Martírio

1 Seja meus olhos, serei sua muleta.


Notas iniciais
Me falaram pra ir sério, eu fui.

Não há felicidade no fim de uma guerra. Não há coisas boas no fim dela. Quantas pessoas morreram? Quantas ficaram para trás?

Achei que já tinha passado pelo pior da minha vida – a perda do meu pai, a morte de Rin e Obito, Sasuke indo para a escuridão –, mas estava enganado. Brutalmente enganado.

O pior não é a escuridão. Posso me adaptar a ela. O pior não é a dor de não conseguir saber para onde vou, mas saber o que você perdeu.

Você, Gai.

O seu sorriso, a sua luz, a sua vida.

Soube por Kurenai o que havia acontecido. A sua dor, sua perda. Suas pernas.

O que eu poderia te dizer? Como poderia te consolar?

Não existem palavras. Não existe dor maior do que essa.

Sakura me diz onde você está, me guia até você.

Sinto seu chakra, mas está tão fraco.

Será que um dia você se recuperará?

Me aproximo, as mãos tateando cegamente até que encontro sua cama. Será que você está me olhando? Está acordado ao menos?

− Você está péssimo. – Sua voz soa embargada, disfarçada. Te conheço há tanto tempo, Gai. Sei o quanto dói.

− Seja meus olhos. – digo a você. – Serei sua muleta.

Ouço o seu choro. Os soluços presos em sua garganta.

“Queria ter morrido”, você sussurra enquanto me abraça.

Sei que sim.

“Não diga bobagens”, sussurro de volta. “Vamos superar isso. O fogo da juventude, se lembra?”

Não tenho essa força, mas preciso. Só vejo o negro brilhante ao redor e tento me lembrar do seu sorriso. Da sua tenacidade. Morrer teria sido mais fácil.

Estar vivo depois de tudo é um eterno martírio.

Sinto um aceno, as lágrimas úmidas em meu pescoço.

“Nunca mais serei o mesmo.”

Nenhum de nós será. Mas nos apoiaremos enquanto pudermos continuar.

Notas finais
E aí, to na guerra?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!