Marionete
3 O coraçao da boneca
Notas iniciais
A azulada virou-se para encarar o resto da caçada que agora empunhava suas armas.
- Mate todos — ordenou a mesma voz na cabeça da garota.
Mari correu em direção a Elesis e derrubou-a para logo em seguida cravar a espada na barriga da mesma que gritou de dor. A azulada levantou-se e rapidamente as facas apareceram ao seu redor.
O resto dos membros da caçada que antes observavam a cena ergueram suas armas e partiram em direção a Mari que preparava-se para matar sua líder, Elesis.
Os outros não impediram-na a tempo e esta matou novamente mais um de seus amigos. A azulada retirou suas mãos do cabo da katana e pôs-se de pé já planejando o próximo movimento. Ela já sabia o que estava por vir. Jin e Amy investiriam ao mesmo tempo, Amy por cima e Jin por baixo, Lire daria cobertura para Arme e Ronan, que carregavam sua magia, Ryan transformar-se-ia em lobo e viria por trás, Dio faria um ataque sorrateiro e Zero atacaria com seu golpe mais forte assim que todos se afastassem.
E aconteceu como a azulada imaginou e esta logo pôs-se a se defender.
Primeiro foi Jin quem veio, Amy em seu encalço. O ruivo preparou-se para socar a azulada, mas esta abaixou-se para dar uma rasteira no ruivo, que caiu de costas, logo ela virou-se para o lado e apenas viu o ataque de Ryan atingir Amy, que foi jogada contra uma arvore.
A azulada correu em direção a Amy preparando-se para matá-la, mas antes que chegasse perto desta sentiu o cravar de um flecha em seu ombro esquerdo, imediatamente a azulada parou-se e virou para encarar a loira, que já havia pego outra flecha e mirava em direção a Mari. A duelista puxou a flecha de seu ombro e seu sangue azul escorreu pela roupa.
Mais uma flecha foi disparada por Lire, mas a azulada apenas desviou desta e levou suas mãos a pequena mochila presa em sua cintura, ela sorriu e logo jogou cinco pequenas esferas prateadas no chão criando pequenas explosões que fizeram subir um cortina de fumaça negra.
A fumaça subiu rapidamente e logo encobriu todos.
- Fiquem atentos – gritou Lire para logo em seguida soltar um grito agudo.
- Lire!!! – gritou Ryan, mas logo outro grito foi ouvido dessa vez de Jin.
- O que esta acontecendo? – perguntou-se Dio.
Logo outro grito foi ouvido agora de Amy em seguida Ryan.
- O que esta acontecendo com a Mari? – perguntou-se Zero.
- Ela esta sendo controlada — falou Grandark fazendo o andarilho franzir o cenho e ficar na defensiva, não deveria machucar a azulada, e tambem nao queria fazer isso. Podia nao assumir, mas algo forte queimava em seu peito quando olhava-a.
O moreno olhou para todas as direções em busca da azulada, mas parou ao avistar dois brilhos, um azul outro vermelho, vindo em sua direção. – Mari? – perguntou.
- Sieghart... – sussurrou a azulada.
- Porque você esta fazendo isso Mari? – perguntou o moreno enquanto a azulada soltou um riso debochado.
Ao termino de sua risada ela aproximou-se do moreno enquanto este apenas a observava. A azulada deu a volta indo para as costas desse e colocando as mãos em seus ombros.
- Observe... – sussurrou perto do ouvido do imortal.
Logo a fumaça começou a baixar e todos puderam ver o porquê dos gritos.
A frente de todos estava Lire e Amy, presas em uma árvore por cabos de aço finos em seus pescoços que feriam cada vez mais enquanto elas tentavam ao máximo não morrerem enforcadas, os cabos passavam-se pelas árvores e enroscavam-se no corpo de Ryan, que estava frente à Amy, e Jin, que observava Lire.
- O que é isso? – perguntou a roxinha.
- Armadinha de cabos... – sorriu a azulada – se Ryan e Jin se mexerem elas estão mortas.
O moreno virou-se rapidamente na tentativa de prender a azulada, mas foi em vão, pois esta não estava mais perto dele.
- Gosta do que vê? – perguntou em presunção. Um riso alto escapou dos lábios da garota enquanto observava os outros tentando, inutilmente, tirar seus companheiros daquela situação.
- P-Parem... – sussurrou a rosada sentindo-se ainda mais sufocada.
- Amy!! – gritou Jin em desespero. Queria salva-la, mas nao podia fazer isso, pois se fizesse um movimento mataria tanto Amy quanto Lire.
- Parem! Se tocarem nos cabos a armadilha vai matar elas e a vocês também – gritou a roxinha correndo em direção aos outros.
