Marvel Universe: All Different World
64 Capítulo LXIV: Garfield Nunca Esteve Tão Certo Sobre Segundas-Feiras.
Notas iniciais
16 de Outubro
Todos têm lembranças sobre um personagem de desenho animado marcante ou de uma tirinha de jornal que os fazia rir quando crianças, afinal aquele era o principal motivo para crianças pegarem os jornais dos pais. Mesmo os filhos dos Vingadores e X-Men não eram diferentes, por isso todos eles conheciam a neura do bom e velho Garfield sobre como as segundas-feiras podiam ser desastrosas, bem como seu ódio por tais dias.
Nenhum deles era fã daquele dia depois das últimas semanas, mesmo assim, as coisas foram além do limite naquele começo de semana e ninguém discordaria que era bom achar uma saída para aquela maré de má sorte das segundas-feiras.
Hill e Fury ficaram sabendo disso às seis e meia da manhã, quando um e-mail da Secretaria de Educação do Estado de Nova York chegou para o plantão de Mack, que resmungou algo sobre seu primeiro dia ser uma merda, avisando que aplicariam as provas nos alunos da Shield e do Instituto naquela manhã, às oito horas. Com isso as folgas de todos os Comandantes da Shield foi suspensa, o que geraria um pequeno caos depois, mas menos do que o problema em si.
Sharon, Hill e May foram designadas para o Instituto, para isso Tália aceitou levar ambas, enquanto um grupo de agentes autorizados seguia de quinjet para a escola ao norte do estado. O que deixou Mack, Fury, Romanoff e Daisy com a agência e muitas orientações a todos os agentes presentes, já que quase todos os recrutas seriam obrigados a fazer as avaliações depois do incidente e as acusações feitas por vários grupos.
Quando o grupo de examinadores e professores chegou, Fury deixou as coisas com Mack, que foi encarado por um homem mal-humorado e visivelmente arrogante.
—Onde está o seu superior?
O engenheiro arqueou uma sobrancelha.
—O Diretor Fury está na sala dele, monitorando o circo que vocês criaram. –Ele notou o olhar de nojo do homem para si.
—Chame um dos tais Comandantes.
—Eu sou o Comandante Alphonso Mackenzie.
O homem da secretária se assustou.
—Alphonso…
—Mackenzie. –Havia dúvida nos olhos escuros do homem pálido a sua frente, então o Comandante explicou. –Comandante ou Comandante Mackenzie. Não sou um dos seus capachos ou seu amigo para me chamar assim. –Mack deu um passo à frente. –E eu não gostei da sua atitude na minha casa. Cada homem e mulher que está aqui tem um motivo e uma vida ligada a esse lugar, seu sangue, suor e lágrimas estão infundidos na fundação desse lugar, então sugiro que não tenha essa atitude grosseira e arrogante com meu pessoal, fui claro?
—Eu estou aqui cumprindo ordens. –O chefe da delegação gaguejou.
—Pois eles também.
—Desculpe interromper. –Um homem muito mais velho tomou a frente. –Você é o Alphie? Alphonso Mackenzie, apelidado de Alphie pelo irmão mais novo, Ruben.
—O senhor é… –Mack olhou atentamente para o homem de cabelos grisalhos e óculos. –Senhor Faulmann? O senhor está muito mais velho do que me lembro.
O homem velho riu.
—Você já deveria ter começado a criar cabelos grisalhos se tivesse algum, então é claro que sou velho.
—O senhor conhece o Comandante? –O chefe do grupo estava surpreso.
—Claro que sim Jeffreys. Ele foi meu aluno no… Quando foi mesmo? Você era um prodígio, acho que mal pude te dar aulas por dois anos.
—No colégio. O senhor me deu aulas de física por um ano e meio.
—Isso. Ele se formou no colegial aos treze anos pelo que me lembro e, ouvi falar, se formou em duas faculdades antes dos dezessete. Agora é um dos Comandantes da Shield. Deve ser um dos meus alunos de maior sucesso.
—Tenho certeza que um dos meus colegas inventou algo como uma fralda para cachorros e está milionário. Já eu peguei a função na base da coação.
—Tudo bem Turtleman? –Todos encararam a mulher que apareceu do nada ao lado do Comandante.
—Não me chame assim Yo-Yo, parte meu coração, especialmente durante o trabalho.
—Tem que ser mais ágil, Fury ficou preocupado com a sua demora, mas pelo visto o chefe desse pessoal é meio bocudo mesmo. O que me lembra, quem é o vovô?
—Eu fui professor dele. Qual o nome dessa moça bonita? –Faulmann gracejou o que fez Elena encarar o idoso e sorrir.
—Viu, você é lento. Se tivesse flertado comigo desse jeito quando nos conhecemos nossos filhos já teriam mais de vinte. Agora se apresse, você vai se atrasar desse jeito.
Quando a inumana partiu, Mack suspirou.
—Eu sou metódico, gosto das coisas bem-feitas. Por que ela nunca entende isso?
—Sua esposa é mutante pelo visto. –Jeffreys comentou com desdém.
—Inumana. O que foi um total acidente quando ela já tinha uns vinte anos, antes disso ela morava na Colômbia. –Ele estalou o pescoço. –Mal começo nesse trabalho e já tenho um imbecil para guiar em uma vistoria mais imbecil ainda.
O chefe Jeffreys ficou vermelho de raiva, mas Faulmann riu.
—Você mudou Mackenzie.
—O senhor também ficou mais velho professor.
—Eu vou ser um dos inspetores, pode nos dizer onde serão as salas para as provas?
—Claro. –Mack se virou com o professor ao lado e seguiram pelos corredores até o elevador e depois para os andares imediatamente inferiores. –Vamos usar as salas de aula padrão desse prédio e, já que não temos muitas delas por aqui, talvez precisemos colocar mais pessoas do que o normal.
—Um prédio tão grande com tão poucas salas de aula, que absurdo. –Jeffreys alfinetou.
