Marvel Universe: All Different World
61 Capítulo LXI: Energy.
Notas iniciais
14 de Outubro
O sábado chegou com muito mais empolgação para todos do que poderiam ter imaginado, embora ninguém que estava com problemas ou alguma complicação no dia anterior estivesse dando atenção para aquelas questões no momento. Em defesa deles, isso era uma tradição quando o tio Steve decidia dar uma festa, o que fazia todos entrarem no jogo com tudo que tinham.
Claro que havia alguma exceção, não que Nikolai fosse fazer disso um problema para os demais.
E a agitação logo se espalhou sem nenhum pudor.
Claire e Laura levantaram cedo e foram para a cozinha, preparar o café da manhã de toda a família, acabaram recebendo ajuda de Sharon e Steve, que acordaram meia hora depois e tiveram a mesma ideia. Eles se divertiram por um tempo até os pequenos levantarem, após as oito e meia.
Depois a família saiu em grupos.
Sharon e Steve foram até a Torre Stark com Maria e James se encontrar com os Stark e Parker, que levariam os asgardianos para a festa. Os Romanoff-Barton e Valéria já estavam lá para garantir que todos teriam um assento nos veículos.
Claire e Laura saíram com suas motos para a Shield, onde encontrariam Conner, Christine, Andrew, os Fittz-Simmons, os Mackenzie, os Hill, Tália e Cassie, que levaria o pai e Hope junto.
Andy estava de posse das chaves de Lola, que seria sua pelo dia inteiro (palavras da tia Melinda que ele aceitou), enquanto Tália e Cassandra iriam com o pai e a futura madrasta da loira. Os demais foram nos carros civis da agência. Os Strange iriam usando magia, assim como os filhos de Wanda, William e Thomas, que levariam os Cage e qualquer outro filho de herói que pudesse ou quisesse aparecer.
Todos seguiram para o Instituto em uma viagem de pouco mais de uma hora de carro sem nenhuma surpresa.
E enquanto eles faziam essa pequena jornada, as coisas também se arrumavam no lugar da festa e Logan sabia que tudo estava bem porque estava monitorando a organização. Steve avisou que eles estavam a caminho por volta das nove, então o pessoal do buffet não precisava se preocupar, já que a festa começaria mesmo a uma da tarde. O Howlett conferiu o espaço do DJ, das bebidas, dos lugares para os mais cansados sentarem (ele tinha que lembrar disso, já que os mais velhos acabavam ali antes das crianças) e da pista de dança.
Eram pequenas coisas que já estavam encaminhadas (como a montagem das tendas), e era quase a única coisa que Logan podia fazer para ajudar.
Por isso, meia hora antes do horário em que o grupo deveria chegar, ele foi atrás dos outros.
Ele encontrou Alexis saindo do quarto dela e parecendo envergonhada, já que todos sabiam que ela passou quase a semana inteira com Nate e seu demônio saiu de controle. O Howlett pensou em dizer algo, mas sabia que o garoto Summers se sairia melhor, então nem foi uma surpresa que Nathan tenha saído do próprio quarto e corrido atrás de Alexandra. O Carcaju ficou feliz de não ter que lidar com aquele problema, por isso bateu na porta do quarto de Rachel, que atendeu já pronta para um dia comum, enquanto Franklin terminava de pentear o cabelo.
—Algum problema Logan? –A ruiva parecia um pouco cansada.
—Vocês vão à festa?
—Vamos, só não achamos que era um evento de gala. –Ray respondeu meio rabugenta.
—Você está ficando igualzinha ao seu pai. –Ele cuspiu entredentes, o que chocou a garota. –Em todo o caso, só estou verificando se tá todo mundo bem.
—Pedido da Emma? –A garota parecia um pouco envergonhada.
—E da tua mãe. –A ruiva ficou um pouco surpresa, mas assentiu. –Tô indo.
Logan voltou a verificar os outros.
Cara e Rose dormiam abraçadas, como quase sempre desde que nasceram, elas eram inseparáveis, o que era bom na opinião do Howlett. Oliver estava largado na sua cama, dormindo como uma pedra. Aisha já estava acordada e trabalhando a todo o vapor para fazer um café da manhã especial para Derek e Charlie, o que indicava que a garota gostou dos filhos de Magneto e isso era um problema a menos na sua lista.
James estava terminando de meditar, o que lhe daria tempo de dar o presente do garoto, então o Carcaju se preocupou em encontrar a única pessoa problemática de sua lista que ainda não tinha dado as caras: Rebecca LeBeau.
Demorou um pouco mais do que Logan gostaria, porque o grupo que vinha de Nova York já estava entrando na propriedade, mas ele encontrou a garota em um dos jardins da escola olhando para a pequena homenagem prestada a Remy depois da sua morte. Ela estava quieta, sentada sobre os joelhos, os olhos fixos na pequena placa fixada a pedra.
Ele parou atrás dela e encarou as palavras escritas antes de se anunciar.
—Para Remy Etienne LeBeau, marido amado, pai amoroso e amigo. –A garota se virou assustada, perdendo um pouco o equilíbrio, provavelmente por estar a tempo demais na mesma posição. –Acordou a muito tempo? –Ela assentiu. –Quer falar sobre isso? Eu sei que você não vem aqui sem motivo.
Ela levantou, evitando o olhar do professor.
—Pra quê? Você não gosta de mim mais do que qualquer outro aqui. –Aquilo era novo.
Rebecca, assim como o irmão, sempre foi desagradável, ela mais do que ele em geral, o que não muda o fato de que eles sempre procuram confusão e isso preocupava os professores.
—Pode não parecer, já que você se esforça para ganhar nossa antipatia, mas todos se preocupam com você e seu irmão. Especialmente com o que vai ser de vocês no futuro agindo como agem. –Ela parecia chocada e ele voltou a encarar a placa. –Eu fui um grande amigo do seu pai, mesmo quando ele fazia coisas idiotas, o que acontecia com frequência.
