Martinismo - A origem
6 A surpresa do "cérebro inútil"!
Notas iniciais
Ao saímos da sala da diretora Finke eu encontro Bejaminn sentado no banco que fica logo na frente da sala.
– Por favor, Pirralha! Não me diz que você também foi convocada?! — Diz Bejaminn, enquanto se levanta e vem em minha direção com uma cara de preocupado.
– Infelizmente... Sim! — Digo em tom de tristeza. — E pelo que eu entendi, você também foi, não foi?
– Não, eu não! Mas Annett foi! — Ben responde. — E vocês também foram convocados? — Pergunta ele para Sebastian e Lena que estavam atrás de mim.
– Fomos! — Responde Sebastian por Lena.
– Que merda! — Diz meu irmão em desabafo. — Vocês sabem no que foi baseada essa convocação?
– Foi baseada em nossas notas e em nossas atividades extra-curriculares ligadas ao esporte físico. — Responde Lena e meu Ben bufa novamente.
– Bom, eu vou ver se encontro Annett! — Diz meu irmão, começando a caminhar, porém do nada ele para e vira para mim e diz: — Ei pirralha, me espera lá no pátio principal para gente voltar para casa juntos, ok?
– Ok! — Digo e ele vai embora.
– Sinceramente a minha ficha ainda não caiu! — Diz Lena.
– Eu acho que a de nenhum de nós ainda caiu! — Diz Sebastian, começando a andar em direção ao pátio. — E aí? Vocês vem ou não?!
– Uhum! — Eu digo, e eu e Lena o seguimos.
Andamos até o pátio sem trocar uma palavra, ao chegarmos só encontramos Thomas e Kadjad, pois Thomas voltava com Lena e Kadjad com seu pai, que por acaso não tinha chegado ainda. Franziska e Florian provavelmente já teriam ido embora ou estavam na quadra namorando.
– E aí gente! Como foi lá na sala da diretora? — Perguntou Kadjad.
– Pela cara não foi coisa boa! — Disse Thomas, o que realmente é verdade, pois ser obrigado a entrar para o exercito mirim de um ditador maluco e ainda ser ameaçado de morte se recusar, claramente não é, vamos dizer, uma honra, pelo menos não para mim.
– E não foi mesmo! — Diz Sebastian sentando no banco do pátio.
– A gente tá vendo! Mas o que houve? — Diz Thomas.
– Bem, a gente foi obrigado a se juntar ao exercito mirim do nosso querido Bruscar! — Digo e vejo Lena se sentar também, porém prefiro ficar em pé. — Tá bom pra você?
– Nossa, realmente, ser um soldado mirim de um ditador não é uma coisa que eu queria pra mim! — Diz Thomas.
– Mas espera aí, como assim? Vocês foram obrigados? — Kadjad pergunta.
– Simplesmente se a gente não comparecer nossos pais serão mortos! — Digo com a maior calma.
– Tás falando sério?! Ele pode fazer isso? — Pergunta Thomas com cara de espanto.
– Depois do Golpe, ele pode tudo! — Fala Sebastian.
– Ei Pirralha, vamos? — Diz Benjaminn, chegando no pátio.
– Vamos! — Digo, começando a me levantar. — Sebastian, vamos?
– Aham! — Diz Seb se levantando. — Tchau, galera! Até amanhã!
– Tchau! — Responderam todos.
– Tchau! — Eu repito, saindo com Sebastian, Bejaminn e Annett.
Começamos a caminhar juntos em direção à saída principal.
– Ben me disse, Kerstin, que você foi selecionada também, não?
– Fui, infelizmente.
– E você Sebastian também foi? É Sebastian, né?
– É, e eu também fui.
– Nossa gente, vamos mudar de assunto, né?! Porque esse tá muito para baixo! — Diz Ben e todos concordamos.
– Então vamos falar sobre... — Diz Annet, fazendo cara de pensativa. — Ah! Já sei! Kerstin, você viu a nova edição da revista "Rebeldes Sem Causa"? — Sério mesmo que ela me perguntou isso?! Se fosse a Franziska eu daria um fora na hora, porém como é Annett, a namorada do Ben e tal, então tento me controlar ao máximo.
