Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

12 de Outubro

A primeira coisa que aconteceu na Torre Stark com o fim do programa foi que todos conseguiram comer de forma mais tranquila, especialmente depois de um relatório de emergência da Shield avisar que as primeiras reações na internet e redes sociais eram positivas (algo que a Comandante Johnson confirmou e Jarvis verificou).

E conforme havia conversado antes, Daisy pegou emprestado o escritório de Tony para uma conversa com Andrew, que foi acompanhado de Christine.

Os três sentaram nas poltronas e um silêncio desconfortável reinou por alguns minutos.

—Hill me disse que você parece não confiar muito em mim. –O garoto ficou um pouco surpreso, mas não conseguiu retrucar, já que havia verdade naquela questão. –Não vou perguntar seus motivos ou o por que minha chefe parece saber mais da sua vida do que eu, de certo modo sei que tenho uma boa parcela de culpa nisso.

—Isso deve ser decepcionante. –Daisy encarou o filho. –Ter um filho que não confia em você. –E a falta de ironia era um sinal que Andrew se culpava por não conseguir confiar na mãe. –Sinto muito.

—Por que? –Ele a encarou surpreso. –Não é como se eu merecesse alguma confiança quando estou sempre te evitando ou fugindo dos pequenos momentos em família que você tenta criar. De certa forma eu estou colhendo o que plantei.

Outro momento de silêncio se seguiu e mesmo Christine não ousava falar, apenas segurava a mão do namorado.

—Meu pai está morto? –Daisy assentiu. –Quando?

Ela respirou fundo contendo a dor que sempre atingia quando o assunto vinha à tona.

—Um mês antes do seu nascimento.

O garoto ficou surpreso.

—Ele não me conheceu? –A mulher negou. –O que aconteceu?

Os olhos de Daisy se encheram de lágrimas e ela levou mais de cinco minutos para conseguir falar.

—Desculpa, eu não posso falar disso. Eu… –Ela hesitou. –Eu não consigo. –Ela respirou fundo e encarou Andrew. –Você é tão parecido com ele e não é só na aparência. –A mulher fungou. –É um pouco doloroso olhar para você e ver uma imagem tão clara dele, eu… –Sua voz falhou. –Mesmo hoje eu não superei o que aconteceu, foi repentino e… –Daisy parou por um momento e encarou o teto. –Compramos algumas terras, tínhamos planos de construir uma casa com espaço e ter uns três filhos, o primeiro era você.

—Vocês eram casados? –A mulher negou. –É por isso que não tenho o sobrenome dele?

—Acredite, você tem o sobrenome dele. –Andrew franziu a sobrancelha. –Ele também tinha o sobrenome Johnson, por isso decidimos não duplicar. –Daisy riu pela primeira vez. –Ele era um homem prático sob muitos aspectos.

—Onde ele trabalhava?

—Na Shield. –O garoto a encarou com expectativas. –Era engenheiro, como seu tio Mack, e também um inumano, com uma habilidade de usar os dedos para soldar fios, embora ele fosse fraco se comparado com você.

—A senhora não vai me contar como ele morreu?

—Eu só não posso falar disso.

—Não pode, não consegue ou não quer?

A inumana suspirou.

—As três coisas.

—Por que?

—Existem coisas que eu não quero que você saiba sobre isso. –A mulher encarou Christine. –Assim como tem coisas que a sua mãe não quer que você saiba.

—Ela contou sobre a nossa conversa? –A Frost se sentiu estranha com aquela possibilidade.

—Ela precisou contar para Ororo, que contou para a Hill e ela me contou. –Depois ela se voltou para o filho. –Eu levei dezesseis anos para conseguir me abrir para algo como tentar conhecer outra pessoa e dois anos para conhecer alguém.

—Você está saindo com um cara?

—Não, eu meio que nem comecei. –Ela suspirou. –Eu contei para ele sobre você e sobre seu pai, não tudo, mas contei o principal.

—Contou para um estranho sobre meu pai e não para mim? –Andy estava um pouco irritado. –Tem ideia de como isso é errado?

—Tem ideia de como eu não queria ter que te contar nada disso? –E Daisy continuava calma. –De um certo modo eu ainda o amo e sempre vou amar, então é difícil que eu consiga criar uma conexão com outra pessoa.

—Quem é esse cara?

—Um médico viúvo. –Ela encarou o filho. –Cirurgião ortopédico, dois filhos um pouco mais novos que você. –Um longo suspiro. –A mulher dele sofreu um acidente de carro.

—Quando a senhora o conheceu?

—A uns seis meses, mas pedi um tempo a mais ou menos um mês e meio.

Andrew parou por um momento.

Ele lembrava claramente das pequenas mudanças que viu na mãe durante aquele tempo, ainda que na época apenas tivesse ficado feliz que ela parecia mais animada.

Não apenas isso.

Durante os quase cinco meses que ele entendia como o período em que Daisy estava saindo com o tal médico, ela parecia mais presente na sua vida, nunca faltando nos jantares semanais que tinham para conversar e até mesmo arrumando tempo para assistirem a um filme em família.

Aquele estranho havia, de forma indireta, os aproximado por um tempo.

—Por que parou de vê-lo?

—Culpa. –A mulher deu de ombros. –Me lembrei do seu pai e… Me pareceu errado estar com outra pessoa. –Ela suspirou. –Hill deve me achar idiota por isso e sua madrinha também.

—Quando elas descobriram sobre ele? –Andy sabia que elas já teriam dado uma bronca em sua mãe dependendo de quando receberam a informação.

—Menos de vinte e quatro horas, eu acho.

—Por isso ainda não chutaram a sua bunda até o médico?

—Provavelmente.

—Ele sabe sobre mim? Sobre meus poderes?

—Sabe, eu não escondi essa parte. Embora eu não tenha entrado em muitos detalhes por segurança.

—E você gosta dele? –Daisy assentiu. –Vai procurá-lo?

—Ainda não tenho certeza, queria falar com você primeiro.

—Bom, então eu acho que você devia procurá-lo ainda hoje, especialmente se ele estiver de plantão.

—Como?

Andrew levantou com Christine segurando sua mão, que tremia.