—Meu pai não era idiota. –Rebecca retrucou.
—Ele podia ser às vezes, até sua mãe dizia isso. –Logan se virou para a LeBeau. –O que houve?
Ela hesitou.
—Você acha que o Oliver é mau comigo enquanto irmão?
O Howlett estava surpreso.
—Considerando mesmo a relação ruim da Christine com a Cara e a Rose, sim. –Rebecca o encarou confusa. –Chris tem dificuldade de lidar com as irmãs caçulas, já que a questão da paternidade dela sempre pesou um pouco na sua interação, ainda assim, ela nunca foi cruel como Ollie é com você. Seu irmão é abusivo, mas… –Logan fez uma careta.
—“Mas” o quê?
—A verdade é que você também é um tanto abusiva com ele. –Isso deixou a garota em choque. –Eu sei que não parece, já que ele te atinge mais fisicamente na maior parte do tempo, só que você vive colocando seu irmão em problemas por conta dos seus problemas com os outros, usando Ollie como seu escudo. É isso que faz com que ele sinta que tem o direito de te agredir.
—Ele é a única família que eu tenho.
—Isso é e não é verdade. –A garota o olhava confusa. –Seu pai morreu, sua mãe foi embora e ele é a única pessoa com o seu sangue por perto, mas Vampira deixou vocês sob tutela de Emma porque esperava que ela desse a vocês o que deu a todos os filhos adotivos: uma família. –Rebecca engoliu em seco. –Infelizmente, você e Oliver sempre negaram deixar Emma ou Ororo cuidarem de vocês ou que os outros desempenhem uma função de irmãos e irmãs. Vocês se fecharam nesse relacionamento tóxico e dependente como se todos os outros fossem seus inimigos, o que fez com que nós começássemos a pegar pesado com vocês.
—James parece gostar de nos bater. –Outro resmungo.
—James tem problemas com a mãe. –Ela encarou o mais velho com surpresa. –E vamos ser sinceros, ele age daquele jeito com todos, vocês não são uma exceção. –A garota concordou a contragosto. –Agora, por que essa pergunta justo hoje? Não é como se isso não acontecesse desde sempre.
Rebecca hesitou e, por fim, suspirou.
—Alguém me disse que um irmão não deveria agir com uma irmã da forma como Oliver age comigo. –Ela engoliu em seco. –Agora você diz que nós somos abusivos um com o outro e temos um relacionamento tóxico. –Rebecca encarou Logan. –O que eu deveria fazer afinal? Eu não sei agir de outra forma, eu…
—Eu não sou bom com esse tipo de coisa. –O Howlett foi direto, o que desanimou a mais nova. –Se quer saber, para coisas importantes assim, você precisa pedir conselhos para a Emma ou a Ororo, talvez a Jean. –Ele notou que a garota não parecia confortável em ter que conversar com qualquer uma das três mulheres. –Tudo bem, tome o tempo que precisar para conversar com elas, mas… –Ele a observou com calma. –Aqui vai um conselho, embora eu normalmente pense que é uma péssima ideia que me deem ouvidos: tome distância do seu irmão, tente conversar e passar tempo com outras pessoas, fazer atividades instrutivas. Dizem que o curso de literatura da Christine, as aulas sobre magia iniciante da Alexis e o meu curso de mecânica são opções seguras e interessantes.
—Acha mesmo que isso vai me ajudar?
—Mal não vai fazer, isso eu garanto.
Rebecca parecia ter dificuldade em dizer algo, mas Logan esperou, mesmo que estivesse atrasado para encontrar Claire e Laura.
—Eu… Hum… Bem, obrigada. –O professor pareceu um pouco surpreso. –Sabe, por escutar e ser sincero.
—Bom, não por isso. –Ele bagunçou o cabelo da garota. –Agora vamos, acho que você vai querer trocar de roupa se for para a festa.
Ele apontou para a perna da calça que ela usava, suja de terra e a garota concordou.
Os dois seguiram caminhos separados dentro da mansão e logo o Howlett encontrou Claire e Laura no corredor dos dormitórios.
—Achei que o senhor tinha esquecido. –Laura parecia um pouco preocupada, como sempre que as coisas envolviam a namorada.
—Na verdade, tive que lidar com um imprevisto. –Logan hesitou antes de resumir a questão. –Rebecca parece ter percebido que o relacionamento dela com o irmão é tóxico e abusivo, então acabei conversando e dando conselhos para ela.
—Isso não costuma ser função da tia Emma? –Claire olhava para o sogro em dúvida.
—É, eu falei isso para ela, só que a garota não parecia muito confiante de fazer isso, então aconselhei que Rebecca se afaste do irmão, procure novas companhias e faça alguma atividade instrutiva. –As duas garotas encararam o homem, surpresas. –O que foi?
—Não, é que seu conselho foi bom. Digno da madrinha, se quer saber. –Claire era direta.
—Estou convivendo demais com ela? –Logan parecia preocupado.
—Talvez, mas tem suas vantagens. –A loira se esticou. –Vamos resolver o presente do James?
Logan concordou e os três seguiram até a porta do quarto do rapaz.
—Não é estranho que meu irmão mais velho e o seu irmão mais novo tenham o mesmo nome? –Laura comentou.
—Você já não me fez essa mesma pergunta antes?
—Acho que sim. –A morena deu de ombros. –É que isso às vezes soa como uma piada malfeita.
—É uma coincidência. –Logan comentou. –Steve nomeou o Jay em homenagem ao Bucky e a mim, por isso James Logan. Já o seu irmão… James é um nome do meu passado, uma das poucas coisas que me acompanha até hoje.
—E o Carter? –Claire ficou curiosa.
—Alguém da família da mãe dele. –Logan abriu a porta e encontrou o filho pronto para sair. –Bem na hora.
—O que houve? –James observou o trio entrar no seu quarto.
Laura ficou perto da porta enquanto seu pai seguiu para uma das poltronas com Claire ao seu lado.
—Vim te dar o seu presente. –Logan foi ao ponto.
