Marvel Universe: All Different World
60 Capítulo LX: Nicolai.
Notas iniciais
13 de Outubro
Assim que James voltou para o quarto deu de cara com Helena.
—Você está bem?
—Só cansado, foi uma noite longa. –Ele tentou soar calmo, mesmo que não estivesse. –Não vai descansar também?
A garota hesitou.
—Pensei que poderíamos conversar. –O Howlett suspirou. –Sei que talvez não seja uma boa hora, mas eu queria me desculpar sobre a outra noite.
Ele hesitou, fechando o punho e depois abrindo.
—Tudo bem, eu entendi.
James trocou de roupa sem ligar ou fazer brincadeiras com Helena, que continuava esperando pela sua atenção.
—Você ainda está bravo?
Ele a encarou por um momento e um suspiro cansado escapou.
—Olha Helena, pode não parecer, mas estou realmente exausto e, talvez o mais importante, tenho meus assuntos para lidar semana que vem. Então agora não é uma boa hora.
Ela o olhou parecendo confusa, desconfiada e ansiosa.
—Nós podemos conversar amanhã?
—Se você for vir na festa, sim.
—E depois também?
O Howlett parou a encarando.
Era fácil saber que Helena não queria falar sobre seu relacionamento ou qualquer outra coisa, assim como James sabia que até seu encontro com sua mãe seu humor ficaria cada vez pior.
Ele ainda estava machucado pelo que havia acontecido em seu último encontro, mas, no fundo, o rapaz sabia que precisava daquele fim de semana tanto quanto precisava conversar com a mulher que lhe deu a luz. Não seria bom de verdade, embora terrivelmente necessário, então ele não tinha por que negar.
James deitou na cama e puxou o cobertor.
—Tudo bem. –Ele apagou o abajur. –Nos vemos na festa. –E fechou os olhos.
A Strange observou pela luz que entrava pelo vão da cortina, que não haveria mais conversa.
Ela sabia que o rapaz estava cansado, e o fato dele nunca ter dispensado sua companhia, mesmo depois dos dias mais puxados, era algo que a assustava.
Helena sentia que estava perdendo James e sabia que a culpa era somente sua.
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May não ligou para Hill e Fury quando Andrew chegou acompanhado de Christine, aquilo não seria um problema, mas quase fez uma ligação quando Daisy chegou acompanhada.
A antiga OS da inumana tinha um pouco de receio sobre o homem, especialmente porque sabia o quanto sua aluna ficou ferida por anos.
Claro que uma investigação completa sobre o médico foi efetuada em questão de poucas horas e tudo sobre ele, a esposa falecida e os dois filhos foi levantado (junto com vários detalhes sobre os parentes deles), então Melinda já sabia que não havia nada preocupante sobre o homem.
Mesmo assim, a oriental se via um pouco como uma mãe para Daisy e uma avó para Andrew (embora ele fosse proibido de chamá-la assim), o que fazia a preocupação apenas ser maior em muitos momentos, especialmente quando isso podia causar efeitos inesperados na relação fraturada de mãe e filho.
May seguiu para onde sabia que os quatro se encontrariam, o refeitório, esperando para acompanhar como seria aquilo e, se necessário, intervir.
Christine já estava escalada para ajudar em alguns treinos, enquanto Andrew ficaria ligado à papelada do escritório de Hill, fazendo um controle de danos para situações menos urgentes (e que não exigissem que a Comandante perdesse mais horas de sono do que o normal).
Quando Daisy entrou no refeitório a atenção de todos foi para o homem negro que ela guiava pela mão. Melinda o reconheceu pela foto do arquivo, embora ele parecesse mais simpático ali, algo que a maioria das fotos de serviço podia estragar.
Andrew viu a mãe antes de Christine, o que era raro, mas naquele caso ele preferia, já que estava ansioso o suficiente.
Observou o homem negro ao lado de Daisy, cerca de trinta centímetros mais alto que a inumana. Ele era magro, embora visivelmente forte e em forma para alguém que devia ter no mínimo quarenta anos. Seu cabelo estava raspado e seus olhos chamavam atenção pela cor: um castanho e outro azul sob os óculos de armação transparente.
Quando Daisy parou ao lado do filho, o homem olhou para Andrew curioso e então sorriu.
—Você me disse que ele era extremamente parecido com o pai, eu acho que os olhos são seus. –Todos olharam para o homem, surpresos, já que Andy tinha olhos azuis. –Sabe, esse brilho que tem nos seus olhos e… –Ele hesitou. –Vamos concordar, ele tem totalmente a sua atitude, é até um pouco assustador vocês serem tão parecidos assim. Posso me sentir aliviado com isso?
A alguns metros, Melinda deixou uma risada baixa escapar.
Para a OS, o médico parecia ter algum trauma pela forma intimidante com que Tremor podia agir quando não se sentia à vontade. Ainda assim, ali estava ele, sem fazer esforço algum, dizendo o que pensava sobre sua pupila e, para todos os casos, May podia lidar com alguém como ele.
Daisy acabou rindo.
—Você é meio bobo às vezes Harvey. –Ela encarou o filho com um sorriso tenso. –Andrew, este é Harvey Braun, o homem de quem lhe falei ontem.
O inumano levantou e encarou o médico.
—Cirurgião ortopedista, não é? –Harvey assentiu. –Braun?
—Meu pai é filho de um alemão loiro de olhos azuis que literalmente largou tudo pela minha avó. –Uma risada escapou do homem. –Foi um baita de um escândalo na época. No bairro e nas famílias. –Andrew analisou Harvey com um olhar ligeiramente ameaçador, o que o fez encarar Daisy. –Falei algo errado?
—Minha mãe disse que gosta de você. –Andy chamou a atenção dos mais velhos. –Posso supor que você também gosta dela?
Harvey olhou confuso para mãe e filho.
—É claro.
