Marvel Universe: All Different World
58 Capítulo LVIII: Interview.
Notas iniciais
12 de Outubro
Harrelson e Brant estavam preocupados e tensos na frente das câmeras.
Nathalie Everhart e Olivia Colton monitoravam tudo atrás das câmeras para ter certeza que nenhum vídeo sairia na hora errada ou seria adulterado.
Enquanto Keith Jones e Zhou Fao-Kun não paravam de revisar os enquadramentos e dar uma ajuda extra para as colegas de trabalho.
As duas equipes estavam agindo como uma e isso assustou os outros, já que normalmente as emissoras eram rivais.
Keith olhou para Rose e Tom sentados nas poltronas, prontos para uma guerra; ele respirou fundo e encarou Zhou dedicando uma oração silenciosa pelo sucesso daquele trabalho.
Milhões de televisores estavam ligados nas duas emissoras em algo que, no futuro, ficaria conhecida como uma das maiores noites da televisão americana. Eles não tinham como saber naquele momento que mais de setenta por cento do país estava assistindo ao programa desde o começo.
Ou o quanto as coisas ficariam estranhas nos meses seguintes.
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—Boa noite a todos que estão nos assistindo, eu sou Edith Vargas, sua apresentadora favorita para deixar celebridades em saias-justas no Talk with the Vipers. –Uma mulher de traços latinos, com cabelos e olhos escuros começou.
—E eu sou Riley Kent, perito em histórias investigativas das mais simples às mais bizarras no America Search. –O homem de pele negra tinha cabelos escuros e olhos castanhos. –Estamos aqui essa noite para conversar com Tom Harry e Rose Brant que acompanharam e conversaram com as duas garotas que estiveram no foco da mídia essa última semana.
—Exatamente Kent, especialmente depois daquele atentado terrorista horrível. –Edith encarou os dois colegas como uma predadora. –Então, como foi essa experiência?
—Antes de mais nada boa noite a todos. –Rose tomou a frente enquanto Tom se preparava para o possível massacre. –E foi uma experiência muito interessante.
—Precisamente. –Harrelson sorriu para a câmera. –Nós fomos muito bem recebidos e tivemos muitas perguntas respondidas, embora algumas coisas definitivamente tenham ficado na ilha de edição.
—Muito pesado? –Kent arriscou.
—Não a maior parte. Só que nós estamos falando de adolescentes menores de idade, então não é fácil. –Tom concluiu.
Os dois apresentadores trocaram um olhar confuso.
—Menores de idade? –Edith recuou um passo na sua postura confiante.
—Sim. –Brant sorria. –Claire fez dezesseis anos em julho e Laura faz dezoito apenas no próximo ano. São menores de idade, assim como algumas outras pessoas que conhecemos e lidamos nesse período, então precisamos censurar alguns rostos ou retirar alguns trechos.
—Principalmente para o conteúdo que vai ao ar agora, embora algumas coisas vão para os especiais da internet. –Tom completou.
—E vocês nunca trabalharam juntos antes? –Kent desviou o assunto por um momento.
—Não. Eu conhecia o trabalho da Brant, afinal é difícil não gostar de um trabalho bem-feito, mas a conheci de fato na segunda-feira.
—E eu admito que sou fã do Tom, não tanto quanto a Claire, obviamente, então foi um prazer e uma honra poder compartilhar um trabalho tão interessante com ele.
Thomas cobriu o rosto e Edith viu a sua deixa.
—A garota chamada Claire é uma super fã do nosso Harry? –A mulher sorriu satisfeita. –Como foi isso?
—Ela me pediu um autógrafo no meu livro que vai sair semana que vem. –Os dois apresentadores o olharam confusos. –Tony Stark contrabandeou um exemplar direto da gráfica para ela e a leitura já foi finalizada. –O homem suspirou um pouco envergonhado. –Depois que a entrevista terminou, a Claire perguntou sobre uma série de investigações que fiz durante a vida. Parecia uma certa aprendiz que sabia um monte de detalhes de cada trabalho meu.
—Pelo menos ela não te perguntou sobre sua esposa. –Rose Brant riu. –Ela soube na hora sobre meu noivo.
—Ele trabalha na Shield, ela o conhece.
—Verdade. O mundo é pequeno. –Os dois notaram que os apresentadores estavam um pouco perdidos diante daquela curta conversa. –Se bem que no geral elas são bem normais.
—Alguns sobrinhos meus são mais problemáticos que qualquer um daqueles jovens. –Tom completou.
—Ah, sim. –Kent foi o primeiro a retomar o rumo. –E como foi o começo da sua interação com elas? Podem mostrar um pouco?
Tom e Brant sorriram.
—Será um prazer. –Rose disse com calma. –Infelizmente, o começo do que foi gravado ficou de fora, já que era gráfico demais.
—Algo inapropriado? –Edith provocou.
—As tripas da Claire fora do corpo, ela acordada durante o processo e muito sangue. –Harry fez uma careta. –De verdade, aquilo foi pesado.
—O momento mais tranquilo é quando a Laura dá um beijo nela depois da recuperação. –Rose riu. –As duas são fofas juntas.
—Infernalmente fofas. Deveria ser um crime ser um casal tão fofo. –Tom brincou. –O vídeo começa algumas horas depois do atentado e do tratamento das duas, depois delas serem colocadas para descansar por algum tempo.
—A versão online vai ter outro trecho um pouco antes desse, mas sem as partes pesadas. –Brant falou diretamente para a câmera.
—Então vamos ver, eu estou curiosa. –Edith pulou qualquer comentário sobre as brincadeiras dos colegas atrás de algo maior.
Enquanto os repórteres acompanhavam nas telas, a cena tomou completamente os televisores das casas, comércios e locais públicos com o momento em que Jemma e Elizabeth entraram no quarto, seguida pela conversa de Claire com Tony Stark e o encontro posterior com a equipe de filmagens.
O único trecho que foi completamente retirado tinha relação com Garret Grimm, não que qualquer um fosse dar por falta dele no final.
—Isso foi estranhamente engraçado. –Edith olhava para Harry com um sorriso perigoso. –A garota é mesmo sua fã.
Tom ficou envergonhado.
—E ele parece que virou um pouco fã dela também. –Rose brincou.
—Isso é interessante. –Riley Kent encarou o colega intensamente. –Quando você notou o primeiro sinal de que ela era uma criança interessante?
—Difícil não ter um momento depois da nossa primeira conversa. –Tom tentou se manter impassível, embora o sorriso gentil não saisse de seu rosto naquele momento. –O primeiro sinal provavelmente foi no refeitório, quando eu ainda estava com a guarda alta. –Ele riu. –Sério, eu não esperava aquele discurso.
—Como Amanda disse, ela tem carisma de sobra. –Brant cobriu. –Embora as palavras dela tenham sido mais infantis.
