Notas iniciais
Oi. Desculpem o atraso. Fui dar uma volta no rolê da depressão e demorou um pouco pra me tocar que tava deixando meus compromissos de lado. Ainda nem consegui colocar tudo em ordem, mas o capítulo tá aqui. Sobre o capítulo... Como tô alterando os personagens para a realidade desse universo, sim, eu fiz isso. Eu já tinha falado disso e que algumas mudanças seriam maiores que outras, essa foi uma delas. Então... BOA LEITURA.

(na imagem: Tommy Maximoff)

20 de Outubro

Alison Blaire suspirou exausta.

Adorava fazer seus shows, ver o público gritando de forma frenética e animado a cada passo das suas apresentações, era revigorante em muitos aspectos e isso sempre a fazia feliz. Mesmo assim a mutante popstar tinha que admitir que em alguns momentos não conseguia seguir com a mesma energia de cinco anos atrás e que talvez precisasse mesmo rever algumas partes de suas apresentações, já que, mesmo com todo o cuidado que tinha, seu corpo não era o mesmo de quando começou sua carreira e podia suportar de maneira quase ininterrupta por um mês quase inteiro de shows.

—Temos dez minutos antes da sessão de autógrafos e seguir para a emissora onde a entrevista vai acontecer. –John se aproximou da mulher, preocupado. –Acho melhor aproveitar esse tempo para descansar, posso chamar a equipe de maquiagem para cuidar dos detalhes.

—Não, eu preciso tomar um banho antes, pode me acompanhar e contar o que descobriu sobre Edith Vargas? –O rapaz assentiu e seguiram para o banheiro do camarim, com ele parando na porta. –Sei o que quer dizer e concordo, ficamos em cima do horário, mas organizamos tudo as presas, não têm muito o que fazer sobre isso.

—Apenas acho que você realmente precisa de uma folga de verdade, não parar suas apresentações oficiais por uma semana e continuar ensaiando e compondo sem parar. Prefiro até que use esse tempo para ficar com o seu namorado sem fazer nada além de matar o tempo, contanto que descanse, e sei que o senhor Ryan concorda com isso.

—Eu sei, vamos ver isso depois que terminarmos o dia de hoje.

O rapaz concordou, sabendo que não havia nada a ser feito naquele momento.

—Edith Vargas é uma jornalista especializada em comentar e investigar a vida das celebridades; ela começou a carreira como uma repórter de rua que corria atrás de informações sobre política e acabou ganhando notoriedade quando descobriu o caso de um senador com uma atriz de fama média a uns vinte e cinco anos, depois de começar a seguir os passos da mulher em questão. Suas habilidades para investigar políticos logo se provaram úteis para os jornais de fofoca e em dez anos ela passou de uma repórter que corre atrás da notícia nas ruas para um dos maiores nomes dos programas de fofoca com fontes confiáveis em todos os lugares, apesar disso Edith é considerada uma pessoa séria e que leva sua função de mexer com a vida alheia como algo além do óbvio sempre que possível.

—Isso confirma o que Emma me disse mais cedo, sobre ela provavelmente já saber sobre o James, o que me leva a perguntar como o programa vai abordar isso.

—Ela também é mãe de quatro jovens. Um rapaz casado, que vai ser pai em alguns meses; outro rapaz gay, que cuida da casa e dos avós para os pais; uma garota trans, que foi apoiada pela família em especial a própria Edith, que fez questão de que o então filho tivesse todo o apoio médico e psicológico para uma transição segura em todos os aspectos; por fim, uma menina de dezesseis anos que não têm nenhum perfil divulgado para pesquisa.

—Então ela é uma boa pessoa ou, ao menos, uma mãe preocupada e protetora, com isso eu posso lidar.

—Tem algo mais que queira saber sobre ela?

—Não John, por hora eu tenho todas as informações que poderia pedir e que me interessam. –Alison saiu do banho e voltou para a sala onde as roupas e a maquiagem estavam. –Chame as garotas, já estamos nos atrasando e não tenho condições de cuidar da minha maquiagem hoje.

O rapaz assentiu e saiu enquanto Dazzler se sentava na cadeira com uma roupa um pouco menos chamativa que a do show, mas ainda a sua cara enquanto pessoa pública e uma celebridade.

====================X====================

Conforme o horário marcado se aproximava, Edith Vargas começava a ficar nervosa e ansiosa além do que era costume, especialmente depois de alertar seu chefe que as coisas poderiam desandar a qualquer momento na entrevista. Ransom queria saber o motivo daquela afirmação, mas a mulher garantiu que era mais seguro para todos que apenas seus colaboradores de confiança tivessem acesso à informação, o que fez o homem ter certeza que aquilo era perigoso.

A jornalista encarou seus colegas de palco, Louis Edwards e Ellie Honey.

Ele era um dos entrevistadores mais cirúrgicos e ácidos que existia e ela uma das mais doces e venenosas comentaristas que já surgiram sob a rígida tutela de Edith.

—Antes de irmos para o estúdio e encontrarmos com Dazzler, eu preciso esclarecer algumas coisas e a primeira é que as coisas podem ficar ruins, talvez até perigosas, então tenho que perguntar se querem mesmo participar do programa de hoje.

—Não tem lógica tentar nos intimidar agora chefe, vamos até o fim. –Louis sorriu presunçoso.

—E foi você que nos ensinou que uma pista jornalística nunca é perigosa demais. –Ellie lembrava dos ensinamentos da mulher mais velha.

—Eu sei, só que dessa vez as coisas são maiores do que apenas uma fofoca de famosos e preciso perguntar. –Os dois a encararam sem hesitar. –Como devem saber, fiz minhas pesquisas…

—É, com sua nova equipe de favoritos. –Louis resmungou e Edith olhou com calma para o rapaz de estrutura magra e alta, com pele bronzeada e olhos castanhos. –Até nos trocou por uma garota de outra emissora.

