Notas iniciais
Yo, nekos

No capítulo anterior de Marion Blanchard...

(…) O calor escaldante o atingiu violentamente assim como o vento seco, jogando seus longos cabelos para trás. A sua frente estava o maior salão do castelo, localizado exatamente em seu centro. Moveu os olhos sondando o ambiente, procurando aquele cujo qual seu foco seria posto. O encontrou de costas, perto da grande fornalha ao centro, bem embaixo da abertura do cume da montanha.

– Mirach. – Chamou em alto e bom som.

– Qual arma precisa que eu forje dessa vez?

– Na verdade... – Começou sorrateiro – Preciso localizar uma que já existe.

– Ora essa, então diga logo. – O som do metal colidindo voltou a ser ouvido – Qual dos meus filhos precisa encontrar?

– Antares. – Disse sério.

Mais uma vez o silêncio.

Capítulo atual.

Em algum lugar no Inferno...

– Esqueça.

– Vamos, Mirach. – Incentivou – Sei que é capaz de localizá-la.

– Não.

– Eu preciso encontrá-la. – Itachi resolveu apelar – Você sabe, o Armagedom já teve início.

O guerreiro virou-se bruscamente, fúria em seus olhos.

– Antares foi minha maior criação. A melhor arma que meus braços e poderes já puderam criar. – Seus olhos transbordavam cólera – A fiz exatamente como me pediu e para quê? Para aquela pirralha maldita, filha de uma meretriz, a abandonar!

– Sei a raiva que sente, mas-

– Não, não sabe. – Cortou atirando um dos enormes machados que havia sobre a mesa numa pilastra na lateral – Ela é diferente de tudo que já fiz, sua energia, seu poder... Tudo nela é diferente.

– É por isso que preciso encontrá-la. – Itachi assumiu, a voz profunda – Ela precisa ser devolvida ao dono, você sabe disso.

A frustração do demônio explodiu em um acesso de fúria: armas, mesas e o que mais pudesse ser erguido por seus poderosos braços eram atirados em todas as direções. Quando algo passava muito perto de Itachi, suas asas agiam como navalha, fatiando tudo antes que lhe atingisse. Quando não mais havia o que ser atirado, Mirach parou ofegante, levando as mãos ao rosto e bagunçando os cabelos. Itachi entendeu, ele havia se rendido.

– Eu o ajudarei. – Avisou quando completamente calmo.

– Sabia que entenderia.

– Mas! – Avisou, aproximando-se e o olhando de cima, a voz gutural e perigosa – Se ela sofrer qualquer dano, sua cabeça será caçada por mim.

– Eu sei que será. – Sorriu vitorioso, vendo o demônio sumir por uma porta ao fundo do salão.

Longos minutos se passaram, até o guerreiro voltar com algo em mãos. Uma pedra fixada a um conjunto prateado e bem elaborado de ouro branco. O cristal turquesa, mesclado em finas e contorcidas linhas de um azul mais escuro, similares a rachaduras, possuía o formato semelhante ao de uma gota invertida. Mirach entregou-o nas mãos de Itachi e o olhou sério.

– Basta pensar em seu nome e ele o levará até ela. Mas, só funcionará na superfície.

– Agradeço por sua colaboração. – Fez uma breve reverência com a cabeça e virou-se, abrindo novamente suas asas e alçando voo.

– Itachi. – Chamou mais uma vez Mirach, usando o verdadeiro nome do Grão Duque.

– Hn? – Questionou olhando para trás, já na altura da porta.

– Salve-a. – Sorriu cúmplice, acenando com dois dedos encostados pouco acima da sobrancelha.

Sorriu de forma cansada e partiu. A imagem do velho amigo em meio ao salão destruído ficaria por um longo tempo em sua mente.

❈ ✝ ❈

A noite havia chegado sem pressa. Jiraya estava visivelmente cansado, a expressão abatida, afinal passara todo o tempo tentando cuidar das feridas de Naruto. Os canais de chakra do garoto haviam pegado fogo, quase literalmente, devido a explosão súbita de poder. Tentou pedir ajuda a Marion, porém recebeu um sonoro rosnado em resposta, a solução acabou sendo usar sua própria energia vital para reparar o estrago. Havia obtido êxito, entretanto agora pagava o preço.

Após o jantar os jovens pupilos haviam se recolhido para descansar, enquanto Marion permaneceu sentada na varanda da frente, perdida em seus próprios pensamentos. Depois que limpou toda a cozinha, era hora de reparar os estragos em seu quintal dos fundos. Suspirou derrotado enquanto abria a porta. Ao mover os olhos para frente, viu uma cena atípica.