—O que você tem a perder? Levar uma bronca do Fury? –O garoto andou um pouco em direção a porta. –Acho que ele pode superar isso, mas o médico tá esperando há mais de um mês, acha mesmo que pode deixá-lo assim por mais tempo? –Ela negou um pouco. –Então, não esqueça de me apresentar para ele se tudo der certo.

—Não vou esquecer.

—Eu preciso de um tempo para processar tudo isso, vou para a casa da Claire. Você avisa Hill que talvez eu troque meu turno amanhã?

—Não se preocupe, acho que ela já previu isso. Você só precisa aparecer depois das seis, vai pegar o turno da madrugada.

O garoto assentiu e assim que Andrew saiu da sala, Daisy ligou para alguém.

—Pode me dizer se o doutor Braun está de plantão hoje? –Houve uma pausa e em seguida a mulher sorriu. –Não, eu agradeço. –E antes que pudesse desistir, a inumana ativou o comunicador com a Shield. –May, eu vou demorar para voltar. –Ela riu da outra mulher. –Andrew está com a Christine, eu vou ver o Harvey no hospital e descobrir se ainda tenho uma chance. Então me deseje sorte.

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—Como acha que fomos? –Tony encarou os amigos que ainda estavam no escritório.

—Acredito que melhor do que o esperado, mas Jarvis não terminou de analisar as reações pela internet? –Pepper tomou um gole do whisky tentando relaxar.

—Ele terminou, mas…

—A preocupação do Tony é com a repercussão a longo prazo. –Todos olharam para Mary Jane, que tentava não pensar na mesma questão que o amigo. –Ter um bom resultado no começo nem sempre assegura um sucesso completo, é como o mundo do entretenimento funciona. A estreia maravilhosa de uma semana é o desastre colossal da temporada.

—Então nós devemos ser, no mínimo, cuidadosos, é o que quer dizer. –Natasha concluiu ao notar o olhar do Stark. –O que mais te preocupa?

—Muitas coisas. –O empresário olhou para única pessoa com uma grande diferença de idade dos demais. –Qual a sua opinião, Sarah?

A garota suspirou.

—Não sei tio, só acho que a matéria não vai mudar a questão com o pessoal da Secretaria de Educação ou a audiência no Capitólio mês que vem, nem mesmo vai diminuir a pressão sobre qualquer um dos envolvidos. –Ela andou até o vidro do escritório. –Sei que vocês já estão cientes dos grupos vigiando o Instituto, a Torre Stark, o edifício Baxter, a Shield e a casa da Claire, mas acho que devemos nos preparar para aos poucos termos todas as residências cercadas. –Sarah se virou para os mais velhos. –Sei que isso já deve ter passado pela mente de alguns de vocês, então acho que as providências já estão sendo tomadas, o que não vai diminuir o impacto quando ele vier.

—Alguma sugestão? –Clint levou as palavras da garota a sério, assim como os demais.

—Acho que a melhor alternativa é deixar tudo pronto para que, no pior dos casos, todos passem a morar na Shield, na Torre ou no Instituto, talvez até no edifício Baxter, mas… –A garota encarou o casal de Vingadores.

—Reed não é uma pessoa estável e menos ainda com a questão da Valéria em jogo. –Natasha encurtou a questão.

—Então vamos nos preparar. –Tony sentou na cadeira e começou a digitar furiosamente, enquanto Pepper fazia o mesmo com Peter. –Se não precisarmos de nada disso, pelo menos ficamos com um plano de contingência a mais em mãos.

—E todos sabemos que esses planos nunca são demais. –Peter concluiu.

—Acho que com isso nós estamos liberados por enquanto, certo? –Mary Jane encarou os três que confirmaram. –Então não fiquem acordados até tarde, vocês precisam descansar um pouco.

—Pode deixar, vou parar tudo em breve e recomeçamos pela manhã. –Pepper acenou um adeus e o restante do grupo deixou o escritório.

Natasha e Clint pegaram os gêmeos, Wolf e Valéria para irem até a casa da família por, pelo menos, uma noite.

Mary Jane e Sarah arrastaram uma sonolenta Annie May para o quarto.

Os Carter Rogers tinham levado Maria, que parecia animada em dormir na casa de Claire e brincar o dia seguinte inteiro com Jay.

Tristan já estava em seu quarto, pensando na longa conversa que teve com Conner e nas possíveis complicações que poderiam acontecer, assim como nas melhorias que seu relacionamento poderia sofrer.

Cada um estava a seu modo em seus próprios problemas.

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A primeira coisa que fizeram ao chegar em casa foi uma reunião no quarto da Claire, já que a loira exigiu todos os detalhes do que estava acontecendo.

Christine não precisava ser um gênio para saber que ouvir toda a história que sua mãe, Hill e James contaram estava deixando sua melhor amiga muito brava.

—Pare com isso. –Todos encararam a Frost que olhava para a Rogers. –Você sabe quem ele é, mas… –A garota suspirou. –Pela primeira vez em muito tempo eu acho que confio de verdade na decisão da minha mãe, então deixe isso de lado, por favor.

A mais nova suspirou.

—Eu entendo e gosto que você e a madrinha estejam se dando bem, mas é tão revoltante. –Ela notou o sorriso da amiga. –Qual a graça?

—Estou feliz que esteja irritada no meu lugar sobre isso.

Claire suspirou vencida.

—Bom, se você está feliz com isso, eu vou deixar quieto.

—Não é que esteja feliz, é mais como não estar brava. –Christine inclinou o corpo para trás, se apoiando no sofá e encarou o teto. –Pensar que meu pai abandonou minha mãe grávida, o quanto James e Alexis a viram sofrer, o quanto minha mãe desejou ficar longe dele e o quanto ela tenta me proteger com medo que eu sofra é… –Ela deixou escapar um longo suspiro. –Acho que depois disso nem quero mais saber quem ele é, não faz sentido querer conhecer um homem que nem ao menos reconhece um filho, afinal, mesmo sem me registrar ele podia ter sido presente.

—Não parece ser o caso. –Andrew completou. –A forma como Emma colocou deu a entender que mesmo que ele esteja por perto, nunca houve uma tentativa de contato afetivo da parte dele.

—O que é uma das muitas razões pelas quais decidi que não vou mais perguntar sobre ele. –Christine encarou os três. –Esqueçam esse assunto, entendido?

Todos concordaram e Laura encarou Andrew.

