Notas iniciais
Olá! Essa história eu escrevi faz alguns meses, mas nunca publiquei. Estava esperando a hora certa e acho que agora é um bom momento para estrear o site novo. Espero que gostem!

As pegadas de Homem-Aranha e Wolverine eram cobertas pela neve que caía sobre a cidade de Nova York, naquela véspera de madrugada. O mutante se agasalhou bem para a situação enquanto o cabeça de teia tremia da cabeça aos pés, com os braços agarrados ao próprio corpo. Os postes mal iluminavam as ruas.

— Estamos chegando? — perguntou o Homem-Aranha, fazendo um esforço para não gaguejar.

— Falta pouco.

— Você disse isso 20 minutos atrás — contestou o herói aracnídeo.

— É? E tu não para de reclamar faz 20 minutos — retrucou Logan. Logo depois, o mutante apontou para frente. — Tem um bar ali.

— Um bar? Sério?

— Vamo nos aquecer um pouco. — Logan tirou sua máscara amarela com orelhas pontiagudas de cor preta, calçou um par de luvas e seguiu para o bar. O Homem-Aranha arregalou os olhos.

— Pera aí, o que tá fazendo?

— Me disfarçando.

— Se disfarçando? Cara, nós dois deveríamos estar fantasiados. Se for só eu, vou parecer ridículo!

— Prometo não olhar enquanto tu te troca — Wolverine riu enquanto atravessava a rua.

— É sério, Logan! Ninguém pode saber quem eu sou por baixo da…

Peter Parker parou de falar quando percebeu que havia entrado no bar. Olhares tortos pousaram sobre a dupla de heróis, a partida de sinuca foi interrompida.

— Caiam fora! — mandou o barman, irritado.

— Calma aí. — Wolverine tirou as mãos do agasalho. — Só viemos beber em paz.

— Tu sabe o que acabou de fazer, cara? Trouxe o maldito Homem-Aranha pro meu bar! — criticou o homem, a mão já abaixo do balcão pronta para puxar a espingarda.

— Quem? Eu? Não, não. Não sou o Homem-Aranha… — Alguns brutamontes rodeavam Parker.

— Ele é só um cara fantasiado xará — explicou Logan, sem se intimidar com os olhares raivosos. — Tá vindo duma festinha de aniversário.

— Tá dizendo que trouxe um palhaço de festa?

— Sim. Ele é um palhaço — riu Wolverine.

— Isso aí. Vocês ouviram… Sou apenas um palhaço — concordou Peter. — Sem confusão, galera. Eu vou me sentar ali…

Wolverine acompanhou Parker se sentando na mesa mais próxima à entrada, de costas para a porta e do lado da janela de vitrais que estava branca graças à quantidade de neve externa. Os clientes do bar retornaram a seus afazeres, principalmente jogando sinuca.

— Manda duas garrafas de uísque. Uísque canadense — pediu Logan depois que os ânimos se acalmaram.

— A fantasia desse cara é bem convincente. Diz aí: Esse palhaço é engraçado mesmo?

— Ele acha que sim. — Logan riu com certo desdém e pegou as duas garrafas com o par de copos. Deixou um copo perto de Peter.

— Eu não bebo.

— Fala sério.

— É sério. Não me parece responsável juntar super-poderes e cerveja. — Enquanto dizia isso, Logan enchia seu copo e virava num gole só, já enchendo-o para uma segunda rodada. — Você deveria fazer o mesmo.

— Dêxa de ser tão certinho, Parker. Por que tu veio a um bar então?

— Porque você me pediu para vir, Wolverine. Disse que era uma missão urgente. E eu só estava te seguindo quando entramos.

— Verdade. Eu tenho esse problema de memória às vezes.

Wolverine encheu o copo mais três vezes antes de esvaziar a primeira garrafa. Peter estava impressionado com a quantidade única com que Logan engolia a cerveja. Também percebeu que seu parceiro de missão começava a demonstrar sinais de embriaguez.

