Martírio.
9 Como nos velhos tempos.
Na cabeça de Aaron, memórias despertam dos tempos mais distantes, trazendo-lhe recordações que gostaria de esquecer. Se lembrou da angústia, da dor, da sensação de perder companheiros, da sensação de estar diante algo que pode matá-lo num piscar de olhos, algo que ele não pode lutar contra. Está acontecendo de novo, tudo de novo.
O sentimento de impotência o tomou mais uma vez, e a respiração pesada dominou o até então constrangedor silêncio. Traumas estão reacendendo, feridas estão sendo reabertas.
Se recordou do fatídico dia em que a alegria de derrubar o que apontam como maior genocida dos tempos modernos se tornou seu pior pesadelo. Se lembrou do gosto de sangue, da sensação das presas atravessando sua pele, e de um frio veneno subindo por seu corpo a partir de um dos seus braços.
Se lembrou do que julga ser a pior das dores que já sentiu, quando teve que serrar o próprio braço com uma faca pequena até arrancá-lo, sem poder nem mesmo gritar.
Se lembrou do amigo que não teve a mesma sorte. Se lembrou de Caillat ajoelhado no meio das dezenas de cadáveres, enquanto a toxina do Heulen toma conta das veias de seu pescoço, e aos poucos é dispersa por todo o seu corpo.
Se lembrou do início da transformação que o francês estava passando. Se lembrou da decisão que teve que tomar, e da bala que disparou contra a cabeça do próprio amigo.
Se lembrou que hesitou tempo o bastante para a morte não ser capaz de pará-lo. Se lembrou da culpa.
Quantas vítimas? Mais quantos morrerão por causa de um único erro cometido na sua adolescência?
Aaron Adamik está cansado de ser julgado por aquele erro, mas é inevitável. Ele próprio se vê remoendo aquilo todos os dias.
Não é novidade que Morgarath seja seu velho companheiro de guerra, pelo menos não aos superiores. Adamik é dito como culpado, justamente por ter esperado a toxina vampiresca tomar conta do loiro para enfim disparar. Talvez, no fundo, não o quisesse morto.
Mas isso de nada vale agora. Caillat está ali, com sangue escorrendo dos punhos cerrados e da lâmina agora fincada no suporte do braço metálico de Adamik. Caillat não é mais o soldado que lutou contra os nazistas para salvar seu próprio país da destruição iminente, é um assassino.
Aaron olhou fixamente para o corpo de Caillat prestes a ruir. Não importa o quão tolerante seja a dor, nenhum ser conhecido poderia resistir à tantos ferimentos quanto o loiro sofreu. Nunca antes a humanidade — pelo menos não depois de Hitler reacender os vampiros como uma epidemia — chegou tão perto de derrotar uma criatura tão poderosa quanto Aurélien Caillat. Isso tem que significar alguma coisa.
Aaron avançou em alta velocidade contra o chão, agarrando seu próprio revólver num movimento avançado de agachamento. O francês reagiu quase que imediatamente, entre-olhando vagamente para trás enquanto busca defesa em uma das colunas de concreto, tentando evitar a leva de tiros que veio da retaguarda, do armamento de Joseph.
A taxa de mortes no departamento de extermínio é grande, com uma periculosidade comparável a uma guerra. Ninguém estaria ali se não estivessem desesperados para encher um prato de comida, mas existe uma grande diferença entre as posições hierárquicas que vão além do salário: habilidade. A periculosidade de estar ali é tão grande que poucos saem da primeira estrela; menos ainda da segunda. Alissa e Ulrich são gênios para suas respectivas posições, mas ainda não são dignos de ostentar tanto preparo quanto Aaron e Joseph.
É raríssimo um encontro entre dois capitães na linha de frente, mas acontece. O pior cenário para um vampiro é estar entre eles.
Morgarath poderia estar protegido do Makarov, mas não do Adamik. Propositalmente ou não, ambos se dão cobertura, e Caillat não pode estar protegido de um sem estar exposto para o outro. Tendo isso em vista, Aaron ergueu tua armaria e começou uma chuva de projéteis contra o loiro, atingindo-lhe, em maioria, na altura das pernas e do abdômen.
O manto que antes camuflava Morgarath agora está esburacado, revelando o que parece ser um tipo de colete a prova de balas por baixo do tecido. Isso explica muito do porquê de Caillat ainda estar de pé, mas mesmo o colete não pôde segurar todos os tipos de projéteis que levou à queima-roupa. É fato que Morgarath ainda pode resistir a mais disparos.
Caillat se moveu para ligeiramente para o lado, saindo do ponto de Aaron e adentrando na zona de disparo de Joseph, que não se atrasou em começar a atirar, abandonando os feridos por conta própria — pelo menos naquele instante. Aurélien efetuou um rolamento para cima de um dos muitos cadáveres espalhados pelo cômodo, apanhando uma submetralhadora. Joseph resmungou alguma coisa, e logo buscou suporte em outra coluna de concreto enquanto Caillat abre fogo contra ele.