– Então Annett! — Eu começo a falar, porém dou uma pausa quando percebo a cara de Ben meio que dizendo "Cuidado com sua resposta, para não magoá-la" e sinto um aperto na minha mão que estava entrelaçada com Sebastian. — É que eatou tão ocupada esses dias que nem tive tempo! — Digo, com um sorriso amarelo na cara.
– Ah! Sei como é, quando você tem namorado não quer mais larga dele, né?! Mas às vezes é necessário você ter um tempinho pra você! — Ela fala isso e eu não me aguento e começo a rir. Depois de alguns segundos, Bejaminn e Sebastian me acompanham, já Annett fica nos olhando sem entender nada! — O que eu falei de tão engraçado?
– Nada! É só que... — Eu começo a falar, porém vem a tona novamente a crise de risos. Respiro bem fundo e começo tudo novamente. — É que realmente esse não é o problema. Na verdade eu não curto muito esse tipo de revista!
– Ah! Tinha me esquecido que você é uma super nerd! — Diz ela, com cara de investigadora que acabou de encontrar o serial killler mais procurado do mundo!
– Pois é! — Eu digo com um sorriso amarelo. E começo a me perguntar porque diabos mesmo Benjaminn se interessou por Annett, pois ele são totalmente diferentes, fora a parte da vaidade! Aí os dois têm em extremo!
– Bom Pirralha! Eu vou entrar nessa rua aqui com a Annett, pois ela mora a dois quarteirões, tá? — Ben me pergunta, enquanto começa a virar na rua se separando de nós!
– Ok! Tchau, Annett! Tchau, idiota! — Eu digo, me despedindo dos dois.
– Tchau! — Diz Sebastian.
– Tchau gente! Até! — Diz Annett se despedindo.
– Então já que agora só estamos nos dois... — Sebastian começa dizer com um olhar malicioso.
– O que tem?
– Que agora eu posso roubar um beijo seu! — Disse se aproximando, porém eu o interrompo.
– Eu acho que na verdade você quiz dizer que quando chegarmos a minha casa você vai me roubar um beijo, não foi? — Pergunto com uma cara sugestiva.
– Exatamente isso que eu disse! — Ele fala e eu apoio minha cabeça em seu ombro, já que a gente era da mesma altura, e ele me dá um beijo na cabeça. Eu nunca gostei muito de ter nenhuma relação afetiva na rua, no máximo eu dou uns selinhos na escola, fora isso nada.
Andamos mais uns minuto e logo chegamos na minha casa.
– Bom! A senhorita está entregue! — Ele diz pegando minha mão e dando um beijo nela.
– Nossa quanta formalidade!
– Claro! Não é você mesma que é a princesa Wufl, filha do rei Robert!?
– Eu princesa... Vai nessa! — Digo rindo e ele me acompanha.
– Verdade! Você tá mais para general do que para majestade!
– E você é o bobo da corte!
– Que casalzinho intrigante a gente, não? — Seb fala e nós caímos na risada.
– Concordo! — Digo, colocando meus braços em torno de seu pescoço e o puxando para um beijo lento.
– Que eu me lembre, era para eu roubar um beijo seu! E não você roubar um meu! — Diz ele, logo quando nos separamos do beijo.
– Mas eu, como general, não roubo, simplesmente mando!
– E eu, como um simples bobo da corte, acato a todas as suas ordens! — Ele fala fazendo uma reverência e eu começo a rir.
– Então, bobo da corte, se direcione para a nossa árvore imediatamente! — Digo isso indicando com o meu dedo o local.
– Sim, senhora! — Ele diz, fazendo uma saudação, e começamos a caminhar até o quintal de trás, onde ficava a tal árvore, e sentamos embaixo dela, na sombra.
– Mas e aí? Podemos falar agora sobre a convocação? — Ele diz, me olhando com um olhar sério.
– O que temos para conversar? Dizer que nós odiamos o Martin por fazer isso, que odiamos o fato de termos sido convocados e que, a partir de agora, nosso futuro não está mais em nossas mãos? — Eu digo isso quase gritando e começa a sair algumas lágrimas dos meus olhos.