—Nesse caso, tudo bem. –Andrew voltou a sentar e encarou o médico de forma relaxada. –Só que se você a machucar…
—Você vai me machucar mais, não é?
O garoto sorriu e olhou para a mãe.
—Ele é esperto, se continuar assim acho que não teremos nenhum tipo de problema.
—Realmente. –Todos olharam para May, surpresos. –E eu concordo com o aviso do seu filho, até porque, é o meu próprio aviso. –Ela estendeu a mão para o médico. –Melinda May, instrutora da Daisy. Ensinei noventa por cento do que ela sabe.
—Ela comentou sobre a senhora, fico feliz de conhecê-la pessoalmente.
—Vamos para o escritório agora, eu preciso conversar com a minha aluna e com você, doutor. –Ela encarou Andy e Chris. –Comportem-se durante o expediente.
Assim que os três sumiram em direção a sala que May usava, a Frost se espreguiçou.
—Sua mãe vai ficar bem?
—Acho que sim. –Ele encarou a namorada. –Está mesmo bem com essa história?
—Um pouco, ainda é estranho.
—Tem certeza?
A loira sorriu e se aproximou mais do namorado.
—Por enquanto tenho e isso vai ter que servir.
Andrew assentiu e ambos levantaram para trabalhar.
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Tristan estava um pouco irritado.
Seu pai e seu tio pediram para ele supervisionar se tudo estava certo para a festa do dia seguinte, quando o que o garoto realmente queria era passar algum tempo em paz com Conner. O Stark concordava com o outro garoto que o que eles tinham ainda não estava certo, o que ainda era melhor do que o que tinham antes e não poder aproveitar aquilo era frustrante.
Ele encarou as tendas montadas, mesas prontas e cadeiras a disposição para quem precisasse sentar depois de dançar, comer ou beber demais no sábado. As equipes já estavam terminando de arrumar tudo e o pessoal do buffet e bebidas chegaria no dia seguinte logo cedo para garantir que a comida começaria a ser servida a uma da tarde.
O Stark suspirou e confirmou com o pessoal da montagem que o trabalho estava finalizado, então ele teria, pelo menos, o final da tarde e à noite para passar um tempo com o Banner e suas piadas irritantes, o que podia ser divertido no final.
Tristan precisava avisar um dos responsáveis do Instituto que o trabalho estava concluído e que iria embora, por isso não se preocupou muito em conversar ou responder qualquer aluno. Ou era essa a sua intenção.
A garota bateu contra ele do nada e, para a infelicidade dele, o garoto logo atrás era o mais imbecil de todos.
—Se ferrou Stark! –Oliver LeBeau gritou atrapalhando outros alunos.
—Seu desgraçado… –Mas Tristan segurou o braço de Rebecca. –Me solta.
—Cala a boca. –O Stark estava irado. –Você se machucou. –Ele apontou para o braço da garota, de onde um corte grande vertia sangue. –Vamos para a enfermaria.
A garota engoliu em seco e não retrucou, porém não encontraram ninguém quando chegaram à enfermaria.
Tristan praguejou baixinho e saiu em busca dos itens que precisaria para fazer um curativo no braço de Rebecca, que ficou pressionando o machucado com um pano como o garoto orientou.
—Você já fez isso antes?
—Algumas vezes, não muitas. Eu me curo rápido por conta do soro que tomei há quatro anos, então faço mais em outras pessoas, como um treino para emergências ou na Mayday, que adora se arrebentar por aí. –O Stark não estava exatamente prestando atenção na LeBeau ou no que falava. –Maria e Jay às vezes precisam de curativos, mas raramente de pontos e os gêmeos Barton também tem uma versão de algum soro. –Ele bufou irritado. –Ainda não acredito que seu irmão te empurrou com tanta força daquele jeito e… –Ele encarou o braço da garota novamente e notou que o corte parecia bem menor do que antes. –E você tem o maldito fator de cura.
—Um pouco. –Ela parecia se sentir culpada. –Não funciona muito bem contra a força absurda da Claire ou os golpes esmagadores da Christine, mas dão pro gasto com coisas menores assim.
—Menores… –Tristan suspirou e encarou Rebecca. –Olha, não somos amigos e mal nos falamos em situações normais, então pode ignorar o que vou falar depois, só que um irmão que realmente se preocupa com você não faria o que Oliver fez mesmo sabendo que o machucado não vai ser grave. Posso afirmar isso, sou o irmão mais velho de uma garotinha quase dez anos mais nova do que eu.
—Ele não pretendia me machucar. –Ela repetiu como uma desculpa ensaiada
—É? Então por que ele não jogou uma almofada? –A garota pareceu irritada, mesmo não tendo como reclamar. –Sabe onde se machucou desse jeito? –Ela negou e o Stark puxou um prego de dentro da blusa, jogando sobre a maca. –Eu ia entregar isso para um dos professores, encontrei no gramado.
—Como? Estava no seu bolso, então… –Ela encarou Tristan. –Você se machucou.
—E agora você tá preocupada com isso?
—Não, é que… Ollie não fez por mal.
Tristan parou observando Rebecca com calma, fazia anos que ele não trocava mais do que duas palavras com ela, em geral “oi” e “tchau”. De alguma forma isso era irônico e cruel, o problema é que Rebecca era, na maior parte do tempo, insuportável demais para que qualquer pessoa se esforçasse para mais do que aquilo. O que provavelmente ajudava para que a dinâmica tóxica dela e do irmão entre si e com os outros continuasse a existir.
O mais irônico, no entanto, é que a garota era realmente bonita, com longos cabelos castanhos avermelhados e belos olhos verdes. Era óbvio, para qualquer um com olhos, que ela não se destacaria em meio a quantidade de outras garotas que a cercavam, especialmente quando a concorrência começava com Alexis, Christine e Claire passando por Alexa, Helena, Tália, Laura ou mesmo as caçulas de Emma.
