Marvel Universe: All Different World
68 Capítulo LXVIII: Heranças.
Notas iniciais
18 de Outubro
Aquela quarta-feira foi estranha para muitas pessoas, especialmente porque o período da manhã foi relativamente calmo demais para a maioria.
Claire Laura estavam de volta ao Instituto com a presença de Tália e Cassie, cada qual com suas próprias atividades. Mesmo Valéria e Robert haviam decidido que aquele era um bom dia para iniciar seus novos estudos, o que poderia ser um pouco caótico para alguns.
Claro que James teve a primeira novidade muito antes de qualquer um pensar que as coisas estavam estranhas e a surpresa foi maior do que ele esperava.
Como parte da nova rotina de treinos de Rebecca, ela teria que passar uma hora na academia, fazendo exercícios e batendo metas de levantamento de peso e velocidade nos aparelhos, o que significava que o Howlett ou Alexis teriam que ficar de olho se tudo estava dentro do previsto e, principalmente, se a garota não estava trapaceando. Por isso, quando o rapaz viu que em uma hora a LeBeau havia dobrado todas as solicitações e passado de cento e cinquenta quilos de levantamento e empuxo para mais de duzentos em apenas um dia, ele desconfiou.
Não que James achasse que Becky poderia mesmo enganar os equipamentos analógicos de tal forma, mesmo assim ele precisava ter certeza.
A surpresa foi maior quando a garota mostrou uma melhoria de cinquenta por cento na velocidade de corrida e o dobro de resistência para os exercícios.
O Howlett não tinha certeza se deveria levar a garota para a enfermaria passar por um teste de drogas, mas estava tentado a fazer isso, quando parou por um momento para observar atentamente a mais nova. Havia, entre as habilidades de sua mutação secundária, algo que o rapaz não conseguia usar direito, ainda que fosse útil para algumas missões, e foi o que ele resolveu fazer.
Enquanto James observava Rebecca continuar correndo na esteira ele se concentrou em ativar aquele poder, seus olhos mudaram de cor para branco e passaram a emitir uma certa luminescência, que o permitiu analisar o que acontecia com alguns aspectos do corpo da mais nova e, para a sua surpresa, o cérebro de Becky parecia um show de fogos de artifício e canhões de luz explodindo sem parar. Obviamente aquilo estava afetando o resto do corpo e habilidades da LeBeau, o que era um problema, porque o Howlett não sabia o que poderia ter causado esse efeito, então um exame de sangue realmente seria necessário.
Ele fechou seus olhos, fazendo a energia de sua mutação secundária se afastar daquela região, antes de seguir até a garota.
—Pode parar por enquanto. –Rebecca concordou, diminuindo a velocidade até parar completamente, um pouco ofegante. –Eu não sei o que houve desde ontem, mesmo assim quero que faça um exame de sangue completo na enfermaria, depois vou te liberar para as aulas normais.
A mais nova pareceu confusa.
—Tem algo errado com o meu desempenho?
—Bom, ele melhorou muito mais do que seria normal em um único dia, então vamos conferir se está tudo certo.
—Não, espera. Eu juro que não tomei nada, só comi normalmente, de verdade.
—Não vou duvidar, mesmo assim preciso ter certeza. –Becky pareceu um pouco chateada e James suspirou. –A mudança nos seus resultados não é algo que vemos de um dia para o outro, literalmente, então é normal supor que algo mudou. Uma droga ou mesmo algo no seu corpo, então os exames são necessários.
A garota se deu por vencida e foi até sua mochila, pegou um caderno, entregando para o professor.
—Tristan me deu isso ontem. –O Howlett observou as fórmulas sem entender o que realmente eram. –Não sei porque, mas me fazer pensar melhor e também afetam a forma como meu corpo reage aos exercícios.
—Ele apenas escreveu isso e você leu?
—Eu consegui ler metade do livro Senhora ontem, sem um dicionário.
James parou por um momento.
—O romance da literatura brasileira? –A garota concordou e o professor voltou a encarar as fórmulas até reconhecer uma parte delas, o que o fez se assustar. –Vamos para a enfermaria.
—Mas eu não…
—Eu sei, acredito em você. –Rebecca ficou surpresa. –Eu quero que Hank teste outra coisa, uma muito mais importante do que seu sangue.
E enquanto Becky se perguntava o que estava acontecendo, James tinha certeza que todos eles não haviam sido apenas idiotas, mas muito sortudos que a garota e o irmão nunca tivessem notado aquilo.
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Aisha e Ororo chegaram ao consultório de Hank com Emma antes das oito horas, o que era perfeito para evitar o movimento que normalmente poderia afetar o setor médico do Instituto.
O mutante bestial já estava com os resultados do exame de sangue, que foram informados por Sussan.
—Suas amostras confirmam a gestação e, com base na nossa análise, os hormônios indicam um período gestacional mínimo de cinco semanas e meia. Os outros indicadores estão dentro do esperado para uma gravidez no primeiro trimestre de uma mulher mutante de quase dezoito anos. –A mutante albina tinha um sorriso suave que parecia um pouco ensaiado. –Isso indica que o feto tem todas as condições de permanecer saudável se a mãe continuar a cuidar da própria saúde de forma apropriada e a gestação não deve ter qualquer problema ou surpresa relacionada a sua mutação Aisha.
—Muito bem Sussan. –Hank aplaudiu brevemente a assistente. –Vamos trabalhar um pouco mais nas suas habilidades de empatia para com os pacientes, você ainda está um pouco travada e seca, mas já consigo ver uma boa melhora na forma como trata as pessoas durante a consulta.
—Obrigada professor McCoy. –A garota recuou um passo.
