- Nós precisamos fazer alguma coisa!- Exclamou Top batendo na mesa.- O que Ink fez foi inaceitável, mas agora ele está no jardim! Podendo ser devorado por outras criaturas! Ele nunca foi além da colônia depois que a mãe dele foi atacada!


- Eu sei! Só que ele ofendeu gravemente meu filho! Ele chora e não come desde que seu filho falou que o odeia! Acha que estou feliz? Você falou que eles se amavam! — Rosnou X-Gaster olhando nos olhos de Top.


- E se amam! Ele fez isso de propósito pra a gente achar que não!


- Céus isso vai durar a noite inteira.- Suspirou a joainha batendo suas asas levemente olhando para Dream que olhava o corredor da residência de Top fixamente.- Você acha que Ink está bem Dream?- Perguntou swap preocupado.- Eu estou preocupado.


- Eu também.- Suspirou o de coroa.- Mas não podemos fazer nada por ele no momento.- Falou abaixando duas antenas.- Amanhã irei com minhas tropas até o barranco, quem sabe ele esteja escondido por lá, duvido que ele tenha realmente entrado no jardim.- Disse saindo da porta da sala de reuniões ainda ouvindo os dois pais discutindo sobre levar tropas ao jardim em busca do noivo fujão.


- Sniff Sniff.


Enquanto isso, Cross estava sentado na cama de Ink chorando, seu peito doía fortemente, ele nunca achou que sentiria tamanha dor, mas agora que havia anoitecido, junto da tristeza pela rejeição veio uma preocupação avassaladora, ele desejou ter coragem de se aventurar a noite mesmo indo atrás da borboleta de vestido.


Pois o amava, o amava mesmo acabando de descobrir que não era recíproco.


- Toc toc!- Falou o zangão abrindo a porta do quarto, enquanto segurava uma bolota cheia de mel, olhando para Cross que limpou o rosto e retribuiu o olhar do príncipe de forma triste.- Olá, principe Cross, desculpa, eu, não quis incomodar só.- Respirou fundo indo até o noivo de seu melhor amigo.- Só vim ver como estás, e...- Ele olhou o mel em suas mãos e estendeu para a borboleta que virou o rosto negando silêncio e educadamente.- Cross, você precisa comer alguma coisa, Ink não iria gostar de saber que não comeu nada.


- Dream.- Chamo-o se virando na sua direção.- Você como amigo do Ink, o conhece a mais tempo que eu, por que ele fez isso?


- A-Ah! E-Eu, eu também fiquei confuso, mas... Ahm, acho que por medo?- Respondeu incerto, vendo o olhar triste de cross.- Cross, eu, tenho absoluta certeza, que Ink te ama, ele só, estava assustado, até eu me surpreendi quando recebi uma carta do noivado de vocês tão cedo.


Comentou com certo incômodo, afinal, não era segredo na colméia que Dream tinha sentimentos por Cross, mas havia desistido dele na esperança de que seu amigo vivesse feliz, pois era romântico, e desejava a felicidade do de asas brancas e pretas mais que tudo nesse mundo, e ele sabia que com sua vida caótica não poderia dar tanto amor e atenção que Ink lhe daria, até por que, eram da mesma espécie, só deus sabe o que daria se uma abelha e uma borboleta se unissem em matrimônio.


Não, isso era impensável para Dream, desde o suicídio de seu irmão jamais se arriscara a fazer algo com medo de perder mais alguém, mas já não bastava abrir mão de Cross, agora seu amigo estava correndo perigo sabe-se lá onde ele esteja.


[🌼]


Estava amanhecendo, ao longe o sol subia no horizonte acordando as aves que começaram a sua orquestra, despertando os gansos e patos que começaram a conversar entre si enquanto nadavam nas asas rasas do rio que rodeava o monte ebott.


Não muito distante d'água tinha tronco já velho e mursho que a muitos anos já fora um pinheiro, que se encontrava próximo ao rio banhando suas raízes longas, que além daquela fonte só havia uma pequena poça de água que a chuva da noite passada deixou.


Dentro daquele tronco agora meio oco pelo desgaste do tempo, havia a toca de uma aranha de linhas azuis, que estavam emaranhadas por todo o tronco, protegendo a parte de dentro da chuva de açoite que só deixou pequenas gotas de orvalho em todas as linhas azuladas.