Rebecca era, se muito, normal comparada a todas as outras garotas com beleza e presença por vezes sobrenatural e desleal. Afinal, quem poderia competir com a genética absurda de Claire ou a origem demoníaca de Alexis sem estar quase no mesmo nível de exagero?
Porém, se fosse responder o que chamou sua atenção em Rebecca, Tristan teria que ser sincero e dizer que foram seus olhos. Não a cor, que apesar de bonita não era nada que muitas outras pessoas que conhecia tinham, e sim um claro reflexo de dor e solidão que ela tinha, junto com uma raiva e mágoa incontrolável, além do algo mais que a tornava única.
O garoto deixou um riso seco escapar, o que chamou a atenção da LeBeau.
—Qual a graça? –Ela parecia ofendida.
—É que pelo visto eu realmente tenho uma queda por certos tipos de monstros. –Ele sorriu divertido para a garota e se inclinou na direção dela. –Então, já que você me fez ficar preocupado sem motivo, está me devendo uma, Rebecca Jacqueline Raven LeBeau.
Ela estremeceu ao ouvir seu nome completo.
Provavelmente porque a maior parte das pessoas até esquecia o seu primeiro nome, a chamando de “a garota dos gêmeos LeBeau” ou “a garota LeBeau”
—Eu… –Ela hesitou e engoliu em seco ao notar o quão próximo o Stark estava dela. –Isso…
Tristan riu cínico.
—Não se preocupe Rebecca, eu só vou te morder se você quiser. –Ele se afastou da garota sorrindo e foi até a porta. –Te vejo amanhã, então não cause problemas.
E enquanto deixava uma garota extremamente confusa para trás, o Stark se perguntava o que Conner acharia de Rebecca.
Um pensamento nada inocente cruzou a mente do garoto que sorriu mais animado.
—É, isso pode ser interessante.
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Emma entrou no escritório depois de fazer uma inspeção pela escola e deu de cara com Hank e Logan em sua sala.
—Devo ficar preocupada que os dois vieram juntos? –Os homens negaram. –Então, qual o motivo da visita?
—Primeiro de tudo, sobre a Christine. –Logan não gostava de questionar as decisões da Frost, mas às vezes fazia isso. –‘Ro contou sobre a sua conversa com Jean e a dela com a ruiva, tem certeza sobre o que disse para elas?
—Tenho. –A loira foi direta. –Espero que não me peça uma explicação mais elaborada.
—Não vou, só queria confirmar.
Ela assentiu e encarou McCoy.
—Seus exames estão prontos. –Emma sentou, oferecendo sua total atenção. –Sua saúde está em perfeito estado e, como bem sabemos, você ainda pode ter filhos, mesmo sem métodos de fertilização.
—Isso são boas notícias. –E o sorriso agradável da Frost chamou a atenção dos dois homens. –O que foi? Por que essas caras?
—Tem ideia de como é difícil pegar você sorrindo dessa forma para qualquer coisa que não seus filhos? –Logan alfinetou e Hank confirmou.
A loira riu.
—Bom, vocês dois me conhecem bem, então eu acredito. –Ela encarou o mutante bestial. –Já que minha saúde está em dia, posso começar a colocar meus planos em prática?
—De modo geral sim, mas… –Hank encarou o Howlett que assentiu. –Precisamos te perguntar uma coisa importante antes. –A Frost concordou silenciosamente, curiosa com o que era tão importante para ambos os homens. –A dezesseis anos, quando você decidiu ter mais filhos e nós concordamos em te ajudar, você nos garantiu que não existia nada mais importante na sua vida que seus filhos. –McCoy encarou sua amiga de longa data intensamente. –Ainda assim, eu e Logan sabemos que você esconde algo de nós, uma coisa que tem que ser importante, então me diga que isso não vai prejudicar as crianças.
A mulher suspirou e desviou o olhar.
—Eu não posso garantir isso. –Ela engoliu em seco. –Não importa o quanto eu queira, isso não é algo que está sob o meu controle em qualquer aspecto.
—Então o que podemos fazer para ajudar? –Logan chamou a atenção dos dois. –Deve ter algo que possamos fazer.
Emma sorriu para os dois.
—Acredite, eu venho tentando descobrir como fazer isso a anos com outras pessoas e não passo perto de encontrar uma saída que não envolva as crianças em algum momento. –Ela olhou para a janela cansada e depois encarou Hank. –Lamento não te dar uma resposta positiva.
Ele negou.
—Não. Pela primeira vez desde que isso começou você nos contou algo, isso é mais do que eu esperava. –McCoy recostou no sofá. –Não tem nada mesmo?
A mulher hesitou.
—Mesmo que eu pudesse pedir algo, seria que confiassem cegamente nas minhas escolhas, não importa o quão moralmente questionáveis elas se tornem em algum momento. –Ela encarou os dois amigos. –Mas não vou pedir isso a vocês.
—Você vai continuar colocando o bem-estar das crianças como prioridade, não é? –A Frost assentiu e Logan sorriu. –Então eu não tenho porque duvidar das suas escolhas agora ou no futuro.
—Verdade. –Hank completou.
—Eu agradeço pela confiança, mesmo achando que não mereço. –Emma sorriu de leve, um pouco aliviada em ouvir aquilo.
—Já que isso tá resolvido, vamos ao próximo ponto. –A loira encarou o Howlett preocupada. –Eu vou ser o pai da próxima criança Frost.
Emma encarou Hank, que parecia desolado.
—Não acredito que perdi no palitinho.
—Espera! Vocês decidiram isso no palitinho?
—Tinha que ser justo e imparcial. –Logan respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
—E por que acham que vou escolher duas crianças como vocês como pais dos meus filhos novamente? –Ela parecia um pouco irritada pela forma como a decisão foi tomada.
Os dois homens trocaram um olhar confuso e depois sorriram para Emma.
—Ora. Porque somos seus amigos. –Disseram juntos.
E ela sabia que era verdade.
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Natasha sentou exausta e encarou May.
—Vai aceitar a promoção?