—Eu não preciso de nada pai.
—Eu sei, não tem nada que eu possa te dar que você realmente queira, então eu pensei em algo mais específico. –Ele apontou para a Claire. –Por isso eu preciso da ajuda dela.
A loira deu um passo à frente.
—O tio me pediu para transferir para ele todo o cansaço e estresse acumulado no seu corpo por conta da sua mutação secundária.
—O quê? –James encarou os três, que permaneciam calmos. –Não, isso…
—Calma. –Logan segurou o ombro do filho. –Eu te conheço, sei como suas mutações funcionam e, mais importante, quero que você aproveite o dia de hoje.
—Mas a Claire…
—Ela vai ser só o cabo de transferência, foi o que combinamos e a Laura tá ali de testemunha. –A morena confirmou quando o pai mencionou seu nome, então Logan suspirou. –Eu sou um pai horrível na maior parte do tempo, mal consegui ajudar a te criar e sei que não facilitei sua vida com sua mutação secundária.
—Pai, isso…
—É a verdade. Sua mutação secundária reage aos movimentos do seu corpo e você é um guerreiro. –O homem parecia triste. –Eu sei que tem mais motivos para você não gostar da sua mutação secundária além do fato de que quando você está cansado ela reage até quando você anda, mas sei que você tem pelo menos um gosto em comum com a Christine e a Laura.
—Vocês amam dançar. –Claire resmungou. –E ainda são bons demais nisso. –Aquilo fez James rir, já que a amiga sempre ficava ranzinza com aquele fato. –Não tem graça.
—Tem sim. –O rapaz confirmou enquanto Laura disfarçava.
—Deixando de lado essa questão… –Logan interrompeu antes que uma discussão começasse. –Você merece aproveitar a festa de hoje, por isso eu pedi para a Claire me fazer esse favor.
James encarou a amiga.
—Você não vai ficar cansada?
—Eu tenho quase duas horas para me reestabelecer, mas preciso só de uma.
—E você, pai?
—Eu não preciso me divertir hoje. –Logan encarou o filho. –Claire também vai transferir qualquer cansaço ou estresse que se acumule durante a festa depois, para que você possa aproveitar o presente antes e depois. –James pareceu prestes a questionar aquilo. –Isso não está aberto a negociações. É o meu presente e Emma aprovou.
—Minha mãe concordou? –O mais velho confirmou, o que pareceu fazer o rapaz se acalmar. –Tudo bem. –Ele encarou Claire. –Sobre a minha mutação secundária…
—Não tem problema. –A garota o cortou. –Eu nunca vi de verdade, também não preciso saber o que é. Quando eu começar, vou conseguir entender o básico de como ela funciona e é isso que preciso para saber o que transferir para o tio.
James concordou e puxou a cadeira da escrivaninha, sentando ao lado de Logan, os dois de frente para Claire, sentada na cama.
A loira segurou o braço de cada um com uma mão e começou com o amigo, sentindo o cansaço e o estresse que se acumulavam ali de forma irregular pela falta de uso da mutação secundária. Era um tipo de energia, ela não entendia muito bem qual, mas era gerada naturalmente pelo corpo de James conforme o rapaz se movia, como se cada músculo fosse um gerador capaz de abastecer o corpo dele com toneladas daquele poder que ele segurava em seu interior.
Emma entrou no quarto fechando a porta no mesmo momento que Claire encarou Logan.
—Não vai ser tão simples como eu pensei, tio.
—O que vai mudar?
—Vai doer pra cacete.
—Em mim?
—Muito mais do que em mim, com certeza.
—Manda bala.
E antes que James ou Laura pudessem protestar, Claire fez.
Ela puxou o cansaço e o estresse do corpo de James, junto com parte da energia acumulada no corpo dele e transferiu para o corpo de Logan. O Carcaju se manteve firme calado, mordendo o lábio e contendo qualquer reclamação diante do tamanho da carga que era transferido. A loira por outro lado não precisava manter a imagem de forte que usava nas missões ou em público e gritou, a dor de ser o cabo condutor daquela energia assustadora fazendo seus ossos e músculos ferverem.
Mais tarde, quando questionada, Claire assumiria, sem nenhum medo, que aquilo doeu muito mais do que pular dentro do maldito reator nuclear, o que a faria questionar: qual diabos era a mutação de seu amigo?
Levou cerca de cinco minutos para que a transferência terminasse e assim que a Rogers soltou as mãos dos dois homens, Laura a amparou preocupada, gesto seguido por Emma com Logan.
—Meu Deus. Vocês estão soltando fumaça. –Foi Emma quem resumiu a questão enquanto James ainda ofegava e Laura puxava a namorada para o meio da cama.
—Eu… –O rapaz engoliu em seco e sorriu, emocionado. –Eu consigo respirar.
Lágrimas caiam como um rio dos olhos de James, o que fez todos o encararem.
—O que você tá…? –A frase da morena morreu quando viu o irmão sorrir.
—Não dói. –Ele tocava o próprio peito enquanto inspirava fundo.
Logan se afastou de Emma, fazendo um esforço imenso para abraçar o filho.
—Eu sinto muito garoto.
Laura queria perguntar para o pai o que tinha acontecido, queria saber porque James estava tão feliz de respirar e tantas outras coisas, mas o olhar de Emma indicou que ela ajudasse Claire a ir descansar e foi o que ela fez.
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—Energia?
Claire encarou Christine e assentiu.
Ela e Laura ocuparam uma biblioteca e a morena providenciou toneladas de comida, com a ajuda de Aisha, Derek, Charlie e Andrew, enquanto Christine vigiava o lugar para ninguém aparecer. Claire dormiu por mais de uma hora antes de acordar faminta e explicar o que tinha acontecido aos demais.
—Isso. Os músculos de James geram algum tipo de energia a cada movimento que ele faz, incluindo respirar, mas como ele não dispersa essa energia, isso se acumula no corpo dele, causando estresse, cansaço e muita dor. –A explicação a Rogers foi curta e precisa.