Tom concordou e apontou para o vídeo, enquanto o momento em que os agentes se levantavam aplaudindo Claire e Laura surgia nos televisores, assim como o discurso da loira e a rápida conversa de Tom com Amanda e Fóton.
—Isso foi um discurso digno dos Vingadores ou do próprio Capitão América. –Kent parecia admirado.
—Eu não sabia que você era tão exagerado assim Riley. –Edith debochou. –Ela é boa, só não precisa ir tão longe. –Tom e Rose viram o olhar duro do colega para Vargas, o que podia ser um problema com a rivalidade dos dois. –Estou vendo que até aqui as coisas parecem ter seguido meio que na ordem, então o que fizeram depois? A entrevista?
Rose não gostou da ansiedade de Edith para a entrevista das garotas, parecia que algo estava errado e ela lembraria de pesquisar mais sobre a colega depois.
—Não, isso acabou ficando para o dia seguinte. –Brant encarou a outra mulher com neutralidade e agradeceu a J.J. Jameson por anos de treinamento quando era criança. –Acabamos em um dos ginásios na Shield, onde a Viúva Negra estava treinando vários recrutas. –Nas televisões a imagem do treino preencheu sete nonos da tela. –E a Vingadora chamou Claire e Laura para ajudá-la em uma rápida avaliação, foi quando descobrimos que elas a chamam de tia.
Harry acabou rindo da lembrança, especialmente depois de ver a cara de Edith.
—Tia mesmo? –Riley foi mais direto.
—Bom, o pai dela trabalha na Shield a anos, a mãe tem um alto cargo, eles são amigos da família Stark e a família da mãe dela trabalha ali há gerações, acho que é meio que esperado. –Tom tinha uma expressão suave para os colegas.
—Esse vídeo não tem o áudio delas, então o que aconteceu ali? –O outro repórter continuou.
—No geral era um feedback do exercício com elas explicando as fraquezas do que foi apresentado e como melhorar os resultados gerais. –Rose não tinha problema em tomar a frente das informações depois da longa conversa com Tom. –E aquele garoto ali é o namorado da melhor amiga da Claire, parece que elas são quase como irmãs e ele é filho de uma das Comandantes. –Ela sorriu. –A mãe dele foi bem gentil com a gente.
—Verdade. –Tom comentou. –Ah, ouça essa parte. Eu acabei de perguntar sobre a identidade do garoto.
—Andrew Johnson, cresceu na Shield enquanto a mãe trabalhava aqui. —Laura.
—E quem é Christine? —Tom riu da própria pergunta no áudio.
—Namorada do Andy e filha mais velha da minha madrinha, Emma Frost. Ela é mais do que minha melhor amiga, é como uma irmã mais velha e meu porto seguro quando eu me sinto perdida, confusa ou em conflito comigo mesma. —Claire.
—Foi ela que te fez investir em mim. —Laura.
—Ela dá bons conselhos. —Claire.
Tom e Rose riram daquele trecho.
—Eu estou ficando curioso o quanto dessas interações adolescentes vocês tiveram que lidar. –Riley tinha uma expressão confusa.
—Mais do que é saudável para uma mulher sem filhos Kent, acredite. –Brant sorriu. –Acabei entendendo porque meu noivo às vezes fala que só quer ter filhos se puder pular a adolescência deles.
—Isso soa tão errado. –Tom riu. –Só que ele tem razão.
—E essa cena agora, aconteceu algo ousado? –Edith estava se sentindo aleatória no programa, já que tudo parecia completamente comum.
—Não. Elas trocaram um beijo depois de conversarem. –Rose acenou para um dos colegas e o áudio da conversa das garotas entrou no sistema. –Foi algo bem comum na verdade.
A tela cheia com as garotas voltou enquanto o diálogo delas causava uma surpresa em quase todos que assistiam.
Mesmo no estúdio, onde as opiniões sobre as garotas estavam divididas desde que o acordo com os Stark foi feito, todos puderam sentir alguma conexão com as garotas, mesmo que fosse algo pequeno ou que eles negassem depois.
Estava ali e tanto Rose como Tom podiam ver.
Então se o efeito daquele momento aconteceu ali, era provável que acontecesse em outros lugares.
—Isso foi… –Edith precisou engolir em seco. –Eu não esperava.
—Nem a gente. –Tom admitiu. –Elas são como qualquer adolescente, todos eles, mas, ao mesmo tempo, é algo agradável de ver.
—Posso entender o que quer dizer. –Vargas relaxou e encarou a sequência seguinte. –Espera! Aquela pessoa está azul? E a outra garota com o rosto censurado?
—A garota azul é maior de idade e é uma mutante demônio. –Rose começou. –A outra garota é menor de idade e passou por problemas familiares, então a Shield é a atual responsável pela guarda dela, junto com a futura madrasta.
—Mutante demônio? –Kent encarou os colegas. –Demônios existem?
—E anjos pelo que eu entendi. –Tom deu de ombros. –Parece que o pai dela é filho de um demônio com uma mutante, então… –O repórter fez um movimento indicando “eu é que não brigaria por isso”. –Ela é bem divertida, especialmente sobre a outra garota.
—Ela estava tentando fugir das investidas da garota mais nova ali, o que não parece ser algo inteligente sendo um adolescente ou jovem adulto de dezoito anos. –O sorriso de Rose sumiu. –A garota que a gente censurou o rosto estava em um lar abusivo com a mãe, que não gostava da filha ser lésbica e a agredia, então o juiz está sendo compreensivo e cuidadoso com tudo no caso dela.
—E vocês tiveram acesso aos nomes? –Edith parecia preocupada. –Não é o tipo de caso que simplesmente passa na televisão, mas também não é fácil ignorar.
—Sim, algumas coisas chegaram até a gente, no entanto… –Brant suspirou. –É complicado quando lidamos com crianças, não importa o quanto elas se mostrem fortes. Foi um dos motivos que escolhemos ocultar o rosto dela e o nome.
—E a garota demônio, tem um nome? –Edith focou em outro ponto.
—Tália. –E Brant indicou a imagem. –Ouve isso.
E pelos minutos seguintes, enquanto a imagem enchia as telas pelo país, todos puderam acompanhar a rápida e desesperada conversa de Tália com Claire e Laura, algo que fez muitos pais encararem seus filhos e amigos trocarem olhares de compreensão entre si pela familiaridade daquela interação.
Como Rose havia alertado, o nome de Cassie também foi ocultado, então ninguém que assistia conseguiu ter acesso àquela informação.
O áudio terminou no momento em que Fóton falou sobre as salas de reunião.
—Do que o garoto estava falando? –Edith tinha certeza que era interessante.
—Ah, isso. –Tom riu. –Parece que não é incomum que algum casal jovem se perca nas salas de reunião da Shield em situações… –Ele encarou Rose. –Como eu digo isso?