—Bom, é como a Sussan disse, seu exame de sangue está perfeito, o que combina com os resultados que Ben me mandou ontem. –O Fera colocou todos os resultados na tela do computador. –Nossa maior preocupação é a forma como a criança vai reagir a sua mutação, embora tudo indique que a sua mutação já criou um mecanismo de defesa para evitar problemas desse tipo.
—Isso é algo bom, devo supor. –Emma parecia um pouco mais preocupada com aquilo do que Ororo.
—Muito. Significa que a mutação dela já reconhece o feto e está se modificando para protegê-lo. –Hank entendia o medo da amiga, afinal ela havia passado por maus bocados no começo da gestação de Christine. –Apesar de não causar nenhum problema para o uso dos poderes, acredito que a mutação da Aisha vai aos poucos perder um pouco da flexibilidade em transformá-la em eletricidade para preservar a criança. Essa habilidade ainda vai poder ser acessada, mas aconselho a deixar como último recurso, apenas por precaução.
Todas as mulheres assentiram, incluindo Sussan, que fazia anotações atrás do professor.
—Podemos fazer o ultrassom agora? –E novamente Aisha parecia um pouco mais ansiosa do que o normal.
Sussan sorriu para a garota.
—Claro, vamos até a sala para você se trocar. –O sorriso da albina era um pouco mais genuíno dessa vez.
Assim que as duas garotas saíram da sala, Hank suspirou.
—Como sempre, ela tem mais facilidade para lidar com pessoas que se sentem desconfortáveis do que com os procedimentos de rotina.
—Isso deveria ser uma coisa boa, não é? –Ororo não conseguia ver o problema.
—Não é ruim, só não é aconselhável para um médico. –O Fera começou a preparar o equipamento. –Torna ela extremamente capaz de lidar com situações de pressão, porém um pouco rígida para o dia a dia do consultório. –Ele suspirou. –Bom, é por isso que estou treinando ela no atendimento dos pacientes.
—Conseguiu regular a máquina? –Emma parecia distraída.
—Sim, isso é fácil. –O homem parou quando Aisha voltou com Sussan ao seu lado. –Pode deitar aqui. –Ele indicou a maca e logo começou o exame, demorando algum tempo ao analisar as imagens.
—Doutor McCoy, o senhor está resmungando novamente. –A mutante albina o alertou.
—Ah, desculpe por isso. –O mutante bestial sorriu para Aisha. –Seis semanas e meia, chegaremos a sete no fim de semana.
—Mesmo? –Hank concordou e logo Ororo havia voltado a chorar, o que fez a garota rir. –Mãe, para com isso, eu que deveria chorar.
—Não fala besteiras. –A mutante climática reclamou. –Meu bebê vai ter um bebê, eu posso.
Emma gargalhou diante da cena.
—Ignore-a por um momento Hank, o que mais pode nos dizer?
—Bom, ainda tem muita interferência causada pela natureza da mutação da Aisha, ainda assim, de modo geral é uma gestação saudável e… –O homem deixou um sorriso divertido escapar. –Sei que Ororo vai adorar cuidar das crianças.
A sala caiu em um profundo silêncio por cerca de um minuto inteiro, antes da Rainha Branca começar a rir e colocar uma cadeira atrás de Tempestade, que desabou em choque.
—Crianças? –Ela olhava para o amigo e Emma, depois para Aisha, que tentava ver o monitor, sem sucesso. –Crianças?
—Hum. Gêmeos bivitelinos. –Sussan comentou ao observar a imagem. –Fraternos, não idênticos. Podemos abrir as apostas sobre o sexo deles. –Todos encararam a albina que sorriu. –É uma piada.
—Mesmo assim podem ser duas meninas ou dois meninos, talvez até um casal como Ben e Sarah. –Emma não parecia preocupada. –Vou ligar para o Parker, ele precisa saber disso, e o Ben precisa ser avisado, quero que tudo esteja pronto para que vocês casem no sábado.
—Ah, tia. –Aisha pareceu reagir. –Acha que conseguimos manter tudo em segredo do meu pai?
—É o que estou tentando. –Emma entregou um copo de água para Ororo, que ainda parecia não acreditar nas novidades. –Por isso estou adiantando tudo que posso, mas queria que Ben pudesse chegar ainda hoje.
—Vou falar com ele.
—Agradeço. Agora me faça o favor de não ficar andando pelo Instituto, esse lugar é uma zona para deixar uma grávida sozinha pelos corredores. E coma alguma coisa de duas em duas horas, nem que seja um pedaço de fruta.
A Rainha Branca saiu da sala e Aisha encarou Hank.
—Ela parece séria.
—Não é muito diferente da minha própria recomendação. –O doutor pegou alguns papéis e entregou para a garota. –Leia as orientações sobre repouso e exercícios permitidos com atenção, não deixe de comer nos horários indicados e siga uma dieta saudável. Tem uma orientação sobre as comidas que seria bom você comer nos próximos meses. –A princesa assentiu. –Agora pode ir se trocar.
E assim que Aisha saiu da sala a porta foi aberta com cuidado.
—Podemos conversar Hank?
E assim que James colocou a cabeça para dentro, Sussan resmungou:
—Me diga que não nocauteou a LeBeau novamente.
—Ainda não, mas preciso que me ajudem em uma coisa com ela. –Hank indicou que o rapaz entrasse e ele trouxe Rebecca para dentro. –Veja isso.
Ele entregou o caderno com as anotações de Tristan para o mutante bestial, que logo reconheceu a informação.
—Eu posso reconhecer a ideia, embora não exista ninguém atualmente capaz de fazer uso disso.