—Ninguém nunca explicou para ele que poderes com base na geração de energia precisam ser descarregados todos os dias de alguma forma? –Todos encararam Aisha surpresos. –Meus poderes são baseados em energia, é claro que eu sei sobre isso.
—Sim, só que seus poderes são diferentes. –Claire comentou.
—Verdade. Eu manifesto a minha mutação como se fosse meu corpo, parecido com o Andrew e o Bob, o que pode ser considerado como categoria Elemental de poderes. –Todos estavam realmente surpresos. –O quê?
—Existem outras classificações? –Foi Charlie quem fez a pergunta.
—Não oficialmente, afinal é difícil determinar e mesmo Elemental é mais uma forma de explicar do que classificar. –Aisha notou o olhar de todos em uma única pergunta. –A Amara, por exemplo, eu não sei se os poderes dela se manifestam como os do Andy, mas como ela pode pular dentro de um vulcão e não morrer, dá para supor que sim. É diferente da minha mãe, que não vira uma tempestade, canaliza ou se mistura com as nuvens, isso faz dela uma Controladora.
—Como nosso pai e a Lorna, não é? –Derek parecia realmente interessado.
—Isso. –Aisha parou para pensar. –Também tem o caso da Valéria, que é mais parecido com o do James. –Todos a olharam confusos. –Viagem diplomática para a Latvéria ano passado, longa história. O que interessa é que Valéria também tem eletrocinese, só que diferente de mim ela não vira eletricidade, mas gera a energia no interior do seu corpo, não sei como, e o dispersa diariamente. Inclusive, segundo ela, os ensinamentos em magia do Von Doom fez com que a quantidade de poder que ela pode gerar e manipular crescer de forma assustadora, então ela abastece o castelo com parte do poder dela de tempos em tempos. Ou diariamente se preferir.
—Ah. –Todos olharam para Andrew. –Isso explica porque o consumo de energia pública da Shield caiu desde que ela chegou e o Mack pediu para eu liberar mais verba para novas baterias de emergência. Vou conversar com a Hill depois.
—Então, considerando que são casos parecidos, meu irmão e Valéria geram energia dentro de seus corpos para ativar e suprir suas mutações, só que eles supostamente produzem mais energia do que o necessário e isso acumula no corpo deles. –Laura encarou Aisha e Claire, que assentiram. –E quando essa energia excessiva não é descarregada, isso os deixa com dor?
—Pense nessa energia como agulhas e facas pressionando seus órgãos e, com o passar do tempo, sendo giradas dentro da sua carne, todas ao mesmo tempo. –Claire foi bem explícita. –Eu acho que não cheguei nem perto de conseguir explicar o nível de dor que o James sente normalmente.
—Isso me lembra… –Christine chamou a atenção de todos. –Ele despertou a mutação secundária bem novo.
—Quantos anos ele tinha? –Derek parecia ansioso.
—Acho que uns doze, talvez menos. –Ela olhou para Claire que concordou. –Ele nunca foi muito bonzinho nos treinos, ficou bem pior depois disso.
—Verdade. Acho que ele ganhou o apelido de “Carrasco do Inferno” algum tempo depois. –Andrew fez uma careta. –Quer dizer que, pelo menos, cinquenta por cento do mau humor dele vem do excesso de dor que ele sente todos os dias?
—É possível, afinal nenhum de nós tem uma mutação que cause dor a cada segundo de cada dia até para respirar, o que deve ser uma tortura. –Chris fez uma careta. –Não deve melhorar que a única pessoa capaz de fazer ele se sentir acolhido seja a Helena.
—Nem me fale. –Laura resmungou.
—Então ele é bem mais forte do que nós pensamos. –Todos encararam Charlie. –Eu achei que o fato dele conter a mutação secundária enquanto lutava com a gente o fazia forte, mas ele também estava em agonia durante todo o tempo.
—É. Até mesmo quando ele faz o treino especial dos alunos. –Derek parou para pensar. –Acho que o James poderia realmente matar o Logan, o tio Victor e o nosso pai se não estiver sentindo tanta dor.
—Isso com os três lutando juntos contra ele. –Charlie parecia inconformada, mas Derek concordou com a irmã.
Os mais velhos não falaram nada, porque a ideia era assustadora demais para ser proferida em voz alta, mas eles também sabiam que as duas crianças estavam certas: James na verdade era muito mais poderoso e capaz do que todos já reconheciam.
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Rebecca não sabia muito bem o que fazer depois da conversa com Logan.
Pensar em se afastar de Ollie era complicado, afinal eles não apenas cresceram juntos, ainda que completamente opostos em muitas coisas, como eram a única família que tinham desde que a mãe foi embora depois da morte do pai, um assunto delicado para ambos.
O problema é que o professor havia aberto a mente dela para aquela questão da forma como seu relacionamento com o irmão funcionava.
Em defesa própria, ela e Oliver se isolaram tanto em sua busca desesperada por não perderem o que sobrou de sua família, que achavam normal irmãos se tratarem com violência, mesmo com exemplos do contrário ao seu redor. Talvez mesmo aquela violência não viesse de algo entre eles, mas da raiva que sentiam por serem abandonados e isso a garota reconhecia: odiava a mãe por não ficar ao seu lado quando mais precisavam.
Não apenas isso, ela odiava Vampira tanto quanto odiava as pessoas que a comparavam com os pais ou que esperavam que ela fosse uma X-Woman, algo que a garota abominava, mesmo que nem o irmão soubesse disso.
Talvez por isso ela tomou uma parte do conselho de Logan como uma ordem e procurou Ororo para se inscrever nos cursos do professor e Christine. Ela podia lidar com mecânica e literatura, só não precisava de outra coisa estranha em sua vida como magia e Rebecca sabia que tinha tomado essa decisão sem considerar que a professora era Alexis (que também dava aulas sobre física como substituta).
