto seguiu para a ponte de comando do turno da noite e encontrou sua mãe observando as atividades com uma concentração digna de um vilão de filme clichê. A comparação o fez rir, o que chamou a atenção da mulher que deu um sorriso discreto para o filho.

—Terminando seu turno?

—Sim senhora. Como está o seu?

—Termina em mais algumas horas. –Daisy desviou o olhar por um momento. –Precisa de algo?

—Na verdade não, só estava pensando se a senhora quer ir comer alguma coisa no refeitório aproveitando a sua pausa.

O sorriso liso de Daisy tirou a animação de Andrew.

—Infelizmente não poso sair da ponte até o final do turno.

O garoto hesitou.

—Quer que eu pegue algo para você? Posso trazer aqui para não te atrapalhar. –E apesar de tudo ele já sabia a resposta.

—Não precisa. Estou sem fome agora e mais tarde vão me trazer algo. –A expressão de Daisy ainda era uma máscara de gentileza e educação, uma que Andy nunca conseguia ler.

—Ah. Bom, então eu vou descansar.

—Sim. E obrigada pelo seu trabalho duro.

O garoto assentiu e saiu do lugar o mais rápido que pode quando deu de cara com May.

A mulher o olhou surpresa: ele parecia perdido.

—O que houve com você?

Ele negou.

—Nada madrinha. Só estou cansado. –Andy forçou um sorriso animado e a mulher suspirou.

—Você foi falar com a Daisy e ela te dispensou.

A expressão de Andrew murchou e ele encarava o chão.

—Desculpa. Eu só... Pensei que pudéssemos comer alguma coisa na pausa dela. –O garoto levantou o rosto encarando o teto. –Faz um bom tempo desde que tivemos algum momento família e... –Ele suspirou. –Não sei o que eu estava pensando.

A mulher asiática não sabia o que dizer, afinal, qualquer coisa que falasse poderia chegar no assunto que Daisy havia proibido de ser mencionado: o pai de Andrew.

—Deve ser difícil não conseguir chorar como as outras pessoas. –Andy a olhou surpreso. –Sabe, ou você chora lava ou então não chora, porque a sua temperatura não deixa as lágrimas se acumularem ou rolar.

—Ah, sim. Foi um pouco estranho no começo. –O garoto estava confuso.

—Então por que não procura a Tália e vê se ela pode te dar um carona até o Instituto para passar um tempo com a Christine?

—Acho que ela não vai para lá tão cedo e eu tenho meu turno amanhã.

—Sobre o turno é só levantar cedo e, se for uma emergência, Hill manda a Tália te buscar por bem ou por mal. Sem falar que você precisa ficar junto com a sua esposa agora.

Andrew se assustou diante daquela frase.

—Como...?

—Acha mesmo que eu não perceberia algo diferente a esse ponto?

—Mamãe e tia Emma não notaram. –Ele justificou.

—Usar duas maníacas por trabalho como base é injusto.

—A senhora também é maníaca por trabalho madrinha.

—Não como a sua mãe. –O garoto concordou. –Vai lá, ouvi Hill falando que Alexis precisaria COMER, então a Tália vai dar um pulo no Instituto de um jeito ou de outro.

O garoto assentiu e correu até onde sabia que poderia encontrar a mutante azul.

May seguiu até a ponte de comando e encontrou Daisy focada em algum tipo de relatório de última hora.

—Deveria pelo menos ter ido comer com o garoto.

—Estou ocupada May. Posso comer depois.

—Sua comida está a caminho e não me questione. –A mulher mais velha arrastou a terceira em comando para uma mesa. –Você não vem se alimentando direito, então vai me obedecer.

—Sabe que sou sua superior, não é?

—Eu te treinei e ensinei tudo que te fez ser quem é hoje como agente da Shield, então cale a boca e escuta. –A mais nova ficou surpresa, porque May raramente usava a carta da mentora daquela forma. –Seu filho quer te ver, conversar com você e ter uma refeição em família. Sei que é doloroso para você ter que lidar com ele quando o garoto fica cada dia mais parecido com o pai, mas isso não é desculpa para puni-lo. –A mais velha se afastou e um agente entrou trazendo um lanche para Daisy que pegou tudo e colocou sobre a mesa. –Então me faça um favor e reflita sobre as suas ações ou vai acabar realmente afastando seu filho de você de forma definitiva. E acredite, você não quer isso.

May saiu da ponte deixando Daisy se perguntando o que deveria fazer e como fazer isso sem ferir os sentimentos do filho mais do que já havia ferido.

Continua...

No próximo capítulo: Adrift.

Notas finais
Antes de mais nada: Não fiquem bravos com o James por causa dos pequenos, ele é o cara que faz o trabalho dele, doa a quem doer, incluindo ele mesmo. Sobre o pai do Andrew, uma dica: ele não é o Daniel Sousa. Eu sei que falei que amo a série e até que gostei do final romântico da Daisy, mas... Eu meio que já criei esse plot e ele cabe melhor no meu roteiro do que o da série. Além disso estou usando da liberdade criativa aqui para mudar muitas coisas (o que a essa altura já deve ter ficado mais do que claro).