Vargas encarou Ellie, com seu corpo esbelto e pele de um marrom brilhante, com os cabelos trançados e uma expressão triste.

—Eu não os troquei. –Os dois não pareciam acreditar. –As coisas com que estamos trabalhando não são seguras e eu entrei depois da Liv Colton e da Nathalie Everhart, então sei o quanto as duas estão arriscando, até mesmo suas vidas em alguns momentos, para conseguir as informações que precisamos para todas as matérias que decidimos focar. –A latina suspirou. –Não é errado dizer que podemos morrer por isso caso algo dê errado. –Ela fitou ambos com firmeza. –Dependendo do que acontecer essa noite, vou perguntar a vocês o que querem fazer, mas lembrem que isso pode virar um caminho sem volta. –Os dois engoliram em seco e concordaram. –Agora, o que preciso dizer é que não posso compartilhar as minhas descobertas com vocês, então espero que tenham corrido atrás de suas próprias fontes, como sempre oriento.

Houve uma confirmação muda e séria por parte de ambos, o que fez Edith levantar de onde estava e ir até a porta, abrindo-a e dando passagem para o resto dos seus apoios.

Zhou tomou a frente.

—Eu vou comandar as câmeras por hoje, então me avisem se tem algum ângulo que não querem que seja enquadrado na hora. –O oriental indicou os outros. –Vamos nos dividir entre os três, embora Edith vai ter acesso aos comentários que vamos fazer com os dois para o caso de travarem.

—Nós somos profissionais… –Louis ralhou ofendido.

—Nós também, nem por isso deixamos de ficar atônitos com o que encontramos. –Ele se virou para Vargas. –Dazzler está no camarim conforme o combinado, o estúdio está pronto e só falta colocarmos todos nas posições finais.

—E por todos você quer dizer os que estão nessa sala. –Zhou concordou e a mulher encarou os outros dois entrevistadores da noite. –Vamos, chegou a hora de colocarmos muitas histórias por terra.

Louis e Ellie se olharam confusos, mas seguiram o resto do grupo.

====================X====================

A abertura do programa daquela noite, Talk with the Vipers, conhecido por ser a maior fonte de dor de cabeça dos famosos que concordavam em participar, foi como sempre: os três entrevistadores entraram cada um pelo seu lado normal e pararam na frente das câmeras com sorrisos confiantes.

—Boa noite América, eu sou Edith Vargas, a sua víbora favorita em mais um Talk with the Vipers e, especialmente hoje, vamos ter a convidada mais especial dos últimos anos, aquela que nos fugiu por mais de dez anos. A Mutante Popstar, Dazzler.

—E como vocês bem sabem, nenhum de nós jamais poupou veneno para ninguém, mas talvez estejamos dispostos a dar a chance dela se explicar antes de darmos o bote, certo Ellie? –Louis fingiu limpar o miasma escorrendo da boca.

—Com certeza Louis. Embora sempre que damos essa chance aos nossos convidados eles recusem e depois reclamam que somos malvados. Tão infantis e bobinhos… –Ellie riu da forma como falou e seus colegas concordaram.

—Então vamos receber não apenas Dazzler hoje, mas a sua figura privada, por favor recebam Alison Blaire. –Edith anunciou e a mutante entrou com um sorriso divertido, até mesmo animado.

Ela cumprimentou os mais novos e depois parou em Vargas.

—É um prazer ser recebida no seu programa hoje, embora seja sincera o suficiente para admitir que é um pouco assustador.

Todos riram e começaram a se dirigir para os sofás em que ficariam para a entrevista.

—É bom começarmos com sinceridade, afinal esse é o foco do nosso programa, desvendar segredos. –Edith soou amigável diante do olhar intenso de seus colegas.

—Então, eu tenho uma dúvida que talvez seja cruel e insensível, mas… –Ellie tomou a frente e todos esperaram pela picada. –Uma fonte me contou que a história do seu vício em drogas, mais especificamente em analgésicos, é uma mentira, o que me diz?

Alison sorriu.

—É uma pergunta justa e, dentro do que você colocou, realmente é mentira. –Todos encararam a mutante surpresos, já que ninguém admitia aquele tipo de coisa de tal forma. –A verdade é que eu passei pela reabilitação por outros motivos, que incluíam vício em remédios de outro tipo. –A morena tinha uma expressão triste em seu rosto.

—Isso significa que seu acidente nas suas férias no Japão após sua turnê há mais de vinte anos também é uma mentira? –Louis pegou a deixa e foi direto.

—Correto.

Na plateia, Alison Esperanza e Max Strange estavam chocados enquanto Valéria observava tudo com calma e Jason analisava as palavras da mulher que seu namorado admirava.

—Se você confirma tudo isso, então “Lost Child” não é sobre a sua experiência ou tem alguma conexão?

—É e não é. –Dazzler ficou rígida com a pergunta de Ellie. –Explicar em detalhes é complicado; a verdade é que eu nunca disse que escrevi a música para mim ou sobre as minhas experiências, foram os “especialistas” que tomaram a letra como um reflexo do meu vício, coisa que nunca foi verdade. É uma música que faz parte da minha vida, só não da forma como as pessoas acreditam.

—Eu ouvi falar de um quadro chamado “Lost Child” pendurado na parede do seu apartamento em Los Angeles, escreveu a música para o artista? Como uma forma de retribuir?

—Sim e não. –Louis a encarou chocado e confuso. –Eu escrevi a música para a pessoa que pintou o quadro, mas ele fez a pintura depois que eu ganhei o meu Grammy por “Lost Child” e, sendo bem sincera, ele não é meu maior fã.

