Maria e a Dança dos Sonhos
1 Prólogo
Notas iniciais
Duas semanas se passaram desde a ultima vez que MaFer se reuniu com todo mundo para se despedir de Shay. Agora ela caminhava em direção ao ponto de ônibus, hoje retornaria a dar aulas na Academia de Dança Vilma Dolores, lecionava aulas de jazz, no entanto ela sabia dançar todos outros estilos, balé, valsa, salsa, bolero, ragatanga e muitos outros. Foi formada na mesma academia, na qual ela trabalha, era mais que apta para dar aula naquele centro educacional. Suas notas e condutas foram boas, mas nunca as melhores. Mandy, melhor amiga de Mafer, era a melhor da classe, e sempre foi. Não é atoa que hoje ela já tem uma carreira internacional sólida. MaFer ficava muito feliz com o sucesso da amiga, porém, as duas ficavam chateadas por não conseguirem crescer na carreira juntas, este sempre foi o sonho das duas desde crianças, e elas nunca esqueceram do dia em que não deu mais para lutarem para seguir em frente juntas.
No dia que seus caminhos começaram traçar rumos diferentes foi quando Mandy e MaFer se apresentaram juntas na prova final do ultimo ano da academia. Neste dia há uma celebração toda especial inclusive um olheiro era convidado para observar novos talentos, e naquele ano não foi apenas um olheiro qualquer, ele era um integrante da direção de um show na Broadway. No entanto esse olheiro era apenas um entre outros pecorrendo o mundo a fora em busca de novos talentos com altos níveis de potencias. Ou seja, aquela apresentação era muito importante para carreira dos alunos daquele ano, além de ser a prova final da academia, uma reprovação seria refazer aquele ano todo e ficar marcado com uma falha logo no inicio da jornada, havia uma oportunidade muito boa, ou melhor se não perfeita para a carreira de qualquer pessoa que queira ter sucesso no show bussines. Não era a primeira vez que Vilma Dolores recebeu um olheiro de alto nível, mas foi a primeiro vez que solicitaram um de seus alunos, e este aluno foi Mandy. O interesse de direções de alto nível por Mandy não foi a primeira vez, ela já havia sido chamada para outros estrelatos, no entanto recusava a todos, sempre tentava mostrar a MaFer, sempre à apoiava e a indicava aos que havia interesse em Mandy, no final sempre insistia que só aceitaria se sua amiga fosse, a conclusão sempre a mesma, nenhuma das duas eram convocadas. Mas uma proposta para atuar na BROADWAY! Era irrecusável. Porém Mandy seguia o seus sonhos a risca e nunca desistia de estrelar em um show de grande importância com a MaFer ao seu lado. De primeira Mandy pediu para pensar na proposta. O olheiro deu apenas um dia, o que era justo. Neste um dia foi muito corrido e agitado, no entanto deu tempo de MaFer e Mandy conversarem bastante. Não só com MaFer, mas Mandy conversou com sua família, afinal ela iria deixar o país, embora os pais muito animado estavam preocupados se a Mandy repetiria a insistir levar a MaFer, mesmo o olheiro não tendo interesse na amiga, que acabou terminando em briga familiar. Mandy confusa com a proposta e a MaFer estava chateada e super feliz ao ouvir a noticia, novamente apenas Mandy se destacou, não entendeu o “porque?”, a cabeça da garota começou a ferver e pensar em certas coisas, que própria julgou egoísta e não gostou nada de pensar daquele jeito. Tudo o que ela pensava era: “Por quê? Como assim a Mandy foi a única a se destacar? Fomos nós que montamos tudo! Juntas! Os passos eram praticamente os mesmos. Onde foi que eu errei? O que ela fez de melhor? Eu e ela nos esforçamos bastante. Eu me dediquei tanto quanto a Mandy! Por que, como sempre, não me destaquei?! Nunca me destaco! Sempre Mandy! Tudo ela!”. Mandy estava em sua frente perguntando o que ela faria, e a MaFer falou o obvio, Mandy tinha que seguir sem ela e não fazer nenhuma exigência nem nenhum tipo de maluquice que fizesse o olheiro perder o interesse nela. Embora ela tenha pensado desta forma ao receber a noticia, sua melhor amiga estava indo estrelar na Broadway! Muito insano! Tinha que apoiar. Ela falou de primeira:
— Você tem que aceitar! Não venha com aquele papo que ele tem que me levar!
