Notas iniciais
Olá, nekos! . . . Me perdoem pela demora, final de período na faculdade é muito complicado (tanto é que ainda tenho uma prova na segunda), mas, consegui um tempinho pra finalizar o capítulo e o trazer pra vocês ♥ Fiquem atentos aos super spoilers que joguei, eles são dicas valiosas para desvendar os mistérios de Marion Blanchard. (E leiam as notas finais, por favor) Boa leitura!

O pôr do sol trazia à campina um tom alaranjado forte, com ocasionais rajadas de roxo. O vento morno e inconstante anunciava a estação que se aproximava: verão.

Jiraya estava sentado de forma desleixada, contemplando a paisagem além-penhasco, seus cabelos de coloração grisalha eram balançados esporadicamente pela brisa. Sua atenção não era detida em algo específico, apenas vagava de um ponto a outro sem a menor preocupação quando um barulho ao longe – de galhos sendo partidos – o fez olhar na direção da floresta à margem da clareira.

Pôs-se de pé logo que o barulho se tornou visivelmente maior, sendo seguido de algo pesado caindo na água. Seja lá o que estivesse ali estava emanando uma energia astral baixíssima, quase como se estivesse morrendo. Arriscou seguir o som até a pequena cachoeira ali perto. Assustou-se com o que viu.

Uma garota de cabelos róseos e estatura mediana estava caída com parte do corpo dentro da água, sua expressão era de cansaço, porém os olhos mantinham-se arredios. Aproximou-se as pressas e tentou tocar-lhe para puxá-la para fora dali, mas ao encostar seus dedos na pele alva tomou uma descarga elétrica pesada. Conhecia aquela sensação e soube na hora que ser era ela.

– O que um demônio está fazendo aqui? – Questionou afastando-se um pouco.

Não houve resposta. Pensou em perguntar novamente, entretanto ao olhar para o líquido vermelho flutuando ao redor dela compreendeu o que acontecia. Estava ferida, praticamente morta. Pela profundidade e intensidade do ferimento teve noção do quão devastadora fora a peleja e somente o fato dela ainda estar viva demonstrava o quão poderosa era.

Olhou novamente para o rosto dela e algo desconhecido lhe atingiu, os olhos verdes cristalinos faziam-no ter uma sensação de conforto, era como estar em casa depois de um longo tempo longe. Estranhou-se por isso, mas desviou sua atenção dos pensamentos conflituosos quando a viu ter uma crise violenta de tosse.

– É completamente contra as regras, mas eu vou cuidar de você. – Anunciou abaixando-se ao seu lado e a pegando no colo. O choque do primeiro toque voltou ainda mais violento, porém não a largou.

– M-me s...olte. – Gaguejou pendendo a cabeça para trás enquanto mais sangue saia por seus lábios.

– Fique quieta, vai acabar morrendo. – Ordenou voltando para sua casa na campina ao lado do penhasco.

– E-eu vou m-matar v...ocê. – Rosnou, mal se mantendo focada no caminho.

– Não, você não irá. – Afirmou e olhou profundamente para aqueles olhos de jade.

Ela não sabia o que havia acontecido, mas naquele momento compreendeu que, mesmo que quisesse, jamais conseguiria fazer mal para aquele homem estranho e antes de cair na inconsciência um pensamento lhe acertou: ele era o pior tipo de ameaça que poderia a atingir.

Estava perdida.

Por breves momentos após ver Marion rumar para a cachoeira Jiraya fora acometido de recordações do dia em que a encontrou. Parecia inofensiva e estava tão ferida... Mesmo assim os olhos emanavam uma vontade quase doentia de continuar vivendo. Fora extremamente trabalhoso adequar-se ao modo de agir dela, porém, quando conseguiu não pode se sentir mais orgulhoso, mesmo que agora, depois de tanto tempo, ainda houvesse coisas sobre o passado dela que eram desconhecidas por ele.

Marion era sua criança e não deixaria que nada de mal lhe acontecesse, mesmo que para isso tivesse que dar uma boa lição numa criança humana. Ninguém, em hipótese alguma, a faria sentir toda aquela dor novamente enquanto estivesse vivo.

Um som estridente ecoou pelo local, os dois jovens que ocupavam a cozinha reconheceram como a porta da frente sendo fechada bruscamente. Pouco tempo depois um emaranhado de cabelos brancos adentrou o cômodo.