—Mesmo assim a Becky conseguiu. –Todos pararam o que faziam e encararam a garota. –Desde que Tristan Stark escreveu isso para ela ontem à noite, Rebecca teve uma melhora significativa em todas as suas habilidades físicas, uma melhora mínima de vinte e cinco a cinquenta por cento em cada uma. Ela também conseguiu ler metade de um livro em português sem dicionário, mesmo que não tendo nenhum conhecimento prévio do idioma. –James suspirou. –E o cérebro dela parece o casamento do quatro de julho com a noite de ano novo.
—Como? –A LeBeau ficou confusa com aquela afirmação, mas parou ao receber o olhar do professor.
—Eu demorei para entender o que o Stark passou para ela e, concordo, ninguém vivo consegue usar isso hoje, porém uma pessoa que a gente conheceu conseguia e, não importa como eu veja, isso significa que algo passou despercebido por todos. –O Howlett deu um leve empurrão em Rebecca. –Testem ela.
Ororo, que lia as fórmulas um pouco reticente, parou na mesma hora.
—James, isso pode não ser o ideal. Ela não…
—Testem ela. –Não que James fosse ceder. –Se eu vou ajudar a garota junto da Alexis, quero saber tudo e vou explicar o que preciso para a Rebecca entender o que está acontecendo, não ligo se ela gosta ou não dessa merda.
—Desculpa perguntar, do que vocês estão falando? –Becky se sentia um pouco avulsa em um assunto em que claramente era o foco.
—Da sua mutação. –O Howlett foi direto.
—Todo mundo sabe qual é a minha mutação, não precisa de nenhum teste.
James parou, encarando a garota e, por fim, suspirando.
—Isso não é a sua mutação Rebecca, são partes que você herdou das habilidades que a Vampira ganhou e se integraram a sua verdadeira mutação. Ou, pelo menos, é o que eu acredito que aconteceu.
—Então, eu tenho outra mutação?
—Provavelmente. –Hank resolveu intervir. –Eu já desconfiava, o problema é que é difícil ver seus poderes com o nível de interferência que eles geram nos aparelhos.
—Se a minha mutação não é aquele monte de partes soltas, então o que é? –Todos na sala pareceram um pouco tensos. –O que está acontecendo?
—É apenas um palpite meu, baseado no que vi com a minha mutação secundária, mas, como você conseguiu usar a dica do Tristan, o mais provável é que sua verdadeira mutação seja alguma derivação da que seu pai tinha, só que diferente. –A sinceridade de James pegou todos de surpresa.
—Do meu pai? –Ela encarou todos por alguns segundos antes de cair de joelhos no chão.
Dessa vez James não fingiu não ver, apenas a pegou nos braços e encarou Hank.
—Pode testá-la ainda hoje?
—Tudo bem, coloque-a na maca. –O médico suspirou. –Sussan, isso vai ser trabalhoso, chame a Cara para nos ajudar.
A mutante albina concordou e logo Aisha apareceu, puxando Ororo para fora do consultório.
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—Você acha que o que?
Conner encarava Tristan surpreso e preocupado.
—Que a mutação da Rebecca foi identificada de forma incorreta, por isso resolvi testar a minha teoria.
—Então ela tem a mutação do Remy?
—Não, algo parecido. Não que a maior parte das pessoas realmente entenda o que o Gambit fazia, uma vez que os poderes dele são um pouco mais complexos do que apenas jogar cartas explosivas por aí.
—Então o que exatamente ele fazia?
—Manipulação de energia, mais especificamente aceleração molecular.
—O Franklin não faz um lance parecido?
—Ele faz algo que tem semelhanças, não é a mesma coisa. –O Stark sentou na sua mesa e começou a mexer em alguns esquemas. –Parte do que o Remy era capaz de fazer influenciava na capacidade dele de incrementar suas habilidades físicas e intelectuais, tornando ele o equivalente a um super-humano, além da habilidade de criar um campo de bloqueio telepático para não ter a mente invadida. Esse mesmo poder também deu a ele a capacidade de criar uma camada de energia disruptiva que desligava o efeito dos poderes da Vampira quando em contato com a pele dele.
—Foi assim que o relacionamento deles funcionou.
—Antes dela conseguir controlar os próprios poderes, sim.
—Então o que você está dizendo é que a mutação da Rebecca é manipular energia?
—Ela gera um campo de interferência que afeta eletrônicos, não é errado supor que isso vem de uma capacidade inata de manipulação de energia que pode ser similar à do pai.
—Verdade. –Conner sentou no sofá do escritório de Tristan. –E você passou para ela uma fórmula que pode destravar esses poderes?
—Fórmulas, no plural. E não vai destravar nada, vai apenas fazer com que ela e todos os outros percebam que estavam perdendo algo, além de me dar uns pontos extras.
—Você pode ser um terror, sabia? –Mas o sorriso do Banner era de quem gostava do que via.
—Não fiz isso por mal, no final a vantagem vai ser dela.
—Não posso discordar. Mesmo assim, não te preocupa que ela fique irritada?
—Por?
—Causar uma nova bagunça na vida dela, especialmente quando Becky já não gosta de ser mutante.
—Acredito que, para todos os efeitos, seria muito pior se ela nunca descobrisse isso. Não podemos esquecer que mutações podem sair do controle especialmente quando o usuário não sabe que as possui.
—Às vezes ser seu namorado é um pouco frustrante, sabia?
—Vindo de você isso chega a ser uma piada. –Tristan fechou o laptop e levantou. –Pretendo passar no Instituto sexta-feira para ver como as coisas ficaram e descobrir se meu prêmio vai ser maior ou menor do que o esperado.