— Não MaFer! E os nossos sonhos? Não posso deixar você para trás!
— Eu sei Mandy, mas não tá dando, eu sempre fico para atrás e a sua vida está se atrasando por minha culpa! – após a MaFer terminar de falar Mandy tampou a boca com as mãos desacreditada.
— Você pensa que sempre foi um atraso na minha vida? – Mandy perguntou chocada.
— Não é bem assim... – MaFer fez uma pausa e retornou – Se não fosse por este sonho bobo de “sempre juntas, sempre unidas e nunca abandonar”, você já teria o seus destaques a muito tempo, ou melhor, era bem capaz de já estar famosa. Mandy você nasceu com um talento enorme! E eu me esforço...
— Para com isto! Você também é talentosa MaFer! E NÃO É UM SONHO BOBO! E alias é o nosso dilema! “Sempre juntas, sempre unidas e nunca abandonar!” por isto eu vou lá falar... – Mandy é interrompida por MaFer.
— Que aceita! Você não pode forçar querendo me levar! Não estrague sua vida por mim!
— Não estou estragando minha vida! É meu sonho! Quero você lá comigo! Por isto vou pedir um tempo para pensar, creio que ele não me dará um grande tempo, mas já é algo para conversamos. Até lá vamos ter outras conversas. – Mandy abraça MaFer e ainda abraçada diz – Por favor, nunca mais pense que você está me atrapalhando, você é muito importante para mim.
— Tudo bem. – deram um abraço mais forte e apertado. Com isto Mandy saiu da sala de espera e foi de encontro com o Sr. Olheiro.
Neste momento com a cabeça encostada na janela do ônibus, MaFer lembrou daquela noite que mudou completamente a vida de sua amiga. Pensou sobre seu próximo teste, pensou se conseguiria passar para a próxima etapa, pensava se seria capaz de ser convocada para o balé principal. Em sua mente correu por vários assuntos, termino com o Lucas, o novo garoto que conheceu Rodrigo, a volta das aulas, o teste, as atuais condições familiares, eram tanto a se pensar que parecia que sua cabeça ia explodir, principalmente, pensava qual seria o assunto particular que a diretora lhe convocou para reunião. MaFer chegou ao seu destino, desceu do ônibus, e bem na sua frente estava Academia de Dança Vilma Dolores. Ela entrou e foi observando o local, tudo estava exatamente como ela havia visto da ultima vez. Olhou para o relógio e viu que estava um pouco atrasada para a reunião particular com a Diretora Carla Dolores, neta de Vilma Dolores. Esta marcar uma reunião com um dos professores, sem anunciar o assunto, era algo muito raro de acontecer. MaFer estava meio aflita sobre o assunto que seria tratado. Ela ficou ali encarando a porta, suspirou e bateu. Logo em seguida escutou a permissão para a entrada. A menina se sentou de frente a Carla, esta repousou a mão sobre a mesa e começou a sua proposta.
— Maria, bom dia. – MaFer respondeu com um bom dia e permitiu a diretora prosseguir. – Bem, o que eu gostaria de falar é uma oferta de trabalho extra, aqui na Academia mesmo. Como você sabe, todo ano ocorre o campeonato de dança nacional, que é dividida em três: Seleção, Regional e Final, mais conhecida de fato como a fase Nacional. A primeira fase não chega ser nenhum desafio para nossa Academia e quase nenhuma outra, é muito difícil não ser selecionado para participar do campeonato, tem que mostrar uma apresentação muito ruim para os jurados. Mas a partir das regionais só os melhores vão restando. E eu ficaria honrada em ter você como a treinadora da equipe. Tem algum interesse?