- Hm~ Oooaah!~


Uma borboleta atrapalhada desperta em meio a uma cama de teias emaranhadas bem macia, ainda incerto de onde estava ele se mexe e pisca seus olhinhos olhando ao redor, quando nota eu estava envolvido nas linhas, ele se remexeu tentando sair delas percebendo que só se tratava de um lençol.


- O que?- Se perguntou tocando o tecido em suas mãos.- São, teias trançadas?- Se perguntou alisando a rede em suas mãos, admirado com a inteligência da aranha que os fizera.- Aranha... ! Aranh-


- Oi! Bom dia flor do dia!- Saudou com um tom irônico enquanto adentrava a toca pelo buraco no tronco, segurando consigo dois pacotes de teias gordos.- Você dorme ein! Tenho pena do ser que precisar da sua ajuda, ele vai morrer seco no sol, sono pesado da porra.


- Senhor aranha!- Exclamou olhando para baixo, notando que a casa de Error tinha três andares.


Um que tinha a saída que era onde Error abria os pacotes de teia, o segundo onde estava onde estava tomado por teias cobertas de orvalho, onde havia outro buraco maior coberto pelas teias que brilhavam pelas gotículas de água iluminando levemente a toca por dentro e por último o de cima, que ele não conseguia enxergar, mas parecia bem iluminado.


- Essa é sua casa?!- Sorriu saindo do ninho macio pisando no chão grudento de teia, que se estendia da "janela" até a outra ponta do tronco tendo uma abertura pra descer bem no meio onde ele vai Error subindo pelas teias de forma tranquila com dois de seus oito pares de pernas escalando enquanto os pares superiores seguravam os dois pacotes de teia.- Que lindo!- Exclamou pegando uma gota de orvalho da teia que se desfez na sua mão.- Uh!


- Hey! Não toque nas minhas coisas sua bolinha amarela estúpid- Fora interropido por um forte abraço da borboleta.


- Você me trouxe pra casa!- Sorriu batendo uma de suas asas de tanta felicidade.- Onw! Eu sabia! Sabia que você era bonzinho por dentro!


- Não me toque!- Rosnou o afastando com as patas traseiras.- Eu só te trouxe aqui por que salvou minha vida e curou minha pata, em troca vou cuidar dessa sua asa aí.- Explicou apontando para a asa esquerda da borboleta que olhou para si notando que a faixa de folha havia caído.


- Ahm, bem, minha asa não- Fora interropido ao ver a aranha colocar os pacotes no chão que balançou quase o fazendo cair.- Wow! O que é isso?!- Perguntou se sentando e encarando a aranha a sua frente que abria facilmente o pacote com sua pata de ponta afiada.


- Café da manhã.- Falou empurrando o outro ainda fechado para Ink que ao ver aquilo se mexer deu um pulinho.- Hmm~ barata! — Sorriu mordendo a barriga do inceto mastigando o seu abdômen.- Hm~ Crocante.


Ink fez uma cara de nojo, o seu rosto ficou verde, enquanto ele via Error se deliciar com as tripas da barata.


- Urgh!- Gemeu segurando o vômito que quase saia de sua garganta.- Que nojo! Eu não vou comer isso! — Reclamou chutando o pacote que quase caia no buraco.


- Ingrato! Huff! — Bufou pegando a barata enrolada com a pata traseira e a pendurando no dedo usando fios que já estavam caídos por ali utilizando suas patas de trás.- Ora, você deveria me agradecer eu lhe dei a mais gordinha.


- Pois pode ficar, eu não como incetos!


- Azar o seu.- Falou dando outra mordida na barata que mexeu as patas desesperada, Error apenas retirou uma de suas patas enquanto Ink desviava o olhar com nojo.- E voxe come uke?


- Néctar! Flores, mel.


- Frorix-humph! -Riu engolindo parte da pata que estava roendo.- Boa sorte para achar flores aqui, estamos bem no meio do jardim, não cresce flores por causa da parede de pedra que não deixa o sol iluminar bem aqui.


- Estamos aonde?!- Perguntou a borboleta surpresa, já andando de forma exagerada tentando desgrudar os seus pés até um bolo de teias que escalou para subir no terceiro andar.


- Hey! Ei! Ei!- Reclamou enrolando o seu lanche nas teias e indo atrás da borboleta.- Pare de se sacodir! Está jogando fora toda a minha água!- Exclamou pegando as gotas de orvalho que podia com cuidado e colocando de volta nas teias que Ink sacudiu tentando subir.


