Maria

1 Capítulo único


Maria é uma doce mulher dona de casa e de sua família, composta por seu marido que é um empresário rico, e seus dois filhos, sempre os acompanhado em seus estudos. Maria também participa ativamente de sua igreja evangélica, como também de varias ONGs e grupos de bairro e trabalho voluntario, Maria é um exemplo de mulher.

No domingo logo cedo Maria acorda seus filhos e seu marido, dizendo que todos são muito preguiçosos, e que todos devem se esforçar para conseguir seu lugar no reino de deus. Quase histericamente, Maria faz todos se arrumarem as presas, por que ela tinha que chegar antes de sua colega, pois se não iriam falar mal dela durante todo o culto, mas ao mesmo tempo criticou varias vezes as roupas de todos os membros da sua família, os fazendo trocar varias vezes, pois eles tinham que dar orgulho a ela, coisa que eles não estavam fazendo, e isto os fez demorar mais a sair de casa, e assim Maria culpa a todos pelo atraso, prometendo que na volta as crianças iriam apanhar para aprenderem a lição.

Ao chegarem à igreja, Maria sorria para todos, apresentando sua adorável família, e como tinha orgulho de todos por serem maravilhosos, até o momento que vê, um mendigo conversando com um corvo, “como pode um doente mental, ou no mínimo alguém conversando com um demônio estar tão perto da igreja? “ pensou a mesma, se dirigindo delicadamente ao mesmo.

–Meu senhor, você poderia sair daqui? Estamos no território de deus, e o senhor no estado que está aqui, é uma afronta a ele.

O homem logo se volta a ela, e o corvo pousa em seu ombro direito, ambos olhando fixamente para Maria. – Não me chame de senhor, apenas ele pode ser chamado assim, e seu próprio filho, cristo, andou entre o povo, ele, por opção própria, era um de nós, e o mesmo está comigo, sempre estará em todos nós, mas você não mostra a luz que diz ter, Maria a caridosa, poderia me ajudar? Não como a algum tempo.

A mulher então fica enfurecida, como pode um maltrapilho zombar com ela, e ainda assim pedir algo da mesma? Logo ela usa sua bolsa para bater em seu rosto, e no processo acerta também o corvo, o atirando no chão, processo que o feriu gravemente. – Te livrei deste mal espírito, não há bênção maior. – Se vira bruscamente, caminhando de volta a sua igreja.

Maria não olha para trás, volta para seu grupo, onde todos simplesmente ignoraram o ocorrido, afinal uma mulher tão santa quanto ela nunca iria fazer algo ruim, ela realmente estava liberando aquele coitado de uma maldição ou coisa do tipo. Como sempre ela ajudou no culto e foi a que fez a maior contribuição, afinal ela queria ter certeza que queria ir ao reino de deus, porem diferente dos outros cultos, o pastor lhe pediu para ir buscar uma estátua na casa de uma velha senhora que ficava um pouco afastada da cidade, o que ela aceitou com certa estranheza, e disse para seu marido e filhos que iria sozinha, a pé, por que se tratava de uma peregrinação santa, que era missão só dela, e para eles voltarem com o carro, como prova de sua generosidade.

Maria então subia a montanha, a caminho da casa da senhora, que já foi considerada uma santa pela igreja local, quando mais nova, mas que agora se isolou por que não tinha mais capacidade física para descer a montanha normalmente, mas continuava a fazer estátuas para a igreja. Porem no meio do caminho começa uma chuva forte, e no desespero Maria se abriga em uma pequena capela acoplada a uma pequena casa, que é residência de um pastor, que se assusta com sua entrada, mas logo se volta para uma janela.

–Minha criança, você chegou em uma má época, estamos no meio da provação.

–O que exatamente é isso?

–Todo mês, um temido demônio tenta se apossar do poder que há nessa montanha, porem tanto eu quanto a santa protegemos a mesma por quatro dias, porem todos fora de nosso domínio são destruídos por este demônio.

–Santa? Acho que é a pessoa com quem eu deveria pegar uma estátua nova para nossa igreja na cidade.

–Provavelmente, ela é uma mestra artesã, dizem até que são suas estátuas que protegem toda a cidade.

–Mesmo morando nessa cidade a tantos anos, nunca ouvi essas historias... – Maria se apresentava desconfiada sobre a credibilidade do que ouviu, mas logo acredita de fato, afinal por que um pastor iria mentir para uma mulher tão santa quanto ela?

–Está é uma historia muito antiga, realmente seria difícil alguém tão jovem a conhecer.

–Jovem? – Maria se mostra encabulada. – O senhor não parece ser velho.

–Então acho que sou mais velho do que você imagina – O homem grisalho se vira para ela, sorrindo. – É ótimo que tenha vindo conhecer a montanha, ela possui uma energia realmente interessante, por este mesmo motivo que a santa mora aqui, para poder esculpir suas estátua com pedras que já emanam sua energia, porem teria sido melhor se tivesse vindo pelo menos quatro dias mais tarde, hoje é apenas chuva, mas nos próximos dias realmente se tornará perigoso lá fora, pode se abrigar aqui, tenho comida e água suficiente.

