Marry Me, Please!
1 O mordomo sempre é o culpado
Notas iniciais
Espero que gostem!
'' Alô, Srta. Grace? Aqui é a secretária do seu pai, na verdade, ex-secretária, bem, eu não tive coragem de avisa-lo, mas eu também estou caindo fora, vou trabalhar com os Di Ângelo. Tenha uma boa noite, e antes que eu me esqueça, o cheque das suas contas foi mandado de volta. ''
– Outra mensagem, Srta? — perguntou James, meu mordomo. Assenti levemente com minha cabeça, que por sinal, estava estourando de ressaca, porque na verdade essa é a única maneira de enfrentar uma crise multimilionária, bebendo.
E não tentem me convencer que há outro jeito, por que não há. Num momento você está passeando na Suíça com seus amigos turcos, e no outro é mandada de volta para os EUA como uma foragida.
Ah, e mesmo se eu fosse eles poderiam ter me refugiado, já gastei muito dinheiro em chocolates e relógios naquele paraíso fiscal — onde parece que meu pai têm umas contas escondidas-, simplesmente não é justo eu ficar pobre de uma hora para outra.
Eu também não tenho culpa se o dinheiro da minha família veio de repartições publicas, meu pai só é um bom advogado que possui informações contra grandes políticos, não foi ele que roubou o dinheiro publico primeiro, ele só foi repassado para meu pai em algumas transações ilícitas.
Nada demais.
– Escute, Srta. — começou a falar o meu mordomo, enquanto dava a volta na imensa poltrona de veludo que eu estava esparramada, parando atrás dos meus ombros, onde começou a massagear.
– Não me diga que vai cair fora também James, — disse eu enquanto revirava os olhos. Foi uma boa ideia contratar um massagista profissional como mordomo — você sabe que eu estou acabada!
– Não Srta. — afirmou ele -, porém os meus salários estão atrasados há alguns meses, — ele foi interrompido por um gemido que eu soltei, tinha apertado meu ombro demais — eu não vou cair fora...
Uma onda de alivio percorreu o meu corpo, pelo menos o meu fiel companheiro, James, iria permanecer comigo, o que são alguns salários, afinal? Quando se trabalha numa mansão como essa não se deve se preocupar com assuntos tão supérfluos. Bem, uma mansão cujos únicos moveis são a poltrona que estou sentada e uma prateleira com pouquíssimos sapatos Louboutin.
Porem é uma mansão! Quem não deseja isso? — O fato de eu estar sendo despejada não afeta em nada.
– Eu somente irei abrir uma ação judicial contra a Srta. Direitos trabalhistas, a Srta. conhece? — perguntou com descaso.
Levantei-me da poltrona num suto tão grande que acabei pisando errado no chão, cai. Como se não bastasse toda essa humilhação diante a sociedade, (por causa do meu pai e do meu status de socialite) quebrei meu ultimo salto Chanel — que já estava remendado pelo sapateiro da esquina, porem ainda era um CHANEL!
–Desastrada como sempre! — descreveu-me James se afastando de mim — Estou indo embora, levei suas ultimas bolsas do Louis como uma indenização previa!
– Louis? QUE LOUIS? — gritei irritada tentando me levantar, porem eu havia torcido o tornozelo, doía muito — Vuitton?
Ele sorriu com descaso e fez um gesto com as mãos, em direção à porta, parecia mandar alguém entrar na minha sala. Minha sala, minha casa, meu mordomo. Eu sabia, não se deve confiar em mordomos, eu já li Sherlock o bastante para isso. Inadmissível.
– O que você está fazendo? — perguntei desesperada enquanto arfava, eu tentava conter as lagrimas de raiva.
–Eu? Nada!- defendeu-se James — Eles que vão fazer! — disse apontando para um grupo de homens que entravam na minha humilde residência, — de quatro andares- ai meu Deus, eu conheço eles, são os...
– Srta. Grace? — perguntou um dos homens, ele era o mais arrumado de todos, usava terno e gravata e levava junto a si uma mala de couro — e olha que não é sintético, não sei como o salario dele paga.
–Sim?- respondi sutilmente, se os seduzisse poderiam esperar mais um pouco antes de fazer o que vieram fazer.
– Temos um mandato de apreensão da propriedade, todos os seus bens estão bloqueados exceto um pequeno apartamento na zona periférica da cidade — anunciou o homem com seriedade -, pelo visto ele foi pago com dinheiro limpo.
– Ei, meu dinheiro é limpo! — eu disse indignada, como eles entravam na minha casa, me dão uma ordem de despejo e ainda me chamam de ladra?