MaFer engoliu seco, ela ficou realmente apavorada, afinal só havia sido convocada uma vez em cinco anos que estudou na Vilma Dolores para este campeonato quando era aluna. Até Mandy em seus cinco anos só foi convocada duas vezes. Para ser convocado não bastava ser o melhor, mas ter um coração frio, ser competitivo e se entregar total nas atividades de treino para o concurso ao ponto de se importar mais com desempenho com a campanha do torneio do que com as notas nas aulas. De vez em quando selecionavam pessoas sem estas características, tipo a MaFer e Mandy não possuíam tais caracteristicas, no entanto a maioria da equipe seguiria esta base para vitória. O ano que a MaFer participou a Academia ganhou, e a Mandy estava neste time. Mesmo com a Mandy no time, todo o campeonato foi aterrorizador, se não fosse sua melhor amiga por lá, MaFer teria desistido de toda aquela presão e ensaios exaustivos, foi um ano bem difícil. Mandy sempre apoiava a amiga e o ao contrário também acontecia. No final de tudo MaFer até gostou da experiência, todo o extresse deixou a menina mais preparada para situações futuras. No ano seguinte, a Mandy foi convocada novamente, mesmo com a aluna mais talentosa e famosa da academia, a Vilma Dolores ficou em terceiro lugar. MaFer não sabia se seria capaz de comandar um time feroz e outra questão que lhe incomodava seria ter que cuidar das suas turmas de jazz ao mesmo tempo que treinava um time sedento por vitória. MaFer reparou que demorou a dar resposta quando a diretora perguntou novamente.
— Então, vai aceitar?
— Fico grata pela minha escolha, mas tenho que recusar. Não serei capaz de cuidar de todas as turmas e ainda treinar a equipe para um campeonato de peso, tendo em vista que estou precisando do dinheiro das minhas turmas, não posso abandoná-las.
Carla deu uma risadinha maléfica e disse.
— Creio que não saiba, mas não precisará continuar a cuidar de qualquer outra turma, só precisa treinar a nossa equipe. Senhorita Maria, nós consideramos a competição um assunto muito sério, com isto precisamos de um treinador que esteja com a equipe de corpo e alma, sempre preparando coisas novas e inovadoras para as apresentações. Outra informação importante é que seu salário será muito maior do que cuidar das suas turmas, será facilmente o triplo do valor do seu salário atual. E se o novo salário não for o suficiente creio que possamos aumentar tranquilamente. Maria Fernanda, nós realmente queremos você no comando.
Depois de ouvir sobre o novo salário bem gordo, MaFer ficou bem tentada. Mas continuou recusando.
— Desculpa, não posso aceitar. Este ano preciso de um emprego mais leve que eu possa dar conta e investir na minha carreira. Apenas com as turmas de jazz, já fico feliz. Vai dá para acertar as coisas lá em casa. Tem outra coisa que me incomoda, não tenho certeza se conseguirei treinar.
— Maria. Nunca sabemos se estamos preparados para nada se não tentar. E finalmente, chegamos no ponto mais importante, a fama. Ao ganhar este campeonato, você acabará ganhando muita notoriedade no meio, é um passo bem importante. Aliás, é este um dos motivos para a troca de treinadores todos os anos, ou melhor, quase todos os anos, quando um treinador é incapaz de vencer é trocado, mas quando é um vencedor ele decide se permanece no cargo ou cai nas tentações das mil ofertas de emprego, e bom, a segunda opção sempre acaba roubando nossos treinadores. Agora em questão de salário, se o seu atual vai dar para ajudar a vida na sua casa, imagina o novo? Não sei o medo que está tendo para aceitar, sei que você é capaz MaFer, nunca teve seu destaque na Academia, chegou sua hora! Mostre seu potencial! Vai aceitar?
Realmente, o novo salário ajudaria muito. Realmente, nunca ganhou destaque naquela academia, em nenhum dos seus 7 anos lá e é a primeira vez que querem tanto o seu trabalho. Realmente, ganhar o campeonato traria boa fama ao seu nome. Realmente, não tinha como aceitar. Foi o que MaFer pensou.
— Eu acho que aceito. – MaFer disse com muita incerteza.
— Você acha? – Carla levantou apenas uma das sobrancelhas e encarou MaFer nos olhos.
— Eu aceito...
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