–Desculpe incomodar, mas irei aceitar seu convite, realmente não parece seguro lá fora. – Toda essa historia parecia anormal, mas mais uma vês, não entendia o por que duvidar de um pastor.

O resto do primeiro dia até que correu bem, fora aquela chuva forte, nada parecia que realmente iria por suas vidas em risco. Então ambos passaram o resto do dia discutindo sobre os ensinamentos de deus e a igreja, o pastor lhe contou mais algumas lendas antigas sobre a região, como também algumas historias, mas antes que realmente pudesse terminar um assunto, Maria começava a se vangloriar de como era uma esposa exemplar, como cuidava de todos a sua volta, e como todos não viveriam sem ela, até falou como no mesmo dia tinha salvado um mendigo de um espírito que o estava possuindo, e quando o fez o pastor se assustou, e disse que ela tinha sido muito agressiva, mas logo jantarem, e o pastor ofereceu sua cama para Maria, enquanto o mesmo dormia em um dos bancos de sua capela, o que ela aceitou.

No segundo dia Maria acordou aos sustos, a chuva do dia anterior se tornou uma tempestade, porem ao perceber isso, o pastor que já tinha acordado, e pregava calmamente tábuas em uma janela, disse que nada tinha a se preocupar, pois mesmo sendo pequena, aquela também era uma casa de deus, e por isso nada os fará mal, mas também pediu para ela lhe ajudar colocar as tábuas em todas as janelas e na porta, para garantir a proteção dos mesmos.

Mesmo percebendo que havia uma certa contradição nas palavras do pastor, Maria o obedeceu, pois confiava em um homem de deus como ele. Disse então que estava assustada com aquela situação, nunca tinha corrido risco de vida, ainda mais por um ser tão maligno antes, mas logo o pastor a acalmou, dizendo que só haveriam mais dois dias, que se ela fosse forte poderia livremente ir para a casa da santa pegar a estátua para levar ao pastor da cidade. Após ter fechado todas as janelas, a capela estava completamente emergida na escuridão, quanto então o pastor ascendeu varias velas e as espalhou, então Maria se acostumou com a situação, e então a ignorou, até o próximo dia.

A tempestade se tornou mais forte ainda, a ponto das janelas e a porta tremerem, criando um grande eco em toda a capela por causa das tábuas de madeira, mas já esperava por isso, então Maria se mostrava razoavelmente calma, até o momento que o vento pareceu tomar uma voz quase divina.

–Maria! Saia daí, você está presa em uma gaiola, uma ilusão... Maria! Se continuar ai sua vida corre risco, as coisas não são o que parecem. – Ao ouvir isso a mulher se apavorou, mas logo o pastor colocou a mão sobre seu ombro com calmaria.

–Esse é o demônio te chamando para fora da casa de deus, para poder usar sua vida para se tornar mais forte, fique aqui dentro dessas paredes, que nada lhe fará mal.

Logo Maria se acalmou mais uma vês a presença de um homem de deus a deixava segura, dentro da casa de deus nenhum demônio irá entrar, estava certa disso, e mesmo o que a voz dizia fazer algum sentido, por que afinal essa historia foi estranha desde o começo, não tinha que duvidar do pastor, por que também, afinal os demônios usam da lábia para conseguir as almas dos humanos.

– Maria Maria Maria Maria Maria Maria Maria Maria.

A mulher acordou aos sustos, ouvindo seu nome sendo repetido por todos os lados por vozes tão estranhas, e após isto, um riso histérico com uma voz masculina. logo que abriu os olhos, viu-se rodeada de corvos, que estavam empoleirados em cima das decorações da capela, e ao se levantar para ver de onde vinha os risos, viu a figura do pastor com assas negras.

–Maria Maria, não creio que chegou até o quarto dia, o dia da morte. – Ria mais. – E imaginar que até deus tentaria ajudar uma criatura tão deprimente quanto você, mas ainda assim você continuou a me ouvir.

–O que está acontecendo? Você não é um homem de deus? O que está fazendo com essas assas?

–Realmente sou um homem de deus, na verdade acho que “criatura de deus” se encaixa melhor, afinal, mal sou humano, sou o espírito da vingança de toda discórdia que você criou! Essa forma foi criada pelo seu assassinato.

–Ma-mas eu sou uma santa! Eu dou minha vida pelos outros, eu faço tudo o que me pedem sem ganhar nada!

–Se realmente crê nisso, realmente está no lugar certo – Ria ainda mais, quando todas as luzes foram apagadas.

Depois que o marido de Maria suspeitou do fato dela não ter voltado, ligaram para policia para avisar o acontecido, dando todas as informações que sabia, e ao subirem a montanha, encontraram o corpo de Maria, com muitas marcas de garras e bicos, em uma construção caindo aos pedaços.

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