Marvel Universe: All Different World

81 Capítulo LXXXI: Que Chegue Até Você.


Notas iniciais
Tive uns imprevistos semana passada e esqueci de postar tudo, então... Esse capítulo é bem divertido, ao menos para mim escrevê-lo foi mais do que interessante sob diversos aspectos (especialmente o final). Aqui vai... BOA LEITURA!

21 de Outubro

Aquela situação era desconfortável e Rebecca não sabia muito bem como agir depois da proposta de Tristan no dia anterior, não ajudava em nada que Conner estivesse a encarando há mais de dez minutos sem camiseta, o que a deixava nervosa.

—Você pode se vestir de uma vez?

—Eu estou vestido, só tirei a blusa. –O rapaz brincou e então fechou a cara. –Afinal, vai dizer o que aconteceu? Eu ainda quero entender como foi que você acabou nessa cadeira de rodas e com mais poderes do que no sábado.

A garota hesitou.

—Isso não é importante.

—É sim. Até porque, eu gosto de você.

—Por que você e o Tristan agem dessa forma, tão irritante?

—Então você falou com ele, o que foi dito?

A LeBeau suspirou cansada e antes que perdesse a pouca coragem que tinha, contou tudo que aconteceu na sua semana, esperando que isso facilitasse a sua vida de alguma forma. Ela encarou o Banner quando terminou, vendo como ele parecia enfurecido, provavelmente com o fato dela ter aceitado a proposta de Tristan enquanto ele estava ali novamente.

—Cara, o seu irmão é um merda completo. –Ele estalou os dedos da mão que ganhava uma leve coloração cinza. –Acho que preciso mesmo moer aquele moleque até os ossos.

—Não!

—Como não? –Conner espumava de raiva, o que assustou um pouco Becky. –Ele tentou te matar e podia ter conseguido, como eu posso não querer matar esse desgraçado? –O garoto precisou engolir a raiva, pois seu corpo começava a deformar indicando uma transformação em seu Outro.

—Eu sei, mas não quero que ele morra ou se machuque! –A garota gritou. –Claire já espancou Oliver o suficiente por vários dias e sei que James vai fazer pior quando descobrir o que houve. –Ainda ofegante, ela encarou o Banner com mais intensidade. –Não faça mais nada.

Conner bufou contrariado.

—Não gosto disso, mas já que é tão importante para você, vou deixar passar dessa vez; não vai acontecer se ele te machucar uma próxima. –Ele notou que a LeBeau suspirou aliviada. –Então você aceitou a proposta de Tristan? –Havia um sorriso divertido curvando os lábios dele.

—Isso…

—Não me entenda errado, acho que ele é um cara inteligente, já que te deu opções e eu não pretendo abrir mão de você, não importa o motivo.

Rebecca o encarava incrédula.

—Mas qual é o seu problema? –Ele esperou ela continuar. –Acabei de dizer que aceitei a proposta dele de ver até onde nos damos bem e você diz que vai continuar aparecendo e fazendo isso… –A garota indicou o fato dele estar sem nada acima da cintura. –Onde vocês dois estão com a cabeça?

—Não seja tão cruel consigo mesma Becky, algumas coisas apenas acontecem e a gente tem que seguir o fluxo da vida, não é tão difícil de entender.

Ela o encarou frustrada.

—Tem certeza que você não tem uma namorada?

—Absoluta, nenhuma garota está no meu radar além de você.

A LeBeau parou por um momento, tentando organizar seus pensamentos antes de se dar conta de um detalhe sobre a afirmação do Banner.

—Nenhuma garota. –Ele assentiu, mesmo que não fosse uma pergunta. –Sua irmã está em negação sobre a própria sexualidade, não é?

—Jocelyn não sabe viver a vida com todas as possibilidades de quem é.

—E você, sabe?

Conner sorriu.

—Garota esperta, está começando a entender as coisas.

—Você não é gay, isso eu já percebi, e tenho quase certeza depois de hoje que também não é um hétero, errei?

—E os idiotas dizem que você não é esperta, não sei onde.

Becky engoliu a vontade de gritar e focou na questão como um todo, afinal, mesmo que de formas diferentes, Conner e Tristan eram realmente parecidos e perigosos. Estava começando a se arrepender de não ter dado atenção aos conselhos de James e Alexis nos primeiros dias; o problema é que não sabia como sair daquele problema ou, mais importante, se era o que queria.

