Martírio
6 Capítulo 6
Tobirama se arrastava para frente, ignorando a dor e a fraqueza que tomavam seu corpo, repetindo ‘apenas mais um passo’ como um mantra interminável na esperança de se manter em movimento tempo o bastante para alcançar a distância certa para um Hiraishin, rápido o bastante para não ser alcançado pelos reforços de seus perseguidores e com chakra o suficiente para ativar o selo.
Ele estava morrendo e sabia disso, não havia dúvida que morreria no momento em que a Força Kinkaku o derrubou, mas os segredos em seu corpo e sua mente não podiam ser revelados, seus selos e jutsu, um arrepio o percorre quando pensa no Edo-Tensei ou na manipulação de sangue e ele se empurra para ir mais depressa, seu laboratório vai se destruir no momento que ele morrer, mas ele não sabe quanto de tortura sua mente ainda aguenta, se for capturado de novo ele pode simplesmente acabar falando para que tudo termine.
Três meses, esse foi o tempo que Kumo manteve preso em um cela escondida perto da fronteira, três meses tentando contornar a supressão de chakra que o cegava totalmente e o deixava indefeso, três meses de pouca água e quase nenhuma comida, três meses de genjutsus cruéis dos quais não podia escapar, de torturas físicas e violações, de humilhação e com medo de que seus esforços para proteger sua família tenham sido em vão . Família, Tobirama pensa em tudo que perdeu por essa palavra e se pergunta se as outras famílias eram assim, ele viu tantas coisas diferentes depois que saiu de Konoha, ele percebeu como o afeto poderia ser retribuído, mesmo que com um companheiro de uma noite, era tão diferente da distância de Hashirama e Mito, até mesmo do carinho debochado de Tōka. Ele gostaria de ter tido um pouco mais de seus irmãos para lembrar, Itama e Kawarama pareciam pensar que ele pendurou a lua, sempre pronto para abraçar e lembrá-lo de que alguém o amava, de fato o último abraço real que recebeu foi há muitos anos atrás, de Itama, no dia em que seu irmão saiu para fazer a entrega que custou sua via.
Tobirama estava morrendo, por causa de suas feridas, pela fome e desidratação, mas principalmente, ele estava morrendo pelo cansaço, pela desesperança, há muito tempo não havia mais nada para ele no mundo, ainda assim ele deu mais de si e suportou tudo que pode, agora ele só queria voltar para casa, para seu penhasco a beira-mar, onde havia o som das ondas e a maresia, seu único lugar de paz, morrer com as últimas lembranças de sua família, onde ele teria certeza que suas descobertas não machucariam ninguém e Akira, sua convocação, levaria seu corpo e suas memórias para jogar no rio de suas florestas. Ele só queria um pouco de conforto quando tudo finalmente acabasse.
Ele alcança a fronteira e sabe que pode tentar o Hiraishin, rezando aos deuses por ao menos essa misericórdia, ele empurra chakra no selo esculpido em sua pele. O mundo se distorce ao seu redor e ele cai contra a pedra dura e úmida, novamente cego e com o chakra drenado, mas ele ouve o mar e sente o cheiro de sal misturado com incenso e as flores de sua mãe, ele está em casa.
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