—Você pode ser maligno.
—Não, sou um apostador.
—E qual o prêmio que pediu para Rebecca?
—Isso é com ela.
Conner parou por um segundo enquanto Tristan se aproximava dele com um sorriso lascivo.
—Isso foi esperto. –O Stark sentou sobre o corpo do Banner. –E sua mãe tinha razão em se preocupar com a Becky.
—Mamãe tem muitas regras. –Tristan puxou a própria camiseta e a jogou no chão. –Você entende muito melhor a minha forma de pensar.
—E depois você critica as fotos sem roupa que eu mando. Vai entender.
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Quando Alexis entrou na sala de exames da enfermaria, ela ficou surpresa em ver que Christine e Rachel estavam ali com James e Jean, essa última ajudando Hank, Sussan e Cara com a avaliação de Rebecca.
—Eu ouvi que precisamos reavaliar a mutação dela, mas o que é isso? –Ela apontou para o caos instalado no lugar.
—Isso é o que acontece quando Tristan Stark descobre que a mutação da Becky é manipulação de energia antes da gente. –O Howlett não parecia feliz.
—Tipo o poder do tio Remy? –Chris e Ray concordaram em silêncio. –Certo, isso é novo. –Ela apontou para a dupla e depois foi até a LeBeau, que parecia perdida em pensamentos. –Tudo bem?
—Hum? Ah, sim. Acho que sim. –A garota parou por um momento e depois desviou o olhar. –Isso vai atrasar os meus planos?
—Não tenho certeza, talvez tenha o efeito contrário em alguns aspectos.
Rebecca a encarou.
—Contrário?
—Sim. –Alexis sentou ao lado da mais nova. –Seu pai não usava a mutação dele por completo, já que uma vez uma parte do cérebro dele foi retirada, o que foi feito a pedido dele, já que os poderes eram muito fortes.
—Nunca tinha ouvido sobre isso.
—Não é algo popular e nem garantido, Remy teve sorte de não virar um vegetal. –Não que a Rasputin fosse ser gentil sob certos aspectos. –Isso reduziu a habilidade dele a energizar cartas e objetos para explodirem, além de outros pequenos poderes. Nas raras vezes em que ele demonstrou parte de seu real potencial, Remy conseguiu usar um fator de cura similar ao dos Howlett devido a manipulação da energia para acelerar o processo. Ele também podia gerar energia no próprio corpo, embora devido a cirurgia isso reduzisse a manipulação a conversão de energia cinética, só que originalmente seu pai podia ter acesso a uma série de energias biocinéticas, o que foi o motivo dele e da sua mãe conseguirem se relacionar.
—Nossa. Eu nunca soube sobre isso.
—Compreensível. –A Rasputin suspirou. –Uma das consequências dos poderes do Remy era que ele podia melhorar suas capacidades físicas, mesmo a sua capacidade de aprendizado era afetada, o que significa…
—Que eu também posso fazer isso e recuperar o tempo que perdi sem estudar?
—Se estivermos certos, sim. O problema é que isso também significa que seus poderes cresceram.
—Ah. –A garota não pareceu muito animada. –Isso vai interferir nos meus planos?
—Talvez a Shield não te aceite para o escritório, eles podem te pedir para ficar como professora de alguma das Academias, talvez até na Operações ajudando com treinamento de combate.
Rebecca parou e encarou Alexis, antes de finalmente sorrir.
—Então meus planos não foram cancelados?
—Bom, não completamente.
A LeBeau sem pensar abraçou a Rasputin e depois se separou correndo.
—Desculpa.
—Não, isso foi melhor do que eu pensei. –A mais nova encarou a mutante demônio. –Pensei que você iria se revoltar por completo, então é uma pequena vitória. –Becky sorriu mais tímida. –Além disso, você não precisa focar apenas na Shield, a Stark Inc. também tem planos de carreira para mutantes e adoram aqueles com habilidades ligadas à manipulação de energia. –Alexis notou a careta da menor. –Falei algo errado?
—O Stark… Não acredito que estou devendo uma para ele.
—Devendo? –Christine ficou preocupada. –Como assim?
—Ele me fez uma proposta e acho que perdi uma chance de sair no lucro.
—Que tipo de proposta Tristan fez? –Dessa vez Rachel ficou em alerta.
—Ele disse que me daria uma dica em troca de um beijo. –Metade da sala rolou os olhos. –Só que eu achei que era uma armadilha, então ele mudou os termos.
—Ah, não. Nunca é bom quando Tristan muda os termos de um negócio. –A Frost resmungou.
—Ele me daria a dica e depois eu pagaria de acordo com o valor que eu achasse justo. –Becky bateu a cabeça de leve na parede. –A dica eram as fórmulas que me permitiram usar meus poderes de manipulação de energia e a gente descobrir a minha verdadeira mutação.
A sala ficou em silêncio por quase dois minutos, com todos absorvendo o tamanho do problema que Rebecca havia se metido.
—Eu acho que aquele beijo teria sido um preço bem barato depois de tudo. –Rachel comentou um tanto desanimada.
E todos concordaram que agora a LeBeau teria que descobrir o que fazer, afinal, não valia a pena comprar uma dívida com Tristan Stark quando ele tinha um objetivo em mente.
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Ur parou o que fazia por um instante suspirando cansada.
No dia anterior havia recebido um pedido grande de Alexandra Rasputin: mapear a genealogia demoníaca dela, do irmão e de Tália Wagner.
O pedido foi entregue pela própria Alexis, que pediu carona para Tália, e foi até a Torre Stark tarde da noite com ampolas de sangue, unhas, fios de cabelo e saliva de todos os descendentes de demônio em questão.