—Nós temos três andares inteiros dedicados a cursos e palestras, infelizmente, nossos centros de formação não ficam no estado, só que algum imbecil decidiu que queria avaliar qualquer um que não fosse um agente pleno. Se não fosse por isso, nossos mais de mil agentes em ano de formatura não teriam que fazer uma prova tão absurda. –Mackenzie observou pela cara do homem que a ideia era dele, o que o fez ter vontade de socar o chefe da comitiva. –Como estamos em cima da hora, uma vez que algum retardado resolveu avisar sobre a prova com uma hora e meia de antecedência, já mandamos todos eles tomarem lugares nas salas.
—Você não pode fazer isso.
O Comandante encarou Jeffreys.
—Conheci um homem de nome Jeffrey, um legítimo herói que morreu por aquilo que acreditava: salvar pessoas. Não me venha dizer o que devo ou não fazer, seu cão maldito. –Mack se afastou. –É um nojo pensar que alguém tão cheio de ódio é que vai decidir o destino desses jovens, eles mereciam alguém mais bem qualificado. –Ele abriu a porta para a primeira sala. –Agora faça o seu maldito serviço.
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Quando as provas foram entregues, cada Comandante tomou conta de um lado de um andar, deixando Clint com o lado restante e Fury com o andar dos auditórios. Como o previsto, o espaço ficou pequeno, o que não melhorou com o fato de que cada sala tinha de três a quatro examinadores.
Sentados nas mesas, alguns agentes começaram a fazer piadas de como aquilo parecia uma versão pobre e malfeita do exame chuunin, já que aplicação de provas na Shield era milhares de vezes mais rígida. Aquilo fez muitos professores aplicadores se irritarem ou ficarem envergonhados, afinal, o que eles poderiam fazer contra aquelas pessoas.
Antes de o tempo começar a contar, agentes especialmente escolhidos pelo Diretor Fury tomaram a frente das classes.
—Sob orientação do nosso Diretor, todas as medidas anticola estarão em uso hoje, então não pensem em usar seus poderes para acessar as respostas pela mente dos seus colegas ou usar algum tipo de visão de longo alcance. Não vamos restringir poderes físicos porque alguns dependerão disso para ficar acordados, uma vez que vieram de turnos longos, mas não muda o fato de que os ensinamos melhor do que isso. Se alguém for pego fazendo algo indevido, vamos dar uma punição exemplar, também estamos monitorando a todos pelas câmeras.
—Agora sim isso parece um desafio pra mim. –Claire comentou se espreguiçando. –Falei alto?
—Falou o que eu pensei. –Tristan fez a mesma coisa do outro lado da sala. –Podemos colocar alguma música daqui a umas duas horas, quando o pessoal da Academia de Ciências terminar, sei que eles não gostam de barulho.
—Se não for uma música alta ou agitada, pode colocar agora a gente não liga e todos terminam mais rápido. –Comentou Lya, a única pessoa colocada ao lado de uma agente mulher na frente da sala.
O agente concordou e logo as músicas começaram a tocar, assim como o tempo para terminar as provas a correr. Não demorou muito para que alguém levantasse a mão para o examinador da secretaria de educação.
—Essa é mesmo uma prova para o colegial? –A mulher afirmou, mesmo em dúvida. –Então por que tem uma questão de física quântica avançada aqui?
A jovem professora congelou, então uma outra mulher mais velha tomou a frente.
—Se acha que não consegue, é só desistir da prova.
A garota de pele morena riu, fazendo a água subir da garrafa no chão até sua boca.
—Ah. Não me entenda errado, é que vocês digitaram a questão de forma incorreta, então eu sei que a pessoa que escreveu a prova não entende nada sobre o assunto, sabe? Estou errada, Valéria?
A garota loira parou de olhar o teto e encarou a outra a várias carteiras de distância.
—Não Alison, está errada mesmo. Como é um dos problemas mais famosos da física quântica, qualquer um com o conhecimento básico saberia que é uma questão sem resposta, o que significa que é uma piada de mau gosto.
—Quem a senhorita pensa que é para dizer isso? –A mulher mais velha disse agarrando o pulso da loira.
—Valéria Richards, sobrinha do Rei Von Doom. –A mulher soltou o pulso da garota correndo. –Eu já ajudei a construir três reatores nucleares na Latvéria e estudo física quântica desde que tinha cinco anos, inclusive publiquei um artigo a alguns anos sobre como o fato dessa questão ser insolúvel era a base da solução dela. O problema é que nenhuma das respostas colocadas aqui é válida também.
—Ei. Eu li esse artigo, estava muito interessante, embora só tenha entendido um terço da explicação. –Claire comentou se divertindo. –Além disso, essa questão de biologia, sobre o funcionamento fundamental das células do sistema imunológico, foi escrita errada, por isso a alternativa correta não foi colocada.
—Você não tem como saber disso. –A aplicadora da prova se irritou.
—Mas ela está certa. –Lya comentou sem levantar o olhar. –Como eu estou cursando meu aperfeiçoamento em biomedicina nanocelular isso foi um erro bem óbvio. Embora também tenha encontrado muitos erros na prova de química, o que foi triste, já que sou formada nisso com foco no uso de componentes químicos para estímulo e aperfeiçoamento do sistema regenerativo de humanos comuns sem causar alterações em seu DNA. Me dá a ligeira impressão de que a formulação da prova foi fraudada para que não tivéssemos sucesso.
—Isso explica porque as questões de botânica não fazem nenhum sentido. –Alexa respirou fundo. –Achei que eu estava ficando burra de verdade por não entender nenhuma questão, mesmo depois de ter passado nas provas da Shield.
Aquilo gerou uma comoção, especialmente depois que o Secretário de Educação do Estado apareceu ali e precisou trocar metade da equipe avaliadora. Tudo aquilo atrasou a avaliação em mais de duas horas, já que para fins de transparência todos os alunos precisaram ser embaralhados mais uma vez entre as salas.
Quando as novas provas, providenciadas pelo próprio Secretário de Educação de uma fonte legítima, foram entregues o relógio já batia dez e meia da manhã e alguns agentes sem poderes, habilidades ou soros especiais precisaram tomar doses extras de cafeína, na forma de toneladas de energéticos e vitaminas ou eles dormiriam sobre as avaliações.