A mais velha hesitou.
—Não sei porque todos me perguntam isso. Acho muito mais fácil colocar o Phill ou o Rogers como Comandantes do que eu.
—O Coulson é um sentimental, você consegue ser objetiva, e o Steve é… O Steve. Ele não serve para burocracia e política em larga escala. Mesmo assim eu sugeri o Mack.
Melinda parou o que fazia e encarou a ruiva.
—Sabe que ele e o Phill são parecidos, não é?
—Ainda assim é diferente e você sabe disso. –A mais velha concordou. –Em todo o caso, acabamos concordando que o ideal é ter mais dois Comandantes efetivos enquanto conversamos com os mais jovens sobre as opções para Sub-Comandantes e o que queremos deles para o futuro.
A asiática suspirou.
—Eu entendo, é só… –Ela encarou a vista da janela. –A vinte anos estou fugindo desse tipo de problema, não sei se quero fazer isso agora.
—Eu sei. –Natasha também olhava para a janela. –Só que uma hora todos nós vamos precisar fazer algo, não apenas por nós, mas pelas crianças. Ou acha que aceitei essa posição por ser divertido? –O sorriso da Romanoff era o mais cínico possível.
—Me lembre, por que voltamos a essa questão depois de tanto tempo?
—Porque sua pupila voltou a ter vida pessoal.
Melinda fez uma careta.
—Às vezes eu quero matar aquela garota. –A ruiva riu, afinal entendia um pouco aquilo. –Tudo bem, eu aceito, mas acho bom vocês convencerem o Mack a fazer parte disso de qualquer forma.
—Pode deixar, a Hill prometeu conversar com ele mais tarde. –Natasha sorriu como se algo muito engraçado lhe ocorresse, o que chamou a atenção de May. –E vamos ver o lado positivo para o Fury, ele não vai mais ser o único homem nas reuniões do Comando.
—Pobre coitado do Mack. –A asiática hesitou. –O que me lembra, onde o Robert e a Valéria estão?
—Treinamento de armas.
—Não está preocupada que eles acabem em uma das salas de reunião?
—Deveria, mas estamos falando do Robert. –May esperou por uma resposta mais elaborada e Natasha suspirou cansada. –Tenho certeza que meu filho planeja fazer isso apenas depois de apresentar Valéria na festa amanhã, e se eles beberem vai ser só no domingo.
Melinda pensou por alguns momentos e, por fim, encarou a Romanoff em dúvida.
—Tem certeza que ele é seu filho com o Clint? –A ruiva pareceu ofendida. –Sejamos sinceras, ele é muito mais comportado, responsável e controlado do que qualquer um de vocês, especialmente na idade em que está.
Natasha fechou a cara e fez uma careta.
—E você acha que eu não sei?
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Conforme a tarde passou e a maior parte das crianças precisou voltar para suas casas fazer seus deveres, Claire e Laura resolveram que era hora de comprar as coisas que a vovó Helen tinha pedido no mercado a três quadras da casa da Rogers, o que levou a uma série de recomendações por parte de todos, incluindo os pais da garota, sobre não segurar sua mutação primária e manter todos os ossos cristalizados.
Não era algo que a garota gostava de fazer, mas era a única forma deles a deixarem fazer algo fora do perímetro de segurança da casa naquele momento, especialmente com a Howlett parecendo ficar superprotetora depois de tudo. E apesar de a loira saber que todos tinham motivos para se preocupar, ela gostava de poder fazer aquelas coisas insanamente banais como comprar farinha e ovos para os vizinhos.
A mulher do mercado, que Claire conhecia desde sempre, pareceu surpresa e em seguida muito feliz de ver a garota, comentando o quanto assistir ao programa no dia anterior foi divertido e interessante (o que fez a Rogers ficar muito envergonhada). Laura por outro lado ficou aliviada quando elas pagaram a conta para tomar o caminho de volta já que, mesmo sabendo que uma dúzia de agentes da Shield estava cuidando delas, ela conhecia muito bem a namorada que tinha arrumado.
Então, ainda que tudo estivesse calmo, todos deveriam ter previsto que algo aconteceria, mesmo que não planejado.
O celular de Claire tocou e todos souberam que era uma emergência.
—Fury? –Com a garota de folga e o Diretor Chefe da Shield fora de expediente, aquela ligação tinha que ser um problema. –Na minha região? Onde? –A garota pareceu procurar algo e Laura se conectou a ligação pelo ponto de segurança como os outros agentes. –Ah, sim. Eles estão se aproximando, deixa comigo.
A Rogers deixou as coisas que tinha comprado no balcão, jogou o celular para a namorada e correu para fora da loja, a maior parte do corpo já transformada e pulou vários metros, caindo no meio do cruzamento e segurando um carro que vinha em alta velocidade seguido por uma dúzia de sirenes.
Na ligação, Fury ainda gritava o nome da garota quando Laura respondeu.
—Ela já segurou o carro, Diretor, acho que vai retirar os reféns agora. –E ao mesmo tempo, Claire realmente avançava pela porta do veículo agarrando o criminoso e o puxando para fora.
—Você não entende, a mulher do congressista é membro ativo de um grupo anti-mutante, tire e…
Laura largou o celular e correu até Claire, a empurrando no exato momento que a mulher atirou contra a loira. O disparo acertou a lateral do tórax da morena, o que chamou a atenção de todos, já que a Howlett permaneceu em pé na frente da namorada que não entendia nada.
—Sua maldita mutuna nojenta, como ousa tentar me tocar com essas suas patas imundas. –A mulher saiu do carro com uma arma apontada para as garotas. –Se aproxime de mim e eu te mato. –O rosto dela se distorceu em um sorriso sádico. –Melhor, fique paradinha, assim é mais fácil para que eu possa te matar.
Quando o disparo seguinte veio, Claire parou a bala com a mão.
Seu corpo estava completamente transformado em diamante e mesmo as partes que antes sangravam por ter segurado o carro estavam curadas.