—Eles transam em algumas das salas e a Comandante Hill pegou o pobre Fóton com a namorada, o que não foi tão ruim até ele notar que a mãe estava atrás da chefe. –E depois daquela Brant riu. –Melhor que isso só meu namorado reagindo às perguntas.
Edith olhava para os dois amigos.
—Espera! Isso é sério? –Os dois concordaram. –E vocês viram acontecer?
—Ver é demais, a gente procurou uma pessoa e ela estava trancada em uma das salas com o namorado; Claire jura que eles estavam fazendo isso, então eu acredito. –Tom deu de ombros.
—Eles parecem com alguns dos meus sobrinhos e… –Edith fez uma careta. –Com os meus filhos. –A mulher negou. –Aquela visão do inferno. –Os outros repórteres gargalharam. –Isso não é engraçado, acreditem.
—Eu acredito. –Kent respirou fundo. –Tenho duas filhas nessa idade, é terrível.
—É, mas foi durante essa conversa que conseguimos toneladas de fofocas, algumas das quais talvez já estejam circulando como rumores. –Rose conseguiu roubar a atenção da colega. –Valéria Richards voltou para o país.
—Ela não estava morta? –Vargas pareceu se animar.
—Não, estava em reclusão na Latvéria, estudando sob a supervisão do Rei Von Doom.
—O cara que começou uma guerra por terras? –Kent estava confuso.
Tom estava pronto para responder quando o celular tocou no seu bolso.
—Você não desligou? –Rose estranhou.
—Desliguei. –Ele atendeu e ficou surpreso. –Tem certeza? –O longo silêncio dele preocupou os colegas. –Entendo, vou avisar. –Tom encarou Kent. –Stark. Parece que Valéria não gosta quando as pessoas falam mal do tio dela.
—Eu posso entender, mas até onde sei essa é a história. Não é?
—Ao que parece não e o resumo do motivo da guerra que me passaram envolve uma invasão do território da Latvéria, uma tentativa de assassinato contra Valéria e um Von Doon muito irritado. –Tom ainda estava confuso com a ligação.
Para um repórter investigativo, mesmo ele tinha que admitir que os detalhes da guerra da Latvéria eram nebulosos e suspeitos; ainda assim, aquilo era outro nível. Se suas suspeitas estivessem corretas, havia muita coisa errada acontecendo naquele conflito e a maior parte por culpa do país que se proclamou “vítima”.
—Tentativa de assassinato? Guerras começam por menos Tom, o que mais ele disse? –Kent estava uma pilha de nervos naquele momento e Edith não parecia menos ansiosa.
—Que a coisa toda era longa demais e iria me mandar informações mais tarde, talvez para uma matéria completamente independente. –Ele encarou Brant. –Vou precisar de mãos extras.
—E a Liv?
—Levanto em conta de tudo que estamos fazendo em paralelo, vou precisar de outras mãos.
—Eu ajudo. –Riley Kent se ofereceu. –Sempre achei esse conflito suspeito.
—Isso seria bom. –Ele encarou Edith Vargas que assentiu. –Vemos isso depois então. –Todos concordaram. –Não acredito que o Stark hackeou meu celular. –Tom reclamou.
Os demais riram.
—E qual foi o tópico seguinte dessa conversa animada delas? –Edith tentou animar as coisas.
Tom fez uma careta.
—Sexo. –Respondeu Brant. –Para ser mais preciso quando foi a primeira vez delas e de vários dos amigos e infância. –A mulher riu. –Ao que parece eles não têm tanta vergonha assim de conversar sobre isso.
—Depois disso eles acabaram falando do Ben Parker, filho do Peter Parker, e o relacionamento dele com Aisha Monroe, filha do Rei T’Challa. –Tom comentou.
—Ela não é menor de idade? –Edith se assustou.
—Não pelas leis de Wakanda e como ela é a princesa de lá… Eu é que não vou brigar sobre esses detalhes. –Tom fez uma careta e massageou a têmpora. –Pensa na dor de cabeça.
Edith gargalhou.
—Verdade.
—E teve mais alguma coisa diferente? –Kent retomou o rumo da conversa.
—A maior parte do dia foi até monótona, depois de tudo. –Brant tentou se manter calma. –Foi só o final que as coisas se complicaram. –As imagens surgiram na tela ao fundo e novamente sete nonos da imagem foi dedicada ao vídeo com Claire e Laura. –Elas foram até a frente do prédio e encontraram uma criança mutante que se assustou e… Bom, ela reagiu e atacou a Claire por instinto.
Nas imagens todos puderam ver a imagem ficar em preto e branco um segundo depois dos tentáculos da menina perfurarem o corpo da jovem loira.
—Dios mio! –Edith se agarrou a cadeira.
—Que caral… –O microfone de Kent foi cortado por um segundo. –O que foi isso?
—A criança reagiu. –Tom não conseguia olhar a cena. –Foi tenso. Especialmente depois.
Os dois colegas o olharam em dúvida, mas logo as garotas foram resgatadas e as imagens ainda em preto e branco mudaram para uma espécie de enfermaria, com as duas sendo tratadas.
Todos que assistiam as cenas se assustaram quando as duas levaram as injeções e pareceram convulsionar por vários minutos.
—E depois disso elas foram colocadas para dormir. –Rose começou.
—O que eles injetaram nelas? –Edith parecia preocupada.
—São medicamentos da Shield para ajudar no processo de cura, eles têm grandes efeitos colaterais. –Brant resumiu o que ficaram sabendo mais tarde.
—Não é perigoso? –Vargas continuava encarando a cena.
—Eles disseram que tomam muito cuidado com isso justamente pelos riscos, só que os detalhes não foram exatos. –Aquela era uma mentira necessária, Rose sabia disso.
—Então vocês só voltaram no dia seguinte? –A mulher latina arriscou.
—Não. Na verdade, eu não estive presente até depois desse momento. –E Brant sabia que muitas pessoas ficariam surpresas. –Um outro colega estava fazendo o serviço, mas simplesmente largou a reportagem e eu precisei assistir todas as gravações, conversar com o cameraman da minha equipe, como Tom e o cameraman dele.
—Isso deve ter sido bem assustador. –Edith se compadeceu da colega.
—Poderia ter sido pior, especialmente quando eu descobri que teríamos uma entrevista de última hora com um agente da Shield. No final eu ainda me diverti quando descobri que o tal agente era o meu noivo.
Kent e Vargas a encararam.
—Noivo? –A mulher estava com os olhos brilhando.
—Você sabia que ele lidava com a Claire? –Kent também estava ansioso.
—Normalmente a gente não fala sobre trabalho, então eu nem sabia ao certo o que ele fazia lá dentro. –Rose negou. –Monitoramento é uma coisa muito vaga.
—Considerando a quantidade de coisas que a Shield faz, vago é quase um apelido. –Edith deu uma risada divertida. –Essa é uma das matérias especiais que vai sair na íntegra depois da nossa conversa?
