Margaret Através do Espelho
2 Capítulo 2
No capítulo anterior...
-Sim, sim. Mas corra.
- Não aguento mais, Simon. Me desculpe...
Eu o coloquei de volta ao chão e deixei meu corpo cair sobre as folhas, exausta.
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Um gélido arrepio percorreu meu corpo quando vi o rosto tomado por uma cicatriz que ia da testa até a bochecha do lado direito. Uma venda escondia o olho distorcido. Havia um capuz preto que ia até a sobrancelha. Vi o rosto do Death Knight acima do meu assim que acordei. Ele tinha um sorriso macabro no rosto, mas não era em meus olhos e ele olhava, era... Em meus seios? Merda. Só então me dei conta de que minha blusa estava manchada de um liquido avermelhado. Eu devia ter dormido na floresta e... É claro que só acordo depois da foice perfurar meu peito. A foice já estava presa outra vez por nas correntes da capa dele, nas costas, bem como sua lâmina estava limpa. Ele era rápido... Onde estava Simon nessas horas? Mas o corte não parecia profundo e o coração é do lado esquerdo, ele havia me golpeado do lado direito e...
- Eu não quero te matar, Margaret.
- Ser um deles para mim é como morrer. – Sussurrei quase sem forças e... Agora a pouco ele tinha agido como se tivesse ouvido meus pensamentos.
- O sangue.
- O quê? – Minha voz falhava.
- Eu bebi um pouco... – Ele parecia pouco à vontade.
Só então reparei na gota de sangue sobre seus lábios e em como sua mão estava cheia de sangue. Do meu sangue. Ele lambeu os lábios e limpou a mão em um pequeno pano branco que tirou da pochete de couro que ele tinha amarrada na cintura, por cima de sua longa capa preta.
- Só aquelas criaturas podem fazer isso...Diego... Desde quando? – Esse tempo todo, isso que o ligava aos quirópteros afinal. Talvez isso explicasse o quanto ele havia mudado.
Eu coloquei a mão sobre a boca para tossir e minha mão estava molhada de sangue quando a tirei da boca. O Cavaleiro da Morte sentou do meu lado e colocou a foice sobre o tapete de folhas secas, próxima a ele. Tirou um frasco contendo um liquido roxo da pochete. Ele molhou o lenço com o liquido roxo e limpou minha mão.
- Ainda tínhamos quatorze anos. Devia ter uma semana que estávamos nesse mundo... – Ele começou a contar a história – As filhas de Riku nos chamaram para participar do piquenique no jardim do “Zoológico”. Mas Sarah se chateou porque invocou que não queria a boneca de vestido vermelho que Kai deu para ela de aniversário. Ela só queria a boneca de vestido azul, que era da irmã. Ai ela perdeu o controle e eu me coloquei entre os dois quando percebi que ela ia pular para cima de Kai. Ele já é um senhor e tudo mais. Mesmo que um cara magricelo de quatorze anos como eu era não possa fazer muita coisa contra um quiróptero. Além do mais a rainha deles. – Eu gemia de dor. O sangue continuava escorrendo pela ferida e a blusa já estava ensopada. Eu podia jurar ver os olhos de Diego naquele rosto enquanto ele tirava o nó que minha blusa fazia no pescoço, abaixando-a até abaixo dos seios para limpar a ferida com o lenço. — Ainda tenho essa cicatriz do lado direito do rosto, onde as garras dela tocaram. Sarah me transformou em Chevalier para que eu não acabasse morrendo, os golpes dela poderiam ter sido fatais...
- Eu pensei que você tivesse passado uma semana sob os cuidados da Dra. Julia.
- Sim, eu passei. Mas o sangue de Sarah já corria em minhas veias.
- E você já era um capanga do demônio.
- Margaret, a Sarah não é um...
- Ela é a rainha daqueles troços nojentos. – Praguejei.
- Nosso propósito é destruir os quirópteros. Mas Afrodite não de sente muito a vontade em um mundo humano...
- Então a história de Diva e Saya está se repetindo... Por que não acordam logo essa garota?
- Quando tentaram acordá-la antes da hora, há mais de setenta anos, Saya começou a matar todos que estavam em seu caminho. Ela não reconheceu nem mesmo Haji.
- E qual o interesse de Sarah em mim? – Perguntei.
- Ela quer saber se garotas também podem ser Chevalier. – Os olhos sombrios tomavam sua expressão.
- Não quero ser o ratinho de laboratório, obrigada. –Disse, tentando levantar, mas ainda não tinha forças, embora eu já estivesse bem melhor.
Seja lá o que fosse aquela coisa roxa, era um ótimo remédio. Eu podia ver a ferida se fechar numa velocidade anormal.
- Sempre vai se curar nessa velocidade quando for um de nós.
Não era muito agradável conversar com ele quando eu estava praticamente sem blusa. Eu tinha me esquecido desse detalhe por um instante... Com algum esforço amarrei-a outra vez em volta ao pescoço.
- Eu não vou me tornar um desses monstros.
- Pelo visto você ainda tem vergonha de mim... – Ele comentou, sem dar muita importância ao que eu falava.
- Você podia parar de ler minha mente! – Gritei.
Ele deu uma gargalhada estridente. Como se tivesse alguma graça! Eu devia estar com cara de coxinha...
Ele riu.
- Diego... – Murmurei.
-Sim, Margaret. Sendo o Cavaleiro da morte, Death Knight ou o Capanga do Demônio, como quiser chamar. Margaret, eu sempre serei Diego. Eu ainda estou aqui, mesmo com esse rosto marcado pelas garras da rainha que sigo há três anos...
- Argh. Você faz isso porque quer. Vamos voltar para casa, juntos.
- Como se houvesse algum jeito de voltar.
By: Alice M. Schiller
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