—Deveria fazer o mesmo. –O garoto a encarou. –Sua mãe deve ter mais motivos que o luto e a dor para não te contar. Talvez ela tenha medo que você queira vingança.

O Inumano ficou desconfortável.

—Eu meio que quero. –Confessou.

—Logan disse que não quer que eu saiba a verdade por medo que eu acabe me perdendo.

—Confia nele sobre isso? –A morena assentiu. –E se ele estiver mentindo?

—Emma me garantiu que era verdade e eu confio nela. Além disso, Logan estava muito mais sério do que o normal quando perguntei a respeito, o que foi estranho e também reconfortante.

—Será que ela mesma já não se vingou? –Andrew comentou.

—Não sei, mas não seria outro motivo para ela esconder os detalhes sobre a morte do seu pai?

—Talvez. –Ele suspirou. –Vou tentar manter isso esquecido, só não posso garantir.

Todos concordaram e por fim Claire encarou os amigos.

—Vão dormir aqui?

—Não, vamos pegar o quarto do porão, vai ser mais confortável. –Christine.

—Tem certeza? Podemos trazer outro colchão para o meu quarto e todos dormem aqui. Não é como se alguém fosse transar essa noite; não com meus pais, meu irmão e a Maria na casa.

—Não, acho que vamos ficar melhor no porão mesmo. –Andrew hesitou. –Depois de tudo, ainda precisamos de algum tempo sozinhos para processar tudo isso.

—Se esse é o caso, apenas lembrem que podem contar com a gente. –Laura acenou para os dois que sorriram tristes.

E cinco minutos depois os casais se separaram com Andrew e Christine dormindo abraçados no porão, Claire e Laura adormeceram com a morena servindo de âncora para o sono agitado da loira.

James Logan e Maria estavam largados na cama do garoto, dormindo como pedra, enquanto Steve e Sharon aproveitavam a sua primeira noite de muito tempo em sua própria cama, na sua casa.

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13 de Outubro

Fury passou pela porta do escritório de Maria e desmontou na poltrona em frente a mesa da mulher.

—Daisy passou a noite toda fora. –Ele encarou o próprio relógio. –São seis da manhã e não sabemos onde ela foi, ou você sabe?

Hill deixou uma risada escapar.

—Com o médico. –Um sorriso cheio de segredos curvou os lábios da Comandante. –Aparentemente ele estava de plantão, mas tem um consultório para ficar quando não está ocupado.

O Diretor fez uma careta.

—Eu não preciso de uma das minhas Comandantes agindo como uma adolescente com hormônios em fúria.

—Agradeça que eles ficaram no hospital e, depois de tudo, May não decepcionou cobrindo o turno dela. –O homem concordou. –Além disso, vamos precisar rever as escalas já que a Daisy vai voltar a ter uma vida normal e não vai mais ficar pegando turnos extras sempre que alguma das outras Comandantes tiver um problema.

—Qual a sua proposta para isso?

—Acho que precisamos começar a usar o programa de Subcomandantes.

—Como o Andrew?

—Bom, se ele aceitar. –Hill fechou a pasta com o relatório e focou sua atenção no marido. –Mesmo com o seu soro, você não vai ficar mais novo.

—Eu sei disso. –Nicholas parecia preocupado. –Mas pensar em deixar essas responsabilidades nas mãos das crianças… Soa tão errado quanto é.

—Eu sei. –Maria levantou indo pegar um copo de água na jarra no canto da sala. –Queria poder dizer que só precisamos tomar uma injeção do HMC da Claire e tudo seria resolvido, só que nós dois sabemos que não é tão simples assim. Sem falar que todos nós já fazemos uso de alguma variação do Soro do Super Soldado, então ganhamos algumas décadas a mais para fazer esse trabalho.

—A May adorou saber disso. Aquela viciada em trabalho. –O homem suspirou. –Como vamos fazer isso?

—Estava pensando em algo como treinos, estágios e programas de carreira. –A Comandante voltou a sentar na sua cadeira. –Para aqueles interessados em pegar a responsabilidade, aqueles que querem ver se servem para o serviço e aqueles que só querem ajudar eventualmente.

—Consigo pensar em nomes quando você coloca dessa forma. –Ele encarou a esposa. –Andrew aceitaria isso pela carreira e pela responsabilidade, a questão é que ele só vai seguir em frente se Christine concordar. –Hill assentiu. –Fóton pode estagiar, o que ajudaria ele decidir o que realmente quer fazer na Shield no futuro. O garoto parece um pouco inseguro sobre isso.

—Duvido que a Claire aceite ficar como Comandante de forma fixa e tudo na vida dela agora é conectado com a Laura, mas ambas concordariam em ajudar. Só precisam passar por alguns treinos. –Hill suspirou. –E até alguns dias atrás eu teria dito que Robert seria perfeito para o plano de carreira.

—Mas Valéria muda tudo. –A mulher concordou. –Embora isso seja algo inesperado, não é tão ruim. –Ele notou o olhar curioso de Maria. –O relacionamento deles pode nos render uma proximidade muito maior com a Latvéria e, se eles se casarem no futuro, Von Doom pode até mesmo nomear Robert para algum cargo a fim de manter a afilhada por perto.

—Embora eu não goste de pensar nesse tipo de desdobramento político, acho que você tem razão. Até porque, Victor ama aquela garota como uma filha e vai fazer tudo que puder para fazê-la feliz.

—Reed ligou?

—Mandou o advogado.

—Depois da questão da Cassie, acho que os únicos advogados que você não quer matar são os nossos.

—Mandei o jurídico cuidar de tudo, mas… –Ela esticou um papel para Fury. –Sue mandou a papelada da emancipação da Valéria ontem a noite. –O homem estava surpreso. –Isso vai fazer o Edifício Baxter pegar fogo e eu não sei se é uma coisa boa.

—Não, não é. –Nick encarou a esposa. –Você vai me odiar, mas precisamos falar com Franklin.

—Eu sei. Já agendei para segunda de manhã, a pedido dele.

—Certo. –Ele pegou o relatório sobre a mesa e analisou. –E o que Jemma passou sobre o caso dos hematomas da Cassie?

—Superficiais. Ela não sabe o motivo exato, mas não são machucados de verdade e sim manchas na pele. Não há causa provável para falta de dor nas lesões, então nosso melhor chute é que pode ter relação com o demônio da Tália.