— Acontece uma coisa muito chata quando fico bêbado, xará — disse Wolverine, intercalando a fala com breves soluços. A gramática também havia ido embora — Fatorrrr de cura. Sei lá o que diabs acontece na minha cabeça, mas só fico bêbado por um instante.

— Logan, sua missão não é encher a cara… é? — Logan ficou em silêncio, virando mais um copo inteiro. Peter se inclinou para mais perto do Wolverine e, mesmo com a jukebox ligada, sussurrou: — Você disse que era urgente.

— Como tá a loira? Ou é a ruiva? — Logan mudou de assunto enquanto enchia o copo novamente. — Tu muda muito de namorada, fica difícil acompanhar.

— Estou casado. E ela é ruiva.

— Beleza. Como tá a ruiva?

— Bem. Ela está bem. E grávida. Minha esposa está grávida…

— Meus parabains, xará! Não sabia que fazia um trabalho bem feito! Vô beberrrrr em homenajeim ao bebê. — Virou mais um copo e pousou contra a mesa, quase quebrando o objeto. — Sabe, também gosto das ruivs. Eu sou fraco perto de ruivs. Sabe a Jean Grey?

— Sei.

— Eu arrisquei por muitos anos, mas nunca tive sorte. Ela só tinha olhos pro Scottário Summers. Outro certinho que nem tu. Droga… Talvez, se eu me tornar um certinho também, minhas chances aumentam… — Relaxando a cabeça sobre o encosto acolchoado, não olhava para Peter e sim para a mulher ruiva próxima ao balcão. Logan piscou um olho e a mulher retribuiu com um sorriso. Ao seu lado, o namorado não gostou do que viu.

— Aí, baixote!

O namorado da moça ruiva parecia ter quase 2 metros de altura e mais massa corporal do que Wolverine e Homem-Aranha juntos. Sua mão trazia uma corrente de metal. Era careca e vestia uma jaqueta de motoqueiro com os dizeres “Cães do Inferno”. Uma tatuagem era visível no lado direito do pescoço, que parecia seguir pelo tronco e pelo braço.

— Frank, não! — pediu a moça, mas ele a afastou.

— Gosta de paquerar as mulheres dos outros? Tu e esse palhaço já me encheram a paciência por hoje!

— Ele não fez de propósito — defendeu Peter, levantando-se e ficando entre o brutamontes e Wolverine.

— Fiz sim. E faria de novo, xará — retrucou Wolverine, apontando um dedo para o adversário.

— Não faria, não. Ele tá só brincando — Peter riu, tentando amenizar o clima.

— É. E posso brincar mais um pouco com a garota, se ela quiser. — Wolverine piscou e sorriu para a moça ruiva mais uma vez.

Enfezado, o brutamontes Franklin empurrou Peter para o lado, ergueu o punho e acertou o nariz de Wolverine. Logan revidou com os punhos erguidos e arriscou um soco, mas perdeu o equilíbrio e tomou uma joelhada na barriga. Sorrindo com a dor, o mutante se levantou com a ajuda do Homem-Aranha.

Afastando o aracnídeo com um empurrão, Wolverine avançou com os braços esticados e abraçou o brutamontes, jogando-o no chão. Peter falava para Logan parar, mas outros clientes mais fortes se aproximaram do grupo em conflito. “Isso não vai acabar bem”, pensou Parker.

Um punho veio na direção do Homem-Aranha, que desviou sem dificuldades e derrubou o agressor no chão. Uma cadeira acertou as costas de Wolverine, que saiu de cima de Franklin e foi atrás do atacante com os dois pedaços de madeira na mão. Franklin aproveitou a situação e foi para trás do balcão, puxando a espingarda escondida. Engatilhando a arma, mirou primeiro no palhaço vestido de Homem-Aranha.