– Você tem exatos cinco minutos para me convencer de que eu realmente fiz certo ao interferir em sua morte! – A rispidez na voz do grisalho era quase palpável, sua expressão mantinha-se severa e cansada.

Não houve resposta. Sasuke permaneceu sentado e em silêncio, parecia sequer ter notado a presença do anfitrião daquela casa. Naruto apenas observava tudo, pela primeira vez calado e sem apresentar sinais de que falaria tão cedo.

– Sasuke! Quantas vezes já não disse para não provocá-la? – Perguntou andando de um lado para o outro, uma das mãos apoiada na testa – Não sei o que aconteceu, mas para que ela tenha chegado ao ponto de forçar o selo a se romper… O que você fez? – Parou e direcionou seus olhos novamente para o garoto.

Mais uma vez o silêncio permaneceu.

– Por Deus, estou falando com você! – Gritou batendo as mãos fortemente na mesa, a respiração exasperada.

– Jiji... – Chamou Naruto. Ao notar que tinha a atenção do mais velho apenas balançou negativamente a cabeça.

Jiraya voltou a olhar para o moreno e somente ai percebeu. Sasuke estava em estado de choque, seu corpo ainda tremia e, mesmo com a cabeça baixa, podia-se ver que os olhos estavam tão arregalados quanto pratos. O pânico o dominava.

– Céus... É somente uma criança! – Respirou fundo, abaixando o tom de voz voltou a falar – Está tudo bem agora, garoto. – Seus dedos encontraram a mão fria e trêmula de Sasuke.

Sabia que aquelas palavras não seriam o suficiente para fazê-lo retornar à realidade, talvez ele nem mesmo tenha as ouvido, então resolveu agir através do toque. Sutilmente sua magia era transferida para o corpo do garoto, como pequenas ondas de calor, parecendo trazê-lo de volta à si. Humanos não reagiam da melhor maneira ao frio – e ele sabia o quão gelada era a magia de Marion –, o calor os fazia ter a sensação de conforto, confiança. Algo como estar de volta ao lar e ele conhecia bem essa sensação.

Passado um curto tempo, o rosto antes pálido e amedrontado já adquiria seu aspecto corado. A respiração também havia sido normalizada, embora um leve tremor ainda balança-se seu corpo.

– Sente-se melhor? – Indagou Jiraya.

– E-eu... – Respirou fundo e finalmente conseguiu falar – Me desculpe.

– Não é a mim que deve dizer isso. – A voz novamente assumindo um tom de severidade – Agora, o que foi que aconteceu? E quando digo isso quero saber do começo!

– Eu fiz como você disse, fui até a catedral... – Seus olhos fecharam-se por breves segundos, talvez incomodado com a lembrança.

– Como Marion permitiu que fosse? – Perguntou admirado.

–Ela... Não permitiu. – Sussurrou.

– Mas co... – Parou quando se deu conta do que possivelmente havia ocorrido – Tudo bem, eu manterei a calma. – Sibilou respirando fundo e massageando as têmporas – Continue.

– Quando consegui despistá-la... – Olhou receoso para Naruto que apenas o apoiou – Fui até a catedral e encontrei Dorank.

– Mas isso é ótimo! – Suspirou aliviado.

– Ótimo? Aquele velho não dizia coisa com coisa! Como assim eu não tenho noção do destino que carrego? – Questionou confuso fazendo uma feição de desgosto – Quando eu estava saindo da igreja uma garota apareceu. Ela simplesmente me atacou.

– Por que não disse antes que está ferido? – Perguntou preocupado.

– Porque não estou. Marion apareceu e entrou na frente tomando o golpe.

– Espere ai! – Gritou ficando de pé – Marion? Está me dizendo que ela pisou em solo sagrado?

– Sim...

– Droga! – Bateu na própria cabeça. Olhou para fora da janela e respirou de forma cansada – Me diga, a garota era um anjo?

– Bom... Eu não sei exatamente, mas pelo ódio que ela tinha do nome do Diabo e o fato de não estar “fumaçando” eu acho que sim.

– Ela está viva, não está? – Perguntou receoso.

– Sim, ela teve uma conversa esquisita com Marion, até a chamou como... Sakura.