No entanto, avançar contra Joseph é dar as costas para Aaron. O capitão do décimo quinto esquadrão imediatamente troca o revólver pelo fuzil que carrega nas costas, e novamente abre fogo. Ligeiro e com imenso preparo, Morgarath novamente rola pelo chão e torce o tronco num ângulo inumano para se virar contra Aaron, iniciando uma sequência de disparos que o obrigou a se esconder atrás de uma pilastra, assim como aconteceu com Joseph.
Agora de costas para Makarov, Caillat foi atingido substancialmente pelo soldado de três estrelas, e precisou se virar contra ele. Isso possibilitou que mais uma vez Aaron avançasse numa ofensiva contra o loiro, que está preso entre os dois capitães que não hesitam em disparar contra ele. Caillat é sábio, e reconhece que aquela posição é desvantajosa para si; precisa agir.
O loiro avançou num segundo cadáver, e empunhou uma segunda submetralhadora de um dos soldados. Pronto: cada arma apontada para uma direção, fogo. Aaron e Joseph foram obrigados a buscar cobertura enquanto Morgarath escapa pelas portas da frente, correndo em alta velocidade sem cessar os tiros nem por um instante, até escapar da vista deles.
Adamik cerrou os dentes, e junto a Joseph, ambos correram para o ponto em que Morgarath tentou a fuga. Ainda é possível alcançá-lo, especialmente quando toda a área está cercada e não tem pra onde fugir, mas algo interrompeu o capitão do décimo quinto esquadrão.
— Aaron, eu-...
Joseph pendeu para o lado, quase caindo no meio do corredor. Aaron voltou seus olhos para o companheiro de guerra, e finalmente notou o sangue que escapa de seu abdômen.
— Makarov, você está bem?! — Adamik disse, tentando tampar o ferimento com uma das mãos. Aquilo não ia funcionar, não desse jeito.
— Me esqueça, Adamik. Eu vou ficar bem. — pigarreou o capitão do sétimo esquadrão, ofegante. Ele engoliu seco e se escorou na parede, sentando no chão. Está sem condições de continuar. — Você precisa matá-lo aqui mesmo, assim vai se redimir por cada erro que possa ter cometido. Vá, Aaron! Vá!
Ainda existe dúvida no peito de Aaron Adamik. No fundo, ainda vê em Caillat seu velho colega de guerra; por outro lado, também vê o rastro de destruição que mantê-lo vivo causou. Dmitri Patrushev e Berthold Schmidt estão mortos, Alissa Portnova está gravemente ferida, Bernhart Vlushken está deformado, Nail Kafka em estado crítico, e agora, Joseph Makarov foi baleado. Tudo isso é culpa de uma única pessoa: Aurélien Caillat, o homem por trás de Morgarath.
Não pode perdoá-lo. Não mais.
Aaron rangeu os dentes, e empunhou sua armaria com toda força que detém. A mão no gatilho já está pronta, e a mancha negra se espalha com mais potência no olho direito (fruto do uso da droga vampírica). Como nunca antes, Adamik está pronto para se livrar do passado que tanto lhe causara dor.
Por outro lado, nas ruas da cidade, um acúmulo visível de pessoas concentram os olhos no orfanato como nunca fizeram antes. O motivo, obviamente, está na gama de soldados que marcham em direção à ele, cobrindo vielas com grandes holofotes e veículos blindados. É inegavelmente um cenário de guerra.
Distante, uma pequena fila de crianças se agarram à única adulta presente, que tenta guiá-las com cuidado entre os pontos mais inóspitos da cidade. É visível, agora, que toda formação estratégica da APS se desfez com o único objetivo de exterminar Morgarath, o que serviu de abertura para aquelas pessoas escaparem com vida.
A mulher de longos fios de cabelo negros está tão concentrada em proteger a criança que se atenta a qualquer tipo de passo ouvido nos arredores, e um especialmente pesado a fez colocar o próprio corpo na frente das crianças, para protegê-las do que pudesse vir. O detentor daqueles passos se revelou como um encapuzado no fim do beco, com um manto negro cobrindo todo o seu corpo enquanto se arrasta pelo chão úmido do subúrbio.
— Veronika? — A voz rouca escapou daquela entidade, chamando a serviçal pelo nome. — Eu vim te resgatar.
Quando o capuz foi abaixado, o rosto de um senhor de meia idade foi exposto. Ele tem fios de cabelo grisalhos escapando da cabeça, uma barba rasa e um cavanhaque volumoso de mesmo tom; a esclera dos dois olhos é tomada por um forte tom negro, e as iris são como dois potentes faróis escarlate.