De uma forma estranha, o conselho e proposta irritante do Stark continuava a ecoar na sua mente, o que fazia a sua percepção sobre o envolvimento com o Banner se tornar mais como uma possibilidade do que um erro; a questão que não saia da mente de Rebecca era até onde ela estava disposta a ir.

—Você está namorando. –O garoto sorriu diante da afirmativa dela, em uma confirmação sem vergonha do que ela queria realmente dizer. –Por que vocês estão interessados em mim? Não tem lógica alguma.

—Isso, Rebecca, não é algo que precisa ter lógica, mesmo que você pense o contrário.

—Só que me incomoda.

—Não deveria. –Conner deitou no sofá e sorriu. –Acredite ou não, algumas coisas apenas funcionam como devem funcionar e a lógica em nada tem o que interferir ou os outros o que opinar, só os envolvidos podem achar ruim quando algo os incomoda.

—Isso não é justo comigo, não importa o que você diga.

Ele riu.

—Estamos sendo justos, afinal não estamos te forçando a nada e muito menos te atacando em grupo, o que te dá a chance de fugir de um ou de ambos; a escolha final é toda sua. –O Banner a encarou divertido. –E isso é tudo que podemos oferecer de tolerância enquanto esperamos a sua decisão, ou acha que não temos pensamentos menos puros com relação a isso depois de tudo?

A garota sentiu seu estômago dar um pulo assustado, mas conseguiu disfarçar com um suspiro irritado ou daria mais armas para a provocação do garoto.

—Sem brincadeiras. –Ele notou que algo a incomodava, então sentou de frente para ela. –Vai negar que trocaram informações sobre mim para me encurralar?

—Na verdade não, tudo que fiquei sabendo parcialmente foi sobre sua possível verdadeira mutação e nem foi uma certeza até hoje.

—Ele não te contou sobre ontem?

—Não contou nem o conteúdo da conversa do domingo. –Conner respirou fundo. –Olha, isso não é um jogo para te encurralar, e sim conquistar; não é uma coisa de momento, se fosse não precisaria me esforçar tanto para chegar onde quero e, mais que tudo, não sou Jocelyn para ficar fugindo de um lado para o outro, quero o que quero e nada além disso vai me satisfazer.

—James e Alexis estavam certos, vocês são iguais.

O Banner gargalhou.

—De certa forma eles tem razão, no resto, estão completamente errados. –Ele se aproximou de Becky, a fazendo inclinar a cabeça para trás, a fim de olhar para o seu rosto. –Eu não sou tão bom moço assim, mas também não sou um monstro, e ele… Vou deixar você descobrir por conta própria sobre isso, caso esteja disposta a dar uma chance para ambos.

As mãos de Conner seguravam os braços da cadeira de rodas, enquanto seu rosto pairava perigosamente acima do dela em uma proximidade tensa.

—Certo. –Ela sussurrou um pouco perdida.

Rebecca percebeu na hora que era a coisa errada a ser dita, já que o sorriso predador do garoto causou um arrepio no seu corpo, o que ele notou.

Não houve um pedido e muito menos uma hesitação final, Conner apenas beijou Becky e a puxou para fora da cadeira, a segurando em seus braços e obrigando a garota a abraçar seu pescoço; isso a assustou o suficiente para romper o beijo e o encarar.

—Ficou maluco?

—Relaxe, não vou te deixar cair, isso estragaria o momento. –Ele sentou no sofá com ela sobre suas pernas e nenhuma vergonha do que fazia. –E não se preocupe, gosto de animais fofinhos como você.

—Animais fofos? –Ela estava irritada.

—Sim. Coelhinhos e gatinhos fofos, que preciso corromper lentamente. –O Banner iniciou outro beijo, mais intenso e obscenamente gráfico para qualquer um que tivesse o azar de entrar naquela biblioteca, deixando a LeBeau sem ar e um pouco tonta. –Torna tudo mais satisfatório, especialmente quando as coisas se alinham e vocês viram um monstro sexy capaz de me satisfazer. –Sussurrou contra os lábios da garota a beijando novamente.

Dessa vez Becky retribuiu o beijo com mais intensidade, agarrando-se ao pescoço de Conner como se sua vida dependesse daquilo, mesmo que estivesse sentada no colo dele.

E eles teriam ficado da mesma forma por mais alguns minutos, enquanto o garoto continuava a lembrar que precisava mesmo ir devagar com sua provável futura namorada ou as coisas dariam errado muito antes de se acertarem; felizmente (ou não), a interferência veio menos de cinco minutos depois.

