O homem estava possesso, fora de si, num misto de cólera e expressa satisfação por ver-se novamente fora daquele quarto. Diversos homens da segurança tentaram impedi-lo mas todos os seus esforços foram em vão. Um por um, todos foram derrubados pelo mecânico. Um deles teve sua garganta esmagada pelas mãos do cruel assassino. Outro fraturou gravemente o crânio ao ser arremessado de encontro à parede. Cada passo em direção à saída era marcado por sangue e vísceras por todos os lados.

De fato, Mark saiu-se extremamente bem nos seus improvisados planos de fuga. Trazia para fora do sanatório o sangue daqueles pobres homens nas mãos e toda a sua roupa estava agora tingida pela cor rubra. Esconder-se pela noite foi também uma tarefa fácil para ele. Sabia que procurariam por ele, mas não se importava com nada...

Passou aquela noite, assim como as demais, no velho parque da Aldeia. Acomodou-se na escuridão entre as àrvores, mas não dormia nunca. Esteve atento a cada som, a cada passo e transeunte, a cada vida.

Tempos depois, surgiram boatos sobre o misterioso homem das sombras. Só era visto à noite, perambulando solitariamente entre as àrvores do parque, transmitindo o medo e a desconfiança. Alguns diziam ser apenas um pobre mendigo, como tantos outros que por ali passavam a noite.

Em uma dessas noites, porém, Mark não pode conter a sua raiva adormecida. Ouviu passos que se aproximavam e foi verificar quem vinha.

A garota vinha descendo a estrada de terra, despreocupada, cantarolando alguma música de conteúdo indecorável e sujo. Devia ter seus dezessete anos. O mecânico surgiu-lhe à frente, interrompendo seu caminho, agarrou-a pelos cabelos e a arrastou para a escuridão. Ela gritava desesperadamente. Parecia que Mark não ouvia os gritos da garota, parecia que nem mesmo ouvia os próprios pensamentos. Segurando firmemente a cabeça da jovem com uma das mãos, a fez chocar-se várias vezes contra uma das àrvores. Logo, o rosto da pequena estava completamente desfigurado. Ela caiu pelo chão quase inconciente. O mecânico encontrou um fragmento de vidro próximo aos seus pés e com ele iniciou um dos mais terríveis crimes já vistos na cidade. Cortou-lhe a garganta profundamente tingindo tudo ao redor de vermelho.

Mark, enfim estava solto. E aquele seria apenas o começa de sua plena vingança contra o mundo.

Fim da Parte Dois