Como a asgardiana não tinha um lugar apropriado para fazer sua feitiçaria, o jeito foi ligar para a única pessoa com uma sala segura e que ela conhecia, então, depois de algumas horas e muitas garrafas de água, sem falar em muitos ingredientes, Ur estava observando Helena tomar nota das reações nos caldeirões em que já haviam trabalhado.
—Precisamos mesmo fazer mais de seis testes para cada um deles? –A feiticeira encarou o oitavo recipiente um pouco preocupada com o conteúdo borbulhante. –Essas coisas parecem um pouco vivas em excesso pra mim.
—É porque provavelmente elas estão vivas. –A deusa se esticou e depois reparou no olhar um tanto assustado da mais nova. –São parte dos corpos deles, então elas possuem alguma qualidade vital, por isso parecem vivas.
—Isso não é mais tranquilizador do que a primeira parte.
—É seguro, em geral.
—E por que temos que registrar as cores, os cheiros e as reações aos ingredientes? Incluindo a forma como fervem.
—Para diferenciar detalhes das Linhagens Demoníacas da qual cada um deles faz parte.
Helena parou e começou a comparar algumas anotações.
—Estranho… –A Strange observou mais atentamente o caldeirão a sua frente. –Existem poucas semelhanças entre as reações do Nikolai e da Alexis. –Ela encarou a deusa da Verdade. –O sexo deles influencia em algo?
—Muito pouco. –Ur levantou e foi observando cada caldeirão com calma. –Quando falamos de Linhagem Demoníaca, estamos falando da genealogia de cada inferno, ou seja, seus seres nativos e suas características particulares que derivam desses ambientes. Obviamente, o regente de tal inferno influência na dinâmica de cada demônio e quanto maior o nível do demônio em questão, maior é a qualidade única que passa para seus descendentes.
—Isso significa que Alexis e Nikolai são tipos diferentes de demônio? –A asgardiana assentiu. –Considerando que eles sejam filhos do mesmo pai, isso significaria que um foi ligado ao demônio e o inferno da mãe enquanto o outro se ligou ao do pai?
—Isso se minha teoria de que eles são filhos de um pai demônio estiver correta e considerarmos que esse homem pertence a outro inferno.
—E a Tália?
—Até agora não foi tão inesperado, especialmente que eu já me encontrei por acaso com o avô dela uma vez, então não tenho tantas dúvidas sobre a sua Linhagem.
—Imagino que de modo geral isso é bom.
—Muito.
—O que me lembra, por que dez caldeirões para cada se até agora só usamos nove?
—É para o último teste. –Ur se aproximou da feiticeira. –Vamos misturar o conteúdo de todos eles no décimo caldeirão e então ver como o conteúdo reage por uma meia hora.
—E depois?
—Depois vamos colocar partes de pena de anjo para ver o que acontece.
—Pena de anjo? –A deusa concordou. –Como conseguiu uma?
—Perguntei para a Hill antes de vir pra cá se ela já tinha ouvido falar. Na verdade, fiquei bem surpresa quando ela me disse que tinha algumas no cofre forte da Shield. Claro que eu tive que explicar porque precisava de uma, de modo geral ela pareceu interessada quando disse que era para fazer o mapeamento da Linhagem das crianças demônio.
Helena ficou pensativa por um momento antes de suspirar.
—Eles passaram a rastrear as penas e comprar depois que o pai da Tália a fez engolir uma. –A asgardiana ficou confusa. –O pai dela é maluco e não é tão forte enquanto demônio quanto ela. –A outra concordou. –Mesmo assim, a Shield achou melhor não arriscar em deixar essas coisas soltas por aí.
—Não é que elas não sejam perigosas, sendo sincera eu não gosto dessas coisas, só é o melhor método para conseguirmos a parte final das nossas respostas e começar a pesquisar.
—Pesquisar?
—Acha que te chamei por acaso? Vou precisar de acesso a biblioteca do seu pai para comparar nossas descobertas com a literatura demoníaca dos magos até conseguir os exemplares que pedi de Asgard.
—Então você vai passar a semana aqui?
—Provavelmente. –Ur notou o incômodo da feiticeira. –Se precisar sair não é problema, eu posso ficar pesquisando sozinha, só lembra o seu amigo Wong que eu preciso de comida e tudo fica bem.
—Certo. Podemos virar essas coisas dentro do caldeirão final?
A asgardiana concordou e as duas começaram a virar os caldeirões de Tália dentro do décimo e maior deles, depois fizeram o mesmo com o de Alexis e por fim o de Nikolai. Elas misturaram o conteúdo por cerca de dois minutos, antes de deixarem descansar no fogo e voltar a ferver.
A Strange observou que os três caldeirões reagiam de forma lenta, mas constante, o que era um pouco preocupante na sua opinião. Por isso ela decidiu que buscaria comida para que ambas pudessem terminar aquela parte o mais rápido possível, porque mesmo que estivesse ali a pelo menos quatro horas, ainda era meio dia. Lena deixou Ur observando e anotando o que acontecia por quinze minutos.
Depois de comer o que sua colega trouxe, a deusa da Verdade começou a fazer uma sequência de feitiços em cada caldeirão, o que deixou Helena curiosa.
—Isso é seguro?
—Nem sempre, por isso lancei alguns feitiços de contenção que usamos em Asgard, o que deve bastar com a segurança do Sanctum.
—E agora vamos colocar as penas?
—Isso. –Ur pegou a pequena pena de dentro do estojo de veludo e a colocou em um pilão, começando a macerar o item até torná-lo algo parecido com pó de vidro. –Não precisamos de muito, então uma vai bastar para os três.