Os novos fiscais e os que haviam ficado do primeiro grupo marcaram o começo da prova de quatro horas e tinham certeza que ficariam ali por todo o tempo, com os examinados usando o tempo completo. Eles estavam errados.
Leonora e Gregory Fittz-Simmons, foram os primeiros a entregar suas provas, com apenas quarenta e cinco minutos de tempo corrido. Elizabeth, irmã dos dois, e Andrew Johnson terminaram dois minutos depois deles, sendo seguidos por Valéria Von Doom, Alison Mackenzie, Marian Hill, Tristan Stark e Conner Banner, que terminaram depois de cinquenta minutos. Aos cinquenta e quatro minutos foi a vez de Vinicius e Amanda Hill, junto com Robert Romanoff, Sarah Parker, Jason Lokison e Daniel Thompson; três minutos mais tarde Ur, Claire Rogers, Dani Cage e Erik Mackenzie também terminaram.
Com uma hora de prova corridos, metade dos alunos da Academia de Ciências entregaram suas avaliações, assim como um quarto dos alunos de Operações; quatro minutos depois Laura Howlett entregou sua prova um pouco confusa, sendo seguida por Max e Helena Strange, Franklin Richards e Tália Wagner. Cassie Lang, Billy e Tommy Maximoff, Alexa Romanoff e Lucas Cage terminaram com uma hora e dez minutos. Annie May Parker entregou sua prova depois de uma hora e vinte, junto com mais um quarto da Academia de Operações presente, e vinte minutos depois o restante dos alunos da Academia de Ciências também terminou.
Wolf terminou depois de duas horas, junto com o restante dos alunos de Operações e os de Comunicação; Maria Stark e James Rogers entregaram as provas depois de duas horas e dez minutos, junto com Drake e Blake Thorson.
Com duas horas e meia todos os fiscais seguiram até a mesma sala, onde uma mulher mais velha permanecia com a prova na mesa.
—Tudo bem Hope? –Mack sentou ao lado dela, que entregou a prova a ele. –Acho que você não levou todo esse tempo para fazer essa bobagem, certo?
A mulher levantou, se esticando e estalando o pescoço.
—Até parece, levei meia hora para resolver essa brincadeira de criança. Eu tinha cinco anos quando resolvia questões bem mais complexas do que essas, sabe disso, me viu fazendo.
—Vi mesmo. –Ele levantou. –Dessa vez a prova era legítima?
Todos os examinadores se mostraram ofendidos, até lembrarem da primeira prova.
—Completamente. Embora ela esteja no nível universitário e algumas questões fossem de áreas bem específicas, mesmo assim acho que mais de noventa por cento dos que fizeram a prova tem capacidade de tirar nota acima de seis, sessenta ou seiscentos, a depender do conceito aplicado.
—Vou dar uma bronca em qualquer um que não tirar acima de setecentos e cinquenta.
—Imagino que vá. –Os dois notaram um homem mais velho se aproximar deles junto com o Secretário de Educação. –Posso ajudar?
—Qual o seu nome, senhorita? –O homem mais velho era o professor Faulmann.
—Hope VanDyne. Formada em engenharia e física quântica desde os doze anos, o que acho que me dá o direito de parar minhas formações por aqui e avaliar a sua avaliação.
—Sim, dá. –O Secretário de Educação suspirou. –Seu pai foi um dos envolvidos em revisar as questões da prova verdadeira.
—Imaginei que fosse. –Ela encarou Mack. –Vou indo.
Ele assentiu e ela saiu como se nada tivesse acontecido.
—Comandante Mackenzie, me responda francamente, como seus recrutas e protegidos conseguiram responder as questões daquela prova sem trapacear? –O Secretário de Educação parecia preocupado.
—Hope é uma das professoras daqui. –Havia surpresa nos olhos do homem. –Bom, eu mesmo me formei em duas faculdades aos dezesseis e em mais duas aos vinte e um, então não é grande coisa. Mesmo assim, não tem um recruta ou protegido que não tenha sido estimulado a estudar mais a cada dia e, os que chamou de protegidos, foram criados dentro dessas paredes por mais ou menos tempo em quase toda a sua vida. Eles sempre estudaram além das grades curriculares básicas, então não é surpresa que Lya e Elizabeth ou o irmão delas, Gregory, consigam fazer um tempo similar ao da Hope.
—O tempo de nenhum deles surpreendeu você? –Faulmann olhava para o ex-aluno admirado.
—Alguns um pouco mais que outros, embora no geral nada muito grande.
—Imagino. Sobre a pessoa que teria que fazer a prova fora da agência, não foi um exagero?
—Apenas se o senhor não se importasse de matar metade dos aplicadores em meio a uma guerra, porque aquela garota é a pior pessoa do mundo.
—Ela é algum tipo de vilão?
—Pior. –Mack notou o olhar do homem. –Entenda, ela enerva até os adultos e faz alguns vilões parecerem palhaços. Ela é cruel.
—Como é o nome dessa criança, Alphie? –Faulmann se mostrou preocupado.
—Jocelyn Banner.
—E sobre a prova no Instituto Xavier, talvez seja hora de ver como estão as coisas. –O Secretário de Educação comentou.
—Vou guiar o senhor até um dos nossos quinjets Secretário, mas imagino que não deva ter muito o que ver ao chegar.
—Pensei que as aeronaves da Shield eram alguns dos veículos mais rápidos do mundo. –O Secretário estava preocupado.
—Ah, mas eles são. O problema é que nosso programa de intercâmbio com o Instituto é antigo, mesmo que atualmente poucos alunos façam parte.
—Quantos? –Foi a vez de Faulmann ficar preocupado.
—Cerca de vinte por cento, embora no passado esse número fosse a quase totalidade dos alunos deles. O que nos deu uma excelente safra de agentes por anos. –E o sorriso de Mack dizia a ambos os homens que ele gostava daquela verdade simples.
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No Instituto a aplicação de provas foi parecida, o que causou outra comoção quando até mesmo Rebecca reconheceu falhas na prova e Sussan explicou que mesmo sem um diploma ela reconhecia uma questão de medicina a quilômetros de distância. Outra confusão, o Subsecretário de Educação intervindo, novos examinadores e um atraso de quase quatro horas foi o que aconteceu.