—E o que o Strange conseguiu?

—Nenhuma explicação, apenas que o demônio quer a Cassie tanto quanto a Tália e isso pode ter relação com as marcas serem superficiais e a falta de dor. –A mulher suspirou. –Stephen me disse que o demônio parecia ter dificuldade para articular respostas no plano espiritual, o que indica que apesar de poderoso têm habilidades intelectuais limitadas.

—Como o da Alexis e completamente diferente do Nikolai. –O Diretor parou por um momento. –Aliás, onde o garoto se enfiou nos últimos dias que não temos notícias?

—Não sei, já pedi para o pessoal do Instituto ver e me avisar. –Ela encarou Nick. –Também não gosto da ideia de deixar o garoto sem supervisão, só que nada parece errado e com tudo que estamos gerenciando… Estou tentando não pensar que ele é um problema.

—Tudo bem. Acha que é viável tentar trazer o demônio da Tália à tona para uma conversa?

—Quem sabe? Eu vou ver isso com a Emma mais tarde, só não acho que a própria Tália vá gostar da ideia. –Ele concordou. –E mudando de assunto, mas sobre ideias nada agradáveis…

—Fittz-Simmons. –Fury notou a expressão surpresa da esposa. –Também estou preocupado com isso e não gosto do que vamos ter que fazer, mas…

—Ficamos sem alternativas.

—Infelizmente. –Fury levantou e encarou Hill cansado. –Vou voltar para a minha papelada.

—Como eu resolvo as coisas com eles?

—Diga que as ordens foram minhas e que fui irredutível sobre isso. –Ele suspirou. –Sobre Leonora, não podemos interferir na questão de como ela age na terapia, mas podemos colocar todos em tratamento até segunda ordem. –Fury virou seguindo para a porta. –E diga para Natasha tentar convencer Danielle Cage a fazer a terapia, sei que as atividades dela tem ajudado, mas não quero deixar bombas-relógio explodirem agora.

—Concordo. –Maria suspirou. –Natasha vai me cobrir mais tarde e já avisei Daisy que ela tem que voltar para ficar no seu lugar. Andrew disse que vai chegar depois do almoço e May está disponível para tirarmos um cochilo até o final do turno.

—Tudo bem. Nos vemos em algumas horas, para o café da manhã.

Fury saiu fechando a porta enquanto Hill voltava sua atenção para os outros documentos que ainda tinha que analisar e relatórios para ler.

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Depois da calmaria vem a tempestade, mas para aquela manhã parecia que nada havia mudado.

James Howlett continuava a observar seu melhor amigo, Nathan Summers, queimando o poder cósmico da Fênix sem parar, o que o preocupava mais do que estava disposto a admitir.

—Tome. –Ele se assustou ao notar Ororo parada ao seu lado. –É só uma vitamina de frutas, afinal você ficou vigiando a situação para nós lidarmos com outros problemas e descansar um pouco.

—Minha mãe já acordou?

—Sim. Ela foi para o escritório a umas duas horas para adiantar a papelada. –A mulher negra suspirou. –Segundo Emma, nada vai interromper a reunião diretiva mais tarde.

—Ela pretende executar o Scott? –Não havia brincadeira em sua voz.

—Não. Ao menos ela parece não querer outra briga com a Jean, então assassinato está fora de questão por enquanto.

O garoto grunhiu.

—Me avise se algo der errado.

—Não. –James encarou Ororo. –Você vai dormir assim que os dois voltarem ao normal e isso não está aberto a discussões.

O Howlett pensou em rebater aquilo, mas estava cansado demais para brigar, então voltou a encarar o lugar onde o fogo cósmico ardia mantendo sua irmã de criação estável por qualquer que fosse o motivo que estava desestabilizando o seu demônio.

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Alexis abriu os olhos confusa.

A última coisa que se lembrava era de sentir a intenção assassina de James e Nate contra uma aluna, depois tudo era um borrão. Sabia que tinha sentido muito frio e depois algo a aqueceu, mas nada fazia sentido em sua mente.

Especialmente porque estava no meio do fogo e olhando para o céu.

Se sentia letárgica, como se não movesse seu corpo a dias, o que não coincidia com suas lembranças.

Seu primeiro pensamento foi que talvez tivesse desmaiado por uma semana, seus poderes de fogo poderiam ter saído de controle enquanto ela dormia e Emma decidiu levá-la para longe do Instituto até parar de queimar. Fazia sentido em sua mente.

Alexandra tentou se mover, o que fez seu corpo reclamar de dor, outra coisa extremamente estranha para ela.

—Você acordou. –A voz masculina a assustou, não por não reconhecer, mas porque Nathan a deixava perdida. –Eu te ajudo a levantar. –E quando ele se aproximou a loira ficou realmente confusa.

O Summers estava nu e algo dizia que ela também.

—Onde estamos? –Conseguiu dizer quando sentou, ainda sem entender nada.

—Nos campos do Instituto. –Aquilo a deixou em pânico. –Calma. Não é nada estranho. –Nate riu. –Bom, um pouco, mas não é sempre que eu preciso usar os poderes da Fênix para tratar a febre de um demônio teimoso.

—Febre?

—Você ficou gelada. –O rapaz suspirou. –Até Helena se assustou um pouco. –Nathan estava sentado ao lado dela, ainda queimando em fogo cósmico. –Não era viável fazer isso dentro do prédio e… Você me assustou.

Alexis esticou a mão e tocou o rosto de Nate.

—Você não dormiu. –Ele sorriu e ela se recriminou por achar aquela expressão linda. –Fez isso por quanto tempo?

—Desde que você desmaiou ontem, por volta das oito da noite.

—São quase doze horas Nate, é perigoso.

O sorriso dele foi alegre e divertido.

—Não é como se eu ligasse para isso, sem dizer que… –A chama da cósmica começou a diminuir até desaparecer dentro do corpo do Summers. –A Fênix pareceu disposta a ajudar o tempo todo.

—E isso não te preocupa? –Ele deu de ombros. –E se ela te pedir algo em troca depois?

—Então eu resolvo depois. –Nathan ficou de pé e esticou a mão para Alexis que aceitou, ficando ao lado dele. –Acho que logo alguém vai nos trazer algo para vestir, então eu posso ir descansar e você também.