– É, você tá certa, é melhor a gente não falar sobre isso. — Ele diz, me puxando para braço. — Você já sabe como vai contar para seus pais?
– Na verdade não faço a mínima. Fora que... Não íamos parar de falar sobre isso?!
– Ok! Só tive curiosidade! Já que não faço a mínima ideia também.
Assim começou a pairar um silencio. Acho que, na verdade, nem eu nem ele queríamos falar nada, apenas ficar um ao lado do outro, abraçados, pensando no manhã! Porém meu celular começa tocar, quebrando o silêncio.
– Quem é?
– Não sei, é um número desconhecido.
– Você vai atender?
– Claro!
– Como assim, claro? Pode ser um estrupador!!
– Claro com certeza deve ser um estrupador!!
– Sério mesmo que você vai atender? Tem certeza?
– Tenho! — Digo e atendo por fim o celular.
– Alô! Quem é?
– Sério mesmo que não sabe quem é?!
– Se eu soubesse não estaria perguntando!
– Nossa que bom humor, hem?! Até parece que foi convocada pro novo grupo militar do nosso querido Bruscar Martin!
Ao ouvir isso, fico com mais raiva do que estava antes, pois como aquela pessoa podia fazer piada com isso?!
– É o Sven!
– Só podia ser você mesmo "cérebro inútil"! O que você quer?
– Nossa realmente você tá irritada! Só pode ser porque foi convocada também!
– Como assim "também"?
– Eu também foi convocado!
– Sério! Você foi convocado! Quais foram as qualidades avaliadas em você ? Só pode ter sido o seu nível de burrice ou o tamanho do seu nariz, de tão empinado que ele é!
– Há, há, há! Muito engraçada você! Em todo o país foram avaliadas as mesmas habilidades!
– Tá, então! Na parte de esportes eu até entendo, mas nas notas...
– E aí quem é? — Pergunta Sebastian.
– É o "cérebro inútil"! — Eu digo e ele fica muito irritado!
– Inacreditável! INACREDITÁVEL! — Ele começa a gritar e a se levantar, erguendo seus braços e eu reviro meus olhos — INACREDITÁVEL!
– Quem tá gritando? — Pergunta o "cérebro inútil" do outro lado da linha.
– É o Sebastian. Ele também foi convocado! — E Seb continua a gritar andando em círculos.
– Hum!
– Bom, eu vou desligar agora tá!
– Mas já! Ainda nem te contei nem metade do que tinha para falar com você!
– Não posso fazer nada! Agora estou ocupada! Você não tem nenhum amigo para ficar enchendo o saco deles? Não? Ou, senão, cadê a sua namorada pra te calar a boca?
– Tenho, mais nenhum deles realmente se importa com isso, já que eles não foram selecionados, ou seja, não posso contar com eles nesse tipo de assunto.
– E sua namorada?
– Ele deve tá na casa do meu melhor amigo ou em qualquer outro lugar se pegando com ele!
– Como assim?
– Nosso namoro é só fachada! Sabe aquele rótulo "popular só pode namorar com popular"? É mais ou menos isso! Não que o Jake não seja popular, é só que eu sou mais!
– Ta aí uma coisa que eu tô realmente surpresa!
– Pois é! Pode rir a vontade eu sei que realmente sou um "cérebro inútil"!
– Cara, na moral! Porque você não dá um chute na bunda dela, e manda ela se ferrar?
– Porque, ainda assim, ela beija muito bem!
– Ei! Kerstin! Eu ainda estou vivo! Sabia? — Diz Seb, fazendo drama!
– Você é um ridículo, sabia? — Digo isso pra Sebastian e ele da língua pra mim.
– Eu sei disso! Mas posso fazer o que?! — Responde Sven do outro lado da linha, acho que ele pensou que o comentário era pra ele.
– Você pode dar um chute na bunda dela, como já disse! E pegar qualquer outra garota que você quiser!
– Como você tem tanta certeza que alguém vai querer namorar comigo?
– Ô "cérebro inútil"! Quem falou em namorar aqui?! Eu tô falando de ficar com alguém, o que não seria difícil para você!