—Alison. –Edith chamou a atenção da popstar. –Eu sei que estamos indo por um caminho estranho e, lamento dizer, não vou facilitar a sua vida. –A mutante negra riu. –Quero falar sobre seu encontro de ontem a noite com aquele rapaz, que por acaso eu conheci no fim de semana no Instituto Xavier.

—Ah, sim. Emma realmente comentou sobre isso comigo na quarta à noite, quando nos encontramos.

—Eu sei que o nome dele é James Howlett e ele é um dos filhos adotivos de Emma Frost, o que por si só faria do garoto um dos partidos mais disputados do mundo.

—Se você sabe que ela é a mãe adotiva dele, está mais bem informada que outros alunos do Instituto e você até que está certa sobre ele ser um bom partido. Embora eu conheça alguém que te mataria por ouvir isso.

—Bom Alison, eu fiz a minha pesquisa e tenho uma vaga ideia de quem é James Howlett, mas preciso te dar a chance de responder a pergunta que todos se fizeram o dia todo: quem realmente é o rapaz com quem você se encontrou ontem?

A câmera focou na mutante popstar, que sorriu de forma gentil para a entrevistadora.

—Ele é James Carter Blaire Howlett, meu filho.

Houve um momento curto de silêncio em que todos olharam para a mutante.

—Como é que é?! –As pessoas da plateia, produção, Ellie e Louis estavam surpresos.

As únicas exceções além de Edith naquele estúdio eram Colton, Everhart, Brant e Zhou, que permaneciam firmes em suas funções.

—É, foi o que imaginamos quando pesquisamos sobre a vida dele e a sua. –A expressão da morena de olhos estreitos era triste. –Então, você tem quarenta e cinco anos? Nascida em New Jersey, filha de um juiz negro que se tornou referência em casos de família e uma artista renomada filha de pais japoneses, correto?

—Isso. Faço quarenta e seis anos em alguns meses.

—E James tem vinte e dois?

—Fez aniversário em setembro. –Alison respirou fundo. –Ele nasceu quando eu tinha vinte e três anos, durante as minhas férias no Japão após a minha turnê.

—E você sofreu de depressão pós-parto aguda, desenvolvendo um vício em antidepressivos.

—Você realmente fez a sua pesquisa. –Havia uma ponta de amargura na voz da mutante.

—Espera! –Ellie estava estupefata. –Seu vício era em antidepressivos?

—Isso.

—Então a história sobre a depressão era verdadeira, apenas a causa foi distorcida? –Louis estava chocado.

—Algumas pessoas podem ficar irritadas e dizer que eu poderia ter usado isso para conscientizar outras mulheres sobre a depressão pós-parto, mas quando decidi fazer isso, não estava pensando em mim ou na minha carreira, eu… –Alison parou, respirando e impedindo as lágrimas de saírem. –Meu empresário sabia que as pessoas descobririam sobre a internação e quando ele me perguntou como queria divulgar aquilo, a única coisa que eu conseguia pensar era “não quero eles atrás do Carter”.

—E Ryan, seu empresário, divulgou a história de como você ficou viciada em analgésicos após um acidente nas suas férias no Japão, entre outras coisas. –Edith resumiu. –Lembro que isso quase acabou com a sua carreira na época.

—Verdade, mas não era comigo que estava preocupada e também foi quando percebi que não podia criar meu filho, pelo menos não da forma como ele merecia. Então escolhi a única pessoa que eu sabia que protegeria Carter até de mim, Emma Frost.

—Eu tenho que dizer que, à primeira vista, ela não é a minha primeira escolha, mas depois da tarde que passei no Instituto… Acho que entendo um pouco. –Edith brincou. –O que me leva a diversas perguntas, como: por que escolheu ela?

—Ela me deu um tapa na cara quando foi me buscar no Japão. –Todos olhavam para Dazzler chocados. –Deus. Emma estava furiosa por encontrar Carter naquelas condições e eu sei que não posso culpá-la, porque se não fosse a mutação ativa dele naquela idade… Não sei se ele teria sobrevivido por um ano comigo. –A mutante riu. –Não é como se ela não se preocupasse com a minha saúde, é que a dele era prioridade e acho que foi por isso que eu não tive dúvida na hora de escolher uma mãe adotiva para criar o Carter.

—E o pai dele, não esteve presente? –Louis conseguiu voltar para a entrevista.

—Eu e Logan tivemos um caso de uma noite, literalmente, e acho que ele se sentiu tão envergonhado que não conseguia olhar pra mim.

—Isso foi durante a sua turnê? De quanto tempo você estava quando os shows acabaram? –Ellie também estava recuperada.

—Sim, foi nos últimos meses da turnê e quando os compromissos acabaram eu estava com mais ou menos quatro meses de gestação. Dei a luz cinco meses mais tarde.

—Você sempre quis ser mãe ou pensou em outras coisas quando descobriu que estava grávida? –Ellie foi na pergunta inconveniente.

—Na verdade, eu nunca pensei em ter filhos ou em ser mãe mesmo que por adoção, o que foi engraçado. Quando eu descobri que estava grávida, minha reação inicial foi que o exame estava errado e pedir outra testagem. –Alison ria da lembrança. –A primeira hora foi bem complicada e fiquei perdida sobre o que fazer ou porque tinha deixado aquilo acontecer. Depois que o baque inicial passou e comecei a assimilar que estava grávida… Não sei, a primeira coisa que pensei foi que nome daria para a criança e só liguei para Logan três dias depois, quando já tinha organizado todas as possíveis mudanças da turnê com Ryan.