—Vai se foder! –Os dois olharam assustados para a porta, de onde James Howlett fuzilava o Banner. –Porra Conner, tem que fazer essa merda agora?

—Tô só beijando ela, não transando.

—Ai meu Deus, cala a boca. –Becky estava vermelha cobrindo a boca e encarando a costura do sofá. –Me coloca na cadeira, por favor.

O garoto bufou contrariado, mas fez o que foi pedido, indo pegar sua camiseta no encosto do móvel em que estava antes assim que a LeBeau voltou para a cadeira de rodas.

—Você, Howlett, é um tremendo de um estraga prazeres, sabia? –Ele notou que o mais velho encarava a cena de Rebecca na cadeira de rodas confuso e um pouco irritado. –Isso foi o Oliver, acho que seus amigos podem dar as informações muito melhor que eu.

A expressão de James se distorceu em um misto de raiva e crueldade.

—Certo. –Ele encarou Becky, que ainda estava envergonhada demais para notar que Helena estava parada na porta. –Você lembra que eu avisei que ele e o Stark são perigosos, certo? –Ela assentiu, sem o encarar. –Bom, não vou me meter nisso por enquanto, só sugiro que tome mais cuidado sobre quando e onde vai encontrá-los, essa biblioteca é movimentada.

O Howlett saiu depois de pegar um livro e fechou a porta, deixando Conner e Rebecca sozinhos novamente.

—Vou te fazer companhia na cerimônia daqui a pouco, pode ser?

—Cerimônia? Não é uma festa para comemorar a aprovação média da prova?

—Para o resto dos alunos sim, para outros é o casamento do Ben Parker e da Aisha.

—Eles vão casar?

—Vão.

—Por que?

—Ela tá grávida e eles querem barrar os planos do T’Challa, nada muito complicado.

—E como você sabe disso?

—Hill me pediu ajuda com uma coisa divertida, por isso passei a semana incomunicável pelo celular; também foi o motivo de não conseguir vir antes.

Becky pensou que não queria lidar com mais aquele problema, a questão é que não era como se isso fosse tornar sua vida mais fácil.

—Certo, vamos juntos. –Ela parou por um momento. –Preciso colocar alguma roupa especial?

—Não, mas se quiser se trocar, eu espero.

Ela negou, não havia porque aumentar a possibilidade de confusão apenas por conta de uma roupa, especialmente quando seu acompanhante era Conner usando outra camisa de praia em pleno outono; seu jeans e blusa do Instituto combinavam muito bem com ele nesse momento.

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Ainda que para a maior parte das pessoas a palavra casamento remetesse a uma grande festa com diversas extravagâncias, não era muito comum que isso acontecesse nos termos dos X-Men e Vingadores, com raras e pontuais exceções como Tony Stark e Steve Rogers, que mesmo assim tiveram o casamento muito mais cheio de gente que divulgado; o que era algo que ninguém entendia muito bem.

—Sabe, essa preparação simples, não foi como pensei que veria a sua filha, a princesa de Wakanda, casando. –Emma comentou distraída quando terminaram os últimos ajustes antes de chamar todos os convidados para fora.

—Não é a primeira vez que eu vejo uma festa simples para uma pessoa que não combina com isso. –Ororo comentou exausta e parou, encarando a loira horrorizada. –Desculpa, eu não estava falando de você.

A outra mulher sorriu um pouco triste.

—Eu sei, não era uma cerimônia com a cara da Rainha Branca, mas naquela época eu gostei de como foi. –Ela sorriu mais divertida. –Não faria novamente da mesma forma e sei que não fui a única a casar quase escondida; acho que você foi a maior exceção de todas entre nossos amigos.

—Eu e Sue, o que mostra muito bem que o seu caso é que foi uma infelicidade já que os dois casamentos mais chamativos e divulgados viraram os maiores desastres da Terra.

—Sabe tão bem quanto eu que meu casamento nasceu destinado ao fracasso muito antes de acontecer, não sei como eu não vi isso na época.

—Sabe sim, você o amava e ele te ofereceu tudo o que você sempre desejou e nunca teve.

—Vamos mudar de assunto. –A loira terminou o check-list em sua mão e depois encarou a amiga. –Acredito que terminamos aqui fora, agora é só chamar os convidados que se trocaram sem entender nada, os padrinhos e madrinhas que foram informados há quinze minutos do que tá acontecendo, os noivos que são os culpados da nossa emergência e o juiz de paz que chegou a dez minutos. Esqueci de alguma coisa?