Às dez e quarenta e cinco, quando a prova começou, todos estavam um pouco cansados, mas ninguém reclamou de verdade, apenas se concentraram em terminar suas partes. Ali era possível ver vários alunos um pouco confusos com algumas questões, enquanto outros apenas pareciam enrolar e alguns liam a prova de forma tranquila, rabiscando algo eventualmente.
Depois de cinquenta minutos corridos, Alexis Rasputin e Christine Frost entregaram suas provas, seis minutos depois foi a vez de Aisha Monroe e Nathan Summers. Com uma hora e três minutos, metade dos alunos do intercâmbio entregou suas provas junto com Nikolai Rasputin, cinco minutos depois foi a vez de Rachel Summers, Cara Frost e Sussan Klein.
A segunda metade dos alunos de intercâmbio entregou a prova com uma hora e meia, junto com James Howlett; doze minutos depois foi a vez de Charlie e Derek Lehnsherr, sendo seguidos por Rose Frost, com um tempo de uma hora e cinquenta. Rebecca LeBeau conseguiu terminar com duas horas e quinze, ainda que a mesma não parecesse acreditar naquilo.
Dos alunos restantes, um terço daqueles que não faziam intercâmbio entregaram a avaliação com duas horas e meia. Do total restante, metade entregou a prova depois de três horas e quinze minutos, que foi o caso de Oliver LeBeau, e o que sobrou entregou tudo ao término das quatro horas de tempo previsto.
Devido ao tempo dos alunos e o desempenho que esperava deles, Emma reuniu todos no jardim, sob o olhar preocupado do Secretário de Educação, que havia acompanhado a última hora das provas um pouco surpreso com a quantidade de pessoas que já haviam terminado.
—Isso é uma vergonha. –A voz da Frost foi ampliada pelo eco telepático na mente de todos. –Como pode em uma escola como a nossa os alunos levarem mais de três horas para fazer uma prova medíocre dessas? Não estamos cobrando o suficiente de todos nas nossas turmas regulares ou no intercâmbio com a Shield? –Alguns alunos se entreolharam, como se com isso pudessem colocar a culpa em outros. –Estão tão cegos com a sua arrogância de serem mutantes que não entendem a necessidade de se sobressair naturalmente pelo esforço? Nem o próprio Magneto daria um bom uso a vocês com esse pensamento fraco e forma indigna de agir, ou acham que não sei o que todos fazem e pensam por esses corredores dos alunos que vão para a Shield. Os únicos imundos aqui são aqueles que não conseguem fazer melhor do que eles. Então façam melhor ou não precisam nem tentar viver no mundo lá fora.
Quando Emma se calou e voltou para dentro, deixou uma ordem que qualquer um que tivesse demorado mais de duas horas e meia para terminar teria que correr dez quilômetros na tarde fria de outono.
—Não acha que está sendo um pouco rígida? –O Secretário de Educação estava preocupado.
—O senhor pode não acreditar, mas tenho problemas muito maiores em mãos do que a sua avaliação, ter ela resolvida hoje é quase uma benção. Além disso, a maior parte dos alunos que falhou estão abaixo da média, ainda que sejam arrogantes o suficiente para acreditarem ser melhores do que os melhores. –A Rainha Branca não parou de andar até chegarem ao seu escritório acompanhada de Jean. –Existe algum assunto que queira tratar além desse?
—Os alunos que terminaram a prova antes, fazem parte do programa de intercâmbio com a Shield? –O homem se sentou junto com a mulher na mesa enquanto a ruiva ficou no sofá atrás dele.
—Alguns. Rebecca certamente não está entre eles, bem como… Nós temos cerca de duzentos e cinquenta alunos regulares, então os alunos do intercâmbio são uns cinquenta, os que não fazem parte deles e conseguiram terminar antes são… Mais ou menos sessenta. –Emma pegou um dos seus relatórios e passou a ler. –Os demais que terminaram antes fazem, além de alguns dos nossos professores que fizeram parte do intercâmbio ou são uma espécie de agentes freelance da Shield.
—Agente freelance?
—Sim, todos os meus filhos fazem parte do programa e uma parte dos meus protegidos.
—Seus filhos? Quantos você tem?
—Dois meninos e seis meninas. Só três são biológicos, embora isso não me interesse. Também tenho outras três crianças das quais sou responsável legal. Também tem a Aisha, que estudou em Wakanda por poucos anos com o Rei T’Challa, seu pai, e depois fez aulas aqui e na Shield, além de dois intercâmbios para a Latvéria. –Ela olhou rapidamente para o homem chocado à sua frente. –O que me leva novamente à questão inicial, o senhor tem mais alguma solicitação?
—Sua escola estaria disposta a passar por outras avaliações no correr do ano?
—Para?
—Queremos saber exatamente o nível dos estudantes aqui, especialmente com vocês sendo tão rígidos quanto a Shield sobre trapaça. Até porque, duvido que qualquer outra escola do estado possua alunos capazes de responder aquela prova e não posso ir até a agência com o mesmo pedido.
—E para que precisa avaliar o nosso nível? –A Frost estreitou os olhos.
—Isso seria bom para implementarmos alterações na cartilha educacional do estado, embora eu saiba que não vai gerar grandes mudanças a curto prazo, o que quero é algo mais planejado.
—E o que nós ganhamos com essa sua necessidade de avaliar o nosso nível para melhorar o do estado? –Havia um sorriso mais predador no rosto da mulher, o que fez Jean rolar os olhos.
—O que você tem interesse em conseguir? –O Secretário de Educação estava um pouco preocupado com o rumo da conversa.
—Vamos começar com as provas especiais de certificação para o colégio e depois conversamos sobre as certificações para faculdade, pode ser?
E enquanto Jean assentia negativamente para a capacidade de Emma tirar vantagem de situações ruins, o Secretário de Educação do Estado tinha certeza que aquela loira arrancaria até sua alma.
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As coisas deveriam ter se acalmado depois das provas terminarem, mas enquanto alguns se preocupavam com o bem-estar e o futuro dos jovens, outros queriam mesmo era ameaçar a pequena paz que foi obtida para aquela tarde e causar o caos em todos os lugares.
