Marie das Sombras
7 Bolo e algo mais (parte 1)
Notas iniciais
Mandei eles me acordarem cedo no dia seguinte. Queria fazer o bolo perfeito para Alex, então se errasse a receita ou algo desse errado, daria tempo para consertar. Afinal de contas, eu não fizera o bolo no dia certo, então queria fazer um tão gostoso que pudesse cobrir meu erro.
Eles me acordaram quando o sol ainda estava tingindo de roxo o céu, então ainda estava consideravelmente frio no meu quarto, por isso, apesar de colocar as roupas que ele me deu, coloquei um de meus casacos mais quentes.
Desci para aprontar meu café da manhã e ordenei:
— Enquanto estou fazendo meu café da manhã, quero que me tragam o livro de receitas da minha mãe, abram na página do bolo de chocolate e tragam todos os ingredientes necessários. Rápido.
Senti que se dispersaram sem tentar dizer uma única coisa, então me virei para o fogão e fiz rapidamente um ovo mexido e peguei um pão francês.
Depois de me servir com leite frio no copo, cortei o pão francês na metade e coloquei o ovo dentro, formando assim um estranho \"sanduíche\", se é que poderia ser chamado assim, e comi o mais depressa que consegui, pois eles já estavam chegando com os ingredientes. O livro já estava aberto em cima do balcão.
Dei as três últimas goladas no leite e coloquei rapidamente o copo na pia. Enquanto eu me dirijia ao balcão, pude notar que eles começavam a lavar meu copo que eu havia acabado de deixar na pia.
\"São tão gentis...\" — pensei, dando um sorrisinho discreto.
Estudei a receita várias vezes, observando cada mínimo detalhe antes de começar a por em prática. Segui a receita tão à risca que o mínimo grãozinho desnecessário era retirado, a mínima quantidade medida, e eu fiquei atenta a todas as instruções.
Quando finalmente saiu do forno e eu vi que ficou cheiroso e bonito é que eu fui sentar e descansar.
Dei um longo suspiro antes de comentar:
— Meu Deus... É muito complicado fazer um bolo... Exigiu tanto da minha energia que agora estou esgotada. Vocês sabiam que era assim difícil? — perguntei àqueles seres invisíveis cuja presença eu podia sentir por todos os lados.
\"Sabíamos que ficaria cansada, mas esse pequeno cansaço lhe renderá grandes felicidades hoje...\" — eles me responderam vagamente.
— Tudo bem... Se são vocês que estão dizendo, não me importo — me levantei e caminhei até o jardim.
O sol já brilhava no céu. Deviam ser umas nove ou dez da manhã, pois o tempo que demorei foi grande. Bolos não eram uma coisa simples como pareciam ser. Se você mistura algo errado, esquece um ingrediente ou põe algo errado, tudo dá errado e o bolo fica uma desgraça.
— Realmente... Tomara que ele goste do bolo... — sussurrei, caindo no sono.
Acordei de novo com uma voz que veio de perto:
— Marie, você está bem?!
Abri os olhos por causa do sobressalto e a primeira coisa que vi foi o rosto de Alex a centímetros do meu. Não sei bem o porquê, mas corei.
— Alex...? — ainda estava meio devagar devido ao sono. — Ah, sim, eu cochilei. Hoje acordei mais cedo do que o normal para fazer seu bolo, então fiquei com sono e adormeci. Desculpe se te assustei.
Alex demonstrava surpresa pura em seu rosto.
— Você fez um bolo para mim...?
— Sim. Como ontem foi seu aniversário e eu não te dei presente nenhum, tudo que eu quis foi fazer o bolo.
Vi que ele corou um pouquinho e desviou o olhar ao falar:
— Eu disse que não precisava... — olhou para mim e, afastando-se, perguntou: — Não vai levantar?
Rapidamente sentei-me. Não precisava ele ter me perguntando se eu ia levantar. Apenas levantei-me pois lembrei que já deveria ser hora do almoço, já que ele estava ali.