—Não, o que é bizarro, já que não conheço outra pessoa capaz de organizar um casamento em menos de dez dias sem levantar suspeitas no nosso meio.

A Frost gargalhou.

—Isso certamente é um elogio. Agora vamos, ainda estamos correndo contra o tempo e o serviço de inteligência de Wakanda não é tão idiota a ponto de não achar alguma brecha.

Ororo não discutiu aquela questão, ela sabia que era verdade.

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—Não acredito que cê vai casar. –James resmungou vendo Aisha se trocar, o que fez todas as outras garotas rirem. –Me diga que alguém já acertou um soco no Gabriel por isso.

—Óbvio que não, então não se atreva a arruinar as fotos. –A Monroe olhou indignada para o amigo pelo espelho do quarto.

—Tá bom. –O Howlett ficou emburrado por um momento até reparar nas outras garotas se arrumando. –Isso me lembra, quem são as madrinhas e os padrinhos?

—Ur, Alexis, Valéria, Melinda May, Thalia, Sarah, tia Emma e Pepper vão ficar como as madrinhas; Wolf, Nathan, Jason Lokison, Phill Coulson, Franklin, Daniel, você e Tony.

—Não tem muita galera de realezas sobrenaturais aí não? –Ele notou o sorriso da amiga. –Claro que tem e que isso é importante, só não me explique, quero morrer na ignorância.

Todas as garotas riram e Alexis se aproximou do irmão de criação.

—Agora saia desse quarto, termine de se arrumar e encontre nossa mãe no caminho do altar, você é o par dela hoje.

—Por que eu fiquei como par da Emma?

—Era você ou uma briga entre seu pai e tio Hank, fomos na opção que daria menos competição. –Claire comentou rindo ao fundo. –E não reclame, virei dama de honra de um casamento em menos de cinco minutos.

—Como se fosse só você. –Christine e Laura resmungaram em diferentes níveis de humor.

—Viu? Agora pode ir, ainda temos muito o que fazer aqui e só cinco minutos para terminar. –Então Alexis chutou o irmão do quarto e deixou James encarando a porta por cinco segundos.

—Elas vão demorar? –Ele encarou Nate.

—Acho que não, o que me lembra, parabéns pelo namoro.

—Você também. –O Summers tinha um sorriso radiante naquele momento. –Finalmente vencemos essa batalha.

—Verdade. Eu já ia desistir e jogar a toalha de uma vez por todas.

—Sim, eu reparei que sua mente estava cansada esses dias, mas as coisas ficaram bagunçadas e não queria invadir sua privacidade. –Nathan comentou enquanto andavam na direção do jardim.

—Tudo bem, não é como se as coisas estivessem muito melhores para você com a Alexis semana passada e eu não queria lidar com isso antes de ver minha mãe. –O telepata assentiu. –O que me lembra, o que houve com a Rebecca?

—Além dos avanços do Banner e do Stark?

—Sim, além disso, o que é outra coisa que preciso perguntar, mas…

—É sobre o que aconteceu com Oliver.

—Isso. Não tô a fim de deixar aquele imbecil foder com meus esforços de ajudar a garota agora que tudo tá dando certo; já vai ser irritante aguentar os dois pervertidos se aproximando dela como se isso não pudesse virar uma bagunça. –James realmente não gostava da aproximação dos dois garotos naquele momento.

—Alexis pensa o mesmo sobre eles, mas, como falei pra ela, não é nossa escolha afastá-los ou não.

—Eu ficaria feliz se eles nos dessem um mês antes de começar essa merda.

—Igualzinho a Alexis, se vocês fossem irmãos de sangue não seriam tão parecidos.

O Howlett bufou.

—Vamos, me mostre o que aconteceu depois que eu saí na quinta.

Nathan não questionou, apenas repassou as informações que conseguiu de tudo e o que viu, afinal James ainda era o principal responsável, junto do pai, de cuidar das lições sobre disciplina na escola.

E que Deus tivesse piedade dos alunos envolvidos, porque ele e o amigo é que não teriam.

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Quando os portões do Instituto receberam as vans de Tom Harry e Rose Brant, as coisas ficaram movimentadas do lado de fora do terreno, que ainda tinha um número considerável de repórteres tentando conseguir informações privilegiadas sobre os alunos que estiveram envolvidos em polêmicas naquelas semanas anteriores.