O que foi feito com sucesso quando as viaturas de polícia pararam a toda velocidade na frente a Shield com as sirenes ligadas e até mesmo um grupo da SWAT. Todos desceram com as armas em mãos e seguiram na direção da garota azul sentada nos bancos da entrada da agência comendo cachorros quentes um atrás do outro ao lado do carrinho com um vendedor sorridente.
—Tio, isso aqui é muito bom.
—Eu sei. Você é uma das minhas melhores clientes desde criança.
—Desse jeito o senhor me deixa sem jeito, tenho certeza que a Claire come mais.
—As duas comem bem Tália.
A garota olhou para o homem e notou a polícia.
—Quanto eu comi, tio? –Ela ficou séria.
—Quase metade do meu estoque do dia. Algum problema?
—Acho que é melhor o senhor entrar no prédio e pegar o pagamento com o agente da recepção.
—Preciso mesmo? Tem tanta burocracia para assinar.
—Infelizmente, vai agora, por favor.
O homem notou a movimentação ao redor e encarou o policial mais próximo.
—Vocês são uns chatos, sabiam? Ela ainda precisava me pagar e, sinceramente, é bom ter um excelente motivo para prender uma das minhas melhores clientes.
—Senhor, saia da frente. Temos um mandado de prisão por abuso infantil.
O homem olhou para a garota.
—Minha namorada é menor de idade, deve ser coisa da mãe dela, embora a Shield detenha a guarda legal da Cass atualmente. Consegue imaginar a Hill me deixar pisar na bola sobre isso?
—Não, mas entendi seu pedido. –Ele encarou os homens armados e os agentes esperando para agir perto da porta. –Se algum de vocês danificar o meu carrinho de cachorro quente, eu juro que vou fazer da vida de todos um inferno. –E saiu andando para dentro do prédio.
Assim que ele se afastou os policiais cercaram Tália, que permaneceu comendo seu cachorro quente inacabado.
—Não se mexa, aberração. –Gritou um deles.
—Posso terminar de comer esse? É o último. –Os oficiais ficaram confusos e ela continuou a comer até acabar, então apoiou a mão no queixo e suspirou. –Como querem fazer isso? Eu deito no chão e vocês me algemam ou posso apenas virar de costas e vocês me algemam?
—Cala a boca sua mutuna desgraçada. –Outro policial gritou.
Um membro da SWAT se aproximou por trás e encostou o cano da arma na cabeça dela, a mutante azul não se moveu.
—Achou que sairia impune disso, abusadora?
—Sinceramente, eu nem sei direito o que houve, só acho que o Blake Burdick nem deve fazer ideia do que a mulher fez. –Tália comentou distraída e o homem acertou uma pancada com a arma em sua nuca.
—De boca fechada seu demônio. –A garota riu caída no chão enquanto colocava as mãos nas costas. –Qual a graça?
—Você me chamar de abusadora e de demônio, só isso.
O homem atirou contra o pulmão direito dela, o que a fez cuspir sangue e rir.
Depois de ser algemada, Tália foi puxada do chão pelos cabelos, vendo de relance seus amigos tensos nas portas, prontos para matar todos ali e a socorrer, incluindo Cassie, mas eles não se moveram e ela agradeceu por aquilo. Eles não precisavam de mais propaganda negativa, já bastava a que teriam com ela mesma nos noticiários e por isso precisavam esperar uma saída legal. Era provável que isso já estivesse a caminho e, felizmente, não morreria pelo tiro, já que ainda era um demônio bem notável.
Os policiais a chutaram, literalmente, para dentro da viatura, sem se importar com o sangramento da ferida e seguiram com ela para o DP, onde a Wagner sabia que seria jogada em uma cela lotada e teria seu suposto crime anunciado para todas as presas. Mesmo assim, aquilo não a preocupava, já que contra criminosos ela não precisaria ser tão cuidadosa.
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Quando a notícia do ocorrido com Tália alcançou Hill, Emma e Alexis, o Instituto quase foi posto ao chão, o que assustou o Secretário de Educação, que ainda estava em reunião com a Frost. Piorou um pouco quando James, Christine e Nathan ficaram sabendo. O mais surpreendente foi que em dez minutos tudo foi arrumado para que eles partissem imediatamente para Nova York resolver a questão.
Alexis pediu que Logan ensinasse meditação para Becky, que se sentiu aliviada e decepcionada, mas entendeu que a loira não conseguia deixar aquilo para trás. James apenas pulou no quinjet depois de dizer que Rebecca estava dispensada do treino apenas se corresse dez quilômetros em torno da propriedade, a garota aceitou. Ollie não teve a mesma sorte. Emma deixou sua função nas mãos de Sharon e May, que se ofereceram para ajudar, e Jean, já que Ororo precisaria ir junto.
Com tudo no lugar eles chegaram a Nova York em meia hora.
O qiunjet deixou o grupo em um prédio comercial próximo que tinha um heliporto e de lá seguiram em dois carros da Shield que já os esperavam. Os mais jovens haviam colocado suas roupas táticas durante o voo e teriam que ficar dentro dos veículos até segunda ordem, enquanto que pelos comunicadores todos eram atualizados: o advogado ainda não tinha conseguido acesso à Tália, a garota não foi levada ao hospital depois do tiro e sim para a carceragem do Departamento de Polícia, Stephen Strange já estava no local e precisaria de ajuda para conseguir esclarecer o problema de uma vez.
Para piorar, Meggie Burdick esperou o marido, Blake, passar por uma cirurgia para causar o caos, então o homem, que tinha saído da operação a menos de meia hora, ainda não sabia o que a esposa tinha aprontado.
Depois de desembarcar, Hill seguiu com Emma e Ororo para dentro do prédio, que já estava cercado de repórteres ouvindo a triste história de Meggie, que sorria de forma presunçosa para a Comandante da Shield, que não se segurou e a prensou contra a parede.
—Reze a Deus para que ela não fique doente, ou o inferno não vai ser nem de longe o lugar ruim que você espera depois do que eu vou fazer com a sua vida. –Ela largou a mulher de qualquer jeito enquanto a senhora Burdick reclamava da selvageria da agência.