Não demorou um minuto antes de James e Ororo chegarem com Emma e roupões de banho para os dois.

Quando Nathan desmaiou de cansaço Alexis tentou ajudá-lo, apenas para descobrir que também estava exausta. O Howlett se encarregou de levar o amigo para o quarto, enquanto Emma e Ororo apoiaram a Rasputin que andava cambaleante até o quarto da garota.

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Claire e Laura encontraram Andrew e Christine na cozinha dos Carter Rogers pouco depois das oito e meia, com Steve e Sharon alimentando o James e Maria, que estavam animados.

—Todo mundo dormiu até tarde. –Todos encararam Laura. –Não é uma coisa boa?

—Considerando que ninguém aqui é de dormir até depois das sete, só esquisito. –Claire suspirou. –Embora isso vá acabar na segunda, se tudo continuar como está.

—É provável. –Sharon pediu que a filha cuida-se do irmão por um momento. –Hill recebeu uma mensagem da Secretária de Educação, eles decidiram que vão aplicar as provas especiais entre segunda e quarta-feira.

—Ainda bem que marcamos a festa para amanhã, assim as crianças podem aproveitar sem preocupação com horário. –Steve riu e depois sorriu irônico. –Eles acham mesmo que vão conseguir reprovar qualquer um deles? Até Alexa consegue passar na prova de ensino médio.

—O que deveria ser um milagre. –Andrew deixou escapar, chamando a atenção de todos. –Desculpa, mas ela não é exatamente um exemplo de pessoa inteligente ou um destaque acadêmico comparado com os outros.

—Ela ainda é acima da média normal do país, Andy. –Christine sorria divertida. –Ela só não recebe uma competição justa quando é posta lado a lado com o resto de nós porque… Somos acima da média umas dez vezes mais que ela.

—Vocês sabem que eu também sou um pouco mais próxima dela que de vocês, certo? –Laura comentou um pouco chateada.

—Não é amor. Você só não gosta de pensar que é inteligente, mas até o James tem um nível acima da Alexa e mesmo assim porque a ruiva é preguiçosa. –Todos concordaram com Claire que encarou os amigos. –Vai trabalhar mais tarde?

—Entro depois do almoço.

—Eu vou junto. –Christine olhou para a amiga. –Se ele ficar muito ocupado, vou ver algo para me distrair por lá. Não é como se não tivesse trabalho sobrando na Shield.

Todos concordaram e terminaram de tomar café conversando amenidades para o almoço.

—Acho que vou ver como a rua está hoje. –Todos encararam Claire. –Também tenho que pedir desculpa para as crianças já que faz duas semanas que não brinco com elas.

—Se a rua não estiver lotada de repórteres e manifestantes, você pode aproveitar para brincar com elas, sei que os pequenos devem estar loucos para ver alguma das suas habilidades. –A surpresa foi total, o que fez Steve ignorar aquilo. –Apenas se mantenha atenta e na dúvida…

—Deixar os órgãos e ossos cristalizados nunca é demais. –A garota completou.

—Sempre fazemos mais comida do que o necessário mesmo. –O Capitão levantou e beijou o topo da cabeça de todos. –Se for levar James e Maria deixe a Laura encarregada de priorizar eles e chame por ajuda em caso de problemas. Ignore os idiotas lá fora, vamos lidar com eles uma hora, mas se alguém precisar socar um deles, eu que vou fazer.

—Tudo bem pai.

—Mais alguma orientação, tio? –Laura estava preocupada.

—Aproveitem o que puderem e tenham um dia tranquilo, eu vou cuidar da manutenção dos veículos.

Ninguém questionou as ordens que o Capitão América havia dado.

Era algo que eles sabiam que precisavam e não podiam ficar escondidos dentro de casa para sempre. Especialmente com seus vizinhos preocupados.

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A rua estava vazia para todos os efeitos, eram nas transversais e no final da quadra que a maior parte dos curiosos estava junto com a imprensa e o isolamento da polícia, dando o máximo de privacidade que os moradores podiam conseguir. Havia também um limite de pessoas que a polícia podia permitir em cada acesso, já que os moradores das outras ruas entraram com processo na prefeitura para garantir sua segurança e privacidade.

Curiosamente, a maioria quase absoluta dos vizinhos dos Rogers não estava chateado com a família pelos inconvenientes, já que quase todos conheciam Claire e os pais há mais de dez anos. Então os processos eram todos contra as emissoras de televisão e manifestantes que estavam lotando as ruas e até mesmo invadindo as propriedades sem qualquer motivo.

Os Rogers em particular se sentiam mal pelos vizinhos, ainda que não pudessem fazer nada a respeito da questão sem ter que mudar de endereço, e eles não queriam sair do bairro ou da casa que era uma herança de Peggy Carter.

Quando Claire e Laura saíram com Jay e Maria, algumas pessoas ficaram surpresas, especialmente alguns repórteres.

Maria Stark era uma estrela e o fato da herdeira dos Stark parecer tão à vontade naquele lugar era um pouco chocante para todos.

Ainda que Tony e Pepper não exibissem a filha em eventos, era inevitável que a garota fosse a alguns, como festas de caridade para crianças ou inaugurações de escolas patrocinadas pela Stark Inc., o que sempre causava uma confusão, uma vez que todos queriam uma foto da herdeira.

Ao lado dela, James Logan era normal, exceto pelo fato de que ele sempre estava nos eventos com Maria.

As duas crianças correram na direção das outras que se reuniram na frente da casa da senhora idosa que todos chamavam de vovó Brown ou tia Helen. A mesma senhora que estava sentada, confortavelmente, em uma cadeira do lado de fora, observando os pequenos brincarem.

Claire sorriu para a mulher e se aproximou.

—Bom dia vovó Helen, precisa de alguma ajuda hoje?

—A minha querida, nada importante e urgente, mas se você puder me comprar um pouco de pão mais tarde, essa velha agradece.

—Não precisa agradecer, a senhora já me alimentou muito por uma vida. –A mulher assentiu, como se aquilo fosse uma verdade indiscutível. –Estou vendo que a senhora já distribuiu bolo para as crianças da rua. –Claire deu um sorriso travesso. –Sabe que os pais deles a odeiam por isso, não é?