Depois de tudo isso, se sentindo mental e emocionalmente exausta antes mesmo da festa começar, a garota tinha sérias dúvidas que sairia de onde estava apenas para poder ir até os demais. Sua vontade era continuar naquela biblioteca pelo resto da vida, só para não precisar pensar nos seus problemas, mas ela sabia que não importava quantas pequenas bibliotecas aquela escola tinha para estudos ou passatempo, ela nunca tinha sorte.
Isso se confirmou no momento em que a porta abriu e o garoto de cabelos escuros entrou parecendo procurar algo e ela reparou nele.
Alto, cabelos negros, um pouco magro e com olhos de duas cores.
—Ah, não sabia que tinha alguém usando esse espaço. –Ele sorriu para ela dê uma forma estranha. –Eu estava pensando em ficar em um espaço tranquilo antes da festa começar, só estou tendo problemas para achar um lugar vazio.
Rebecca achou um pouco estranho, já que nem todos levantavam cedo de sábado e aquela semana foi anormal, mesmo assim, o que diria? Para ele sair e ir para outro lugar?
—Ah, isso pode acontecer. –E não era mentira, normalmente as salas ficavam lotadas de alunos tentando terminar seus deveres de última hora no período da tarde.
—Seria um problema se eu ficasse aqui um pouco? Juro que faço silêncio. –A garota deu de ombros e voltou a deitar no sofá em que estava. –Valeu. Eu sou Conner.
Ela assentiu e observou o garoto deitar no outro sofá logo a sua frente, tomando nota de mais detalhes sobre ele.
Conner usava uma calça com cós de elástico, o que era bem óbvio já que ele abriu a camisa de estampa havaiana quando deitou, o que também a fez com que Rebecca encarasse os músculos do abdômen dele e, para um cara magro, o garoto tinha músculos muito definidos.
Olhando para ele, a LeBeau se perguntou se todas as pessoas eram estranhas daquele jeito ou se Conner era uma exceção, o que a fez se lembrar de Tristan e a forma como ele agiu com ela no dia anterior. O garoto à sua frente era parecido, agindo como queria, mesmo que soasse educado ela sabia que ele teria ficado ali, porque era o que tinha decido quando abriu a porta.
O mais estranho, apesar disso, era que Rebecca não se sentia intimidada com a atitude dele, assim como não se sentiu realmente intimidada com Tristan. Embora ambas fossem essencialmente diferentes, as sensações também eram parecidas, lhe deixando em choque, confusa e curiosa.
Sem saber bem o que fazer, a garota sentou no sofá e continuou a encarar Conner, agora tentando se lembrar de onde sua figura era familiar. Demorou mais do que ela esperava, mas logo Rebecca conseguiu juntar as peças em sua cabeça: ele era Conner Banner, irmão da única pessoa que conseguia realmente despertar o ódio mais profundo até mesmo nos adultos (uma posição que a LeBeau nunca invejou apesar de alguns duvidarem).
—É feio ficar encarando. –Ele abriu os olhos e sorriu travesso. –Apreciando a vista? –Seus dedos deslizaram pelo seu tronco, o que fez a garota corar.
—Se você não quer que estranhos encarem, não deveria se expor desse jeito. –De alguma forma Rebecca conseguiu soar rabugenta o suficiente para esconder seu interesse, ou esse era o plano.
—Bom, não é como se eu ligasse para isso, gosto da atenção quando acho a pessoa interessante. –Ele notou a cara de espanto dela e sorriu se divertindo. –Quer tocar?
—Como é?
—Quer tocar para saber qual é a sensação?
—Eu não acho que sua namorada vá gostar disso. –Sim, ela tinha uma vaga ideia de que caras como ele em geral tinham namoradas, especialmente pelo excesso de confiança.
—Eu não tenho uma namorada, ainda. –Conner levantou tirando a camisa e virando de costas, mostrando mais músculos definidos. –Mas se quiser pode tocar aqui também.
Rebecca reuniu todas as forças que tinha, levantou do sofá e foi até a porta, ignorando sua vontade de fazer exatamente o que o Banner dizia.
—Até outra hora… –Sua despedida foi interrompida quando Conner parou ao seu lado antes dela tocar a maçaneta.
—Sabe, eu não estou sendo leviano sobre isso. –Ela o encarou surpresa. –Quando digo que alguém pode me tocar é porque é sério.
—Você tem algum parafuso a menos?
—Provavelmente, isso é um problema?
Ela o observou por mais algum tempo, parado ali ao seu lado sem hesitar ou recuar, sem camisa e completamente calmo.
Rebecca pensou em como a maior parte dos garotos a evitava, às vezes por causa de Ollie e outras por acharem que ela seria má com eles, mesmo quando tudo que queria era que um deles a chamasse para andar no jardim. Claro que tinha sua obsessão com Nathan, mas todas as garotas do Instituto tinham uma obsessão por ele (e alguns garotos também).
Ninguém além de Tristan havia se importado com ela até então para chegar mais perto sem ligar para o que ela queria, assim como ninguém havia sido tão maluco como Conner para ver ela como uma garota curiosa e, talvez mais importante, apenas uma garota.
Foi sem perceber que Rebecca engoliu em seco e ergueu a mão na direção do garoto, que a olhava de uma forma curiosa, com um misto de carinho e algo que ela não sabia identificar. A ponta de seus dedos tocou o abdômen de Conner, que sorriu, parecendo satisfeito com algo muito mais importante que uma curiosidade. Com a ponta dos dedos, ela traçou as linhas dos músculos abdominais do garoto enquanto mordia o lábio inferior sem perceber, o que fazia o sorriso dele se alargar de prazer.
Conner então tocou a mão dela, que se assustou.
—Sabe, você pode usar a palma da sua mãos para tocar. –Ele gentilmente espalmou a mão dela sobre sua barriga e a guiou pelo primeiro conjunto de músculos. –A sensação é diferente de quando se usa só a ponta dos dedos. –Havia uma conotação única e atraente na voz dele, que causou arrepios no corpo de Rebecca que o encarava. –Você sabia que a palma da mão recebe e envia muito mais estímulos do que apenas a ponta dos dedos nesse caso?