– Porque não? Se esqueceu que antes de sair beijando a garota você tem que ter um papo legal e tal!
– Do jeito que você é! Só de você dizer "oi" a menina já está se jogando em você!
– Como assim, do jeito que eu sou?
– Você é todo popular, rico, bonito, forte, fora que o seu pai é o Governador!
– Espera aí, você acabou de dizer que eu sou bonito e forte?
– Sério? De tudo que eu falei só foi isso que você ouviu?
– Não! Porém quiz da ênfase a essa parte!
– Na moral, Kerstin! Ou você desliga esse telefone ou eu vou embora! — Falou o Sebastian, pegando sua mochila. — Decide!
– Espera aí Sebastian! Para de ser infantil!
– Eu estou sendo infantil?! Apenas estou dizendo que se você não pode me dar atenção agora eu vou embora!
– Tá bom! — Eu falo e volto pro telefonema. — Olha, agora é sério, vou ter que desligar, depois a gente se fala!
– Tá bom! Tô vendo aí que seu namorado não está muito feliz com nossa conversa! Então, para não causar problemas! Tchau, até mais tarde!
– Tchau! — Digo isso é desligo o celular. — Nossa Sebastian, como você é infantil!
– Eu não infantil, sou carente! — Ele diz isso me abraçado por traz.
– Oh! Que bonitinho! Que peninha do carente!
– Ao í nvés de ter pena dele, você devia era saciar a carência dele!
– Ta aí eu acho isso uma boa ideia! — Eu digo isso me aproximando dele até ficarmos apenas alguns centímetros de distância. Após alguns segundos de olhares nos beijamos, um beijo calmo que, com o passar do tempo, fica cada vez mais intenso. O beijo dura até nós sentirmos falta de ar.
– Tá vendo! É muito melhor ficar aqui comigo do que no celular com o "cérebro inútil", não é?
– Aí Seb, é tão fofo esse teu ciúme!
– Que ciúme? Quem tá com ciúme aqui?
– Você?!
– Eu mesmo não! Me garanto, tá!
– Estou vendo! Muito garantido o senhor! Tanto que não quer deixar nem eu falar com "cérebro inútil" pelo celular!
– Nada a ver! Só estou apenhavendo alertando de um grande problema da sociedade de hoje: O vício do celular!
– Hum sei! — Digo, me sentando e escorando minhas costas na árvore, e Seb me acompanha.
– Ei! Mais o que é que ele queria, mesmo?
– Ah! Ele queria falar sobre a convocação!
– Espera aí! Você não está me dizendo que ele foi convocado, foi?
– Por mais extraordinário que seja, ele foi!
– Como? Só se lá os requisitos sejam diferentes.
– Pelo contrário, é o mesmo que o da gente!
– Então vai ver! O seu querido "cérebro inútil" não é tão inútil assim!
– Ou ele simplesmente fila na prova!
– Também existe essa opção!
– E, só para constar, ele não é meu querido!
– Hum! Acho bom que ele não seja mesmo! — Seb diz isso e eu apoio minha cabeça em seu ombro. E assim passamos o resto do dia até escurecer, namorando e conversando.
– Acho melhor eu ir indo! Já está escurecendo! — Diz Sebastian se levantando.
– Concordo! Fora que a gente... Me ajuda! — Digo, pedindo sua ajuda para me levantar. — ...ainda tem que pensar como vamos contar isso para os nossos pais.
– Pois é! — Ele diz isso é solta um suspiro pesado. — Bom, mas de qualquer maneira, tchau, Kers! — Ele me dá um beijo casto e começa a andar em direção ao jardim.
– Tchau, Seb! — Digo e começo a andar em direção à porta de traz que dava aceso a minha casa.
– Ei Kers! — Ele me chama e eu paro. Vejo que está preocupado e, pela a sua cara, eu já sabia que ele iria falar sobre alguma coisa sobre a convocação, então resolvo falar uma frase de conforto para ele.
– Vai dar tudo certo! Vai por mim! — Eu digo e vejo um sorriso no seu rosto. Após dizer aquilo, ele vai embora para sua casa e eu entro na minha ainda pensando no que eu havia dito para ele. Será mesmo que tudo vai dar certo?
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