—Eu não fiz nada, só parei o carro para tirar os sequestradores e agilizar o resgate, o Fury…
—Cala a boca! –A Rogers ficou na frente da namorada, já que seu corpo não iria se ferir e aparou os novos disparos. –Por que você não morre?!
—Irmã!
Claire e a mulher olharam para o lugar em que James e Maria estavam ao mesmo tempo e dessa vez a garota não pensou. No momento em que a esposa do congressista apontou a arma para as crianças, a loira agarrou a mão da mais velha e esmagou os ossos junto com a arma, fazendo a atiradora gritar horrorizada.
A garota não notou que estava ofegante e que mesmo sob a forma de diamante seu corpo tremia, apenas encarou os pedaços de metal retorcidos sujos de sangue e os atirou de lado.
A Rogers estava pronta para ir até o irmão quando ouviu um chamado de dentro do carro.
—Nos ajude.
Ela hesitou e, por fim, se aproximou do carro, lançando um olhar mortal para a mulher que se contorcia de dor sob o olhar chocado da mídia e da polícia. Dentro do carro de luxo ela viu uma mulher mais velha do que a sua atacante e uma criança um pouco mais velha que seu irmão.
—Quem são vocês?
—Eu sou a mãe dela. –A mulher mais velha parecia em dúvida sobre como falar com Claire, escolhendo um tom cauteloso. –Eu me machuquei quando eles nos empurraram para o carro.
A garota notou que as duas mulheres eram parecidas. Cabelos castanhos, olhos escuros, pele clara, nariz fino e arrebitado. O garoto era negro e tinha o cabelo cacheado na mesma cor que a mãe, olhos castanhos e o nariz um pouco mais largo, mas perfeitamente proporcional. Ela conhecia o pai dele e seu pai também.
A criança a encarava irritada.
—Algum problema?
—Você machucou a mamãe.
—Você machucaria alguém que tentasse machucar sua mãe por que não gostam de você? –O garoto assentiu. –Sua mãe tentou machucar meu irmão porque não gosta de mim, o que eu devia fazer?
—Não foi por que ela atirou em você? –Ela achou graça na confusão da criança.
—Não. Embora pudesse ter ficado brava quando ela atirou na minha namorada, mas a Laura já se curou e deve estar mais preocupada comigo.
—Você vai nos machucar?
—Eu deveria? –O garoto negou e Claire estendeu a mão. –Me deixa ver se você tá bem? –O menino esticou a mão e segurou a dela, que depois de alguns segundos suspirou encarando a avó. –Ele bateu a cabeça?
—Sim, logo no começo dessa confusão, por quê? É grave?
—Não, é que eu não tenho como arrumar ou ver em detalhes nada nessa área. Vou entregá-lo aos paramédicos que já devem estar aqui e no hospital eles podem fazer mais exames. Mesmo assim acho que é só uma leve concussão e ele talvez tenha um pouco de febre mais tarde, embora isso seja mais pelo estresse. –O garoto foi tirado do carro e logo Claire estendeu a mãe para a mulher mais velha. –Posso ver ou a senhora é como sua filha?
A mulher hesitou.
—Eu admito que não gosto da sua gente ou do seu relacionamento… –Ela olhou para Claire como se esperasse uma reação, que não veio. –Eu ouvi que você trabalha para o governo americano, é verdade?
—Não. Eu faço uns bicos na Shield para ajudar a minha família, sou uma espécie de estagiária de luxo que o Diretor Fury convoca em casos como esse.
—Ainda assim trabalha para o bem do nosso país. –A garota deu de ombros e respondeu um “É” desinteressado. –Bom, se isso não é um problema para você… –Ela esticou a mão e a loira a segurou.
—Ah, isso é chato. –Comentou depois de alguns segundos. –Você conseguiu fraturas no fêmur e na bacia.
—Quebrou? –A mulher parecia preocupada.
—Não. A fratura foi grande e pode ficar pior, mas no momento tá tudo no lugar. –A garota sentou enquanto um paramédico se aproximava escutando a conversa. –Em geral eles vão imobilizar tudo que for possível no lado das fraturas e te mandar ficar em repouso completo por algumas semanas, depois mobilidade reduzida por mais alguns meses e fisioterapia por uns seis meses. Pode ser mais dependendo da idade do paciente e saúde dos ossos.
—Então foi por isso que você falou que “é chato”?
—Não gosto de esperar meus ossos curarem, o que no meu caso costuma levar uma hora, não deve ser legal demorar tanto tempo assim. –Ela viu o choque no rosto da mulher e estendeu a mão. –Vamos. –A mais velha obedeceu um pouco hesitante. –Isso pode doer um pouco, mas depois passa.
A mulher pensou que Claire iria puxá-la para saírem do carro, então quando a dor atingiu a lateral do seu quadril e sua coxa aquilo a assustou. Mesmo assim, o grito de dor dela foi momentâneo e logo foi substituído por uma sensação de cansaço.
Ela encarou a loira à sua frente voltando a aparência normal.
—O que foi isso?
—Suas fraturas estão curadas, só pegue leve nos tombos, você tem um princípio perigoso de osteoporose que precisa tratar. –A mulher assentiu assustada e a garota indicou o lado de fora do carro. –Eu vou te deixar com o paramédico aqui, você ainda precisa fazer alguns exames por precaução.
Quando Claire saiu do carro encontrou sua mãe com óculos escuros e um agasalho da Shield conversando com homens engravatados, provavelmente federais, e policiais junto com agentes da Shield e Laura.
A esposa do congressista e o filho deles estavam em uma ambulância.
E um pouco mais afastado estava seu pai, com óculos escuros, um boné e um agasalho da Shield, ao seu lado James e Maria pareciam inquietos enquanto um homem negro de cabelo raspado em um belo terno parecia tentar se ajoelhar diante de Steve.
