Marina Ginsi-A agente
3 Sonhando com o destino
Notas iniciais
Marina chegou em casa muito cansada, então se deitou na cama e começou a pensar se entrava para a 0800. Era difícil, até porque no final do ano que já havia passado, ela achou um mistério horrível que queria resolver. Então ela resolveu ligar para Joanna.
–Pizzaria 0800, quem fala?
–Joanna? Pizzaria?
–Marina! Sim, sim, nós não queremos que ninguém saiba que nós somos uma agência. Então, se decidiu?
Marina suspirou. Aquela resposta era única, não poderia desfazê-la nunca. Mas era a coisa certa.
–Me decidi. Bom, eu tive que decorar o que vou dizer porque é horrivelmente sacrificante falar para você, não porque é você mas... Enfim! Eu achei um caso sério para resolver, lógico que ia te contar, mas me enchi de tantas coisas que esqueci. É sobre um homem que achei que já tinha morrido, mas talvez não tenha, embora já tenha cento e vinte anos, por aí. Queria pedir para encobrirem esse “mistério”, já que eu não iria resolver isso sozinha. Sobre isso nós conversamos quando nos acertarmos. Eu quero muito voltar para a agência, mas achei que é certo não arriscar a minha vida. Quero muito participar desta missão, por mais que ela pareça perigosa. Fiz todos esses cálculos e decidi que quando vocês resolverem o problema, podem me ligar, pois eu volto. Me desculpem por não ir agora.
–Nossa, Marina pensei que você fosse chorar.
–Eu também. Mas, muito obrigada por tudo. Eu com certeza não esperava que fosse fácil falar com você, depois dessa manhã cheia de aulas e tal.
–Sim, entendo. E sobre a outra missão...
–Então?
–Vou ver se podemos cobrir.
–Tchau.
–Tchau, Marina.
Marina estudou muito sobre aquele homem, cujo nem lembrava o nome. Ela escutou alguém batendo na porta, então correu para abri-la. Era Mariana, toda maquiada, que estava fazendo aniversário.
–Ah, esqueci, parabéns!
Mariana choramingou e se sentou na cama.
–Me desculpa, eu fui tão boba!
Ela tentou, mais não conseguiu conter as lágrimas. Ela colocou as mãos no rosto, soluçando e se escondendo de Marina.
–Pra que se desculpar?
–Porque eu, eu... Eu pensei que ele fosse perfeito para mim, admito que tentei te deixar com inveja, mas foi tão feio!
Marina engoliu seco e abraçou a amiga.
–Eu sei que você ama ele, não precisa negar.
Mariana olhou para Marina e sorriu.
–Assim eu até me sinto melhor, mas não é bem assim. Hoje, quando terminei de falar com os novatos, Matheus disse que eu era muito certinha, que devia ser como você, que não se importa com nada. Eu tentei explicar, mas parece que ele não dá bola. Quer você. E não me importo se vocês ficarem, é óbvio.
–Talvez no futuro, – Marina apontou para cima, girando o dedo –não agora. Aceite o fato de que vocês são diferentes, mas podem se amar!
–Não, não podemos.
Mariana estava certa. Não tinha mínima chance daquilo acontecer, eles eram apenas melhores amigos, mas namorados ninguém sabe.
–É, isso é tão chato...
–Deixa assim, eu vou ficar fora mesmo.
–Fora?
–Vou viajar pra França, embora meus pais não vão me levar pra passear.
Os pais de Mariana viajavam muito a trabalho, então não podiam passear muito com ela nas viagens.
–Fico triste por não ligarem para mim.
–Claro que ligam! Eu prometo que vai ficar tudo bem.
O celular de Mariana tocou e ela leu uma mensagem.
–Ah! – Ela gritou, pulando da cama –Tchau, Má, tenho que ir para o aeroporto.
–Boa viagem!
Elas trocaram beijos na bochecha, e Marina viu a amiga ir embora. Quando viu o carro sair, ela ligou para Matheus.
–Oi Marina!
–Foi sua intenção? Vai dizer agora que ela é certinha? Ou que ela não encara desafios? Desde que a conheceu achou chata?
–Desculpa. Eu realmente não quis fazer isso, quer dizer, ela é certinha demais, não acha?
–Sim, acho! Mas... Por mim não tem problema, eu não arraso o coração dela.
–Ai, Marina, as vezes você cansa. Me obrigaram a fazer isso.
–Entendo, mas você podia pedir desculpas não acha?
–Talvez. Acho chato ser o namorado perfeito.
–Que legal, acha legal ser o ex-melhor amigo Matheus?
–Cadê ela?
–No aeroporto, indo pra França.
Marina abriu um sorriso malvado.
–Meu deus! Tenho que ligar pra Mariana!
–Tem mesmo. Vá em frente rapaz.
–Tchau Marina, obrigada.
–Você precisa da nerd que te apare. Ela disse que mudou de ideia. Mude a cabeça de uma solitária triste. Cê consegue cara.
Ela colocou seus óculos e desligou a chamada. Se sentia como uma abelha fazendo mel. Ligou para a locadora e reservou um filme, ela mesma iria buscar. Matheus ligou.
–Oi Mati!
–Marina? Voltei com Mariana, ela parecia tão feliz!
Marina se esparramou na cama e gritou, um grito rápido que quase estourou os tímpanos do amigo.
–Ah! – Ela se aliviou, soltando um suspiro que Matheus achava fofo da parte dela. –Se eu namorasse, teria beijado o telefone! Mas, por favorzinho, não brinca mais com isso tá Matheus? Isso, muito, muito obrigada Mati.
–Sim, sei como você beijaria o telefone e abraçaria o seu ursinho Mark.
–Ah Matheus! – Ela gritou –Mark é só... Só um urso! Lindo, que eu amo... – Ele riu da amiga, que arregalou os olhos. –Cale a boca!
–Calma, calma! E você, vai fazer alguma coisa hoje?
–Vai trair a namorada? Vou sim, você não está convidado.
–Sou seu amigo de infância, pra que me convidar? Confia em mim, eu amo ela.
–Quero ficar fora do mundo hoje Mati, é importante.
–Mas...
–Não venha se amar sua amiga e a sua namorada!
Ela desligou o telefone e pegou seu diário.
Sinto uma sensação estranha. Não posso dizer a Mariana nem a Matheus. Amo os dois, meus amigos, mas sou uma adolescente. Sinto que preciso ficar sozinha no mundo. Não nesse mundo, no meu mundo. Se eu não tivesse um mundo, precisaria de todos sempre, mas acho que o meu quarto é o meu mundo, viajo pra ele todos os dias.
Marina #comfome=d
Marina pedalou até a locadora e pagou seu dvd. Chegando em casa, adormeceu quando o filme acabou.
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