- Vamos acabar logo com isso – resmungou a azulada puxando um cabo que passava por debaixo da terra indo ate Lire e Amy.
A azulada puxou o cabo com força fazendo com que o ar faltasse para as garotas que se desesperaram ainda mais. Os gritos baixos que eram soltos por Amy cessaram e logo a cabeça das duas pendeu para frente indicando que haviam morrido.
O cabo que as seguravam pelo pescoço recolheu-se como se tivesse vida própria assustando o andarilho, o asmodiano, o lutador, o druida e o arcano.
- Pare!!! – gritou Arme vendo o asmodin desaparecer e reaparecer atrás de Mari empunhando sua foice contra o pescoço desta que apenas sorriu.
- Você se esqueceu das facas... Dio – o demônio ameaçou desaparecer, mas fora tarde de mais. As facas cortavam o ar atravessando o corpo dos dois enquanto Arme observava de olhos arregalados a cena.
O asmodiano caiu de joelhos. Ele não agüentava a dor que possui seu corpo, chegava a ser torturante. Logo a dor foi cessando, mas a conseqüência por isso era que, provavelmente, a vida do asmodin também acabaria.
Ainda de pé a azulada virou-se e sorriu sadicamente para o demônio. Em um sinal feito com a mão as facas da azulada, que flutuavam sobre o corpo do asmodiano já deitado no chão, desceram rapidamente e perfuraram o coração deste. Mais uma vida havia sido levada.
A garota virou-se a tempo de ver o imortal correndo em sua direção empunhando sua lamina. Mas antes que o moreno a alcançasse os cabos o seguraram fazendo-o soltar sua espada e o imobilizando no chão.
A garota virou-se para encarar Ronan com um sorriso nos lábios. Outra idéia formava-se em sua mente. Ela levou a mão ate a pequena bolsa presa em sua cintura e retirou mais uma esfera prateada logo jogando-a em direção ao azulado.
Antes que o rapaz pudesse, se quer, pensar em algo a esfera dividiu-se em varias agulhas finas que foram em direção deste e rapidamente o acertaram fazendo-o cair de joelhos gritando de agonia. Cada pequena agulha perfurava um nervo e um músculo de Ronan, e ali se instalava, permitindo a azulada ter controle sobre o corpo do azulado.
O rapaz parou de gritar e logo seu corpo ergueu-se.
- O q-que est-ta acont-tecendo? – perguntou Ronan.
- Agora você é meu boneco – disse a azulada. Seu sorriso alargando-se ainda mais. – Mate-os – sussurrou apontando para Jin e Ryan.
Sem hesitar o azulado, empunhando sua tryffing, correu em direção aos amigos, que ainda mantinham-se presos pelos cabos. Zero tentou pará-lo, mas um cabo envolveu seu pescoço e o puxou para trás, fazendo-o cair. Este soltou a grandark e começou a lutar para não ser enforcado como a loira e a rosada.
Aproveitando-se de que Ryan tentava soltar-se dos cabos o azulado atravessou o peito deste fazendo seu corpo pender e ser solto pelos fios de aço que logo se recolheram.
O azulado virou-se para o outro ruivo que desesperava-se ainda mais, caminhou ate este e logo, também, atravessou seu peito com a espada. Os cabos soltaram Jin e o corpo sem vida deste caiu no chão.
- R-Ronan? – choramingou Arme encolhendo-se no chão. Ela tinha de fazer algo, sabia disso, mas amava tanto Ronan que não se permitia machuca-lo. Preferia esta morrer a machucar o amor de sua vida.
- Arme faça algo antes que ele te mate – gritou o imortal ainda tentando libertar-se.
- E-Eu... – a maga mordeu o lábio e fechou os olhos encolhendo-se ainda mais.
O azulado virou-se para encarar a azulada.
- Por que você esta fazendo isso Mari? – perguntou em um fio de voz. A garota controlava seu corpo, não suas falas.
Mari sorriu.
- Por que minha mestra mandou. Agora mate o Andarilho – logo o corpo de Ronan obedeceu já começando a caminhar em direção a Zero.
- Não! – gritou Arme. – Não faça isso Ronan – continuou a gritar enquanto corria em direção ao azulado e o abraçava. – Por favor, não faça isso. Eu sei que você consegue escapar do controle dela... – o azulado a empurrou e ergueu sua tryffing, ja sentindo lagrimas escorrer por sua face. Em seguida a espada cortou o ar e decapitou Zero. Os cabos recuaram novamente e logo avançaram contra Arme enquanto o sorriso sádico no rosto da azulada alargava-se cada vez mais ao ver o sangue tingir o chão de vermelho.