- Huff! Foi mal!- Desculpou-se, se levantando e olhando acima do tronco que era relativamente alto, o que lhe dava uma ampla visão do jardim, aquele mundo tão gigante que espiava da árvore agora parecia tão... Pequeno.- ... Aquela é, minha colônia?- Se perguntou com dúvida enquanto sentia uma brisa forte pela altura sacolejando suas asas e antenas.- Nossa...






- Huff!- Arfou a aranha colocando a cabeça pra fora do tronco encarando Ink que olhava o jardim.- Hey.- Chamou se aproximando da borboleta que aos poucos se sentou.- Você está bem borboleta?


- Nada é que... Eu tô bem, bem longe de casa hah.- Riu se encarando, vendo o seu lindo vestido de casamento em farrapos, as pétalas já estavam murshas e escuras, a barra da saia que cobria seus pés eram da cor da lama e seu cinto de capim já estava por um fio de partir.- Que droga.- Suspirou partindo de vez o capim.


- Hm, borboleta, qual é dessa roupa de palhaço?- Perguntou segurando levemente a saia dele.


- Não é roupa de palhaço! É um vestido de casamento.- Respondeu com um bico, ouvido a aranha gargalhar.- Do que está rindo?!


- Ora! Que vestido de noiva maltrapilho! Hahaha!- Gargalhou, vendo a borboleta bater o pé e encarar a viúva negra com cara de poucos amigos.- Que cara é essa? O seu noivo fugiu de você? Haha!


Ele estava agradecido? Estava, mas também não gostava de ser levado como otario, já não bastava as borboletas que lhe ridículadizavam diariamente na sua colônia.


- Não ria! Não ria da minha desgraça Senhor aranha!- Bufou lacrimejando.- Eu sei que eu tô horrível! E-E, eu sei que esse não é o melhor vestido de noiva agora, mas ele era lindo ontem! Muito lindo! E meu noivo mesmo que me visse assim não fugiria!


- Onw, mas se você é uma noiva tããão feliz~- Ironizou piscando os olhos fingindo ter silios.- O que fazia pulando de cabeça no barranco? Não sabe que lá tem aranhas, ratos e toda a porra que deus fez no ódio?!


- Eu sabia! Quer dizer, não! Não estava nos meus planos cair no barranco quando eu fugi.- Falou limpando o rosto com vergonha.


- Então você é uma noiva fujona?- Arqueou a sombracelha.


- Eu não sou mulher.- Falou esfregando seus olhinhos.


- Tá, tá, Err..


- Ink.


- Ink, então fugiu do seu casamento com um noivo medíocre, heh, parece problema de gente rica.- Riu revirando os olhos.


- Ora seu!- Já se levantou pra fazer algo contra a aranha, mas ao ver suas presas pensou uma, duas, três vezes e se sentou.- Olha eu só não lhe falo umas coisas por que você está me dando abrigo.- Bufou abraçando as pernas


- Tsk, escuta, ink.- Falou olhando para a borboleta que lhe encarou de volta.- Não é problema meu e pouco me fodo se você tava fugindo do seu noivo medíocre ou não.- Falou descruzando os braços e se sentando ao lado da borboleta, que permaneceu calado ouvindo a aranha.- Mas, como eu estou te abrigando aqui, já vou logo avisando que essa roupa é um chamariz pra qualquer um lhe atacar, e eu não quero ter que ficar me arriscando só por causa de um vestido de noiva em farrapos.- Explicou apontando para as petalas que antes eram uma saia.


- Não chame meu noivo de medíocre senhor aranha!- Fez bico enquanto rasgava as pétalas do que sobrou do seu vestido.- E-


- É Error.- Respondeu interrompendo a borboleta.- É o meu nome, não senhor aranha.


- Error?- Perguntou surpreso com o nome diferente da aranha que cruzou as patas lhe encarando.


- Sim, que que tem?- Perguntou ouvindo a noiva rir.


- Sua mãe não te amava não? Error, céus.- Riu cobrindo a boca.


- Hiss! — Rosnou pegando a borboleta pelo peito peludo o ouvindo choramingar.- Não fale da minha mãe! E ela amava sim! Bem mais do que você ama o seu noivo de merda!- Rosnou cospindo na cara da borboleta que mesmo assustado limpou a saliva do rosto e fechou com força a boca cheia de dentes da aranha que lhe encarou surpreso.