—Acho que se colocássemos isso agora, ficamos uma meia hora só assistindo junto com os espectadores. –Tom riu. –E depois mais uma meia hora debatendo as afirmações do agente Maines.
—Isso parece ser interessante na verdade. –Riley Kent encarou uma pessoa na staff que correu dois segundos depois. –Vamos ver até onde nossos superiores estão dispostos a arriscar a programação.
Brant e Harry não viram problema naquilo, mesmo Edith já pensava em mandar uma mensagem para casa avisando que não voltaria antes da meia-noite.
—Agora o curioso é porque o outro repórter abandonou a matéria? –Edith não iria expor Gareth, ele tinha mais poder que ela, mesmo assim podia cutucar. –Foi algum tipo de guerra de egos ou a Shield causou algum problema?
—Nada do tipo. –Tom pegou a ideia da entrevistadora. –Ele não aceitou que teria que esperar o dia seguinte para fazer a entrevista depois do que aconteceu com as garotas, tentou brigar com o agente Maines e saiu da agência em algum tipo de ataque de estrelismo. –Harrelson fez um movimento amplo indicando quão absurdo foi a cena.
—Isso não é um pouco idiota? –Edith não conteve a língua. –Quero dizer, ninguém precisa ser um gênio para saber que as garotas não estariam aptas para uma entrevista depois daquilo. Especialmente em um caso que em geral não teríamos nenhum tipo de acesso como esse.
—Vamos colocar os pingos nos “ís” aqui Edith: a Shield e o próprio Tony tem amplo interesse nisso, não sou burro. –Todos encararam Tom surpresos. –A diferença é que eles não precisaram mentir. –A feição do homem fechou. –Tivemos acesso a informações perigosas durante nosso período naquela agência, coisas que escolhemos não mostrar por entender a dimensão das complicações que podem ser causadas se aquilo vier a público.
—Temos a obrigação de mostrar o que vemos, porém temos que ser responsáveis sobre o que mostramos e existem coisas que vimos ali que não podem vir a público. –Brant também estava séria. –Uma coisa que sempre prezei na nossa profissão foi a responsabilidade que temos de ao mesmo tempo que mostramos a verdade, não causarmos danos sem motivos.
—Então de tudo que vocês mantiveram de fora, existe algo que pode prejudicar o público que nos assiste? –Riley foi no alvo.
—Não. –Tom e Rose negaram.
—Isso me deixa curioso sobre o que vocês viram. –Kent observou os dois colegas. –Alguma chance?
Tom riu negando.
—Vamos te dever essa Riley, algumas coisas devem ficar na ilha de edição. –Brant completou.
—Tudo bem. –Riley Kent parou um momento, recebendo um contato no ponto eletrônico e, por fim, assentiu. –Parece que nossos chefes querem que a entrevista do agente Maines seja transmitida agora, algum problema?
—Nenhum. Depois do Stark hackear meu telefone nada mais me surpreende hoje. –Tom brincou.
—Meu noivo está trabalhando, não tenho hora para voltar. –Brant riu.
—Vou avisar meu marido. –E apesar do tom triste de Edith, seu sorriso denunciava a animação dela.
—Meia hora? –Riley olhou para os dois colegas que fizeram sinal indicando que era o tempo aproximado da entrevista. –Então, para quem está assistindo, não mude de canal.
—Faremos um rápido intervalo e na volta mostramos a entrevista com o agente Maines da Shield. –Edith completou com uma piscadinha divertida.
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Meia hora mais tarde, as câmeras do estúdio estavam novamente no quarteto e as emissoras registraram um pico de audiência que somado chegava a quase noventa por cento dos aparelhos do país.
—Estamos de volta com nossa conversa com… –Riley suspirou. –Desculpem, aquela entrevista foi algo que me deixou mexido.
—Nós dois Kent. –Edith parecia ter chorado em algum momento. –Sendo bem sincera, eu reconheci a história sobre os filhos do agente a alguns anos. –A mulher fungou por um momento. –Eu ainda não tinha a minha fama de hoje, mas recebi um contato sobre um caso e passei para os meus superiores, pensei que seria algo para investigarmos e até ajudar. Infelizmente um… Um traste humano com quem trabalhava na época disse que era bobagem. –A latina fez uma cara de nojo. –Lembro de ouvir o imbecil rir quando soube do que aconteceu com os pequenos. Cretino.
E nenhum dos outros precisou de um nome, todos sabiam que era Gareth Grimm.
—É algo triste quando um adulto age dessa forma Edith. –Tom assumiu para não gerar um problema para Rose. –Não posso dizer que não vi coisas parecidas na minha vida, porque vi até piores e não pude fazer nada, mesmo assim a entrevista com o Maines foi muito esclarecedora nesse sentido.
—O que me leva a uma pergunta… –Kent pareceu se recuperar um pouco. –Se a Shield tem tudo isso gravado, ela tem também as imagens da confusão na escola?
Thomas se preparou para responder quando seu celular voltou a tocar.
—Fala Stark. –O homem travou. –Desculpa senhora. –Um momento de silêncio. –Bem, eu acho que não seria um problema, mas… –Ele hesitou. –Me dê um segundo. –Ele encarou os colegas. –A Comandante Johnson disse que vai hackear nossos servidores rapidinho. Coloque a tela em sete nonos.
—Espera. Hackear a emissora? –Riley
—As duas. –Ele ouviu algo e assentiu. –É a filmagem da escola. Parece que ela tá meio “dane-se” ou algo do tipo. –Alguém falou do outro lado e Tom riu. –Nas palavras dela “sem paciência alguma”.
—Desculpa perguntar, mas quem é a Comandante Johnson? –Edith quis esclarecer aquele ponto.
—Uma das quatro Comandantes da Shield. –Brant comentou e depois notou o olhar dos colegas. –Matthew me colocou no plano de saúde da agência depois de terça, pedido da chefe dele.
—Conheceu as outras? –Vargas procurou alguma nova informação.
—Johnson, Carter, Romanoff e Hill, todas sob o comando do Diretor Fury. –Rose pensou um pouco. –Nós encontramos a Romanoff de passagem, mas não conversamos. Johnson estava monitorando a entrevista com o Maines, Carter é a mãe da Claire que encontramos fora das câmeras e Hill não apareceu enquanto estávamos lá… Desculpe, falha minha, cruzamos com a Hill depois da entrevista da Claire, quando encontramos a comitiva sobre a garota que a mãe quer reaver a custódia.
—Aquela que a mãe agredia? –Vargas pareceu preocupada.
—Até onde ficamos sabendo nada mudou na decisão do juiz. –Rose acrescentou.
—E a mãe da Claire é uma das Comandantes da Shield. –Vargas parou por um momento. –Carter… Lembro que uma das fundadoras da Shield era Margareth “Peggy” Carter, não é isso? –Houve uma confirmação no ponto e a mulher encarou os colegas. –Existe algum parentesco?