A garota tentou falar algo, mas não fazia ideia do que dizer.
Não seria inteligente dizer que ela, com certeza, estava sentindo muito mais do que antes ou que ela queria continuar a tocar a pele dele ou que estava se sentindo excitada.
Por fim Rebecca apenas continuou a deslizar sua mão pelo tronco de Conner e observar a forma como ele reagia a isso, às vezes mordendo o lábio, outras suspirando ou a encarando como uma presa a ser caçada, o que lhe causava ainda mais arrepios. Por isso ela perdeu a noção de tempo e quando o garoto tocou seu rosto ficou surpresa.
—O que foi? –Deixou escapar.
—É que eu acho que temos que ir para uma festa. –Ela ficou confusa por um momento, o que fez Conner rir. –Você é realmente interessante.
Não teve um pedido, ele apenas a beijou.
Rebecca não saberia dizer porque deixou que o beijo acontecesse, já que teve tempo de recuar. Mais tarde talvez respondesse que foi porque Conner a deixou tão à vontade para tocar nele ou porque estava curiosa sobre como era ser beijada por um garoto, especialmente um que parecia querer fazer aquilo. Talvez até dissesse que teve um surto temporário de loucura, o que não seria uma mentira de verdade.
Ela deixou ele a prensar contra a porta enquanto a língua dele invadia sua boca e a mão de Conner segurava sua nuca, como uma forma de controle e também de carinho com os dedos esfregando seu couro cabeludo. Rebecca não se importou quando ele a puxou do chão e a fez enlaçar suas pernas em torno da cintura dele ou quando a mão dele repousou na sua coxa sem nenhuma hesitação.
Nada disso importou para Rebecca, porque nada disso parecia um problema com o qual teria que lidar ou maior do que o que tinha antes, ela apenas se sentiu um pouco frustrada quando Conner se afastou sorrindo.
—Eu te vejo por aí, Becky. –E quando o garoto saiu, ela se deu conta de que ele sabia quem ela era.
Aquilo fez o coração da LeBeau bater em falso.
Ela lembrou da forma como Tristan havia falado com ela, aquele tom tão parecido com o que Conner usará ali.
Dois garotos com os quais nunca conversou na vida e que provavelmente reprovavam tudo que ela fazia, então como que de uma hora para outra um deles lhe deu uma bronca, conselhos e um aviso confuso, enquanto o outro literalmente flertou da forma mais descarada do mundo com ela? Especialmente que foram duas vezes em dois dias.
Afinal, o que estava acontecendo?
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Tristan estava se sentindo um pouco frustrado e impotente, mesmo que Conner tivesse explicado mais de uma vez porque tinham que fazer aquilo devagar com Rebecca e o quão importante era que cada um pudesse ter um momento com a garota. Para começo de conversa, eles tinham que ter certeza de que ambos se sentiam da mesma forma sobre ela e depois ainda tinham que ver se ela se sentia da mesma forma sobre eles, só depois teriam que ver como ela reagiria a outra parte daquela história.
O Stark bufou irritado e voltou a mexer no computador entediado.
—Você fica tão fofo irritadinho desse jeito. –E a voz irônica de Conner o trouxe de volta para a realidade.
—E aí, como foi? –É, ele estava ansioso.
—Eu acho que bem, afinal eu posso ser muito convincente.
—Claro, então você ficou nu na frente dela e vocês transaram? –Tristan foi seco.
—Não querido, nem todos caem com as mesmas coisas e, em minha defesa, nossa química já rolava a um bom tempo antes de eu fazer isso. –Não houve reclamação sobre aquilo. –Ainda assim, eu deixei a camisa aberta e disse que ela poderia tocar se quisesse.
—Que sútil.
—Funcionou e eu ainda beijei ela. –Ele notou o olhar de espanto do outro garoto. –Não faça essa cara, é você que gosta de provocar sem provar. –Conner se aproximou do Stark perigosamente.
—Ela não estranhou?
Tristan odiava quando Conner agia daquela forma, cheia de intenções nada escondidas quando não poderiam fazer nada.
—Ah, ela disse que minha namorada não aprovaria, mas eu disse que não tenho uma namorada. –O Banner deslizou a mão por baixo da coxa do Stark e se aproximou mais. –Seria diferente se ela tivesse perguntado por um namorado ou por um relacionamento, nesse caso eu teria que ser sincero, não é?
—Certo. –A resposta baixa e hesitante fez Conner beijar Tristan de forma lenta e provocativa, o que causou arrepios de excitação no Stark e um resmungo inconformado quando o Banner se afastou. –Você é cruel.
O outro riu.
—Não sou. Cruel é a gente ter que ir devagar com a Rebecca quando eu já sei que quero foder com ela.
—Você sabe que ela muito provavelmente é virgem, não é? Tipo, completamente virgem em todos os aspectos.
—E isso não torna as coisas ainda mais interessantes? –Conner notou o olhar confuso de Tristan. –Vamos ser os primeiros em tudo, até em coisas que ela nem imagina que existem ou, se imagina, nunca pensou que realmente faria. –Ele se espreguiçou parecendo animado. –Só que por hora a gente tem que ir com calma, já que ela ainda é um coelhinho fofo.
—Você diz isso como se fosse certo que ela vai gostar de nós dois e ainda aceitar o que estamos pensando em propor, o que não é verdade.
—É sim.
—E como pode ter tanta certeza sobre isso?
Conner sorriu de forma detestavelmente confiante e arrogante.
—Você adora pessoas quebradas e problemáticas, monstros sob uma forma humana, enquanto eu adoro animais fofos que são verdadeiras feras em uma cama, especialmente quando eles parecem tão normais por fora.
Tristan bufou irritado por saber que ele tinha razão e parou.
—E a Rebecca? O que ela quer?
O sorriso do Banner se tornou menos arrogante e mais carinhoso, algo que o Stark duvidava que muitas pessoas entenderiam.