—Mil perdões pela minha esposa, de verdade. –O homem parecia já ter repetido aquilo muitas vezes pela expressão que o Capitão tinha.
—Não tem problema Joffreison, você não é a sua esposa.
—Mesmo assim, ela fez algo horrível com alguém que a ajudou e tentou manter todos bem. Isso é imperdoável. Nem que eu passasse o resto da minha vida me desculpando isso seria o suficiente.
—Isso foi tão grave assim? –Claire encarou o homem que parecia chocado. –Quero dizer, a parte sobre ela apontar a arma para o James foi, mas o resto é tão comum que eu nem sei se acho estranho quando pessoas idiotas fazem isso.
O homem abriu e fechou a boca várias vezes antes de tentar se ajoelhar novamente (o que foi evitado pelos Rogers) e despejar mais três minutos de desculpas. Só então ele partiu atrás da esposa, o filho e a sogra até o hospital.
—Você deveria ter escutado o Fury até o fim. –Steve comentou um pouco seco.
—Eu sei, pisei na bola.
O Capitão suspirou.
—Apenas lembre que nesse momento você precisa estar mais atenta às orientações que recebe. –A garota assentiu. –Venha, vamos para a casa até sua mãe terminar de lidar com isso.
—Mas os ovos e a farinha da vovó Helen fica…
—Não se preocupe, Kenny ficou sabendo do que aconteceu e veio até aqui tentar ajudar. Como não tinha muito que ele pudesse fazer eu avisei do pedido da Helen e ele pegou as coisas no mercado. –Steve sorriu. –E Helen disse que vai preparar um bolo só para você ainda hoje. –Ele bagunçou os cabelos da filha. –Agora vamos.
—Mas a Laura…
—O que tem eu? –Claire se assustou com a chegada da namorada.
—Você foi liberada?
—O lado bom da imprensa estar em cima de você é que tudo foi filmado, então minha versão é mais para confirmar que tudo não passou de um grande problema causado pela esposa do congressista.
—Por que eu acho que você gostou dela se ferrar desse jeito?
—Não gosto quando as pessoas fazem esse tipo de merda com ninguém, o fato dela ter feito isso com você apenas acaba com qualquer receio que eu tenha de não ligar para o que vai acontecer com ela.
Claire não comentou, mas o fato de ver Laura com raiva de alguém por algo que poderia mesmo ter virado um problema a longo prazo era legal. Só não tão legal quanto saber o quanto a Howlett se importava com a sua segurança, isso sim deixou a Rogers meio boba.
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Nikolai acordou se sentindo estranhamente cansado e satisfeito, como se tivesse aproveitado uma longa noite de sono como a muito tempo não fazia. Seu corpo também estava dormente, como se tivesse passado longas horas na piscina, era uma sensação prazerosa o bastante para ele não se preocupar com nada.
Depois que a energia demoníaca de Alexis saiu do controle, o garoto soube que precisava sair de perto da irmã, afinal demônios eram temperamentais e o seu um pé no saco de verdade. Considerando toda a confusão com Claire e Laura, o Rasputin estava feliz de ter conseguido dormir tão bem e, ainda de olhos fechados, se perguntava o que deveria fazer naquela quarta-feira para passar o tempo caso sua irmã ainda estivesse no modo desastre.
Demorou um pouco para que Nikolai notasse algo estranho.
Afinal onde ele havia dormido?
Lembrava de ter encontrado com algumas universitárias em um bar e flertar com elas, também tinha a vaga impressão de que as duas garotas mais velhas não levaram a sério quando ele disse que tinha só dezessete anos e o convidaram para a casa delas, o que ele gostou de aceitar. Não tinha certeza se tinha dormido com as duas, o que era um problema, já que sempre lembrava com quem tinha ido para cama no dia seguinte.
Abriu os olhos e não reconheceu o cômodo.
Pior.
Finalmente se deu conta que além de nu, tinha duas garotas dormindo ao seu lado e elas não eram as mesmas da noite anterior.
Estava em uma cama grande e quando moveu o braço sentiu os cabelos de outra pessoa.
Segurou um xingamento nada elogioso e se deu conta de que o quarto tinha uma atmosfera perigosa: cheirava não muito melhor que um quarto de ménage e aquele era um cheiro muito específico.
Conseguiu levantar um pouco o corpo apoiado em um dos braços e olhou ao redor.
—Puta que pariu. –Gemeu baixinho.
Voltou a deitar e sentiu vontade de chorar.
Chorar de raiva e desespero.
Aquilo não era bom, nenhum pouco.
Nikolai voltou a abrir os olhos.
Sabia que não podia ficar ali e que precisava de ajuda, muita ajuda.
Primeiro tentou sentir seu demônio, mas para o bem ou para o mal, Baltazar estava completamente adormecido depois do que tinha feito. Isso significava que não precisaria se preocupar com o desgraçado nem tão cedo, o que era uma boa notícia, considerando o estrago que supostamente foi causado.
O garoto usou sua telepatia para confirmar que as garotas no quarto continuariam a dormir depois que ele saísse, o que não foi um problema, já que o que quer que seu demônio tenha feito com aquelas mulheres, elas estavam exaustas demais para pensar em acordar. O que não era uma notícia completamente relaxante.
Quando saiu da cama e realmente olhou ao redor, o Rasputin se sentiu pior do que apenas sentindo a mente das garotas. Estava claro pelo cheiro e situação do quarto que algo muito maior do que ele imaginava tinha acontecido, o fato de que os colchões no chão fazia somar mais do que três mulheres não melhorava em nada. Ele parou por um momento reconhecendo três das moças, duas do bar e outra que deu carona para eles quando foram para a casa. O rapaz ainda não fazia ideia de quem eram as outras seis.
Nikolai saiu do quarto e achou suas roupas espalhadas pela sala, junto com diversas peças femininas, o que indicava que as coisas começaram por ali e talvez até tenham acontecido antes de mudarem de cômodo. Resolveu ignorar aquilo e pegou sua calça atrás do celular, agradecendo que o mesmo ainda tinha bateria, mas se assustou.