—Então o aborto nunca foi uma opção? –Ellie foi direta

—Não, embora o médico tenha dito que eu poderia fazer o procedimento no mesmo dia, algo apenas me impediu de concordar com aquilo e voltei para o meu hotel pensando sobre tudo aquilo, mas nunca sobre abortar.

—Você o chama de Carter, foi o nome que escolheu? –Louis deixou as perguntas delicadas de lado.

—Sim. Era o nome do meu pai e também do meu avô, que gostava muito de música country. De um modo engraçado, mesmo sem ter conhecido ele, acho que teríamos nos dado bem e, depois de muito tempo, eu entendi algumas coisas sobre meu pai, ainda que a gente nunca tenha se entendido de verdade.

—Eu lembro que uma vez você comentou que seu pai era uma pessoa autoritária e que não apoiava sua carreira como cantora. –O entrevistador continuou.

—Meu avô vinha de uma família de pessoas que se engajavam na aplicação da lei, muitos lutaram para ser advogados, juízes e militares de alto renome; parte dos antepassados do meu pai são majoritariamente negros e alguns são brancos, bem poucos incluindo o meu avô e ele mesmo nunca se esforçou para ser alguém grande nesse meio, preferindo ouvir música e pescar aos fins de semana do que trabalhar. Parece que o pai dele colocou pressão demais no meu pai para corrigir os erros do meu avô e meu pai passou isso para mim, o que foi errado da parte dele, embora de algum modo ainda fosse uma forma distorcida de se preocupar.

—Eu sei que seu pai morreu a mais ou menos dez anos, ele sabia do Carter? –Louis sabia que logo perderia a vez das perguntas novamente.

—Eu contei para ele antes que morresse e que o neto não seria um advogado, mas alguém que trabalhava para o governo, enquanto nas horas vagas ele pintava e cuidava das plantas. –Alison deixou uma risada triste escapar. –Meu pai perguntou porque éramos tão idiotas e incapazes de conciliar coisas sérias e criativas. –Ela suspirou. –Ele era um excelente cozinheiro, muito melhor do que minha mãe.

—Acredita que ele tinha outro sonho na vida além do direito? –O homem estava quase satisfeito com a pergunta e as respostas.

—Acredito que ele fez suas escolhas, assim como meu avô ao não ser um grande advogado ou juiz e deixar as cobranças caírem sobre o filho dele. –Alison suspirou. –É um dos motivos pelos quais sempre agradeci ter percebido desde o começo que não poderia ser a mãe que o Carter merecia e precisava ou corria o risco de projetar minhas frustrações nele.

—Você diz que nunca se entendeu com seu pai, mas deu o nome dele ao seu filho e fala menos da sua mãe do que dele, existe algum motivo? –O homem sabia que aquela poderia ser sua última pergunta por um tempo.

—Vai soar estranho dizer isso, uma vez que meu pai nunca aceitou as minhas escolhas de vida no que diz respeito a carreira, mesmo assim ele nunca me rejeitou por completo e minha mãe, sendo uma artista… Bom, eu acreditava que ela nunca me renegaria por ser quem eu sou. –Alison hesitou e, por fim, desviou o olhar. –Minha mãe me chamou de abominação quando me assumi mutante para o mundo e só muitos anos depois tentou se reaproximar, enquanto meu pai… Ele foi como sempre e apenas disse que eu ser mutante não era pior do que não cursar direito, então não fazia diferença.

—Seu pai soa como um homem irritante. –Louis comentou um pouco perturbado.

—Ele era e de algum modo estranho eu esperava essa reação dele, não posso dizer o mesmo da minha mãe, o que de certa forma me machucou muito mais do que a forma como meu pai tratou o assunto.

—Você disse que escolheu Emma Frost como mãe adotiva pela atitude dela, mesmo assim é conveniente que ela seja rica, não acha? –Ellie havia voltado com as perguntas venenosas.

—Verdade. Embora Ororo Monroe estivesse junto e eu pudesse ter mandado Carter para crescer no palácio de Wakanda. –Todos encararam a mutante. –Eu tinha outras opções que, em aspectos gerais, eram mais seguras que Emma, só que o brilho furioso no olhar dela ao falar do meu filho e a preocupação que ela tinha com cada detalhe da vida dele… Ela se tornou a mãe do Carter no momento em que colocou os olhos nele pela primeira vez e eu sabia que não encontraria ninguém melhor para cuidar dele.

—E segundo a sua afirmação, seu caso com o pai do Carter durou uma noite, então nunca mais houve nada? –A entrevistadora negra continuava com as perguntas.

—Não. Era algo que acontecia e, geralmente, não tem importância, embora nesse caso tenha se tornado relevante por outros motivos.

—Hoje, você se casaria com o pai do seu filho?

—Deus, não.

—E você não vê nenhuma chance de algo voltar a acontecer com ele? Afinal, vocês têm um filho. –Ellie provocou.

—Primeiro de tudo, Carter é um adulto que sabe que eu e o pai nunca daríamos certo como um casal; segundo, Logan tem seus próprios problemas e outros filhos para cuidar; terceiro, e não menos importante, eu tenho um namorado que já me dá muita dor de cabeça.

—Você tem um namorado? –Ellie estava surpresa, assim como Louis, que encarava a cena em silêncio.

—Ela tem. –Edith resmungou, chamando a atenção para si.

—Você realmente fez a sua pesquisa.

—Você viaja demais, embora eu não queira mesmo perguntar sobre isso, já que prezo demais a minha vida.

Alison gargalhou, o que fez todos se surpreenderem.

—Meu assistente sempre reclama quando tem que tratar de algo com ele.