- Não duvide do meu amor por Cross! Eu o amo muito! Eu só fui embora por que não era certo nos casarmos! — Bufou lacrimejando ainda segurando a mandíbula do inceto que lhe suspendia no ar.- Nos somos muito jovens e eu não tô pronto pra isso aínda, meu pai não entende e-e, já estava falando de filhos e reinado! Que Cross assumiria tudo e...- Fungou.- Isso foi tão injusto que eu tive de deixar o homem que amo pra fugir! — Chorou aos poucos largando a boca da aranha que continuou ouvindo Ink com um pouco de pena.- Falei pra ele até que o odiava só pra ele não vir atrás de mim, mas a verdade é que eu tô morrendo de medo dele duvidar que o amo agora.- Soluçou enfiando a cara no peito peludo da aranha que se arrepiou toda encarando a borboleta debulhada em lágrimas.- Sniff, Sniff, d-desculpa, eu nem sei por que estou falando disso com você, você nem sabe sobre amor.


- Como é o negócio?!- Reclamou o aracnídeo após estar quase comovido com a história triste de romance da mariposa, mas se chateou ao ouvir a acusação de Ink.- Eu sei de amor sim! Aranhas também amam, diferente do amor puritano de vocês borboletas, nosso amor é voltado para a nossa vida!


- Para a vida? Acaso vocês não amam seus parceiros?- Perguntou limpando o rosto dele.


- Sai pra lá que eu te explico, você tá melecando todos os meus pelos.- Falou com nojo colocando Ink no chão, limpando o seu pelo felpudo.- É o seguinte mariposa do poti poti, perna de pau.- Respirou bem fundo enquanto pensava em outros apelidos maldosos para dar a Ink.- Pra começo de conversa, parceiro só serve pra uma coisa, procriação.- Sorriu indo até a sua toca novamente sendo seguido pela borboleta que para não cair se apoiou no corpo da aranha e ambos desceram até o segundo andar onde Error foi até a sua cama.- Isso que vocês chamam de amor não passa de feromônios que vocês ficam jogando uns pros outros com suas asinhas coloridas, o feromônio que mais lhe agrada lhe atrai, mas isso não significa que você ame aquela borboleta.


- Mas, eu amo o Cross, eu tenho certeza que o amo! Eu, eu gosto de como ele fala, do sorriso dele.- Sorriu doce.- De como ele cheira~


Error revirou os olhos batendo em sua própria cara.


- Viu, cheiro, é isso que eu estou falando, por mais que você tenha uma simpatia pelo Cruz, Cross, seja lá que diabos é o nome do teu noivo corno, é só instintivo! Se você amasse mesmo ele não teria fugido do casamento.


- Mas eu tive de fugir! Error a questão não foi o Cross, foi meu pai que arranjou isso como desculpa para me prender em casa, para que eu assumisse a colônia no lugar dele, que eu abandonasse meus sonhos! Minhas ideias pra viver cuidando de, de um monte de borboletas que nem ligam se eu caio duro na esquina!- Falou chateado, batendo o pé, se arrependendo logo depois que notou que ele grudou no chão.- Wah!- Choramingou tentando livrar o pé enquanto Error simplesmente levantou a borboleta e o livrou com facilidade.


Ink finalmente saiu de seus pensamentos e notou que Error estava pegando aquelas teias emaranhadas de seu teto e as cruzando entre si utilizando outras linhas que saiam de sua boca, a viúva negra por sua vez encarou de volta a mariposa, percebendo que ele finalmente parou de falar e puxou um fio mais longo da sua boca sem desviar o olhar dos olhos bicolores do de vestido rasgado.


- Então não és muito diferente de uma aranha Ink.- Falou mordendo a linha em sua boca a partindo cruzando as suas linhas para fazer uma espécie de rede.- Somos apaixonados pela nossa vida, sabemos mais do que qualquer outro inceto a verdadeira forma de amar, que não vem de feromônios, não vem de cheirar um parceiro em potêncial e achar que podemos fazer uma vida e uma família com eles, não.- Suspirou enquanto trabalhava naquele bordar.- Não mesmo, cruzar para nós é o mesmo que caçar, você arrisca sua vida pra garantir uma nova prole, e não se sabe se você vai voltar para sua toca com vida.


A mariposa viu ele pegar a rede e subir pelas paredes do tronco até o teto feito de teias que eram nada mais nada menos que várias redes costuradas umas nas outras fazendo uma camada forte que protegia a toca da chuva e do sol. Ao ver tamanha engenhosidade do aracnídeo Ink suspirou, admirado ao ver quanto empenho ele tinha em manter a sua casa o mais segura possível para ele.