—Crianças tem que comer de tudo e nem estou dando tanto bolo assim, você comia duas formas do meu bolo de chocolate e ainda almoçava em três a cinco casas diferentes quando seus pais estavam fora. –A garota fez uma careta. –Você acha mesmo que nunca percebemos esse tipo de coisa?

—Bom, eu podia ter esperança, não é mesmo?

A senhora riu alto, o que fez alguém sair pela porta da unidade superior.

—Tudo bem mãe? –O homem negro encarou a loira e sorriu. –Bom te ver, Claire. Assisti sua entrevista ontem, foi muito boa.

—Ai não, por favor. Não diz isso Kenny. –A garota ficou envergonhada.

—E você é a Laura, certo? –Ele encarou a morena que assentiu. –Cuida bem dela, entendeu?

—Tudo bem. –O homem voltou para dentro da casa e a Howlett encarou Helen. –Seu filho é engraçado.

A mulher voltou a rir.

—Já ouvi as pessoas chamando Kenny de muitas coisas, engraçado não é a mais comum. –Ela sorriu. –Foi o único dos meus filhos que voltou para cuidar de mim. –Ela apontou a casa. –Eu morava na unidade de cima, mas não conseguia mais descer e subir as escadas, então ele reformou a unidade de baixo e deixou do jeito que eu precisava. Agora o Kenny mora com os dois filhos na casa de cima e é ótimo não ter que me preocupar com uma casa tão grande, só o meu espaço e nada mais.

—Sua nora não mora aqui? –Laura ficou confusa.

—Ela largou o Kenny quando ele foi mandado embora do emprego há quinze anos, deixou as duas crianças com ele e caiu no mundo. Voltou a uns dois anos, mas meus netos não quiseram saber, especialmente o mais novo, que não tinha completado um ano quando ela partiu.

—O Kevin fez a prova para a universidade ano passado e o Junior já entrou há dois anos. –Claire explicou.

—Eles são inteligentes pelo visto. –A morena comentou.

—Eles tentavam acompanhar as lições da Claire em casa, o problema é que o que a nossa menina estudava com os pais e tios era extremamente avançado, então eles decidiram se esforçar ao máximo. –Helen sorria feliz. –Claro que eles nunca superaram ela, mas estão felizes em terem superado a maioria e o Kenny conseguiu um emprego melhor depois de tudo, ainda que os primeiros anos tenham sido bem complicados. –A mulher levantou e entregou um papel para Claire. –Se puder comprar isso pra mim, eu agradeço muito.

E logo em seguida Helen entrou na sua casa.

—Ela casou tarde para a sua época e teve filhos depois dos trinta, o que não era comum naquele tempo, Kenny é o caçula e nasceu quando Helen já tinha seus quarenta anos.

—Realmente era algo incomum. –Laura encarou a casa. –Imagino, pela aparência do Kenny, que ele também casou depois dos trinta.

—Helen vai fazer noventa anos em breve e ele já vai fazer cinquenta. Já enterraram o marido dela e dois filhos, Kenny me confessou que não quer enterrar a mãe. Infelizmente, ele sabe que é melhor ter que enterrá-la do que ela o enterrar, até porque os outros irmãos vivos são… Idiotas, sendo caridosa.

—Abandonaram a mãe? –Claire assentiu e elas se afastaram. –Eles querem a casa?

—Impossível, Kenny a comprou da mãe. Helen tem um contrato com ele para usar a casa até o dia em que morrer, então ela não precisa se preocupar com isso ou em ter onde morar.

Laura notou que a namorada havia guardado o papel de Helen no bolso.

—Vai comprar o que ela pediu?

—Sim, eu gosto de ajudar.

A morena não falou nada, só teve a ligeira impressão de que se pudesse, Claire passaria o resto da vida fazendo aquele tipo de coisa: ajudando a vizinhança.

Aquele pensamento a fez sorrir, já que aquele estilo de vida pacato e simples que a namorada tanto prezava não era algo com o que estava acostumada e mesmo assim parecia uma visão agradável para o futuro.

—Parece que as crianças querem brincar com você ao invés do pedido de desculpas. –Constatou quando se aproximaram dos pequenos. –O que vai fazer?

—O que mais eu poderia? Vou brincar com eles. –Claire sorriu. –E você também.

—Eu? –Ela notou que a loira estava falando sério. –Nunca brinquei com a Rose, como eu vou brincar com essas crianças que não conheço? Eu posso ficar de olho nelas, mas isso...

—Para tudo tem uma primeira vez. –Claire exibiu um sorriso sacana. –Sabe disso muito bem.

Laura grunhiu.

Definitivamente uma vida pacata ao lado de Claire seria a última coisa que ela teria, não importava o quanto a rotina delas se tornasse simples.

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Não era de se estranhar que tudo ainda estivesse meio bagunçado depois daquela manhã, então Scott tinha a esperança de ser esquecido depois de tudo, o que normalmente acontecia.

Aquele não foi o caso.

O Summers encarou os presentes, receoso.

Jean havia acabado com ele na noite anterior e não dormiram no mesmo quarto pela primeira vez em mais de dezessete anos. Hank e Ororo mantinham uma expressão nada amigável, o que fazia a carranca natural de Logan parecer um bom presságio e, para piorar, James havia desafiado todos e estava na sala com uma expressão homicida.

Ciclope tinha esperanças que a presença de Rachel e Franklin o ajudasse de alguma forma, mas sua filha não estava muito disposta a ouvir seu pedido de mais cedo.

—Bom, vamos atualizar a situação do Instituto. –Emma comentou indiferente ao clima na sala. –Depois cuidamos dos assuntos extras. –Não que ela realmente não estivesse irritada. –Alexis e Nathan vão ficar descansando por hoje e acho que podem retomar suas atividades normais na segunda-feira, só precisamos ver como as coisas ficam durante o fim de semana.

—Eu espero que depois de tudo eles finalmente comecem a namorar, porque essa semana foi ridícula. –Rachel comentou um pouco irritada.

Muitos concordaram por diferentes motivos.

—Christine vai passar o dia na Shield. –James comentou. –Ela não está muito bem ainda, então acho que quer ficar perto do Andy.

—O que aconteceu? –Inesperadamente, foi Franklin que perguntou.