Na cabeça do garoto ainda era quarta-feira.
Tinha encontrado as duas garotas no bar no começo da noite de terça-feira, então era lógico para ele que estivesse no dia seguinte, mas seu celular mostrava outra data e ali indicava que já era sexta-feira.
Pior, tarde de sexta-feira na costa oeste.
Lembrava de ter saído do bar cedo, por volta das dezenove horas, para aproveitar a companhia e ali estava seu celular e o relógio da cozinha daquela casa dizendo que já eram três da tarde.
Tinha perdido quase três dias de memória.
—Merda.
Sem alternativas ou qualquer plano, Nikolai resolveu fazer o que parecia mais sensato, se vestiu e usou sua magia para ir embora, direto para o Instituto, onde sabia que teria alguma ajuda.
Naquele momento seu problema era tão grande ou maior que o de Alexis e ele não podia hesitar.
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Quando Ororo encontrou Nikolai na sua sala, depois de mais de quatro dias sem comunicação, parecendo desolado e aflito, ela soube que eles deveriam ter tentado achar o garoto antes.
Não melhorou quando ele contou o que tinha acontecido ou, para ser mais exato, aquilo que ele não lembrava de ter acontecido, mesmo com todas as evidências contrárias ao seu desejo de negação.
A mulher abraçou o sobrinho e disse que tudo ficaria bem, uma meia verdade gentil para mantê-lo calmo e ganhar tempo. Depois serviu um chá que Wanda lhe mandará certa vez, forte o suficiente para deixar a maior parte das pessoas letárgicas, o que era uma proteção extra para caso o demônio do Rasputin resolver acordar novamente.
A mutante do clima não queria dizer, mas estava preocupada.
Tentava pensar que, pelo menos, estavam fora do horário normal de expediente quando o garoto apareceu, então não seria um problema convocar uma reunião.
Chamou Emma, Jean, Hank e Logan para sua sala, depois ligou para a Shield e conseguiu que Natasha e Daisy participassem a distância, já que Tália continuava conversando com Stephen naquele dia e se recusava a mover o pessoal se não fosse uma legítima emergência. Ororo pensou em contra argumentar aquilo, mas a verdade é que, a seu modo, a mutante teleportadora estava em um drama como o Rasputin, o que a fazia questionar o timing daqueles demônios em bagunçar com a vida normal daqueles jovens.
Quando todos chegaram e a chamada de vídeo foi iniciada, foi a vez da mulher negra contar o que tinha ouvido de Nikolai.
A reação foi a que esperava.
Emma suspirou e encarou o teto, provavelmente se culpando por não ter ido atrás do afilhado; Jean estava confusa e assustada, embora tentasse manter a calma e a compostura na frente de todos, o que renderia uma longa conversa depois para explicar para ela que Baltazar não era como os demônios de Tália e Alexis.
Hank estava pensando na possibilidade de Baltazar alcançar seu intento, o mesmo de sempre, enquanto Logan parecia achar graça na confusão, embora disfarçasse o suficiente para consolar Nikolai, que ainda parecia desolado.
Natasha e Daisy decidiram chamar Hill, já que aquilo era um problema muito maior do que gostariam e quando a principal Comandante da Shield ouviu a história ficou tão pálida que todos temeram o que viria a seguir.
—Nikolai?—O garoto encarou a mulher na tela. —Eu não sei o que vai acontecer, mas vamos encontrar um jeito de te ajudar.—Ele concordou e Hill deu um leve sorriso. —Dito isso, preciso saber o que houve naquela casa, o que Baltazar fez com aquelas garotas e, mais importante que tudo isso, se ele usou alguma habilidade enquanto estava com elas.
—Eu não sei se consigo descobrir tudo isso. –O Rasputin hesitou. –Na verdade, tenho medo de descobrir.
—Eu entendo, só que isso não muda o fato que precisamos de detalhes, especialmente se ele tiver feito algo de errado.—Não havia pressão nas palavras da Comandante, embora todos tivessem certeza que ela não abriria mão daquela informação.
O garoto assentiu.
—Nesse caso, me deixe te ajudar, assim podemos te dispensar para descansar. –Emma tomou a frente.
—Eu te ajudo. –Jean não tinha muita prática, só sabia que precisava aprender a entender aquele tipo de problema logo.
Não demorou para as duas mulheres conseguirem toda a informação que precisavam e dispensarem Nikolai, que estava ainda mais abalado depois de ter acesso às memórias de quando Baltazar tomou seu corpo.
Emma compartilhou as informações com todos, os presentes também ganharam uma versão psíquica de tudo.
—É errado eu sentir algum orgulho do que o garoto fez? –Todos encararam Logan incrédulos. –Qual é? Nove garotas por quase setenta e duas horas é um recorde.
Emma foi a primeira a rir, o que deixou Jean surpresa, mas quando Hill e Natasha acompanharam a risada, mesmo Ororo e Hank cederam.
—Ainda assim é no mínimo inapropriado considerando que ele mesmo foi vítima de Baltazar. –A Rainha Branca respirou fundo se acalmando. –O lado bom, e não podemos negar, é que Baltazar não forçou as garotas a nada, então não temos um problema judicial em mãos.
—Mesmo assim me preocupa o fato de que depois das coisas estarem acontecendo ele ter liberado suas habilidades.—Todos concordaram com Hill. —Vou mandar alguns agentes vigiarem as garotas e se aproximarem para ter acesso às amostras de sangue e cabelo. Qualquer coisa eu posso tentar infiltrar alguém na faculdade, especialmente na enfermaria ou tentar alguma intervenção com os cursos médicos. –A Comandante suspirou. —Me mantenham informada e vamos manter um olho no Nikolai por precaução.
—Ainda não acredito que o demônio de Nikolai saiu do controle, tomou o corpo do garoto e transou com nove garotas. –Jean encarou Emma e Ororo. –Isso já aconteceu antes com os outros?