—Não imaginava que era possível transformá-las em pó desse jeito.
—É a forma mais fácil de usar em poções e feitiços, sem falar que transformar qualquer uma em uma pena de verdade não é bonito.
—O que quer dizer?
—Que pela literatura clássica que já tive acesso, quem quer fazer isso precisa causar um massacre de, pelo menos, dez mil vidas, o que em geral amaldiçoa a todos.
—São penas de anjo, como é possível?
—E você acha que eu sei? Não é lógico, embora alguns teorizem que, talvez, essas não sejam as penas dos anjos bíblicos.
—Então, se não são os anjos bíblicos, que anjos seriam?
—Minha tia Ângela acha que são os seres do décimo mundo ou algo similar, eu já acho que podemos deduzir que seja de alguma espécie alienígena extradimensional que foi erroneamente chamada de anjo.
—Acho que dá para escrever um novo livro apenas para estudar essas penas e a Linhagem desses três.
—Cinco livros. –Helena a encarou confusa. –Pelo menos cinco livros.
A mais nova assentiu e Ur finalmente começou a colocar o pó de pena de anjo nos caldeirões, elas mexeram novamente o conteúdo e se afastaram um passo, esperando que a primeira reação viesse.
Quando o caldeirão de Tália fervilhou e começou a talhar, a deusa da verdade se aproximou e tocou um dos pedaços endurecidos com preocupação.
—Muito ruim?
—Tóxico. É um milagre ela ter sobrevivido quando engoliu isso.
—Bom, não é como se não tivessem tomado medidas drásticas. –A asgardiana encarou a mais nova. –Injetaram uma dose cavalar do HCM da Claire depois que a Hill abriu o estômago dela com uma faca no meio do saguão da Shield. Acho que ela passou a semana seguinte em coma e o mês sem conseguir comer sólidos. E a mão da Comandante passou por um longo tratamento para voltar a ficar inteira, já que mesmo o sangue da Tália ficou estranhamente ácido.
—Então foi um milagre mesmo. Alguma outra reação?
—Até onde sei as penas queimam a pele dela.
—Faz sentido.
Elas pararam e viram o começo da reação caldeirão de Alexis.
O conteúdo fervia com força, soltando um cheiro desagradável, como enxofre puro, enquanto adquiria uma cor mista de vermelho, preto e branco que não se misturavam.
—Isso é interessante. –Ur esticou a mão tentando tocar a mistura, mas recuou a mesma instintivamente, sentindo dor. –Isso me queimou? Como?
—Fogo não te machuca? –A deusa negou. –Seria errado supor que o poder dela é o exato equivalente oposto ao seu?
—Não, o que é ainda mais perturbador, já que o meu gelo não deveria ter um equivalente fora Sutur. –A asgardiana voltou a tentar tocar a superfície da mistura, ignorando a dor e por fim recuando com a ponta do dedo em carne viva. –Não há dúvida, ela pode mesmo me ferir, o problema é que não é Sutur, o que é realmente um mistério.
—Então não é o Limbo?
—Ah é, mas não o fogo. –A deusa foi até o caldeirão de Nikolai, que ainda estava “parado”. –O Limbo é a intersecção entre todos os lugares, um inferno a partir do qual se pode acessar tudo, desde que conheça o caminho ou pague o preço. Isso é o que as cores que não se misturam mostram, que tudo está em um único lugar, só que o fogo não deveria ser esse e sim um mais fraco.
—Então existe alguma coisa sobre ela que não é completamente sobre o Limbo? –Ur concordou. –Poderia ser por causa do pai?
—A menos que o pai dela seja Sutur, não.
—Algo para descobrirmos.
—Merda.
Helena parou ao ouvir aquilo e observou o caldeirão de Nikolai, que borbulhava fazendo o conteúdo crescer e começava a realmente parecer um ser vivo, com rostos se contorcendo na superfície.
—Que porra é essa?
—Isso é um problema
—Que tipo de problema?
—Do tipo achamos um príncipe progenitor.
—Como é?
—Não pensei que diria isso, mas acho que vamos precisar de ajuda.
—Que tipo de ajuda?
—Toda a ajuda mágica não demoníaca que conseguir chamar nos próximos dez minutos.
Helena correu até a porta enquanto um círculo mágico brilhava no seu pescoço e gritou.
—Pai! Max! Desastre! Chama geral! –Ela voltou e observou Ur fazer diversos feitiços de contenção. –O que eu faço?
—Para começar, afasta os caldeirões da Tália e da Alexis, depois começa a me ajudar na contenção e… –A Strange viu que a deusa começava a se transformar na sua forma Jotunh completa. –Acho que você consegue tomar sua forma de magia sem destruir tudo, certo?
—Eu odeio isso, mas sim. –A feiticeira encarou o caldeirão de Nikolai. –Afinal, o que diabos é isso?
—Vai por mim, agora não é hora de discutir essa questão.
—Você o chamou de “príncipe progenitor”, o que não parece bom.
—Não é, só que não é algo que você quer se preocupar agora.
Helena queria dizer que era um ótimo assunto para se preocupar naquele momento, porém de algum modo achou que talvez essa realmente fosse uma questão para quando eles tivessem destruído o conteúdo do caldeirão e as coisas ficassem menos perigosas. Porque algo lhe dizia que aquilo era muito perigoso para todos.
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Ororo entrou no escritório de Emma cansada.
—Não acredito que temos um novo problema envolvendo a Rebecca.
—Não se surpreenda com a velocidade com que as coisas vão começar a acontecer ao redor dela nos próximos dias.
—Está falando do Stark?
—E do Banner.
A mutante negra parou por um momento.