Nada disso estava perto do tumulto que a entrada da escola ficou no momento em que o carro com a bandeira da Latvéria passou escoltado pela Shield; não melhorou que a própria Comandante agência, Maria Hill, estivesse acompanhando o monarca tirano e sua namorada, o que só aumentou a confusão no exterior do lugar. Apesar disso, Victor riu e Alison acenou para os jornalistas e blogueiros, enquanto a Comandante reclamava de como eles eram irritantes.

Toda aquela comoção, no entanto, não afetou o clima dentro do Instituto, que continuou em uma agitação e correria sob o firme comando de Emma Frost, que despachava ordens e não admitia questionamentos, o que fez muitos se sentirem saudosos dos treinos com James pela segunda vez na mesma semana, o que era um grande problema na opinião dos alunos. Mesmo assim, a uma hora da tarde, todos estavam dispensados para comemorar o fim de semana, o que alguns fizeram, enquanto outros decidiram acompanhar de longe o que acontecia na montagem nos jardins da escola, já que tinham ajudado a fazer tudo sem saber o motivo.

Não demorou para que todos notassem o que poderia acontecer ali, a questão que ficava era: quem eram os noivos?

Teve quem apostasse no Rei Victor e Alison, mas eles não estavam vestidos como noivos; alguns cogitaram que poderia ser James e Helena ou Nathan e Alexis ou mesmo o casamento duplo dos dois casais, isso talvez mantivesse os dois garotos calmos nas próximas semanas, porém James era o par de Emma, que assim como o outro casal, eram padrinhos e madrinhas.

Então o susto foi bem grande quando Gabriel Parker, conhecido apenas por Ben, entrou acompanhado de Mary Jane e ficou no lugar do noivo; não demorou então para o susto virar pavor, afinal era Peter Parker quem guiava Aisha Monroe para o altar, e todos sabiam que o rei de Wakanda ficaria furioso.

O celebrante então começou a cerimônia um pouco tenso, mas logo estava no clima de um casamento normal e tranquilo, mesmo com a quantidade anormal de celebridades, pessoas com poderes e seres sobrenaturais.

—Agora eu pergunto, Gabriel Benjamin Stacy Parker, você aceita Aisha N’Shuri Monroe como sua legítima esposa? Para amá-la, respeitá-la e cuidar dela na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza até que a morte os separe? –O homem olhou para o rapaz.

—Sim. E muito depois da morte também. –Algumas pessoas sorriam para o complemento do Parker mais novo, mas ninguém reclamou.

—E você, Aisha N’Shuri Monroe, aceita Gabriel Benjamin Stacy Parker como seu legítimo marido? Para amá-lo, respeitá-lo e cuidar dele na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza até que a morte os separe? –O celebrante estava feliz de ver aquelas interações entre seres tão poderosos serem tão comuns e até melhores do que as que via todos os dias.

—Aceito. E você que não pense que vou te deixar fugir de mim depois de morto Ben, eu te caço até no inferno, entendeu? –O rapaz gargalhou concordando, enquanto os convidados riam de tudo.

O celebrante observou o detalhe para pular a parte “se tem alguém que é contra essa união que fale agora ou cale-se para sempre” e achou melhor não contrariar.

—Então, eu os declaro casados.

Os convidados começaram a gritar felizes, até Victor bater as mãos com força, chamando a atenção de todos, o que deixou até Dazzler preocupada.

—Princesa Aisha. –Ele fez uma curta reverência. –Apesar dos termos do casamento, quero oferecer um presente em nome da minha família. –A garota esperou a continuação. –Como bem sabe, sou o chefe da Igreja Unida da Latvéria e se você, e seu marido, permitir, quero reconhecer sua união como o sacerdote-chefe.

Todos ficaram realmente chocados e Emma sorria bem satisfeita, afinal T’Challa podia refutar um casamento legal americano pelas leis de Wakanda, mas era difícil brigar com o casamento sagrado da Latvéria, em que a Igreja reconhecia as diferentes crenças do povo como válidas.

—Isso não vai te deixar em maus lençóis com meu pai?

—Não é como se T’Challa fosse me perdoar por não impedir o casamento da filha dele com o garoto que ele não gosta, pelo menos vou fazer por merecer os gritos que vou ouvir.

Alison Blaire começou a rir, o que chamou a atenção de todos.

—Isso é fofo.

—Se esse é o caso, como Mago Supremo da Terra, eu autorizo o Sumo Sacerdote da Latvéria a realizar os ritos mágicos durante a cerimônia, caso o casal aceite o presente. –Stephen comentou um pouco animado.

—O que isso significa? –Ben perguntou para sua, agora, esposa.