- Agora o imortal... – sussurrou mari.
Ronan caminhou ate Sieghart. O moreno apenas fechou os olhos sabendo que não havia escapatória. Mesmo sendo imortal ele não sobreviveria se cortassem lhe a cabeça e foi isso que o azulado fez.
Ronan ergueu, mais uma vez, sua espada contra o amigo e logo a abaixou fazendo a cabeça do moreno rolar pelo gramado enquanto Arme via atônita tudo acontecer. A pequena começou a chorar.
- Por fim... Arme – a expressão de Mari suavizou – mas a morte dela deve ser algo memorável, estou certa Ronan?
- Não toque nela... – rosnou o azulado. Suas lagrimas havia cessado, mas aonda havia a queimação da culpa em seu peito. Se sobrevivesse jamais se perdoaria.
A gargalhada dada pela garota foi alta.
- Eu não tocarei nela, não precisarei tocar para matá-la – disse com um pequeno sorriso de canto.
Os cabos que envolviam o corpo da roxinha ergueram-na enquanto as facas dançavam ao seu redor provocando cortes profundos em seu corpo. A garota apenas chorava e gemia de dor.
- Não faça isso, por favor, mate-me se for preciso, mas não ela... – disse Ronan – não a mate, por favor, por favor Mari. Eu imploro – lagrimas voltaram a escorrer pelo rosto do rapaz.
- Tarde demais para pedir isso querido – mais um sorriso alargou-se nos lábios da azulada.
O olhar temeroso de Ronan foi para Arme a tempo de ver uma das facas de Mari afundar no peito desta e atingir o coração. Sangue escorreu pela boca da roxinha, um pequeno sorriso nasceu em seus lábios antes desta pender a cabeça para frente e entregar-se ao beijo morte.
Mari virou-se e caminhou ate o rapaz. Um leve movimento com a mão fez todas as agulhas saírem do corpo deste, que caiu de joelhos aos prantos.
A garota abaixou-se frente dele e sussurrou.
- Sua vez... – disse próximo ao ouvido deste que apenas ergueu um pouco a cabeça.
A azulada pegou a tryffing do rapaz e atravessou o coração dele. A morte ganhou mais uma alma pura.
Mari pôs-se de pé e olhou para o céu.
- Não necessito mais de seus serviços – anunciou a voz na cabeça da duelista.
Dor invadiu o corpo da garota que apenas mantinha os olhos fechados. Ao seu redor as facas e cabos desapareciam voltando-se a transformar em meras partículas.
Quando a azulada abriu mais uma vez seus olhos bi colores espantou-se com o que viu a seu redor.Que monstro seria capaz de destruir toda a grand chase? A pergunta rondou sua cabeça, mas logo foi esquecida quando as cenas anteriores repassaram-se em sua cabeça.
- E-Eu sou um m-monstro – sussurrou observando suas mãos sujas de seu proprio sangue.
Rapidamente os olhos da garota vasculharam o local em busca do albino, facilmente ela o encontra e corre ate este.
- Lass! – chamou Mari enquanto abaixava-se ao lado deste. Os olhos do garoto abriram-se lentamente e a observaram.
- M-Mari? É v-você m-mesm-mo? – perguntou o albino em um fio de voz.
- Pelos deuses, o que eu fiz? — perguntou-se Mari em desespero.
A azulada apertou a mão do rapaz, mas não sentiu este retribuir a ação. Ele não tinha mais forças. Ia morrer.
- Por favor não morra – implorou ela. Isso era a ultima coisa que a garota desejaria para ele.
O albino lentamente fechou os olhos, sorriu fraco ao sentir os labios da azulada tocar os seus.
- Fique comigo, por favor — pediu ela.
O pequeno sorriso que o albino havia dado desapareceu e a voz desesperada da azulada fora se afastando dando lugar para o silencio da morte.
- Não! – chorou Mari.
Os olhos da garota buscaram uma arma, qualquer coisa. Ela se mataria. Foi a responsável pela morte de seus amigos. Fora tambem a responsavel pela morte de seu amado. Ela não queria ser a responsável pela morte de mais ninguém. Logo avistou uma das adagas do albino e pegou-a sem hesitação.
- Ninguém mais morrera pelas minhas mãos... – sussurrou a azulada.
Ela sentou-se ao lado do albino e olhou para este. Lagrimas vermelhas escaparam de seus olhos antes desta cortar seus próprios pulsos e esperar a morte chegar. lenta e dolorosamente.
E este foi o dia em que os mais bravos guerreiros que o mundo conheceu caíram nos braços da morte.
Fale com o autor