Apesar de uma aparência amedrontadora, ver aquele rosto trouxe uma sensação de alívio à Veronika e às crianças. Estavam a salvos daquele pesadelo, finalmente.
Estirado no chão, o corpo desacordado de Kafka começou a estremecer fortemente. Em sua cabeça, lapsos dos anos que perdera durante a macabra amnésia: cadáveres para todos os lados, tanques de guerra dispersos pelo campo de batalha e um gosto de sangue amargo na boca. Aos ventos, a bandeira americana em chamas, e a presença de si mesmo numa guerra que não se lembra de ter participado.
Era como um monstro, uma criatura retorcida. Por fora era uma máquina de matar, tão distorcida e mortífera quanto os antigos Heulen de Hitler; por dentro, uma criança que grita desesperada por socorro, e nunca é ouvida.
Nail se levantou subitamente, com os olhos fervendo no tom azul cobalto que costuma exibir quando em adrenalina. A mandíbula destruída por Morgarath continuou deformada, deixando sua saliva transbordando para fora enquanto ele se arrasta com movimentos desorganizados pelo chão.
Novamente, a máquina mortífera é exibida para o mundo, e também novamente, ninguém pode escutar os pedidos de ajuda de Nail.
Bernhart, jogado no chão, percebeu a anomalia que está sendo despertada ali, e se agarrou a seu revólver. Ele foi se arrastando com dificuldade até um pilar na medida que Kafka, se comportando como um animal selvagem, caminha como um quadrúpede pelo chão.
A saliva foi se acumulando, e transbordando cada vez mais pelo chão. Ele só parou de se mover quando sua sede de sangue encontrou um alvo, Ulrich. Kafka foi se apropriando do corpo desacordado, subindo em cima dele já com as presas expostas, prestes a abocanhá-lo.
— Por favor, não.
De repente, Alissa surgiu atrás da criatura. Seu semblante está mórbido, ela parece... abatida. Mal tem forças para caminhar, mas se mantém de pé mesmo com as pernas trêmulas.
A Portnova entende a sede de sangue que um vampiro naquele estado deve ter — afinal, eles precisam se alimentar para curar suas feridas. Por isso mesmo, com o único braço que lhe resta alguma utilidade no momento, arrastou o cadáver de um dos soldados mortos por Morgarath.
Kafka se projetou contra o cadáver, abandonando Ulrich. Ele fincou suas presas com força contra o pescoço dele, sugando cada gota de sangue como se fosse um animal esfomeado, sem qualquer tipo de racionalidade.
Bernhart fixou os olhos em Alissa, que não retribuiu. Ela continuou fitando Dmitri Patrushev ao canto da sala, morto.
Ela se culpa pela morte dele, assim como pelas feridas de Ulrich, Bernhart e Kafka. Ela quer ser tão altiva quanto o seu pai foi, mas tudo que conseguiu foi ver sua própria divisão sendo esmagada em sua frente, sem poder evitar aquilo.
A sempre tão forte e fria Alissa Portnova desmoronou, deixando as lágrimas incessantes escaparem dos seus olhos azuis enquanto se retém num dos cantos da sala, tentando não fazer barulho.
Ninguém saiu ileso daquela guerra. Ninguém.
Agora, o único capaz de fazer vingança avança pelos corredores, abrindo a porta dos fundos com um violento chute. Aaron está com acesso às escadarias circulares, e ao topo, pôde visualizar Caillat em sua fuga.
Furioso, Adamik segurou firme em sua granada, puxando o pino imediatamente. Com um alcance assustador, Aaron projetou o explosivo contra Aurélien, que não teve outra escolha a não ser tentar evitar a explosão pulando dali.
Pode não ter sido atingido diretamente, mas a onda de impacto que se alastrou da explosão refletiu Caillat escada abaixo. Ele foi caindo em direção à Aaron, que já estava preparado para uma sequência de disparos quando Morgarath agarrou o corrimão de um piso acima, e com extrema agilidade, pôde chutar e refletir Aaron contra a parede.
Aurélien avançou contra Adamik, o pressionando contra o concreto enquanto o fita, olho no olho. O capitão do décimo quinto esquadrão não demonstrou medo, pelo contrário: mesmo sendo muito mais fraco, o fitou de igual para igual, numa nítida expressão de fúria.
— Se continuar no meu caminho, eu vou te matar! — exclamou Morgarath, impaciente.
— Boa sorte, Caillat. Boa sorte. — E Aaron respondeu, grunhindo de dor. Não abaixou a cabeça nem por um instante, apenas ficou ali, fitando os olhos azuis de quem um dia chamou de amigo. — Você sabe quantos morreram por sua culpa?! Vários, Caillat! Talvez centenas. Eu fui no velório de cada um deles, EU ESTIVE LÁ! Vi suas famílias, vi as crianças que você deixou órfãs, vi as esposas que você transformou em viúvas!