—Significa que o Strange deu autorização para o Von Doom invocar a deusa Pantera, Bast, para nós abençoar e, se ela concordar, meu pai perde qualquer direito de se opor a nossa união mesmo em Wakanda; o problema é que a deusa também pode decidir nos amaldiçoar. –Aisha tinha um pouco de medo dessa possibilidade.

—Bom, eu topo. –Todos olharam para Ben surpresos. –Não é como se nossa situação fosse ficar melhor sem isso e se a deusa não gostar de mim, isso não vai ser uma grande novidade.

—Certo. –Aisha encarou o monarca da Latvéria. –Aceitamos.

Todos voltaram aos seus lugares e Victor tomou o lugar do celebrante, que foi convidado a ficar para a festa; o monarca trocou a máscara de aço frio por uma versão branca com detalhes dourados e prateados que tinha uma coroa de ouro simples na forma de um aro fino ao redor da cabeça dele.

O rei encarou os noivos e todos podiam jurar que ele sorria; ele uniu as mãos esquerdas dos dois jovens e deu um passo para trás.

—Estamos aqui hoje para celebrar a união, não a união de duas pessoas, mas de duas vidas e seus espíritos que se encontraram e uniram-se, não por vontade própria e sim pelo clamor do âmago se seus seres. –Muitos estranharam as palavras de Victor, menos Stephen, que ajudou a montar aquele rito, e Emma, que assistiu ao casamento do rei em vídeo. –O entrelaçamento desses dois, que é acompanhado pela presença do Destino e de todos que aqui estão, vigiados pelas leis da Magia, da Ordem e do Caos, se torna finalmente o alicerce para o surgimento de mais do que duas vidas, mas de uma linhagem assistida pelos espíritos e, como tal, pede que sejam abençoados por todos, mas especialmente Bast, a deusa Pantera de Wakanda, de quem a noiva é filha no mundo espiritual. –O silêncio irrompeu do jardim por um momento em que ninguém conseguia se mover, até que fios de energia se desprenderam de todos os seres com raízes mágicas presentes ali, formando a nítida imagem de um grande felino que se assentou entre os noivos enquanto olhava fixamente para o celebrante, antes de deitar-se onde estava. –Agora, diante da benção de Bast, a deusa Pantera, repitam comigo: eu… Te entrego… minha alma, minha vida e meus sonhos, porque juntos somos mais do que um, somos mais do que dois; não somos a soma e sim a multiplicação de nossos seres e a solidificação da Eternidade de nossos Destinos.

Os noivos perceberam que Victor indicou sutilmente os momentos em que deveriam se colocar na declaração e seguiram conforme o orientado.

—Eu, Aisha N'Shuri, te entrego, Gabriel Benjamin, minha alma, minha vida e meus sonhos, porque juntos somos mais do que um, somos mais do que dois; não somos a soma e sim a multiplicação de nossos seres e a solidificação da Eternidade de nossos Destinos.

—Eu, Gabriel Benjamin, te entrego, Aisha N'Shuri, minha alma, minha vida e meus sonhos, porque juntos somos mais do que um, somos mais do que dois; não somos a soma e sim a multiplicação de nossos seres e a solidificação da Eternidade de nossos Destinos.

A pantera mágica entre os dois rugiu visivelmente satisfeita e começou a se desfazer enquanto os fios de magia amarravam as mãos de Aisha e Ben.

—E pela benção de Bast, a deusa Pantera, sob a minha supervisão, Victor Von Doom, feiticeiro da terra e chefe de Igreja Unida da Latvéria, eu declaro Aisha N'Shuri e Gabriel Benjamin unidos pela Eternidade.

O rugido alto e potente de uma pantera surgiu dos fios que amarravam as mãos dos dois, se dissolvendo até que na mão de cada um restasse um anel cintilante, como uma pedra preciosa resplandecente esculpida para cada um. Todos puderam observar o momento em que os anéis sumiam, como se absorvidos pelo corpo dos noivos e só então todos gritaram comemorando.

Nem todos tinham certeza de que a cerimônia foi um sucesso, mas acreditavam que como ninguém morreu era um bom sinal. Já Ororo e Emma, assim como Stephen, Wanda e Victor, sabiam: Bast os abençoará e isso tornava o jovem Parker digno diante de toda a Wakanda, pois a deusa o acolherá como fez com a mãe de Aisha no passado; e sem cobrar do rapaz uma prova.