—Sério, você parece ter um tipo para homens, afinal eu conheci o pai do Carter. Então, qual a explicação? –Vargas arriscou.

—Gosto de homens que podem ser charmosos e decididos, especialmente os difíceis. E, vamos concordar, meu namorado é quase impossível.

—Sim, é verdade. –Edith suspirou. –Eu tenho apenas uma dúvida sobre seu atual relacionamento, ele sabe sobre o Carter?

—Eu nunca contei, então nã…

—É claro que eu sei.

Edith Vargas pulou da sua poltrona, se encolhendo um pouco ao notar a pessoa andando na direção do palco e, consequentemente, entrando no foco das câmeras. Ellie e Louis estavam pálidos como fantasmas, assim como outros membros do staff que sentiam seus corpos gelar de medo diante da figura que havia invadido o estúdio de forma tão calma e despretensiosa.

O homem encarou a plateia que prendia a respiração e acenou levemente ao ver o grupo de jovens que conhecia ali, depois ele se voltou para a formação no palco e se aproximou dos sofás seguindo até Alison que parecia surpresa ao mesmo tempo que um sorriso meio bobo curvava seus lábios. Ele se ajoelhou na frente da mutante e segurou sua mão levando a mesma até a máscara de aço em seu rosto.

—Espero que minha chegada não seja algo ruim.

Dazzler riu.

Ela observou como ele estava vestido: com seu terno cinza alinhado, o manto verde sobre o ombro, com uma versão mais suave e discreta da máscara de metal que normalmente escondia as suas cicatrizes.

—Vamos descobrir isso mais tarde Victor. –Ele levantou e sentou ao lado dela, no sofá maior que a mesma ocupava desde o começo da entrevista. –O que me lembra, desde quando você sabe sobre o Carter?

—Há quase seis anos.

Alison o encarou.

—Seis anos?

—Você ficava estranha do nada, nunca queria falar a respeito e quase sempre saía às pressas dos nossos encontros, então decidi descobrir o que mexia com você daquele jeito e… Bom, eu tenho um filho e uma sobrinha que é quase minha filha, então achei que sabendo que seu problema era o Carter e quem ele era, não precisava de mais detalhes ou ficar te perguntando a respeito. –Ele a encarou. –Se fosse necessário, um dia você me contaria tudo.

A mutante acabou rindo.

—Eu às vezes esqueço que você é estranho.

Victor deu de ombros e encarou os entrevistadores.

—Boa noite Edith, creio que a Colton está no seu ponto, não é mesmo?

—Ah, sim.

—Olá Olivia, feliz que esteja bem. –Von Doom soou gentil.

—Ah, ela faz parte da equipe que está trabalhando nas reportagens com o Tom Harry junto com a Edith, não é? –O monarca assentiu para a namorada.

—Eu achei que conseguiria me livrar desse problema sem tocar no seu nome, majestade. –Vargas lamentou.

—E você acha mesmo que deixaria a minha namorada sozinha aqui? Tem que ser brincadeira.

—Seu namorado é Victor Von Doom, o rei tirano da Latvéria? –Ellie Honey não segurou a língua. –O assassino de inocentes?

—Sim para o fato dele ser meu namorado e rei da Latvéria, não para as outras partes. –Alison se sentiu incomodada com a forma como seu companheiro era chamado.

—Desculpa Dazzler, mas ele matou milhares de inocentes na guerra a três anos, e tudo isso só para pegar uma fonte de água. –Louis disse isso com um pouco de nojo, o que desagradou ainda mais a mutante negra.

—Meu tio não fez isso por causa daquele maldito rio de merda. –Valéria levantou furiosa de onde estava e puxou a blusa que usava, revelando uma grande cicatriz do lado direito do tórax. –Eles invadiram nosso território e tentaram me matar, eu quase morri e fiquei em coma por uma semana com meu pulmão quase morto até o tio Victor arriscar tudo para me salvar.

Von Doom levantou, foi até a sobrinha e jogou o manto sobre ela.

—Chega Valéria, eles não ligam para o porquê eu entrei naquela briga e você não precisa se expor assim.

—Mas tio Victor… –Havia lágrimas nos olhos da garota.

—Não importa. Eu não me arrependo e faria tudo de novo, isso é tudo que me interessa.

—O senhor só queria a cabeça dos homens que tentaram matar a mim e ao Damian, as terras não tinham importância.

—Valéria…

—Por que ninguém vê que eles mentiram?

Alison Esperanza se aproximou e Victor permitiu que a jovem levasse a sobrinha de volta para a plateia, ele então voltou para onde estava sentado antes e encarou Louis.

—Continue, acho que você estava falando sobre eu ter matado um bando de marginais que tentaram matar a minha família.

—Mesmo que tenha sido pela sua família, as cidades que foram atingidas…

—Desculpa me meter… –Esperanza havia deixado Valéria com Max. –Eu estava lá como voluntária para impedir crimes de guerra durante as minhas férias e não precisei matar praticamente nenhum soldado da Latvéria por estupros ou coisas do tipo; os poucos que cometeram tais atrocidades foram mortos por seus colegas ou pelo próprio rei publicamente. –A garota suspirou um pouco cansada de lembrar do que o outro país fez. –Agora, os soldados do outro lado… Esses eu realmente matei um bom tanto por esse mesmo tipo de crime ou piores, especialmente na cidade em que meus amigos pousaram vendo os becos cheios de crianças mortas pelas tropas. Não melhorou que os cidadãos fossem do próprio país que os matava.