—Isso foi inteligente? –Ororo estava preocupada.
—Querida, isso não foi nada perto do que vou fazer com ela quando sairmos daqui com a TJ, acredite. –E diante do tom de Emma, a mutante climática acreditou em cada palavra.
Quando o trio entrou na principal sala do prédio, cheio de detetives e oficiais conversando, com alguns comemorando a prisão do monstro, foi a gota d’água.
—Cale a boca deles ou eu vou ordenar uma limpeza no departamento de polícia de Nova York e não vai ser indolor. –Hill não precisou falar uma segunda vez para a Frost, que fez todos perderem a voz.
—O que você pensa que está fazendo no meu departamento? –Um homem alto, negro e corpulento passou pela porta.
—Seguindo minhas ordens. –A Comandante tomou a frente. –Além disso, a garota lá dentro é filha adotiva dela e minha agente de transporte de emergência, o que é muito raro.
—E quem é você? –O tom de desdém do homem era nítido.
Ela cruzou os braços e o encarou com seu melhor sorriso predador.
—Comandante Chefe da Shield, Maria Hill. Se não acredita, ligue para o meu marido, Nick Fury, Diretor da Shield.
O homem engoliu em seco e recuou um passo.
—Estava esperando a senhora. –A voz de outro homem chamou a atenção do grupo.
O novo policial era mais velho, parecia ter mais de cinquenta anos, com muitos cabelos brancos, ao lado dele uma mulher negra que regulava de idade com Emma encarou o homem negro o fazendo recuar para outra sala.
—Então o senhor é… –Dessa vez Hill foi mais gentil.
—O Chefe do Departamento de Polícia de Nova York, Bartholomew Ross. –Ele indicou as pessoas na sala. –É possível devolver a voz deles? Seria um desastre atrasar o registro das ocorrências e andamento de investigações.
—Se eles voltarem a falar mal da minha filha, perder a voz por alguns minutos será o menor problema deles. –Emma comentou antes de liberar a habilidade de fala dos presentes na sala, que receberam uma advertência da mulher ao lado de Ross.
—Com isso feito, posso guiá-las até minha sala?
—Infelizmente não. –Ororo tomou a frente. –Minha aluna levou um tiro de um dos seus homens quando já estava no chão e não foi socorrida de maneira apropriada. Então antes de qualquer conversa ser realizada ou pensada, quero ter acesso a ela para ver como está o ferimento.
O homem trocou um longo olhar com a mulher ao seu lado.
—A Capitã Trace Breda vai levá-las até lá, enquanto isso eu vou providenciar… –Ele logo parou notando uma mulher conhecida indo na direção deles. –O que diabos você veio fazer aqui?
—Pelos santos Ross, acha mesmo que com o meu especial sobre o místico eu deixaria de vir ver o que levou a polícia a prender uma mutante demônio? Especialmente com o histórico da mãe da outra garota? –A mulher latina o encarou de forma confiante.
—Como você sabe do histórico da senhora Burdick? O processo todo correu em segredo de justiça, Edith.
—Segure o bigode irmãozinho. Adolescentes não entendem o conceito de manter a boca fechada. –Não que Edith Vargas fosse facilitar alguma coisa.
—Vocês são irmãos? –Hill estava surpresa dessa vez.
—Na verdade, ele é meu cunhado. –Edith esticou a mão cumprimentando todas as mulheres ali. –Se não for pedir demais, quero acompanhar tudo, incluindo gravar o que acontecer com ela. Trouxe o Zhou comigo já que o Grimm o dispensou. –As três mulheres trocaram um olhar longo. –Dependendo do que acontecer eu descarto o material, tenho certeza que posso conseguir outra coisa com o tempo.
—Tudo bem, vai ser bom ter alguém gravando. –Foi a decisão de Emma.
Então o grupo seguiu a Capitã Breda para o interior do prédio até a carceragem, onde encontraram Tália sentada em uma das camas com meia dúzia de detentas assustadas do outro lado e mais duas caídas aos seus pés, desacordadas.
—O que você fez com elas? –Hill ficou um pouco preocupada e a garota riu, evidenciando algum sangue na roupa e no queixo. –Elas estão vivas, não é?
—Estão, mas eu estava perdendo bastante sangue, então achei melhor evitar morrer ou a Cassie iria me invocar de volta com um ritual de sangue. –A Wagner levantou e chutou de leve as duas mulheres, que gemeram. –Apenas drenei um pouco, não mais do que dois quintos do sangue delas. Não vai matá-las, só que vão precisar de cuidados médicos.
—Por que fez isso com elas? –A Capitã estava assustada.
—Meu lado demônio pode me curar dessas coisas, o problema é que isso não é tão simples e elas fediam o pecado, o que as faz perfeitas até mesmo para a morte. Como já estou encrencada, preferi não acrescentar assassinato e canibalismo a lista em um único dia.
—Bem pensado. –Ororo se aproximou da grade e indicou que a garota fizesse o mesmo, levantando a blusa. –Parece ter curado quase completamente. O projétil parece que ficou preso nas costelas, então a Sussan ou a Claire podem resolver sem muito problema.
—As minhas costelas estão doendo, vou precisar esperar tudo isso? Não posso só usar meus poderes, tirar e drenar outra das culpadas ali?
—Você não costuma agir assim, o que houve? –A mutante do clima ficou preocupada.
—Bom, ser presa e baleada por um policial que cheira a pedofilia não é o meu melhor dia. –A garota desdenhou da situação.
—Como é? –A Capitã interveio. –Como assim cheiro de pedofilo? Isso existe?
—Eu sou um demônio, é claro como o dia quando alguém comete crimes e, quanto mais grave, mais brilhante para a visão de um de nós ou, se preferir, mais fedido. O que eu me arrisco a dizer que muitos naquele grupo são.
—E é óbvio que Maggie Burdick entraria em contato com a escória; deixa o marido dela saber disso. –Hill resmungou mandando mensagens no celular. –Eu pedi para Helena levar Sussan para o hospital e agilizar o processo de cicatrização dele, o que deve demorar mais uma hora segundo ela me passou. Blake está uma fera com a mulher, especialmente que o emprego dele é parte do acordo com o juiz e… –Ela encarou a garota mutante. –O juiz Morgan, Kayla Jones e Emily Sawyer já estão com a Cassie na sala do Chefe Ross.