Hinata estava sentada, encostada em uma árvore, bem de frente para a porta ao qual ele saia. O anjo não perdia um único movimento, mesmo no escuro Jiraya percebia isso. Fez um breve aceno de cabeça e focou sua atenção no terreno. Aos poucos pequenas esferas de luz começaram a emanar do solo, suas cores formando um perfeito arco-íris flutuante. Cada uma era direcionada para uma parte, fazendo assim com que primeiro o solo voltasse a ser plano, depois com que a grama crescesse e finalmente as poucas flores que haviam ao redor. Um processo lento, trabalhoso, porém belo.

A jovem celestial observava tudo atentamente, secretamente maravilhada com o poder daquela entidade. Não pode evitar um sorriso singelo de brincar em seus lábios. Jiraya notara e sorriu em resposta, enviando algumas esferas para perto da general, que levantou-se assustada. Os pontos flutuantes de luz dançaram ao seu redor, rebatendo seu prisma nos troncos das árvores, a garota sorriu abertamente tentando tocar as massas de calor e as fazendo estourar como bolhas, onde pequenos pontos cintilantes eclodiam de dentro. Uma cena adorável, na opinião do grisalho.

– Está frio aqui fora. – Começou, levando os orbes ao céu e os estourando de vez, uma chuva de cores caiu sobre eles – E logo começará a chover.

– Não preocupe-se comigo. – Foi gentil, entendendo aonde ele queria chegar.

– Insisto. – Sorriu – Entre.

– E ficar sob o mesmo teto que Sakura? – Riu, balançando a cabeça em recusa.

– Apenas por uma noite, então. – Persuadiu – Aposto que mesmo os anjos não são páreos para raios e demais cataclismos.

Ponderou a proposta. De fato não morreria caso atingida por um raio, contudo isso não queria dizer que não sofreria danos. Deu-se por vencida e acompanhou a entidade rumo o interior da casa, ao mesmo passo que os primeiros pingos caiam do céu.

O interior era quente e confortável, bastante humano até, pensou Hinata. Apesar de saber que sua ex-comandante – e agora demônio – estava em algum dos cômodos, sentia-se a vontade. Estava confortavelmente tomando um chá feito de ervas especiais, junto com Jiraya, quando a viu encostada na soleira da porta que ligava a cozinha à sala.

– Senti o cheiro de raposa no Inferno. – Provocou, a face séria.

– A presença desagradável na verdade não é a minha. – Rebateu, o tom ácido.

– Minha casa, minhas regras. – Ralhou Jiraya, interrompendo antes que outra briga começasse – Nada de confrontos dentro, fora ou nos arredores da casa.

– Tsc. – Bufou irritada, rumando para o andar superior.

– Como consegue suportá-la? – Perguntou Hinata, voltando ao seu tom de voz suave.

– Com o tempo você se acostuma. – Brincou, recolhendo a sujeira.

– Não quero ter tempo. – Afirmou convicta.

– Tudo bem, tudo bem. – Apaziguou o clima tenso que havia surgido – Bom, há espaço para mais um no andar de cima...

– Não, ficarei bem aqui. – Referiu-se a sala.

– Como queira. – Falou já na metade da escada – Nos vemos pela manhã, Hina-chan.

Não pode evitar de corar com a menção do apelido. Não gostava quando a chamavam assim, a lembrava de como tudo era antes da queda de Sakura, dos momentos gentis e amigáveis que ambas compartilharam. Agora tudo isso era esmagado por uma onda massiva de sentimentos negativos. Balançou a cabeça espanto tais pensamentos, Sakura era sua inimiga agora, não podia se deixar levar. Sentou-se escorada a parede, uma perna encolhida e a outra esticada. Fechou os olhos.

❈ ✝ ❈

No andar de cima da casa Marion se encontrava em sua cama, as costas firmemente pregadas a parede. Os dois jovens já dormiam profundamente, sendo embalados pelo som da forte chuva. A face descontente era visível mesmo sob a fraca luz bruxuleante da vela quase totalmente gasta. Estava irritada com o fato de Jiraya ter trazido para o mesmo ambiente que ela alguém ao qual detestava – muito embora não houvesse alguém cujo ela realmente se agradava da presença. Ouviu então um som baixo, um ronco humano. Revirou os olhos reconhecendo o loiro como o autor.

Em sua mente uma série de blasfêmias e injurias eram ditas, direcionadas tanto para a divindade da terra quanto para o anjo no andar abaixo. Um raio explodiu perto, clareando todo o quarto. Não podia aceitar ter sua energia afrontada pela de Hinata, ela era a dominante naquele território. Outra vez ouviu o ronco de Naruto, dessa vez mais alto. Uma veia saltou em sua testa.