O sensor-aranha de Peter vibrou na hora do disparo. Com um salto e se grudando na parede, as balas quebraram o vitral. Engatilhando mais um tiro, Franklin teve a arma puxada por um fio de teia, agredido em seguida por um chute do herói aracnídeo, jogando-o para trás do balcão.

— Podemos parar com essa briga agora? — perguntou Peter depois de pular sobre o balcão também.

Os olhos de Franklin se arregalaram. Por baixo da máscara, Peter estava confuso com a situação, pois era um olhar de medo e pavor, como se um animal estivesse prestes a atacá-lo sem dó nem piedade. E o olhar vinha até o próprio Peter.

Pelo menos até virar-se e entender o motivo.

Wolverine, ativando suas garras de adamantium das mãos sujas de sangue, os dentes trincados e a boca espumando, estava em posição de pulo e pronto para atacar. Pulou na direção de Franklin, as garras a poucos centímetros do brutamontes membro dos Cães do Inferno. O que impedia as garras de alcançarem seus olhos era o Homem-Aranha, que segurava as mãos de Logan.

— Me escuta, Logan. Recolhe essas garras e vamos voltar a conversar. — O mutante rosnava igual a um animal querendo atacar sua presa. Homem-Aranha continuava tentando convencê-lo a mudar de ideia. — Somos amigos, Logan, e eu sei que você não quer matar esse homem. Você é melhor do que isso, uma boa pessoa. Você é um herói!

Peter já não sabia mais o que fazer a não ser enfrentar o Wolverine… Mas o mutante, enfim, recolheu lentamente suas garras e se acalmou. Respirou fundo, olhando do rosto assustado de Franklin para as lentes brancas da máscara do Homem-Aranha, imaginando um olhar amigável e tranquilizador vindo do Cabeça de Teia.

Um apito de relógio soou ao fundo, indicando um novo horário e um novo dia.

Recuperando a postura e ficando de pé, Logan tirou uma nota de 100 dólares e deixou sobre o balcão.

— Pelo prejuízo — disse ele, saindo pela porta da frente. O Homem-Aranha o seguiu.

— Ei!

— Pode ir embora, Aranha. Já passou da meia-noite.

— Meia-noite? O que teve meia-noite?

— Acabou meu aniversário.

Peter olhou perplexo para o Wolverine, ainda absorvendo a informação.

— Quê?! Seu aniversário? Como assim?

Havia uma certa distância entre o Homem-Aranha e Wolverine. Peter estava a poucos passos da porta do bar enquanto Logan estava a 5 metros de distância, mãos dentro do casaco e cabisbaixo.

— Exato. Essa era a missão urgente. Meu aniversário. Precisava de uma boa companhia essa noite — explicou, melancólico.

— Tá, mas e os X-Men?

— Os X-Men são como uma família.

— Por isso mesmo. Não era melhor chamar um deles? Passar a noite com um X-Man?

— Não. Eles sabem do que sou capaz, xará. Sabem que, numa briga de bar, eu saio com vida e os outros não. Mas tu, mesmo depois de me ver quase brutalizando aquele mané, tu acreditou que eu era uma boa pessoa. A verdade é que eu não sou bom. Mas você é um cara bom, legal e estúpido o suficiente para enxergar algo de bom em mim, assim como é estúpido o suficiente para voltar naquele bar e ajudar qualquer ferido. Por isso, continue sendo esse escoteiro, xará. Volta pra tua esposa, boa noite e obrigado pela companhia.

Wolverine seguiu pela neve, com as mãos dentro dos bolsos, corpo inclinado para baixo e assobiando. Peter, com a sobrancelha erguida por baixo da máscara, esperou o Wolverine sumir de vista para falar:

— Nossa… Valeu, eu acho. — Voltou para o bar e falou com o barman. — Foi mal pela bagunça. Posso ajudar em algo?


Notas finais
Espero que tenham gostado! =)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!