—Como é?
—Converse com o Logan, ele pode te explicar.
—Espera, por que tenho que conversar com o Logan sobre isso?
—Alison quer conversar comigo e eu tenho um compromisso fora do Instituto no começo da noite, então… –A Frost fechou o relatório e levantou. –Estarei fora por algumas horas.
—Você vai sair? –A loira encarou a amiga como se não tivesse entendido. –Vai sair no meio desse caos?
—Já estivemos pior nas últimas semanas. –A Rainha Branca pegou uma pasta em sua gaveta privada. –James e Alexis conseguem lidar com a Rebecca, Claire e Laura logo devem começar a ajudar, sem falar que Valéria e Robert são as pessoas mais calmas do seu dia. Christine está cumprindo o castigo dela e Logan já arrasou Scott por hoje, o que te deixa com zero preocupações e Jean para te ajudar.
—Já tinha avisado ela?
—A dez minutos.
Ororo suspirou exasperada.
—Como você consegue agir de forma tão tranquila quando parece que metade do mundo vai cair nas nossas cabeças em poucos dias?
A primeira resposta de Emma foi gargalhar da forma dramática como a outra mulher colocava as coisas.
—Querida, você está ao meu lado por anos e ainda não aprendeu o básico sobre mim?
—Que seria?
—Eu nunca deixo vocês saberem metade dos fins do mundo que se aproximam, acha mesmo que esse vai me preocupar mais do que os outros apenas por que estão sabendo dele?
A mutante negra fez uma careta e ficou emburrada.
—Às vezes eu quero muito torcer o seu pescoço.
—A mesma coisa que a ruiva falou pra mim. –A Frost seguiu para a porta e parou. –Eu vou voltar tarde.
—Me diga que isso não tem relação com sexo. –A Monroe não queria cobrir encontros românticos.
Só que Emma riu seca.
—Ah querida, se fosse isso então estaríamos no paraíso.
E antes que a outra mulher pudesse questionar, a Rainha Branca saiu pela porta, ignorando qualquer consequência sobre seu comentário, o que deixou a mutante climática ainda mais preocupada.
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Quando Kayla Jones e Emily Sawyer chegaram a Shield aquela tarde, Hill agradeceu que teria um tempo tranquilo com ambas, afinal, depois do caos que foram as coisas com Cassie, nenhuma delas queria ou precisava focar em detalhes desnecessários.
Elas repassaram as diretrizes da agência para a situação de Valéria, bem como a cópia da emancipação enviada por Sue, uma cópia igual a que já estava de posse da promotora. Então a Comandante explicou para as duas um pouco sobre a situação da família, os exames dos irmãos Richards e informou que Franklin era um morador do prédio desde aquela manhã.
Não houve uma conversa longa e detalhada sobre a questão já que Joanne precisaria ouvir tudo aquilo mais tarde.
A visita se concentrou em uma vistoria dos apartamentos dos irmãos, bem como mais detalhes sobre o que eles estavam fazendo naquele dia e uma conversa com o Richards, que se mostrou desconfortável, ainda que tenha tentado soar pelo menos educado e gentil.
Quando Joanne finalmente chegou, por volta das quatro e meia da tarde, e viu a cara das duas mulheres que chegaram antes, ela soube que aquilo seria desagradável de uma forma irritante. Mesmo assim a promotora esperou que todas estivessem acomodadas na sala de reunião e Hill tivesse providenciado algo para todas comerem.
—Agora que já estamos um pouco alimentadas e… –Anjos encarou a garota de traços latinos no canto da sala. –Ela vai ficar ali?
—Ally é uma das nossas recrutas, trabalha bastante nos assuntos internos para mim e o meu marido. Ela é discreta. –Maria comentou. –Também foi a família dela que acolheu Valéria nos primeiros dias.
A promotora concordou.
—Nesse caso, qual exatamente o problema com a família Richards e, por favor, não me diga que isso vai virar outro Carnaval midiático. –Ela apontou para a equipe de filmagens que cobria a visita sem interferir.
—Eu queria dizer que as coisas são tão simples quanto crianças rebeldes, o que infelizmente é mentira. –Joanne fez uma careta. –Como eu expliquei superficialmente para Kayla e Emily mais cedo, a história dos Richards é complicada e a Shield tem poucos dados palpáveis.
—E aquele sistema de monitoramento?
—Reed Richards tem meios de desligar nosso equipamento, o que já causou muitas brigas entre a Shield e ele, já que isso torna a segurança da família dele menos efetiva.
—E quais são as complicações que surgiram desde a nossa última conversa?
—Bom, eu descobri que ele agrediu o filho e Franklin teve uma bela concussão, que só não ficou pior porque os poderes dele são muito bons. Sue está desaparecida desde que recebemos a documentação sobre a emancipação da Valéria, o que não é bom quando eu caso essa informação com os exames obrigatórios da Shield e a resistência de Victor Von Doom em me contar o que aconteceu há quatorze anos.
—Ele ao menos deu uma justificativa? –Joanne não acreditava em justificativas, ainda assim estava disposta a tentar se isso lhe desse a informação que queria.
—Ele disse que não quer que a afilhada descubra o que aconteceu, porque o pai a mandou para longe. Sinceramente, considerando o resultado dos exames, eu também tenho medo de descobrir e acho que Victor se sente um pouco culpado por ter ajudado a ocultar isso.
—Eu sei que não quero saber, mas pode me deixar ver os relatórios desses exames?
E na mesma hora Alison Mackenzie entregou pastas com as informações para Kayla, Emily, Joanne e Liv, o que fez com que todos tivessem medo e não melhorou quando eles começaram a ler o documento.