Harrelson deu de ombros e Brant suspirou antes de responder.
—A Comandante Carter é sobrinha-neta dela.
Vargas fez uma careta.
—Eu não quero ter que lidar com isso. –Ela ouviu algo no áudio e olhou para a direção do staff. –Em todo o caso, as imagens já estão prontas? –Edith se voltou para Tom.
—A Comandante Johnson estava esperando.
E logo todos puderam ver as imagens e o áudio dos acontecimentos da escola, desde o começo da luta treino de Claire e Jason, até o momento em que Robert e Laura imobilizaram a loira.
—O professor de educação física realmente tentou atacar uma aluna? Ele é idiota? –Riley estava irritado.
—Kent querido… –Todos encararam a expressão sombria de Vargas. –Eu te garanto que quase fiz miséria de professores e colegas de classe dos meus filhos por muito menos.
Tom lembrou que Edith tinha quatro filhos, sendo uma menina trans e um garoto gay, o que a fazia o demônio com aquele tipo de questão. Ela podia ser compreensiva com alguns casos, mas outros… A mulher podia fazer uma guerra parecer um lugar agradável quando pegava alguém que a irritava de verdade.
—Quais as chances dela acabar batendo no garoto que tentou acertar a namorada dela sem uma intervenção? –Riley tratou de desviar o foco da raiva da colega.
—Acho que poucas. –Tom pensou um pouco. –Acho que ela provavelmente ia jogar ele contra a parede, mas ia segurar a força. –Ele concordou consigo mesmo. –É, ela faria isso. Claire entende a própria força melhor do que ninguém.
—Também tive essa impressão. –Brant encarou a imagem congelada na tela. –Ela parece ser o tipo que não usaria força letal a menos que fosse absolutamente necessário ou uma ordem superior.
—Bom, eu bateria nos dois. –Edith respirou fundo. –Voltando a entrevista do Maines, se ele tem esse nível de formação, qual o nível da Claire?
—Completo. –Tom e Rose disseram juntos.
—Completo em que sentido? –Vargas olhou para os dois, confusa.
—Ela nos explicou um pouco mais na entrevista, então podemos mostrar ao invés de falar, sendo assim… –Tom se encolheu.
—Tudo bem, vamos seguir de onde paramos. –Edith encarou Brant. –Você sabia que todas as contas do seu namorado são monitoradas?
—Ele comentou algo, mas eu nunca soube que a Shield controlava todos os gastos tão de perto a ponto de ele ter que explicar por que surgiu algo como anticoncepcionais na fatura do cartão. –Todos a olharam surpresos. –Matthew comentou que mais de uma vez ele passou por auditorias por ter me comprado o remédio e na primeira vez ainda estávamos nos primeiros seis meses, então acho que é uma coisa boa ele não ter terminado o relacionamento por isso.
—Auditoria? –Mesmo Tom a encarava. –Ficou sabendo disso ontem?
—Hoje de manhã quando perguntei para ele sobre já ter tido problemas com as regras para ser do monitoramento. –Rose suspirou. –Parece que todas as vezes que algum item como absorventes ou anticoncepcionais aparece no cartão dele, uma auditoria é feita e ele tem que assinar dúzias de formulários. Ainda bem que ele me ama ou já teria terminado comigo considerando a quantidade de vezes que peço para pegar algo do tipo.
—Me diz que vai evitar pedir isso agora. –Tom tinha uma cara de pena para o agente Maines.
—Não preciso mais. –Brant fez uma careta. –Entrar no plano de saúde dele significa que a Shield tem acesso aos meus dados agora, assim como dos companheiros de todos os agentes do monitoramento. –Ela bufou. –Ainda bem que eu amo aquele idiota ou teria terminado com ele na segunda-feira.
—Você imaginou que esse era o motivo dele nunca ter feito uma conta conjunta, não é? –Edith comentou divertida. –Gosto desse tipo de coisa. –Todos a olharam curiosos. –A agência sabe que precisa monitorar os companheiros dos agentes já que terceiros podem ser cúmplices em coisas erradas. –Ela encarou Brant. –Acho que até te deram uma das tais pulseiras de localização.
Rose confirmou e todos riram.
—Sabe, eu juro que pensei que esse programa seria uma grande porcaria e não pela falta de conteúdo, mas pelo que teríamos para falar aqui depois do feriado que tivemos, então estou feliz de ter me enganado. –Riley comentou e todos concordaram. –Bom, voltando ao acompanhamento da Claire e da Laura, vocês dormiram onde?
—Na Shield mesmo. –Tom sorriu. –Brant ficou com o noivo no alojamento pessoal dele, enquanto eu e os rapazes ficamos em outro alojamento. Muito confortáveis considerando o uso normal das acomodações, então acho que a agência considera a qualidade dos alojamentos algo essencial no desempenho do pessoal.
—Vou acreditar em você, já que nunca fui para um campo de batalha ou acomodações militares em geral. –Kent adiantou qualquer comentário sobre as acomodações. –As garotas estavam melhores no dia seguinte?
—Sim e não. –Harry suspirou. –Os efeitos colaterais das drogas especiais usadas nelas estavam mais fortes, então a médica responsável mandou as duas ficarem nas cadeiras de rodas.
—Na verdade não sei nem se podemos dizer que os efeitos foram causados especificamente pelas drogas. –Brant comentou e Tom concordou. –Elas acabaram nos explicando um pouco sobre como os poderes delas funcionam durante o café da manhã. –Ela olhou ao redor. –Podemos mostrar essa parte e depois retomar no estúdio?
E em menos de cinco segundos Edith tomou a frente.
—Podemos sim, a emissora disse para irmos até onde for possível. –A mulher riu. –Pelo que entendi o público está curioso e nossos chefes não muito atrás. –O olhar travesso da latina fez todos rirem. –Recebi no ponto o trecho em questão tem uns quinze a vinte minutos, então vamos fazer uma pausa rápida de dois minutos e voltamos direto com as imagens da conversa de vocês, depois direto para o estúdio. –Vargas encarou a câmera. –Não mude de canal. Beba uma água e passe no banheiro que temos muito mais para conversar e mostrar no nosso programa especial desta noite.
Todos riram da forma como Edith Vargas tomou a frente e prendeu diversos espectadores mais uma vez durante aquela noite.
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O corte terminava antes de qualquer coisa sobre a proposta para os Booker aparecer, então era apenas um final simples.
Harrelson e Brant não sabiam como estava a recepção do público depois daquele trecho do programa, apenas que eles ainda estavam no ar, então talvez estivesse melhor do que o esperado.
—E voltamos para o estúdio. –Riley comentou ainda assustado. –Espera. Eles sabem?
