Martírio
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Annye: De minha parte, realmente não editei isso fora dos erros de português mais crassos, primeiro porque eu achei o enredo bom e segundo porque ortografia e gramática eram minha praia antes da reforma ortográfica, não são mais.
Tobirama era um shinobi em tudo, em cada traço de sua personalidade, frio, calculista, astuto e desleal, ele foi ensinado assim por seu pai, essas características foram literalmente espancadas nele por Butsuma, ele é indiferente ao mundo exceto pela família que ele ama e valoriza, então quando a chance de derrubar Izuna surge, ele faz, porque ele é um shinobi e isso é o que o shinobi é ensinado a fazer toda a vida, matar. Ele não se arrepende disso, mesmo quando Hashirama o arremessa para longe e cura o irmão de seu amigo, ou quando o homem se zanga com ele e jorra sobre paz, sem se importar com o fato de que se ele não acertasse Izuna eventualmente o Uchiha o mataria e, diferente de Hashirama, Madara não o puniria por isso ou o acusaria de comprometer a chance de paz se defendendo em batalha.
Mesmo com todo o drama em torno do ferimento de Izuna, eles estavam aqui, Hashirama o curou, o tratado aconteceu e eles teriam uma aldeia, mesmo que Madara e Izuna odiassem suas tripas. A cerimônia pública tinha acabado e os irmãos Senju e Uchiha estavam reunidos em uma das tendas finalizando o cronograma para o início da estruturação de Konohagakure no Sato quando algum gesto efusivo estúpido de Hashirama fez Madara bater em Tobirama, a pele nua das mãos do albino tocando o antebraço descoberto de Madara, a corrente elétrica que percorreu seu corpo só podia significar uma coisa, eles eram almas gêmeas.
—Os deuses de fato me odeiam — Madara rosnou e Tobirama podia sentir a confusão, a raiva e o nojo agitando em sua voz e seu chakra — Ter a aberração Senju como alma gêmea.
Aquilo doeu tanto, Tobirama havia sido magoado de muitas formas até aprender a esconder seu coração, mas nenhuma delas doeu como essa, ele sempre pensou que a alma destinada a completar a sua o amaria, apesar de tudo que seu clã dizia sobre ele. Aberração, demônio, incômodo e outras palavras duras na boca de seus parentes, ‘você é igual ao pai’ na boca de seu irmão, ele achou que fosse desmoronar, mas seu treinamento levou a melhor e trancou a dor junto com todas as outras dores que ele vinha guardando desde a infância.
—Almas gêmeas não precisam significar nada, Uchiha. — Tobirama empurrou para falar, feliz por manter qualquer emoção fora de sua voz.
—Tobira!!! — Hashirama guinchou — Você não pode estar falando sério.
—Anija, isso não lhe diz respeito. — ele ignorou a expressão de choque dos três homens na sala, almas gêmeas significavam muito — Agora vamos continuar o que estávamos fazendo, essa aldeia não vai se construir sozinha.
Com relutância Hashirama concordou e eles retomaram os tópicos apresentados, Tobirama bloqueou o máximo possível a sensação dos três chakras ao redor de si, não querendo sentir o desprezo de Izuna ou a decepção de seu irmão e menos ainda a rejeição temperada com nojo que vinha de Madara. Ele focou totalmente em seu trabalho, mantendo essa nova dor firmemente trancada em seu peito, onde o peso que nunca o abandonava continuava aumentando. Tobirama era um shinobi, a dor foi uma constante em sua vida e a única coisa que ele agradecia a seu pai por ter lhe ensinado era a suportar toda e qualquer dor, física, mental ou emocional, pelo tempo que fosse necessário.
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