Ter um celeste tão perto assim apenas a atrapalhava, ainda mais quando o anjo era um subordinado de seu inimigo direto. Resmungou xingamentos e mordeu os lábios, a fúria não dava sinais de que apaziguaria. Mais uma vez um raio rasgou o céu, cada vez mais perto. Maldita hora em que Jiraya permitiu que Sasuke e Naruto usassem magia, pensou furiosa. Agora teria de suprimir toda sua raiva. Odiava humanos, odiava anjos, odiava Jiraya. Mais um ronco, dessa vez estrondoso. Seus olhos estreitaram-se, a paciência havia a abandonado. Odiava Naruto.

Levantou-se da cama e dirigiu-se até o loiro, ouviu quando mais um ronco veio ao mesmo tempo que um novo raio. Sua raiva explodiu. Puxou o garoto por um dos pés, o fazendo cair e bater o rosto no chão. Naruto acordou atordoado, assustado com a situação. Arregalou os olhos quando notou quem segurava seu pé.

– Marion-chan... – Perdeu a fala quando observou o sorriso assassino surgir na face feminina.

Ignorando completamente os gritos de Naruto, Marion o arrastou pelo quarto – ainda pelo pé – em direção a porta. No percusso Naruto tentou salvar-se, segurando em algo. Objeto errado. Agarrou no desespero o braço de Sasuke e gritou por socorro em seu ouvido. O moreno levantou-se assustado. Marion não deixou-se abalar e puxou com mais força, fazendo o garoto ficar suspenso no ar, Sasuke quase fora arrastado junto se não tivesse se segurado na cabeceira da cama.

– Mas o que diabos está acontecendo aqui? – Perguntou afobado, sentindo Naruto puxar seu braço com cada vez mais força a medida que Marion o puxava.

Ela vai me matar! – Gritou, o rosto em lágrimas.

Enjoada com a cena e cada vez mais irritada pelos gritos do loiro, a demônio o puxou violentamente, o fazendo soltar o moreno e finalmente ser arrastado para fora do quarto. Ainda persistente, Naruto tentou segurar-se ao beiral da porta, porém não teve sucesso, tendo apenas tempo de gritar por socorro antes de ser levado corredor afora:

– Sasuke!

A gritaria espalhou-se pela casa, Marion fazia questão de ziguezaguear pelo corredor, fazendo o garoto chocar sua cabeça incontáveis vezes nas paredes. Sasuke seguiu atrás, tentando convencer a rosada a desistir do que havia planejado, um esforço que fizera seu ferimento abrir, manchando o curativo de sangue. Porém, quanto mais gritos de Naruto e mais apelos de Sasuke, mais a garota descontava sua ira. O pior momento fora quando desceu a escada de forma brusca, dando rápidos e fortes puxões na perna do loiro, o fazendo bater a cabeça várias vezes. O sorriso mortal em sua face era evidente.

Hinata levantou-se assustada, deparando-se com Sakura puxando o garoto loiro de forma bruta. Ergueu uma sobrancelha sem compreender a cena. Raiva a atingiu. Censurando com os olhos o que via, aproximou-se da confusão.

– Pra onde está levando ele? – Indagou Sasuke – Marion, por favor, o que está acontecendo?

– Sasuke! – Chorava Naruto tentando segurar-se em algo.

– Volte para cama, pirralho. – Ameaçou, a voz grave e perigosa.

Abriu a porta com força, recebendo o vento e algumas rajadas da forte chuva que caia. Uma sequência de raios feriu os céus. Compreendendo o que aconteceria, Hinata resolveu interferir.

– Pare já com isso. – Segurou com força o braço cujo o demônio usava para segurar a perna de Naruto.

Um choque fora sentido no exato momento do toque. A pele de ambas começou a exalar uma estranha fumaça.

– Me deixe apenas lidar com ele e eu arrancarei seus dedos. – Puxou o braço com força, atirando o loiro para a varanda.

Naruto fora lançado com tanta força que acabou descendo os degraus e parando na grama molhada, se sujando completamente. Levantou-se as pressas e tentou correr de volta para dentro. Bateu o rosto com força na porta que fora fechada. Com chave.

– Marion! – Gritou batendo na porta – Por Deus, deixe-me entrar.

– Palavras erradas. – Respondeu do lado de dentro – Não respeito o seu Deus.

– Marion! – Bradou Sasuke – Ele vai congelar do lado de fora.

– Não me importo.

– Ora sua... – Interrompeu-se Hinata – Quem pensa que é?

– Alguém a quem você deve temer. – Sussurrou venenosa.

– Marion, por tudo que há! – Apelou Sasuke – Ele pode ser atingido por um raio desse jeito!

– Pensei que estava tentando tirá-lo de lá. – Sorriu macabra.

– Saia do caminho agora. – Ordenou Hinata – Deixe o humano entrar.

– Tente passar por cima de mim.