–Dinheiro? Que dinheiro? Suas contas estão bloqueadas, o máximo o que você tem é algum trocado no seu bolso — disse o homem com descaso — Por ali homens, tirem tudo o que tiver restado dessa casa, vamos fazer um leilão com os bens! — ordenou aos outros que ali estavam presentes. Estes já eram carregadores de mudanças, não tão arrumados como o outro. Não sei pra que tantos, só vão levar alguns sapatos mesmo.
– Vocês não podem fazer isso comigo! — gritei desesperada tentando me levantar com meu recém-torcido tornozelo, o máximo que consegui foi sentar-me de novo na poltrona.
–Acho melhor você se levantar...
–Senhorita, Srta. Grace, ok?
–Não sei pra que tanto orgulho com esse sobrenome, ele já não vale de nada mesmo! — ele estalou os dedos e dois homens vieram em minha direção, levantaram a poltrona enquanto eu ainda estava sentada e começaram a me carregar para fora da casa.
– Me deixem descer! — eu disse estridente — Por favor, por favor! — nada, parecia que eu era muda — Belos bíceps! — elogiei um dos carregadores, logo senti um tremular do lado em que ele estava me carregando.
Bingo, pelo menos ainda balanço os homens.
Talvez eu ache um jovem milionário que esteja com vontade de casar, quem sabe não é?
Quando chegamos ao portão de entrada da mansão os carregadores colocaram a poltrona no chão, assumo que eu fiquei um pouco desapontada, já estava me sentido como a Cleópatra.
Cleópatra, e por que não? Em vez de um jovem milionário, dois, e quando um morrer eu herdo a herança e fico com o seu sucessor, seu irmão, talvez.
Nossa! Tá vendo o que a pobreza faz, a pessoa já começa a pensar coisa errada.
Jovem, hunf.
Um velho seria bem melhor, e a chances dele morrer muito maiores. Como eu não pensei nisso antes?
Os homens voltaram para dentro da mansão e eu consegui me levantar da poltrona, pelo visto não tinha torcido o pé de verdade. Eu descobri que tinha alguns dólares no meu bolso, dava para eu pegar um ônibus até meu novo apertamento, eu já tinha um plano em mente, amanhã de manhã iria ao presidio que meu pai está detido e conversaria com ele, depois eu iria ao ponto de encontros de pessoas ricas.
Me casar seria só uma questão de tempo, mas eu confesso que enfrentar transporte publico para conquistar isso não era muito estimulante, só de pensar me dá arrepios.
Eu quero minha BMW de volta.
BMW, por acaso do destino uma acabou estacionando na minha frente — eu devia virar vidente, dá dinheiro, porém eu teria que trabalhar. Ideia deletada -, prata com os vidros escuríssimos. Espera, eu reconheço essa placa, ai meu Zeus, por quê?
Ele não, ele de novo não.
O vidro do motorista foi abaixado de forma devagar, e a cada frecha que se abria eu podia ter mais certeza que era ele. Cabelos super bem cortados e pretos, olhos negros e profundos, pele extremamente branca e nossa, que músculos aquela regata deixava a mostra. Eu gostava tanto daqueles braços.
– Hey, Thalia Despejada Grace? — gritou de forma arruaceira — Quer uma carona até a sua nova residência?
– Eu não quero nada de você!
– Nem o meu dinheiro?
– Espera aí que já estou indo, — fraca, extremamente fraca, nossa Thalia, como você é ridícula — mas que fique bem claro que só estou indo contigo por que torci meu tornozelo — e mentirosa, eu só tinha o machucado um pouco.
E além disso, Cleópatra também não mentia, certo?
– Eu acredito em você, — respondeu cinicamente enquanto abria a porta para eu entrar, assim fiz e a fechei novamente — então pronto, qual é o destino?
– Você sabe qual é!
– Motel cinco estrelas?
– Não! — neguei contrariada, porque ele não sai do meu pé? — Vai pro meu apartamento, Nico, honre seu sobrenome e não dê mais em cima de mim!
– Por que não? — perguntou confuso.
– Porque você está noivo. E você sabe o restante da historia.
– Eu posso voltar atrais e ficar com você, — falou sensualmente no meu ouvido enquanto subia os vidros do carro, deixando tudo completamente escuro — você sabe que posso.
– Não, Nico...
Mas já era tarde demais, Inês já estava morta e eu entregue completamente aquele garoto, ele sabe exatamente como me conquistar. Meu ouvido, não encoste ou se aproxime dele, eu fico muito, mas muito mesmo, animada.
Ele mordiscou meu lóbulo e beijou meu pescoço, descendo todo o banco para traz.
Como eu dizia: fraca, extremamente fraca.
Aposto que Cleópatra não se entregou para Marco Antônio de primeira vez.
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