- O verdadeiro amor está em pequenas coisas borboleta.- Respirou fundo.- Coisas que te chateem, coisas que fazem sua pupila dilatar, por que quando você ama aquilo, você se sente vivo, e ter a falta daquilo é o mesmo que a morte.- Disse se virando para suas linhas.-Você tem amor a sua vida Ink, aos seus sonhos, suas ideias, no seu lugar, eu faria o mesmo.- Falou cruzando as redes novas com as antigas, olhando para baixo e descendo, atravéz de uma teia em seu abdômen de cabeça pra baixo, até a borboleta que lhe olhou nos olhos com um brilho no olhar.- Então não diga que eu não sei de amor Ink, eu sei, pelo visto até mais que você.


- Sinto muito.- Respondeu quase sem fôlego por notar um suave brilho vindo dos olhos da aranha após falar de amor, realmente, Error parecia conhecer bem mais daquele sentimento que o inventor, ele deve com certeza amar algo ou alguém para dizer com tanta certeza aquelas palavras, que fizeram seus olhos centilarem com felicidade.


- Heh, não peça perdão, não tem culpa que seu cérebro de borboleta é pequeno.- Riu cutucando a cabeça dele.- Agora coma, não quero você passando mal na minha toca.- Falou girando suavemente até que suas patas dianteiras tocassem o chão, assim ele de virou, ficando de pé e prendeu a teia no chão deixando aquele fio no meio do nada.


- ! E-Eu já disse que não como baratas!- Falou o vendo voltar a devorar o inceto, agora no aconchego da sua cama.


- Deixe de xilique, venha, eu descasco elas pra você.- Sorriu mordendo a pata da barata e pegando uma substância pastosa que tinha ali dentro estendendo para Ink que pegou aquilo com uma cara de nojo.


- Eer... E você Error, ahm, tem, sonhos?- Sorriu forçado se sentando próximo ao viúva negra que levava a comida até sua boca com um par de patas e com outro descascava a barata e entregava para Ink comer.- Algum ideal?- Perguntou enjoado, só de sentir aquele fedor característico das baratas na sua mão, ele ainda estava tomando coragem pra por aquilo na boca.


- Eu quero morrer de velhice.- Falou mastigando a pata da barata que Ink não aceitou.- Não quero ir atrás de fêmea nenhuma, nem cruzar com ninguém, não quero acabar como meu pai, esse é meu sonho.


- O que aconteceu com seu pa- Fora interropido pela pata de Error que lhe deu parte das tripas da barata na sua boca, a borboleta quase vomitou na hora, mas ao ver a cara de Error se forçou a engolir tremendo o seu corpo inteiro, o gosto era... Indescritível, mas de gostoso não tinha nada! Nada! Era amargo e viscoso e tinha algo, cremoso que ficava preso na garganta.- Urgh! Argh! Que Argh!


- A única lembrança que eu tenho dele é que ele tem gosto de formiga velha.- Falou mastigando a cabeça da pobre barata cospindo suas presinhas.- E era crocante como barata, hm~


- Argh, ele tem gost- gosto de formiga velha?!- Ink Exclamou olhando para a aranha que estava comendo tranquilamente.- Error como tu sabe o gosto do seu pai?- Perguntou pasmo, mas a aranha não lhe respondeu.


[🌼]


Com o tempo a aranha se acostumou a viver junto a borboleta que não voava, mesmo tão acostumado a viver sozinho em sua própria toca escura, aos poucos Ink e Error vão se acostumando a compainha um do outro.


A aranha até chegou a fazer uma cama afastada de si para o novo amigo, já que dizia que as vezes quando acordava faminto achava Ink apetitoso, então era melhor que dormissem longe, claro que a borboleta não negou e aceitou de bom grado a sua cama suspensa em um cogumelo orelha velho que estava coberto pelas teias de Error ainda no segundo andar.


Infelizmente a viúva negra ainda não fazia ideia de como ajudar a asa partida da borboleta, então por enquanto ele o mantinha em casa, onde poderia vigia-lo.


Mas claro, ele não impedia Ink de sair se quisesse, ele não precisava de certa forma falar que para ele descer lá tinha que ter no mínimo uma mobilidade boa, já que Error morava próximo ao rio qu