Olhos furiosos se encontraram no mesmo instante que um raio partiu uma árvore ao lado da varanda, um grito fino e nada másculo fora ouvido. As batidas na porta continuavam. Um som de madeira rangendo quebrou o contato visual das guerreiras. Jiraya apareceu no topo da escada, a face completamente sonolenta e desnorteada.

– O que está havendo aqui? – Questionou tropeçando nos degraus.

– Marion trancou Naruto do lado de fora! – Avisou Sasuke, recebendo um olhar desafiador da rosada.

– Hn? – Pareceu espertar ao ter noção da situação – Com essa chuva?

– Diga para trazê-lo de volta para dentro. – Começou Hinata, séria.

– Se está tão preocupada com aquele verme, posso pô-la para fora também. – Provocou lambendo os lábios.

– Marion, me entregue a chave agora. – Intercedeu Jiraya.

Um rosnado ecoou pelo local, seguido de um olhar furioso.

– Marion. – Jiraya engrossou a voz, o tom perigosamente ácido – Agora.

Um objeto voou na direção do grisalho, que o apanhou rapidamente, a expressão descontente devido a dor, se fosse um humano, sem dúvida, teria perdido a mão. Teve tempo apenas de ver a garota furiosa rumar para a porta dos fundos a chutando aberta.

– Aonde pensa que vai nessa tempestade? – Indagou incrédulo.

Ignorando a pergunta e ainda na varanda, expandiu as asas – causando leves rachaduras nas madeiras que sustentavam o teto – e alçou voo. Sasuke correu até a porta da cozinha e gritou pelo seu nome, implorando para que voltasse. Sem resultado.

Não perdendo mais tempo Jiraya abriu a porta da frente e deixou que um Naruto completamente molhado e sujo entrasse. Os olhos azuis do loiro estavam vermelhos por causa do choro.

– Jiji! – Gritou abraçando o Sensei.

– Está me sujando, pare já com isso.

– Eu pensei que fosse morrer, Jiji. – Confessou afastando-se, ainda dramático.

– Mas o que diabos você fez a ela? – Acusou Sasuke, agora sentado nos degraus da escada.

– Eu não sei! – Respondeu transtornado – Uma hora eu estava comendo o maior banquete da minha vida e na outra a Marion-chan me puxava pelos pés!

– Já chega, já chega. – Acalmou Jiraya – A culpa não é sua Naruto.

Aproveitando que o garoto estava mais calmo, Hinata parou ao seu lado e o cobriu com o tecido que usava preso em sua cintura, improvisando uma manta para o jovem.

– Aqueça-se. – Sorriu suave – Você está tremendo.

Naruto sentiu-se quente ao ouvir a doce voz. Arregalou os olhos quando viu a quem pertencia, era o ser mais bonito que já havia visto em toda sua vida. Não pode evitar de gaguejar enquanto tinha as bochechas coradas:

– O-obrigado... – As palavras morreram diante do sorriso que recebera.

Jiraya, já cansado de tudo, cortou o clima empurrando o pupilo escada a cima, levando ao seu encalço um moreno claramente preocupado com o paradeiro de Marion. Hinata sorriu com a cena, antes de voltar seus olhos para o caminho feito por Sakura.

– Voltem a dormir. – Disse já na porta do quarto.

Naruto pareceu não ouvir, uma vez que estava sibilando elogios para a aparência de Hinata e o quão bela e encantadora ela soou.

– Jiraya... – Começou Sasuke, perdendo a coragem de falar.

– Está tudo bem, ela voltará. – Sorriu dando leves tapas no ombro do jovem. – Durma.

– Obrigado. – Sorriu indo para sua cama – Tenha uma boa noite.

– "Tenha uma boa noite" – Imitou afinando a voz, debochando – Como se eu fosse conseguir voltar a dormir! – Seguiu para seu quarto, ainda resmungando – O que há de errado em dormir? Era apenas isso que eu precisava e...

A voz sumira ao mesmo tempo que o som de porta sendo fechada ecoou. Sasuke não pode evitar de sorrir. Agora, já deitado, seus olhos mantinham-se fixos no teto.

Onde você se meteu, Marion? – Pensou frustrado, fechando os olhos.

Notas finais
Nekos, uma coisa importantíssima! Fui conferir a quantidade de acessos de cada capítulo e vi algo problemático. Alguns capítulos anteriores estão com menos visualização que os posteriores. Isso me preocupa, porque me faz pensar que as pessoas estão PULANDO a leitura. Não façam isso, por favor, nenhum cap. é desnecessário, pular a leitura só vai o atrapalhar no futuro! E então, o que acharam? Espero que tenham gostado! Ah, se encontrarem algum erro, me avisem, por favor! Críticas, dúvidas, sugestões, ameaças, declarações... Falem comigo! Não importa por onde! Facebook oficial: https://www.facebook.com/marionblannchard Ask oficial: http://ask.fm/blannchard Ja ne ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.