—Mas nenhuma cidade da Latvéria foi atingida durante o conflito e…

—Duas das nossas cidades foram atingidas, embora por muita sorte as perdas em uma delas foram mínimas e na outra a população mais velha decidiu servir de isca para as mulheres e crianças correrem. –Victor suspirou. –Eu fiquei tão abalado com o estado de saúde da Valéria que esqueci de dar a ordem de evacuação a tempo, por isso perdemos tanta gente no primeiro ataque. –O rei pareceu irritado. –Claro que os desgraçados alegaram que eu matei meu povo por prazer, aqueles merdinhas.

Louis olhou para Ellie e engoliu em seco.

—Eles tentaram matar a família real? –O entrevistador arriscou.

—Hum? Ah, sim. Era a caçada anual para comemorar a libertação da Latvéria e minha coroação, então fomos atrás de um veado para o banquete. –Era possível sentir a fúria do rei mesmo sob a máscara. –Os desgraçados atiraram na nossa direção e acertaram dois tiros na Valéria, então eu achei justo ir atrás deles para matar aqueles que tentaram matar a minha família.

—E o rio? –Ellie se arriscou.

—Foi uma coincidência, matei a maior parte dos homens que nos atacaram perto daquele lugar e ia recuar sem nem pensar, mas meus homens exigiram que a gente terminasse o caminho até o rio e meus generais concordaram que usar o obstáculo natural como fronteira era aconselhável para evitar outros conflitos com eles. Também seria um pagamento justo e barato pelos transtornos que causaram ao nosso povo, que vinha pedindo que eles pagassem reparações ao término do conflito; o que obviamente não aconteceria pelos meios legais depois de tudo que foi divulgado.

—E as pontes que eles mostraram? As que foram destruídas. –Louis tentou.

—Não acha que eu seria muito burro se não destruísse a forma mais fácil e rápida de acesso do outro país as minhas terras depois deles me atacarem e invadir com intenções de matar minha família por nada?

—Seria, por isso tenho que considerá-lo um homem sensato. –Edith surpreendeu a todos. –E sendo sincera, acho que eu teria destruído todos os oficiais de alto escalão do outro país, o parlamento e seus líderes antes de me sentir satisfeita contra qualquer um que tocasse na minha família.

Victor riu e depois encarou Alison.

—Gostei dela.

—Você gosta de qualquer um capaz de entender o que você faz.

—Estou errado?

—Não.

—Espera! Há quanto tempo vocês estão juntos? Namorando. –Ellie deixou a enrolação de lado.

—Nos conhecemos a nove e começamos a namorar a sete, para ser preciso. –Victor riu como se lembrasse de algo engraçado. –Ela não gostava de mim.

—Você não fazia questão de ser agradável quando nos víamos, mesmo que eu também não gostasse de dividir o mesmo espaço com alguém que parecia irritado com a presença de plebeus.

—Foi em um voo comercial pelo que pude descobrir e depois disso voltou a se repetir, estou errada? –Edith cortou a dinâmica do casal.

—Isso, acho que aconteceu três vezes em um ano em voos em que o Victor não podia ir com o próprio avião por restrições políticas e… Também teve aquele evento irritante.

—Sim. E aquela vez em que retiveram o seu avião da turnê porque você é mutante e o país não aceitava que mutantes fossem donos de nada. –Victor parecia não gostar daquele lugar.

—Sem aquela carona e os pilotos da Latvéria para nos tirar de lá, com certeza teríamos acabado na cadeia. Acho que o último incidente daquele ano foi a nevasca. –A careta de Alison era algo estranho para os outros.

—Verdade. Você teve um ataque de pânico quando a energia acabou enquanto andávamos no corredor, acho que foi o que me fez sentir vontade de te conhecer mais. Pelo menos passamos a ser mais cordiais depois daquilo.

—Ataque de pânico? –Louis encarou os dois. –Não sabia que seus problemas de saúde incluíam esse tipo de questão.

—Normalmente não envolvem, eu estava em um momento ruim e a queda de energia serviu de gatilho para uma série de coisas que vinham se acumulando na minha vida.

—No ano seguinte a gente continuou se encontrando de forma estranha e constante, passamos de uma vez a cada dois meses para uma vez por mês. Sempre em voos, saguões de hotéis, eventos desagradáveis com políticos idiotas e…

—Aquele em que o Christian Frost estava foi divertido.

—Não conta apenas porque ele foi pego nas calças do namorado.

—Conta sim. –Alison começou a rir e mesmo os ombros de Victor tremeram. –Embora com exceção desse fato, tenha sido uma noite horrível.

—Minha conversa não foi tão ruim assim. –O monarca reclamou.

—Não foi. –A risada e o sorriso da mutante negra fazia todos ficarem surpresos, afinal ela parecia realmente feliz.

—E como foi que esse relacionamento começou de verdade? Porque não parece que as coisas foram rápidas. –Ellie tentava acompanhar a forma como os dois interagiam.

—Eu chamei ela para jantar depois de dois anos de encontros aleatórios e sem sentido. –Victor soava orgulhoso da sua atitude. –E depois disso passamos a nos ver pelo menos duas vezes por mês, às vezes mais. E, sem querer me gabar, sou ótimo com passeios.

—Não posso negar.

—Eu quero fazer perguntas indiscretas, mas não sei como vai ficar no vídeo. –Ellie encarou o casal e depois sorriu de forma maliciosa. –Quando foi a primeira transa de vocês? –Houve um silêncio longo e estranho em que Alison desviou o olhar e Victor se moveu para segurar a mão dela. –Foi a pergunta errada?

—Um pouco. –O monarca não parecia mais relaxado que a namorada. –Nos primeiros meses a gente só passava o tempo juntos e conversávamos sobre coisas do dia a dia, não era exatamente como se nós estivéssemos acostumados a ter algum relacionamento naquela última década. –A mutante permanecia em silêncio. –Sei que eu levei mais de seis meses para deixar ela me ver sem a máscara, então as coisas foram lentas.