—O agente Morrison confirmou depois, fora das câmeras. –Thomas não parecia feliz. –Foi algo que me fez passar os últimos dias pesquisando muito sobre alguns dos grupos anti-mutantes que vemos pelo país e vários deles aparecem aliados a laboratórios, grupos de pesquisa especializados em dissecação ou até mesmo células terroristas que… Olha, alguns fariam os nazistas parecerem amadores.
—Esse comentário é forte Harry. –Kent alertou o amigo.
—Acredite, eu sei. –Thomas manteve o olhar.
—Ah, droga. –O homem negro negou. –Você tá falando sério.
—Infelizmente Riley. –Brant comentou. –Ajudei Tom nas pesquisas e… –Ela hesitou. –Algumas das coisas que achamos eram qualquer coisa em termos de tortura, menos pesquisas médicas.
Houve um momento de silêncio desconfortável.
—A verdade é que sempre vamos encontrar esse tipo de monstros, não é mesmo? –Todos concordaram com Vargas. –Lembro quando uma das matérias do Tom foi ao ar a uns dezenove anos, sobre como uma rede de tráfico de crianças na máfia do sexo estava se aproveitando do caos causados pelo que aconteceu há vinte anos e deixou muita gente horrorizada. Mesmo assim isso continua acontecendo e não temos mais a desculpa de que o mundo quase acabou para justificar a falta de ações que protejam as nossas crianças.
—É uma verdade infeliz. –Tom comentou e olhou no celular negando. –Claire usou o hack do Stark e me mandou uma mensagem. –Ele mostrou para Rose que riu e então notou o olhar dos outros colegas. –Ela disse que é por isso que acha o meu livro incrível, porque eu questiono a falta de mudança nas políticas que visam proteger as nossas crianças em todo o mundo e também na legislação de cada país. Bom, não só as crianças, mas meu livro tem uns dois ou três capítulos inteiros dedicados a essa questão especifica, entre outras questões do tráfico humano.
—Agora eu tenho que ler o seu livro. –Edith comentou fingindo estar chateada e todos concordaram com ela. –Saindo um pouco da questão tensa e completamente revoltante dos experimentos em mutantes e do tráfico humano, que renderiam pelo menos umas três matérias e dois programas... –Todos assentiram sabendo que a mulher cobraria aquela afirmação mais tarde. –Mutantes demônios? Ou são demônios mutantes?
—Isso também confundiu a gente no começo, mas em off elas nos explicaram mais tarde que não é uma nomenclatura exata. –Brant tomou a frente naquele ponto. –No caso da Tália é uma questão de herança de sangue, então o que vem antes, o status mutante da avó ou o de demônio do avô? A mãe dela é humana, então isso faria dela mais mutante ou menos?
—Então chamá-la de mutante demônio ou demônio mutante não alteraria nada a situação dela, já que a avó é filha de humanos e o avô de demônios. –Vargas estava ligeiramente mais séria que o normal. –Isso é algo interessante, mas ao mesmo tempo não acrescenta em nada a discussão sobre como chamá-los.
—Correto. E ainda que possamos ir mais longe do que isso, não existe uma garantia de resposta. –Brant continuou. –No caso que elas citaram, a garota chamada Alexis tem uma mãe que é mutante, filha de pais humanos. Como a mãe foi “infectada” ou, se preferir, convertida em um ser parte demônio, podemos pensar que mutante demônio é o correto, mas… –Ela fez um sinal sobre o outro ponto. –Ninguém sabe quem é o pai dela.
—Se ele for um demônio existe a mesma questão da outra garota e se não…
—Justamente. –Rose ainda explicava aquilo que mesmo Harry não havia entendido quando perguntaram para as garotas. –Vamos supor que o pai dela é humano, ela pode ser considerada parte humana como nós ou vamos ignorar isso? E mesmo que o pai dela seja um demônio, podemos ignorar que a mãe dela é filha de humanos e foi transformada em um demônio depois de ser sequestrada?
—Acho que isso é muito complicado de analisar. –Vargas hesitou. –Me lembra muito casos onde as pessoas culpam a vítima de síndrome de Estocolmo pela situação em que se encontra e sabemos que nesse caso existe a chance de tratamento, ainda que não garanta sucesso.
—É, eu duvido que exista um tratamento efetivo para reverter o que aconteceu com a mãe dela. –E nesse momento Tom mostrou o celular para Rose. –Segundo a Claire não existe forma de reverter sem matar o indivíduo, por isso eles acreditam que pessoas que foram “infectadas” em geral têm filhos com traços de habilidades demoníacas em diferentes níveis de poder; porém tudo isso é teoria. –Ela encarou Tom. –Não tinha perguntado nada disso naquele dia, ela é boa resumindo.
—Acabei de encontrar um assunto interessante para pesquisar. –Vargas admitiu e Riley a encarou. –O quê? Eu sempre amei o sobrenatural.
Todos acabaram rindo.
—Agora eu entendi sobre a questão dos efeitos colaterais. –Todos olharam para Kent. –Acredito que aquelas drogas aceleram o processo de cura das duas, mas as deixa cansadas, precisando de nutrientes. –Rose e Tom concordaram. –Eu me pergunto, essas drogas não poderiam ser disponibilizadas para o grande público?
—Não. –Harry não hesitou. –Lembra quando falamos sobre coisas que não podemos explicar? –Riley concordou. –Essas drogas, sem entrar em detalhes, são perigosas e não podem ser usadas em qualquer um ou em qualquer caso. Na verdade, apenas saber que elas existem já é um perigo e se elas viessem para o público… Vamos dizer que não ajudaria do jeito que pode parecer, apenas geraria caos e problemas a longo prazo. Especialmente pelas restrições de uso.
—E vocês chegaram a encontrar ou ter alguma notícia sobre o rapaz ferido que ficou sob cuidados da Shield. –Kent mudou um pouco o foco.
—Nós tivemos contato com a família dele, mas os pais solicitaram que nada sobre o estado de saúde do filho fosse divulgado. Só podemos dizer que ele ainda está vivo. –Tom resumiu.
—Espero que ele melhore. –E Riley estava sendo sincero. –E depois disso, o que vocês fizeram?
—Demos uma volta e fizemos a entrevista. –Thomas gargalhou. –Eu fui nocauteado depois dessa.
—Acredito que isso seja uma questão figurada, já que não vejo hematomas. –Edith brincou e Tom concordou.
—Dois minutos de pausa e podemos rodar a entrevista na íntegra? –Kent parecia animado e recebeu uma resposta imediata. –Então para quem está em casa, eu sei que os comerciais são chatos e irritantes, mas aproveitem a pausa de dois minutos e vamos voltar com o principal evento da noite. –E mesmo a postura mais relaxada do apresentador era algo que chamava atenção naquele dia.
Os televisores não mudaram de canal e mesmo que nenhum dos quatro pudesse gastar tempo com os números das redes sociais durante as pausas, seus assistentes e colegas podiam ver que o programa estava no top 3 dos assuntos mais comentados da internet em várias mídias sociais diferentes. Enquanto as duas emissoras que transmitiam o programa acumulavam oitenta e nove por cento da audiência em todo o país.