—Que porra é essa? –Todos se voltaram para Kayla, que raramente falava palavrões. –Eu consigo entender porque o Von Doom usou tecnologia experimental na afilhada para salvar o pulmão dela, mas o que são essas partes metálicas desconhecidas dentro dos ossos dela?
—Meu palpite é que seja parte do motivo pelo qual Valéria foi mandada para a Latvéria. –Hill suspirou. –Claro que é apenas uma suposição.
—Eu também acho isso. –Todos encararam Liv. –Você disse que o rei Victor não quer que Valéria saiba o motivo, por isso está reticente em te mandar as informações sobre as mãos e braços dela, o que nos leva a questão na narrativa do próprio Franklin e os dados da conversa que ela teve com o Fóton. –A jovem repórter desviou o olhar dos documentos. –Não seria errado supor que o Von Doom foi chamado após algo dar errado naquele laboratório, algo que envolveu uma briga entre Reed e Sue por alguma coisa sobre a garota. Só é difícil supor o que poderia ter levado tudo isso a acontecer ou como as coisas se desenrolaram até o ponto em que Valéria foi mandada para longe da família.
—Apesar de não gostar de concordar, acho que Olívia tem razão. –Joanne passou para a página seguinte e suspirou exasperada. –Esqueça o Carnaval midiático, isso pode literalmente afundar metade da cidade e colocar fogo em, pelo menos, um continente. –Ela encarou Hill. –Não entenda errado, mas estou começando a amaldiçoar o momento em que te conheci.
—Eu entendo esse sentimento, acredite. –A Comandante, por outro lado, foi compreensiva. –Me digam o que pensam sobre isso, quando terminarem.
—Que eu vou ter que pedir para o Tom me passar o contato do Von Doom e a Edith não vai gostar nada quando contar a ela sobre isso. –Liv bufou. –Posso ficar com essa cópia? –A Comandante concordou. –Meu trabalho só tá aumentando.
—Assim como o meu. –Joanne respirou fundo e fechou os olhos. –O que você tem em filmagens e exames? –Ela encarou Maria. –E quero dizer tudo.
—Não o suficiente em filmagens e, infelizmente, sem o Von Doom os exames se tornam vagos. –Hill não gostava de se sentir despreparada ou inútil como naquele momento.
—Certo. –A promotora encarou a pasta novamente. –Valéria e Franklin tem rastreadores, correto? –A Comandante assentiu. –Quero que me mantenha informada sobre onde eles vão e como estão, vou usar o pouco que temos para solicitar o arquivamento da denúncia que Reed Richards apresentou e também vou precisar falar com o rei Von Doom.
—Imaginei que diria algo do tipo.
Maria parou esperando que a psicóloga e a assistente social se pronunciassem.
—Disse que colocou Franklin para fazer terapia? –Emily encarou Hill, que concordou. –Foi uma boa decisão. Acho que no momento podemos esperar para ver como as coisas vão ficar com a Valéria, embora eu imagine que ela vá fazer uma avaliação psicológica obrigatória, certo?
—Uma vez por mês, é o padrão para recrutas e estagiários.
—Se possível, me mantenha atualizada sobre o progresso de ambos nas sessões.
A Comandante concordou e encarou a assistente social, que suspirou um pouco mais irritada do que o esperado.
—Por que essas crianças tão bem-comportadas têm pais tão idiotas? Parece o oposto da maior parte dos outros casos que estou acostumada a acompanhar. –Todas encararam Kayla, que estalou o pescoço, exausta. –Estou acostumada a lidar com jovens viciados, fichados por furto e roubo, que destroem patrimônio público ou particular ou mesmo os que causam acidentes por beber e dirigir, então essas crianças são uns santos de modo geral.
—Faz sentido. –Hill e Liv comentaram.
—O que vou fazer é acrescentar uma visita a Valéria quando vier ver a Cassie, mas com relação ao Franklin é mais complicado uma vez que ele já é maior de idade. –A mulher suspirou. –Eu duvido muito que ele esteja disposto a registrar um boletim de ocorrência contra o pai e mesmo que o faça, quem vai acreditar nele ao invés do grande Reed Richards? O que não melhora com o desaparecimento da mãe, que é outra pessoa que não sabemos se tomaria uma ação contra o senhor Reed. –Todas concordaram com Kayla, que parecia um pouco mais cansada do que as demais. –O que posso fazer é tentar manter o juizado longe, com a ajuda da senhora dos Anjos, mas sei que algumas pessoas podem tentar criar média com o pai da Valéria.
—Eu entendo, por isso agradeço tudo que puder fazer até termos mais com o que trabalhar. –Maria sabia que seria difícil contra Reed, afinal ele não era um simples pai ruim como Maggie Burdick, e um figurão era sempre mais complicado de lidar.
—Nesse caso, acho que acabamos nossa conversa por hoje. –Joanne encarou Hill novamente. –Desculpe pelo que disse mais cedo, só que parece que desde que nos encontramos na segunda-feira, tudo virou de pernas para o ar.
—Não, eu realmente entendo. O que você está sentindo deve ser o mesmo que Kayla e Emily também já sentiram, assim como o pessoal das equipes de reportagem que tem nos acompanhado um pouco. –Joanne olhou ao redor, recebendo uma confirmação amigável e sincera de todos. –E até certo ponto, mesmo entre os membros do nosso grupo isso acontece com alguma frequência e eu ainda me pergunto se conhecer Emma Frost foi uma benção ou uma maldição na minha vida.
Todas acabaram rindo, ainda que a piada sincera de Hill não fosse realmente engraçada.
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Continua...
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No próximo capítulo: Meeting.
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