—Isso quer dizer que vocês só transaram depois disso? –A entrevistadora negra estava confusa e nervosa com a falta de resposta.

—Não, foi só depois de um ano e meio. –Alison finalmente falou algo. –Victor foi a primeira pessoa com quem sai depois de ter o Carter e passar pela terapia, então eu não me sentia preparada para qualquer coisa mais íntima do que uma conversa ou um jantar.

—Não é como se eu não entendesse ou achasse ruim, especialmente depois que descobri sobre o Carter. –A forma como o rei falou aquilo, sem nenhuma preocupação, deixou todos que assistiam chocados. –O quê? Minha esposa já era falecida desde que nosso filho nasceu e não é como se eu tivesse tido tempo para me relacionar com qualquer mulher depois disso.

Edith acabou rindo da forma como o casal interagia, especialmente porque a proximidade entre os dois era algo que a fazia questionar até que ponto Alison pretendia priorizar sua carreira depois daquela noite.

—E como a guerra influenciou o relacionamento de vocês? –A latina arriscou.

—Nos primeiros dias depois do ataque a caçada, Victor não atendeu qualquer ligação minha e quando o fez foi para gritar de raiva, o que me deixou muito irritada mesmo sabendo que não era comigo.

—Admito que não foi o meu melhor momento e não devia ter descontado nos outros, acho que você foi a pessoa que ouviu menos gritos meus naquela semana. Damian certamente ouviu muito mais do que merecia considerando que também estava arrasado com a saúde da irmã. –Todos encararam o monarca, surpresos. –Meu filho sempre chama Valéria de irmãzinha, é reflexo.

—Não é como se eu não tivesse gritado como uma louca a quatro anos quando aquela vadia causou todo aquele problema no acampamento de verão. Tenho certeza de que arremessei um vaso de mil anos na sua direção quando disse que eu precisava me acalmar.

—Arremessou mesmo.

—Como você não terminou comigo naquele dia?

—Provavelmente pelo mesmo motivo que você relevou os meus gritos naquela ligação.

—Vadia? –Louis parecia em choque com aquela afirmação.

—Ah, desculpe por isso. É a filha de um dos amigos da Emma e dos outros… Ela é…

—A pior pessoa do mundo. –Victor resmungou. –Ela me deixa à beira de um ataque de nervos só de ouvir uma leve menção a sua simples existência. Garota amaldiçoada.

—Isso não é um pouco exagerado? –Ellie arriscou.

—Não! –O grito da plateia vindo dos quatro jovens assustou os entrevistadores.

—Perdoe-os, eles a conhecem bem mais do que considero aconselhável para qualquer ser humano que possa ter contato com aquela…

—Garota amaldiçoada. –Victor cobriu o xingamento da namorada que o encarou. –Ela persegue os outros por se odiar e ainda bem que nunca foi atrás do Carter ou realmente teríamos tido um derramamento de sangue.

—Por que acha que meu filho teria matado ela? Ou, pelo menos, tentado?

Victor gargalhou.

—Sério mesmo? Carter pode até estar namorando a filha da Wanda, mas sei muito bem que a última coisa que o garoto pode ser chamado é de heterossexual.

Todos encararam Alison que fitava o namorado duplamente surpresa.

—Eu até entendo que você procurou conhecer meu filho, mas como, em nome de tudo que possa existir, você sabe que ela é filha da Wanda?

—O feitiço. –Ele apontou para Dazzler. –O mesmo que está sobre você e o Carter para esconder que são mãe e filho por parte do cheiro, da energia ou qualquer outra forma de detecção que não seja um teste de DNA. Aliás, os quatro filhos dela com o Stephen têm o mesmo feitiço sobre eles e os filhos do Magnus.

—Sabe quem é a mãe deles?

—Imagino quem seja, mas não a encontrei ainda, então não posso garantir.

—Espera. –Todos olharam para Edith, que estava pálida. –Seu filho não está interessado em Helena Strange? –Alison assentiu. –E ela não tem um irmão gêmeo que está sentado na minha plateia? –Outra confirmação. –E eles são filhos da Wanda Maximoff, também conhecida como Feiticeira Escarlate?

—Somos. –Max levantou de onde estava e uma câmera focou nele. –Eu não sei os detalhes, mas o Von Doom tá certo, somos quatro irmãos.

—Como é que ninguém sabia disso? –Ellie estava confusa.

—Da mesma forma como vocês não investigaram o que aconteceu com Alison quando ficou perdida no Japão ou a guerra a três anos, como continuam acreditando que os mutantes são perigosos apenas por existir ou culpam os outros sempre que tem a oportunidade. –Victor não se fez de idiota ou foi caridoso. –Eu posso ser um governante difícil de negociar ou aturar na mesa de negociação, mas sempre ouvi meu povo e os apoiei para crescerem, sejam eles humanos, mutantes, inumanos ou aprimorados. Só porque sou rígido com as leis e com o que e onde quero chegar, isso não diminui a minha vontade de fazer o meu país crescer usando todos os recursos possível, incluindo os talentos humanos.

—Eu compreendo sua visão Rei Victor, por isso tenho uma pergunta para ambos: já pensaram em se casar? –Edith estava cansada daquela noite cheia de loucuras.

—Nós já conversamos sobre muitas coisas para o futuro, incluindo essa, mas nunca definimos nada. –A mutante popstar não parecia nenhum pouco preocupada enquanto o rei segurava sua mão.

—Não é que eu não queira uma rainha e, nesse caso, que Alison ocupe a posição, só quero que ela decida quando isso vai se encaixar nos planos dela. –Ele riu. –Não é como se no meu primeiro casamento as coisas tenham sido diferentes em todo o caso, o que significa que eu tenho um tipo de mulher. –Ele suspirou. –Isso deveria me deixar feliz.