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E meia hora mais tarde todos estavam novamente encarando Thomas Harrelson, vermelho de vergonha. A gravação editada terminava no exato momento em que ele chamava Claire de boa garota enquanto bagunçava os cabelos dela e todos tinham um sorriso divertido no rosto.
—Eu falei que ele virou um super fã da Claire. –Brant brincou e todos riram.
—Tudo bem, eu mereço. –Tom riu. –Ainda prometi autografar toda a coleção dela dos meus livros e matérias. –Ele ficou mais vermelho. –Sério, toda vez que ela elogiou algo do meu trabalho senti vontade de abraçá-la como se fosse minha filha ou minha neta.
—Me pergunto por que essa conexão com ela Thomas. –Kent estava descontraído.
—Não é diferente do que aconteceu quando conheci minha pupila, Liv, ou mesmo você ou Brant e Everhart, mas ela entende o que vejo e o que experimento nas minhas matérias de uma forma mais intensa. –Harry tentava encontrar as palavras exatas. –Quando algumas pessoas olham as situações que já passei, o que pude ou não fazer, vejo muito julgamento e ela entende que eu sou fraco, então não posso fazer quase nada além de pesquisar e publicar. –O jornalista se emocionou um pouco. –E mesmo que a Claire tenha a força que me falta para fazer acontecer, ela ainda tem que ver aqueles que não pode salvar, tem que esperar para agir na hora certa e muitas vezes isso pode significar deixar alguém morrer para não falhar na missão. Então ela entende essa coisa que muitos dos jornalistas investigativos de campo passam e que boas pessoas têm que lidar quando veem essas coisas, mesmo que pela televisão.
Kent assentiu.
—Acho que estou começando a entender. –O homem confessou para o colega.
—E realmente tivemos a resposta sobre a formação escolar delas. –Vargas parecia um pouco chocada. –Ela tem mais faculdades aos dezesseis do que eu teria se tivesse passado toda a minha vida estudando.
—E disse que talvez curse medicina só pra ocupar o tempo. –Brant suspirou.
—Medicina? Para ocupar o tempo? –A latina desabou no sofá. –Ela é um gênio como o Stark por acaso?
O celular de Tom apitou e ele entregou para Rose que riu.
—Sim e não, resposta do Stark. Parece que a Claire é boa em aprender e não esquecer, algo como uma mistura de memória fotográfica e hipermnésia, faz com que ela tenha uma capacidade intelectual alta, embora não como a de pessoas capazes de criar coisas. –Rose encarou Edith. –Não sei exatamente como funciona, mas parece que ela não tem a parte genial segundo ele.
—Ela tem umas dez faculdades, avisa o Stark que pra mim, uma reles mortal, isso pode ser considerado gênio. –Vargas foi direta e muitas pessoas ao redor do país concordaram com ela.
—Ele concordou. –Brant devolveu o celular para Tom.
—Agora, sério. Imortais? –Riley fez uma cara de “como assim?”. –Eu nem sabia que podíamos sonhar com alguém assim, só que pelo que entendi existem, pelo menos, um três dentro desse padrão, certo?
—Oficialmente, considerando a expectativa média de vida, tem uns dez. Isso que eles consideram pessoas que podem viver mais de cem anos com a mesma aparência e com expectativa de vida superior a cento e cinquenta anos. –Thomas resumiu.
—Cento e cinquenta? E isso só na expectativa de vida, tem algum outro critério? –Kent estava realmente surpreso.
—Tem outros e nesse caso o número sobre um pouco mais, mas aí eles já consideram especulação devido a uma série de fatores, como não saber como o tempo vai afetar o envelhecimento desses indivíduos. –Thomas suspirou. –Claro que nessa conta estão os filhos do Thor, que são semideuses, então podemos esperar que alguns vivam mais ou menos e até mesmo que não permaneçam no planeta com o correr das décadas e séculos.
Riley estancou.
—Séculos?
—Não é estranho Kent. –Vargas tinha um olhar triste. –Na verdade, não é algo bonito. –Ela encarou Harry. –Vocês perguntaram em off como as garotas se sentem sobre isso?
—Até perguntamos, mas elas não quiseram comentar.
—Elas pareciam que não queriam pensar sobre o futuro. –Brant sorriu triste. –E eu entendo, porque não é algo divertido de pensar que muitas das pessoas que você ama um dia vão morrer enquanto você vai ficar para trás, até que quase todos que conhece já tenham partido. –Ela fungou. –Eu não gostaria de passar por isso, posso garantir.
—Nem eu. –Vargas afirmou. –Aliás, eu tinha razão sobre o parentesco dela com a grande Peggy Carter, o que deve ser difícil, já que a mulher é literalmente uma lenda naquele lugar.
—Admito que não falamos muito a respeito, mas ela parece idolatrar a tia Peggy, o que é perfeitamente compreensível. –Rose tentou soar mais animada depois do assunto pesado de antes. –Ela realmente ama ver e falar sobre o que a Peggy Carter fez, os olhos dela brilham como quando fala dos pais. É incrível.
—E a questão da escola? –Todos olharam para Riley, sério. –A forma como eles a colocaram em comparação com o que nós vemos e ouvimos é completamente diferente, como opostos. O que é estranho, já que não consigo imaginar a Claire fingindo algo, a menos que seja uma missão oficial da Shield. –E, como sempre, o sexto sentido do homem negro era afiado.
—Foi uma das primeiras coisas que notei Riley, uma das que mais me incomodou no primeiro dia e que eu mais tomei cuidado. –A expressão séria de Harrelson chamou a atenção de todos, pois ela era algo conhecido nas grandes revelações de suas matérias. –No final, não precisei de muito para perceber que algo de errado estava acontecendo, e não era na Shield ou nas coisas que estava vendo enquanto acompanhava a Claire e a Laura. –A postura dele mudou para algo firme. –Existe algo de podre naquela escola, o suficiente para eles tentarem até mesmo desacreditar as conquistas educacionais da Claire, que se fez passar por uma aluna nota oito todos esses anos.
—Com a formação dela, as notas do colégio deveriam ser dez. –Kent confirmou.
—Exatamente. –Thomas respirou fundo. –Além disso, eu levantei dados sobre aquela escola e não achei nada de bom além da grade curricular.
—Eu conheço a escola Tom. –Todos encaram Edith. –Meus filhos estudaram lá por três anos, então eu os mudei para outro colégio, mas não foi fácil. Eles me perseguiram por um bom tempo tentando fazer meus filhos recomeçarem os estudos alegando que eles usavam trapaças. –A mulher parecia furiosa. –Demorei três anos até me livrar dos desgraçados.
Harrelson indicou a colega à sua frente.