—Ela quer algo que nós dois estamos dispostos a dar para ela sem hesitar. –Conner se afastou, começando a se alinhar para a festa. –Becky quer uma família que a aceite e não a abandone. –Ele riu seco, enquanto Tristan esperava a continuação. –Ironicamente, esse é o maior desejo do Skaar.
—Bom saber.
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Quando a porta do escritório de Emma abriu, ela não estranhou que Alexis e Nathan estivessem juntos, especialmente porque Nikolai estava ali e Ororo ficou de contar para a irmã dele sobre o que tinha acontecido. Era perfeitamente esperado que a garota estivesse se culpando, como se tudo de errado fosse sua culpa, já que essa era a natureza única dela: se responsabilizar por coisas que muitas vezes não tinham relação alguma com suas habilidades.
—Eu sinto muito Nik. –E ali estava, conforme a Frost previu. –Eu…
Foi um pouco surpreendente, mas Nikolai afastou a irmã e a encarou, sério.
—Não foi sua culpa. –Alexis tentou responder. –Não! –O garoto foi imperativo, o que chamou a atenção de todos. –Todos saímos de controle e ninguém pareceu perceber que era um efeito cascata, não é porque você foi a mais afetada diretamente que algo muda isso ou te torna responsável.
—Ele tem razão. –A garota encarou Emma. –Eu tinha algumas suspeitas, porém não entendo dessa parte mística como outros, por isso não me meti, então a possibilidade de que tenhamos visto as coisas por um ângulo errado só veio com o comentário da Jean.
—Como é? –Nate se manifestou pela primeira vez. –Ah, desculpe.
—Não, isso foi chocante para os outros também. –A Frost indicou a cadeira para Alexandra, que sentou. –Aparentemente, você e Nikolai não são o mesmo tipo de demônio, talvez por algo que Illyana nunca me contou sobre seu pai, embora ela tenha me jurado que vocês são filhos da mesma pessoa.
—Isso poderia indicar que ele é de outro inferno? –Alexis lembrou da conversa que teve com Ur. –Isso também indicaria que somos menos humanos do que imaginamos. –A expressão de Emma a fez recuar. –Conversei com a filha do Loki, você pode ver.
—Veja a minha também, eu estava junto e conversei com ela. –Nathan comentou.
Cinco minutos depois a telepata suspirou cansada.
—Bom, eu vou ter muito o que conversar com o Stephen, a Hill e talvez com a Wanda sobre esses detalhes, mas vou começar com a Ororo. –Ela encarou a Rasputin. –E, por favor, aceite a ajuda da filha do Loki sobre o estudo de linhagem e veja se ela concorda em fazer o mesmo com o Nikolai e a Tália, será muito útil termos mais informações depois de tudo.
—A senhora tem certeza que a minha condição não ajudou a causar nenhum desses problemas? –E como sempre Alexis se sentia responsável por tudo de errado que envolvia demônios.
—Eu não sei, mesmo assim acredito que não. –Emma notou a forma como Nate parecia dizer “sério?”, mas ignorou. –O que eu sei é que Tália teve sede, só que ela estava a poucos quilômetros de você, já o Nik estava na ponta oposta do país, em todos os sentidos e, pela memória que resgatamos, ele não sentiu nada sobre você por dias.
—Talvez eu tenha negligenciado Baltazar por muito tempo. –Todos encararam o garoto. –Todos sabemos que demônios têm necessidades, agora sabemos que tem desejos por coisas específicas e… Bom, eu nunca fui muito de dar ouvidos a qualquer coisa sobre Baltazar, talvez eu devesse ter prestado mais atenção no que ele queria, mesmo que para dar só uma parte.
Houve um pequeno momento de silêncio em que os irmãos pareceram assimilar algo, até que a vice-diretora tomasse a frente.
—Acho que todos nós aprendemos algo sobre os demônios de vocês, então vamos tentar não nos esquecer disso. –Emma encarou Alexis e depois os garotos. –Me deixem a sós com ela por um momento. –Os dois concordaram e saíram, deixando as duas loiras sozinhas. –Depois de dizer isso, foi irresponsável da sua parte ignorar o aviso da Ur, mas eu considero aceitável e dentro do esperado.
—Sobre isso eu…
—Eu não terminei. –Alexandra ficou surpresa, já que a Frost raramente agia daquela forma. –É aceitável porque eu entendo que o seu demônio quer o Nathan, o que nem deveria ser uma novidade a essa altura, então já decidi preparar Jean para qualquer desdobramento nesse sentido.
—O que a senhora…?
—Eu espero que depois de tudo que aconteceu essa semana, tudo que aprendemos sobre a parte demoníaca de vocês e como pode ser problemático não dar para eles o que desejam, eu não precise te explicar o básico. –Emma lançou um olhar penetrante sobre a garota, que encolheu um pouco na cadeira. –Você é uma das minhas crianças mais inteligentes, sei que entende o quanto isso é simples, especialmente quando ele não se opõe.
—Eu não sei se posso. –A voz de Alexis era um sussurro, mas a Frost ouviu.
—Então eu sugiro que você pense se vale a pena continuar com isso até que chegue ao ponto em que James e Helena estão. –Ela notou o olhar da garota. –Ah, você não sabe, não é? –Alexandra negou. –James parece que cansou de ser um brinquedo nas mãos dela, ou algo do tipo, eu não perguntei e nem sei se quero saber. Só sei que ele parou de responder às ligações dela e Helena já me ligou três vezes desde então, apesar de que seu irmão tem estado um pouco estressado por causa da mãe dele.
—Ele vai encontrá-la? –Havia uma nota de preocupação na voz da garota.
—Vai. –Emma levantou e se se aproximou de Alexis se ajoelhando na frente dela. –Deixe os problemas dele de lado, foque em você e converse com o Nathan.
—Isso… –A garota não conseguia falar, havia algo que a impedia e fechava sua garganta.
A mais velha segurou a mão de Alexandra e a olhou com calma.
