Maria menina

1 A consequência da homofobia.


Notas iniciais
Desculpe qualquer erro durante o texto.

Sim, os momentos de dor na vida de uma pessoa é para deixá-la mais forte, para fazê-la não desistir dos desafios seguintes da vida. Eu sei disso, mas me sinto fraca diante de tudo o que esta havendo. Vejo as pessoas que mais amo reagindo de maneira ignorante e assustada diante de algo que não entendem, recusando informação por medo, medo de que eu não sei, mas acho que o fraco de cabeça recua diante do que é novo, do não comum. Se recusa a estudar sobre com o pretexto de "Ninguém mexe na minha cabeça, nos meus conceito. É minha opinião e pronto". Ponho a culpa de minha “família” me tratar como, praticamente uma aberração, em todos esses lideres religiosos. Será que eles não pensam em todas as pessoas que são diferentes dele, tipo eu, adeptas a uma religião diferente e de sexualidade,será que eles não pensam que todas as vezes que eles lançam aqueles discursos contra a homossexualidade, pessoas, adolescentes, CRIANÇAS como eu, serão tratadas como aberração, pela própria família? Sendo sujeitas a tudo, porque nas escolas não se falam sobre isso e sofrem todo tipo de preconceito e agressão moral, e até física, dos outro alunos e as vezes até dos professores e coordenação do instituto de ensino, como já presenciei em minha escola no 1 ano do ensino médio. Boicotações a programas inclusivos, o incentivo a rejeições e ódio gratuito a quem eles nem ao menos conhece. Afinal, de que tem medo? Porque bater na mesma tecla, destilar tanto ódio a tantas pessoas que não conhecem? Ódio a mim, uma adolescente. Somos os mais prejudicados, será que não vêem o mal que estão fazendo a mim? Afinal, o que eu fiz há eles? Malafaia, Bolsonaro, Feliciano, Fidelix e sua tentativa de se criar uma guerra, “Combater essa minoria”. Combater a mim? Porque? O que eu fiz de grotesco que eu preciso ser combatido? Eu sou só uma adolescente, e desde já sofro com esses tipos de discursos, e isso tudo em um pais laico.

Minha “família” esta desse jeito, minha mãe não sabe reagir diante de tanta pressão de minha "família" e esta se desorientado, nesse ato de desorientação até me ameaça de morte, fala coisas que não desejo que nenhum filho escute de sua própria mãe, a mulher em quem você sempre se inspirou, a até então único exemplo de sua vida que passou até por violência domestica [Na sua presença], ameaçar tirar sua vida por você ser quem é. O receio de ser eu mesma em sua presença só aumenta, receio e medo do que ela irá falar, ou até agir de forma violenta que se tornou quase comum nos dias atuais. As outras pessoas tem sorte de sua mãe os abraçar e dizer que os ama do jeito que são e até lutar pelo seu direito a liberdade de amar e de viver, as outras pessoas tem sorte de ir dormir tranqüilos sem medo das promessas de morte de sua própria mãe, das palavras de maldição que te lança todos os dias, apenas porque seu jeito e trejeitos, seu aspecto físico (como se você pudesse mudar sua anatomia para se encaixarem um padrão hetero-cis-normativo imposto as mulheres). Li uma vez “Quando sua mãe te aceita e se põe ao seu lado do jeito que você é, a vida lá fora se torna mais fácil”. Eu nunca mais soube o que essas palavras realmente significam.

Quantas vezes eu já o tentei fazer eu mesma o que me foi jurado, gilete nos pulsos, observar o mundo e refletir em cima da ponte mais próxima da cidade a espera de pelo menos um segundo de coragem de se jogar. Eu já quis tirar minha vida, minha mãe me diz que eu não ligo para minha “família”, porque sou o que sou, mas é o contrário, por amar tanto ela que eu quase sempre cogito a hipótese de não viver a ter que viver excomungada da mesma. Já tive vários tempos difíceis de um tempo pra cá, uns bons, outros mais difíceis. Mas nenhum se compara a esse, se pelo menos ela não cedesse a pressão, procurasse ler sobre, estudar sobre o assunto de verdade, se pusesse em meu lugar e ficasse do meu lado, eu ficaria feliz, poderia enfrentar tudo e todos, com o amor de minha mãe.

Eu sou só uma adolescente, minha adolescência deveria ser tranqüila e feliz, como da maioria que vejo. Mas não é, eu conto os dias para fazer 18 anos e ir embora, sumir de todos os julgamentos que a “família”, que deveria me amar, faz a mim, e finalmente, trocar minha "família" por minha felicidade e paz de espírito.

Isso, apenas isso, e meu irmão que amo muito e me aceita e me ama bem do jeito que eu sou [Ele é evangélico e mais novo], é o que me impede de desistir. Uma vez minha professora falou "O maior ato de revolta de um negro, e um negro pobre, é estudar", então farei as palavras dela minha filosofia de vida. Eu negra, de cabelo crespo, corpulenta e nada feminina, classe C e de família conservadora e preconceituosa, que me condena de tudo enquanto, profere infernidades ao meu futuro e a pessoa que eu sou, meu grande ato de revolta é continuar viva, estudar, trabalhar honestamente, me tornar uma cidadã de BEM e vencer na vida. Ter minha futura Família (não tradicional) e ser feliz até quando der. Esse é o futuro que me aguarda, e que todos me aguardem.

Podem me chamar de Maria, tenho 16 anos e sou Brasileira, negra e nordestina.

Notas finais
O texto é de minha autoria e de acontecimentos verídicos, Maria não é exatamente meu nome, como sou de menor e não propriamente assumida, acho melhor não expor minha identidade assim, para minha proteção.
É apenas um desabafo de um momento de abalo, de reflexão e até revolta.
Vocês já pararam para pensar nas consequências desses discursos de odio que são feitos sem nenhuma impunidade? Bem, eu senti na pele essas consequências, e como não vejo ninguém fazendo algo, resolvi não me calar mais. O estudo como minha maior revolta, eis-me aqui. E não me calarei tão cedo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!