—Por que ela não ficou na Shield? –Tália choramingou.
—Ela te ama, aceite isso. –Emma determinou.
—Eu acho melhor levar todos até a sala de reunião. –A Capitã Breda decidiu por fim, exausta só de ouvir aquela conversa.
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Quando todos chegaram à sala de reuniões, Cassie correu até Tália e a abraçou, a beijando para em seguida verificar o ferimento no corpo da mais velha.
—A hora que eu pegar aquele idiota, vou esmagar a mão dele. –Ela resmungou analisando o lugar.
—Cass! –A mutante demônio recriminou.
—Quieta TJ. –A mais velha olhou surpresa para o tom irado da jovem Lang. –Eu quero matar aquele desgraçado.
—Certo, apenas vamos ao que interessa. –Stephen tomou a frente. –Se me der licença… –Cassandra cedeu o espaço para o Mago Supremo. –Eu pretendia fazer isso em uma sala de segurança na Shield ou no Sanctum, mas já que a sua sogra não vale nada…
Ele esticou a mão com um corte novo e marcou o rosto de Tália com sangue, o que a deixou confusa e surpresa, em seguida uma série de inscrições surgiram pela sala, fazendo todos perceberem que o homem teve tempo para aquilo enquanto esperava. Logo cinco recipientes em volta do cômodo pegaram fogo, assustando todos, menos Emma e Hill.
Então, Tália mudou.
Ela ficou trinta centímetros mais alta, chifres cresceram em sua cabeça, sua cauda se tornou mais articulada e mortal, seus caninos ficaram maiores e outros dentes mais pontiagudos, seus olhos mudaram para laranja e seu cabelo azul-escuro ficou vermelho como o de sua avó, Mística.
—O que em nome de Deus é essa coisa? –Ross parecia muito tentado a pegar sua arma naquele momento.
—É o demônio da Tália? –Cassie olhava para a figura confusa à sua frente.
—E a manifestação física da existência demoníaca dela, eu apenas dei acesso para esse aspecto da nossa amiga usar o corpo por alguns minutos. –Stephen não parecia muito preocupado quando sentou na cadeira e pegou uma xícara de café. –A própria Tália poderia fazer isso, se não fosse extremamente cuidadosa em sequer pensar sobre deixar essa parte solta.
—Tália? –Emma chamou pela criança. –TJ? –Ele se aproximou um passo sem resposta.
—Josephine. –A demônio encarou a voz que a chamou, dando de cara com Cassandra. –Então eu estava certa, seu nome é Josephine.
A mutante demônio andou até Cassie, esticando a mão lentamente e tocando o rosto da loira com cuidado, o que de algum modo deixou uma mancha roxa na pele dela.
—Prometida. –A voz de Tália saiu lenta e um pouco enrolada dita por seu lado demoníaco. –Cass. Minha.
Então para surpresa geral, quando Cassie segurou a mão de Josephine, suas mãos ficaram roxas, o que fez Stephen colocar a xícara de café lentamente sobre a mesa, genuinamente aturdido com o que via.
—Isso… –Ele esticou a própria mãos na direção do demônio a sua frente, mas sentiu o calor e gritou de dor. –Me queimou.
—O que está havendo Strange? –Hill se aproximou dele no exato momento de Helena e Sussan chegaram com Blake Burdick.
—Santo Deus! –O policial exclamou ao ver a cena à sua frente.
—Ah! –Helena parecia chocada. –Como foi que eu nunca notei isso antes?
—Do que vocês todos estão falando? Agora. –Emma decidiu parar com aquela lerdeza.
—Me dá só um minuto para eu confirmar. –Helena se aproximou de Cassandra e Tália, sendo levemente queimada no processo, usando seus poderes para se curar. –Foi o que eu imaginei quando vi, só não tenho certeza de qual foi o gatilho ou como ela usou. –Ela suspirou e se afastou das duas, indo até Sussan. –Resumindo, as marcas roxas que se parecem com hematomas são pontos de concentração de poder demoníaco que “Josephine” está depositando no corpo da Cassie inconscientemente.
—E isso não vai matá-la? –Blake parecia preocupado de verdade.
—Não, acho que sem perceber Tália deve ter criado uma forma de canalizar isso. –E quando Helena disse aquilo a Comandante riu.
—Desculpa. –Hill acabou rindo mais ainda ao lembrar da longa conversa que teve com a Lang e Jemma. –De todos os hematomas que Cassie tinha depois que elas dormiram juntas, apenas um no pescoço dela, muito parecido com uma mordida, estava doendo e tinha deixado uma cicatriz. Eu posso estar errada, mas quando demônios bebem sangue de humanos, eles não deixam uma marca, só me pergunto se o mesmo vale para quando eles colocam sangue de demônio no corpo de um humano?
—Eu não faço ideia. –Os dois Strange responderam juntos e Helena cedeu a vez ao pai. –Não existe uma literatura clara sobre isso, já que demônios raramente têm este nível de afeição por humanos, o que pode exigir mais alguns estudos sobre as linhagens da Tália e sobre o que ou quem é Josephine.
—Minha. –A forma demoníaca falou novamente, encostando seu rosto no de Cassandra. –Cass. Prometida.
—Hum. –Helena voltou a se aproximar das duas e depois encarou o pai. –O senhor selou a consciência da Tália?
—Sim, por quê?
—É que eu acho, que Josephine não é um ser inteligente ou, pelo menos, não articulado e capaz de grandes ações que estejam fora do instinto demoníaco primário. –A feiticeira se afastou e encarou a figura desenhando um círculo mágico no ar, o que criou uma espécie de distorção no ar em volta de Tália e Cassie. –Vê o que quero dizer?
—Agora eu entendi porque me repeliu. –O Mago observou por mais alguns instantes. –É como se ela fosse uma segunda parte, mas completamente dependente da principal, os instintos selvagens e desejos descontrolados que não podem ser mantidos no ser principal. Ainda são uma única pessoa, mesmo que separadas como personalidades complementares, por isso Tália a sente, o que explica porque Josephine não pode controlá-la ainda que seja dependente das emoções mais fortes que ela nutre.
