Notas iniciais
Já faz algum tempo que venho pensando em postar algo aqui, e, finalmente, tive a coragem de assim fazer... De qualquer jeito, desejo-lhes uma boa leitura.

A brisa leve e quente embaraçava suas mechas de cabelo, cuja tonalidade era tão clara quanto aquela manhã ensolarada. Era mais um dia normal para Francis, que acabava de sair de casa para comprar o café da manhã: baguetes e açúcar.

O calor não o incomodava, porém causava uma lassidão geral e visível em todos que passavam na rua, incluindo ele mesmo, enquanto a calçada refletia a vivacidade do Sol, que, com a mudança de claridade, provocou-lhe uma cegueira momentânea quando entrou na padaria. Era aconchegante, porém escurecida. As únicas fontes de luz provinham de uma fresta da janela e do escaparate, já um pouco velho e quase caindo.

Ao aproximar-se do balcão, Francis encontrou uma pequena garota com a cabeça quase enterrada em um armário, que surpreendentemente retirou-se com facilidade, deixando escapar um "Ufa." e um sorriso de alívio.

– Bom dia, Francis. O que vai querer? — Cumprimentou Brigitte, a filha mais velha de Colette. Ela ainda tinha 14 anos, mas já ajudava sua mãe no balcão.

– O de sempre.

– Fresquinho e saindo do forno! — Ouviu-se sua voz. Colette sempre foi animada por qualquer coisa, mesmo que se fosse mínima. Ela entregou os pães macios e de cor quase dourada, que se encontravam num saquinho finíssimo de papel, prontos para serem levados para casa, nas mãos do mais alto. Francis, portanto, retirou alguns trocados desajeitadamente de dentro do bolso. Suas calças largas quase se arrastavam pelo chão (o físico do francês também não era grande coisa, e ele se esquecera de vestir o cinto naquela manhã).

Ainda assim, Francis era orgulhoso de si. Quem diria, que o mais espirituoso e menos reconhecido pintor francês, Francis Bonnefoy, acabasse apaixonando Lisa, a moça mais interessante daquele mundo inteiro (pelo menos para ele)?

Era incompreensível.

Lisa era linda. Era a alma de Francis: apenas o pensamento de estar sem seu amor deixava-o infeliz. Ele jurava amá-la cada vez mais, a cada dia que passavam juntos. Sua boba paixão acabara se tornando necessidade, e, desde então, fazia tudo o que sua amada mandava. De qualquer jeito, era indiferente, a moça era a mais humilde e amável mulher que havia pisado nesta terra e, com certeza, nunca faria algo de mal, nem pediria coisas absurdamente caras para ele. Porém Francis, como sempre, insistia em presentear-lhe joias e presentes. Como Lisa se irritava com seus agrados, ele apenas dava uma leve risada e dizia 'é inevitável'. Aqueles eram dias de mel. Doces, como tal.

Ao sair da loja, o jovem logo avistou algumas crianças brincando com uma mangueira. Lembrou-se do tema polêmico que fez sua amada entrar em crise. Talvez eles pudessem ter filhos. Podiam tentar mais uma vez...

Uma buzina ensurdecedora soou tão alto quanto a explosão de uma bomba. O saquinho de pães caiu no chão. Junto com ele, o próprio pintor caiu ao mesmo tempo, suas mãos suando e seu estômago dando voltas, como se tivesse acabado de levar um soco.

Sua vista parecia escurecer. Logo se levantou, correndo, esbarrando na aglomeração de pessoas que começava a formar um círculo ao redor do 'show'. Caiu novamente. Levantou novamente. Policiais surgiram e barraram sua passagem. Gritou seu nome, em vão. Desmaiou.

– O que aconteceu? – Alguém perguntou, entre murmúrios.

– Atropelaram alguém. – O outro estranho cochichou.

– E... Quem foi?

– Foi... Francis.

Foram as últimas palavras que Francis ouviu, antes de perder os sentidos.

Notas finais
Obrigada por ler! Peço paciência por precaução, caso eu cometa erros, demore, etc. Então... do que gostaram mais? Agradeço muito se escreverem um feedback sobre minha fic. É a primeira que posto, então o quanto mais críticas, boas ou ruins, melhor.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.