Um vento fresco passou a minha volta, agitando meus cabelos negros, e foi como se por causa disso eu já soubesse as horas.
— Entre, Alex. Vou preparar uma salada, já que o bolo é de chocolate e ficará muito pesado se comermos depois de uma comida mais forte. Venha — peguei-o pela mão e guiei-o até a cozinha, onde coloquei o avental e abri a geladeira, procurando as verduras, que habilidosamente lavei e cortei. Em poucos minutos a salada estava pronta, já que eu havia feito uma salada feita mais de folhas e coisas que não precisava cozinhar.
— Gosta de salada? — perguntei subitamente, lembrando que ele poderia não gostar.
Ele torceu um pouco a cara e disse:
— Não sou um grande fã... Mas já que sua comida é deliciosa, vou provar.
Aquele elogio nada sutil me deixou tão feliz que não pude deixar de sorrir. E enquanto sorria, comi silenciosamente uma garfada de minha salada, esperando ele provar a dele.
Primeiro, vi que ele hesitou. Provavelmente a salada de sua mãe não lhe agradava nem um pouquinho. Mas depois ele encheu o garfo e colocou na boca logo de uma vez, para ver se seria um tormento ou uma benção comer aquela comida.
Aguardei ansiosa pela sua reação. Seu rosto relaxou os músculos e ele abriu os olhos com um sorriso no rosto.
— É... Com certeza não é nem um pouco parecida com a salada da tia Genevive. Muito boa, cara! Amei sua salada! — ele elogiou.
Comeu tão rápido a salada que ninguém acreditaria naquela história de que ele não gostava muito de salada. E quando terminou só não repetiu porque aparentemente notou o bolo e ficou encarando, pasmo.
— Foi você que fez aquele bolo enorme ali? — afirmei com a cabeça. — Caramba... Ficou muito lindo.
Sorri com o elogio e falei:
— Só falta provar para ver se está bom.
— Verdade... Quer que eu traga até aqui? Porque com certeza está pesado...
— Não. Eles podem trazer — Olhei para cima, procurando a presença deles, que se agruparam em cima de mim e ordenei: — Tragam o bolo para a mesa.
Em questão de momentos o bolo estava em cima da mesa e uma faca flutuava para minha mão. Mas decidi que a honra de cortar o bolo não cabia a mim:
— Tome. Você é o aniversariante; você é quem merece a honra de cortar o bolo.
— Mas foi você que... — ele começou.
— Sem \"mas\" — o interrompi. — A honra pertence a você. Você irá cortar o bolo.
Não sei se fui muito imperativa e fria com ele, mas vi que ele estremeceu um pouco, mas acabou cedendo e tirou o primeiro pedaço para si mesmo. Depois, ofereceu-me a faca e eu cortei o meu pedaço. O bolo estava tão bom que eu consegui comer mais dois pedaços com facilidade. Ele comeu mais três.
— Cara, estava muito bom... Que pena que já estou de barriga cheia... — ele se lamentou. Eu ia perguntar o que diabos ele queria dizer com \"barriga cheia\", mas um segundo antes notei que o significado era óbvio: ele estava \"satisfeito\".
— Que bom que você gostou. Realmente o bolo estava delicioso. E essa é a primeira vez que tento fazer um bolo, então estou realmente contente.
Alex ficou calado de repente. Me encarou profunda e significativamente nos olhos, como se estivesse meditando sobre algo realmente importante. Não quis interromper, mas o silêncio começou a ficar incômodo, então tive de quebrá-lo:
— Algum problema, Alex?
Alex não me respondeu. Apenas colocou delicadamente as mãos em minhas bochechas e começou a atravessar a mesa, seu rosto a cada segundo mais perigosamente perto do meu.
— Alex, o que você va... — ele cobriu meus lábios com os seus docemente antes que sequer pudesse reagir.
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