—E também é Josephine que segura todo o poder bruto que Tália pode canalizar. –Helena sentou em uma cadeira, bocejando antes de continuar. –Parece a Alexis, embora ainda sejam diferentes.
—Quão diferentes? –Emma estava preocupada naquele momento.
—Enquanto para a Tália é mais uma questão de não sobrecarregar e dividir as partes perigosas do todo, para a Alexis é mais como se o demônio dela fosse uma manifestação do próprio Limbo tentando mantê-la, entende? –A Frost hesitou e, por fim, indicou que tinha entendido alguma coisa. –Bom, é difícil de explicar tanto quanto é de entender.
—Afinal, por que Josephine está colocando energia demoníaca no corpo da Cassie? –Hill foi direta.
—Não tenho certeza. Meu melhor palpite é que ela quer marcar a Cassandra como sua companheira, alguém que outros demônios só vão tocar se quiserem morrer. Isso também pode gerar algum tipo de campo de proteção extra para ela, mas para ter certeza eu teria que fazer toneladas de feitiços.
—Não, isso é o bastante. –Blake Burdick disse ainda chocado. –Acho que agora que esclarecemos o que aconteceu, eu tenho que falar diretamente com o chefe Ross antes de voltar para o hospital, como prometi para o médico.
—Qual era a sua cirurgia mesmo? –Cassie fez Josephine sentar no chão e ficou ao lado dela.
—Uma cirurgia simples de desobstrução de artéria, o que teria sido tranquilo sem sua mãe causar esse caos todo. –Blake olhou para o chefe. –Peço desculpas por todo esse inconveniente Chefe Ross. Eu juro que se tivesse descoberto sobre isso antes, nunca teria deixado acontecer, mesmo que precisasse cancelar minha cirurgia. Por favor, faça tudo que o senhor puder para resolver essa questão sem implicar a Tália, eu sei que ela gosta da Cassie e, depois de ouvir tudo isso, tenho certeza que ela se mataria antes de machucar minha enteada.
—Tudo bem Blake, agora volte para o hospital e só volte quando o médico te der alta. Vou cuidar para resolver isso, mas sua esposa pode acabar presa. –Ross notou o olhar triste e culpado do homem. –Tem certeza disso?
Burdick hesitou e então viu Cassie, ele engoliu em seco e assentiu.
—Eu tenho chefe.
—Então eu vou levar o nosso amigo. –Helena levantou, pegou Blake e Sussan, desaparecendo no mesmo instante.
—Sua filha é uma dor de cabeça. –Emma resmungou para Stephen.
—As suas não são diferentes. –Ele retrucou.
—Eu tenho seis filhas, quer mesmo comparar o tamanho da dor de cabeça? –O Mago negou a contragosto e a Frost encarou o Chefe. –Como fazemos agora senhor Ross?
—Agora, como o juiz Morgan já estava aqui, uma equipe da imprensa e nossas câmeras gravaram tudo, além do testemunho meu e da Capitã Breda, eu acho que posso jogar o caso no lixo. –O homem suspirou. –Além de suspender mais de vinte policiais por conduta imprópria. Se a mulher do Burdick não tivesse agido pelas costas dele, eu ia comer o fígado do infeliz, mas acho que não vai ser necessário. –Ele encarou Breda. –Mande prender Meggie Burdick por falsa denúncia de crime e revise toda a documentação que ela entregou, tenho certeza que posso acrescentar fraude processual à denúncia. –Depois que a Capitã saiu, o chefe se virou para Hill. –Preciso ter acesso aos relatórios que seus médicos fizeram para apresentar aos meus superiores quando alguma explicação for cobrada.
—Devem estar esperando do lado de fora do DP, eu mandei trazer por precaução. Depois vou enviar os vídeos que temos, junto com uma cópia do material que a senhora Vargas com certeza vai nos disponibilizar. –Edith apenas concordou, como se aquilo não fosse uma questão que ela se opunha.
—Agradeço muito. –Ross encarou Cassie dando atenção para a Josephine, que a tratava com admiração. –Como fazemos a garota voltar ao normal?
Stephen mexeu as mãos e logo o grande corpo demoníaco à frente deles foi diminuindo de tamanho até voltar a ser a mesma Tália de sempre.
—Aconteceu alguma coisa? Eu acho que desmaiei.
—Apagou a memória dela? –Ororo não gostava daquela ideia.
—Eu tranquei a mente dela, é diferente. Não é como se ela pudesse lembrar de algo estando em outra sala. –O Mago fez alguns movimentos e logo a mutante demônio olhava assustada para todos. –Agora ela lembra.
—Espera, como é? –E antes que Tália tivesse uma resposta, Cassie a beijou e a beliscou. –Aí! O que eu fiz?
—Foi idiota.
A garota azul riu.
—Acho que eu preciso melhorar essa parte.
O grupo todo caiu na gargalhada.
Enquanto Kayla e Emily confirmavam que as manchas roxas no corpo de Cassie não causavam dor, Hill ajudou Tália a remover o projétil com a supervisão de Ross, já que ele precisava levar o item para a balística. Segundo o chefe, aquele policial estava em sérios problemas, ninguém falou para o homem que problemas não seriam nem o começo para o tal policial depois daquele dia.
Stephen se despediu de todos e partiu, enquanto Morgan se reuniu com Breda para resolver algumas coisas junto com o promotor que tinha acompanhado a situação atrás do vidro de segurança. Emma e Ororo atualizaram o Instituto sobre o que tinha acontecido e tudo estava se encaminhando para a mais santa paz.
Pelo menos até o celular de Hill disparar um alarme infernal e ela ligar o comunicador na linha de emergência.
O que ela ouviu deixou a mulher pálida.
—O que houve? –Emma não gostava daquilo.
—O presidente despachou uma ordem executiva especial.
A Frost ficou tensa.
—Que tipo de ordem?
—Uma ordem de assassinato.
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Continua...
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No próximo capítulo: Ordem Executiva.
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