Marshall Cole E Os Olimpianos: O Filho Da Lua
5 Cap. 5: Primeiros Dias no Acampamento
Notas iniciais
Estávamos na base de uma pequena colina. No topo havia uma árvore com algo dourado pendurado em um galho baixo e um dragão dormia envolta. Um dragão", com certeza não estamos mais em Frederiction.
Depois da colina, eu vi o acampamento. Vários chalés diferentes formavam a letra grega "ômega". Havia uma casa grande que parecia ser o prédio principal, um lago, um bosque mais a frente (se tem um bosque não pode ser tão ruim). Eu teria continuado olhando mas tinha outras coisas em que pensar.
As caçadoras nos guiaram até a Casa Grande, enquanto vários campistas de diferentes idades nos olhavam sem saber exatamente porquê eu estava com as mãos amarradas às costas (Drake, Sara e Jimmy já estavam soltos).
Nos esperando na varanda da Casa Grande estava um centauro
–Sejam bem-vindas de volta caçadoras. -disse o centauro.
–Também é bom te ver Quíron. -disse Thalia.
O centauro Quíron olhou para mim e meus amigos e percebeu que eu tinha as mãos amarradas como um prisioneiro.
–O que significa isso, Thalia? Por quê esse rapaz está com as mãos atadas?
–Esse é o garoto do Canadá. O filho de... -Quíron fez um gesto pedindo para que ela ficasse quieta.
–Melhor falarmos sobre isso lá dentro.
Nós entramos na Casa Grande. Das caçadoras apenas Thalia entrou, as outras seguiram em direção aos chalés.
Estávamos em uma sala de estar com uma cabeça de leopardo na parede. Quíron foi até uma cadeira de rodas e sentou nela. Magicamente suas pernas de cavalo sumiram e ele era apenas um simples senhor em sua cadeira.
Thalia olhou para mim e depois para Quíron.
–Vamos direto ao assunto. O que vamos fazer com ele?
Quíron cruzou os braços e ficou pensativo.
–Antes de mais nada, tire essa corda das mãos dele. Não é como se ele fosse fugir.
Thalia pareceu não gostar da ideia de me ver livre mas obedeceu. Esfreguei meus pulsos que estavam marcados.
–Melhor assim -disse Quíron -Quanto ao que faremos com ele... -ele olhou para mim de cima a baixo, como se eu fosse algum animal incrivelmente raro do qual ele nunca ouviu falar. Ou me protegeria ou faria testes comigo.
–Ele vai ficar aqui e treinar como qualquer outro semi-deus. Vamos manter seu parentesco divino em segredo por enquanto, isso poderia causar problemas sérios e atrairia atenção desnecessária.
–Como assim? -perguntei.
Quíron se ajeitou na cadeira e pareceu refletir sobre essa pergunta com se fosse difícil por em palavras.
–Você é "especial" garoto. É o primeiro filho, o primogênito de Ártemis. Ninguém sabe do que você é capaz. Muitos monstros e até mesmo deuses vão querer matar você por isso.
Que maravilha. Num dia eu sou um garoto (quase) normal e no outro sou um semi-deus instável cheio de inimigos. Parece que a temporada de caça ao Marshall está aberta.
–Então vou ter que ficar nesse acampamento? O que vou fazer aqui? E quanto ao meu pai e os pais do Drake e da Sara? -perguntei.
–Vocês precisam ficar aqui no acampamento para aprenderem a lutar, a sobreviver. Seu pai, pelo que o Jimmy me contou há alguns dias, não sabe e nem entenderia a situação, assim como a mãe do seu amigo Drake. Apenas o pai da Sara ali consegue ver através da névoa. -disse Quíron.
–Névoa?
Ele nos explicou sobre a névoa, sobre os monstros, os deuses e seus filhos, sobre a promessa de revelar os semi-deuses aos 13 anos, sobre a situação instável do acampamento por causa de um acampamento romano e por fim nos mostrou um vídeo de apresentação do acampamento.
Sara foi enviada ao chalé de Afrodite para se alojar e conhecer seus meio-irmãos, assim como Drake que foi para o chalé de Apolo. Quer dizer que Drake é meu primo? Melhor esquecer isso por enquanto. Já tenho coisas demais para pensar.
Quíron, que estava conversando com Thalia veio até mim.
–Até que a própria Ártemis se manifeste, vamos manter seu parentesco divino em segredo. Normalmente você seria aceito no chalé 11 de Hermes, mas hoje em dia isso já não é possível. Não existem mais semi-deuses não identificados. Ao invés disso você vai ficar na Casa Grande por enquanto, eu vou inventar alguma desculpa.
–Ok. Mas por quê as caçadoras nos trouxeram para cá amarrados? O Jimmy já ia nos trazer mesmo.
Pela expressão de Quíron, esse era um assunto difícil.
–Tente entender. Você é uma criança que não deveria existir (me sinto bem melhor), elas não sabem o que pensar de você, não sabem se tratam você como filho de Ártemis ou uma abominação profana (com certeza me sinto bem melhor agora). Elas te amarram porque pensaram que você tentaria escapar. Mas vamos nos preocupar com outras coisas agora. Venha comigo.
Passei os próximos dias treinando. Escalados, natação, lutas com espadas, montar pegasus, enfim, tudo que eu preciso no meu dia a dia. Mas o que eu mais gostei foi o treino com arco.
Os filhos de Apolo passavam a maior parte do dia disparando flechas e eles ensinaram para mim e para o Drake como se fazia. Em pouco tempo nos já acertávamos o centro do alvo na maioria das vezes.
Alguns dos "irmãos" do Drake me perguntaram se eu era filho do deus do Sol e eu não sabia o que dizer. Eles decidiram não insistir. Aparentemente a desculpa que Quíron inventou para eu dormir na Casa Grande e me sentar na mesa dos instrutores do acampamento foi de que eu ainda não conseguia lidar com a situação.
Quanto a Sara, embora ela tentasse treinar, os garotos do acampamento não se afastavam dela. Eles pareciam hipnotizados enquanto a seguiam por todo lado. Portanto não consegui falar com ela nesses últimos dias.
Hora do jantar. Essa para mim era a hora mais embaraçosa do dia. Antes de comer todos os campistas faziam uma oferenda aos seus pais divinos. Mesmo sentando na mesa dos instrutores eu também tinha que fazer isso. Eu não sabia o que fazer, não sabia se Ártemis sequer aprovaria que eu lhe fizesse uma oferenda. Mas mesmo assim eu fazia.
Logo após o jantar, enquanto estava indo em direção à Casa Grande, avistei Sara finalmente sozinha.
–Sara -chamei.
Ela olhou para mim e sorriu parecendo aliviada que fosse eu e não algum dos seus fans malucos.
–Oi Marshall. Que bom que é você, por um momento pensei que fossem aqueles garotos de novo. Eu não sei porquê, mas eles ficam me seguindo que nem os garotos do colégio mas agora parece pior.
Ficamos caminhando sem destino pelo acampamento enquanto conversávamos.
–Mas como você tem se saído Marshall? -ela disse.
–Bem, eu acho. Eu não me destaco em muita coisa mais até agora tenho me saiío bem com o arco, nas escalas e no curso de sobrevivência do Grover.
–Legal. Até agora eu só consegui fazer a luta com espadas direito. As outras aulas, ou eu não ia bem, ou aqueles garotos não me deixavam em paz.
Essa história deles ficarem perseguindo ela já estava me deixando bem irritado.
Eu estava para dizer que eu ia manter os garotos longe dela quando enormes bolas de fogo vieram em nossa direção .
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