—Você não está?

—Não é isso, minha falecida esposa se recusou a assumir o título de rainha até o dia em que morreu e, apesar de ambas serem completamente diferentes, vocês são parecidas na forma como lidam comigo.

—Você sabe que sou fã da sua falecida, não é? –Victor assentiu. –Então relaxe.

Von Doom pareceu rir e os dois se voltaram para os entrevistadores.

—Bom, acredito que todos tivemos muitas surpresas hoje. –Edith encarou Zhou, na esperança de não ter nenhuma surpresa. –Uma noite cheia de reviravoltas e, admito, que me deixou em pânico em alguns momentos.

Alison e Victor riram daquela afirmação.

—Sinceramente, acho que nenhum de nós se salvou nesse sentido. –Louis confessou.

—Foram emoções inesperadas. –Ellie se afundou no sofá.

—Imagino que Dazzler e o rei Victor se sentem de forma parecida sobre várias das questões que vieram a pauta da nossa conversa. –A latina olhou para os dois que assentiram. –Então, vamos dar a noite por encerrada para que todos possam assimilar os eventos de hoje. –Os dois convidados e os demais entrevistadores concordaram. –Desejamos a todos uma boa noite e até semana que vem com mais um Talk with the Vipers.

====================X====================

Quando saíram em direção ao camarim para se encontrar com John, Alison puxou Victor para um canto e tirou a máscara dele, o beijando rapidamente. Quando ela recolocou a peça no rosto dele e os dois voltaram a andar, o monarca segurou a mão dela.

—Venha comigo hoje.

—Para onde?

—A embaixada da Latvéria.

—Ela não foi desativada depois da guerra?

—Não. Apenas ficamos proibidos de ter mais de uma instalação oficial no país, independente de ser uma embaixada ou consulados. Decidi manter o que seria mais útil para negociações no futuro, especialmente depois de todas as sanções que ainda enfrentamos, mas tenho esperanças de que com a reportagem que Edith, Tom e os outros estão fazendo sobre a guerra e todos os detalhes, possamos finalmente readquirir nossa posição na comunidade internacional. –Victor parou e fechou o punho com força. –Eu gostaria que isso tivesse esperado mais para acontecer, assim o nosso relacionamento não teria um impacto negativo tão grande na sua carreira.

Alison sorriu e os dois voltaram a andar.

—Ainda não me disse porque veio até aqui ou tomou parte na entrevista, não era algo que precisava fazer.

—Não, é que eu estava de olho nas reações das redes sociais.

—O que houve?

—Muitos comentários sobre você ser uma mãe relapsa ou como a história do Carter ser seu filho era completamente ridícula, além de outras afirmações nada elogiosas sobre você e o garoto.

—Então não foi algo que decidiu sem pensar.

—Foi impulsivo, admito, mas achei que o impacto negativo do nosso relacionamento seria o suficiente para tirar a atenção do Carter, mesmo que isso pudesse causar mais danos a sua carreira.

—Não, eu realmente prefiro perder a minha carreira do que deixar o Carter mais exposto do que já está. –Os dois entraram no camarim e encontraram John. –Vou para a embaixada com o Victor.

—Imaginei. –O assistente acenou para o acompanhante de sua chefe. –Majestade.

—Relaxe John.

—Me desculpe se o senhor me assusta. –O jovem notou o rei rir. –Vou providenciar que a bagagem da senhorita seja levada para a embaixada ainda hoje, já que espero que ela finalmente tire pelo menos uma semana de férias com o senhor. –John encarou a chefe. –Orientações do Ryan.

Alison olhou para o namorado.

—Eu não me importo de te ajudar a tirar uma folga, apenas estou pensando em passar o fim de semana aqui, quero ver como Valéria está se saindo e conhecer o namorado dela.

—Não tenho nenhum compromisso depois de hoje, então seus planos parecem ótimos para mim, inclusive me dando a oportunidade de ver o Carter enquanto você procura sua sobrinha.

O monarca encarou John.

—Leve as coisas dela para a embaixada, partiremos para a Latvéria na segunda-feira se nada nos impedir ou Alison mudar de ideia quanto a minha proposta.

—Vou deixar tudo preparado. –O assistente saiu do camarim.

Assim que a porta fechou, Von Doom tirou a máscara e puxou a namorada para um beijo bem menos discreto que o anterior.

—Victor! –A morena protestou quando se separaram, seus olhos se arregalando de uma forma que fez o monarca sorrir.

—Não me culpe, estou me segurando para não fazer isso desde que entrei no estúdio.

—Você…

—E não é como se meus planos para a nossa noite fossem exatamente castos ou inocentes.

Alison riu.

—Para um tirano de coração frio, você pode ser muito dedicado e quente.

—Eu sei.

—E Victor? –Ele a encarou preocupado pelo tom dela. –Quero te contar sobre o Carter ainda hoje.

—Você sabe que eu posso esperar mais por isso, certo?

—Eu sei, sou eu que não quero mais adiar essa conversa.

—Tudo bem.

Continua...

No próximo capítulo: Dias de Um Passado Distante — Parte 1

Notas finais
Próximo capítulo sai por volta do dia 15/10/2023. =X= Sobre as mudanças do Victor... Talvez eu consiga explorar um pouco mais sobre isso depois, mas não tenho certeza. Apenas tenham em mente que esse não é o Von Doom dos quadrinhos, assim como todos os outros personagens; eles podem ser parecidos, terem os mesmos nomes, mas não são exatamente os mesmos personagens nem dos quadrinhos e muito menos dos filmes.