– Céus, temos um grande problema!

– O estranho mesmo – comentou –, era que ela parecia muito perturbada com a presença de Marion. Tanto é que recusou a briga e apenas foi embora.

– O que não consigo entender é o que a irritou tanto, Marion não o atacaria por tão pouco.

– Na verdade nós brigamos. Ela me bateu e eu perdi o controle. Mas... Quando falei o nome daquela pessoa ela simplesmente enlouqueceu!

– Que nome? – Perguntou rogando aos céus para que estivesse enganado.

– Chrno.

– Garoto! Você, definitivamente, me deve a sua vida. – Disse de forma estúpida – Nunca repita esse nome em sua presença! Por Deus, ainda bem que eu cheguei a tempo.

– Afinal, quem é esse Chrno? – Indagou Naruto.

– Foi o miserável que a destruiu.

A cachoeira estava silenciosa até o momento que a garota de cabelo róseos chegou ao local. Ali ela descontou todo resquício de ira que ainda possuía em socos na rocha do paredão ao lado da queda d'água. Sempre que a mão era tingida pelo rubro do sangue a ferida automaticamente cicatrizava, então perdeu a conta de quantos foram, na verdade, nem se preocupou em contar.

A única coisa que não cicatrizava era o ferimento, causado por Hinata, em seu braço esquerdo. Tentou ainda fazer o processo manual de concentração de chakra mas teve a mão repelida de forma violenta. Se amaldiçoou por isto, pelo selo cujo bloqueava seus poderes, pela raiva que ainda sentia de Sasuke e por tudo aquilo que a cercava.

Agora estava sentada em posição de lótus no mesmo lugar de costume, o centro da queda d'água, seu braço ferido possuía manchas tribais em um tom vermelho aceso que seguiam em direção ao machucado. Sua expressão era de evidente descontentamento, o que indicava que não estava tendo progresso algum.

Jiraya, que fora até ali ver como ela estava, aproximou-se cauteloso e tentou iniciar um dialogo.

– Sabe que não vai funcionar, não é?

– Você costumava ser mais otimista. – Respondeu sem humor.

– E você mais controlada. Quase matou o filhote humano. – Alertou

– Não deveria ter me interrompido.

– Pare com essa brincadeira. – Ordenou sério.

– Eu não iria matá-lo.

– Como posso acreditar em você depois do que vi hoje? – Indagou aproximando-se da beira da água.

– Isso não me importa, velho idiota. – Resmungou irritada.

– Dobre sua língua, criança. – Repreendeu de forma severa

– Você sabe o que acontece àqueles que quebram um pacto, Jiraya? – Perguntou mudando completamente o tom de voz.

– Não... – Respondeu se mostrando confuso.

– Nós demônios temos nosso próprio purgatório.

– O que quer dizer com isso? – Perguntou não compreendendo o rumo da conversa.

– Eles são condenados a eternidade na ala de tortura. Tendo as asas arrancadas sempre que nascem novamente, tendo o chakra sugado de forma lenta e dolorosa enquanto recebem as mais diversas mutilações... É um lugar onde nem mesmo o Diabo mereceria estar.

– Isso é...

– Terrível? – Riu sem humor – Nem mesmo nós demônios suportamos o inferno.

– Está me dizendo que...

– Eu sobrevivi naquela ala por duzentos longos anos. Acredite, eu não quero voltar até aquele lugar. Agora, me deixe só. – Finalizou fechando os olhos e dobrando a concentração de energia enviada para o machucado.

Jiraya apenas permaneceu calado ao seu lado, como sempre fazia quando ela lhe contava algo sobre o Sheol.

Notas finais
Ninguém notou que Sasuke esqueceu de contar um "pequeno" detalhe do encontro dele com Dorank? #chateada E sobre o inferno? Quer dizer que existe um lugar onde até mesmo nossa garota favorita tem medo de estar? Outra coisa que queria comentar... Marion Blanchard (por mais que eu ame) só vem me dando desgosto, não se assustem caso algum dia eu a exclua. Sério, magoa muito fazer algo e não ter retorno. Enfim... Para quem quer comentar algo e não possui conta no site: http://ask.fm/blannchard E o de sempre: críticas, sugestões, declarações de amor, ameaças de morte... Comentem! kkkkkkkkk Ja ne ~ ♥