Margaret Através do Espelho
10 Capítulo 10
- Eu não entendo porque você está assim comigo de repente. – Ele parecia magoado quando disse isso.
Depois ficou quieto, provavelmente mergulhado em seus próprios pensamentos. Mas eu não tinha tempo agora para ficar preocupada em ter magoado ou não meu animalzinho de estimação. Eu já tinha perdido malditos quatro anos nessa droga de lugar, talvez por culpa dele e não queria perder nem mais um segundo. Eu estava decidida a encontrar o caminho de volta para casa.
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Ouvi o “toc-toc” na porta e fui atender. Devia ser Diego, afinal, eu o estava esperando para irmos juntos à cidade e...
- Você está simplesmente deslumbrante com esse vestido. – E ele comentou, sorrindo, segurou meu rosto e foi aproximando lentamente, até colar nossos lábios.
- Eu me sinto meio estranha com essa coisa. – Eu disse quando nos afastamos.
- Para mim você está linda assim. – Diego segurou minha mão e foi andando para fora do quarto. – Vamos.
- Fecha a porta. – Eu pedi.
Então, Diego soltou minha mão e virou em direção à porta, olhando para dentro antes de fechar.
- Tchau, Simon. Não precisa ficar com essa cara, ela está em boas mãos. – Ele falou ao ver o meu lêmure emburrado em cima da minha cama.
- Ele queria ir também... – Eu justifiquei a cara emburrada do Simon.
- Tem certeza que está se sentindo bem? – Diego perguntou. – Saindo por ai sem seu baixinho...
Eu ri e mudei de assunto. Não queria que ele soubesse porque eu não queria levar Simon agora. De qualquer forma Diego estava mesmo feliz por poder estar comigo sem o meu lêmure por perto. Primeiro porque, convenhamos, ele não parece simpatizar muita com a criaturinha. Segundo que poderíamos namorar em paz, embora não fosse essa minha intenção ao sair apenas com Diego para a cidade, por mais que parecesse...
Um carro preto, antigo e bem cuidado, estava a postos em frente à casa do zoológico. Surpreendi-me ao ver que o motorista era aquele rapaz loiro, com alguns fios grisalhos, alto, que já tem quase sessenta anos...
- Boa tarde, David. – Diego cumprimentou o senhor.
- Boa tarde, Death Chevalier.
O garoto da cicatriz abriu a porta de trás do carro, deixando-me entrar. Ele também estava lindo, com um paletó azul marinho, que me parecia formal demais para ocasião, mas caia super bem em seu corpo um pouco malhado (ele não era bombado, mas tinha músculos na medida certa).
- Se não se incomoda, senhorita Margaret, sentarei na frente, para o meu amigo aqui não se sentir tanto como motorista. Afinal, é só uma carona, certo, David?
- Não precisa disso, pode sentar atrás. Antes eu ficar de motorista do que ela ficar sozinha. – O senhor disse, dando um tapinha nas costas de Diego, que entrou no carro e sentou-se ao meu lado.
David fechou a porta de trás e entrou no lugar do motorista.
- Vou deixá-los na entrada da área comercial da cidade, já que a mocinha quer fazer compras. – Ele falava enquanto ligava o carro. – Depois terei que ir, parece que tem um quiróptero na cidade, a cruz vermelha me chamou para dar um jeito nisso.
- Um quiróptero na cidade?! – Eu exclamei, um pouco assustada. Eu já sabia que eles estavam espalhados por todo canto, mas achei que a cidade fosse um dos poucos lugares seguros, depois de tanto tempo que a cruz vermelha tem trabalhado para eliminá-los.
- Sim. Mas você está em boa companhia, senhorita, não precisa se preocupar.
- Não digo por isso, David-senpai, não tenho medo deles. Mas eu não sabia que também tinham quirópteros na cidade.
- Na verdade, é onde mais tem. É onde eles podem se alimentar do sangue humano, o que eles preferem. – Eca.
- Agora que Saya despertou, eles irão atrás dela. Espero que ela recupere a memória antes que os quirópteros alcancem o Zoológico. Diego, sabe que logo terá que voltar a ajudar a Cruz Vermelha, não é? – Essa ideia me deixava um pouco assustada.
- Sei sim, David. Não se preocupe.
-Você trabalha na Cruz Vermelha?! Quer dizer, você também é um quiróptero!
- Mag, minha rainha pediu, eu não podia recusar. Sou um Chevalier. – Ele também não parecia muito animado com isso. – Sou só mais uma peça descartável, na verdade. Quando isso tudo chegar ao fim, Saya vai me matar também...
- Saya abandonou a ideia de se matar e ela manteve as sobrinhas vivas também. Os planos dela já não devem ser os mesmos. Até porque o próprio Haji disse para ela que queria viver e que a queria viva também. – Isso me deixava bastante aliviada, ninguém tentaria matá-lo. Mas ainda me preocupava a ideia de Diego querer continuar aqui ao invés de voltar para casa... — Bom, quando vocês quiserem que eu busque vocês, só me ligar. Já deixei meu número com o Chevalier da Morte. Se eu terminar meu trabalho antes de vocês ligarem, ligo para vocês e decidem se voltam comigo ou se pegam um táxi. – A essa altura já estávamos na estrada. – Se encontrarem o quiróptero me avisem também. – Ele terminou de falar.
Logo eu já estava deitada no ombro de Diego, dormindo. Sempre me batia um sono quando eu entrava em um carro. Lembro que quando eu era pequena meu pai sempre dava uma volta de carro comigo para me fazer dormir... Bom, nem sei quanto tempo passou até que finalmente chegássemos à cidade, mas acho que tinha dormido bastante quando Diego me acordou.
By: Alice M. Schiller
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