—Não. –A mutante do clima entendia a preocupação da ruiva. –O demônio do Nik é diferente do da Tália e da Alexis, tem uma vontade própria única. Não é bem como se ele fosse um ser diferente, é mais como se esse fosse o instinto primário dele, o que é o oposto dos demais.
Jean pareceu perdida e então falou algo que chocou os demais.
—Isso faz parecer que os demônios são de origens diferentes, como infernos diferentes. –Ela notou o olhar de espanto de todos, menos Emma. –Falei algo errado?
—Não, é que eles não tinham pensado nisso antes. –A Frost levantou. –Sua observação faz sentido, o que explicaria porque falar com o demônio da Tália como fazemos com o Baltazar ou o demônio da Alexis seria difícil ou porque Baltazar é tão diferente dos demais.
—Então estivemos ensinando Nikolai errado todo esse tempo? –Ororo se preocupou.
—Não sei, talvez não. Apenas não pensamos de forma abrangente. –A Rainha Branca seguiu para a porta. –Me chamem se precisarem de ajuda em mais alguma coisa. Estarei no meu quarto.
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Depois de tudo Hill decidiu pedir o relatório completo do dia para saber o que mais tinha perdido, não que estivesse realmente preocupada com a calmaria com os outros, só não queria arriscar outra surpresa como a que tinha recebido.
Não demorou para as coisas se mostrarem exatamente o que eram: calmaria.
Isso fez Maria grunhir agoniada.
Não vinha gostando dos resultados de aparente tranquilidade dos últimos dias.
Emma respondeu rápido, o que era sempre bom.
Alexis estava melhor e passou no quarto de Nate, preocupada com ele e o rapaz aproveitou para pedir que ela ficasse. Como a Rasputin era uma pessoa decente, aceitou fazer companhia para o Summers, que estava mais do que feliz em passar um tempo tranquilo com a loira.
Nikolai estava no quarto, se culpando e recriminando. Nada bom.
Aisha ainda estava com um jet lag infernal e era esperado que participasse da festa depois de dois dias dormindo quase sem parar (aparentemente T’Challa enchia a filha de trabalho na embaixada de Wakanda no Japão).
James tinha dormido o dia inteiro, acordou para comer depois da reunião sobre Nik e foi informado de tudo, mas decidiu que voltaria a dormir. Hill não achou ruim, era bom manter o Howlett calmo.
Rebecca LeBeau havia se trancado em seu quarto depois do almoço, o que deixou todos preocupados. Oliver foi a peste de sempre, o que fez a atitude da irmã ainda mais suspeita para a maioria.
O resto estava dentro do previsto, com Cara e Rose sendo as irmãs implicantes de sempre uma com a outra.
Na Shield, mais normalidade.
Tristan voltou do Instituto e passou para conversar com Conner, ninguém soube o que falaram, só que ambos pareciam tramar algo.
Andrew e Christine pretendiam dormir aquela noite na agência depois de trabalharem o dia inteiro.
Robert acompanhou Valéria e depois a deixou no apartamento dos Mackenzie, onde a garota jantaria com os amigos e depois se encontraria com os Barton para irem a Torre.
Nenhuma mudança imediata foi aplicada ao problema dos Mackenzie e Fittz-Simmons, o que estava agendado para acontecer na segunda-feira.
Alexa e Wolf estavam mostrando uma boa evolução nos treinos da garota, o que agradava a todos.
May tinha cuidado de conversar com Daisy e o médico, Harvey, sobre o que significaria caso os dois fossem em frente com o relacionamento. O doutor pareceu entender tudo e aceitar, o que era algo promissor.
Tália ainda não tinha tido sucesso em conseguir respostas com seu demônio e Stephen estava preocupado, mas teriam que esperar e tentar novas abordagens depois do caso com Nikolai e a observação de Jean. Até lá, Cassie estava tendo que acalmar a namorada, que parecia à beira de um ataque de nervos; Scott e Hope também estavam preocupados, embora menos que qualquer outro ali.
Na Torre Stark não tinha nada novo.
Ur e Daniel estavam tranquilos, com a asgardiana fugindo de todos e o garoto ajudando em tarefas domésticas.
Mary Jane estava tentando manter Mayday e Sarah ocupadas, o que não era tão difícil, mas também não era simples.
Jason Lokison voltou para a Torre depois de alguns dias na casa dos Strange, não por vontade de Max, ele apenas chegou à conclusão que não devia parecer que tinha mudado para o Sanctum de vez. Segundo Stephen, supostamente parafraseando Wong, não haveria nenhum problema se esse fosse o caso, o que deixou a Comandante aliviada.
Os relatórios de Tony, Pepper e Peter ainda estavam analisando em tempo real a repercussão da noite anterior, enviando atualizações constantes para a Shield.
Quanto ao caso do sequestro que Claire parou, as coisas eram boas.
A imprensa não estava atacando a garota, o que era a melhor notícia sobre ela em dias. Com exceção da mulher do congressista, ninguém se feriu gravemente ou precisaria ficar internado para nada além de uma observação e exames de rotina.
Mesmo os sequestradores não sofreram grandes lesões.
Tudo em ordem.
Hill encarou as duas mulheres à sua frente.
—Algo mais que precise ser informado?
Natasha suspirou.
—Melinda concordou em aceitar a posição de Comando, mas só se vocês convencerem o Mack a pegar a outra posição.
Maria suspirou.
—Tudo bem, isso já era esperado. –Ela estalou o pescoço e olhou no relógio. –Eu ainda tenho algumas horas de folga, se importam?
—Não, podemos cuidar do que ficou. –Daisy comentou com uma calma e leveza incomuns, o que agradou Maria.
—Vejo vocês na troca de turnos.
As duas Comandantes em serviço concordaram e voltaram ao que faziam antes.
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Continua...
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No próximo capítulo: Energy.
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