No portão do Instituto, usando binóculos especiais, duas mulheres observavam a cerimônia perplexas e preocupadas, diferente das outras pessoas ao seu redor, maravilhadas e curiosas.

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—Tem certeza que T'Challa não vai te prejudicar por isso? –Ororo não diria ali, mas era profundamente grata pelo ato do Rei Victor.

—Não muita, mas nossos negócios tendem a ser mais fortes do que isso, então ele deve me dar um gelo comercial por uns três meses se muito. Sem falar que não tenho porque tomar a maior bronca aqui, já que não sou eu que estou escondendo a gravidez da princesa. –Todos olharam para o rei da Latvéria chocados, até aqueles que sabiam do fato, já que a notícia ainda não estava muito espalhada mesmo entre os amigos de Aisha.

—Como? –E a Monroe mais velha estava exasperada.

—A energia dela está diferente, embora eu imaginasse algo do tipo quando pediram que Valeria, uma duquesa na Latvéria e maior de idade pelas leis do meu país, fosse uma das madrinhas; ajudou que eu tivesse conhecimento da frequência energética dos poderes dela de antemão. –Todos continuavam a encarar o monarca. –Ela fez um intercâmbio com a Valéria a dois anos, por favor.

As pessoas começaram a assentir.

—Isso significa que a gente ainda tem que ignorar o fato da Aisha estar grávida ou podemos começar a pirar e falar disso sem medo? –Dessa vez os rostos se voltaram para Claire. –O quê? Meu nariz não morreu para não notar algo como isso.

—Verdade. –Ur resmungou. –Só preferi não perguntar porque isso provavelmente é um problema que não quero me meter.

Ororo, Jean e Hank olharam ao redor onde Laura, Nikolai, James, Helena, Max, Jason e outros concordavam com aquelas afirmações; já Emma e Victor riam, como se aquilo fosse completamente esperado e de certa forma era mesmo.

—Mudando de assunto, desde quando aprendeu a ver através da magia de ocultação que eu criei? –Wanda não estava realmente brava, apenas um pouco chateada.

—Não encare como uma falha, minha cara; sendo sincero, seu feitiço é um dos mais complexos e difíceis de conseguir burlar em todo o mundo, o que significa que você empenhou todas as suas forças e conhecimentos para criá-lo. –Von Doom teve a certeza de esclarecer aquela questão, até porque era verdade. –Eu apenas aprendi que é sempre melhor saber os segredos que os outros escondem e ver a verdade, afinal muitos países podem até negar, mas existem magos e feiticeiros alojados em todos os departamentos de defesa tentando ganhar espaço.

—Fala daqueles desqualificados que não conseguiram passar das portas do Kamar Taj ou conjurar uma maldita bola de fogo sem se explodirem? –Stephen cuspiu entredentes.

—Tem outros? –O Mago Supremo negou e o monarca encarou os gêmeos Lehnsherr. –E eu estava certo sobre a mãe das crianças. –Emma o encarou fria e ele riu. –Não se preocupe Rainha Branca, eu tenho amor à minha vida para não me meter nessa história.

—Pensei que tinha que se encontrar com ela para ter certeza. –Alison Blaire comentou distraída.

—Normalmente, mas às vezes as peças do quebra-cabeça podem ser completadas de outras formas, não que eu me importe com isso, mas é engraçado. –Ele observou o olhar intenso de Maria Hill. –Dito isso, não temos uma festa para aproveitar? –Os demais concordaram se afastando e ele seguiu até a Comandante junto a namorada. –Um evento adorável, se me permite dizer.

Hill concordou.

—Acho que devo um agradecimento a você também. –Victor a encarou por longos segundos. –Fazer a cerimônia mágica nos poupa muitos problemas com T’Challa, mas não traz benefícios a sua questão, então é estranho, ainda que não seja ruim.

—O Rei T’Challa e eu podemos nos entender sobre isso depois, de formas que serão mais do que interessantes a ele e a mim. –Von Doom notou o choque oculto no olhar da mulher. –Não se surpreenda com isso, existem coisas sobre meu relacionamento com T’Challa e Namor que nenhum de vocês precisa ou deve ficar sabendo.

—Isso tem alguma relação com o casamento secreto da irmã dele, a princesa Shuri?

—Também. –E Hill sabia que o monarca sorria sob a marcada de aço. –Eu fui o celebrante lá, se quer saber.

—Eu quero muito te matar agora. –O rosnado saiu acompanhado das palavras da Comandante.

—Do que falam? –Emma se aproximou com um garçom que entregou taças de vinho para todos.