—Hill contou que o pai dela abandonou Emma grávida. –Jean resumiu a questão, o que fez a sala cair em um silêncio profundo. –Ela também falou do pai do Andrew, então Emma e Daisy conversaram um pouco com os filhos que parecem ter aceitado a questão, só que eles estão um pouco sensíveis.

—Então foi por isso que ela estava estranha ontem. –Rachel controlou sua curiosidade e Jean assentiu. –Podem me mostrar depois?

—Se você realmente quiser, sim. –Emma mudou de assunto. –Hill me perguntou de Nikolai e acho que precisamos mesmo ter uma resposta dele para evitarmos problemas. –Ela suspirou preocupada. –Só de imaginar Baltazar a solta me dá calafrios.

—Somos duas. –Ororo estava exausta. –Aisha vai ficar no Instituto até Ben Parker vir de Tokyo. –Ela bufou. –Graças a Deus ela passou o dia de ontem dormindo por conta do jet lag.

—Já programei uma nova rotina de treinos intensivos para os LeBeau. –James indicou Logan. –Entreguei para o meu pai e… –Um sorriso sinistro curvou os lábios do garoto. –Eles devem ficar desaparecidos pela próxima semana.

—Contanto que isso não os mate pelo perigo, tudo bem. –Frost encarou o filho adotivo. –Você vai ter o dia livre na quinta-feira para encontrar a sua mãe. –Ele assentiu e todos pareceram preocupados. –Ela ficou de me confirmar, mas deve chegar à cidade terça-feira, então controle o seu humor e tente não matar ninguém. –James assentiu.

—A Secretária de Educação disse que vem entre segunda e quarta-feira. –Jean não parecia preocupada. –Avisei os professores e pedi que avisem os alunos, embora eu não acredite que precisamos nos preocupar com qualquer coisa sobre isso. –A ruiva notou que a maioria dos demais concordou. –Acho que devemos seguir nosso cronograma normal de aulas sem alterações, incluindo as aulas avançadas.

—É o ideal. –Ororo encarou o Richards. –Hill me disse sobre sua reunião com ela na segunda, isso significa que vai ficar aqui até resolver essa questão? –Franklin assentiu um pouco envergonhado. –Quer conversar sobre isso mais tarde com alguém além da Rachel? –Ele negou sem encarar ninguém. –Sabe que não estamos te julgando por nada aqui, certo? –Outra concordância, mas nenhum contato visual, o que preocupou todos. –Bom, vamos esperar então.

—Sussan e eu vamos receber os Booker semana que vem, ainda não temos um dia certo, mas acredito que a Shield vai mandar a família no começo da semana caso tudo corra bem. –Hank resumiu. –Os exames da Alexis e do Nate estão normais, embora ele esteja mais fisicamente exausto que ela, o que não é algo inesperado ou fora do nosso controle. –E apesar das palavras calmas do médico, a Rainha Branca notou a mentira. –Sobre os exames que a Shield fez na Claire e na Laura depois do atentado, tudo está dentro do previsto, então me concentrei nos exames de Valéria Richards, que são um pouco estranhos em alguns aspectos.

—Algo com que devemos nos preocupar? –Emma continuava a ler os relatórios novos enquanto ouvia os colegas, ela esperaria ter tempo para falar com McCoy depois, quando ele estivesse confortável.

—A mutação dela lembra a da Aisha, embora a natureza incorporativa não se aplique. –Ele notou o olhar da maioria. –Diferente da Aisha, Valéria não pode converter seu corpo em eletricidade, mas ela parece dominar aspectos diferentes, já que sua carga de poder é tão grande quanto. Acredito que muito disso vem dos ensinamentos místico e científico que Victor aplicou no crescimento dela.

—Não vejo nada de estranho até esse ponto Hank. –Ororo começou a pensar que o amigo estava exagerando.

—Eu também, até ver as radiografias das mãos e braços dela. –Ele entregou cópias para todos pelo sistema holográfico. –Ela tem fragmentos de metal dentro de todos os ossos das mãos e muitos parecem ter parado ali com a ajuda de agulhas ou até mesmo serem agulhas que derreteram dentro dos ossos dela. Mandei um e-mail para o Von Doom, não sei quando ele vai responder. –As pessoas na sala ficaram preocupadas com aquilo, afinal Victor poderia ter feito algo ou apenas corrigido o erro de outro. –Ela também tem um tecido tecno-orgânico, com base em nanotegnologia, aplicado ao pulmão passando por um longo processo de integração e isso acho que é resultado do tiro que ela levou.

—Acha que Victor usou alguma tecnologia experimental para estabilizar o pulmão? –Foi Logan quem pareceu entender.

—Provável, já que pelo tamanho do enxerto, o dano foi extenso e eles devem ter pensado que sem isso seria preciso retirar o pulmão danificado, o que pelo que pude ver, era o caso. –Hank suspirou. –Até eu declararia uma guerra daquelas se uma das garotas sofresse um ferimento desse nível e ficasse em coma.

—Ela ficou em coma? –Franklin deixou escapar.

—Segundo a entrevista médica, sim. –McCoy encarou o garoto. –Nunca leu os relatórios que ele mandava para vocês?

—Meu pai não deixava e minha mãe mal tinha acesso. –A resposta cheia de vergonha do Richards fez os adultos suspirarem cansados.

—Tudo bem, vemos isso depois. –O mutante bestial se voltou para Emma. –Vai ver com Hill a questão da Tália e da Cassie?

—Mais tarde e, se possível, quero que esteja junto. –Ele concordou e a Frost suspirou encarando Ororo e Jean. –Acho que agora, nós podemos tratar do último assunto da mesa. –Ela fez uma pausa. –Se alguém quiser se retirar, sugiro que faça isso. –No entanto, ninguém se moveu. –Então, vamos à questão: o que passa pela sua cabeça Scott?

O Summers engoliu em seco.

—Eu não sei do que está falando, eu que fui atacado duas vezes ontem. –Ele notou que mesmo Rachel parecia envergonhada em ouvi-lo dizer aquilo. –O que há com vocês? Christine me atacou e depois o namorado dela me arremessou longe, eu não fiz nada.

—Só tentou atacá-la antes do Andrew o jogar para longe e, até onde sei, atacou ela verbalmente mais de uma vez quando tudo que ela fazia era passar um recado meu para a Ray. –Jean não estava sendo nem um pouco amigável com o marido. –Sendo sincera, eu até acho que ela foi gentil ao te dar só aquele soco.