—Meu ponto. –Ele abaixou a mão. –Se eles fizeram algo assim com a nossa colega, apenas porque os filhos dela não se encaixavam no padrão deles, o que fariam com a garota que chutou o “príncipe dos esportes”? –Tom riu. –E o tal “príncipe” tem duas acusações de estupro sendo investigadas.
—É brincadeira… –Kent negou ao ouvir aquilo. –E é por um traste desses que a escola está fazendo isso? Por quê?
—Pais ricos. –Harry fez sua melhor pose de “grande coisa”. –O que é ridículo quando você analisa as conexões da própria Claire com os Stark, os Frost, os Parker, a Shield, toneladas de juízes e congressistas ou mesmo Wakanda e a Latvéria. Só que eles nunca souberam de nada disso.
—Porque ela queria viver uma vida normal. –Todos olharam para Vargas. –Não é difícil imaginar que alguém que é virtualmente imortal e quer ter uma vida normal oculte suas ligações com quase todos que tem influência e ela conhece.
—E considerando que ela é literalmente da realeza na Shield, isso já é influência mais do que exagerada. –Kent assentiu. –Eu não sei o que a escola pretende, mas eles são insanos na minha opinião.
—Na minha também, só que eu não vou alertá-los para isso ou ir lá dar conselhos. –Tom ainda parecia sério, porém agora já tinha alguns momentos mais relaxados.
—E no final, acho que já imagino o que vocês concluíram de tudo isso. –Todos encararam Vargas. –Vocês gostaram delas e eu não posso culpá-los, porque gostei delas pelo que vi.
—Nisso você está certa Edith. –Brant riu. –Eu até passei a concordar com Matthew sobre como seriamos sortudos em ter filhos que sejam um décimo como a Claire, porque ela é uma boa pessoa. –Ela fez uma careta. –Boa até demais em alguns momentos, mas não tem muito que fazer sobre isso.
Todos riram.
—E ainda vai ter mais material para os especiais da internet? –Edith olhou para os colegas.
—Tem bastante coisa ainda. –Tom comentou. –Tem uma sequência antes de encontrarmos com elas, tem a íntegra da conversa delas com a Tália e do momento em que elas encontraram a criança na frente da Shield. Mesmo os trechos que mostramos serão lançados nos canais das emissoras, assim como algumas conversas extras e nosso dia depois da entrevista.
—Algo problemático sobre alguém ficou de fora? –Kent se mostrou curioso.
—Ficou. –Brant se mostrou desconfortável. –Teve uma conversa, algo que até chegou a ser comparado com o caso de Hank Pym a alguns anos, só que era muito problemático para usarmos. Processos e uma infinidade de dores de cabeça que nenhuma das emissoras vão querer, pelo menos eu acho.
—Hank Pym? É aquela questão da violência doméstica envolvendo ele e a ex-mulher, Janet Van Dyne? –Riley tentava lembrar os detalhes.
—Essa mesma. –Rose hesitou. –Pelo que as meninas comentaram, Hank teve um surto psicótico e atacou a esposa, que tentava ajudar. O monitoramento ainda não era cem por cento como hoje, eles levaram algum tempo para identificar o problema e chegar até lá, mas conseguiram conter o Pym, que estava tentando se matar, e resgatar a Janet, que caiu e desmaiou.
—Parece que ele ficou internado uns seis meses sob forte medicação e depois os dois concordaram que o divórcio era a melhor opção para ambos e para os filhos. –Thomas não tinha uma opinião forte sobre o caso.
—E por que o Pym surtou? –Vargas ficou confusa.
—Esquizofrenia. –Brant comentou e Riley ficou tenso. –Parece que ele não era diagnosticado e medicado na época, surtou e… –Ela suspirou. –Isso afetou a família inteira pelo que entendemos, até hoje.
—É uma doença difícil. –Kent comentou. –Minha mãe tinha.
Ele não falou mais nada, todos entenderam que ele sabia como era.
—E como a polícia foi envolvida no caso? –Edith queria o detalhe que faltava.
—Tudo aconteceu no apartamento civil dos dois e os vizinhos chamaram a polícia. –Brant completou.
—Então foi assim que o boletim vazou e a imprensa tomou conta do caso. –Vargas concluiu sobre uma das histórias mais confusas de sua carreira. –Como o doutor Pym vive hoje?
—Medicado, em terapia e com acompanhamento completo, incluindo o monitoramento. –Harrelson resumiu.
—Isso é bom. –E Kent ainda estava um pouco abalado. –Pelo menos ele sabe que tem poucas chances de ferir alguém por acidente.
—Verdade. –Todos concordaram.
—Eu devo dizer que essa entrevista foi cheia de reviravoltas. –Todos olharam Vargas. –Eu não sei o que nossos chefes vão fazer quando essas câmeras apagarem, só que vou arrastar os dois para um jantar e cobrar muitos detalhes do que não foi falado.
Todos riram da expressão animada da mulher latina, mesmo Kent sorriu.
—Me leve junto Edith, eu tenho questões e quero ajudar na matéria sobre a guerra da Latvéria.
Os dois fizeram um high five e encararam Tom e Rose que riam.
—Meu Deus. Acho que não vou voltar para casa antes de amanhã à noite.
—Eu vou voltar, tenho um encontro com meu noivo amanhã à noite e um compromisso no sábado. Assim como você
—Verdade. –Harrelson sorriu.
—Viu, eles tem segredos que precisamos acessar. Vamos unir forças. –Edith brincou.
—Vamos. –Kent concordou.
Todos riram.
—E depois de todas as surpresas dessa noite, espero que todos tenham aproveitado essa oportunidade única, com acesso a tantas informações e um olhar único sobre a Shield, seus agentes, colaboradores e mutantes. –Edith Vargas começou o encerramento.
—E nós agradecemos por todo o esforço e cuidado dos nossos colegas, Rose Brant e Tom Harry, em procurar a notícia e nos trazer, com todo o cuidado, as informações que tiveram acesso. –Riley Kent agora sorria de uma forma um pouco mais animada. –Lembrando a todos os espectadores que na sequência teremos a entrevista com Tony Stark, Virginia Potts, Peter Parker, Mary Jane Watson, Emma Frost e Maria Hill realizada na Torre Stark na noite de segunda-feira.
—Agradecemos a atenção e audiência de todos e nos vemos em uma próxima ocasião.
Vargas encerrou o programa e os comerciais tomaram as telas de todos os televisores do país por cinco minutos, mas quase ninguém ousou mudar de canal.
Ainda que todos no estúdio estivessem relaxados e se arrumando para encerrar a noite de serviço, eles ainda estavam atentos ao impacto da última parte da matéria que realizaram.
E como não podia deixar de ser depois de tudo, a audiência daquela noite entrou para os recordes da televisão americana como o dia em que duas emissoras, transmitindo a mesma programação, monopolizaram quase noventa por cento da atenção no país.
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—
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Continua...
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No próximo capítulo: Next Day.
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