—Do casamento da princesa Shuri a dois anos. –Victor comentou como se não fosse nada.

—Hum… Realmente foi uma cerimônia muito bonita, embora um pouco diferente da de hoje. –E diante do olhar chocado de Ororo, que havia seguido a amiga, e Hill, que não acreditava no que ouvia, a loira suspirou. –O noivo me convidou.

—Quando é que você vai parar de fazer isso, Frost? –A Comandante da Shield estava furiosa, mas Emma esperou. –Seus segredos parecem não ter fim.

—Com isso eu concordo. –E Ororo estava chateada, outra vez.

Emma terminou de beber sua taça de vinho e encarou a amiga de longa data.

—T’Challa ainda responde aos nossos chamados e escuta nossas preocupações, mas não é tudo que posso contar ou revelar dos negócios que mantenho com ele; com relação ao casamento da sua cunhada, realmente foi o noivo dela que me chamou, ele também é meu parceiro de negócios. –Então ela virou para Hill. –Vou guardar quantos segredos precisar para manter minha família inteira, isso inclui meus amigos, nos quais conto você e seus filhos. –As duas mulheres suspiraram. –Agora vamos curtir essa festa? Não é todo dia que podemos casar uma das garotas.

Todos riram e deixaram Alison e Victor sozinhos.

—Não quer dançar? –Ela o provocou.

—Não sou bom com esse estilo, sabe disso.

—Eu sei, mas qual seria a graça de não tentar? –Alison afastou a máscara do rosto do rei e o beijou, o que fez Victor ficar a encarando por vários segundos. –Tudo bem?

—Sim, só me distraí um pouco. –O monarca disfarçou bem que estava envergonhado, mas a mutante negra o conhecia a anos. –Quer outra bebida?

—Me diz uma coisa… –Ele parou um pouco surpreso com o tom de voz dela. –Quantas vezes já pensou em me pedir em casamento?

—Como?

—Tinha pelo menos seis anéis de noivado na gaveta do banheiro quando fui procurar por outra toalha mais cedo, e você tem costume de deixar coisas que te envergonham nesse tipo de lugar.

—Isso… –Ele suspirou. –Dez vezes. –Admitiu um pouco contrariado. –Nunca parece o melhor momento para resolvermos isso e não é como se as coisas tivessem mudado, então não me custa esperar mais um pouco.

Dazzler sorriu para ele.

—Às vezes você pensa em excesso sobre tudo; devia simplesmente tentar fazer o que quer.

—E estragar a sua carreira mais do que já estraguei ontem? Não, obrigado.

—Essa escolha deve ser minha, não sua.

—Não estou falando que não é Alison, estou sendo realista e pensando que posso mesmo estragar a sua vida aqui; eu não sou um santo e entraria em guerra com qualquer um que tentasse me subestimar ou tomar meu reino.

—Fico feliz que pense em mim quando compra os anéis de noivado, tanto quanto me sinto tocada pela sua preocupação comigo, mas ainda sou eu que tenho que dar uma resposta e não você desistir de pedir.

—Sei disso, mas…

—Então peça. –Victor encarava Alison surpreso e em choque. –O pior que posso te dizer é que não agora ou que não me sinto preparada; ainda assim, você não pode deixar de tentar, especialmente que isso pode não ser uma guerra, só que ainda é importante, não é?

O monarca suspirou; era difícil discutir com Alison sobre aquele tipo de assunto, porque ela normalmente estava certa no que falava.

—Desse jeito você acaba comigo. –A mutante sorriu, como se não tivesse feito nada demais. –Às vezes penso que minha vida seria mais simples se nunca tivéssemos nos conhecido. –Ela o encarou indignada e Victor se ajoelhou seguindo a tradição. –Mas sei que todas as complicações e tormentas tem valido a pena na minha vida quando posso te ter ao meu lado, por isso eu te pergunto… –Ele tirou uma caixa de aliança do bolso e abriu, enquanto a mutante se dava conta de que era uma joia diferente das que viu de manhã. –Alison Rina Blaire, aceita casar comigo? Mesmo com todos os meus defeitos, que são muitos.

Alison riu daquela afirmação e estendeu a mão.

—Você também vai ter que aguentar os meus defeitos, então eu aceito. –Victor colocou a aliança no dedo de Alison e ela sorriu mais. –Nem pense que pode fugir de mim, Von Doom.

—Não sou tão louco assim.

Continua...

Notas finais
O próximo vem por volta do dia 15 de Fevereiro, depois do Carnaval.