—Ela me desrespeitou.

—Não. –Todos encararam Rachel surpresos. –Ela pediu licença e o senhor foi grosso com ela e depois, quando eu perguntei por que ela estava estranha, o senhor foi cruel. –A garota ruiva olhou para o pai, chateada e triste. –Considerando o provável estado emocional dela naquele momento, acho que ela realmente pegou leve com o senhor.

—Calada! –O homem levantou batendo a mão na mesa. –Acha que essa situação é culpa de quem? Minha? –Ele apontou o dedo para a filha. –É tudo culpa sua e da sua mãe. As duas sempre agiram como bem entendiam com a Emma e a filha dela, agora querem me culpar?

—CALA A BOCA. –As palavras de Jean saíram como uma ordem absoluta. –Conheço muito bem os meus erros, não preciso ser lembrada por você, mas não coloque a culpa em mim pelas suas escolhas. Eu nunca mandei você tratar a Christine da forma como trata, isso sempre foi escolha sua e de mais ninguém.

A energia mental de Emma acertou Scott, que foi arremessado de volta para a cadeira e contra a parede logo atrás dele.

—Visto que todos concordamos que os atos do nosso “querido” diretor superaram muito os limites, o que faremos? –A Frost parecia calma apesar de irritada. –Porque eu adoraria tratá-lo como um dos alunos e deixar James aplicar um treino especial no Scott.

—Apoiado. –James se aproximou segurando o ombro do Summers com força, o fazendo sentir dor. –E tenho certeza que o Nate não acharia ruim de me ajudar.

—Considerando que para o serviço administrativo as coisas ficam sempre nas suas mãos, acho que evitar complicações com esse tipo de coisa é bom. –Ororo permanecia indiferente. –Quanto tempo os treinos vão durar?

—Duas semanas, pelo menos. –Jean encarou o marido. –E até terminar pode ir dormir nos quartos do subsolo perto da enfermaria.

Todos concordaram com as três mulheres e Emma suspirou.

—Infelizmente, Christine estava errada, então vou ter que aplicar uma punição nela.

—Diga para ela revisar a organização da biblioteca principal. –A Grey opinou.

—Isso não é bem uma punição para a pessoa que já cuida de metade das bibliotecas menores. –Tempestade não parecia muito confiante sobre a questão.

—Verdade, mas aquele lugar está uma bagunça e ela precisa se manter ocupada, sem dizer que eu já pretendia pedir isso na semana passada. –A Rainha Branca suspirou e levantou. –Eu tenho mais alguns relatórios para revisar antes do almoço, então vou voltar para a minha sala.

Todos concordaram, restando apenas Scott, Jean, Rachel e James na sala de reuniões.

—Vocês foram injustas. –Ele acusou novamente. –Que diferença faz como eu trato ela, você nunca me quis perto da família Frost. –O Summers encarou a esposa.

—Ficar longe é diferente de ser cruel. –Jean estava cansada. –Eu nunca fui simpática ou amigável com a Christine, mas nunca, absolutamente nunca, ousei falar para ela as coisas que você já falou até hoje. –A expressão da ruiva era de culpa. –Eu não posso mudar os erros que cometi no passado sobre esse assunto, só posso garantir que não continue no futuro. Então, se a Rachel consegue entender quando eu digo “não piore as coisas com as Frost”, você, um adulto de mais de quarenta anos, também consegue.

Ciclope estava irritado.

—Mamãe tem razão. –Os dois encararam a garota. –Quando eu era criança, antes da minha telepatia aparecer, Christine era minha amiga, mesmo contra a vontade da mãe. –A ruiva mais nova hesitou. –Isso não vai voltar a acontecer, mas nos darmos bem com as Frost não é só sobre o passado, é sobre facilitar o andamento das coisas do dia a dia no Instituto e com os X-Men. –Ela encarou o pai. –Se brigarmos aqui dentro, como vamos pedir união lá fora?

Scott saiu da sala irritado, batendo a porta ao fechá-la.

—Ele parece uma criança mimada. –James comentou e então encarou Jean. –Eu imagino que você conversou com a Emma sobre ela contar a verdade a Chris. –Aquela afirmação surpreendeu Rachel, que encarou a mãe, assustada.

—Eu e Ororo. Não que ela tenha aceitado muito bem.

—Então deixe como está. –O garoto bocejou cansado. –Eu ainda não tive nenhum contato com a minha irmã, mas eu acho que ela chegou em um ponto onde está satisfeita com o que sabe e a relação dela com a nossa mãe deve melhorar. Não quero que Christine tenha que lidar com a verdade sobre o pai agora.

—E se a mutação secundária dela realmente aparecer e tiver relação com ele? Sabe que isso é possível. –A ruiva não queria pensar naquilo, ainda que sempre tenha sido uma sombra pairando sobre todos.

—Acredito que não teremos problemas no momento. –O garoto seguiu na direção da porta. –Apesar de ser bem espontânea, Chris é extremamente controlada, então é muito mais fácil a mutação secundária surgir com a revelação sobre o pai dela do que com qualquer outra coisa. Especialmente agora que ela sabe mais sobre ele.

—Bom, você é o irmão dela, vou confiar na sua opinião sobre isso. –Jean encarou o garoto parado na porta. –Precisa de algo sobre a visita da sua mãe?

—Não, Emma já está cuidando dos detalhes.

James fechou a porta e Rachel focou sua atenção na mãe.

—A senhora está bem sobre essa questão com a Emma? –A mulher mais velha assentiu com um sorriso triste. –Eu vou tentar não atrapalhar.

—Isso é só o que peço, meu anjo. –Jean suspirou. –Quer mesmo saber o que houve ontem?

—Não é melhor saber onde vou pisar com a Frost nos próximos dias em vez de me arriscar?

—Bom, nisso você está certa. Vamos começar.

As duas ruivas se arrumaram nas cadeiras e Jean começou uma longa transferência de informações para a filha. Não é que ela não pudesse simplesmente despejar tudo de uma vez, mas pela primeira vez em muito tempo, as duas sabiam que precisavam fazer aquilo com calma.

Já haviam cometido muitos erros por pressa ao longo da vida.

Especialmente sobre aquele assunto.

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Continua...

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No próximo capítulo: Nicolai.

Notas finais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.