Marinwaal
2 "Siga seus sonhos!", te diz uma boa amiga.
Em um primeiro momento, permanecemos caladas, nossos passos cautelosos. Ainda estávamos de braços enganchados, o que eu percebia que estava me deixando feliz. A tarde estava ensolarada e bastante quente para um princípio de outono.
– Me fale um pouco sobre você – eu finalmente perguntei.
– Como o quê? – Mona olhava fixamente para baixo, os pés seguindo as retas do cimento na calçada.
– Como o que costuma fazer depois da escola, quais são seus hobbies.
– Minha vida não é muito interessante – ela me olhou por um segundo, sorrindo conformadamente.
– Tente. Você nunca sabe as ideias de alguém em algo interessante.
Depois de suspirar, Mona acabou por me contar que fazia aula de artesanato – aprendia a esculpir coisas em cerâmica, principalmente – e que também lia bastante. Ela passava a maior parte de seu tempo livre lendo, aliás.
– Legal – eu disse, assentindo –, mas sempre pensei em você como uma maníaca por números.
Mona achou graça, e o som da risada de uma pessoa que vivia triste pelos cantos da escola era duas vezes melhor.
– Por que as pessoas acham que todos os tímidos são apaixonados por matemática?
Dei de ombros.
– Desculpe.
– Sem problemas – ela respondeu casualmente. – Mas e quanto a você? Deve ter uma vida empolgante. O grupo de vocês parece ser imprevisível. Alison principalmente.
Pensei por alguns segundos naquele comentário. Não notei rancor na voz de Mona enquanto ela pronunciava o nome de Alison, porém isso já era de se esperar.
Eu conseguia entender o porquê de alguém como Mona achar que nós éramos do jeito que ela achava que éramos. Até pouco tempo atrás eu pensava da mesma maneira, já que fui a última que Alison anexara ao grupo. Aliás, Alison sim era imprevisível, definitivamente; e isso contava como uma qualidade e como um defeito ao mesmo tempo, mas o resto de nós estava longe de ser assim. Éramos comuns; e eu gostava quando ficávamos apenas Aria, Emily, Spencer e eu juntas. Era confortável e eu podia ser realmente quem eu era.
– Eu não sou como Alison – disse por fim, sentindo meus batimentos acelerados devido ao desejo de contar apenas a verdade. – Não gosto do que ela faz, em nenhum sentido. Não gosto de ir a festas, nem de beber, nem de me exibir para os garotos no shopping.
– Então do que você gosta de fazer? – ela me olhava agora curiosa.
Suspirei tristemente.
– Eu passo a maior parte das minhas semanas na academia.
– Não foi o que eu perguntei – disse Mona cautelosamente, e aquele tom de voz fez os pelinhos em minha nuca se eriçarem. Era como se Mona soubesse que Ali praticamente me obrigava a ir, dizendo subliminarmente que, se eu não emagrecesse, ninguém iria olhar para mim do jeito que olhavam para ela.
– Eu gosto de desenhar – respondi tremulamente, como se tivesse criado coragem para dizer aquilo pela primeira vez. – Coisas relacionadas à moda, principalmente. Vestidos, roupas em geral.
– Sério? – Mona olhou-me outra vez, sorrindo, e agora o brilho em seus olhos era evidente.
– Sim – confirmei, animada. – Eu quero ser estilista. Tipo, eu sei que posso ficar muito boa nisso se me esforçar.
– Ah, Hanna! – Mona parou de caminhar de repente, me fitando de um jeito orgulhoso, e eu percebi que estávamos à frente de um gramado cercado; o gramado da casa dela. – Isso é tão incrível! Infinitamente mais do que perder tempo na academia!
– Você acha?
– Eu tenho a mais absoluta certeza! – ela tomou delicadamente minha mão direita em sua esquerda, o que me pegou de surpresa, mas fez minha pele formigar. – E o brilho que surgiu nos seus olhos enquanto você falava... nunca perca isso, está bem? Porque é lindo.
Ela inclinou-se e beijou minha bochecha antes de largar minha mão e virar-se para entrar na casa.
Eu não fazia ideia de quanto tempo havia ficado ali, parada e impressionada naquele mesmo lugar; a única coisa que eu sabia uma vez que comecei a caminhar em direção à minha própria casa, era que eu tinha um contrato para cancelar com a academia.
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