Marcia do planeta Tuite
4 Anonimorado (3)
Notas iniciais
Enquanto jogava Control (uma das cópias que ganhou), Marcia começou a sentir fome. E sempre vem aquela questão: parar de jogar para comer, ou jogar mais um pouco e esperar um momento melhor para parar? Já que nem os mais sábios dos filósofos conseguem responder essa pergunta, Marcia acabou olhando para a pilha de jogos ao seu lado e se lembrou do Magazine Luiza. Passou pela sua cabeça a ideia de pedir que seus anonimorados mandassem lanches para ela, mas logo a descartou, ela não gostava de se aproveitar das pessoas, e acabou pedindo um lanche para entrega.
Mal sabia ela que o entregador era um dos que haviam enviado aquela mesma carta do final de semana. Depois de levar pela primeira vez um lanche à casa de Marcia, ele ficou extremamente encantado com sua aparência e personalidade e anonimamente a pediu em namoro. Sua maior tristeza foi nunca ter criado coragem de falar pessoalmente com ela e conhecê-la melhor. Acabou vivendo somente com seu amor imaginário, livre de decepções, mas também vazio de realizações.
Quando soube que ela queria um lanche para aquela noite, depois de anunciar que estaria jogando Control, ele logo imaginou que Marcia estaria com fome e precisaria de energias para continuar com sua jogatina. Acabou levando alguns lanches extras de cortesia e uma deliciosa pizza de pão na chapa. Ela ficou muito feliz com a surpresa e achou que tinha ganhado um presente por ser uma cliente tão fiel da sua lancheteria favorita. E foi assim que Marcia dormiu extremamente satisfeita, bem alimentada e após jogar um dos jogos mais aguardados por ela.
Ao acordar e sair para trabalhar, Marcia se surpreendeu com a vista completamente branca à frente de sua porta. Não podia ser neve, então ela tocou para ver o que era: pilhas e mais pilhas de cartas cobrindo todo o caminho à frente de sua casa. Ela abriu algumas por curiosidade e todas continham novos pedidos de namoro, ou declarações anônimas. Por que as pessoas têm tanta coragem de falar o que falam de forma anônima, mas não falam isso pessoalmente? Elas estão se privando de viver muitas experiências maravilhosas em suas vidas.
Quantas pessoas não mandam cartas pelos gatos de patins para as pessoas que gostam, sem nunca ter coragem de conversar e realmente conhecê-las? O mundo precisava de mais amor, um amor autêntico e real. No caminho ao trabalho, ela decidiu fazer algo a respeito, mudar a estrutura de pensamento daquele planeta e daquelas pessoas.
Ela não conseguiria fazer tudo o que queria sem ajuda. Sua recém fundada organização precisaria de mais do que só a sua popularidade para criar algum impacto real nas pessoas. Ela precisaria de apoiadores.
Quando Oliver foi entregar suas cartas no dia seguinte, ela resolveu pedir sua ajuda. No início, ele ficou extremamente surpreso, já que normalmente as pessoas não conversam com ele, além de comer com muita felicidade a fatia de pão na chapa com salmão que ela lhe ofereceu. O dia anterior tinha sido muito atípico, pela primeira vez a gata Vanessa teve que dirigir o caminhão de patins para aquela região e ajudar a entregar todas as cartas da Marcia, que foram muitas, como ela bem soube.
Depois de contar a ideia de sua organização, suas motivações, e como ele poderia ajudar, um sorriso se formou em seu rosto. Essa ajuda inicial era simples, deixar alguns cartazes nos locais que as pessoas deixavam suas cartas. Como não era ele quem as coletava, ele não sabia exatamente o que conseguiria fazer, mas disse que daria o seu melhor. Sua vida tinha acabado de ganhar uma nova motivação e ele estava disposto a lutar por isso. A perspectiva de ter um impacto positivo na vida dos outros o deixou extremamente motivado. Ele realmente queria dar o seu melhor por esse trabalho novo.
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