—Você foi uma das minhas crianças que menos me deu trabalho, porque sempre tomou a responsabilidade para si mesma e isso sempre me incomodou. –Ela pode ver surpresa no olhar da Rasputin. –Eu sei que muitos pais ficam eufóricos quando seus filhos começam a pegar responsabilidades, mas com você… Sempre me pareceu que era como se você estivesse se forçando a algo, para ser aceita e… –Emma tocou o rosto da mais nova fazendo um carinho em sua bochecha. –E você não precisa disso meu amor. Não por ser linda por fora e sim porque você é tão mais linda por dentro, tão leal e amorosa, sempre preocupada com o bem estar dos outros antes do seu, sempre negligenciando o que mais quer pelo que os outros vão pensar. –Ela notou a culpa nos olhos de Alexis. –Negar a você mesma o que quer, quando isso está sendo oferecido com tanta clareza é o pior crime que alguém pode cometer e, acredite quando eu digo, se você der carta branca para o Nate… Tenho certeza que em menos de um ano Jean será avó.
—Emma! –Uma nota de censura ecoou alto pela sala e Alexandra ficou vermelha.
—Não estou mentindo. –A mulher se levantou. –Nathan é louco para colocar um anel de casamento no seu dedo e você sabe disso, afinal ele não é exatamente o que chamamos de discreto sobre o assunto enquanto telepata. –A garota se manteve calada enquanto Emma voltava a sentar na sua cadeira. –Pode ir.
Alexis assentiu e saiu pela porta, dando passagem para Nikolai, que voltou a sentar na mesma cadeira de antes.
—A senhora estava tentando ajudar ou só provocar? –Ela o encarou e o garoto deu de ombros. –Eu usei meus sentidos demoníacos para espiar e acho que Nate fez o mesmo.
—Ajudar, por quê?
—Acha que isso vai mesmo ser útil?
—Quem sabe? –O Nikolai lançou um olhar de dúvida e a Frost o encarou séria. –Ao contrário das lendas, eu não sei de tudo o que vai acontecer, só procuro saber tudo que está acontecendo. O que me lembra… –Ela entregou uma pasta para o garoto. –Hill quer que leia isso e vá fazer mais exames com Hank.
—Posso saber o que é antes de abrir?
—As fichas das garotas, para você também ter informação. –Ela notou o olhar culpado dele. –Sabe, meu conselho para a sua irmã, também vale para você e a garota Parker, inclusive foi você que falou sobre atender aos desejos do Baltazar, pelo menos em parte.
—Mas o que eu vou fazer sobre isso? –Ele apontou a pasta. –Como eu falo com ela depois de toda essa confusão?
—Comece contando o que aconteceu. –Havia choque no olhar dele. –Se você gosta dela e quer fazer isso dar certo, me faça o favor de ser sincero com a garota e falar a verdade. Não ferre com tudo guardando segredos.
—Isso vindo da senhora é estranho. –Foi um resmungo, só que a mulher ouviu. –Tia, eu…
—Eu fui criada em uma família errada. –Havia fogo nos olhos de Emma, então ela se transformou em diamante. –Meu pai era um canalha que traia minha mãe com cada mulher que via e exigia moralidade dos filhos, ele não gostava do fato de Christian ser “afeminado”, nas palavras dele, e eu era burra demais para proteger meu irmão. Minha irmã mais velha se tornou pior do que ele e sua tentativa de me destruir matou uma criança, então eu a matei, porque achei que não havia outra forma de resolver aquilo. –Mesmo sob a forma de pedra, Nikolai podia sentir o quanto aquilo mexia com sua mãe adotiva. –Vocês podem não ser meus filhos de sangue, podem não ter tido uma família normal, mas eu sei e garanti que fossem criados de uma forma muito melhor do que eu. Então me desculpe se estou guardando segredos para proteger cada um de vocês ou quer ir até Christine e contar quem é o pai dela depois dessa semana infernal?
—Não, eu ouvi a história. –O garoto sussurrou se sentindo um idiota. –Sinto muito.
Emma respirou fundo.
—Eu sei que não parece, porém eu aprendi a apreciar a sinceridade, ainda que não possa executá-la com muita frequência.
—Eu entendo, é a sua função fazer as coisas mais difíceis.
—Vá ver o Hank.
Nikolai assentiu e saiu da sala um tanto cabisbaixo.
Já a loira ficou alguns minutos encarando o céu pela janela.
—Problemas? –A voz grave e levemente rouca ecoou pela sala, Emma não se assustou.
Ela encarou a figura encapuzada à frente da sua mesa.
—Eu pensei que o combinado era não nos encontrarmos a menos que fosse extremamente necessário.
—Sim, mas trouxe um recado de Illyana e para dizer que precisamos nos reunir em breve.
—Quando?
A figura encapuzada hesitou.
—Acho que todos têm preparativos para fazer antes de podermos marcar, me avise quando tiver sua agenda limpa.
—E o recado?
—Illyana disse que o Limbo inteiro tremeu sem parar a semana quase toda e que da última vez que isso aconteceu, Nikolai nasceu.
Emma fez uma careta aparente mesmo sob a forma de diamante e soltou um xingamento.
—Mais alguma bomba?
—Não, mas é bom não ficar surpresa se as coisas começarem a acontecer essa semana.
—Por que essa semana?
—O Limbo não tremeu?
—Ah. –A loira encarou a figura à sua frente e suspirou. –Mesmo assim, por que veio?
—Queria ver algo por mim e como Illyana não podia vir, essa foi uma ótima desculpa.
—Não vão notar a sua ausência?
—Não, eu estava com algumas horas livres. –A figura começou a se dissolver. –Nos vemos em breve.
Emma voltou a encarar o céu por alguns instantes antes de voltar sua atenção a mais relatórios de fim de semana.
—Ainda bem que eu tirei uma folga antes disso. –Resmungou lembrando que teria que agradecer a Ororo por isso.
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Continua...
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No próximo capítulo: Party.
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