O desabafo de Aaron irritou o loiro, que despertou as pupilas escarlate mais intensas do que nunca. Aurélien pareceu hesitante por um único segundo, mas imediatamente agiu. Ele pressionou ainda mais a adaga que antes esteve presa à prótese metálica do Adamik, cortando todo tipo de ligação mecânica num violento movimento vertical. Resultado? O braço de metal se desmanchou em vários pedaços, fragmentos e peças.
Aaron tentou reagir, mesmo com um único braço. Ele virou o fuzil contra Caillat, mas foi interrompido com uma violenta sequência de socos e pontapés. Morgarath só parou quando seus punhos estavam manchados com o sangue de seu ex-companheiro, que certamente só resistiu por estar sob uso da droga vampiresca.
Sem forças, o capitão caiu ajoelhado, cuspindo sangue no chão. Aaron se ajoelhou de frente a ele, erguendo a cabeça do soldado forçadamente, puxando-o pelos cabelos. Assim, uma última vez, ficaram olho no olho.
— Fique no chão!
Não foi um pedido, foi uma ordem, um alerta. Está mais que claro que Caillat esteve evitando matar Aaron por algum motivo.
Ele colocou algo nos bolsos de seu antigo companheiro, largando-o ali, à própria sorte.
Morgarath deu as costas, e seguiu seu caminho. Desnorteado e cambaleante, Aaron ergueu-se e continuou indo atrás do francês, buscando apoio nos corrimãos para se manter de pé.
Aurélien abriu a porta que dá acesso ao teto do orfanato, o que possivelmente é sua única rota de fuga, mas não esperava encontrar mais inimigos: Dariusz Dombrowski assume a fronte, com uma metralhadora em mãos; ao lado, Anton Kalachnik ligou um dos holofotes carregados de luz solar em direção à Morgarath.
O vampiro se retorceu, e sentiu a pele do próprio rosto queimar numa sensação angustiante. Ele tentou dar o fora dali, mas quando ia abrir a porta, deu de cara com Aaron Adamik, segurando firme em seu revólver.
— Está acabado, Caillat... — O capitão disse, esgotado tanto fisicamente quanto mentalmente.
Morgarath continuou inerte, grunhindo de dor. Finalmente o invencível vampiro de terceiro grau ficou de joelhos, sentindo toda sua força se esvair e a derrota se aproximar cada vez mais.
O loiro ficou cabisbaixo por longos instantes, e ergueu o rosto em carne viva vagarosamente, fitando mais uma vez Aaron. Curiosamente... lágrimas estavam vazando dos olhos do vampiro, mesmo que sua expressão fosse de um misto de raiva e frustração.
— Lágrimas nunca fizeram o seu estilo. — Aaron afirmou, sem se abater. Ele não largou a arma nem por um único instante.
— ...Não são por mim. — Caillat respondeu, com uma voz trêmula.
De repente, o loiro tirou um dispositivo do bolso, rápido o bastante para Aaron sequer ter tempo para apertar o gatilho. Quando o botão fora pressionado, sons estrondosos começaram a vir do lado de fora do estabelecimento.
As pessoas acumuladas nas ruas chuvosas foram pegas desprevenidas. Explosões grandiosas ascenderam de lugares aleatórios, gerando uma sequência de incontáveis mortes. Mulheres, crianças, operários... inocentes.
Foi dada a cartada final.
Caillat aproveitou a distração; se ergueu e esquivou há tempo de um disparo que Aaron executou, falho. O loiro fincou sua adaga contra uma das pernas do capitão, e o largou ali.
Dariusz disparou e foi capaz de atingir gravemente o vampiro, que foi refletido com força para trás. O francês pôde erguer sua arma, e ao contrário do que se pensava, não disparou nos dois homens, e sim no holofote. Danificado, o feixe de luz solar se tornou inexistente, e Morgarath pôde exibir o auge de seus atributos físicos, avançando até uma das beiradas do teto.
— Caillat! — Aaron gritou, tentando disparar contra o loiro. Novamente, errou.
O vampiro saltou da ponta do telhado, desaparecendo de vez.
No meio do caos, a APS teve que se mobilizar para recolher os feridos e os mortos. Grande parte dos civis, temendo suas próprias vidas, começaram a se mobilizar e correr por todos os lados. Com tamanha aglomeração, a atenção das divisões foi dispersa.
O resgate chegou para lidar com os feridos, mas nenhum membro da Unidade de Extermínio conseguiu encontrar rastros de Aurélien Caillat, ou como é chamado, Morgarath.
A operação foi tida como um fracasso absoluto, e a população teme até onde essa guerra vai, mesmo sem saber nem mesmo quem ou o que é o inimigo.
Como dito, ninguém saiu ileso. Ninguém.
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